Na madrugada, não muito longe desse mar, dois amantes se deitaram após de ver a rua, e no parco moviemento, como duas sentinelas, do alto da janela, se abstém. A cama quente sabe se entreter melhor que a madrugada que desponta pelos olhos acastanhados, olhos que só sobrevivem no crepúsculo, olhos que nascem quando o dia morrer. Ali, no eleio, elegem-se arrimo um do outro, e enquanto dorme, com o cabelo acacheado perfumado, no grosso do sono eu a ouvi dizer meu nome. Pele branca, cintura fina, pés pequenos, sorriso esmaecido e a tranquilidade que finalmente encontrou-se no sono. Dos justos, dos incertos, do que valer, mas ali se encontra o fim.
Eu ouvi, você chamar, o meu nome.
De fato, não me assusta por um segundo que a vida se aconteça e se renove. Me assusta as pessoas querem dominar o alheio, transfigurar aquilo que lhes cabem na vista de um palmo, para deturpar para seu próprio prazer - ou dor.
Cabe me a cova de desejos, e um mar ferreo aonde não consigo mais navegar - e foi ali, aonde deitei meu coração, por baixo do mar ferreo, aonde os heróis nunca saberão de seu panteão, e aonde as donzelas choram suas miçangas, lágrimas de môça e rugido de transformação, é ali onde ele está, pouco abaixo da linha da razão e um pouco acima da serviliência. Aonde os deuses podem pisar.
E dentre toda essa multidão, ouvi sua voz me dizer coisas, uma mão que segurou a minha, um abraço que me afagou e um beijo que tomou meu segredo. Eu estou esperando um milagre. Eu estou esperando os sinos tocarem. Eu estou esperando os pássaros marrons. Eu estou esperando o dia acontecer. Eu estou esperando o meu Sol rasgar o peito. Entretanto, esperar todas essas coisas nunca significou nada para os outros além de mim, e mesmo que as pessoas estejam a dizer: Estou aqui, conte comigo, só eu sei o que carrego - que vale dizer que está, e que compartilha, se no final não está e não compartilha? Me vale mais um silêncio do que a falsa esperança, e a falsa caridade. Me vale mais a solidão do que falsas companhias, e deixo o ouro na mão dos que o almejam, pois me basta apenas meus pés cansados, e o que tenho dentro de mim. Cabe a mim apenas ter a esperança de que já está tudo consumado entre os pés e contrapés da casa. Fiz o que pude e não pude, guardei a fé dentro de meu peito e distribui como a eucaristia a quem quis. O resto não me interessa.
Senhor, Tu tens tido feito o Vosso Refúgio em meu peito.
Nos velhos muros tricentenários, ainda consigo reunir as últimas forças para ver o Amado. E ao me entregar como cordeiro ao Pastor, sinto ao menos mais uma vez o Único amôr que realmente me ama sem ter adagas e pedras na mão, e sinto pela primeira vez que mesmo com todos os defeitos e falhas de minha vida, ainda tenho a minha redenção e glória. Sei que no final das contas tenho em minha alma uma grande coisa fervilhando, mas não sei o quê ou como, de qual forma ou proceder; Ponho-me defronte de um turbilhão de coisas que não sei decifrar, e apenas espero o tempo passar para entender tudo.
E toda vez que (se) sentir a dôr, respira, refrão. Acaso não sabe que a Mãe daquele que remiu o mundo olha pelo povo que come as migalhas? De certo, não é a destra do Senhor que se opera em maravilhas e salva o justo da morte? Que vida é essa, que faz os amados se degladiarem e dar a dôr em vez da esperança? Será mesmo que é isso, apenas brigar, até mesmo com quem se ama e crescer cada vez mais solitário, para depois de tudo ajeitado, vir alguém como um ladrão e dizer que sempre quis nosso bem? De fato, se a solidão nos faz bem, não nos cabe mais em sociedade ou como falsos amigos, falsos parentes, ou pequenos transeuntes de vida, que nos dão falsa força, ou falso carinho - a velha cultura do bate-e-assopra.
