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sexta-feira, 10 de junho de 2022

II Carta a Kamila.

 1 - Prefácio e Saudação;

Marcvs, escriba e propagador da letra, no pensar e magistério, para Kamila, yalorisà de Oyà. Que a Virgem Doce Mãe das Candeias te livre de todo o mal, injustiça, iniquidade ou presente tristeza ou duvida!

2 - Felicitação e admoestação;
Ah! Me exulto em tão boa resposta, e preceito posto. Aceito de bom grado novamente tua consorte para me dar a motriz, e tu, ouvindo meus ganidos de dor, como Simão de Cirene me ajuda a andar e seguir. Amiga, te rogo no Sagrado Coração que seja sempre em paz tua vida, teus caminhos, tua voz e tua bondade com este pequeno pedaço de escândalo e escárnio que vos escreve - rogo-te mais: como futura yalodè (é assim que se escreve? Nem me lembro mais...), que tenhas sempre o senso de justiça apurado, a bondade em abundância, o corpo fechado, as misericóridas abertas e principalmente a caridade como força motriz de toda função e ação que hás de ter, e acima e adjunto a isto: que seja a verdade sua mãe e o amor teu pai, e assim, teu sacerdócio, tal qual Melquisedec se perpetuará na boca dos que te virem e ouvirem.

3 - Preparos geraes para o fim; justificativa do modo (forma) de vida;
Mãezinha, quando for minha hora de morte, te rogo neste expresso capitulo meu desejo: Enterra-me na minha zona leste que tanto amo. E enterra-me com o bornal (poncho) que lhe mostrei, com o capuxo posto em minha cabeça e abaixo dele a camisa do corinthians que é a minha favorita. Se possível dá minha corrente com minhas medalhas ao primeiro irmão de rua que virdes pela frente, e arruma minha barba como gosto que ela fique, e deixa-me partir com os pés descalços, sem sapato ou meia. Guarda-me em excelsas memórias, e deixa que a terra fria crie raízes em meus cabelos, e meus olhos fechados possam ver o mundo, e descansando de uma tristeza e amargura, abrindo meus olhos para uma nova vida, possa eu sorrir e glorificar ainda sim mais um minuto, mais um momento, mais uma hora aonde se faz sentido estar em paz de lá do lado do lado de lá. Diz aos meus que fui herói, que venci, perdi, caí e reegui. Fui logrado, e dentro de mim guardei o peso de cada segredo, lágrima, alegria e euforia. Fui rei e escravo, fui mestre e escriba, profeta e ouvinte. E não me incomodei em estar por cima ou por embaixo - tanto pelo contrário; tudo o que fiz foi pensando em ser feliz, dar felicidade, e obter satisfação. E a todos, diz que fui ninguém de importante, apenas pó de poeira, resto de subêjo, fim de feira, e os que se revoltarem, estes saberão de mim - e eles se erguirão para falar meu nome com carinho, os verá.

4 - Sobre o Segredo;
Guarda teus segredos no oculto de teu coração, e revela-os somente a Deus, e no máximo aos que merecem teu respeito e tua confiança, e trabalha-os, evolui-os, e usa-os como régua e alicerce para ir além; e não tendo medo, guardados e bem distribuidos, irás ver que eles crescem, frutificam e ficam em paz e em força. Sonhos são diferentes de segredos sim, mas, uma hora um sonho se torna segredo, e um segredo mau fecundado se torna sonho. E deixar um sonho morrer é abortar uma idéia que não se teve a chance de se apresentar decentemente.

5 - Propagar a tudo e todos;
Hastear um pendão (bandeira) é algo de extrema dificuldade. Mas é feliz quem propaga sua idéia/ideal, e leva com dedicação tal feito. Por isso rogo a Jesus Cristo, redentor do mundo, que você possa sempre ter fôlego, coragem, fé, ânimo e amor em tuas feituras, e que dado o sentimento de desprezo, medo, ignorância, apenas continue a fazer seu trabalho bem-feito. Veja: eu escrevo tantos anos aqui, e ainda sim, por mais que sejam poucos, minha palavra ainda é perene e se faz necessária - e ainda me julgam profeta!

6 - Sobre o cuidado e o zêlo;
Cuide de quem precisa ser cuidado. Parece óbvio, mas o óbvio precisa ser dito - e essa afirmação se atrela com o que vos disse sobre a caridade e suas diretrizes. Tenha zêlo com suas coisas, suas pessoas, seu credo, e sua felicidade. Zele por quem zele por você, e entregue uma folha bem preenchida como relatório justo de tua conduta, sem tirar e nem por um ômega. E a justiça, quando lida na tua sentença, será computada em teu favor, pois tu será nova e renovada entre tudo e todos, e transcenderá como o Sol se o bem fizer, o bem manter, e o bem aflorar; assim eliminarás pouco a pouco o mal do mundo.

7 - Conservar a eternidade do Infinito;
Ser sacerdote/profeta/oráculo é conservar o Divino em sua Infinidade. É estranhamente explicar o que não se explica, amar quem nos Ama, e mostrar a parcela boa da vida após a vida enquanto penamos por aqui. Por isso, ao falar de Deus e suas obras e caminhos não economize palavras e teorias. Seja sempre alegre em demonstrar - mesmo que ineficaz  - quão grande É, quão misericordioso É, quão belo É, e quão miraculoso É. E quanto amor tem.

8 - Agradecimentos finais e benção;
Obrigado, por ter tão prontamente tido comigo. Guardado-me em tuas orações e ter feito e falado coisas tão edificantes que me fizeram animar tanto pro fim como para o começo. Agradeço por ter tido tempo em tanta coisa verdadeira que sei que desperdiçou comigo - peço-te perdão por ter sentido dor, não sou mais o jovem que caminha pas bandeiras. Agora ando pouco e prefiro ficar deitado para não passar mais mal ou sentir dores lancinantes. Que Deus te abençoe e te ponha entre as Justas, Únicas, Santas, Virgens, Mártires e Sibilas. Que Deus te abençoe e te faça boa mulher e boa pessoa. Que Deus te abençoe e te guarde no Seu sacrário. Que Deus te livre de todo e qualquer tipo de mal. Que Deus subjulgue Satanás e sua infâmia longe de ti. Que Deus te conceda uma boa vida. 

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Carta a Kamila.

 1 - Prefácio e Saudação;

Marcvs, escriba e propagador da letra, em repouso e dor, para Kamila, yalorisà de Oyà. Olofîn Koloofè! Desejo-te boas coisas no ardor de Deus, e alegrias que façam desabrochar teu riso como a primavera que vem sem pedir licença;

2 - Anunciação e regojizo;
Alegra-me muito que tenhas vindo a mim via peixes, ao saber de minha moléstia e claudicância. De fato, concede-me Deus uma alegria inenarrada ao saber que minha amiga que havia perdido dez anos atrás no recôncavo de minha mente agora viva está! Louvo a isso, e mantenho erguido o punho em riste para agradecer a Deus por tuas mensagens que me avivaram, trouxeram alegria em meu peito, alegria, risos e rubor - digo-vos assim, pois as vezes é bom ser lembrado, e de forma que nos enaltece; e ai de mim perante Deus se eu não me manter humilde, pois tudo que fiz foi pautado no Teocentrismo de minh'alma. E a Deus tudo, e sem Deus, nada!

3 - Felicitações gerais pelo sacerdócio;
Mais além, fico também mui feliz de tuas notícias, novidades, alegrias e risos sem-fim! Recordo de tua abstinência a Deus algum, e hoje quando cruzas a soleira de um primeiro passo ao sacerdócio, vejo que assim como eu, deixaste a carne para depois para cuidar do verdadeiro corpo que é útil, e a isso rendo graças - e a ser franco, pouco me importa onde vais, no que crês, ou como se porta, me vale que tenhas fé, faça a caridade, mantenha a obra boa, e siga sempre em paz cada caminho que fizer. O estado é laico e minha estima por vós não me impede de ter contigo, pois és e sempre há de ser boa pessoa, independente de teu credo. Caráter vale mais e muito do que filiação religiosa, e ainda existem muitos católicos hipócritas e muitos afro-brasileiros que são mestres na charitas.

4 - Instintos Sobrenaturais e Conselhos Sacerdotais;
Obrigado por seguir seu instinto e seus peixes. Que eles nunca te falhem e te valham cada vez mais como eles (meus peixes) me valeram e nunca me falharam. Se puder, lhe aconselho a sempre buscar as respostas em três pilares: Dentro de ti, dentro da tua crença, e dentro da boca dos anciãos. Nestas três fontes, beba incessantemente, e toda resposta estará ali, e toda alegria residirá ali, e todo resguardo se pautará ali. Digo também que não seja ríspida ou rígida, mas que tenha carinho, tato, e trato; tenha sim zêlo com os ritos, paramentos, sons, toques e todo o demais que compõem o seu culto, e principalmente, que teu caminho seja em paz. Te desejo sorte na missão de tua vida, e que o Bom Santo Antônio, Doce Mãe das Candeias, e São Jorge te guardem e livrem do mal. E que o teu coração seja porto para quem busca descanso, que seu serviço não seja fardo imposto, e que sua satisfação também seja ver o riso na boca de outra pessoa, pois isso também é caridade. E caridade não é uma forma e prova de amor para com Deus e ao próximo? (Mt 25;31-40).

