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sexta-feira, 30 de junho de 2023

Just A Song Before I Go.

Antes que eu vá, digo que eu esperei por você.
Esperei pelos seus abraços de sêm-fim, e seus beijos amenos - ora na minha testa, ora na minha bochecha, mas quase sempre na bôca. Esperei idem pelos seus carinhos macios nas minhas costas, como por quantas vezes escrevi deles, assim como agora escrevo me despedindo de vós. Esperei pelo seu sorriso de chegada e por sua têz entristecida de partida, das faxinas, limpezas, arrumações, cariños e filmes regados a viños e pipoca com ajinomoto - das pizzas, churrascadas, e cuidança. Nas festas de amigos, ficaríamos orbitando no universo deles a beber, a rir, a cantar, a se abraçar e fazendo piadas, pois teríamos o tino do humor nêgro, da baixaria, mas ainda sim arriscaríamos tudo em uma tentativa de arrancar o riso um do outro...
Dos dias frios, cobertas no sofá, de você fazer um cachimbo para mim - afinal, conheceria a medida do tabaco e como gosto -, tanto como de que quando me mantenho só, olhando para o universo para encontrar ou a mim, ou a Deus, que você se atentando ao meu lado não dissesse nada. E apenas colocando sua mão em volta de meu braço, ou me abraçando, tampouco na mais ríducula das hipóteses, como naquele Céu estrelado que uma vêz vi na Serra de Santa Helena, e seria lá tu que deitaria um mantel sobre mim. De passar no mercado e perguntar o que você quer, o que você precisa, o que falta, o que quer comer. Dos dias de calôr, teria a praia, o clube, o veraneio, te ver dourar a pele, beber uma cerveja contigo, e sentir que o Sol nos aquece, e ao deitar contigo, seu calôr não me incomodar, e sentir alegria em queimar-me em ti.
Do seu carinho em minha cabeça, dos olhares, das piadas infames de casal, de ter a minha parceira a bandeirar pela cidade comigo, de não me preocupar se me fedo a fumo ou suor, porque estaria lá seu abraço como pôrto-seguro de tôdas as agruras que fêz esse mundo em mim. Seria lá, teu olhar e ter teu coração cousa mais bela e própria do que ter e obter Deus em si. Seria, por mais franca verdade retilínea um trabalho de vida. Ter-te num arrebato de abraço, para enfim descansar de forma concreta, precisa, e assim poder dormir finalmente em teu colo, ou em teu busto, ouvindo teu pulsante coração descansando perto do meu.
Seria, afinal, o que dizem êles em ser feliz.
E as noites sem final de violões, bandolins, e cantorias, para mais uma vez ouvir seu canto de rouxinol clarear a noite toda...
Esperei cuidar de você. De te dar cafunés, contar as coisas que sei, falar de dias de batalhas e glórias passadas; e de planos futuros que ninguém nunca há de saber, e de quando ir trabalhar, sentir sua mão tão macia me segurar pedindo um beijo de despedida, e que seus olhos acastanhados, translúcidos com um brilho tão incógnito fôssem então para mim motivo para que eu pudesse continuar adiantar, e lhe trouxesse a alegria e o cansaço de um labor, enquanto abriríamos uma garrafa e descansaríamos de toda a vida que morreria fora de nossa casa. Te encontrar no metrô seria como ir numa fila ao tomar a eucaristhia, de importância, reverência, temência, amôr e respêito. Te celebraria como o gôl de desempate, e do primeiro gole de Antarctica gelada. Seria lá tu a fôrça de minha fraqueza, e eu seria o teu baluarte para que passasses incólume.
A verdade é: cuidaria de você melhor do que eu algum dia pensei cuidar de mim.
O lado de dentro da calçada, o braço na cintura, o beijo inesperado, o vento que invade sua saia, as ondas violentas, o emboque do mar, as alegrias vindouras, a alegria de sermos mais de dois... esperei ansiosamente por isso, e Deus sabe como. 
Te encontrar, em qualquer lugar, em qualquer circunstâncea, de qualquer maneira, seria pra mim a cousa mais bela que existe. E só de sorrir para mim, saberia afinal o que seria isso que êles chamam de "ser amado". E eu saberia - de alguma maneira muito inóqua, muito estranha, muito bizarra, muito bela, muito chamativa, muito desesperada, muito involuntária, muito emocional, muito devota, muito minha, saberia que você também me amaria.
...e antes que eu vá agora, apenas saiba que te amei. E eles não vão te amar como eu amo você. Eu te amei pelo conjunto da obra e solidificação, eles te amam pelo que tens. E isso me difere em grã situação deles. 

E isso me diferencia de uma maneira que você nunca vai saber, porque talvez você nem saiba de mim. Sou só um escriba.

quinta-feira, 20 de abril de 2023

Lost In The Supermaket.

 Um ano depois é muita coisa.
Ainda não sei dizer, se estou vivo ou morto. Sei que meu livro sai agora em maio após umas séries de desventuras e de fazer-saber e fazer-conhecer. Sei que não durmo mais no chão e tenho paz de espírito - ainda sonho e penso na morte de forma afã, mas tenho ainda o tino de mexer bem com a lâmina que trago oculta em minha mão.
Eu não sou herói, sou escriba. Dos que escrevem eximiamente sobre tudo, e no fim não te deixam entender nada. E já queimei o notebook com o cachimbo. E já mandei rezar uma missa. E já falei de menos. E olhei demais.
A água de beber é diferente da água de candinhar. E na anágua que ela veste, na têz da noite com os corpos no escuro, eu quero me esconder. E aninhado, aos olhos acastanhados que vermélidos, me dão alento, navego suspeitosamente em seus cabelos negros e penso em mim como escriba, daqueles que fala dela sem que ela perceba que eu cito-a. Diz Ednardo na música: "Pra menina meio distraída, repetir a minha voz...", e assim, quero permanecer. Como alguém alheio, mas não presente. Como rei sem trono, casa sem arrimo e olhos que hordam a cegueira.
Uma vez eu conheci um cara que foi um herói. Ele me disse que era dos boêres, e que lutou na Índia. Eu nem acreditei e nem desacreditei; Na verdade apenas ri - eu só pude rir. Conheci também uma moça que chorava lágrimas de prata, e que suas mãos eram mais quentes que água em ebulição... ela tinha nôme de pedra, talvez jade, talvez esmeralda, ou turmalina. Tanto quanta outra vez conheci um irmão de rua que falava latim, aramaico, grego koinè e hebraico-velho; me confidenciou que era grã historiador teológico, mas que a tudo largou para viver o que realmente desejava (as coisas de seu coração), e por isso perdeu tudo. Conheci uma mulher que se prostituía por medo da solidão, uma boliviana que pagou 50 mil em um anel, e trocou por uma casa na Bela Vista, e depois por dó (sic) ela se casou com o dono do ap golpeado e foi a melhor coisa que fez. Vi filhos de amigos nascerem, vi pessoas amadas morrerem, vi a tristeza e dor em cada coração e celebrei e fui rei com quem celebrou cada alegria de forma ferrenha. E isso me manteve vivo - por mais que ainda esteja dançando um tango errante com a morte; parando apenas para ir no banheiro e comer um pastel.

E em um ano depois, é muita coisa, nem dá pra contar tudo nesse texto, apesar de já o ter dito o suficiente...

