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quarta-feira, 17 de abril de 2024

Pelas Ruas do Mundo.

 Ao passo de dez (ou onze?) anos atrás, lhes escrevi uma máxima aqui neste bRog, da qual ainda uso em temporãs: "Mundo Maravilhoso, Lindas Pessoas - essa é a vida", de qual era trecho de uma música minha.
Bem, é só pra dizer que essa máxima ainda vale. Vale muito. 
Ainda é atual destacar e acreditar em cada parte boa de cada ser, e ainda sim fomentar a quem não instiga em si a parte boa e misericordiosa fazê-la render e fermentar. Sabemos lá que o mundo vem-se-ter em pé de crueldade e desigualdade, minguando em tristêza e desânimo. Mas, se colocamos o nosso arado amarrado a uma estrêla, temos como acreditar. Crer, sim - não há palavra mais própria para o contexto - no melhor. Seja lá pela vida, pela esperança, pelo amôr, pela fé, pelo amanhecer... em algo reside a bondade e nela toda fôrça que ousa ir contra se disspia e se transforma; como disse Paulinho da Viola: Tudo se transformou.
Pois, se lhes escrevo de esperança, é porque justamente a minha morreu e se refez em algo nôvo. E digo isso com a minha fé e humanidade exposta tal qual (não só) como um escriba, mas tanto como um ser humano normal e comum, que ao ver o Sol nascer e a Noite cair, entende que há coisas maiores e mais grãs que regem e imperam. Antes, haveria de ser mais um dia e menos um dia, e agora, faz-se o mesmo, mas com outro significado, trazendo em si a esperança de melhoria, e a fé que se aflora, desbota e germina em solo para que outros possam também crer - ora, pois se este bRog é de viés escribário, e conta de visão imparcial com exceção para Deus e Sua Igreja, nada além disso deveria de ser. Aprendo, pois, a mesma lição que nunca aprendi: Tudo tem sua hora, seu tempo e sua vez.
Enquanto discorro essas letras, jorram de meu peito a preocupação, o mêdo, a aflicção, e o cansaço do passo mantido (como vos digo, 'inda sou o mesmo), mas ainda sim me dá a nova e certeira direção da crença em algo maior e melhor do que o presente nebuloso; como rezamos na missa latina spero in Deo para que as bonanças cheguem, e assim me volte o sorriso em definitivo ao rosto, e estando em paz comigo e com os meus, verei novamente os Céus turvarem e as lindas garôtas sorrirem. Logo, ao chegar nesta fase, sei que os dias tristes foram a minguar, e as coisas belas, simples virão a mim de alguma forma, de alguma maneira, e eu, serei o mesmo, só que com sorte, mais vivo, vívido e feliz.
E qualquer coisa além disso, será superfulo. E qualquer coisa além disso sera desrespeitoso, e que seja sempre a felicidade por felicidade, e não por ter preço ou tábula marcadora de preço, tampouco algo que nos impeça por valôr e alíquota. Veremos, eu e os meus (e você também, se quiser) as alegrias de sábado, a cerveja no copo, o cheiro de rango, e as pessoas sorrindo como a festa da vida sempre nos presenteia quando nos cerceamos de coisas belas, interessantes, densas e profundas de sentimento e verdade. 
E eu, estando lá, espero te ver. Como um pôr do Sol no alto da serra, e uma alegria sem fim.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

California.