Epitáfio do Marcus Queiroz. Apoia esse blog, faz um pix pra nózes: marcusvini15@hotmail.com
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domingo, 10 de novembro de 2019
José.
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quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Acontece.
Deixa,
novamente segurar tua mão,
esquecermos tudo lá fora,
irmos por onde for e ter;
Desde que por onde eu for eu vá com você.
Aproveita,
e deixa eu esquecer minhas feridas,
assim como eu pretendo ser o bálsamo das tuas,
estarmos por todo lugar,
enquanto meus braços cruzarem co'os teus.
Álias,
escuta bem a intensa melodia,
que ninguém ouve, sente ou vê,
e me nota ante toda essa multidão,
estou aqui no centro do universo esperando você
Coitado,
daquele que pôde te ter,
e não te deu o devido amor e atenção
rechaçou a sutil força do teu amor,
que não pode seguir te abraçando firmemente.
Olha,
eu não pretenso nada,
a não ser a felicidade rotineira,
tomar as minhas rédeas e fazer meu caminho,
e me faria gratificante que você viesse nele e ficasse.
Ai,
e se Ele soubesse da beleza da Lotus,
Cartola saberia que as tais rosas não falam,
mas a Lotus adorada fala, tange, fere, ama e quer,
e é absoluta no seu ser e estar.
novamente segurar tua mão,
esquecermos tudo lá fora,
irmos por onde for e ter;
Desde que por onde eu for eu vá com você.
Aproveita,
e deixa eu esquecer minhas feridas,
assim como eu pretendo ser o bálsamo das tuas,
estarmos por todo lugar,
enquanto meus braços cruzarem co'os teus.
Álias,
escuta bem a intensa melodia,
que ninguém ouve, sente ou vê,
e me nota ante toda essa multidão,
estou aqui no centro do universo esperando você
Coitado,
daquele que pôde te ter,
e não te deu o devido amor e atenção
rechaçou a sutil força do teu amor,
que não pode seguir te abraçando firmemente.
Olha,
eu não pretenso nada,
a não ser a felicidade rotineira,
tomar as minhas rédeas e fazer meu caminho,
e me faria gratificante que você viesse nele e ficasse.
Ai,
e se Ele soubesse da beleza da Lotus,
Cartola saberia que as tais rosas não falam,
mas a Lotus adorada fala, tange, fere, ama e quer,
e é absoluta no seu ser e estar.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Divina Dama.
Divina Dama, por quê me aprisionaste em teus braços? Por quê desejaste de mim - logo de mim - um amor sincero fulgoroso e verdadeira? Moça, me aperdoe, mais, sou burro, feo e bobo. Não tenho vocação para ser o comedor, ser o cara que todo mundo gosta, ou o carinha bronzeado e musculoso que come quem quiser no seu carro mais caro. Me aperdoe de meus modos, mais, eu ando de trem, eu tenho costeletas, eu creio num Deus maravilhoso (mais, as vezes injusto quando não entendo seus planos), e creio nas minhas coisas, nos meus conhecimentos, nos meus livros e discos, nos meus quatro quarteirões que ando a pé pensando em teu sozinho, pensando em nós. Divina Dama, me aperdoe se eu entendo tudo errado, e como já ouvi muitas vezes ela dizer para mim: "[...] Eu sou uma desgraça ambulante, que nada faz certo, e que deveria ter morrido no dia que nasci [...]"; De coração, me perdoe se um dia eu nasci, e fiz tudo isto. Não foi minha intenção. Juro.
Divina Dama, entrego-me de novo ao desgosto como me entreguei tantas outras vezes, por tantos outros motivos. Porque eu me fiz de bobo, quando pressenti e presumi erradices, quando ouvi vozes de lobos e achei que eram minguados de carneiros necessitando de socorro, e quando eu me entreguei para alguém, e este alguém tanto pisou, chacoteou e riu de mim, mesmo dizendo "me amar, me aceitar e estar comigo por tudo o que houvesse...". Talvez, a dor maior de um bobo, é ser justamente bobo. É iludir com a palavra vã, fea, é ter sonhos, planos, e querer dar forma a estes sonhos. O bobo tem medo da morte, Dama, por isto ele quer, e quer agora, e quer sempre, e tolamente, e idiotamente, ele é monogâmico, e faz de tudo para ser o melhor e ter sempre da companhia do teu. Se valeu, valeu, mas, algo martela na minha cabeça boba, dizendo o que eu sempre me convenci: "Deus é bom, mas, eu não mereço tudo isto".