terça-feira, 1 de novembro de 2022

(Find The) Cost Of Freedom

Eu duvido muito de mim e das coisas que penso. E por isso as transcrevo. 
Não tente entender. E se realmente quiser entender, me pergunte. A tua conclusão preciptada só pode piorar o quadro no qual extenso as minhas palavras e que você pode julgar; o dever do escriba é sempre (a seu modo, linguagem e têmpo) dizer das coisas de seu coração, de sua fé e de seu tempo. 
Boi voador não pode.
Conheço o oculto de meu peito e adentro dele sei das coisas de meu coração - das quais admiro e exulto em ais. E por isso escrevo. E danço tango com a morte e como um pastel nas horas vagas.
E a escrita transcorre entre sua íris entre o lírico, épico, e belo; mas sabe lá tu de quê escrevo. Falo de minha vida, minha luta, minha saudade, dos pássaros, da geral que pia, e do peixinho-da-lagoa. Minha temática é híbrida e florida, mas você só pode entender se seguir meus passos de forma que ao eu te explicar porque faço uma coisa; o significado e valor que ela tem - pode não parecer, mas todos nós temos valor e significado, peso, história e legado; só precisamos saber se estamos fazendo jus a nossa bagagem ou sendo extremamente cuzões.
Como já dito anteriormente nos anais desse blog, a função do escriba é denunciar e por na história o que acontece contra os fascínios e os facínoras que nos cercam - e eu, como aclamado e dito escriba (e por vezes proclamado profeta da estepe), escrevo e transcrevo o que me circundeia.
Tal qual Jeremias (Jr XX;VII-XVIII), instalo em mim a lamentação ad infinitvm de um "profeta" que incute a verdade de Deus em comunhão com a situação dos homens, e escrevendo pois sobre as linhas apuradas de quem antes ouviu e sentiu Deus, nos pássaros eu vejo/sinto/ouço todas as coisas que acontecem de maneira ferrenha e apressada contra meus olhos, carne e alma: Falo da vista da janela, da amada, do vento, do amor, da morte, da lamúria e da Excelsa Glória de Deus, que se encobre e se vela nos altos Céus, que agora derramando gotas de chuva, abençoa a cada um de nós, que apressados nem sentimos o milagre da vida - seja pelo guarda-chuva, medo de desfazer a escova do cabelo, ou de ficar gripado.
Assim como o profeta, escrevo das carnes que sangram não (tanto) por desabafo, mas por um motivo bélico de denúncia: Pelo povo que padece, sofre e perece; eis, Padre Deus, minha missiva. E assim como o profeta, tangeste minhas mãos e minha boca com a tenaz para que eu dissesse e falasse com o peito e o coração; e das noites da taverna: bebi, berrei, briguei, embriaguei, e fui herói. Disse a eles o que escarnece sua alma e denunciei a atitude que corroe a alma, mas que eles não são capazes de aceitar. 
Subi ao altar. Sentei-me a destra do altar, na escada. Naquele instante, naquele nosso pequeno tractvs, ficou decidido entre nós dois o que havia de ser; e assim como o profeta, fui tentado, posto ao sopé da morte, mas ainda sim vivo fiquei para exercer minha parte do tractvs e da nossa aliança, e ainda sim quando eles fôssem reis, eu os pisaria para mostrar a sujeira, e quando eles fôssem pôstos em humilhação, eu os mostraria o verdadeiro reinado e espólio que Me ensinastes.
Não os julgo. Mas os condeno, e peço ao Juíz que mude os corações endurecidos, e deixe as lindas garôtas ouvirem, e os Céus turvarem. Peço a paz, a calmaria, e o abraço que os braços procuram - de causa urgente e passível de morte. Ah, assim como o profeta digo a iniquidade do meu povo, e faço minha parte além da denúncia, pelas obras e pela ação-em-fé. E isso me basta; ainda que eu o ache tão pouco, mas Me ensinaste Tua matemática, e nos dias mais soturnos, mandaste teus mais diferentes e diversos amigos para ter comigo, e por Tua imensa Glória o pouco que tive dividi - e se multiplicou, e quando nada tive, obtive tudo de Tuas mãos, e quando meus olhos choravam, foi lá Tu e desceste até mim e me segurou em Teus braços, e quando estava Tu deveras ocupado salvando os meus a quem onerosamente orei, mandaste novamente os Teus. E vi você.
E assim como o profeta; sabendo de meus imensos erros e incapacidades, escolhi Você e o Seu partido assim como me escolheste, me capacitaste e me enviaste para a messe barulhenta e briguenta do cativeiro, e com isso escrevi minha história na Tua e me prometi que meu nome seria sublinhado para que fôsse o Teu mais brilhoso, e até hoje os Teus amigos me ensinam diariamente esta lição; e não me arrependo de estar e viver neste lado da história, de forma alguma. Pois, assim como o profeta, és a minha Força, Certeza, e Alegria. E nunca seja eu objeto ou fiança, pois não sou e nunca fui merecedor de nada de bom que me ocorreu até aqui, Bom Pai.
É tudo pela sua imensa Misericórida.

quarta-feira, 22 de junho de 2022

Carta a Ivan.


1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba e eleito haste de alteio para Ivan, monge e amigo a quem estimo e quero bem - que você, feito no silêncio fale mais do que eu, e com os olhos, denuncie as malfeituras de gênero.

2 - Saudação pós-viagem;

Agradeço-vos que vieste em minha casa, e mais além: Agradeço os livros que me deste, dos quais tomei um como precioso e já o faço em uso contínuo, e o que me deste para que eu pudesse presentear a amada, pelo momento não entregarei, por motivos cujo te sabes. Agradeço ter - literalmente - me dado braço, abraço e me ensinar a mais bela forma de entoar o Lavdæ Sion. Agradeço a tubaína, a pizza, e a força densa que não mediu em me dar livros, me dar víveres, e me dar vida. Eu espero que sua chegada em Roma tenha sido tranquila e em paz, e que tenha gostado das relíquias que vos dei para dar luz na tua cela. Jogo sobre ti todas as sortes, bençãos, e vernáculos conhecidos da língua do homem para você - que São Bernardo te guarde entre os seus diletos filhos! Amigo meu, como ainda te guardo em meus átrios, rezo por tua sapiência, e se for da vontade de Deus, que eu possa ainda te ver mais uma vez para arranhar latim no teu ouvido, e enquanto tiro minha barba - talvez, prolifera a tua, deixa-a a crescer. Equilibra a libra do universo, por mim.

3 - Prepação para a morte;
Acaso eu não deveria estar em paz com minha morte? Porque, se tenho paz no meu fim, sei que fiz, e o fiz bem ou fiz mal. Acaso se me desesperasse e chorasse, para que me valeria? Ridículo é. Não tenho medo da ida, mas tenho medo de que tudo que penso finde comigo, por isso me dano a escrever para valer a pena que comuto, e não me vejo como derrotado, mui pelo contrário: me vejo como sempre me vi, um garôto de íris esmeraldina que quer descansar. De preferência nas coxas grossas da mulher de cabelos negros e boca carnuda. De preferência na glória, de preferência numa chuva fina que contrasta com o sol. Se me ocorrer a ida enquão você não estiver aqui, reza por mim, e tina um sino pra eu falar pra Dona Antônia que o neto dela agora é INTERNACIONAL! com o selo meav cister(TM) de garantia. E ria, ria desenfreadamente, desgraçadamente, porque finalmente venci o caxangá. E venci, junto com nosso Pai, o velho inimigo.

4 - Sobre as tolices;
Sim, deves o rir. Monges também riem, bebem, fumam, e falam asneiras, lembra-te pelo meu lema: O deboche vai salvar o mundo, e se lembre de todos os santos do nosso panteão que se valeram do deboche, ironia e sarcasmo para ir além e levar Deus para a massa; falar asneiras - desde que sabiamente e com parcimônia - também é uma forma de evangelizar. Lembremos dos deboches nos sermões, regras, e lembremos que os nossos pais que são mais estimados por nós, são os que nos faziam rir e procurar a Deus, e não os que turvavam a vista e nos faziam ter medo e raiva pelo passado que tivemos e renunciamos. Lembremos da logorreia que os devotados soltavam durante as férias, e nós ríamos, como hienas, e isso nos levava a sapiência de forma gradual e ascendente. Por isso, deboche, paizinho, deboche.

5 - Pedidos geraes;
Em qual momento assim, tive alegria, e tive conforto. De meus amigos religiosos, te estimo em alta conta justamente pois poderíamos falar das coisas do Céu na mesma intensidade que falaríamos da Dôce Música, e nos derretiríamos em ais por isso. Rogo-te, grã Ivan, que ore por mim, e pelos meus, e nas intenções que lhe instruí no papel anexo as tuas relíquias e códice. E reza os nas seguintes instruções.

6 - Explicação sobre antífona vocatória pré-benção;
Toma, explico-te a invocação e porque faz sentido a invocação desta formula que ocasiona quando dispenso a benção sobre alguém:

Santos: Todo o rincão (de devoção tua ou da pessoa)
Únicos: Aqueles que são exemplo pela virtude (ex: Tobias, Daniel, Bæda Venerabilis)
Justos: Aqueles que não se venderam na fé (ex; Judith, jovens da fornalha, Thomas More, Thomas Beckett, 7 Irmãos Macabeus)
Patriarcas: Todos os pais da igreja latina e oriental. Sem exceção.
Profetas:Todos os profetas (majoram et minorvm)
Virgens: Todas as virgens que deram seu sangue por nossa fé.
Mártires: Todos os que morreram a defender a fé, a igreja, seja em integridade física ou espiritual.

7 - Despedida e benção;
Já em tua cela, sei que há de ler isso talvez no próximo domingo, se minhas contas estiverem certas. Por isso quero tua resposta até lá. E te rogo que os papéis que te dei sejam sempre objetivp de rogatórias. E levas um pedaço de mim como deixaste aqui fragmentos teus. Saúdo te em paz, na esperança esvanecedora de um até logo - seja o por aqui, ou na festa do lugar. Peço-te a benção, Abba. Orate pro animæ meæ


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Pensando em Você.