 A vida é tão bonita que parece o arquejo dos seus pés quando eles se contraem para você se espreguiçar, e a janela entreaberta faz um degradê em sua pele que marca cada pedaço de paraíso e pecado, e na alfândega, o sorriso teu é a chancela e teus cabelos negros, o pedágio. Eu estou voltando pra casa.
Minha avó sorria sem dentes, tampando gentilmente a bôca, e depois se curvando, elevando as mãos ao Céu, como se a alegria fôsse - como o é - dom de Deus. E tem muita gente por aí que sorri sem ser humilde e não eleva os dons para Deus. E eu, quando me lembro de minhas raízes, volto para onde nunca saí - para a seiva da gênese; eis-me aqui...
...eterno garôto encreiqueiro, trigueiro príncipe do degrêdo, filho ordinário de Itaquera, de sôco inglêz na mão e terço na outra, pude ser tudo o que a vida me deu e me fez caber ser - amei e odiei na mesma proporção, turbulento com a mãe e desastroso em achar o amôr; e nas ruas cheias de estranhos, me disfarçava como mais um; por mais que eu não possa mais, ainda dobro o triângulo, e desço tôda a Brigadeiro Luís Antônio tomando um latão ouvindo The Who. Eu me tomo como sou, e me aceito na medida que me faço, sendo sob-medida para mim, sem ser algo que não sou, e tampouco ser pouco para o raso. Transbordo quando devo, e irrito os que não entendem ainda. Sou eterno transgressor, como tôdo degredado é.
Aquela árvore, apesar de podada ainda está lá. E firme, e forte, sem vermes ou doença. Suas folhas ainda caem na calçada e fazem um farfalhar agradável durante o vendaval, e quando chove, estranha e misticamente a sua copa consegue nos proteger; descendo um tanto a rua tem a banca de pastel do Birebadim, a tenda de ervas do seu Sinval, e o cara que arrumava panelas - e minha avó sempre comprava a borracha de panela de pressão nele. O barbeiro que cortava meu cabelo morreu, mas seu filho tomou conta do lugar, e assim o negócio da família continua em boas mãos. Meus amigos ainda estão espalhados - talvez cada vez mais - em todos os recôncavos. E ali na rampa, Toninho não está mais. E Tio Fungo, infelizmente falecido de morte trágica não pode ver como o Sol descia vermelho do lado dos novos prédios que subiram no lado esquerdo da praça aonde eu e os meninos bebíamos vinho quando cabulávamos aula. 
Os trens ainda fazem o mesmo som quando batem a curva férrea, e a cidade ainda tem o mesmo cheiro de cinza, fumaça, urina e café. Os olhos descompromissados de edifícios clássicos com igrejas barrocas se transfiguram quando passas com seu vestido e all-star. Ao te ver, o tempo se reduz para ver qual livro escolhe da estante; põe um óculos escuro, tá é Sol lá fora.
Ah, o Sol quando desce e faz sombras, é tão lindo. E a cerveja posta na mesa de madeira na calçada, o cachimbo aceso e a conversa a rodar sem fim, a miséria e a alegria com os livros postos num cantinho pra não esquecer enquanto ainda se decide o que comer... ainda tem tempo, e se não tiver tempo na rua ainda tem muitos bares, e chegando em casa ainda dá pra fazer mais alguma coisa. Tem um cara pedindo grana na esquina da minha rua, mas ele não usa pra comida - e se bobear ele come mais e melhor que eu com todas as marmitas que ele recebe, tanto que outro dia deram um pau n'ele por ele ter feito um "esquema" de vendas de marmitas doadas para quem não conseguia comer as doadas outrém. Disseram até que ele deslocou o joelho, mas eu o vi normalmente em pé e em ordem. 
Nenhuma correspondência na cadeña, e nenhum recado no mural, e após três lances de escadas avanço ao meu refúgio - não há dulcinéia que me espera, mas meus livros gritam de saudade e meus instrumentos urgem por um afago, e enquanto enoitece na cidade, vagueio em cordas e letras para falar que sinto saudades daquele Céu estrelado que hoje fulgura em meu coração.
Após um banho, é acordar melhor amanhã.

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Wild Blue.

Enquanto escrevo, eternizo
Enquanto escrevo, deixa de existir.
E enquanto deixo as letras gravadas, atesto.
Talvez você ainda venha ler e reler para achar um senso, mas não o dou, não o entrego, tampouco vou te dar o oculto de mão beijada. Não, te avanças se abaixar, e se ao renegar a prata você olhar o Céu. O verdadeiro Brilho é Aquele que cobre nossas cabeças. Eu deixo gravado aqui o brilho de seus olhos, o brilho das luminosas de teu cabelo e do branco de seus dentes.
E mais ainda: Deixo também atestado que não quero dizer nada, apenas que quero sair, viajar, dar um rolê, ver o Sol, passar um final de semana no campo, e depois descer a serrania e ver meus pés cansados descansarem na areia comendo um camarão na praia ouvindo Evinha - êste guerreiro (se é que assim chama os que pelejam de côrpo a côrpo com a vida) - precisa de repouso urgente, de uma benção, e respirar um pouco sem os quilos da vida lhe darem os tinos de vivaz na alma. Digo urgentemente que procuro quem vá comigo pra Aparecida, ou quem leia livros como eu, quem toque sons, ouça sons, faça sons e sinta o som; espero ansiosamente, ó Juíz, pela(s) pessoa(s) que sentem também a terra girar e que saibam que a vida em si não é grande cousa ou negócio, e que no desprêzo de si encontre o mais belo thesouro, pois ali também estará o coração.
Vejo o lado, abro a mão, mas a bôca (o porto), não.
Trago a fumaça, mas respiro. E sinto que o tabaco não me roubou o folêgo de tantos anos de respiração profunda antes de sentir, de enfrentar ou até mesmo de ir lá ver eu. Sinto em mim tôdos os sentidos do mundo, e atrelado a isso, nada de nôvo tenho a acrescentar ou dizer - apenas que a vida, essa sim, quando vivida aos poucos, mansamente, cadenciadamente, e com humildade e bondade pode fazer o mundo ser melhor, apesar de tudo...
Mas, afinal, de que falo? Sou apenas uma lontra (outrora piraña) franciscana. Guardei em meu bolso, perto de meu terço e isqueiro um tanto de alegrias emergenciais; cousas tão minhas que se compartilhadas as alegrias minhas, quem não sente a terra girar não entenderia. Aqui, baby, é made in degrêdo, filho de Eva, e que a Itaquera nunca saia de mim, porque eu nunca me apartarei de quem me ligou a entender as pessoas, amá-las com suas imperfeicções e cuidar de tudo para que tenha seu fluxo de vida ininterrupto. Sou o garôto (agora homem) de barba expessa, olhos verdes e esmeraldinos, que reservo meu silêncio para a grã maioria, mas me revelo aos meus, pois dos que me deste, dêstes eu não perdi nenhum. Sou o do Largo, dos sinos, dos sons ensurdecedores, da Antarctica gelada, do cachimbo, e dos dias sem-fim. Sou amigo de São Brayan, São Albertino, São Robson e sobrinho do amável Tio Fungo, que hoje repousa entre os justos. Neto da Dôce Dona Antônia. E pela junção de tudo isso (e mais um tanto), sou hoje a junção de tudo num tôdo. Assim como você é.