5 - Atualidades recentes, exames e pedido;
Viajei pela empresa hoje, e novamente desmaiei no avião - sim, ainda tenho medo de altura. Fui para Belo Horizonte, aonde as montanhas, mercados, praças e lugares me corroeram de um passado recente que ainda me arrebatam em ais. E também, ali finquei a pedra angular de meu futuro trabalhista, e hoje posso me dizer que estou realizado, e em paz em trabalhar com algo que gosto, domino, sou capaz de fazer, e que confiam amplamente em mim a ponto de me entregar obras gigantes para efetuá-las. Amanhã irei ao hospital saber a quantas anda minha saúde (o grau da moléstia que me atinge agora) e também como irei me tratar, além disso, tenho também amanhã mais exames. Se possível, ore por mim, e assim que eu souber de algo, vos dou notícias quão mais cedo possíveis. Rogo-vos, pois, que me mantenha no seu congá por mais um tanto, pois meu coração imperfeito ainda bate descompassado, e bate de saudade, bate de pensar, bate de viver, e bate por bater.

6 - Agradecimentos finais e benção;
Agradeço, mais uma vez por tudo, e te rogo que estejas bem e em paz, e fique por perto; em tempos de desalento teu ombro e tua mão me valem mais que ouro e prata, e tua trovejada me vale como aviso, teu abraço há de ser bálsamo para matar toda essa tristeza, e tua amizade que reaviva vale tal qual o dom da vida! Temos muito a dialogar, por as notícias em ordem, e tenho que te levar até os meninos para irmos no churrasco do Gabriel! Deixo-te na presença de Deus o Bom Pai Misericordioso, o Bom Santo Antônio, Nossa Senhora da Defesa e os Anjos de tua Guarda. Desejo-te e abençoo-te em toda paz e todo o bem e toda a fartura e prosperidade por todos os dias de tua vida enquão viverdes, que nunca vos falte o que precisardes e Deus sempre te provenha em tudo a todo o momento, Excelso Pai das Luzes, que te bendiga e eu me inclino por Sua graça em ti, amiga. Mantenha a Fé!

terça-feira, 26 de junho de 2018

Blusa de Linho.

Cecília, todas as cadências e nuances são seus. São eternamente e totalmente teus. Todas as formas, texturas, gostos, tempos, tons e contra-tempos, viradas e arremetes; Ah, Cecília, meu coração está tão afã esperando você. Minha vida inteira seria apenas meia vida se eu não te esperasse ou não te delegasse minha forma de vida - seria loucura de vida se você não estivesse comigo o tempo tôdo do tempo do mundo, e seria maior loucura se eu não soubesse que você seria tutora do meu caminho com o Cavaleiro Guerreiro do Cavalo Imaculado.
E quando os sinos dobram, eles falam de você, e quando as pombas batem as asas em bemol, são arrebóis das tuas pentatônicas, os motores dos carros afinados em Fá, das nuvens que se fazem de escala para sobre os prumos dos Céus, te ver escrever um cântico nôvo. Um cântico de amôr, um fôlego de vida pro teu filho, para esse coração cansado, para meu secularismo tão curto, e tão intenso, tão cheio de histórias que levei até sua casa para te pedir discernimento, e coragem, e proteção.
Vire-se para o Sol, ó minha flôr-de-novembro, quem te mandou se olhar para uma erva rasteira de março assim? Deve ser de ti, providas das lágrimas de nossa senhora, que nos deixam crescer como as trepidantes trepadeiras que nascem fazem, crescem sem pedir licença, somos nós quem nos fazemos assim - nos sabemos. A tua côr solfeja um Lá maior setimado me amenizando de crescer tão rasteiro, mas me fazer entender que te divides da tua fôrça comigo, e daí do teu lençol freático, me lança a água. Água Viva.
Ah, Cecília, me delegaste a função mais franciscana e mais dominicana do panteão, me fez ser de música e para a música, e na hora da rejeição, quando os outros viraram os seus alpendres e altares, você me acolheu na tua casa e no teu holocausto. E hoje sou coluna com deficiente destreza de teu pilar, estou rachado e esmaecido, mas estou aqui, e por você, eu sou. Me trouxe na rés da sociedade, aonde me valho de pouca música que me vale e me basta, aonde conheci os meus e os meus (poucas vezes) me valeram, e aonde pronunciei teu nome, e o nome dos Teus, e Do Teu. Preguei sem pregar, e rezei sem me aperceber, chorei por lágrimas floridas de escalas de Mi Menor, e sorri quando o Fá em nona contrastava com Ré em nona, dando aquela nossa dissonância que ninguém entende, mas que nos faz tão minha, e tão seu.
E assim, vejo o quanto nunca estive só desde que você se dispôs (e não há outra palavra, Mãe, sabemos disso mui bem) a cuidar de mim. Me fiz menino, para esconder debaixo do teu sari, para chorar minhas tristezas e louvar minhas alegrias. Na hora da solidão, foi minha amiga, na hora da tristeza, meu conforto, na hora do medo, minha estrutura, e quando duvidei, você foi quem me trouxe de volta pro lado de cá. E quando a barra pesava (como tantas vezes pesou e ainda pesa, ainda pena), corríamos nós dois para debaixo do sari da Mãe das Candeias, e lá acampávamos até a tristeza e agonia passar, foram tantas percas, e tanta tristeza, tanto gosto de aço na boca, e tanta fuligem no rosto, o ocaso, e desânimo que você livrou de mim - Ah, Cecília, como é boa a vida do teu lado, e como é boa tua tutela sobre minhas carnes. E se te cabe saber, todas as vezes que de madrugada amei a madeira contra as cordas de aço, foi procurando você, foi querendo estar com você. Foi me valendo de você, que me refiz, e aumentei as apostas na crença do Invisível, fazendo dessa vida menos cã quando você está aqui comigo, o tempo passa mais devagar, e as alegrias se tornam mais doces, e o som se deixa uniforme, e você mostra os caminhos das pedras para chegar até o Excelso.
Foi por você, que ainda estou aqui. E é por você que quero ir mais longe, quero levar o teu pendão até onde eu puder, e divulgar a missão, disseminar a palavra sobre todos os solos, e dizer todas as palavras que não te pôdes dizer, e que minha língua pode (e vai) dizer. Quero a alegria de te encontrar e dizer: Bom trabalho, garotão. Quero te encher de te orgulho e te dar um cheiro, e sentir você por aqui. Até o fim.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Cais.

O encontro com o amado, mesmo que com a lamparina cheia de azeite, é muito dificultoso, Abba. Tem sorte os que crêem n'Ele com força e altivez cega, e nunca por um dia n'Ele duvidaram ou questionaram seus designos - o caminho ao Excelso, de tão fácil, chega a ser tão díficil, tão pesado, tão torturante, que se faz traiçoeiro, não por Êle, nunca por Êle, mas pela conduta e pela vida que se leva depois de sentir o maná do Divino. Senhor, dai-mo de bebêr está água!
...E desesperadamente, cá nós (eu daqui, você daí) querendo se estreitar com Deus, aos trancos e barrancos, rezando por sinais, por um sonho, revelação divina, turvação nos Céus, sangue na hóstia, dinheiro no chão, promoção no emprego, beijar aquela moça, e pondo os sinais/prova/credo de Deus não na existência de Deus, mas sim em nosso benefício. Não queremos a prova de Deus por ser Deus e nos amar como filhos D'Ele, mas sim queremos que ele nos dê aquela "ajeitada", um "empurrãozinho", uma "agitada". Queremos que Deus seja Deus e nosso empregado.

Senhor Jesus Cristo, Filho de Davi, tem piedade de mim, um pobre pecador.

Disse Santo Thomaz de Aquino: "Deus não é uma medida proporcionada ou infligida, por isso não é necessário que esteja conosco em gênero de criatura". Mas, mesmo não estando em gênero, está em tudo e em tôdas as coisas podes ser encontrado, apenas nos esquecemos deste pequeno detalhe, assim como sempre perdemos as esperanças e esmorecemos, afinal, somos humanos, e errar faz parte de nossa natureza em trilha ao acerto. E como é difícil, Abba, trilhar o caminho certo, e fazer as coisas que ressonam em nosso coração serem atreladas aos deveres, e mais além, conciliar tudo nessa vida tão puta, que nos quer, nos usa, cospe e só nos torna a ter quando temos seu pagamento. Como é pesada a porta que abrimos e quase sempre se fecha após entrarmos.
No silêncio dos bancos, eu me encontrei, nos barroquinos e nos marrons de três nós. No meio dos moradores de rua com seus corotes, com a alegria dos confrades, e do Cristo pobre e crucificado, no terceirismo. E ainda sim, enquanto abro esta nova porta onde meu corpo pagão, mas já limpo passa, me cansa, como se depositasse todas as esperança num altar aonde não ocorrerá o mistério da fé. Mas uma vez sinto - como tantas outras vezes sinto - que perdi o tino.
Sinto me desajustado, atrelado, feio, ignóbil, burro e bobo. E quando ando, não sei se os olhares que pairam em mim olham pelo fato d'eu ser coisa exótica que não se vê nas ruas, ou realmente realça em mim a aura do que carrego em mim, dos meus valôres, ou se resplandece em mim. Não sei dizer ao certo se no fim das contas se mostra a excentricidade d'eu ser meu, ou se as pessôas notam a incrível paz que carrego em mim por ser quem eu sou, e a felicidade que emano em ser o que eu sou; A cada dia me sinto mais distante das pessoas, e mais distante das coisas que me trouxeram aos lugares que gosto de ir, e me sinto mais distante da idéia comum de vida que meus amigos tem, e me sinto cada vez mais distante de entender o outro, quebro a regra agora para dizer ao menos uma vida que gostaria de ser entendido, e ter quem me console na hora da solidão. Mas isso é só uma nuvem que sempre passa, e nunca se pesa sôb mim.
Peço a Deus a fiança dessa vida no desterro de meu coração, que lavado sôb sua água e vinho desague o melhor de mim sobre os meus e os que mais precisarem de mim, e que eu leve paz e bem para tôdos os corações que eu encontrar, que eu ouça a linda moça cantar, que eu veja o Céu se turvar, que os sinos dobrem como se fôssem minha vida ali tinando no metal, Te Devm, Te Devm, Te Devm, até a última balada deixar de ressonar seu último Hertz. E ao deixar a chuva deixar ser alegoria metafórica ao panorama citado, a água nos lava do mal, as coisas boas acontecem e vão rolando para o solo, a nossa alegria reaparece, e o frio nos faz querer esquentar ou querer ser esquentados, e a casa vazia se torna cheia de cobertores, cães e gatos nas camas e união. E tudo vai se dando côr até a chegada do vermelho fôgo de São João até a definitiva instalação do painel de côres da Primavera.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Luz Dos Olhos.