 Espero agora
Sem muita certeza
A hora certa de te ver;
Eu quero conter um perigo
Rir em um bar com os meus amigos,
De uma ilusão, brindar
Mais e mais.

Queria estar
Beijando sua boca
No primeiro dia de inverno;
Pretendo até mesmo penar
Se não der todos os meus planos
Se você, dessitir
Do meu amor.

Ah, eu vou sorrir
E vou fazer mehor e bem feito
Pois farei pela moça morena da música
Suponho até mesmo me dar ótimo
Dentro deste labirinto do Fauno
Que é, este
Mundo cruel.

Imagino agora
Sem muita sensação
Eu e você na sua cama
Enquanto lhe toco nessa canção
Você vai se emocionar e me beijar
Tenho fé, que isso,
Vai rolar

Porém desisto
De tentar escrever
Coisas a altura (belas) de você
Muito prazer lhe digo apressado
Eu sou o cavaleiro do cavalo ao lado
De encontro ao amanhâ
Eu vou junto, a ti
Meu resplandecer.

E enfim eu
Quero dizer
Que eu estou morrendo pra ver
O dia que me encanta a vista
E a descoberta do meu defeito
Não falar, como eu
Sei te amar.

domingo, 17 de novembro de 2019

Gente Humilde.

Seo Fabio é a transição do têmpo e espaço, e nessa tentativa inútil de viver entre o saber e o descobrir, abri a fenda do tempo de imortalizar meu avô em palavras.
Nascido na fenda da pedra dura (chamada Itaquera), nasceu o homem de poucas palavras, ironia extrema, franqueza, e batedor-de-dedo-indicador na mesa quando bebe cerveja e come azeitona de tira-gosto.
Seo Fabio foi o homem (cujas profecias, pois homens desse calibre não estão na história, fazem), de bairro, futebol, de namoro-de-portão, de trabalho duro, e salário muito baixo, pouca comida e um omelete para quatro filhos. Uma esposa que lhe ajudava onde podia, e muitas vezes só aliviava o peso do mundo no bar, tomando a cana mansa-couro, ou o futebol onde se quebra ou é quebrado. O peito de meu avô é o lugar mais inacessível do mundo, e louvado seja quem o adentrou. Creio que se eu tivesse tantos dinheiros quanto bolsos em minha calça, deixaria todo isso guardado no peito de meu avô, nunca soube eu que alguém passou ali - e se passou, não voltou para contar a história.
De todo, meu avô sempre foi racional em tudo o que fez, agiu e constituiu ao longo de sua existência, claramente, nunca deixou muito o sentimento ir em sua frente, mas ao mesmo tempo, com sua forma, deixou o sentimento aguar parcas vezes - mas dessas parcas vezes, cada vez que me recordo, sei que vale mais do que uma vida sendo amado e amando. O altar que ponho Seo Fábio, o Velho, é digno por saber que foi um homem comum, que acordou cedo, labutou, jogou bola, bebeu, falou palavrão, brigou, riu, falou da política, ajudou quem pôde e como pôde, e se dedicou a família como pôde, em todas suas instâncias. Se meu pai foi omisso, nas raras vezes que pude estar pareado com meu avô, ele foi mais que avô, foi pai, mestre, profeta e amigo. Meu avô, por mais que não saiba, é um de meus melhores amigos.
É a prova cabal de que a vida não precisa de muito, mas o pouco tem que ser bem-feito, e feito com carinho e lucidez. E que na dificuldade proliferam coisas boas sim. Me ensinou tantas coisas, e mesmo sem saber, me incentivou em tantas outras, e indiretamente, me ensinou por tantas outras. Seo Fábio ainda hoje acorda, pega a bicicleta, vai até a banca, pega um jornal, passa um café, e lê o jornal ouvindo as notícias no rádio, e sempre que pode acompanha seu time jogando. Sempre que estou por lá, ouvimos uns discos, ou quando não estou lá, ele mesmo ouve os discos dele.
Seo Fábio não sabe, mas ele é uma das pessoas que mais sinto saudades.
Seo Fábio não pode morrer, e quando (infelizmente) a Irmã Morte o abraçar, rogo ao Santo dos Santos que mandem anjos em seu encontro, e que na presença da Virgem, sua alma seja amparada e consolada pelos serafins. Peço que ele, muro de arrimo e casa-forte de tanta gente dessa família, esteja em paz, pois não houve e nem haverá um espelho tão belo e límpido como esse homem. Espero ainda que segure meu rebento no seu colo. Espero poder curti-lo mais um tanto, e mais além: Espero poder abraçar aquele velho mais um tanto, mesmo nunca tendo a coragem de o fazer, e que no derradeiro momento, ele saiba que apesar de minha ausência, sempre se faz lembrado por palavras, atitudes, carinhos e prece.
E por último, mas como cimento, digo que meu avô, mesmo com sua agnosticidade, ou ateísmo, foi quem mais me ensinou de Deus, pois ao afirmar sua dúvida, me ensinou a entender o credo e correr atrás das Potências Celestes em meu caminho.

A benção, Seo Fábio!

"E eu que não creio, peço a Deus por minha gente; É gente humilde - que vontade de chorar"

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Beco do Mota.

Desce com o passo apressado, aprecia a visão, segue um cortejo desconexo, com as pessoas que se comprimem e não cumprimentam, desce o Sol do Céu e tange o zênite com a morte. Morre o Céu, morre o atropelado, morre as oito horas trabalhistas, morre um pouco de tudo a cada dia. A Igreja tricentenária mantém-se imortal comparedes de taipa de pilão, sensação de paz e morte e o acobreado entrando nas narinas. Há de ser.
Quisera eu imprimir um pequeno gesto meu nas paredes e espaços que couberam no universo dessas ruas e dessas casas, desses copos e dessas garrafas, e quisera eu ser um alguém que realmente fosse de parte inteligente e interessante para alguém, quisera eu ter sido mais um dos que contestam, fazem e apeiam. Quisera eu ser o nôme que se dizem antes de dormir, linha razonal de ser alguém benquisto e bem-vindo pelas pessoas que me acercam - sabem de mim, mas não sabem acerca de mim, dizem saber de mim, mas guardam o que eu posso ter dito, ou fingem lembrar, ou lembram até onde cabem. Eles falam muito e nada dizem, eles penam muito pelos pecados ao longo da vida, eles dizem que esquecem, ou dizem o que lhês convém, sendo que o jeito é outro.
Aprendi, então, que na morte não existe fome, dor, tristeza, ou raiva. Existe a paz - que busquei minha vida tôda.
Decidi, então, deixar meu nome nos ladrilhos do triângulo, aonde ninguém (há de) sabe(r), mas quando notar, verá a minha fuligem lá, no chão, paredes, varandas, sacadas, architetura, nomeclatura e acinzentar, ali serei mais (m)eu do que serei (por) vocês. E quando nas bases sólidas dos pórticos das Igrejas ouvir o choro de quem pede o trôco, eu irei sorrir e deixar minha alma tão solta como o vento aonde os pássaros se voam para uma eternidade. Serei eu o que mais quis por mim, e pela vontade que me cabe, e deixarei escrito nas paredes o que vocês nunca quiseram ver, mas em tempo hão de encarar a realidade.
Há sangue inocente sendo derramado. Jorra-se água e vinho. Ao ler isto, será tarde demais.
Para os que achei serem meus, retiro o cargo de se encarregarem de algo, ando a perceber que faz quem quer, e ninguém tem motivo de poder incubir missões a ninguém. Ninguém é dono ou senhor de ninguém, tampouco pode se deixar preceitos ou missões post-mortem. Ninguém está nem aí pra porra nenhuma, e os poucos que estavam, agora, estão começando a deixar essa terra, e partir para novos rumos, novas histórias, e novos sentidos.
Há dias a vida deixou de ser vida.
Eu já me decidi, sem reconsideração.
Quem diz entender apenas vê a carne, e não sente o espírito, e por isso julgo de ser burrice. Julgo de ser idiota, julgo de ser digno de maldição, julgo de ser réu de morte, porque se cuida de carne, deve se cuidar de alma, de espírito de essência, não se deve limitar o cuidado na carne, pois a carne padece, mas todo cuidado dado a alma, seja por alento, alegria, ou conforto, este sim é digno de júbilo e de vero agrado a Deus, pois a alma não se corrompe ao descer da carne na terra fria. Os dias passam, e a dissimulação torna-se cada vez mais forte e visível. Em um quarto, uma pessoa chora. E no frio, a salvação não vem em forma de martírio, enquanto os corações duros reinarem.
Ao tocar o sino, cada fração minha há de deixar esse tempo e esse espaço, formando um novo local, e um novo minuto para minha existência, e aprendi (e continuo a aprender) a cada dia que passa que por mais que as pessoas digam que estão com você, não estão. Você apenas corre tão sozinho e cansado pelos caminhos sem ninguém a te dar alento, e a te dar seguridade. No final nada disso importa muito, e esta crônica de alerta social entona desabafo, e ninguém há (de ter questão) de entender.
No final, as pessoas só ganham carinho, valor ou um amôr (digno) quando morrem. Talvez seja esse o sentido: Morrer para ser (finalmente) amado de verdade.

terça-feira, 19 de março de 2019

I Need Sleep.