A benção, Véa. Tamos aí, e vamos adiante!

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Woohoo.

 Bateu cinco graus no centro. Eu vi, eu estava lá.
E foram cinco graus bem pesados, bem medidos e bem acirrados. E a precisão da sensação térmica deu os mesmos cinco graus. Era frio, mas o viño que me desceu aos nervos me aqueceu mediante a falta de teus afagos e teu dínamo vivo que chamas de corpo.
Avisa a tomboy que hoje não tem café. Só chá.
Sou suspeito para falar, né? Gosto do frio e seus nuances - sinto-me verdadeiramente vivo, ou útil de alguma forma quando essas correntes de ar me circundeiam; sinto ecos do passado e de alguma forma mui estranha também sinto os meus antepassados em presença dijunto a mim. Sinto mais prazer nas bebidas quentes, e posso simplesmente andar nas ruas sentindo o mundo a minha maneira; não que isso seja algo especial, mas sinto que nesta forma eu absorvo mais do meu infinito, e com isso me sinto mais disposto a entender, refletir, agir e cuidar.
Hoje de manhã se deu em 10 graus. E foi ótimo.
Apesar das roupas não secarem decentemente, ainda sim é um bom tempo. É quando as pessoas se recolhem. É quando tem São João. É quando a vida se torna mais íntima e menos de exposições públicas, sem vermos todo o mundo vibrando em unissono na rua, havendo mil ecossistemas a cada esquina, se degladiando por um lugar ao Sol. É quando tudo estranhamente se permanece absorto, meticulosamente quieto. Estático. Dentro de sua concha. 
Vi uma criancinha no Terminal Pq. Dom Pedro dizer pra mãe: olha, sai fumacinha da bôca! enquanto a mulher em seu exercício materno olhava cariñosamente e ao mesmo tempo procurava o ônibus para entrar, e por um momento lembrei de minha mãe quando me levava ao Cândido Fontoura ou ao Darcy Vargas. Lembrei de muitas mães que como sublimes leoas se dividiram em formas irrecuperáveis para ser (em sua conduta e forma) o firmamento para seus filhos e filhas. Lembrei de Dona Antônia (entre os justos), e timidamente soltei fumacinha pela bôca mesmo sem têr um cachimbo de usufruto para disfarçar. E esse era eu. Aos 31 anos de idade, atingido invariavelmente por uma criança, ressuscitei uma parte morta dêntro de mim em um terminal de ônibus que também foi palco de minha infância. E ao entrar no ônibus, apenas ri.
Após goles de café, relatórios e testes, cá estou eu. Aqui na Mooca faz os mesmos 10 graus (em sensação), e de fronte para o meu quintal - amada Piratininga - sorrio, e lembro de um bôm têmpo. Faço mais um café, e com a corrente de vênto na janela, vejo a cidade fria se transfigurar para um formigueiro silêncioso.
...na verdade, agora fazem 13 graus. 
Que dia delicioso. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Time Moves Slow.

 Estou aqui no hospital. Não imaginava que drenos no pulmão fossem incomodos. Já são três dias.