Abba, não sei se tens lido essas pequenas cartas virtuaes que mando daqui do degredo para Vossa Santidade, mas, como Pai (forçado) Espiritual, sinto-me obrigado a escrever para vosmecê. Não numa obrigatoriedade paternal, eclesiástica ou espiritual, mas pelo Frade Eterno que nos ensinou a fraternidade extra-ordens e pela amizade que temos - e numa tentativa de esvanecer minha cabeça. Deus o abençoe pelo seu tempo e Deus me abençoe pelas minhas inúmeras tentativas de me re-erguer.
Tenho tido muita saudade de minha avó, e tenho a matado da melhor maneira possível: Ouvindo Gonzagão a tôrto e direito. Ao menos assim a sinto perto de mim, e consigo ter em mim um pouco da fé e vontade de batalhar pelo direito-temente de vida que a minha Rainha tem. Minha avó, por um pequeno imperfeito-perfeito de Deus não irá durar para sempre, e isso me atordoa, mas tenho a completa ciência que a missão dela está se cumprindo: Criou os filhos, aguentou os pesos da vida, viu os netos vingarem, Deus me deu a maior alegria da minha vida que foi ser criado por ela e ser instruído na fé Cristã, e aprender melhor as coisas (simples) da vida. Enquanto minha mãe tomou tôdas as rédeas de casa, provendo sobre nós três, minha avó foi minha mãe, e minha mãe foi meu pai, não deixando nada em absoluto me faltar.
E considero engraçado que mesmo com tantos (des)amores, os únicos amores que me valeram foi o da Mãe das Candeias, Mãe Cecília, Antônia e Dona Márcia. O tão óbvio nos pega pelas ventas e nos faz sentir tão bobos, não? Só me sinto cada vez mais feliz e jubilante ao Senhor por ter descoberto isso em têmpo e poder devolver tôda essa doação de vida e amôr que deram para mim ao longo de suas vidas - eu faço bem menos da metade da metade, mas luto para fazer o possível e quando menos imaginar, fazer o impossível.
Quero tôdo tempo que eu puder, e tôdo tempo quanto houver pra mim é pouco pra dançar com minha véa numa sala de reboco. Minha vó me ensinou a me recolher na oração durante as fases difíceis da vida, e louvar a Deus nas horas bôas, assim como a ensinou aos seus filhos. E não existe honra maior que eu ter ficado embaixo do mesmo teto que ela.
Se eu pudesse, longe e livre de meus pecados, pedir algo a Deus, seria que ela durasse o máximo de tempo. Poder curtir com ela, ouvir a voz da minha rainha, dizer a ela que estou me cuidando, que a Cookie vae bem, e tudo se mantém firme, e continuo rezando, que os frades vão bem, e tudo continua legal - e com as contas em dia. Quero que a estrêla maior do meu Céu nunca se apague, mas sei que o brilho eterno dela irá me guiar e alumiar para onde eu for. Mas, como esse dia (graças a Deus) irá demorar a chegar, até lá vamos curtindo.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Pois é, Seu Zé.

"A platéia só deseja ser feliz..."
Abba, sinto-me deslocado. Talvez, até egoístamente sozinho - há quem diga, maldosas línguas que deve ser o inferno astral. Quem me viu disse que era a quaresma, quem me sentiu disse que minha alma aboiava. Outras disseram que morri, mas a carne passa bem.
Sinto que meu coração, lentamente foi dissecado, e lentamente perdi os tinos e sensos de tudo, e hoje me sinto como o início de meu Salmo favorito (o 22º) desamparado de Deus, sozinho, e abandonado - mesmo sabendo que ele se encontra here, there and everywhere. Existem, ainda sim Abba, pessôas que me fazem desarmar as ventas e tornam minha vida menos triste neste mezzo-tempo. Maria continua sendo uma grande aliada minha, Bigous voltimeia faz a minha tristeza dar uns rolês, e Diana Pastôra me tomou como um dos dela, e me tratou como um dos dela. A vida, por mais triste e desesperadora que esteja sendo nestes últimos dias, não está sendo mais tão cã por conta deles tôdos - incluindo o Vossa Santidade Menor.
Deus ainda me sustenta pela destra e me guia, e talvez este medo todo seja por ser mais humano do que cristão e entender de uma vez por todas o que minha carne secular não permite: Os tempos divinos são diferentes dos nossos, e cada coisa acontece no seu devido tempo; Besta sou eu em achar que as coisas acontecem logo, e este tempo de preparação, de penitência, de contra-força, de zêlo, de contemplação me agonia tanto, me desespera, e me deixa assim, como se tivesse caído da mudança, ou como se eu fôsse o próprio Longuinho Lanceiro. Deus é quem me guarda, mas ainda preciso domar e catequizar a mim mesmo para os tempos divinos. Meu Deus, perdão pela minha intransigência enquão crente de Vossa Glória e Amôr; Dôce Coração de Maria, sêde minha salvação!
A falta do emprego ainda gera um desespero geral, mas não me deixa mais tão triste, meu maior medo é que eu não fique conformado nesta situação. Tenho um cão, mãe e avó para zelar e cuidar, afora meu futuro Terceiro para fazer, não posso me conformar. A maior virtude de um Franciscano me falta agora, que é a Irmã Alegria, e penso comigo mesmo que dos Terceiros, devo eu ser quem mais envergonho Pae Francisco, pelo fato de que não consigo cultivar e cativá-la por esses dias. Tenho sentido tôdos os sentidos do mundo, e o incerto me faz afundar os dedos na terra, enquanto me pego rezando para Deus não me deixar convencer pelo dinário do mundo, mas, me dando uma oportunidade de ganhar um dinário pra viver com dignidade - que encruzilhada, que bandeira.
Abba, ainda me cabe uma esperança cristã do amanhã, mas que parece tão longe, tão distante - assim como a alma de meu pai carnal, mas, ela ainda tem focos em mim, que por hora não consigo fortalecer ou deixar mais forte (tanto a esperança quanto a bôa alma de meu velho). A vida ainda sim continua sendo como uma imagem do Meu Glorioso São Jorge, em que sempre se apresenta em batalha constante contra do dragão da maldade, e só acaba quando a gente descansa - triste a sina deste trovador, não? - os xablaus nunca cessam, mas Deus está aí, guiando, e de vez em quando a gente esboça um sorriso amarelo, e tudo fica legalzinho, e a vida até parece que vai (não indo).
Uma amiga disse que eu nasci no mesmo dia que São Francisco de Paula também nasceu. 27/03. Meu avô se chamava Francisco, minha avó se chama Antônia, e eu sou o filho de uma devota do Pae Francisco, batizado numa igreja dedicada ao Pae Francisco, que pediu deste que eu estava no seu ventre para que êle me cercasse e me tirasse da lama do mundo, e bem, agora estou aí pelejando pra ser um Terceiro. É tão engraçado como Pae Francisco agiu na minha vida, e me reconduziu até o Divino, Abba, é tudo muito suspenso no ar e coincidente, mas, belo, carinhoso, parecia que já era para mim viver da vida Franciscana, e se devotar pelo Crucifixo de São Damião. O Cristo venceu a Cruz, e triunfante olhou pra Francisco, e agora, Francisco me conduz de volta do caminho que não deveria ter saído nunca.
Eu acredito, que estou voltando pra casa, bem acompanhado com o Pobrezinho. E espero quando chegar lá, que essa tristeza acade ou amenize. Amanhã, bomfrade, faço 26 anos, e não me sinto feliz, nem triste, me sinto apenas mais velho e mais experiente e com mais vontade de me perdoar pelas cagadas cometidas ao longo da vida, e de perdoar quem me quis mal, e seguir uma vida cheia de Deus, e cheia de paz. Mesmo que neste atual cenário mundial me pareça impossível.
Mas, ando fazendo pequenas coisas, para logo fazer o possível, e rogo a Pae Francisco que eu logo após isto consiga fazer o impossível.

1 Pe 3; 11.
Nm 6; 24-26

T

quinta-feira, 15 de março de 2018

Glorioso Santo Antônio.