A verdade é uma só, nós nos perdemos ao longo do têmpo. Usamos uns aos outros como régua, mas não temos vontade de entender/ser/carregar o fardo alheio, muito menos dividir, tampouco olhar com misericórdia. 
Por mais que me assemelho ao pensamento do homem rapper da zona sul, ora as vezes me alterno, sabendo dentro de mim que a natureza humana se corrompeu ao longo dos anos, e nem de perdição foi, foi é de maldade, de se corromper, de entender que se valendo da carne, cede a desejos temporãos, nos tirando da pureza e caminhando nossas estradas para rumos de lama. O mal existe. O mau também, mas nós contribuímos para nosso estado de caos, também.
Olhemos um pouco para cada um de nós, e tiremos o véu dos rostos, descobrindo-nos e deixando nos ser descobertos, amando e sendo amados. E que os muitos que nos enxergam, nos olhem como somos, e os que nos abraçam e tangem nossa vida, nos amem pelo que somos. Sem máscaras, sem enganos, erros ou incertezas, mostrando nossas chagas, cicatrizes, sorrisos e cabelos ao vento - quem está conosco, durante os dias que nos permeiam, irá nos amar pelo que carregamos no peito, porque nosso coração vale mais do que temos no bolso, e nossa vida vale mais que nosso celular, e nosso sorriso vale mais que um relatório, e nossas esperanças vale mais do que qualquer renegação. Sim, eu creio e abençoo meu pôvo. Ainda vocês Serão Reis, ainda vocês Serão Profetas, e terão cheiro de jasmins sobre a cabeça, e avenca sobre o corpo. Mal nenhum teme meu povo pois na frente do cortejo caminha o Cordeiro Imaculado, de lado transpassado, e sorriso brejeiro, tranquilo tranquilo, muito natural, muito lindo, assentado no colo da Matrona, que carinha seu pêlo de lã alva. E por onde vamos, assentam sobre nós tão miraculosa figura do Ventre Belo e seu Rebento.
Ainda sim, desejo aos meus amigos que não se rendem e enfrentem a face concretada dos senhores com um sorriso, desarmando todas as pessôas que encontrarem ao caminho e que só levem alegria a todos os corações, e me desejo que as coisas melhorem gradativamente, sem precisar explicar e entender, deixando o ciclo do universo agir e no mirar das situações, criar aquilo que me compete por direito. 
Desejo a felicidade de uma vida sem fim para quem se encontra no fôlego final, faltando pouco, se segurando aqui por um ou dois motivos. Desejo que o Céu seja a rampa de ânimo para quem bate o queixo contra o asfalto quente. Que ao olhar as nuvens nos lembramos da calmaria de tempos felizes, e a felicidade impere sôbre nós.

domingo, 3 de março de 2019

To Zion.

Vêde, que as coisas ao meu redor desmoronam, e como Jan Palach continuo a rir frenéticamente de tudo, pois assim me faz bem, me é melhor, e me ajuda a passar pelas trovas de dôr e dor e dôr e dor e dôr e dor. De repente, noto que as flôres daquele jardim morreram há meses, e só me importava o cheiro, hoje apenas as cultivo por qualquer motivo de menor afanismo. Algo irá acontecer, me rasgará como o Véu do Santo, e eu nem ligo. Só quero não estar aqui.
Não me importo com os dias. E sinceramente, não posso evitar de não me importar com a vida e com as coisas ao meu redor, apenas, mais uma vez, dessa vez, eu deixo os Céus caírem sem me ver, e sem me perceber, burro e bobo trafego na rua, e como o deferido Carneiro môrto no madeiro, me deixo sangrar, sem que ninguém perceba, pois no silêncio eu aprendi a viver. Aprendi tanto de tantos que esqueci de mim, e ao me esquecer, deixo-me morrer a cada esquina, a cada copo, a cada beijo, a cada sorriso distribuído, a cada Kyrie, a cada benção sôbre a terra, e pior: A cada rastro que deixo, sinto esvanecer um pouco de mim, ficando nada por nada, e deixando as lindas garôtas não mais cantando, e não mais a sentir o Céu turvar.
Sinto-me próximo do encontro do meu amado, do que me amôu primeiro, e irei de encontro a Êle sem me preoucupar com ninguém, nem nada, nem se deveria ou não, o vento bate forte contra o amôr, e eu irei deixar esta caravana. Caio do degredo na areia fofa dos têmpos, deixando-me saber quem sou. Sou dono de mim, e faço o que quiser.
Entendo da glória dos Céus, mas não entendo a glória dos homens, e sinto Deus cada vez mais perto de mim, mas não sinto o vento das fôlhas ou o lancete do inimigo, e nem a mão lançada da amada, mais uma vez, dessa vez, pela milésima vez, me apresento ao Deserto de Cemal, aonde vago ser ter quê ou por quê(m). Devo eu deixar essa caravana. Eu não quero nenhum Cadillac.
Você lembra do dia em que andamos pelo Rossio, e o frio tocou minhas mãos cortadas, e atrelado no cabelo, segui a fôlha que caiu do Céu? Lembra-te do dia na praia, com o velho genitor e a cerveja gelada? Lembra do show, aonde sozinho foi  mais que a multidão? Lembra-ti, da vida antes da vida, e do tempo montado no tempo, e de tantas coisas? Lembra de quando você tocou para todas aquelas pessoas? Ou do 1º abraço de Bep? Lembra-te de alguma glória cativa? Lembra apenas que você é homem, e como homem deve permanecer.
Pelo sôm, te dói no peito, e a cabeça quer dormir, por isso você escoa em lágrimas poucas - porém pesadas, e assim você se faz o último de Terceiros. Você sabe que o peso da sociedade lhe faz sentir coisas que você adoraria, mas, manter o mundo sendo mundo, é mais doloroso do que manter sua cabeça em ordem. E na Ordem, nem tudo está em ordem.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Glorioso Santo Antônio.

Abba, os dias têm sido mui distantes um do outro, como se a semana se dividisse e cada dia fôsse sete dias, e cada hora se acentasse sobre o calendário, acalentando as candeias, deixando o pavio longo e a língua-de-fôgo fina e eterna. Parece que o tempo não passa, parece que nada muda, e que o vento só vem brincar com aquela velha e minúscula árvore que se há na frente do 133.
A vida aqui fora do claustro continua sendo difícil, e parece ser cada vez mais - tal qual ser cristão nessa sociedade, tal qual viver um evangelho tão fácil e tão torturoso. Sortudo de ti que se confina no olho do furacão, e cercado de marronzinhos do pau ôco, do côco ôco, de gesso, madeira tricentenária e gente que quer ganhar o Céu pelos títulos. Sabe, Abba, apesar de amar o 133 me pego pensando se Pae Francisco realmente queria tudo isso, ou imaginava tudo isso - é inegável a certeza de ofertar, dar e ter o melhor para Deus, em tôdos os sentidos, mas, êste ponto em específico ainda não pude entender. Deus quis assim, e a minha preguiça também. (Necessitamos de mais Alcantarinos, e uma cerveja gelada).
Como é difícil, pae, abrir a porta e ver novos horizontes e recomeçar. Do alto da minha falsa loucura, me fiz pequeno para viver com e como os menores - mas eles me mostraram ser Grãos; Veneráveis. E dos tantos Veneráveis, da Venerável, eram pequenos, eram menores, eram tão iguais a mim nas suas imperfeições e fé. Fé cega e faca amolada, peito aberto, e água e vinho. Mais água do que vinho. Os frangões saíram de minha rotina, mas ainda guardo êles em meu imperfeito coração pois foram também instrumentos de evangelização. Me tornaram mais próximo de Deus, e me ensinaram o valôr da gratidão, tanto que até hoje, rezo pelo bôm rango, temperado pela minha dôce mãe, mesmo com pouco tempero (a mulherada daqui de casa tem problema igual a mocidade do claustro, jovens com mais 45), e me ensinou que por mais que eu tenha meus repentes e desejos "pacômicos-monásticos", ainda sim devo conviver em fraternidade com a sociedade. A terra é bôa e rica, e nela há espaço para tôdos, e até mesmo nêste espaço, vi tantas vezes o amôr nascer, em mim e nos outros.
Infelizmente, Abba, tenho feito a igreja na ecclesia, e assim encontrado nos meus irmãos (Môça Diana, a Carneirinho, Bi da Jufra, a Camila e o Dhani, Julioso, Bigous, Olivio, Pedro, tanta gente...) as virtudes que tanto estimo neles, e visto meus defeitos nos reflexos das atitudes deles - daí já tenho meu Kyrie Eleison. Devoto meus ouvidos e olhos a quem precisar de mim, reparto o muito pouco que tenho com quem mais precisa, e assim já faço a glorificação a Deus pelos meus dons, e reparto-o dando trabalho e assistência aos que mais precisam de mim, e que eu os leve a Deus. E repartindo, distorcidamente comungo e oferto; Sabe Abba, eu tenho pouco, muito pouco. Muito pouco de quase nada, mas foi Deus que me deu, e me capacitou com meus dons e virtudes para que eu conseguir esse poucoo que me é tudo - Meu Deus me capacitou para o Meu Tudo. Meu Deus e Meu Tudo. Meu Deus é o Meu Tudo.
Abba, a vida tem se tornado bôa na mesma proporção que tem se dificultado. A loucura da Cruz é um difícil desafio vitalício, mas, quando as fôlhas caem e florescem em loucura na primavera, algo na minha alma vibra dizendo que vale a pena tudo isso, e quem é dos seus não se degenera. (ainda somos reis, e ainda somos profetas).
Apesar de ter tirado "um período sabático" do 133, aos 1ºs e 3ºs domingos estarei no anexo. Traga um frangão dentro do marronzinho, bonfrade. A nossa diferença é que eu fui infeliz, meu claustro, como o Pae já mostrou a Madonna Pobreza, é tudo o que circunda minha vista. E preciso começar desde agora a limpar e arrumar aqui. A luta é difícil, mas a alegria é o que nos salva da tristeza. 1 Pe 3; 11.
Paz e Bem!
Nm 6; 24-26.