Depois de três dias a dimensão de tempo é tão difusa, tão surreal, que chega a incomodar.
Estou vivo ainda, por graça de Deus ou por alegria, talvez. Estou vivo, principalmente, pela esperança. As que imputam em mim e nas que eu gentilmente ponho no meu coração, ornando-as com a beleza de Deus.
Gostaria de beijo e abraço específico. Da voz e da tenaz palavra. Isso me acalmaria senão, atordoaria benéficamente. E neste frio, tremo as pernas com os cobertores postos, e sorrio. Apesar de toda essa lama, toda essa tristeza, ainda sinto e tenho um pedaço de Deus em mim. E isso também é esperança.
De esperança em esperança foi como vivi, pois assim pude deixar a providência divina e as obras da caridade nunca falharem dentro de sua matemática celeste.
Nunca senti que vivi pouco, pelo contrário: vivi o tanto que me coube, e tendo isso em mente não me regojizo ou me vitimizo: vivi o tanto que pude e que Deus deixou eu viver dentro de Sua tutela. Deus, além de Deus foi meu melhor amigo, pai, irmão, advogado e pretor.
Essa imunidade baixa e os dias frios me nocautearam. Alguns dizem que irei sobreviver e que rezam por isso. Mas, docilmente ponho nas mãos do Divino o querer (não só disso, mas de tudo que abrange minha mente agora). Caso viva, bendigo Meu Senhor. Caso morro, bendigo a Vida. Faço parte de toda uma sistemática que sinto entorno a alegria e a tristeza, e assim sigo. Na minha janela, não pousaram passarinhos, e isso me entristece, mas a nutricionista me deu gelatina de limão, e isso me alegra.
Achar a alegria em tudo, e agradecer a Deus por tudo, por todos a todo o tempo, esse foi o conselho que Frei Francisco me ensinou.
Tento, apesar de tanta dificuldade pesarosa e dificultosa, ver Deus em tudo, e mais dificultoso ainda, agradecer pela Sua ditosa vontade. E neste estreito espaço de navio, oro. Acho que nem nos meus tempos mais espiritualizados eu rezei tanto. Este frio me trava os dentes, mas me liberta a alma. E se eu voar, eu posso ir te visitar? Sentar na beira da tua cama, cantar tua música, e te fazer sorrir? Como um passarinho marrom?
Mais uma noite. Mais uma noite. Menos uma noite. E o Sol desce no cinza e arqueija a noite densa e enevoada. Sorrio. É das noites que gosto, mas como um mercúrio, me envenena em doses lenta. O que amo me mata. Sorrio. Se me sobra, sobra tu, letra ditosa da pena. Inclina-te em minha ordem, pois ainda em claudicância eis que mando o teu ditar: escreve, escriba; se não como testemunho, como ao menos um alpendre de verdade para quem ler como memorial. Se me cabe escudo, agora liberto-te, a adaga oculta que guardei para a noite memorável quando me amavas: Diz-me, Deus - a qual roga os miseráveis, quão longo e dulce suplício é esse que me embute, se nunca pedi ou desejei galardão de santo?É pela minha relutância, tal qual Cupertino, que me fazes assim? Sou filho da porta estreita, e por ela passei n vezes sem murmurar, mas, quando me põe no sopé da morte e vejo eles tão distantes, sinto-Te mais ainda. Não te abstém, força minha, Corre Tu em meu socorro e salva-me nas excelsas glórias, pois da porta santa abri para chamar Teu nome.
És o Deus de Dona Antônia, o Deus que ela há tanto e muito rezou e que nunca foi confundida. É a Você que clamo nesta hora de minha solidão e amargor.
Eu acho, que eles chamam de milagre. Eu chamo de vida. Eu chamo de viver.
Ora pelos meus, e salva a minha (ela) do laço do passarinhedo, e quão a minha vontade, que seja inferior ao Teu querer. Por isso lhe invoco, glorioso Jesus Cristo, Filho de Todo o Poder Criador que me amou primeiro, atira-se no precipício que me encontro e reclina teu Bom Ouvido para ouvir esta última prece: Deixa as lindas garôtas ouvirem e deixa os Céus turvarem. Encosta-Te em mim e abraça-me, para numa última vez, unido a Vós, possa sentir o amor o querer, e estando na mais alta dificuldade, sê Tu aqui meu animador, e dá me o riso. Alteia meus olhos, e reconecta-me ao que perdi para que encontre. Dá-me vida para que eu possa terminar a promessa que te fiz, e escondido dentro do Teu Sagrado Coração, não me vejam, sintam, ou possam agir de mau juízo de mim.
E estando eu contigo, que você me alivie cicatrizando todas essas chagas para que eu, estando junto a Ti, possa apenas me glorificar de Você ter me acolhido e restituído tudo aquilo que perdi - e vagarosamente - retorna ao oculto de minha mão, ou como nos diz o profeta: "retorna em mim o riso, e faz-me viver". Dando-me, tais poucas três cousas que lhe peço, rugirei como o Leão de Baoz para que não Maculem teu nome, e sei Teu Capistrano. Ergurei elogios e honras, e mandarei promulgar Teu Nome, pois nesta presente agonia e sufrágio me valeste.
E que eu só leve alegria a todos os corações, amen. E de paz em paz, roguemos ao Senhor.

Alto! O Sagrado Coração está comigo!

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Negro y Blanco.

 Eu não sei falar de amôr. E espero nunca saber pôder falar. O falar de amôr é língua celeste da qual que por mais me empenho, me é difícil - falar um turco arranhado me parece ser mais fácil que dizer de amôr.

O amôr, como Minas das Geraes, me faz saber que existe, mas me é distante, e por vezes é inacessível, e quando vou a Minas me emociono e choro, canto e brinco, me dá sudorese e mêdo que eu cometa algo de errado na qual não possa ir para a Terra Santa no Brésil. O amôr, como Minas, tem curvas, môrretes e destêrros, lindas imagens, fé, e paz. Em parcos momentos, agitos, mas é amôr de paz, de cadeirinha na calçada, violão e riso aberto, sem medo. O amôr, assim como Minas, é poesia, é declamação, é música tão sacra, lírica, psicodélica e progressiva. Minas é a morena de cintura e sorriso tímido, de voz mansa e brado. Meu coração repousa em Minas, e eu não sei falar de amôr. 