Divina Dama, foi curto, mais, aproveitei cada segundo como se fosse um dia. Fui bobo? Fui. Fui idiota? Fui. Te fiz feliz? Creio que sim. Te ganhei em beijos e risos? Sim. Divina Dama, me perdoe, mas, eu acho que no justagora, eu irei perder você. Tenho pouco em minhas mãos (mãos novas, mais, calejadas pelo ofício e pela música que um dia lhe encantou...), e sei que existem tantos outros por aí com uma mão cheia, e esta mão é o dobro das minhas duas mãos juntas, com o pouco que tenho a lhe oferecer. Não, não entenda errado, por favor, lhe peço! Sei que tens um coração bom, e uma alma linda, mas, eu sei que os meus planos, meus sonhos, minha vida é uma coisa que talvez você não irá querer ter para ti, Dama. Diga-me de coração, e com o peito aberto, e me diga com toda a verdade, cara limpa, chaga aberta, sem medo: Você gostaria de ficar comigo? De ter um apartamento no centro da cidade, de ter um cachorro, um gato, e uma janela que mostre o lado bonito da cidade? Você gostaria de ir nos finais de semana ao Museu Do Ipiranga ao Pq. Da Água Branca fazer um pic-nic? Você gostaria de ter uma filha comigo? Você gostaria de ter comigo dias felizes, tristes, e o que Deus planejar para nós? Você estaria comigo na hora em que o barco virar, do mesmo jeito que eu estivesse contigo? Você faria carinho na minha cabeça, enquanto eu te tocasse uma música? Você gostaria de receber um bouquet de flores? Você viria comigo ver o Sol nascer? Você gostaria de estar comigo na praia, vendo o vento bater na janela, enquanto tudo continua calmo e lindo? Você viria para mim no dia em que nada fizesse sentido? Você poderia ser minha, em algum dia da sua vida, nem que fosse só um?
Se sua resposta for sim, apeia. Estou aqui.
Divina Dama, entrego-me de novo ao desgosto como me entreguei tantas outras vezes, por tantos outros motivos. Porque eu me fiz de bobo, quando pressenti e presumi erradices, quando ouvi vozes de lobos e achei que eram minguados de carneiros necessitando de socorro, e quando eu me entreguei para alguém, e este alguém tanto pisou, chacoteou e riu de mim, mesmo dizendo "me amar, me aceitar e estar comigo por tudo o que houvesse...". Talvez, a dor maior de um bobo, é ser justamente bobo. É iludir com a palavra vã, fea, é ter sonhos, planos, e querer dar forma a estes sonhos. O bobo tem medo da morte, Dama, por isto ele quer, e quer agora, e quer sempre, e tolamente, e idiotamente, ele é monogâmico, e faz de tudo para ser o melhor e ter sempre da companhia do teu. Se valeu, valeu, mas, algo martela na minha cabeça boba, dizendo o que eu sempre me convenci: "Deus é bom, mas, eu não mereço tudo isto".