T.

domingo, 19 de novembro de 2017

The Musical Box.

Guarda-me nos teus braços, e quando minha carne cansar, seja você o travesseiro pelo qual tanto esperar. Seja você a turvação dos Céus que há muito admiro e me tira o fôlego, dá-me a chance de ser quem pode estar ao seu lado, e que nas minhas palavras eu mostre coisas pequenas, mas que na pequenez se mostrem como realmente são, como realmente devem ser, como realmente é entre nós dois.
Não tens medo, e nem exista, não cora teu rosto e nem desce tua vista. Ergue tua face, e cinge seus olhos como eu cinjo os meus para tua beleza; Guarda seu braço no meu, porque tens em mim o que tenho em você, e deixando fora de nós tudo o que hesita, temos ainda a coragem de sermos felizes, de sermos nossos, somos rei e rainha, profeta e sibila. Guarda minha fé dentro do seu ser, e deixa ela crescer, assim como guarda a tua em mim, para eu a multiplicar - justa menina, moça das estepes, a mais silenciosa das tempestades, se apaixona pelo Profeta das Estepes, e no vento frio o abraça, e no calor o beija, e na distância o fita, e na presença, emudece. Seus olhos, quem guarda sabe; Sua alma, quem aproxima sente, sua boca, me padece e me faz seu refém - botae música aos meus ouvidos e enche meus olhos de fíguras místicas, de matrizes de pedra e pó de ostra, segura minha mão ao adentrar os portais, e segue minha vontade até onde desaguar seu desejo. A última.
Considerando o dia de hoje, minhas mãos levantam-se e se rendem em alegria, mesmo não tendo sua alegria e seu amôr comigo, ainda sim, digno de glória o dia de hoje. Hoje, no turvar dos Céus, senti seu abraço a me segurar firme antes d'eu entrar no 133, da mesma forma que você vem segurando o meu braço, e quando gruda em mim após achar realmente que vou embora. Eu nunca iria te deixar sozinha, nem pela minha forma de vida, nem pelo gostar de você, e nem pela reminscência de caráter que jorram de minhas mãos. Eu lhe seguro, com a promessa de que não quero lhe soltar, e que apenas quero das tuas mãos, e só.
Finalizando o dia, minha fôme morde seu retrato, e o segredo começa a ser público, deixando os mais próximos atônitos, e os mais distantes, em quãs e quaos, e nós dois, sabendo (cada vez mais) de nós. E que se dá a Isabel da Hungria? Aos Provérbios 13? Ao Irmão Sol, Irmã Lua? A cerveja no bar gelada? Ao nosso estreitamento que começa a criar forma, a saudade que se acaba ao ver o sorriso, e a boca que pede a outra, aos discos que agora se tem companhia para ver, aos Céus que se turvam em homenagem Della? Deus é nosso juíz, Deus é quem nos sabe, é quem nos guarda. Deus é quem nos uniu.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Mal Secreto.

Alguns, dizem que meus versos são simples mas carregados de uma verve única, que eu sinto a grama crescer, e nos ventos ouço a música. Alguns, em sua ótima percepção, dizem que me proponho nos meus escritos, a dizer tudo aquilo do que estão cheias as cabeças, os peitos e o que emana de minh'alma; Coisas que nunca poderia dizer para a ávida multidão - tão minhas, individuais, mas, ao mesmo tempo tão de comum senso e que comungam dentro das almas e das cucas de tôdos nós.
Mas, para atingir este nível de "escriba", deitei e dobrei-me muitas vezes, e por tantas outras me joguei no mais profundo dos vales e lancei-me muitas vezes nos ventos, e por meses vi a turvação nos Céus, por anos estive sozinho, e paguei um grã preço por ser eu mesmo. Houveram horas, que a própria hora da solidão se valeu de mim, e eu me vali dela, para não ser mais, e com isso aprendi o segredo: Ser um grão, para ser grã - por isso me valho e sou meu, e me entendo: Sou o Pierrot, o bêbado, o anti-herói, e o mais pequeno dos mais pequenos, o do degredo, e assumido Profeta das Estepes. Me encontro e me aceito na minoridade, e na minha pequenez, prostrado diante do altar, Deus, o Tôdo-Tudo, me deu sua Carneiro para eu cuidar.
...Mãos pequenas, sujas, machucadas, cheias de escara e sujeira, encostando nas macias lãs, macias peles, olhos acastanhados e puros - carne imaculada, sangue não se vê, maldade não se cinge, olhos que não se levantam para se cerrar ou fitar o Céu, olhos que se voltam para o altar, olhos que ousaram me dar a bandeira de ser olhado. Por quê? Tem o nôme da Mãe, da Primeira. Tem a infinidade do mar embutida no nome, nos olhos, nas frases dilatadas em tempos da boca pequena, da timidez, do ousar dizer, e na sua própria pequenez, ser tão grã enquão grão. Pequena minha, quando os Céus se turvam em graça e glória, o vento te entrega tôdos os abraços que eu lhe mandei levar? Será que o Sol mandou aquele afago nas suas madeixas do jeito que eu lhe ensinei para lhe agradar? Será que os prédios do Velho Centro lhe serão gentis e lhe guiarão os caminhos iguais os pedi para lhe guardarem?
Se sim, vem. Encosta-se em mim, como estou a me enconstar em você, estreita em mim o que ponho em nível de prumo em você, e amarremos nosso arado numa estrêla, para que apenas seja pela vontade do Firmamento. Minha boca tem vontade da sua, e vontade de mandar tôdo bem olhar pra própria grandiosidade, e nos deixar sermos o que bem somos, na nossa pequenez. Deixar tudo para depois enquanto somos eternos no agora. Deixa eu estar aonde nunca se esteve, e não me olhe por dentro, assim como não vou (mais) te subestimar, e deixa, pouco a pouco, ir pondo a verdade em fontes claras de Luz. Olha nos meus olhos, e vê o mar e a areia, vê acontecer tudo e ao mesmo tempo, nada. E na eterna mística do universo, lá no 133, o baixista secular irá esperar a desenhista diocesana para se completar - e se inteirar. E manda dizer: Êste é o texto Della. O texto, e o escriba.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Samba de Orly.