Abba, os dias têm sido mui distantes um do outro, como se a semana se dividisse e cada dia fôsse sete dias, e cada hora se acentasse sobre o calendário, acalentando as candeias, deixando o pavio longo e a língua-de-fôgo fina e eterna. Parece que o tempo não passa, parece que nada muda, e que o vento só vem brincar com aquela velha e minúscula árvore que se há na frente do 133.
A vida aqui fora do claustro continua sendo difícil, e parece ser cada vez mais - tal qual ser cristão nessa sociedade, tal qual viver um evangelho tão fácil e tão torturoso. Sortudo de ti que se confina no olho do furacão, e cercado de marronzinhos do pau ôco, do côco ôco, de gesso, madeira tricentenária e gente que quer ganhar o Céu pelos títulos. Sabe, Abba, apesar de amar o 133 me pego pensando se Pae Francisco realmente queria tudo isso, ou imaginava tudo isso - é inegável a certeza de ofertar, dar e ter o melhor para Deus, em tôdos os sentidos, mas, êste ponto em específico ainda não pude entender. Deus quis assim, e a minha preguiça também. (Necessitamos de mais Alcantarinos, e uma cerveja gelada).
Como é difícil, pae, abrir a porta e ver novos horizontes e recomeçar. Do alto da minha falsa loucura, me fiz pequeno para viver com e como os menores - mas eles me mostraram ser Grãos; Veneráveis. E dos tantos Veneráveis, da Venerável, eram pequenos, eram menores, eram tão iguais a mim nas suas imperfeições e fé. Fé cega e faca amolada, peito aberto, e água e vinho. Mais água do que vinho. Os frangões saíram de minha rotina, mas ainda guardo êles em meu imperfeito coração pois foram também instrumentos de evangelização. Me tornaram mais próximo de Deus, e me ensinaram o valôr da gratidão, tanto que até hoje, rezo pelo bôm rango, temperado pela minha dôce mãe, mesmo com pouco tempero (a mulherada daqui de casa tem problema igual a mocidade do claustro, jovens com mais 45), e me ensinou que por mais que eu tenha meus repentes e desejos "pacômicos-monásticos", ainda sim devo conviver em fraternidade com a sociedade. A terra é bôa e rica, e nela há espaço para tôdos, e até mesmo nêste espaço, vi tantas vezes o amôr nascer, em mim e nos outros.
Infelizmente, Abba, tenho feito a igreja na ecclesia, e assim encontrado nos meus irmãos (Môça Diana, a Carneirinho, Bi da Jufra, a Camila e o Dhani, Julioso, Bigous, Olivio, Pedro, tanta gente...) as virtudes que tanto estimo neles, e visto meus defeitos nos reflexos das atitudes deles - daí já tenho meu Kyrie Eleison. Devoto meus ouvidos e olhos a quem precisar de mim, reparto o muito pouco que tenho com quem mais precisa, e assim já faço a glorificação a Deus pelos meus dons, e reparto-o dando trabalho e assistência aos que mais precisam de mim, e que eu os leve a Deus. E repartindo, distorcidamente comungo e oferto; Sabe Abba, eu tenho pouco, muito pouco. Muito pouco de quase nada, mas foi Deus que me deu, e me capacitou com meus dons e virtudes para que eu conseguir esse poucoo que me é tudo - Meu Deus me capacitou para o Meu Tudo. Meu Deus e Meu Tudo. Meu Deus é o Meu Tudo.
Abba, a vida tem se tornado bôa na mesma proporção que tem se dificultado. A loucura da Cruz é um difícil desafio vitalício, mas, quando as fôlhas caem e florescem em loucura na primavera, algo na minha alma vibra dizendo que vale a pena tudo isso, e quem é dos seus não se degenera. (ainda somos reis, e ainda somos profetas).
Apesar de ter tirado "um período sabático" do 133, aos 1ºs e 3ºs domingos estarei no anexo. Traga um frangão dentro do marronzinho, bonfrade. A nossa diferença é que eu fui infeliz, meu claustro, como o Pae já mostrou a Madonna Pobreza, é tudo o que circunda minha vista. E preciso começar desde agora a limpar e arrumar aqui. A luta é difícil, mas a alegria é o que nos salva da tristeza. 1 Pe 3; 11.
Paz e Bem!
Nm 6; 24-26.

T.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Be Yourself.

Não há santidade eterna, mas, existem caminhos que nos limpam da sujeira que a vida nos joga. Somos espezinhados, humilhados, e jogados no acostamento, justamente para crescermos forte como o junco, e brotarmos de forma ímpar. Somos brotos de uma raíz forte, que precisa ter firmamento e sustância para nosso crescimento e desenvolvimento. E apesar de tôdo o pecado que nos afasta da santidade que tanto buscamos, ainda sim somos reis, e ainda sim somos profetas. Guardemos a língua contra a maldade feia, e sejamos mansos e humildes de coração - tenhamos, de forma ampla, aberta e irrestrita, o Santo Cordeiro posto no madeiro - para nossa melhora enquanto pessôas e enquanto almas de um reino invisível, em que um Rei é Real e visível, e ao nosso alcance está, e ao nosso alcance fica; Um Rei que habita e coexiste dentro de nós, ao nosso redor, em tôdas as coisas possíveis e imagináveis.
Tenha a fôrça nos seus ombros, ânimo, e segue; Nas voltas que a vida dá, a gente (o pôvo que padece e perece) irá ser feliz por demais da conta. A benção, Dona Antônia!
Doce menina, meu coração pula ao ver você feliz, e minhas mãos se erguem em forma de oração quando meu amigo consegue o que mais quer, e ao entrar e sair do trabalho, por mais bom ou não que o dia tenha sido, levanto as mãos pelo Bôm Deus que me deu mais do que eu precisava: Me deu o que eu queria. A gratidão é uma das chaves de acesso para aprender a têr a humildade em si, e para compreender o universo, para têr e não caber em si de tanta alegria que bate no peito - por ora, me sinto como São Thomás de Aquino, com um Sol me rasgando o peito, de tão abençoado, e como São Jorge, eternamente combatendo o dragão feo da maldade; Há dias que passam como manhãs e há dias em que as noites penam em dar as vésperas. Doce menina, comemora a vida de teu filho no colo, e olha pro universo, assim como se comemora a cerveja na mesa, o teto sobre a cabeça no dia da tempestade, do barco que pôde ser virado, do ouvir que gera o sôm indefectível das músicas, da Cecília bem mais que amada... O tino ainda me arrebata, e ainda sim sou aquela criança que me sinto afã quando aprendo algo sozinho, me sinto sozinho mesmo estando bem acompanhado.
Enquão profeta das estepes, deixo como legado estas séries de textos que tanto dizem e tanto ressonam vazios num obscuro canto do universo, deixo a vontade de mudar o mundo com a linha que abrange apenas uma pouca parte de meus amigos, e aquela vontade de abraçar tôdos que seguram a raiva do chefe, que seguram a barra de cuidar sozinho de casa, dos que engolem o orgulho, dos diferentes, dos massacrados, humilhados, rejeitados, passados para trás: A cada um de vocês, meu beijo e meu cingir: O Reino é tôdo de vocês, e queira Deus que se eu fôr para lá, seja eu um servo ativo no evangelho, e na atuação de vocês.
Quero ser o alferes do Alferes do Alferes da causa celeste, propagando por onde eu fôr, estiver e passar, aquilo que tanto inquieta a minha língua, palpita meu coração, domina minha mente e me faz suspirar de amôr. Por Cristo, com Cristo e Em Cristo. Se estiver difícil teu fardo, se a dôr querer dominar, vem comigo - toma uma cadeira, senta, eu estou aqui irmã(o), como sempre estive e estarei; Mas toma a régula: Sou amigo, não amôr, e tenho carinho, não outra intenção, e te ouvirei, serei compreensivo, e se fôr de vontade geral, juntos acharemos uma saída. A falta da união, compreensão e fraternidade tem nos feito máquinas carnais insensíveis, e por isso falhamos enquanto eiamos neste vale de lágrimas, nos degladiando por causa alguma - apenas pelo prazer do dinário e pela vaidade e culto as carnes; Lhe peço: Olhe além, irrompa, cresça. Floresça! E enquanto unidos estivermos, ninguém nos vence em vibração (Salve Bahea), e unidos somos um tôdo, seremos o príncipio do bom reino na terra, e assim, será dado a comunhão: Na terra como nos Céus, no sertão como no Mar. E tôdo o resto, será apenas lembrança, e tôdo o resto será só o vento lá fora, e o que nos cabe, é a nossa fôrça em sobreviver aos dias, que se baseia na alegria do Senhor, Nosso Deus.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Deep Blue.

A arte da Solidão é muito mais do que estar ou ser só. Há mais coisas que englobam e fazem prudência no eremitismo de um ser - Independe de causa, reiligião, pensamento, ou forma de vida. A solidão é um casamento muito do possessivo, aonde só se olha, toca, sente, comunga e atrai sua senhora.
Alguns, ainda, optam pelo exílio como forma de vida para não mais ter com pessôas que lhe magoaram, outros apenas fazem uso para pôr a cabeça em ordem, outros como pretexto para a libertinagem, e mais outros diversos motivos. Para quê? Por quê? A Quem? A solidão é mal do século, e nos afasta enquão irmãos, deixando abismos enormes, e dando o outro a forma mais dura e rudimentar o medo - Há alguns de nós, irmãos, que precisam ter ombro-com-ombo, que fingem fortaleza, mas são fracos, e tantos outros adeptos da bandeira do Nazareno que mais parecem carregar a bandeira do geraseno. Há pessôas que apenas fingem se importar, fingem comungar com uma verdade geral e uma união que não vejo: Assim se cria a solidão tradicional, assim se matam almas e essências de pessôas aos poucos, bem lentamente.
Entenda: Solidão é diferente de isolamento, assim cabe entender, e medicar os doentes, de carne e de alma. Deixar o solitário vagar em seu deserto é estritamente perigoso, assim como para quem se isola, correr o risco de nunca se adaptar novamente em sociedade, tanto como o depressivo de sentir prazer nos raios de Sol. A missão, enquão não compreendida, tange, fere, corta e mata; Porém quando compreendida (aos poucos ou muito), se torna instumento de ensino a quem sofre e a quem cura o sofredor - dá-se mais prazer a vida, e deixa bem estar presente nos locais, e nos corações, deixa a vida ser vivida e vívida.
Olhe nos olhos do irmão e tenha compaixão, mantenha o amôr, e una; Cure as chagueias que nossos outros irmãos fizeram ao irmão que sofre; Doe palavras de incentivo, amôr, paz, carinho e união, pois se em cada um de nós existe uma centelha de Deus, unidos seremos mais do Triúno; Que nós possamos, cada um em nossa pequenez e limitações, fazer nosso melhor por nós, pelos nossos ao nosso redor, e por Deus. Não digamos palavras que aborrecem, não permeneceremos em um único ponto de vista, e nem façamos atos maldosos contra os outros, sejamos água, e deixemos a causa boa ser motriz, e atrair mais bondade para nós.
Deixamos nossos corações dividir seus batimentos com aquele que fraco palpita, diminuamo-nos em prol da maioridade de uma causa que muitas línguas professam, mas poucas sabem falar, e muitas pessôas seguem, mas poucas realmente vêem. É necessário que diminua em tudo, para que se cresça aquilo que nem tôdos os olhos vêem, nem tôdas as mãos tocam e nem tôdas as aureas sentem, e deve-se fazer de alma limpa e olhos tangidos, para que um dia tôdos os que nunca, sejam os que irão ter, devemos ser adeptos da porta estreita, pois nela está a cama amaciada e esmaecida de sôno bom, e a amada que nos irá dar carinho, ouvir o sôm, e nos fazer esquecer o tempo ruim. É necessário se fazer presente, e não marcar a sua presença na vida alheia: Seja medicador, e nunca o medicamento.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Depois do Portão.

