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quarta-feira, 25 de maio de 2022

Negro y Blanco.

 Eu não sei falar de amôr. E espero nunca saber pôder falar. O falar de amôr é língua celeste da qual que por mais me empenho, me é difícil - falar um turco arranhado me parece ser mais fácil que dizer de amôr.

O amôr, como Minas das Geraes, me faz saber que existe, mas me é distante, e por vezes é inacessível, e quando vou a Minas me emociono e choro, canto e brinco, me dá sudorese e mêdo que eu cometa algo de errado na qual não possa ir para a Terra Santa no Brésil. O amôr, como Minas, tem curvas, môrretes e destêrros, lindas imagens, fé, e paz. Em parcos momentos, agitos, mas é amôr de paz, de cadeirinha na calçada, violão e riso aberto, sem medo. O amôr, assim como Minas, é poesia, é declamação, é música tão sacra, lírica, psicodélica e progressiva. Minas é a morena de cintura e sorriso tímido, de voz mansa e brado. Meu coração repousa em Minas, e eu não sei falar de amôr. 

E Minas, de minhas lembranças de garôto, de meu passado, tão distante, que nem lembro como chegar, como ficar, como falar, e me pego em gagueijos ao dizer o nome de Minas Geraes, quando olho o Céu. Amar é descer o São Francisco de canoêiro com tarrafa amarrada, e só sabe disso quem alguma vez já foi a Minas. É a beleza de sua arte sacra, seus sons, texturas, gôstos e pôvo trigüeiro. Só sabe disso quem foi até Minas e sobreviveu. É de ter mãos suadas ao vêr a minæira, e a cachaça deixar de ser proletariada para ser bêm comum. Minas é análogo ao amôr, e nem se sabe bem porquê. Mas quêm têm paz e quêm quer paz, volve a Minas. Eu deixei um belo tanto de minha paz em Minas das Geraes, na promessa d'eu ir a essa terra bendita, ou dela me dar sua filha dileta pra mim. 

Bem, eu fui a Minas algumas vezes, e senti sempre a mêsma cousa. Mas eu não sei falar de amôr. E não sei falar de Minas... e eu não sei se nem um suspiro da morena eu arranjo. Minas, e suas mulheres cercados de austeridade, me apaixonam e desarranjam.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Beco do Mota.

Desce com o passo apressado, aprecia a visão, segue um cortejo desconexo, com as pessoas que se comprimem e não cumprimentam, desce o Sol do Céu e tange o zênite com a morte. Morre o Céu, morre o atropelado, morre as oito horas trabalhistas, morre um pouco de tudo a cada dia. A Igreja tricentenária mantém-se imortal comparedes de taipa de pilão, sensação de paz e morte e o acobreado entrando nas narinas. Há de ser.
Quisera eu imprimir um pequeno gesto meu nas paredes e espaços que couberam no universo dessas ruas e dessas casas, desses copos e dessas garrafas, e quisera eu ser um alguém que realmente fosse de parte inteligente e interessante para alguém, quisera eu ter sido mais um dos que contestam, fazem e apeiam. Quisera eu ser o nôme que se dizem antes de dormir, linha razonal de ser alguém benquisto e bem-vindo pelas pessoas que me acercam - sabem de mim, mas não sabem acerca de mim, dizem saber de mim, mas guardam o que eu posso ter dito, ou fingem lembrar, ou lembram até onde cabem. Eles falam muito e nada dizem, eles penam muito pelos pecados ao longo da vida, eles dizem que esquecem, ou dizem o que lhês convém, sendo que o jeito é outro.
Aprendi, então, que na morte não existe fome, dor, tristeza, ou raiva. Existe a paz - que busquei minha vida tôda.
Decidi, então, deixar meu nome nos ladrilhos do triângulo, aonde ninguém (há de) sabe(r), mas quando notar, verá a minha fuligem lá, no chão, paredes, varandas, sacadas, architetura, nomeclatura e acinzentar, ali serei mais (m)eu do que serei (por) vocês. E quando nas bases sólidas dos pórticos das Igrejas ouvir o choro de quem pede o trôco, eu irei sorrir e deixar minha alma tão solta como o vento aonde os pássaros se voam para uma eternidade. Serei eu o que mais quis por mim, e pela vontade que me cabe, e deixarei escrito nas paredes o que vocês nunca quiseram ver, mas em tempo hão de encarar a realidade.
Há sangue inocente sendo derramado. Jorra-se água e vinho. Ao ler isto, será tarde demais.
Para os que achei serem meus, retiro o cargo de se encarregarem de algo, ando a perceber que faz quem quer, e ninguém tem motivo de poder incubir missões a ninguém. Ninguém é dono ou senhor de ninguém, tampouco pode se deixar preceitos ou missões post-mortem. Ninguém está nem aí pra porra nenhuma, e os poucos que estavam, agora, estão começando a deixar essa terra, e partir para novos rumos, novas histórias, e novos sentidos.
Há dias a vida deixou de ser vida.
Eu já me decidi, sem reconsideração.
Quem diz entender apenas vê a carne, e não sente o espírito, e por isso julgo de ser burrice. Julgo de ser idiota, julgo de ser digno de maldição, julgo de ser réu de morte, porque se cuida de carne, deve se cuidar de alma, de espírito de essência, não se deve limitar o cuidado na carne, pois a carne padece, mas todo cuidado dado a alma, seja por alento, alegria, ou conforto, este sim é digno de júbilo e de vero agrado a Deus, pois a alma não se corrompe ao descer da carne na terra fria. Os dias passam, e a dissimulação torna-se cada vez mais forte e visível. Em um quarto, uma pessoa chora. E no frio, a salvação não vem em forma de martírio, enquanto os corações duros reinarem.
Ao tocar o sino, cada fração minha há de deixar esse tempo e esse espaço, formando um novo local, e um novo minuto para minha existência, e aprendi (e continuo a aprender) a cada dia que passa que por mais que as pessoas digam que estão com você, não estão. Você apenas corre tão sozinho e cansado pelos caminhos sem ninguém a te dar alento, e a te dar seguridade. No final nada disso importa muito, e esta crônica de alerta social entona desabafo, e ninguém há (de ter questão) de entender.
No final, as pessoas só ganham carinho, valor ou um amôr (digno) quando morrem. Talvez seja esse o sentido: Morrer para ser (finalmente) amado de verdade.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Conversando no Bar.