Entendo a vida como ela é, e pelo que ela há de ser. Não por mais, nem por menos, mas, seguindo sua linha rasante de pensar, sentir, e agir. Vejo muitas pessôas infelizes com suas almas vendidas e sonhos roubados por outras pessôas, que nem ao menos os roubam para os viver, mas, para se moer no Moinho do Centro do Mundo. Vejo zumbis que se degladiam em busca de lugar nenhum, pelo simples fato de ter apreço pelo “não ser nada e nem ninguém”, mas, se esquecem que até mesmo o vazio tem um propósito, uma forma de vida, um porquê – as pessôas querem ser tão autônomas que em sua independência, acabam dependendo dos outros, para ser arrimo, consolação, ou sparring.
Me desculpe, não faço parte deste bando.
Quando me entitularam “profeta das estepes”, apenas consumi em mim o que sempre consumi, dividi o que sempre dividi, e fiz, faço e com a ajuda de Deus farei o que sempre farei: A música, devidamente chamada de Cecília, os amigos, os auxílios – carnais e espirituais, as cervejas e os andares, pesares e intensidades; Tudo isso foi medido e avaliado para ser meu, em apelido, que hoje se faz sub-nome. Sub-nome que gosto, e me sinto abençoado por têr, e honro a cada dia que se passar. Eu mudei, mas, não mudei. Mudam-se as carnes, pelos, pensares, agires e fulguras, mas minha essência, alma e lampeijo ainda se fazem em mesmo. Eu não mudei. E nem pretendo.
Me desculpe se minha camisa não parece tão bem-passada. Eu mesmo a passo. Não dou a minha vó ou a minha mãe a incumbência de algo que elas já me ensinaram a fazer inúmeras vezes, comno também peço perdão se minha roupa não está tão alva: Eu não aprendi a batear com tanto afinco, por isso talvez algumas camisas minhas estajam sim se amarelando, mas, estamos trabalhando nisso, ou até mesmo me perdoe o tempero carregado no feijão, mas o sangue mineiro pede este toque, assim como a minha fé, minha complacência, e minha pérola. Não profiro mais palavras tortas, e nem prossigo em coisas perniciosas, mas, apesar desta aura tão “sacra” que eles me falam que estou a tomar, ainda sou o mesmo: Ainda danço samba-rock, ainda bebo, tenho minhas camisas, meu coração bate forte pela menina de cabelo escuro e tau no braço, ainda me emputeço com o sistema ferroviário, e vibro quando acho dinheiro na rua. O que assusta é: A partir do momento que você muda, as pessôas não lhe enaltecem ou vibram com sua nova forma de vida, apenas lhe tecem viés e pedras – Não se agradam por ver que você está buscando uma melhoria, ou que você simplesmente está se sentindo melhor assim.
Não te pensa, nem por um segundo, que me faço de bôbo, pois não sou. Fui ao mundo, vi, vivi e senti dores e prazeres, mas hoje me faço limpo porque cingiram-me a face, lavaram me o corpo e disseram: Caminha – e aqui estou. Não te pensa que não sei o que é mal, ou a manifestação da maldade, sei muito bem; E digo que de mim, a sinceridade e minha ingenuidade, fôram presentes que pedi a Deus Pai e Êle em sua misericórdia infinita me aceitou, me honrando com seu signo sob minha efíge, se te olhas nos meus olhos, não se sentes atraídas por mim, mas pelo Amôr que é amado por mim, e que me faz ser assim, “diferente”. A saída do mundo maldoso, para estar numa nova fase da vida e compreensão do mundo, e realmente ser uma pessoa melhor é bem dolorosa, lancinante e extasiante, mas, vale cada segundo, pois, minha pérola não se compara a nada, e minha vida agora tem mais brilho, e da ruína de minha carne se fez uma nova oportunidade para honrar os que amo, estimo, e guardei em minha alma - Sou água parada, mas sou bem turvo; Uma pena que você ainda não possa me entender, mas, se quiser eu lhe explico um dia desses.
E a vida – como sempre – continua.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Hor Görme Garibi.

Pra você que não existe ainda em meu caminho, mas se fôsse existir, assim seria: deitaria meu lado. Se prosta, mentalmente e ilusóriamente, como se imaginasse a mais linda cena de amôr que nunca aconteceu em tôda a minha vida: De barriga para baixo, pernas levantadas com os pés para cima, rindo de mim enquão eu escolhesse um disco, o beijo nunca dado, o sorriso nunca consumado, e você, levemente deixando tudo aquilo que aconteceu lá fora, bem lá pra fora, sem tempo pra nada, só para nós dois. Seria o primeiro dia, da primeira hora, do primeiro minuto, de nós dois. Só eu. I Me Mine.
Você acredita, que até agora eu me pego pensando nisso tudo, e se tôdos os rumos que tomei estão certos, assim como tudo aquilo que está no meu peito e que ninguém nem sabe, que nem eu faço questão alguma de saber, de se interessar, de se sentir, dos planos há tanto meticulosamente pensados que não frutificaram, nem cresceram, nem nada; Daquele cafuné que eu empacotei e pus na dispensa, e daquela teoria que eu queria discutir sobre o Sudário de Turim, das cervejas que nos esperaram, de tudo aquilo que poderia ser grã, maior, forte, ímpio, mas nem aconteceu - sequer existiu.
Não posso te escrever se você nunca existiu, por mais que eu soubesse que em alguma parte do mundo você está aí; Agora eu não vou mais te procurar, Debandei, e deixo você livre de qualquer laço que o universo possa ter nos incubido. Seja feliz, mais do que poderíamos ser: Hoje achei o meu caminho, assim como você irá tomar o seu, faço votos e fé.
E por onde passar, amado-amôr-da-minha-vida-que-eu-esperei-tanto-e-nunca-conheci, seja feliz, gentil, sorria sempre, e tenha em si a Paz e o Bem, traga consigo o cheiro de jasmin que tanto senti, mas nunca ficou em mim, e o exale para tôdas as pessôas, e carregue em si a bonança que jorra de seus braços, seu abraço, seu sorriso de fim-de-tarde, e da alma. De seus pés hão caminhos, que nunca pisados em vão serão, e pôr onde fôr, lhe abençoo, incentivo, e bendigo você pelo amôr e desapego de saber que não irei te ter; Mas, se um dia nos encontrarmos, apeanas ria, e fale de música, apenas a doce música, e pelo timbre da sua voz, eu saberei que estarei falando com você. E mesmo que já ido de você, eu vou saber quem é você, e se talvez o universo deixar, você saberá quem sou eu - dois ex de um grão amôr que nunca aconteceu.
Tome cuidado quando sair a noite, e quando sair, leve uma cachemira, uma malha, o que fôr, apenas por precaução, e não beba muito, e relaxe, seu batom está lindo, assim como seu cabelo. E quando se encontrar sozinha, reze, para a solidão se mandar, e quando sentir medo, jogue o medo fora numa caixa de sapato, e quando sorrir, pega essa alegria que jorra do seu peito e transmite aos seus amigos, para assim se fazer Luz, ser mais Luz do que eu possa ter um dia imaginado, e quando você simplesmente passar pelo portão da igreja, e me ver naquele banco, pela sua Luz, perceberei que você é mais Luz do que tudo. E a Luz que habita em você, verá a Luz que tenho agora, e quando elas se encontrarem, por ao menos uma única vez se contemplarão, e completarão.
...E se for da vontade de Deus, aí a gente se entende, você me desvirtua, e eu te desarranjo.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Que Bandeira.

Sai dessa, Morena. Vai morenar teu côrpo no sol-a-sol, vai é curtir, toma uma e sorri. Sorri que a vida sorri de volta, e embaixo do sari da Concórdia, foi onde eu me refiz - a vida é boa, e o fim gera um novo começo que gera um novo fim que gera uma nova chance, um novo caminho. Sai dessa, Morena. Sai dessa e não se erra que eu tô pra longe, tô rindo daqui, e você rindo daí, e rimos sem rir em conjunto, mas temos do riso em comum-senso. Sai dessa, Morena, que você já me ganhou, me deixou ir, e eu que não posso mais voltar, sai dessa - não foi vacilo, nem medo, nem nada. Sai dessa. Olha pra quanta gente que há no mundo, e percebe que você tem mais motivos pra rir do que eu - ouve tudo o que eu já disse, lê de novo tudo o que eu li, e passa pelos lugares que eu te levei, e lembra. Ali eu estou, e ali eu (por enquanto ainda) sou; E você sempre será, sempre está: A abelha que faz o mel, vale o tempo que não voou.
Sai dessa, e cai no mundo, e lembra de tudo aquilo que poderia ter sido, ter estado, ter ficado, suspendido e cuidado. Cuidado. Bôm conselho: A vida não aceita troco de moeda, e na maioria das vezes só passa uma vez com boa vontade. A vida não é ruim, como tôda criação de Deus, ela é justa. Nós, que na condição humana, não conseguimos desmistificar o rosário completo das coisas boas e ruins, e no meio-de-campo, não temos Zé Maria na retaguarda, Luizinho na ponta-de-lança, ou até mesmo Rivellino na alta-guarda. Estamos nós mesmos com bola na mão, na hora da roubada de bola, e não podemos derrubar, nem nos deixar machucar, nem perder a bola, e nem perder o lance pra dar aquele gol. Morena, tu já fez o seu gol.
Neste momento, após a queda do véu anunciado, vejo o que nunca coube em mim, o que nunca pude ter sentido em minha vida, e caio de joelhos sobre a tumba de um passado tão agitado quanto limpo: Nada a temer, mas tudo para se esquecer - I Me Mine - e deixar tudo na Asa Menor do tempo, do vento; Tudo se renova, e se transforma, e não quero dizer com isso que o amôr não se transforma, muito pelo contrário: Ele pode sim, e deve, se renascer, liquefazer e ser ad aeternum, mas, ele também pode renascer. E ele renasce quando naquela mesa daquele bar com aquela cerveja com aquela música e aquele trejeito (cousa que só se acontece duas vezes na vida, se os sujeitos fôrem realmente predestinados a se aturarem).
Daqui do degredo, tudo continua lindo, a cerveja continua gelada, as pessôas cortêsmente param de limpar a calçada pra você passar, e o Sol faz sua contribuição aparando as roupas no varal, e as crianças que brincam na bacia de aço da mãe no quintal são tão lindas, são tão lindas, é tudo tão lindo, lindo como o infinito que é você, Morena. Lindo como o infinito que é Deus, lindo como tudo aquilo que permanece no ar, mas, eu não ouso mais dizer ou tocar, ou até mesmo procurar - deixo nas mãos do Divino.
Morena, sei que você ainda vem aqui ler uns textos, e eu ainda escrevo aqui lembrando do passado, gravando os dias do presentes, e infelizmente deixei o futuro nos braços de Quem o cuida melhor. Sei também que estamos em rumos, tempos, vias e caminhos totalmente, extremamente opostos. Mas, tudo aquilo que eu senti um dia ainda está suspenso no ar - como aquelas mortadelas presas na padaria. Basta você cortar a corda, e deixar cair. Sai dessa, que dessa vida só se levam as coisas boas, o que guardamos no velho baú de prata.