Há horas, dias, minutos e momentos que me sinto só. Só como a noite que envolve o mar, as estrêlas e o firmamento, só como a árvore no meio da estrada, ou como aquele que tanto se rasgou, e hoje é retalho, colcha fragmentada e frugal de sonhos, pensamentos e de comunhão geral - a união também se faz solitária, atualmente. Nossa (falsa) irmandade, e nossa benevolência (de redes sociais) também é causa mater da nossa gemência e ranger de dentes neste vale de lágrimas, e no que pudermos nos fortalecer para diminuir nossa dôr, por favor, façamos. Cuidemo-nos. Veramente.
Houveram dias em que a mesa era pequena, mas de tanta gente que se unia em volta, ela parecia pequena, hoje quanto me sento, a mesma citada mesa parece ser tão grande. Obrigado Deus, ao menos tenho uma mesa para me sentar e sentir dos prazeres de uma refeição - Obrigado Meu Deus pelo cão mais desordeiro do mundo, Obrigado Meu Deus pela dôce música. Há dias em que por mais que eu me sinta, e seja maior, não consigo ser o tempo tôdo, e nem mesmo quem se diz tão limpo não se mantém o tempo tôdo, e nem mesmo quem reza se mantém afastado do pecado, e nem mesmo quem se entende, consegue as vezes se entender. Lidar com esse mal secreto, é talvez travar uma luta invisível consigo e seus amigos, e uma gama de gentes que nunca entenderam a proposta do jôgo - como dito no post passado, se faz necessário nós nos ajudarmos, para depois ajudarmos o alheio, para depois o mundo.
Se, em cada pedaço de cada ser humano está a parcela do Divino - Deus Triúno - logo, em mim se encontra em Deus, e no leitor, e nos pais do leitor, e em tôdo o resto, logo, se cuidamos de quem padece, ou oramos para quem se encontra em maldade espiritual, nós estamos fazendo a manutenção de nossa fé, e ao mesmo tempo cuidando, e louvando o milagre maior de Deus: A vida! - e obviamente, cuidando de uma parcela do Divino Deus Triúno. Cuidar de quem padece, além de proteger a integridade da carne, e salvar um irmão da perdição, é cuidar de Deus, e proteger uma de suas inúmeras moradas.
O problema, é que algumas pessôas não conseguem, não têm a fôrça necessária de se degladiarem sozinhas, e por isso se prendem, ficam, mareijam. Dessas pessôas, devemos ter do mais bôm cuidado, e amôr, e principalmente discernimento, pois no mundo provamos da maldade, e muitas pessôas podem se esconder sob o véu da falsa impotência, ou da falsa clêmencia. Devemos ser humildes, mas não podemos ser de forma alguma ser escravos da tolice. Não devemos nunca abandonar ou esquecer de cada mão que tocamos, cabelo que afagamos, palavra que dizemos e sentimento - tampouco desistir dos que mais precisam. Não devemos criar a cobra que nos morde, mas, se necessário for alimentar serpentes, façamo-os cientes de sua natureza, e ciente do final. E mesmo que a bondade, a caridade, a fé e o amor, seja retribuir o bem com o mal, ainda sim, que nos seja dado a recompensa do bem-estar, com nós mesmos e ao ver nossos irmãos em bem, em paz. Em Paz e Bem - que não sejamos maiores que ninguém, nem na frente de homens, nem na frente do Cristo. Sejamos irmãos, reis, rainhas, professôres, profetas, escribas, pirañas e cada um de nós, um pelo outro, um com o outro. Que cada um aprenda a secar a lágrima alheia, a não continuar a torrente de más palavras, que não sujem um vaso limpo, tampouco olhem e disfarcem, olhem e ajudem, e se não puder ter da bôa ajuda, que ao menos tenha da bôa reza para que Deus encontre até uma forma de estar próximo de quem mais lhe precisa.
Seja um instrumento da bondade, de Deus: Para o cego, seja os olhos, para quem não tem luz, seja o óleo que falta na candeia, para quem chora, lenço, para quem geme, alívio, para quem quer sangrar, bisturi, para quem ama, seja o consorte, para quem entristece, a Verônica, para quem exalta, um menestrel, para quem desanima, pendão, para quem louva, adorador, e para quem é, seja mais.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Hear Me Lord.

Ouve-me, Senhor. Ouve a mim e a tôdos do degredo, ouve cada alma que se eia e sobrepuja para novamente cair, e quando se bate sobre essa terra cã e bruta, se mescla a lama, e nela somos, e ficamos. Estamos. Senhor, todos nós do degredo nos reconhecemos e nos sabemos de nós mesmos e dos nossos; Não nos faz necessário tantas chagas, e tanta dôr, mas assim seguimos de forma mística e perseverante pela Sua Graça, pelo Seu mistério velado.
Ouve-me Senhor, e perdoa tantas vezes que duvidei, briguei, insisti, reneguei, me dei o benefício da dúvida e chorei, pois muitas vezes - como agora - sei que aqui neste espaço físico estou só, mas, mais adiante estaremos mais próximos, e talvez, chegando lá Você possa me perdoar da minha juvenília, e eu consiga entender mais sobre Você.
Perdoe-me Senhor, por todas as vezes que achei que a estrada tinha algum rumo ou motivo, e que mesmo sabendo do erro, insisti. E errei. E paguei o preço. A água do lado direito me levou e a do lado esquerdo me afoga; E o cheiro de jasmin diminui em meu senso, a turvação começa - não há mais dôr alguma, cordeiro não é santo, Cordeiro é. Estou me tornando o que não quero, mas o que eu preciso, e estou (ainda) sentindo em mim tôdos os sentidos de tôdos os caminhos, deixando para mim apenas o mesmo velho plano de sempre, mas, agora ao menos me sinto pronto: A última já se foi, a porta se fecha, o trem passa, e novamente sou réu, juiz, magistro e bedéu. Eu sou meu, mas adiante não me pertencerei, e aquilo que chamo meu deixo repartido aos meus - e quem me teve pode me ter, mas não me terá por completo.
Muros brancos seculares de pó de ostra: Estou pronto. Vou até vocês com a plena certeza que não é o que eu quero, mas o que eu preciso. E com isso fecho a porta de minha estrada, e ponho pedras nela, e sepulto e arremeto o sepulcro ao chão, pois a cada segundo que eu me lembrar, eu não esqueço. E quanto mais eu esquecer das nuvens do Céu, melhor estará. Mas não se esquece o inevitável.
Ouve-me Senhor, não tirando minha cruz de minhas costas, mas apenas me mostrando aonde está minha Gólgota, e aonde fô-la, irei. Não tenho mais medo, arrependimento, tristeza, nada. Não tenho nada além de minha alma, e além dela, a vontade de deixar ela descansar num bôm lugar de gente viva, bona e sincera - quero estar aonde o Senhor possa estar, aonde não possa haver dôr ou maledicência, tampouco ruindade ou miséria, quero apenas estar aonde eu realmente precise e mereça estar; Já me cansei de ser desnecessário e ser totalmente ignóbil para quem me rodeia. Eu não acrescento, nem somo. Apenas subtraio.
Ouve-me Senhor, e guarda nos teus rebentos os meus, e os põe num lugar bom, assim como pôs os jazidos, que amo e devoto; Os guarde bem, e em paz. Nina o sôno de quem eu amei primeiro, e guarda meu coração num pote de maionese dijunto daquele baú que está há muito afundado naquele velho mar férreo, e não deixem que vejam ou me sintam, deixe que tudo passe como deve ser, pôe Sua tutela sobre tudo isso, sobre tôdos nós; E que quando o sorriso bater no vestido dela, reflita a clareana da alma dela, e sorrindo ela corte os Céus com sua intensidade.
Ouve-me, Senhor.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Minha Gente.