E Minas, de minhas lembranças de garôto, de meu passado, tão distante, que nem lembro como chegar, como ficar, como falar, e me pego em gagueijos ao dizer o nome de Minas Geraes, quando olho o Céu. Amar é descer o São Francisco de canoêiro com tarrafa amarrada, e só sabe disso quem alguma vez já foi a Minas. É a beleza de sua arte sacra, seus sons, texturas, gôstos e pôvo trigüeiro. Só sabe disso quem foi até Minas e sobreviveu. É de ter mãos suadas ao vêr a minæira, e a cachaça deixar de ser proletariada para ser bêm comum. Minas é análogo ao amôr, e nem se sabe bem porquê. Mas quêm têm paz e quêm quer paz, volve a Minas. Eu deixei um belo tanto de minha paz em Minas das Geraes, na promessa d'eu ir a essa terra bendita, ou dela me dar sua filha dileta pra mim. 

Bem, eu fui a Minas algumas vezes, e senti sempre a mêsma cousa. Mas eu não sei falar de amôr. E não sei falar de Minas... e eu não sei se nem um suspiro da morena eu arranjo. Minas, e suas mulheres cercados de austeridade, me apaixonam e desarranjam.

quarta-feira, 2 de março de 2022

Reminiscências.

Lembro da terra seca, e lembro da senhora de ventre seco. Olho os Céus, e lembro das turvações, dos gostos, texturas, e de quem eu era.
Lembro do avencão pendurado na parede, e das plantas que estavam sempre nos beirais da janela, os pássaros que cantavam,  e do canto do assum preto que minha avó tinha. Lembro da tapioca com manteiga de garrafa, da tubaína gelada, de puxar capuxeta no Céu e cortar os dedos com cerol, e lembro mais ainda de quem eu era.
Mas, quem eu era? Quem eu sou? O que eu quero ser?
Lembro-me do que era na medida que lembro do que fui em algum tempo, e sei o que sou pelo que vivo e projeto na minha mão, e serei aquilo que preciso ser para mim, e no máximo, para os que me pedem algo e os levo em conta.
Sou de gostos simples, e de coisas pequenas, humildes. Gosto de tubaína, misto-quente, corinthians, antarctica, tatuagens, livros católicos do cristianismo primitivo e franciscanismo, gosto de andar, caminhar, de beijar meu amor indecorosamente e poder andar de mãos dadas com ela, gosto de ter meu tempo e me organizar, ter sempre um passo a frente dos fatos e situações, gosto de The Who, de música, instrumentos de corda, de discos de vinis, e do centro da cidade. Gosto também de sorrir de uma piada indecente e de humor negro, assim como gosto de ver as estrelas no Céu e de ver o Sol nascer. Gosto de sentar na beira da praia, comer camarão e ouvir Evinha tomando uma cerveja, com minha nega do lado, toda gostosa de maiô indo tomar banho na calunga grande. Gosto de escrever na reforma ortographica de 1921. Gosto de sorrir de volta para uma criança, e abençoar os irmãos cãos de rua, e gosto de ser abraçado. Gosto também de quando consigo tirar a pressão de mim mesmo - o que anda difícil agora que ando sóbrio, e gosto (as vezes) de receber massagem na minha perna machucada. Gosto de dias frios, com vento, e garôa. Gosto de surpresas, e principalmente de dar presente para as pessoas que estimo, e sempre quando dou presentes é algo que faça a pessoa lembrar de mim, ou algo que ela queira muito. Gosto do clima de sentar numa mesa e jogar conversa fora, falar abobrinhas, fazer caretas, e peidar discretamente quando saio pra fumar e fingir que alguém no fumódromo pisou no cocô. Gosto quando me agradam, e quando já sabem do que gosto e deixam fazer o que gosto. Gosto do Largo São Francisco, e gosto de como ali eu vejo Deus na Eucaristhia. Gosto de quando ela sorri pra mim, e quando deixa eu ser ousado, e quando ela é minha amiga e me tira o peso de existir. Gosto de como a presença dela me faz sentir alguém importante, e gosto do jeito que ela deixa eu a ter. Gosto do gôsto dela, e gosto da gesta, e gosto mais ainda, de todas essas coisas que gosto.

E gosto, de escrever.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

14/02 - Um Texto Egoísta.

 Lembro-me, de quando era uma criança, do que minha avó dizia e se fazia saber que era amor: Era algo arrebatador, que fazia nossas carnes vibrarem, e que nos dava um alento sobrenatural, e que só de estar com a pessoa, aquilo já dava uma paz quase-que-divina - se ouviria sinos, tinares, cousas sobrenaturais que atestariam que aquilo é amôr.