segunda-feira, 20 de março de 2017

XXVII (1-7)

Calado, ao meu peito permaneço em meditação; Saio dos extramuros de portas pesadas e férreas para novamente me meter nas construções de homens, com assuntos de homens e pensamentos vilipendiosos. Eu sou um homem, faço parte dessa máquina mercantil, meu sentir pede socorro, pois a cada dia, a cada segundo, a cada hora, hordas de anjos, senhores-de-lei, músicas, escritos, amigos, pessôas-das-geraes me lembram e me fazem afirmar que não sou daqui. E quando tento diariamente me tanger os olhos com o ferro quente da realidade, Deus novamente me brinda com um Céu, uma garôa, um frio, uma cerveja, uma bôa conversa, ou apenas uma fôrça que nunca foi nem nunca será minha, como teimosia de criança, para seguir em frente, que minha recompensa está a vir. Minha recompensa, leitor, é a morte. Nada mais, nem além disso. Na morte encontro a paz, na morte encontro Seo Fábio, na morte encontro Jesus Cristo, Nosso Senhor. Na morte encontro tôdas as respostas que sei que aqui de forma alguma terei, por isso cada vez mais quando me enrolam em espirais de ilusão, bobeira de fim-de-feira, me deixo atrair, pra me ver se naufrago logo; E assim encontrar minha paz, e em contra-partida dar a paz a quem está ao meu lado. Esse côrpo é meu empréstimo para pagar outra dívida, assim como essa vida é para saudar e mostrar que até aqui no degredo, tem gente boa, feliz, altiva e inteira (que, obviamente, não sou eu). Não pense, leitor(a) que com isso tenho tendências suicídas, ou depressão, muito pelo contrário. Filho de enforcado não repete erro, e além disso, me fiz, me vi, e estive sozinho por tantas vezes, que me acostumei com a solidão, e quantas vezes mais lutei por ter gente ao meu lado, para ver se a vida não valia com alguém do lado (amigos, namoradas, esposa, consorte...), mais descobri que as pessôas andam mais solitárias, egoístas, e vivendo umas espécie de queda-de-braço: Não te assumem o que sentem, mas, se o faz primeiro, vira réu delas, e mais além; Te corre risco de sangrar, e quem sangra primeiro não é errado, mas é quem é mais cristão, amou o outro como a si, tomou o outro pra si, como se entregou ao outro: As verdadeiras mãos que são sujas de sangue estão ocultas - tem do mêdo, da má alheia, e não sabem como agir quando encontram um carneiro em seu holocausto, apenas se tremem e se refugiam em seu infinito particular. O sangue inocente nas mãos, no fim das contas, são também de mãos mais inocentes ainda, por não se deixar ir adiante, ou se deixar viver, ter; Dizem-se tanto, e pouco se são, e muito se enchem do vazio, e na hora da vera, é tudo tão tardio, é tão triste, e as pessôas que se eiam, no final das contas são as que mais vazias estão. Elas dizem se comungar com o amôr, mas, o amôr do qual eu comungo não tem fim, prazo de validade, ou como-se-porta. Ele é o Amôr, tão só, somente, é. A vida é mais simples - algumas pessôas que a complicam. Se agregaram em mim o amôr sem fim de uma vida renunciada, a contra-fôrça, e a fé de Dona Antônia; Elas me fizeram dar o passo descompassado e viver o que vivo, sentir o que sinto, temer o que temo, e almejar o que não consigo nem imaginar possuir; Faço do vento, veículo aonde jogo estas palavras, pensamentos e sentimentos, e que cheguem aos ouvidos, olhos, bocas e corpo, pois meus não são meus, agora - mais do que antes - se pertencem a geral: Concórdia, Cecília, Bep, são da geral, são amarras que me desatei, e aquela camisa do Corinthians nem uso mais, e até mesmo o velho anel do Santo Guerreiro, penso em deixar em desuso para cada vez mais aderir essa vida. Minha vida. Sua vida. A vida, em si. Quando se vive para Alguém Maior, se esquece de si, das horas, dos dias, se esquece até mesmo de tudo que um dia possa ter ocasionado dôr. E por mais que algumas ainda façam o músculo repuxar, tudo isso passa, tudo isso acaba, tudo isso é deixado de lado, para dar lugar ao que realmente importou, importa e há de importar cada vez mais na vida daqui por diante.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Plug Me In.

Eu vou te guardar no meu coração, e de Janeiro a Janeiro vou lembrar da felicidade nas tuas mãos, na tua boca, nos teus braços, e quando amanhã eu abrir a porta secular e estudar os mistérios da regra, eu ainda sim vou lembrar de você e de tantas coisas que nem mais cabem ou me competem a dizer, mas que ouso delinear quando vejo suas nuvens no Céu ou quando ouço tudo aquilo que me arremete a você. É inexplicável, inesquecível e esquisito. É tudo o que fugiu da compreensão, mas ao mesmo tempo era muito medido, muito certo, muito perfeito, muito ótimo, muito nosso.
Tá ficando frio, e eu adoro isso. Adoro o corte dos casacos, e adoro a garôa que molha o cabelo, o licor de um-gole-só, a minha vida pesudo-Bretã que tanto combina com isso. Tá ficando frio, e eu estarei entre os muros de pó-de-ostra, tá frio e mais frio ainda ficou a cidade quando dormiu.
A batida de um pandeiro, as flôres de um jardim, as pessoas na rua, a menina que me esperou na frente do meu serviço e logo me encheu de beijos, tôdas elas florescem e transmutam na canção, tudo isso se faz ávido e presente, mesmo no útero do tempo, tudo isso está bem vivo, tudo isso está aqui, são pedaços que quando inteiriços, se remetem a mulher que é você.
Por favor, entre. A festa é sua, toma uma cerveja, senta e relaxa, deixa eu por um disco que você possa gostar, e esquece o mundo lá fora, ao menos hoje, ao menos agora. Por favor, fique mais um pouco, olhe ao redor, não há maldade, nem nada, apenas o tempo, a sorte, um rumo norte tão incerto quanto tudo... Tão incerto quanto fomos. Tão incerto quando a incerteza de que viver e ser vivo é diferente.
Na verdade, ainda não consegui matar sua essência em mim, tampouco apagar sua supernova do meu Céu, mais ainda de como não sentir saudade da sua risada, dos gritos e da vossa espontânea. Na verdade, tôdos esses textos, essa música, tudo isso são memoriais que crio para você, para cada vez que eu me recordar, me refugiar aqui. Dentro de você que habita dentro de mim.

...Melhor parar, a escrita já ficou estranha.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Blow Away.