Mãe, eu sou um dos malditos, escriba e profeta, escravo do mundo, e filho de Cecília e Tomás de Aquino, criado nos agogôs de Nanã, sabido das leis do Pentateuco, e proferidor do Nam Myoho Rengue Kyo quando triste ou bêbado, e Zé Canjica nas horas vagas - e obrigado por isso (é sina). E meu coração bate em festa quando Maria bateia sua roupa, quando Seo Fábio balança o corpo e o sorriso de canalha mostra o dente, quando o Mario chega em casa pra ver seu filho Ravi Diamante, quando o Rafael libera seus riffs, quando o Henrique cegamente crê num amanhã maior e melhor, quando o Heitor posta suas merdas e as meninas caem matando no abdomen de flango trincado,  quando a Beatriz se assemelha a flôr e completa, contempla e é, quando a Carol se faz de irmã, e a Karol de psicóloga, quando a Jéssica irrompe num sorriso e assim faz o Júlio flertar com ela, o vapor que segue ainda ativo na quinta da Bahea, Thiago Negrolícia me marcando nas nostalgjias que mexem com meu coração e me sentir ainda tão nôvo, apesar de tanta consumação, meus parentes da Correntina de Januária, eu sou das ruas do Centro, sou mais um dos incríveis seres que conversa no Divã do Doutor Olivio Neres. Sou do Olivio, da Cristina, Jussara, Marina, Maria do Socorro, Rainha Mãe Mor Antônia Chaves Mendes, eu sou do Fábião e do Flavio, sou da Eterna Rainha Assunta Ao Céu Maria José Cardoso de Queiroz e do Fábio Cardoso de Queiroz, eu sou da Márcia Chaves Mendes, sou da Cookie, e futuramente, serei da Cecília e do Vincente, Pedro, Jorge, Helena, Antônia, Bárbara, Teodoro, Carlos, Juliana, Henrique, Miguel, Leonidas, Davi, Martha, e quantos avierem. Meu pendão é grande, e eu o ergo com glória. Essa é a minha vida, e há de ser minha morte, Maria, Minha Fé!
Sou o grito oculto da canção, sou eu mesmo. Sou um dos profetas da beira de estrada que cativo e cultivo da tomada de palavras, saveiro que sou, levo de mim e dou de meu melhor a todos, e devolvo a mim que me merece, bom ou ruim. Eu te devolvo na mesma reverbe o que tenho dado, profeta não é messias - eu lanço o castigo. Quero ver geral piar, e quero que se foda. O profeta das estepes (árdua missão, na qual não me encontro sozinho: Olá André Somora, Patrícia Nunes, os incompreendidos do mundo contemporâneo) vê a miséria na perfeição e concordialmente (Deus Vos Salve, Concórdia) se põe a (se) fuder e fuder (os outros), porque quem tem culhão pra ver miséria nos planos traçados pelo Destino, tem crachá pros backstages de Deus pra ver, e alertar que(m) se fode(m). Timoneiro sou, Timoneiro vou, Timoneiro estou. Minhas pessoas lêem, umas entendem, outras não, outras entendem como divertimento, outras como desabafo, mas isso é tudo um grã registro e documento históricos: Eu sei de todos os vacilos de vocês (e dos meus mais ainda), mas não os digo, mas os guardo em cada chaga, assim cumpro meu trato com cada um, e demonstro meu amor sob cada um de vós, e a jogada foi dada: O barato é ser feliz, estar com quem se ama, curtir o sôm, e deixar a tristeza ir embora junto com a água do chuveiro. Eu sou profeta, e vocês são heróis, professores, senhores, moças, Lotus, e meus. Nossos. Somos fodas nas nossas interconcorrentes vidas. Há alguém por nós, idependente da Sua nomeclatura. E ele nos capacitou a vencer. Vençamos pois, todos juntos. E amemos nossa menina, guardemos a fé, e vamos. Até onde der.
Minha gente é isso. Gente do bem, gente feliz, humilde, nobre, (não muito) pura, de sorriso cativo, questionadora, e transgressora em seus limites. E eu, como profeta e escriba dessa gama de pessoas, estou aqui, datando mais um dia comum de cada um deles. A glória já se marca, idem a derrocada. Marquemos o comum para têr o que comemorar.

domingo, 16 de outubro de 2016

Concorde.

Quando dizia no passado, até mesmo em posts deste blog mundado que devia/não devia " (...) Renegar a casa, rosa e o Jardim (...) ", talvez eu soubesse de tudo isso que fosse acontecer, ou talvez não, quem sabe? Sei que o cheiro de Jasmin ainda é semi-incógnito, e Cecília volta a ser um projeto ativo novamente, e a Lotus gentilmente fez eu me sentir um deus nessas últimas 72 horas, e na glória de se ser, sentir e fazer mulher, ela me honra com sua companhia - viagem sem volta de amor e aperreio, que faz eu me remoer e relampejar cada vez mais.
Estar com ela é como estar com a Iansã mais sensual, de seios belos e quadril voluptuoso, e ter a alegria de sua Consorte, como Lakshmini amiga-irmã e confidente de sorriso belo, e sua ira de Kali ou Obá com a voz firme e impetuosa, e ora tão terna como Maria das Candeias em seu colo, carinho e abraço, com suas pernas firmes e vontade de seguir como Artémis, ora tão amante como Afrodite e sua sensualidade exalando. Ela tem um pouco de tudo, e o tudo dela me satisfaz, me fazendo sentir o amor de forma diferente, como nunca senti antes por ninguém, e nem em mim, e me fazendo sangrar a cada instante, gotas de sangue que tem gosto e cheiro de amor.
E o sangue na camisa não é pouco. E a lembrança recorrente da madrugada interminável trás no lábio uma alegria de quem venceu na vida, quem teve do prazer um momento único; Deitou, e quando sentiu palpitar o coração, beijou: Amou, contrariando qualquer coisa do mundo, desejando sentir o cheiro de cada pétala da flôr da Lotus - a mais bela, querida, desejada, estimada. Aperta, sente, ama, força, pede-se a passagem e abre as pernas, sussurra, geme, deixa entrar, fazer parte, e o fluxo vir, e ser, tanto faz, importa ali, aqui - agora, o beijo, sorriso na boca, como pode ela ser tão impiedosa e completa, que até quando exala seu cheiro de flôr, cega a minha alma? Deitou, pôs seu corpo no meu, sorriu e adormeceu no(s) meu(s) braço(s).
Nos sorrisos e nas garrafas, encontra-se a alegria de estar ao lado de quem se ama, de dividir a cerveja com a mulher amada, e segurar proporcionalmente a cintura dela como dita o universo. Aquela cintura, que cabe com um braço meu, como bem cabe os dois, que se concentram o quadril que concentra minha indecência, meu amor, minha vontade de ser, e estar - cousa que só sabe é quem dito essas linhas tão minhas, tão delas, nossas.
E, delineado pelas linhas de teu corpo, escondido pela roupa que te cabe bem, vejo o meu sacrário, e contemplo a beleza única da flôr mais bela do degredo e rainha na arte de ser-quem-é. Toma minha garrafa da mão e bebe, olha, sorri e me beija, tomando de minha mão e deixando que eu a ponha onde cabe; Fita meus olhos, e não sabe o que é, mas sente a sintonia - Vestida de estrelas, corpo amorenado que estélica o meu Céu, boca vívida que pintada, me deixa sujar para amar.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

XII de Outubro

Faz-me manso, e lava meu coração na água da tua ânfora, Maria, me guarda na barra do seu vestido e me livra do dragão feo da maldade. Faz-me bom, Maria, e me guarda na hora da solidão, pois quando eu caí, foi você quem me valeu e me sustentou pela destra, e quando eu rezo pela tua visa em mim, é você quem me vale do medo da agonia. Foi você, Maria. O tempo todo.
E eu, tão sujo, tão da lama, filho único de leoa genuína, esposo do degredo, me guardo por não querer disseminar minhas mãos tão sujas, tampouco sujar os que me cercam, me diz Maria, porque quando a água me puxou, você me puxou de volta, e naquela noite, quando a luz era distante, você pôs uma candeia no meu caminho? Por quê eu, tão sujo, tão pequeno, tão desnutrido sou acolhido por você?
Maria, olha pra mim, e vêde que sou comum, trivial e cometo erros, e trago sangue nas minhas mãos, das mágoas que cometo diariamente contra as pessoas que mais amo, mais estimo, e não faço por querer, mas talvez meu jeito de ser só tenha acabado mais e mais comigo. Maria, tem misericórdia de mim, e ouve outras orações; Disse-me o homem que quem é da lama, na lama fica, na lama morre; E talvez se'a bem isso, Mãe, eu não tenho vocação para estar entre os seus, e minhas mãos ainda tremem muito, e eu nem fiz nada ainda, nem dizer o que sinto eu consigo, imagine ser um dos seus...
Maria, eu não tenho nada. O que fiz de bom, fiz por amor e compaixão, e o que fiz de ruim fiz pelo meu prazer e por querer ter o gosto do amargo na boca, e o que sei, coube a mim saber, e aprendi que não posso ensinar as pessoas que não podem ouvir - porque eu mesmo duvido do que ouço. Eu não me sinto bem, Maria, há uma dor carregada no meu peito, os ombros cansados, e tem gente sorrindo, indo viver, ser feliz. E eu, buscando a felicidade (de modo meu, mas, a buscar), toda a hora da minha vida indo buscar esse sentimento de satisfação que me cabe nas mãos, e ao mesmo tempo inunda tanto as almas, e eu, quando me lavo na tua água, me sinto limpo e preparado pra isso, mas, Maria, parece que tem horas que é tão difícil vencer...
Maria, eu ainda sei o significado da porta estreita, mas me dói. Hora ou outra tento sorrir, mas ando tão desolado e tão chateado com os últimos acontecimentos que nem sei o que dizer, ou o que fazer, me sinto tão sozinho que tem vezes que trafego sozinho ante a ávida multidão na rua, e isso me assusta tanto, me assusta o medo que tenho de me entregar, ser quem sou e o que sou pras pessoas, me assusta que eu saiba tudo, e ao mesmo tempo seja tão frio pra realidade. Tão frio pra mim mesmo. Tão ignóbil a ponto de que a dor, mesmo pungente, já seja lidada de forma costumeira, e isto não deve ser certo. Não é, ao menos para quem não é adpeto do sadismo.
Maria, está um Sol lindo lá fora, e eu não queria nem sair de casa, nem da cama, da minha ilha. Maria, se você ler essas linhas, me dá um sinal, me dá uma faísca de que hoje o dia vai ser bom, como sempre é com você - Tua presença, Tua companhia. Maria, continue me mostrando o caminho, mesmo que eu não saiba onde ir. Sei que tenho a crença de que uma hora para de doer: Essa dor, essaa chagas, o desamor, tudo deságua de vez, e sei que com você, Maria, sempre que estou na sua presença, essa mágoa acaba.