Minha barba não é modismo. É voto.
É meu vaticínio a vida que escolhi, e o que quero para minha vida - escolha que pelo visto nunca mais me poderer desvincilhar, sequer cogitar não ser; Noto hoje que o têmpo me trouxe experiência para aprender a ficar quieto, não chorar na frente dos outros, e aprender a sorrir, mesmo quando tudo vai mal. Mais além, o têmpo me ensinou a pensar na frente, o que me dá tino necessário para ir ou ficar. Sentir ou absortar. Viver ou morrer.
Deitado, ouvi a notícia que atordoa, e caminhando, não sentindo o respirar, ouvi os outros pordizeres, até não entender mais nada, e apenas ratificar a verdade que sabia deste pôvo, tão estranho, pequeno, vazio e sem ter nem porquê de ser. No mesmo instante que a bomba caiu em meus ouvidos, lembrei da vida no interior, dos sinos tinando, e das Laudes. Lembrei da vida depois da morte, a 2ª vida. Lembrei dos amigos, e suas caminhadas, e de mim, tão pequeno, sempre se reduzindo nos mesmos de ser, ter, e viver. Até hoje não sei meu erro, mas, de facto deve de ser algo grave, pois não é possível.
No alto da madrugada, após a conversa com o Herói das Estepes, percebo que eu necessitei viver idosamente enquanto alguns outros modernos e contemporâneos necessitam dessa rapidez e fluidez na vida, nas coisas, no universo que orbita ao seu redor - nunca fiz ou quis ter parte nesse batalhão, ainda me pertenço e sei de mim.
Ainda com o peito em sangue, noto que ainda estou cansado e despreparado para muitas coisas, pessoas, e seus golpes; Melhor dizendo: Suas reações. Eu sou apenas mais um dos inúmeros rapazes burros, feios e bobos que trafegam na rua, nunca pude - e hoje mais ainda - e nem posso acreditar que exista a pureza que busco, ou a clareza retilínea dos factos que vivo, a pureza que eu busco, talvez esteja apenas na 2ª morte, indubitávelmente, e quanto as minhas decepções, já se fazem num saco grande, arrobatado e pesado, penoso. 
No mais, para acabar essa infeliz contra-crônica de ordem sentimental: Triste de mim por achar que as coisas iriam dar 100% certo, ou que eu iria ser feliz de primeira, ou do dias corridos, pensamentos e atos, mais ainda: Das coisas que foram ditas pela felicidade, pelo carinho, menos além, do sentimento de tristeza, por reviver a história e remoçar a dor do passado, ou por saber o final de uma história que poderia ter sido a mais linda de uma vida: Uma Torre Eifel que tornou-se Taj Mahal, um silêncio que quebrei achando que era recíproco, ou que pude me igualar a Thomas de Aquino, achando que eu poderia ter o Sol no peito. Ledo engano.

...O Sol só brilha para quem tem tempo de se queimar por Êle, não é?

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Cais.

O encontro com o amado, mesmo que com a lamparina cheia de azeite, é muito dificultoso, Abba. Tem sorte os que crêem n'Ele com força e altivez cega, e nunca por um dia n'Ele duvidaram ou questionaram seus designos - o caminho ao Excelso, de tão fácil, chega a ser tão díficil, tão pesado, tão torturante, que se faz traiçoeiro, não por Êle, nunca por Êle, mas pela conduta e pela vida que se leva depois de sentir o maná do Divino. Senhor, dai-mo de bebêr está água!
...E desesperadamente, cá nós (eu daqui, você daí) querendo se estreitar com Deus, aos trancos e barrancos, rezando por sinais, por um sonho, revelação divina, turvação nos Céus, sangue na hóstia, dinheiro no chão, promoção no emprego, beijar aquela moça, e pondo os sinais/prova/credo de Deus não na existência de Deus, mas sim em nosso benefício. Não queremos a prova de Deus por ser Deus e nos amar como filhos D'Ele, mas sim queremos que ele nos dê aquela "ajeitada", um "empurrãozinho", uma "agitada". Queremos que Deus seja Deus e nosso empregado.

Senhor Jesus Cristo, Filho de Davi, tem piedade de mim, um pobre pecador.

Disse Santo Thomaz de Aquino: "Deus não é uma medida proporcionada ou infligida, por isso não é necessário que esteja conosco em gênero de criatura". Mas, mesmo não estando em gênero, está em tudo e em tôdas as coisas podes ser encontrado, apenas nos esquecemos deste pequeno detalhe, assim como sempre perdemos as esperanças e esmorecemos, afinal, somos humanos, e errar faz parte de nossa natureza em trilha ao acerto. E como é difícil, Abba, trilhar o caminho certo, e fazer as coisas que ressonam em nosso coração serem atreladas aos deveres, e mais além, conciliar tudo nessa vida tão puta, que nos quer, nos usa, cospe e só nos torna a ter quando temos seu pagamento. Como é pesada a porta que abrimos e quase sempre se fecha após entrarmos.
No silêncio dos bancos, eu me encontrei, nos barroquinos e nos marrons de três nós. No meio dos moradores de rua com seus corotes, com a alegria dos confrades, e do Cristo pobre e crucificado, no terceirismo. E ainda sim, enquanto abro esta nova porta onde meu corpo pagão, mas já limpo passa, me cansa, como se depositasse todas as esperança num altar aonde não ocorrerá o mistério da fé. Mas uma vez sinto - como tantas outras vezes sinto - que perdi o tino.
Sinto me desajustado, atrelado, feio, ignóbil, burro e bobo. E quando ando, não sei se os olhares que pairam em mim olham pelo fato d'eu ser coisa exótica que não se vê nas ruas, ou realmente realça em mim a aura do que carrego em mim, dos meus valôres, ou se resplandece em mim. Não sei dizer ao certo se no fim das contas se mostra a excentricidade d'eu ser meu, ou se as pessôas notam a incrível paz que carrego em mim por ser quem eu sou, e a felicidade que emano em ser o que eu sou; A cada dia me sinto mais distante das pessoas, e mais distante das coisas que me trouxeram aos lugares que gosto de ir, e me sinto mais distante da idéia comum de vida que meus amigos tem, e me sinto cada vez mais distante de entender o outro, quebro a regra agora para dizer ao menos uma vida que gostaria de ser entendido, e ter quem me console na hora da solidão. Mas isso é só uma nuvem que sempre passa, e nunca se pesa sôb mim.
Peço a Deus a fiança dessa vida no desterro de meu coração, que lavado sôb sua água e vinho desague o melhor de mim sobre os meus e os que mais precisarem de mim, e que eu leve paz e bem para tôdos os corações que eu encontrar, que eu ouça a linda moça cantar, que eu veja o Céu se turvar, que os sinos dobrem como se fôssem minha vida ali tinando no metal, Te Devm, Te Devm, Te Devm, até a última balada deixar de ressonar seu último Hertz. E ao deixar a chuva deixar ser alegoria metafórica ao panorama citado, a água nos lava do mal, as coisas boas acontecem e vão rolando para o solo, a nossa alegria reaparece, e o frio nos faz querer esquentar ou querer ser esquentados, e a casa vazia se torna cheia de cobertores, cães e gatos nas camas e união. E tudo vai se dando côr até a chegada do vermelho fôgo de São João até a definitiva instalação do painel de côres da Primavera.

domingo, 19 de novembro de 2017

The Musical Box.