E quando lhe vi, pessoalmente, no saguão daquele hotel, eu vi. Eu sabia que era você. E algo no meu coração bateu diferente, e todas as músicas fizeram sentido. Sua boca, quando tangeu a minha, fez uma têz tão forte, que eu nem pude reagir - será que sabes que és minha, como de fato sou teu?
Aquela noite a Lua até se escondeu para você reinar com sua beleza magna, Nê.
E das diferenças, então? Como ficariam?
Sim, de fato, as existem. Mas, o que nos deu em diferença, em dado exemplo nos igualou. Seu sorriso me cativou, como minha barba lhe cativou, seus olhos me hipnotizaram, como minhas mãos seguraram as tuas, e você, quando se entregou em mim, diluiu o tempo e o espaço a nada; pois, n'onde reside o tempo, e onde mora o espaço, o menino de corte franciscano e a mulher de falas certeiras estão se beijando ouvindo Mystify. E as coisas quando tomaram forma e conteúdo, pareceram bem mais fáceis e simples de serem lidadas.
E das dôres?
Sim, houveram, pois não se constitui de glória a vida boa, isto é, nem só prevalece o bôm amôr. Tem também do desafio, da luta e do pensar, penar e acreditar. Custo benefício, mais-valia e glória celeste. Vale o esforço, o perdão, a parceria, a alegria e os sorrisos. Das coisas que não nos contam, é que em relacionamentos, também se baseia e salva o amôr, e além disso, se baseia e salva a paciência e esperança.
Aprendi com a velha sibila, que, se um erra, os dois erram, e se um acerta, os dois acertam. E isso não se baseia em casamento, mas n'um namoro/noivado - pois, segundo ela, se constitui no estágio para se casar, e se não se tratar com o respeito, devoção e pia que se há de ter n'um casório, torna se inútil a idéia de namoro, e assim deveríamos ter retomado o costumar de casamento arranjado. Pois, aonde reside nosso tesôuro (no caso específico, amor), ali reside nosso coração. Logo, a Véa estava certa. E as estrêlas brilham lindamente essa noite.
Lembro do teu sorriso, e de quando se entregas para mim, dos desenhos do teu corpo, das constelações que desenhei nele, de tua voz quando canta e da inveja da toalha que lhe enrola. E mais adiante, da mulher que se por momento era minha, me dando cerveja de salto, da amiga que segurou minhas lágrimas, da irmã com quem briguei, da amante que amei, da menina que fiz segredo nos meus braços para salvá-la, da companheira de copo e cigarro, e principalmente da perfeição da ponta da cabeça até os pés, que diante do cenário, segurou minha mão e me fez feliz.

E hoje, apenas queria segurar tua mão e lhe dizer: Happy valentine's day.

Amo você.

sábado, 23 de março de 2019

Apenas Um Rapaz Latino-Americano.

...E foi embora junto com a blusa, foi embora junto com o sorriso, e com a vontade de mais uma vez ir ver as flôres daquele jardim, e foi embora como muitas vezes foi embora. Foi de mim que saiu a virtude de continuar a viver. Pensando bem, saiu de mim o início para sair dali o fim.
Em cada altar do meu coração em que ergui um altar para você, eu vou o demolir, e para cada oração que fiz por nós dois, abrirei meus braços pedindo a verdade aos Céus, e para cada sorriso inocente, deixo uma Luz que incandeia na estrada, e para cada dôr, aprenderei a lidar, como sempre tive que lidar, e deixar mais um rastro de conhecimento para ninguém, mais uma gama de planos jogados ao vento, casa que foi planejada na areia fofa, e sonho que nao vou sonhar mesmo.
O sôm dos sinos é aonde guarda a minha verdade. É onde nunca deixei de ser meu.
Dona Antônia, que falta me faz. Seus 89 anos batidos nos meus (quase) 27 iriam ter a regula certa do que fazer neste momento. Sua mão, tão sôfrega e torta na minha, durante o Ofício, me diria algo que me faria pensar melhor, meditar, considerar, ou ao menos olhar ao meu redor e me desafogar daqui. Véa, a vida anda sendo pesada e dificultosa, não venho me mantendo, e sinto cada vez mais das dôres que lhe dizia. Ouvir sua voz agora seria mais que bálsamo, mas o melhor presente de aniversário. E por mais que eu saiba dos "ricos que pisam nos pobres", e os "bem-aventurados os humilhados", e "fazer seu melhor e esperar, pois tudo tem seu tempo e sua vez", mas, franciscanismos a parte, minha Véa, quando vai chegar a minha vez? Quando minha chaga irá fechar?
Percebo, mais uma, mil, vinte mil vezes, que ainda me entrego, e não me reservo, ainda sou temporão em tudo que faço, e mantenho meu melhor. Percebo mais ainda, que as pessoas nos olham como peso de prumo, e nunca como pessoas que sentem, olham, falam, e por isso nos tratam com objetificação, daí, consigo somente pautar a tristeza dessas linhas assim. Talvez Dona Jorgina estivesse certa em algunas aspectos. Alguns.
Eu só queria dizer nesta crônica de desabafo que meu peito dói, mas, que não vou seguir sorrindo. Minha fé ainda me ajuda a seguir, como a todos acontece, mas, hoje em diante me reservarei mais, voltando a ser aquela isolada, vulcão inativo, perdido no oceânico, que quase ninguém sabe que existe. E que a meta pra esse ano, não é mais chorar (lágrima última que foi derramada hoje), e sim rezar, pensar, e entender os planos de Deus para hoje - e sempre; Afinal, fui eu mesmo que pedi na oração de sempre: "E Que eu só leve alegria a tôdos os corações", não é mesmo? Então, que assim seja.
De resto, que o têmpo flua. - Que as lindas garôtas ouvirem, e que o Céus turvem ao meu favôr.