Obrigado, Maria.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Shield.

Eu ando cego em relação ao mundo, mas, não me mudo para qualquer eventual cegueira. Me desligo do mundo, das pessoas e de tudo aquilo que possa me fazer mal, e, resumindo numa frase constantemente postada aqui: "Neste momento estou deixando pra depois..."; Não que isso venha a significar algo relevante, apenas significa que peguei Agnish pelos quadris, a coloquei num cometa e parti pra outra dimensão que não me afete, tampouco me faça ter medo ou raiva. Deixei essa paúra pra depois.
Essa vida pede muito de nós, e ás vezes pede muito do que podemos oferecer, e causamos um défict no universo, e com esse desnível, tentamos suprir a nossa essência que as coisas/pessoas sugam por qualquer outra - inconscientemente - e é aí, senhores e senhoras, que a merda ocorre. É quando deixamos qualquer abraço venenoso nos contaminar, qualquer sorriso amarelo infundir em nosso conceito, quando um falso brilhante nos cega os olhos da alma: É aí que caímos. Povo, lhe peço imediatamente, com toda a força da voz das minhas letras, que vos sejam vivos, para não sofrer o que sofri, e viver o que eu vivi. Sejam vivos e se guardem na fé, na esperança de um dia novo, de uma vida melhor. Se guardem no abraço de vossas avós, nos beijos mais doces de vossos amores carnais, nos carinhos impetuosos da lambida de vossos cachorros, da mulher-mãe carregando sua cria no colo, e do nordestino que dança seu forró na praça da Sé, sem ligar porque vão dizer. Povo, ouve meu clamor, e vos peço que se guardem na devoção do seu Santo para que sua devoção e sua força não se acabe, nunca.
O quão forte é teu escudo, tua luz, a benção da tua mãe, e a sua oração mais violenta para se lavar do mal? Se até o mais santo dos santos teve suas recaídas, porquê nós não poderemos ter no meio do caminho?Todo tipo de oração e paz é necessária e se faz presente no ato. Afinal de contas, nunca matou ninguém dobrar um pouco o joelho e falar com o Divino.
A vida, meus caros amigos, é bem mais daquilo que nós costumávamos ver, ou sentir, ou falar. É dinâmica, viva, rasteira e incrívelmente sábia e cruel. Se nós, na nossa "vivença" não dominarmos ela primeiro, corre-se um grave risco dela nos tomar pelo arreio antes. E a fé que eu proponho que você crie é uma das principais armas para isto não ocorrer.
...No fim, é tudo uma questão de manter a fé.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Deus.

Deus, me dê um sinal ao menos uma vez, eu preciso muito saber disso, sei que você anda ocupado e tem muitas coisas a fazer, mas, olha pra mim e pro meu desespero; Vou começar a jogar fora tudo aquilo que não me convém e eu preciso da sua ajuda: Mais precisamente do seu conselho, tato, ministração e audição pra ouvir meus medos e anseios, e saber que você está aí, e vai me dar um sinal do que fazer.
Deus, ao menos você está aí?
Você me vê, sente, sabe ou conhece minha cabeça fétida e meus sentimentos? Você ao menos já olhou na minha alma e me tomou pra junto de Ti? Sua Mãe nunca tardou comigo, mas, com você parece que a agenda é sempre cheia, sempre ocupada...Quando vou ter a ilustre honra de te ver fuça a fuça, e poder desaguar todos os potes de mágoa que me encheram, e você me explicar um a um, as gotas que continham-os? Será que ao menos você consegue perceber que estou desesperadamente atrás de você por este mundo de cão, e quanto mais te caço, mais Te somes? Você ao menos existe? Parece que no fim das coisas nada realmente importa pra ti, e eu apenas sou um lunático que reclama com o invisível, em silêncio.
Por favor, que minha vida até aqui não tenha sido em vão. Mostra sua face em piedade a minha ignorância, nem que eu precise morrer pra isso. Olha pro meu coração tão pesado, negro e machucado, e alivia. Nem muda, porque eu já sou ruim por natureza, sei que não mereço salvação, apenas, alivie todas essas coisas, esses pensamentos ruins, todo esse medo das ondas que batem nas pedras do mar. Poxa, me ouve, eu não tô mais fazendo nada de errado.
Estou cansado, e você sabe disso, e cada vez mais vem mais desafios, e cada vez sinto vontade de ter feito o que deveria ter feito na merda daquele heliponto. Não me sinto mais afim de continuar nada, quero deixar todos os pontos em suspenso e criar um fim abrupto, assim como a maioria dos meus projetos...Sabe, eu fico pensando em quanta coisa pode ser feita, mas, mesmo que eu tente, eu não consigo encontrar um ponto que me faça motivar, que me faça além. Devo admitir, Você pôs, e põe ainda anjos no meu caminho, pessoas de bem e que dão a cara pra bater contra o asfalto, mas, até quando? Até quando cada um de nós, pessoas do bem merece morrer, cair e padecer contra o chão duro enquanto essa vida maldita continua? Por quê Você não nos alivia na hora dura, poxa? Tudo bem, erramos no Éden, Touro de Bronze, mas, Seu Filho, nos lavou do mal, e hoje ainda sim existem pessoas que tentam viver em harmonia Contigo, e eu sou um deles, mas, parece que nada muda, nada diferencia, e quanto mais perto eu tento chegar de Você, mais difícil fica, e mais tretas avém vindo, e mais fraco, cansado, emputecido e raivoso eu fico. Poxa, porque não nos livra do mal (até da cabeça) enquanto nós rezamos (e alguns tatuam) isto?
Olha pra mim. Sou só um jovem ainda, nada tenho. Minhas mãos já estão se calejando, e do nada que tenho, o pouco dele me basta, não tire de mim a rala alegria que tenho, mesmo Você sendo Deus, Você não tem esse direito, Você não deve, tampouco pode ser tão sádico assim, Você tinha que ser meu amigo, o meu melhor amigo, que corresse comigo, e ficasse do meu lado, até mesmo quando eles estavam me medindo torto. Quando eu apanhei, você não apreceu, quando meu pai morreu, Você não se manifestou. Tira de mim todas as coisas vãs, os caprichos, mas, me deixa com a minha essência, aquilo que ninguém possa me tomar. Estou cansado, meus pés doem, e nessa batida eu não quero mais ver a Cecília, tampouco a mim mesmo, queria estar aonde está Pallas, Palmito, Digo, Chelsea e Fábio, e Você simplesmente olha. Tenha clemência de mim e de todos, e age ao nosso favor. Não por mal, não por mal. Por justiça, mesmo.
Eu estou me sentindo como aquela criança que se perdeu no metrô, e só tem a flanela de recordação dos pais. Mas, não tire a minha flanela, por favor. Interceda por mim, e me ajude a ser melhor, mas, saia desse silêncio, e se mostre a mim. Ao menos uma vez, e me mostre o porque de tudo. Estou realmente muito cansado. Tive que crescer cedo, chorar sem fazer barulho, e nunca sorrir, tampouco rir alto, porque minha risada era feia, como diziam. Tive que trabalhar cedo pra ter dinheiro para viver, e cair de cabeça em um relacionamento pra saber que aquela menina não prestava, tive que ficar sem dinheiro, mas pagar meus credores, ajudar em casa, tive que passar muitas coisas, e você sabe de todas elas, até agora. Mas, por quê o oculto?
Ao menos uma vez, eu te peço com todo o meu coração: Se manifeste.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Maria.