Guarda-me nos teus braços, e quando minha carne cansar, seja você o travesseiro pelo qual tanto esperar. Seja você a turvação dos Céus que há muito admiro e me tira o fôlego, dá-me a chance de ser quem pode estar ao seu lado, e que nas minhas palavras eu mostre coisas pequenas, mas que na pequenez se mostrem como realmente são, como realmente devem ser, como realmente é entre nós dois.
Não tens medo, e nem exista, não cora teu rosto e nem desce tua vista. Ergue tua face, e cinge seus olhos como eu cinjo os meus para tua beleza; Guarda seu braço no meu, porque tens em mim o que tenho em você, e deixando fora de nós tudo o que hesita, temos ainda a coragem de sermos felizes, de sermos nossos, somos rei e rainha, profeta e sibila. Guarda minha fé dentro do seu ser, e deixa ela crescer, assim como guarda a tua em mim, para eu a multiplicar - justa menina, moça das estepes, a mais silenciosa das tempestades, se apaixona pelo Profeta das Estepes, e no vento frio o abraça, e no calor o beija, e na distância o fita, e na presença, emudece. Seus olhos, quem guarda sabe; Sua alma, quem aproxima sente, sua boca, me padece e me faz seu refém - botae música aos meus ouvidos e enche meus olhos de fíguras místicas, de matrizes de pedra e pó de ostra, segura minha mão ao adentrar os portais, e segue minha vontade até onde desaguar seu desejo. A última.
Considerando o dia de hoje, minhas mãos levantam-se e se rendem em alegria, mesmo não tendo sua alegria e seu amôr comigo, ainda sim, digno de glória o dia de hoje. Hoje, no turvar dos Céus, senti seu abraço a me segurar firme antes d'eu entrar no 133, da mesma forma que você vem segurando o meu braço, e quando gruda em mim após achar realmente que vou embora. Eu nunca iria te deixar sozinha, nem pela minha forma de vida, nem pelo gostar de você, e nem pela reminscência de caráter que jorram de minhas mãos. Eu lhe seguro, com a promessa de que não quero lhe soltar, e que apenas quero das tuas mãos, e só.
Finalizando o dia, minha fôme morde seu retrato, e o segredo começa a ser público, deixando os mais próximos atônitos, e os mais distantes, em quãs e quaos, e nós dois, sabendo (cada vez mais) de nós. E que se dá a Isabel da Hungria? Aos Provérbios 13? Ao Irmão Sol, Irmã Lua? A cerveja no bar gelada? Ao nosso estreitamento que começa a criar forma, a saudade que se acaba ao ver o sorriso, e a boca que pede a outra, aos discos que agora se tem companhia para ver, aos Céus que se turvam em homenagem Della? Deus é nosso juíz, Deus é quem nos sabe, é quem nos guarda. Deus é quem nos uniu.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Viajante.

Eu me lembro muito antes de tudo isso, do gosto, da textura e das palavras proferidas, e eu me lembro de cada uma delas. Eu me lembro do beijo, dito, e do segredo que cabe apenas a mim e aquela que tanto estimo, tanto crio planos. Sim, eu me lembro, eu estava lá, meus olhos foram testemunhas.
E se te cabe saber, me lembro das cores - mesmo que erradas, das serras, montanhas, casas e casernas, pessoas e caronas, boléias de caminhão, vagão de trem ou caminho de água fresca e límpida. Banho frio de ribeirão, mas nenhuma dessas belezas se compara a tua. E nem há de se comprar. E dos sons que conheci, o tema ainda tem mais tonalidades e virtuose, e a tua voz é a melhor do que as cadências que eu ouvir por aí. O raio desenha as linhas do teu corpo no Céu, e o trovão me lembra o sôm de quando você desagou seu corpo em meus braços, e quando chove, lembro daquela noite. Chove Lá Fora.
Eu me lembro das dores, e de me refugiar no sacrário, nos copos e garrafas, nas cordas de aço, e de me magoar, me machucar com coisa tão besta e achar que todas as pessoas seriam boas por excelência. Me lembro de me tremer de medo e muitas vezes calar a voz por achar a coragem tão intransigente, tão fora de mim, e por muitas vezez que silenciei para evitar brigas, para evitar mágoas, e quantas vezes o reio da mochila me pediu para correr e eu fiquei.
Lembro também da estadia em tua casa, da parada, e ter me austerado, e só me ter presença onde você estava, e só pousar onde você estivesse, como a água que cai, cai veêmente sob a árvore. Lembro de só querer de ti, e nunca em má, só em paz, e conhecer mais de ti, e (re)conhecer a mim em ti; Meus nervos me lembram de verificar sempre teu retrato, na esperança que você - via telepatia - saiba tudo o que sinto. Eu não arruaço ninguém, nem corto as ondas, nem choro mais. Apenas estou por aí, com a mochila em algum lugar do mundo, e pensando.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Timoneiro.

Estrelas do Céu, sejam minhas testemunhas, falem me em versos bons e medianos, e deixem meu coração vibrar - abrir as janelas dessa escotilha e ver o que aconteceu enquanto dormia embalado pelo marejo.
O Capitão das Bodas e Águas Fundas ainda existe, e sua triste feição não pode ser evitada: Sua alma secula pelas carnes que lhe aprisionam e a maldade e indiferença lhe chagueiam e turvam a vista, e as vezes, tão somente as vezes, quando Ela está por perto e lança o cheiro de sua pele sob ele, aninhando-se no peito ou em seu colo, há se uma bonança incrível e uma força de querer vencer a vida no dente - mais além. O mundo.
E sou eu novamente, saveiro de madeira e candeia acesa ante a noite estranha, cruzando o mar ferreo. Ora tempestuoso, ora eterno, ora acompanhado de outras jangadas no içar de vela e tarrafa, pegando o que me cabe de sustento do mar, ora sozinho, na noite da solidão, lembrando da casa, rosa e jardim.
Por Ela, fiz o verso, melodia, música e pendão, tirei do pote e dei: Toma, é teu. Por ela me deixei sangrar, e cegar, e poder ser tudo o que me cabe: Não me precisei estar acima ou abixo; Nivelado. Da proa do saveiro, no brumeio incerto, lembro de quem da areia da praia me mandava amplexos cheios de lembranças, beijos cheios de gosto, textura e cor, lembro do sorriso mais esperado que guardo na ida e estimo na volta.
Dos braços que prendem-se ao corpo cansado, da água no copo dado a boca que nem prolifera palavras frutíferas pela secura da garganta que foi maculada pelo beijo da amada. É noite, faz-te presente e deita do meu lado, e seja minha candeia, não se apagando essa noite. Nem nunca mais.
O timão, dá meu rumo norte com certa lentidão, mesmo quando eu ainda brigava co'as ondas do mar, ele se mantinha independente a esta mão. E não se pode fugir do que está escrito e preparado; Possa até ser que uma hora você possa alterar, mas, uma hora a onda vem: Marola ou Alteio. Mesmo agora tendo mais controle sobre esse timão e sobre a direção, movimento das ondas e dos barcos, ainda sim hora ou outra me sinto perdido, desencontrado. Nada que me assusta, ou me dê medo, nada do que tenha visto ou sonhado: Apenas a incerteza do futuro, dos próximos nós, e de todo o restante. Medo que Ela esqueça de minha feição, e afeição, da aferição de minhas mãos nas tuas, timoneiro eu, timoneiro vou. Aqui estou.