Kyrie, Eleison.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Bolero.

Se quiser me entender, venha comigo, entenda o lirismo e o meu recente silêncio, olha minha mão vazia, mas tão cheia de marcas, e apenas ouve, sente, vê. Assim como mil vezes saí de mim para ter com os outros, necessito agora, de quem saia de si.
Quando eu era novo, me sentia velho; E quando envelheci, me sinto mais velho ainda. Não há um dia que eu não me sinta preparado para morrer - e não há um dia que eu não medite no rumo das coisas.
Minhas mãos vazias ficaram, e o fardão do matulo há muito está vazio. A vitrola empoeirada, a cama cheia de cobertas, e as imagens fitando qualquer mexida na cama durante o sono turbulento. A dôr no corpo, nas pernas, a visão rareando, as dôres na boca do estômago, e a falta de empatia com a belêza fisíca, e uma dependência exascerbada daquilo que não se conhece em Tôdo, mas pela veracidade da fé já maturada.
E tudo isso, nesse intermédio, só me faz sentir saudade de intes fixos do passado:
Dá-me saudades da casa de janelas históricas, do(s) convento(s), dos sorrisos, da cerveja pendurada, dos discos nas lojas, das moças, da imagem do Bôm Jesus que nos seguia com os olhos policromados, da Dona Antônia, do Fabinho, da Igreja Ortodoxa, do baixo estralando, do Daniel Leão, de tocar beatles, de viver as sextas e morrer aos domingos, e de principalmente ser meu. Saudades de sentir frio na barriga para beijar, de rir com a mão na boa após uma besteira, andar no centro descompromissadamente, dos amigos há muito já idos, já sumidos, já sentidos. Dá-me saudade do dia que eu ainda era rei, não só profeta da estepe; Dá-me o prazer da morte pela alegria que uma hora tudo isso acaba, e a libra dos homens será meu epígrafo: Se notarem minha bondade, serei santo; Se aclamarem só minha má conducta, louvado em Cristo pela minha morte serei. A libra de Deus me acanhará e me dará (espero) o convívio dos eleitos.
Deitado, vejo o côrpo dela quarando o Sol no meu quebra-luz, a abrir a janela, vendo o Sol nascer tão ímpar, com preguiça, me movo. Sinos tocam em algum lugar no espaço. O vestido curto evidência as coxas, que se sentam ao meu lado, e o riso morno denuncia o gostar, e o cabelo se confunde com carinho, o vento entra pela janela, e o sôm da voz me dá o sinal da dobração dos sinos, deitado com a cabeça em suas pernas, esqueço de mim, e morro no infinito de sua existência, e ao colher o último pensamento, antes de fechar os olhos, sorrio, pois enfim no último minuto tive o que lutei pela vida: A paz.
Ando cansado demais para tomar partido, apesar de ter minhas convicções, e muito triste para sorrir, apesar de querer fazer alegrias nos mais turvados corações. Minhas mãos não tocam mais a moça de vestido curto, e tampouco sorvem o mel da abelha, apenas querem rezar sintomáticamente, e alisam a barba, atestando que renunciei (a pouca) beleza fisíca que tinha, para não viver pelo mundo, e meus cabelos crescem para que a tonsura de minhas idéias não seja dolorosa. Me sinto confortável em poucos bandos, com pouquíssimos amigos, tomando o incrível café da moça de nome egipcío, me sinto bem quando louvo as coisas pequenas, puras e simples de coração - as borboletas que em suas asas levam a minha oração a Deus como mensageiras, na minha cachorra, nos archotes que ascendi no peito de meus conhecidos, quando pude levar o Evangelho, nos porres homéricos, no frango frito do Julioso, no vento que bate na beira do mar, na ruiva pequena, naquela história não terminada, dos barcos na marina, dos irmãos sendo irmãos, e da vida dando seus pequenos nuances. Sinto saudades da vida antes da vida.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Luz Dos Olhos.