Se lembre de mim como se lembrou hoje. Goste de mim na mesma proporção que gosta hoje. Amanhã, não admito que me ame mais ou menos. Se lembre de mim com seus olhos, e nunca pelos dos outros, e se quiser lembrar do que te disse, ateste tôdos os vaticínios que deixei por aí, e se quiser me conhecer, ouça o sôm que ouço, a música é a única coisa que tenho, e nela deposito tudo, inclusive minhas respostas que só o vento sabe, estão ali. Cada música é uma sentença, e cada acorde é o que deixo embutido para apenas puxar a cordinha quando for necessário. Eu quero é brincar de balanço com o pescoço - eu não sou daqui.
Me assusta, porque mesmo com a lama, e a areia que vai me matando, eu sigo limpo, e bem, e meu; E isso me assusta bastante, pois ter as mãos limpas quando só as via sujas ainda me assusta, e seguir um caminho que cada vez mais se estreita, espinha e é traiçoeiro. Eu não quero ser abatido, eu quero ser do abate, eu não quero ser o carneiro do altar da Cecília, e nem nela penso mais. Tenho tido muito e tanto em mim, e me basta apenas o nó, e passar pela viga. Ele estava certo. Respeite os mais velhos. Sim. Há algo - talvez a realização de uma vida.
Meu rôsto se destaca pela fuligem do tempo, pela barba fora de tôm com o cabelo, os olhos caídos, fundos, nariz português e bochechas em demasia. Meu rosto é a máscara de alguém que se entregou há muito tempo incompreensívelmente para assuntos, pessôas e coisas que não condiziam. Não tinham. E por mais que haja companhia, a solidão é a maior de tôdas, maior que todas. E como sempre, há uma falha, um erro, mesmo quando se sobrevive no acerto, mesmo quando tudo parece se encaixar. Honestamente, é uma piada até muito da engraçada: Apresento a cena; Um desajustado que tenta ser alguém e fazer tudo dar certo. Que tenta, tenta e tenta. E só se machuca, se engana, e machuca os seus ao seu redor. Pra quê?
Quando eu deixar no ar um cheiro, esqueça o jasmin, manda o jasmin pro oco do inferno, porque amor que fique com suas mercês - sente o Jásper brilhar, e a Água Marinha ficar opaca, sente o violão ficar mudo, e a voz presa num nó que nada possa desfazer. Quando eu te der esse presente, agradeça, seja grata, e não olhe, pense, pene ou fale qualquer outra coisa, apenas sinta. Sinta como uma voz, um violão, um sorriso, um Sol que se põe pra descansar, ou como pingos de chuva, vendaval que ousa em levantar sua saia. Eu estarei a milhas de distância. E com fé não verei mais nada e nem ninguém que ficará para minhas costas. Eu estarei no sôm.
Eu sou o sôm.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

If Not For You.

E daí? Deixa.
Espera, esquece. Maneia a cabeça e bate a mão na coxa, sorri, grita, morde o inferior e olha pra ela, anda e murmura, é só mais um dia; É só mais uma realização, um segundo. Esquece por hoje todos os seus problemas e os põe numa mala com chanfro e cancela, e os jogue no fundo da fenda do mar ferreo, pois lá é o local deles - e não volte para os resgatar, não hoje. Te dá um sorriso, e balança teu pé - tua perna, o sorriso baseado no bpm mais fisgante que a dor. Força. Até de onde não tem, e você bem sabe que eu estou aqui. Eia essa candeia e olha pra cima, há um Céu lhe cobrindo a cabeça.
De que adianta grilar? De que adianta ser tão ruim? Ser tão bom? Pra quê? Esquece os confeitos, casa, rosa, florete e jardim, olha pras tuas mãos: Se ninguém as louvou, louva elas você mesmo. Na água da pia se lava e cinge tua face co'a água fria: Você venceu. XXV. Você é meu herói, com as camisas mais lindas, com o sorriso mais trancado, com o paladar mais aguçado pro seu desejo de saber o mais do que não convém a ninguém. Olha pra você, um homem feito; Que orgulho.
Mesmo que até aqui, e até agora, você tenha estado só e tenha se encontrado desamparado, não se importe, nem se assuste, você está indo bem; Muito, muito muito bem. Não tenha medo de sentir ante as vibrações e situações, apenas vibre, apenas tenha, possua, e tenha a intensidade dentro de si. Não se renda por um segundo ao modismo de achar que você deve se ser ou se ter como êles; Êles são êles, e se pertencem, você não. Você já passou, e sua venta já dobrou palavras.
A solidão é mal recorrente do século e não te cabe a culpa pelo pecado dos outros, sua humildade e seus traumas, e modos de lidar com a vida não te fazem melhor nem pior. Nem incompreendido. És vivaz e safo. É lindo, formoso e a íris-esmeraldina, quando tange o azul-cinzelado de cada gôta de nuvém do Céu, realça a fôrça bruta da tua alma, você é o mais lírico dos desnecessários, o mais educado dos rudes, e o mais incerto das certezas; O que sabe menos, e por isso se limita a saber demais, e pelo fato de guardar o peso de muita coisa nesse coração encabulado, apenas ri, apenas ouve, e pede perdão mesmo quando não ocasionou uma maldade. Esse Ogum Menino que se fecha pra não cair, nunca vi. Pra quê?
Lembra dos dias bons e esquece os ruins, segure-se nos seus gostos, e beija os seus, e avisa Ela que o Sol está lá, idôneo a Lua. Você venceu e ainda está vencendo de uma forma absurdamente incrível - parabéns. Me orgulho muito de ti, seja forte como sempre foi, e o resto vai deixando, se'a água, não correia, e se'a pedra, nunca rocha. Não adianta brigar com quem pode mais, então se limite a apenas tentar entender cada vez mais, porque tudo tem um porquê, até mesmo isso. Tudo isso.
Quando se (re)encontrar, encontrar-se-á a divindade da deidade que deita ao colchão e como um pashá dorme. Ali descança ela: Aquela cujo nome não deve ser dito e a presença não há de ser velada, que cabe apenas ao mundo e ao futuro. No corpo dela desfiam-se rosários de glórias e desejos, em seus braços encontram-se ramificações de algum tipo de sentimento que nem tôdos podem ter experimentado, e nos olhos dela cabem-te duas gemas, que se te mete a olhar muito, não conta até nove, te aprisiona na caledoscópica turva visão dela. E dela se te cabe, e dela serão tudo aquilo que foi de todas as outras coisas. Desce-ei-o até onde os olhos não possam me ver. Cingindo com teu beijo, e deposita-o no altar - não diz nada, pois pra todos os efeitos eu vou dizer a ti (esmo) que é só o vento lá fora.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Take a Pebble.

Quando eu acordei essa manhã, senti que o dia se desenrolaria rapidamente, mas não me imaginava o quão rápido ele passou; Novamente, me sinto um lixo, e novamente me sinto um peso morto na terra, e novamente me sinto inútil ao universo. Mais uma vez estou eu de volta aqui ao velho cenário, e me cobrando velhas promessas e me questionando ainda o porquê da porta estreita sendo que até hoje, sabendo a resposta e o motivo, ainda me arrependo: Ainda renego A Casa, A Rosa e o Jardim, e ainda nego o pensamento quando aquele pronome é dito ou insinuado, ainda fecho os olhos.
As vezes acho que isso aqui é uma eterna jogança de garrafas ao mar, e em cada uma contém um post sortido, e isso me prova, e comprova que já sobrevivi a ondas maiores, e esse Sol não me pesa mais; E cada vez que eu leio uma dessas mensagens cifradas, eu percebo que mesmo que doa, não dói como antigamente, e mesmo que a dor almeje cada vez mais me tomar, minha alma ainda é limpida, e o Carneiro se sacrificou por mim, e em seu sangue eu me lavei. Meu batismo foi em sacrifício, e isso pode não lhe agradar.
Penso que (como eu), todo mundo já deve ter se sentido triste ou imprestável em uma sexta. Isso não significa nada, apenas que a tristeza, até com sua bondade, nos faz pensar em toda nossa vida, e nos ajuda a parabolizar a sutil queda até o chão: Sim, Deus, como Grão criador de tudo, também criou a irmã tristeza. Então, como em tudo que me é guardado no peito, não me cabe ter medo. Nenhum.
O silêncio vertiginoso de conversa alguma, o carinho de nenhum abraço, o medo da solidão, a força delicada da angústia, apenas me mostra que eu estou aqui, mais uma vez, mais um dia. E como tudo na vida, tudo passa, tudo volta, tudo se regenera (talvez não da forma que queremos/imaginamos, mas, enfim...) e se estabiliza. O amor é eterno e infinito, e nele não há mal algum, nem sofrer algum, tampouco ódio ou raiva. O amor é benevolente e manso, como o Carneiro já citado; E o amor só vencerá quando o ódio virar sentimento passageiro, e não morada fixa da cabeça pesada e cansada de tanto (se) machucar e sofrer. A dor vem, a dor machuca, mas assim como as 24 horas de um dia, ela acaba. E o amor é eterno. Tudo na vida é um eterno ciclo, e quando eu me lembro desse ciclo, eu me relembro o porquê da porta estreita, me lembro porquê este caminho, e não desistir dele.


Manter a Fé. Sempre.