domingo, 2 de outubro de 2016

Lotus (II)

Lotus, obrigado.
Obrigado por - mais uma vez - ter me ofertado a morada dos teus braços, por um segundo eu ter sido imortal mais um dia, diante de todos os dias ainda permanecentes de minha vida. Obrigado por me dar um sorriso tão sincero - desajeitado, desalentado - mas tão vívido, tão supernova, tão tua culpa.
Obrigado, pelo quê?
Por tua culpa, eu me senti com meus 16, 17 anos de novo. Com você eu posso ter o prazer indescrítivel de ser eu mesmo, de ser e estar agindo naturalmente, de não me preocupar com roupa, cabelo, papo, perfume, se chove lá fora, se tem que ser em um lugar com nível, ou apenas um lugar simples: Tempo bom, tempo (não é) ruim.
Obrigado por vir do Degredo, e daqui do mesmo lado qu'eu, e assim entender (mais que superficialmente), o sentido da vida, e a definição da vida (ao menos, pra este humilde contra-crônista), e por retomar um velho fôgo, e dar essa sensação de imortalidade nos lábios deste em que encostou, nas mãos em que se sente um calor, num abraço que se cabe, e se encontra, em um desejo que não se encontra, nem se finda, nem se esgota, e que a cada mais um, e de novo, e de novo, e faz mais uma vez, se perca a conta, se perca tudo entre eu e você.
E a cada beijo, me sinto mais forte, mais teu, devotadamente; E no sofá que me sento pouco me importo co'as horas, desde que tenha você nos meus braços, no meu colo, no meu coração; Olhos que sentem, boca que vela, sorriso de canto de boca, voz aberta que fica muda, arranha, morde, geme. Silêncio, meu amor. Desabrocha a flôr bruta, pêlo-em-pele, abre, o gosto bom da seiva, mel cálido, se rende, impulso, sorri, morde de novo, tem gente vindo, tem algo passando na TV, sei lá - assim.
Fica ao meu lado, e não diz nada: O silêncio já diz tudo, já sabem de nós dois, e mais ainda: Sabem da nossa felicidade, da nossa eternidade, de tudo. Fica, e observa, daqui da tua cabeça em ninhas pernas, o movimento dos barcos, os saveiros perdidos, vapores que penteiam as águas, as barcas indo pros seus rumos, e eu indo pra ti, pra atracar meu escaler, e eu, tão meu, tão seu. Não faz mal que se deixe, eu estou aqui. Fica, e sente o coração disparado, o sorriso besta, o encontro, o encaixar dos braços em abraços, okhares, que denunciam frases, atos e prenumerações. Eis seu cordeiro em seu altar.
Usa.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Caso Você Queira Saber.

Morrer é fácil. Difícil é você se desprender da matéria, das pessoas, do sentimento feo, de tudo aquilo que lhe magoa perniciosamente, daquela noite.
Sim, eu me lembro: Era escuro, tinha-se denominado Noite Illustrada, a avenca nem mexia mesmo havendo o vento; Lembro também da areia, e na ponta da praia que havia o Beira Mar, uma Lua quase cheia, estrêlas e ninguém. Apenas minha pessoa, e minha garrafa de licor. Apenas um minuto, um silêncio, um berro. Era eu negando aos quatro ventos. Sim, eu me lembro: Disse que sim, mas o núcleo era não, jogou promessas e bençãos, mas na primeira oportunidade amaldiçoou e quis os seus, mas não por completo - disse ter coração bom, mas é sujo igual aos outros. Perdoa, bom Deus. Tanto êles, como a mim mesmo. Bálsamo pras feridas é Deus, cerveja é anestésico. O arsenal bélico ainda não acabou, mas é dito por inteligente, sobressair, fazer pilhéria, e pagar de herói: Vai, São Baden, diz a êles, vai lá Dona Antônia, diz também; Manda dizer que a porta estreita é pior, mas a recompensa não é aqui, nem agora. Dói, mas logo melhora, logo passa.
Sim, eu me lembro: Gente que não tinha minha gênese me tomou e acolheu, cuidaram das feridas e deram um gás incrível na minha vida, torceram por mim e em algumas horas da solidão, estavam bem muito mais presentes do que qualquer outra pessoa, eu me lembro.
Sim, eu me lembro: Da música que ninguém gostava e hoje todo mundo é fã desde quando eu hasteava esse pendão com poucos gatos pingados, de tempos tão idos desde antes d'O Sionita, antes do Ox, antes d'eu ser eu. Eu me lembro dos discos baratos, sebos, garrafas e a solidão - me fez forte, e não herói. As pessoas confundem dor com Santidade. A dor pode ser mais associada com vencer na vida, paz de espírito, fortalecimento mental/espiritual, do que um grã altruísmo - dor todo mundo sente, mas quem sabe lidar com ela é que faz a diferença, quem sabe velar com o silêncio, quem sabe segurar a dor e exprimir em tons, cores, nomes e actos coisas tão lindas. Acima da lindeza de tudo, reina a Lotus.
Sim, eu me lembro: Da menina de calça boca de sino, botas, jaqueta de Fredera, que me encontrou na estrada, dizendo que volta comigo pra descansar um pouco da vida, pra repousar no meu abraço, pra esquecer um pouco o mundo lá fora, pra viver por si, por mim, nós. Depois do Inverno, veio a primavera. Sob o Céu de Virgem, firmamo-nos.
...E é só o vento lá fora, Lotus. São apenas as pessoas, é apenas meu jeito, é apenas mais um dia, apenas mais um teste, apenas mais um segundo, e assim segue. Como sempre.
Sim, eu me lembro: Me lembro da dor que eu senti quando vi a esquife da ovelha negra, e o corpo gélido do herói repousado. Eu lembro que o juíz não foi, mas que não sentiu, lembro da multidão, ávido povo que queria falar e sentir, mas eu, que tinha por ordem e direito, não pude.
Sim, eu me lembro: De tanta coisa que nem me lembro, mas posso desfiar aqui por horas, mas guardo em meu peito, tanto as chagas abertas como o silêncio que ninguém pode ouvir - apenas eu.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A Matança do Porco/Xá Mate.