Maria, me ouve. Desce dessas nuvens e me acode. Me leva pra junto de ti e me guarda embaixo da barra do teu sari e me vela, me deixa ao menos alimentar da migalha do teu pão e guardar meu amor no teu coração materno. Maria, nada sou sem ti, meu coração é teu, mais ainda minha alma, e sem ti, me nada sou, e nada existo. Meu pendão e minha glória tem teu signo. Louvado o Deus que te escolheu e mais ainda eu que te tenho como Advogada, Mãe, Rainha, Amiga, Defensora e Amante. Conforta meu coração na hora ruim, e não deixa o mal adentrar em mim. Não, nunca.
Maria, me livra da angústia. Guarda o grito preso na garganta, e me faz calar a boca cada vez mais, e me faça cada vez mais voltar a ser aquela criança estúpida e boba que você abençoou: Inocente e bobo, sentia medo de ver um Cristo crucificado e rezava para não ser o próximo. Maria, olha por mim e pelo meu coração tão bobo, tão ousado, incandescente e inocente, que cada vez que passa se joga louca e inocentemente a cada relacionamento, não vendo a queda, e sim o vôo livre e se alguém um dia - quiçá - o pegará em pouso (leve o forçado). Maria, me põe nos teus braços e me faça dormir, como fizeste dormir tantos homens, que hoje estão do seu lado, lado que eu almejo estar cada dia da minha vida.
Guarda meu caráter embaixo das tuas mãos, e que toda a minha sinceridade contenha tua mão, teu beijo, teu carinho, teu tato, teu afago e tua sensatez. Maria, me faça ter compaixão do próximo e fazer por ele o que poderiam ter feito por mim e não fizeram (e nunca hão de fazer em suas vernas mais silenciosas, a eles peço justiça por nunca me olhar com olhos do seu povo, Mãe Maria, olha por nós, filhos teus que morrem e padecem por esta terra bruta, maldita e fétida, que nunca tem reconhecimento, amor, e afago de quem mais se precisa e ama).
Mãe Maria, me ouve. Ajoelha-se pra me ouvir, mesmo não merecendo isto. Dá-me maturidade para não entender as coisas por um prisma errado. Forja em mim a luz que incandeia do teu candinheiro, e não deixa meu caminho escurecer, ou que quaisquer pessoas o escureçam. Maria, olha por mim aqui embaixo, e me dá uma resposta, um sinal, qualquer coisa pra dizer que você tá me ouvindo, e que este texto, de alguma forma há de chegar até ti. Me manda um raio, um Sol, uma palavra amiga, um comentário, um beijo, um acorde perfeito, um sorriso, um sim, não ou talvez, mas, peço que me cegue com tua graça, porque não aguento o silêncio. Você tem uma das melhores partes de mim, que é seu afilhado. Teu afilhado, Maria, pode não ter sido um bom homem, mas, foi o homem mais importante da minha vida, mesmo não prestando, bebendo, xingando, ofendendo, rindo, cantando, dançando e olhando o pôr-do-Sol fumando seu maço esmaecido de Hollywood (que dentro tinha cigarro "Vila Rica"). Maria, guarda ele no seu colo, e o ensina a dormir o sono que perturbado algum dorme. Ensina ele a tua dormição, e que é a mesma dormição a qual tanto amo, tanto quero, tanto anseio...Demora muito pra gente se ver?
Maria, as coisas não são como imagino, e disso já me sei até pro mês. Então, nada mais me resta além de sentar na bancada para ver emergir da lagoa o Monstro que come a virgem da aldeia. Protege ela, Mãe Maria, assim como me protegeu do Cão Da Bestafera, e me fez criança pra brincar na barra do seu vestido, mais de uma vez.  Tira de mim as idéias feas, as pessoas erradas, os caminhos incertos, os passos infalsos e o medo de cair em meio a rua movimentada. Segue comigo, e que tua mão aperte a minha, e que de mãos dadas nós vamos para todos os locais juntos, sem medo de tiro, bala, faca, corda ou alabarda. Maria, a morte é a maior alegria da minha vida, porque é na minha morte que vou te rever e que vou poder entender todos os porquês, sim's e não's. Maria, em ti está a minha salvação, carinho, medo, glória, raiva aflição, enfim...Sem ti, de nada sou.
Maria, me ouve. Desesperadamente, me ouça. A ti, ascendo essas palavras, e sei que há de me responsoriar, porque a ti Deus corou de estrelas e planetas, então, sei que apesar d'Eu não merecer teu carinho, mais ainda tua benção, tu como a Mãe Santa que é, há de ouvir minha palavra sobre Israel. E quando eu me pegar em tempos de aflição, aperreia: me leva pra junto de ti, e que d'um alto duma nuvem, nós fiquemos rindo de toda a confusão e toda essa cousa estranha que é a vida.
Maria, obrigado por ontem, por hoje, por sempre. Por tudo.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Tributo Aos Derrotados.

Ando meio chateado;
Ando meio triste;
Ando meio desgostoso;
Ando meio magoado;
Ando por aí;
Ando por qualquer lugar;
Ando por andar;
Ando porque qualquer caminho me serve
Ando a esmo, para ver o mundo e suas coisas.
Disse-me que estou triste, mas não sabe,
se tampouco viu tristeza maior que a minha.
Ouve meu lamento, e não se compadece:
Ri e observa: Hoje sou Jan Palach.
A minha primavera desfloreio agora,
entre risos, brigas, beijos e floretes pontiagudos,
Eu vou me acender para ascender e renovar;
Agora, sou Thích Quảng Ðức, irmãos e irmãs,
irmão, ore e me leve ao nirvana, sorria por mim,
irmã, crê na liberdade que te proponho:
A comunhão é da geral, e a vida indvidual,
irmã, não chora, não há dor, eu transcendi.
Pela primeira vez eu venci.
Olha para mim, agora eu sou o Soldado Desconhecido,
morto em qualquer trincheira e enterrado em qualquer vala.
Daqui não tem dor, nem tem nada.
Eu sou o cotidiano, a perca cotidiana.
A corda não enforca,
eu não sinto dor.
A água não afoga,
eu não me molho.
A bala não estoura,
eu sobrevivo.
A queda não esfacela,
eu não me esborracho.
Não há mais nada, sabe?
Daqui pra frente eu estou passando pra depois.
Pois, eu transcendi todo o tipo de maldade humana;
Quando vim ter com quem tanto amo e quero,
e se fiz parte de uma luta com palavras ou armas,
é porque achei que podia mudar, fazer a diferença,
[fazer melhor.
Mas, nem tudo era como imaginei.
E agora, resta o silêncio carnal, e meu legado.
Minha voz se cala, mas agora ela é da geral!

domingo, 1 de dezembro de 2013

Maria.

Ave Maria, mãe do amor. Quem anda no morro, é você. Me livra do medo da morte fea, que eu te ajudo a erguer o pendão do teu varal.
Mas, Mãe Maria eram apenas uns soldados, não tinham nem a culpa do fato que fizeram, e seu filho também já os perdoou, e nos livrou de todo o mal, e subindo o morro com graça, nos abençoou. Mas, Mãe Maria, estes seus lindos olhos são densos, e é n'eles que moram toda, toda, toda a minha e nossa paz, Rainha, reine sobre mim, nós e todos, e me livre de todo e qualquer tipo de mal, e sentada no topo do mundo, olhe por mim.
Maria, foi a escolha certa fugir para outro (qualquer outro) lugar. A policia logo tava mandando é matar, e foi pelo seu (Nosso) guri que tu fui é salvar, e na estrada, no lombo do jumento, rezando no desterro, você pôs a voz linda de rouxinol a rezar. Maria, foste tu o começo do Alfomega, da minha pequena, pobre e humilde criação. Acabou-se um vinho, não aperreia, chama o guri, para poder se reavivar, e o moro em feste sorri e se põe a festejar.
Maria, apôs pare de se chorar, porque nada disso foi culpa tua. Foi Alguém Maior que te escolheu para ser mãe do verbo vivo e divino. Pai José apenas segurou o Santificado rojão floreado de glória, quando a fea, boba e hipócrita favela do morro fez um baobá, e o medo de morrer na mão e boca do morro, foi o que te santificou.

quarta-feira, 20 de março de 2013

O Peso do Ar.

Toda vez que eu te olhar, imaginarei um prisma de coisas sobre nós, e logo sorrirei como um tolo. Enquanto houver você no firmamento, e seu sorriso for meu, eu me sentirei inteiro e completo, e nunca mais me sentirei sozinho nesta vida. No nosso abraço (ainda indefinido: De todo meu que te cobre, ou todo teu que me alteia); Cada um no seu cada qual se faz presente, se sente inteiro, renova as energias e fica bem melhor.
Que Mãe Cecília lhe abençoe, cada vez mais e mais e que no dom da música, você esmerilhe as cordas que a vida lhe propor, faça da dor a eterna alegria, e que teu riso (antes que lírio me fosse, salvado o seja, risto, este o mais belo) seja vela e incandeia de muita gente (inclusive a minha, porque não).
Que sua vontade seja cheia de sim, e sua iniciativa cheia de sucesso, sua arte, cheia de aplausos e evoés, e que seu anseio desabroche a rosa de prata de dentro do concreto de muita gente por aí; Que seu cabelo seja sempre bonito, multicolorido, alvo e cheiroso, e que seus braços sejam sempre certeiros para um porto seguro: Me guarde quando puder, e até quando quiser, pois no meu barco, eu estou a deriva, mais quando achar no farol de teu (meu) riso, a vontade de voltar, logo eu içarei uma corda em teu cais, apenas me deixe chegar e amarrar meu arredo, e entrar em teu porto seguro, e livre de toda a maldade.
Tomaste meus olhos. A parte que, sinceramente, é a melhor parte de mim. Hoje estou cego, por escolha própria, e estou aqui sentado neste velho trem, esperando a minha estação para desembarcar. Ultimamente não tenho me sentido muito bem, uma vasta gama de coisas, situações, problemas e realizações vem cutucar minha mente, e isso não é nada legal, mais, logo tudo ficará bem. Tudo sempre fica bem, né? Faça bom uso do "cinza" dos meus olhos, agora eles são teus, porque do meu riso, eu cuido: E toda vez que algo me abate, apenas me lembro deles, do cabelo cheiroso, do abraço de muralha, e logo me sinto como um garoto cabeludo e inconsequente de 16 anos pronto para quebrar metade de uma ganguezinha de escrotos na porrada. Você deu um gás nos meus dias, me trouxe (mais um) ponto de sanidade, e fez eu me reencontrar com uma bela (e muito importante) parte do meu passado.

Talvez eu esteja atônito, ou esta dor-de-cabeça esteja descomunal. Mas, precisa dizer como você é especial, importante, e maneira para mim.