Divina Dama, foi curto, mais, aproveitei cada segundo como se fosse um dia. Fui bobo? Fui. Fui idiota? Fui. Te fiz feliz? Creio que sim. Te ganhei em beijos e risos? Sim. Divina Dama, me perdoe, mas, eu acho que no justagora, eu irei perder você. Tenho pouco em minhas mãos (mãos novas, mais, calejadas pelo ofício e pela música que um dia lhe encantou...), e sei que existem tantos outros por aí com uma mão cheia, e esta mão é o dobro das minhas duas mãos juntas, com o pouco que tenho a lhe oferecer. Não, não entenda errado, por favor, lhe peço! Sei que tens um coração bom, e uma alma linda, mas, eu sei que os meus planos, meus sonhos, minha vida é uma coisa que talvez você não irá querer ter para ti, Dama. Diga-me de coração, e com o peito aberto, e me diga com toda a verdade, cara limpa, chaga aberta, sem medo: Você gostaria de ficar comigo? De ter um apartamento no centro da cidade, de ter um cachorro, um gato, e uma janela que mostre o lado bonito da cidade? Você gostaria de ir nos finais de semana ao Museu Do Ipiranga ao Pq. Da Água Branca fazer um pic-nic? Você gostaria de ter uma filha comigo? Você gostaria de ter comigo dias felizes, tristes, e o que Deus planejar para nós? Você estaria comigo na hora em que o barco virar, do mesmo jeito que eu estivesse contigo? Você faria carinho na minha cabeça, enquanto eu te tocasse uma música? Você gostaria de receber um bouquet de flores? Você viria comigo ver o Sol nascer? Você gostaria de estar comigo na praia, vendo o vento bater na janela, enquanto tudo continua calmo e lindo? Você viria para mim no dia em que nada fizesse sentido? Você poderia ser minha, em algum dia da sua vida, nem que fosse só um?
Se sua resposta for sim, apeia. Estou aqui.
domingo, 20 de março de 2011
Amanhã...
Todos os dias, as mães-árvores são as mesmas, e não se alteram em nada, deixando apenas o mundo ser o mundo, enquanto elas fincam suas idéias e mudam também a nós, nos renovando o ser.
Criança, tens coragem de controlar o tempo?
Ninguém quer realmente saber mais do seu amor, mas quer tura liberdade para o teu bem - e futuras trocas de favor - e teu sanismo.
Somos todas marmotas de Rei Algum.
Quando vós, cheios de espaços cheios de ego, e vazios de sentimento mútuo ou colectivo, vemos a realidade; Muralhas caem, assim como alguns caem por terra. Caucaso é como Césio, e abriremos para o Sol em um vôo como abrimos/abriremos "A Rosa Primal De Mulher" um dia.
O Cástor e eu; Sabemos que Júpiter tem razão; Tudo é uma orgia níilista sem sentido algum, prestes a ser devorada pelo monstro da lagoa.
O latido do cão antigo se assemelha ao do cão novo, e o mundo - Ah! Esse sim, admirável mundo -, continua-me sendo um moinho. Ricos ficarão ricos, pobres e pobres estes, morrerão enquanto os herdeiros do Céu vencerem na vida e virarem dos Céus e do Ska. Todos eles, assim como nós, cairam por terra e tiveram que começar Do Zero Adiante.
Criança, tens coragem de controlar o tempo?
Ninguém quer realmente saber mais do seu amor, mas quer tura liberdade para o teu bem - e futuras trocas de favor - e teu sanismo.
Somos todas marmotas de Rei Algum.
Quando vós, cheios de espaços cheios de ego, e vazios de sentimento mútuo ou colectivo, vemos a realidade; Muralhas caem, assim como alguns caem por terra. Caucaso é como Césio, e abriremos para o Sol em um vôo como abrimos/abriremos "A Rosa Primal De Mulher" um dia.
O Cástor e eu; Sabemos que Júpiter tem razão; Tudo é uma orgia níilista sem sentido algum, prestes a ser devorada pelo monstro da lagoa.
O latido do cão antigo se assemelha ao do cão novo, e o mundo - Ah! Esse sim, admirável mundo -, continua-me sendo um moinho. Ricos ficarão ricos, pobres e pobres estes, morrerão enquanto os herdeiros do Céu vencerem na vida e virarem dos Céus e do Ska. Todos eles, assim como nós, cairam por terra e tiveram que começar Do Zero Adiante.
terça-feira, 29 de junho de 2010
...Ver as águas dos rios correrem.
Nos anos de 2008, até a primavera de 2009, o cara metido a escritor aqui, estava metido em coisas ilícits, entre elas, bebidas, brigas de rua, e até gangues. Mas, qual a diferença ? De um jeito ou outro não são todos os jovens que se perdem, são apenas alguns que desejam se aventurar mais. Existe uma longa diferença em que se aventura por diversão, e quem tem que viver de um jeito arriscado todos os dias.