Ávida multidão, quem te guarda do mal é Deus, não a polícia. Assim como o mal, o bem também existe, existe a coexistência. Existe tudo aquilo que cabe entre o universo e a porta de nosso quarto. Tudo cabe no bolso, como cabe na alma, o espaço surreal e material tangem-se de linhas paralelas, que raramente se encontram mas nunca se cruzam. O que está na Terra, está também no Céu, mas o inverso não ocorre, pois foi corrompido a ligação do homem com o começo de tudo. A Gênese.
Vapor do São Francisco, que carregou minha avó, meu pai de avô, minha vida, nossas vidas, quem não te deixa ver o mar? Quem te poda de avencas, arruda, guiné e guaco? Quem, Benjamin não te deixa subir no quebrado de Nazaré? Quem te censura, te expõe e não deixa ser o que você é? Vapor do São Francisco, quem não te deixa ver o mar?
Quando olho para todas essas pessoas, meu coração geme. Dói em mim, e dói por eles, e por todos aqueles que se penam e se danam em uma didática de erros eternos: Ondas eternas que brincam na areia da praia, que não se afogam, nem somem, se perpetuam na eterna existência de ser e estar. O resto é oceânico, é silêncio.
Me lembro que quando me afoguei, a doce suculenta água travou minha traquéia e meus olhos cingiram uma bruma esverdeada como que deixasse de ser, e o corpo leve que boaiava, simplesmente ficou suspenso pela água, como se Iemanjá o trancasseem seu reino. Ali eu desaprendi a ser, e a me reconstruir, ali eu vi que nunca me pertenci a ávida multidão, eu me pertenço. E rogo a tão estimada ávida multidão que se vigie: Pois quem é muito dono de si, e divulga a liberdade, paga contas a alguém.
A Lotus deixa seu cheiro impregnado em mim, e minha alma guarda um pouco da sua essência na minha, o implícito entre suas palavras, sorrisos, beijos, seu ser; E carrego a fragmentação da flor mais bela em minha alma, e ofereço o melhor de mim, todo santo dia para reconquistar, para vencer, para amar. Tal qual a futura Cecília, a tão mais linda, a mais bela, a mais amada, esperada e adorada, com as mãos sujas de terra, e com o sorriso mais belo do universo. E nada além disso. Com o peito aberto e chagas abertas, passo pela ávida multidão e mais um dia me resguardo, e guardo o melhor de mim pra Cookie, pra Leoa, pra Rainha, pro Chá Mate, pra quem realmente mereça.


E o resto são só palavras ao vento. São só coisas que a ávida multidão sabem. Coisas que eu sei.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A Palo Seco.

Sete por Setenta, Ele disse. Está anotado nos vitrais, nas casas, cabeças, pessoas e em tudo que tem a marca d'Ele.
Sete por Setenta, e seu telhado de vidro se quebra, não é trágicômico? Não. É a realidade, apenas o entretenimento da grã família Brasileña, e cada dia que passa, eu tenho mais certeza que eu não sou daqui, não pertenço ao meu lugar, não tenho ao meu redor (ainda) tudo o que necessito, e eu, que tão cheio de mistérios aos outros olhos, as vezes cobre de mim mais ainda ser isolado como uma ilha. Eu sou o oceano, se preciso.
A necessidade de vencer ainda se faz presente, mas não mais obrigatória, o peso dos anos, me ensinou a ter calma, mas ainda com intensidade, com tenacidade o suficiente para por o dedo na cara de todo mundo, e dentro da minha própria ferida, e as ventas tem que ser abertas o suficiente pra isso. Dos meus pecados cuido eu, dos seus, você - assim segue a grande roda do mundo. A máxima penitencial bretã de que "Só Deus Pode Me Julgar" nunca se faz tão presente em dias de tribunais de rua, em dias de pessoas desleai -como eu fui, e tantos outros foram.
Fica na memória o que me cabe, a noite que cai, o frio, as pernas juntas, Belchior de 76, latões, Paço do Correio, e só Deus que sabe, só Deus que viu. Deus e Baden viram. Deus, Baden, Jorge Ben e aquela loja. Deus, Baden, Jorge Ben, aquela loja e todas as outras. O mundo viu e não viu, e segue o jogo, e o perfume meu é teu, e o teu fica no meu, e na fusão de nada a perder há de estar se encontrando novamente minha cabeça, a mim mesmo, o meu querer, o Lamento solitário que escorre do Lá Menor até a mínima de Dó. Dedilha, toca, e observa, sou eu.
Quando eu acordei da vida dentro da vida, pensei que havia perdido o jogo, mas apenas me arreparei que não há tempo estipulado. O dito "rapper" disse que ainda é tempo, mas alguém esqueceu de lhe dizer que não existe tempo estipulado, nem relógio que determine isso, assim como prova tudo isso a extrema unção, o voto de Minerva, a Armada de Blake e tudo o mais - O tempo não existe. Existe apenas sua vontade de ser o grande herói das estradas, e cabe a você e a mim tomar essa decisão todo santo dia. Ser o dono do rumo, correr por onde convém e não ter nada a perder - Obrigado Doce Javé por acordar antes de dormir.
Obrigado, Senhor pela menina que eu encontrei na estrada dizendo (mesmo dando a entender que ora sim, ora não) que volta comigo; Mais uma vez em mais um dia tudo deu certo, mesmo dando errado: Era a calça passada, camisa cingida, barba alinhada e o cabelo de sempre: Deus queira que sim, Deus queira não. Será que amanhã chove? Tomara que sim, tomara que nâo. E tudo isso magistralmente arquitetado pelos esquadros e compassos deixam meu passo descompassado e cheio de vontade de ir até o jardim para ver a Lotus brotar e nascer dali tudo o que não esperava mais, mas ainda sim insiste em (re)nascer. Um sorriso besta brota em minha face, e meu peito jorra água e vinho. Meu peito se tange pelo seu sorriso, e na tangente dele, eu me faço de besta e saio pela tangente quando o violão me.pergunta por quê tanta alegria, pra quê tanta música, e pra quê tanto? Porque amanhã será o mais lindo dia como ontem foi quando há da tua presença em minha aura. Hoje é o primeiro dia da minha vida, do resto da minha vida.

domingo, 18 de setembro de 2016

Cais (II).

...Hoje acordei e me deparei com a sećanja de tempos idos, coisas que ainda me assombram e assustam, fazendo-me acordar, ou apenas parar no meio do universo, me travando e me arremetendo a pessoas, cheiros e lugares. Bep, onde está você? Onde foi parar aquela cerveja? Aquele mergulho na praia no dia de chuva com raios e trovões? Os dois loucos de bicicleta? Guardados na memória; Fotos de uma velha festa.
Quando eu tinha medo do mar, minha mãe me ensinava: "Água no umbigo, sinal de perigo". Meu pai me dizia: "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço", antes de virar o copo de bebida, minha avó me abençoa e muitas vezes durante o almoço dizia: "Que eu precisava ter paciência, não me atrasar no serviço, os humilhados serão exaltados". Hoje, ainda, sou o que minha natureza permitiu, baseado pelo empírico, e pelos conselhos dados e recebidos ao longo da estrada.cada hora sinuosa, cada hora extensa.
Pra quê chorar - Bep me dizia - se tudo isso é passageiro? Hoje eu entendo. Mesmo que seja necessário ser de lágrima, algumas não devem ousar cair. Alguns elogios não devem ser ditos, e algumas pessoas não nos merecem - in vera est. Por mais que devemos ser sinceros, e acreditarmos na boa forma polida do bem, e das pessoas que nos rodeiam e perdoar nossos algozes, devemos nos afastar do mal, pois dado o perdão, seguido o jogo, e ido o tempo, não é necessário mais reabilitar o que necessita, nossa assistência nos baseia no ato de perdoar, e seguir o jogo. Ter a santidade e paz de espírito não significa sofrer demasiadamente. O nome disso é burrice.
Como dito anteriormente, minha nau ainda está a deriva, e minha implosão ainda se faz real e necessária; Se demolir para constantemente melhorar, e ter alicerces mais sólidos, rígidos, ter de perto apenas o necessário, apenas o que faz bem, apenas o que cabe em minhas mãos segurarem. Não exijo mais a certeza, apenas a estabilidade, pois até o mar revoltoso é estável, apenas a ventania é estável, apenas a verdade é estável. E por hoje não tenho porto que me atraque, nem fogo que aqueça, nem dor que gema. Hoje é mais um dia de alguma semana em algum lugar do mundo, e isso não significa nada quando você fica a milhas e milhas de distância do universo, eu estou em outra fase, apenas deixando pra depois todo tipo de mágoa, toda a tristeza, toda dor, toda tudo. Eu ainda sou o Capitão da Minha Alma. E na real, não significa, nem cabe a ninguém. E mesmo se coubesse, quem realmente se importaria? No mais, fica apenas o cheiro da Lotus suspenso no ar, esperando.

sábado, 17 de setembro de 2016

Cais.

As pessoas não sabem da sua dor, e isso não é obrigação alguma delas.
Quando as pessoas esbarram em você, e machucam mais ainda seu ombro dolorido, elas não estão mais nem aí pra você, e nem sua dor, e mesmo que um dia possam sentir algo parecido, cada dor é cada dor, como cada pessoa, sentimento, vida e etc.
Não desejo a ninguém as cruzes que carreguei, tampouco desejo ferir quem já esteve em minha fronte, porque não me cabe dizer o certo e errado, e nem me cabe chorar lágrimas que brotam num momento não tão apropriado, e eu juro que nunca mais darei este gosto a quem me quis tão mal, a quem me quis tão bem.
Meu violão ficará mudo, pois inspiração não há, e se houver cordas vibrando, serão de teisteza, de magoa, do que nunca mais quis que ele gemesse. Eu queria apenas um saveiro para cair nos mares e na primeira quebra da régua deixar de existir, deixar de ser. O ferreo mar me nocauteou em muito e há tanto me tirando, tomando e tombando, e isso não me fez melhor e nem melhor, apenas me ensinou a ter mais paciência e ser bem mais oceânico - cousa que hoje eu sou mais do que era. Quantas lembranças trespassadas por coisas boas tem que existir para te desenrolar como num papiro? Com quantas magnólias se faz uma fragata? Hoje nem o brilho da Lua me faz companhia. Me dano mais uma vez em versos que eu entendo. E apenas seu cheiro ficou em mim. Apenas seu cheiro está em mim. E eu, gostaria que apenas ele ficasse.
Que caberia a mim dizer que sim, se remanesce o não, mas opto pelo silêncio e meditação, pois as músicas nunca me abandonaram, e Cecília cada vez mais se faz presente aqui, em mim, na minha alma, aura tangível com cheiro de eternidade, e minha viola é resto de feira, e eu mordo seu retrato, e a morte não me assuata e meu segredo é saber demais sobre tudo, e minha vida se resume a correr em ponto algum, pois giramundo se dana em achar a felicidade. Nós, os pobres, do degredo, daqui do lado leste, só vencemos no fim, segundo os anciãos, por isso muitos de nós rogamos pelo fim abrupto, a escada vazia e a galgada ao posto maior interrompida, porque esta vida cã não nos deixa sorrir em paz, a cerveja fica cara, e o medo de cair nas traiçoeiras ondas nos fazem cada vez mais não querer mais navegar, mesmo que o mar nos chame. Hoje meu saveiro é deriva abaixo do Céu imortal.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Segunda Canção da Estrada.

Primeiramente, vá tomar no cu todos vós que postam cousas e cousas sobre o "Setembro Amarelo". Malditos sejam cada um de vós, degredados que se acham no direito de salvar vidas sendo que nem ouvem a centelha divina de dentro de vós, e malditos sejam vocês que quando ouvem no exercício de serem bons ouvintes, só acabam pondo seu julgamento em volta, e só magoam mais ainda quem tenta se salvar no seu átrio, e não no seu riste. Arietes, caiam sobre eles.
Caiam sobre todos nós, raios de bom senso. De genuinidade, íntegra e veracidade.
Que a menina de cabelos negros, que eu encontrei na estrada, encontre nos passos e na passada do eixão a vontade de ficar mais um pouco. Sorriso largo, voz de quem possui o sentimento e razão em sincronia, pessoa perigosa, vida maravilhosa, o dinheiro nunca tem, mas o Genesis ainda toca na vitrola, o Sá & Guarabyra também, moça barranqueira, quem é teu amor?
Vivemos tempos conturbados, idéias florescendo, e pessoas querendo ajudar as outras de forma impulsiva e maluca, enquanto as flores sobem loucas em primavera, e meu coração pulsa descompassado, procurando aquilo que não mais se nomeia mas se encontra Vivo em todas as coisas boas. Se o tempo é bom, o tempo (não) é ruim, e isso explica tudo, tudo mesmo. Inclusive seus olhos. Eu vou roubar aquele velho navio.
E eu estou ainda bem seguro nesta casa enquanto alguns sonhos perduram, outros morrem, e alguns apenas perduram pela teimosia, restauram o universo em paz. Alunar, manda dizer para aquelas estrelas todas que a vontade ainda existe, mas o medo me prende como sempre, e a vontade de sentir o vento carinhando meu cabelo é as vezes matada, mas as vezes o Sol perdura. Nem tudo é como queremos, mas algunas coisas são piores e outras - graças a Deus - melhores!
Já chegou pra mim de tanta coisa empatando, invadindo, dividindo, deixando minhas raízes soltas por aí, eu quero me pertencer ao meu lugar, gente de peito rasgado, boca seca por cerveja, avida pelo fim de semana e pela alegria sem fim. É a conta do mesmo terço, antes de quebrado, nos dedos de minh'avó.
O terço arrebentado, o show incrível cedido, a desprendição da alma, é tudo a parte mais extasiante do dia que se corre sem perceber, e quando a noite pena, o dia insiste em nascer, e tudo volta ao seu lugar: E o verdadeiro perdura, o falso cai e a modésita deixa de ser qualidade para ser apenas virtude. Das mais belas.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Observações.