De todas as andanças, de todos os amigos, socos, dores, e os caralhos já ditos em todas as horas, eu nunca esqueço quando desci as quebradas da Augusta, próximo ao antigo Teatro Record, aonde mais pro fim se encontram inúmeros sebos e puteiros. Lá sim foi a forra da minha vida, lá eu conheci muitos Ska's, muitos Soul's, e reconheci muitos sons há tempos perdidos no meu baú.
Dentre eles, eu sempre me lembrava daquele som do James Brown. Violento, pesado, e cheio de metais, e aquele grito seco: "REVENGE !". Aquilo sim era um Soul carregado, que tempos depois eu fui descobri que se chama The Big Payback. E não o que me falaram: "Power Of Soul". E isso não se compara a minha última descida a baixa de lá, aonde redescobri Cartola. Foi a coisa mais linda que existe. Em agosto de MMVIII nosso herói estava brigado com sua Morena, logo precisava espairecer a cabeça e desanuviar do sentimento de dor, e todo aquele blábláblá.
Encontrando os amigos, sorrindo, e vendo a vida, entrou no tradicional sebo pra cavucar alguma música boa, só que quando ouviu aquele violão se entrelaçando com aquele metal, foi a gota-d'água. Parou todas as buscas por um vinil do Kinks, e olhou fixamente para o compacto: Preciso Me Encontrar. E aí foi. Fodeu. O samba que seus pais dançavam na sala, logo tomou conta dele, Ox logo se encontrara, pela primeira vez, vendo a música na sua vida, como uma trilha sonora, ao pé do clichê. Ele viu seus pais dançando, sua mãe ouvindo os sambas de Cartola, sua vó cantando, e ele ainda pequeno, se voltava ao que hoje ouvia. Foi a última e a melhor descoberta de toda as suas Cruzadas atrás de música boa nos sebinhos da Augusta.
E, hoje ouvindo "Soul Revenge", eu penso, que sem música não há nada, e sem amor também não. Mais, mesmo havendo coisas que há de se esquecer, uma música é sempre uma música, ela sempre será a melodia que há de te levar lá.
De todas as andanças, de todos os amigos, socos, dores, e os caralhos já ditos em todas as horas, eu nunca esqueço quando desci as quebradas da Augusta, próximo ao antigo Teatro Record, aonde mais pro fim se encontram inúmeros sebos e puteiros. Lá sim foi a forra da minha vida, lá eu conheci muitos Ska's, muitos Soul's, e reconheci muitos sons há tempos perdidos no meu baú.
Dentre eles, eu sempre me lembrava daquele som do James Brown. Violento, pesado, e cheio de metais, e aquele grito seco: "REVENGE !". Aquilo sim era um Soul carregado, que tempos depois eu fui descobri que se chama The Big Payback. E não o que me falaram: "Power Of Soul". E isso não se compara a minha última descida a baixa de lá, aonde redescobri Cartola. Foi a coisa mais linda que existe. Em agosto de MMVIII nosso herói estava brigado com sua Morena, logo precisava espairecer a cabeça e desanuviar do sentimento de dor, e todo aquele blábláblá.
Encontrando os amigos, sorrindo, e vendo a vida, entrou no tradicional sebo pra cavucar alguma música boa, só que quando ouviu aquele violão se entrelaçando com aquele metal, foi a gota-d'água. Parou todas as buscas por um vinil do Kinks, e olhou fixamente para o compacto: Preciso Me Encontrar. E aí foi. Fodeu. O samba que seus pais dançavam na sala, logo tomou conta dele, Ox logo se encontrara, pela primeira vez, vendo a música na sua vida, como uma trilha sonora, ao pé do clichê. Ele viu seus pais dançando, sua mãe ouvindo os sambas de Cartola, sua vó cantando, e ele ainda pequeno, se voltava ao que hoje ouvia. Foi a última e a melhor descoberta de toda as suas Cruzadas atrás de música boa nos sebinhos da Augusta.
E, hoje ouvindo "Soul Revenge", eu penso, que sem música não há nada, e sem amor também não. Mais, mesmo havendo coisas que há de se esquecer, uma música é sempre uma música, ela sempre será a melodia que há de te levar lá.
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