Se quiser saber se eu chorei, saiba que eu chorei.
Chorei desde a hora que vi seu corpo suspenso na chapa de aço fria até quando seu corpo tangeu as teavas de madeira, adoranada pelos florais, e seu sorriso selado, como se estivesse tirando sarro de nós. É difícil de acreditar, que tudo não passa de um momento repentino e expressivo. As pessoas não estão nem aí pra você, pra sua dor, o que você sente ou não. Não respeitam sequer seu luto, e isso só soma na eterna conta humana de dividendos.
Elas deitam a cabeça, e eu maneio, eles bebem em sua homenagem e eu me silencio, eles choram, e eu penso. Eu ainda ando sozinho pela ávida multidão, ainda tenho Cecília em meus mais profundos sonhos, ainda peno em trovas e versos e adoraria encontrar ainda os passados dias de areia movediça, aonde eu apenas andava na rua. Nada de novo existe nesse planeta que não se fale aqui nas mesas de bar.
Não existe dor, nem mágoa, apenas solidão, e além da solidão reza o silêncio. Aquele silêncio ensurdecedor que nenhuma música consegue calar, aquele que a alma não se refrigera e nem se habita em calmaria. Se quiser saber se eu chorei, olhe pra mim.
Eu ando sentido todos os sentidos e amado cada segundo do que tenho vivido, sonhado, ouvido e cantado - Eles estão todos olhando pra você, garoto. Tenha coragem e vença o bom combate acima de todo mal, mesmo que o combate exija pausas, devaneios, percas e falta de coragem. A fé é maior que tudo, e a solidão acaba na hora certa, e logo quando você menos esperar, tudo vem numa torrente.


Tudo foi feito pelo Sol.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Renascer.

Hoje pela manhã, logo que levantei, pus a me entender sobre tudo que está se passando em minha vida, coisa que está virando rotina. Entre um ronco canino e uma fresta de luz que brincava pela janela entendo que eu estou tendo a chance de tudo de novo, a chance de refazer tudo do zero adiante. Mas, refazer o quê se até agora eu não fiz nada de errado? Se a vida é minha, eu sei o que é meu erro, e se for acerto, cabe também a mim, e tão somente a mim comemorar. Quando eu chorei, apenas eu senti dor.
É tão engraçado as pessoas, que se degladiando com as outras se isolam de seus problemas para saber os outros, que se dizem santas mas pecam, sorvem do gosto agridoce da feuta de pele sedutora, porém finada - gente do seu próprio lado que mente, rouba, esconde, finge e quebra. Ah, se eu pudesse voltar a primeira fase de ouro de todas as fases de ouro, e me guardar nos braços da mais querida, a mais amada, Deus Vos Salve, oratório onde pretensão e mágoa fez pouco. You Made Me What I Am. Ah, quem me dera se eu pudesse dormir agora nos braços da Afrodite - a mais bela, a mais delicada, e na delícia corpórea de seu corpo, cair em sono e acordar anos depois, com tudo conquistado e promulgado nos meus grilhões: Já quebrados, já findados de dor. Mas qual graça teria sido se Afrodite teria me guardado nos teus braços, e eu perdesse toda essa batalha até aqui, e daqui até a frente. Mais além. Se Oxum me caingásse, eu ainda sim adoraria que ela não fizesse isso, porque a graça do ciclo não se findaria, e a graça da vida não teria graça em ganhar e perder e ganhar; Se eu entendo bem o que eu mesmo (te/me) digo, eu apenas entendo que é tudo uma fase: Trabalho, amigos, cão, família, time, música, bens materiais: A louça se quebra na mudança, a pressa se perde por desatino com a condição atual dos fatos, e cada vez mais o Marvellous Titanium se faz necessário, mesmo que não seja aquilo que Ensinaram há uns tempos atrás. Viver se faz difícil. Mas necessário.
A estrela solidária e solitária do Céu ainda está olhando por mim, e pela direção das estrelas suspensas místicamente no Céu, eu, o Capitão das Bodas, procuro saber aonde minha nau errante vai poder se atracar, em definitivo ou temporariamente, pois há muito tempo me sinto só ante a toda essa gente, e há muitos dias me sinto vazio mesmo com toda essa bonança, e mesmo que eu dance, existem lágrimas. E eu ainda reitero: Se é de lágrima, deixa cair, deixa fluir: Oxalá chorou, e a mim cabem apenas lágrimas, confusas porém sinceras, de amor e ódio, de saudade e fraqueza, de emoção e de dor, de graça e glória. Assim sou eu, e assim vou eu. Assim eu estou.
Nas vitrinas das lojas, os discos ainda me encantam tal qual a cerveja, e a graça de ainda ir só para minhas caçadas tem me deixado bem mais prazeroso que antes. Agora me entendo, me conheço, minha voz sai da traquéia: Estou me sentindo: Finalmente o Lindão da Europa, e meu amor por mim não está mais cabendo nos jorrobatões, e mesmo com tanta lágrima, mágoa e rancor no peito, estou me amando e me entendendo cada dia que passa, e pelo Pendão do Carneiro Santo que alteio, digo: Está sendo maravilhoso cada segundo dessa vida, mesmo com toda a alegria e tristeza.
Salve São Jonas.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Bodas.

Eu sou o Capitão de minha alma, e acima de mim está apenas o Rei das Águas Fundas, e Ele me dirá se minha nau cai, vira, se rompe ou supera a ida em terras distantes. Não importa o que te digas, eu ainda serei o Capitão, e isso me basta na leiga ignorância da vida, para esta sociedade, para estas pessoas, para todo o resto do mundo, me basta esta patente.
Filho meu, Hoje é Dia de El Rey, e em algum lugar do mundo, alguém não irá se importar com isso, e em algum lugar do mundo, alguém continuará pescando seus peixes na velha tarrafa esverdeada, para sustento de sua família e livramento da fome - Milagre Contemporâneo dos Peixes; Filho meu, Hoje é Dia de El Rey, e ao menos pra alta sociedade que interpele e convive diariamente co'o ele, isto não nos significa nada. É só mais uma patente.
Minhas fardas, pensamentos, bordões, japona, anéis, corrente e vestes - tudo isso se mistifica e me diferencia ao andar ante a multidão ávida por nada, entre cada encosta, atracação e partida, a cada estivador que carrega e retira o que trago e levo, e a cada imediato e marinheiro que um dia ousou estar comigo. Chá Mate. A Matança do Porco, assado e deglutido por pessoas que sorvem da carne, vinho como se fosse a última coisa de suas vidas, eles não tem se queixado nem se cabido em nãoz e vivem uma espiral ilusória, e meu coração - chora.
Aqueles olhos negros eu nunca esqueci, enquanto minha viola morde o teu retrato, assim como nunca esqueci a dor que me causaram, minhas chagas e perder de vista quem um dia me mostrou suas riquezas naturais em troco de nada, apenas pelo bel prazer de ser feliz. Hoje eu carrego trinta quilos a mais de tristeza, Deus Vos Salve, Rainha. Obrigado por tudo, e pela vida cheia de aventuras. O mar atrai mas é denso, fundo, gélido e trás em si um mistério de uma vida toda, de uma eternidade que não cabe a mim questionar, mas me permite desmistificar a cada nó que deslizo sobre sua turva água. Coração americano, acordei de um sonho estranho...
Em cada passo que dei pelas ruas do porto, muito do que vi, nada me interessou, nem tal a verdade absoluta, que hibridamente se encontra na terra desconhecida que eu encontrei ou nas jóias dos reis de terras vizinhas. A relatividade do meu panorama geral apenas mostra mais ainda meu descontentamento; Não por adquirir bens, ou extrair recursos, ou navegar sem rumo e perdão, mas pelo simples fato de ter tomado tanto rumo, e hoje estar em plena deriva, esperando algo que nem sei o quê, alvoroço em meu coração.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Paisagem Da Janela.

Eu estou sentado na janela, tocando meu violão. Da janela eu ouço pássaros, trovões, procissões e vendedores que passam, na rua de pedra-polida; Na parede, pregado, tem uma foto sua comigo, uma vaga e leve lembrança do que deveria ser o "nós". Eu estava bem arrumado com aquela camisa, e o seu riso despontava tão lindo, que foi até inútil não lembrar daqueles momentos a noite; Quando eu olhava para ti, e sentia teu corpo sobre o meu, o brilho dos teus olhos, e você me abraçando forte, depois de me fazer um chá forte.
Eu olho tua foto, e o teu vestido branco, decotado, quase transparente, tão lindo, e tão macio, que ficava entre o abraço de nós dois, pequena, e lembro do teu cheiro, quando se avinhas para mim me dando bom dia, com aquele beijo gostoso com gosto doce de toddy na minha boca. Eu lembro de cada segundo, enquanto toco a nossa música. A música fica, presa, impregnada e segurada nos meus dedos, mais, você não ficou; E tampouco vai ver como eu vou ficar....
Contemplo as rosas do jardim, mas, meu senhor! São apenas rosas, que tem a maciez da pele dela, o cheiro gostoso dela, e a calmaria dela. São apenas, pequenos repetecos de lembrança que me arrastam aos dias de glória, aonde fui mais que herói: Fui eu mesmo, e ganhei louros por isto.
Sentado na janela, eu toco a nossa música, mas, você não aparece na janela nem sequer para tocar em mim, e nem para ouvir eu tocar. Agora, só, e com a mente em você, e os dedos na "nossa" melodia, eu fico como um bobo a procurar você em acordes, na lira aonde faço meus cabroches. Pequena, cadê você que nem vem? Olhe para a janela, e veja: Eu estou aqui.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O Efeito K!

Tudo o que vem, avém por um motivo, uma razão. Tudo o que aparece, é porque tem que ser aparecido e achado entre nossos olhos. Poderiam estar entre os olhos de tantos outros, assim como nas vozes, mentes e e desejos de tantos outros, mas, quis Deus (ou destino, como preferir...) que você aviesse em meu caminho, pra tomar prumo, alçar voo, e ser melhor do que antes; E por quê não, ser melhor comigo?
Você se lembra do dia frio na praia? Dos olhos incertos, das risadas escrachadas, dos abraços e beijos regados a línguas e saliva? Você se lembra de mim? Lembra dos dias em que toquei violão, das piadas, dos discursos bobos como quem sabe de algo, e de quando deitei contigo para ver nascer em ti a Lua mais linda do meu arraial? Você se lembra das músicas tocadas na janela, tão bobas, e tão carregadas de energia que fizeram o povão chorar, cantar, dançar e se apumar? Se lembra de quando o Gilú quebrou a mesa com teu carro? Você se lembra de quando quase quebramos a cama de manhã? Melhor dizendo...Você se lembra de mim, tigrona? Você se lembra do Trem Azul que pegamos?
Eu estava mal. Precisava urgentemente melhorar, e ter algum motivo para estar feliz, Deus, em sua sabedoria, fez a música me encaixar em tudo isso, até estar com você: Palavras que não diriam metade do que a música que escorreu de meus dedos, disse para ti.
Seus olhos, negros todos os dias, e quão dobrava o escuro da noite, viravam olhos tão lindos de mel, olhos tão selvagens que me rasgavam em foligem, e me deixavam sem saber o que fazer, como dizer - enfim, estava apenas agindo como um boneco de ventríloco com algum problema psicomotor...Até que, sem eu dizer nada, totalmente inebriado pelos teus sinais, deixei estar, e vi: Você chegou em mim, você se aprumou em mim, e me fez sentir mais feliz que o "Marvellous Titanium" que há anos é cantado.
Você não me dominou, e tampouco fez a questão disto, sabe? Simplesmente me deixou ser, e foi me limando, e deixando ser o que seria melhor para você. E aí você me ganhou, e eu me perdi em ti. Fotos me lembram, o que está vivo em mim, e será que eu que provei do teu arrifamo, estou apenas dormindo de um sonho que não posso acordar? Enfim, não me quero acordar. Quero me perder no teu labirinto, e ouvir toda a tua barulheira! Porque eu gosto é do estrago.

sábado, 30 de abril de 2011

Fraseado #2

"[...] Teus vinte anos de vida, valem mais que Cem anos [...]"
Eu, gostaria de me trancar no teu quarto, com tua vida toda lá dentro, e d'Ela fazer-te bem e mais bem, gostaria-lhe, de dar a Palma dos Dias, martírio sofrido por muito no anonimato, e por poucos corajosos como eu, na Luz que nos queima a cuca.
Eu vejo uma rua semi-deserta, eu vejo os carros parados perto de uma banca de jornal, um frio que corta tudo o que se faz vivo, morto ou inano, eu vejo um homem esperando o 1156-10, e vejo um graveto recostado no chão, uma criança vai pisar n'Ele, uma criança está sob o pé n'Ele, em um leve quebrar o graveto se refaz em dois. As Outonesas apeiam em seu vento, e me mostram as variações de Sol, Vento, Nublado e Chuva, e ali sei eu, que de nada me valho, sem que haja a proteção de Alguém sobre nós Dois acima de nossas cabeças, acima e sob nosso Amor. Que a esperança, quando no fim estiver, invada o coração de quem pergunta porque existir ainda e n'Esse coração seja fecundado o feto da Perseverança.