Abba, não sei se tens lido essas pequenas cartas virtuaes que mando daqui do degredo para Vossa Santidade, mas, como Pai (forçado) Espiritual, sinto-me obrigado a escrever para vosmecê. Não numa obrigatoriedade paternal, eclesiástica ou espiritual, mas pelo Frade Eterno que nos ensinou a fraternidade extra-ordens e pela amizade que temos - e numa tentativa de esvanecer minha cabeça. Deus o abençoe pelo seu tempo e Deus me abençoe pelas minhas inúmeras tentativas de me re-erguer.
Tenho tido muita saudade de minha avó, e tenho a matado da melhor maneira possível: Ouvindo Gonzagão a tôrto e direito. Ao menos assim a sinto perto de mim, e consigo ter em mim um pouco da fé e vontade de batalhar pelo direito-temente de vida que a minha Rainha tem. Minha avó, por um pequeno imperfeito-perfeito de Deus não irá durar para sempre, e isso me atordoa, mas tenho a completa ciência que a missão dela está se cumprindo: Criou os filhos, aguentou os pesos da vida, viu os netos vingarem, Deus me deu a maior alegria da minha vida que foi ser criado por ela e ser instruído na fé Cristã, e aprender melhor as coisas (simples) da vida. Enquanto minha mãe tomou tôdas as rédeas de casa, provendo sobre nós três, minha avó foi minha mãe, e minha mãe foi meu pai, não deixando nada em absoluto me faltar.
E considero engraçado que mesmo com tantos (des)amores, os únicos amores que me valeram foi o da Mãe das Candeias, Mãe Cecília, Antônia e Dona Márcia. O tão óbvio nos pega pelas ventas e nos faz sentir tão bobos, não? Só me sinto cada vez mais feliz e jubilante ao Senhor por ter descoberto isso em têmpo e poder devolver tôda essa doação de vida e amôr que deram para mim ao longo de suas vidas - eu faço bem menos da metade da metade, mas luto para fazer o possível e quando menos imaginar, fazer o impossível.
Quero tôdo tempo que eu puder, e tôdo tempo quanto houver pra mim é pouco pra dançar com minha véa numa sala de reboco. Minha vó me ensinou a me recolher na oração durante as fases difíceis da vida, e louvar a Deus nas horas bôas, assim como a ensinou aos seus filhos. E não existe honra maior que eu ter ficado embaixo do mesmo teto que ela.
Se eu pudesse, longe e livre de meus pecados, pedir algo a Deus, seria que ela durasse o máximo de tempo. Poder curtir com ela, ouvir a voz da minha rainha, dizer a ela que estou me cuidando, que a Cookie vae bem, e tudo se mantém firme, e continuo rezando, que os frades vão bem, e tudo continua legal - e com as contas em dia. Quero que a estrêla maior do meu Céu nunca se apague, mas sei que o brilho eterno dela irá me guiar e alumiar para onde eu for. Mas, como esse dia (graças a Deus) irá demorar a chegar, até lá vamos curtindo.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Pois é, Seu Zé.

"A platéia só deseja ser feliz..."
Abba, sinto-me deslocado. Talvez, até egoístamente sozinho - há quem diga, maldosas línguas que deve ser o inferno astral. Quem me viu disse que era a quaresma, quem me sentiu disse que minha alma aboiava. Outras disseram que morri, mas a carne passa bem.
Sinto que meu coração, lentamente foi dissecado, e lentamente perdi os tinos e sensos de tudo, e hoje me sinto como o início de meu Salmo favorito (o 22º) desamparado de Deus, sozinho, e abandonado - mesmo sabendo que ele se encontra here, there and everywhere. Existem, ainda sim Abba, pessôas que me fazem desarmar as ventas e tornam minha vida menos triste neste mezzo-tempo. Maria continua sendo uma grande aliada minha, Bigous voltimeia faz a minha tristeza dar uns rolês, e Diana Pastôra me tomou como um dos dela, e me tratou como um dos dela. A vida, por mais triste e desesperadora que esteja sendo nestes últimos dias, não está sendo mais tão cã por conta deles tôdos - incluindo o Vossa Santidade Menor.
Deus ainda me sustenta pela destra e me guia, e talvez este medo todo seja por ser mais humano do que cristão e entender de uma vez por todas o que minha carne secular não permite: Os tempos divinos são diferentes dos nossos, e cada coisa acontece no seu devido tempo; Besta sou eu em achar que as coisas acontecem logo, e este tempo de preparação, de penitência, de contra-força, de zêlo, de contemplação me agonia tanto, me desespera, e me deixa assim, como se tivesse caído da mudança, ou como se eu fôsse o próprio Longuinho Lanceiro. Deus é quem me guarda, mas ainda preciso domar e catequizar a mim mesmo para os tempos divinos. Meu Deus, perdão pela minha intransigência enquão crente de Vossa Glória e Amôr; Dôce Coração de Maria, sêde minha salvação!
A falta do emprego ainda gera um desespero geral, mas não me deixa mais tão triste, meu maior medo é que eu não fique conformado nesta situação. Tenho um cão, mãe e avó para zelar e cuidar, afora meu futuro Terceiro para fazer, não posso me conformar. A maior virtude de um Franciscano me falta agora, que é a Irmã Alegria, e penso comigo mesmo que dos Terceiros, devo eu ser quem mais envergonho Pae Francisco, pelo fato de que não consigo cultivar e cativá-la por esses dias. Tenho sentido tôdos os sentidos do mundo, e o incerto me faz afundar os dedos na terra, enquanto me pego rezando para Deus não me deixar convencer pelo dinário do mundo, mas, me dando uma oportunidade de ganhar um dinário pra viver com dignidade - que encruzilhada, que bandeira.
Abba, ainda me cabe uma esperança cristã do amanhã, mas que parece tão longe, tão distante - assim como a alma de meu pai carnal, mas, ela ainda tem focos em mim, que por hora não consigo fortalecer ou deixar mais forte (tanto a esperança quanto a bôa alma de meu velho). A vida ainda sim continua sendo como uma imagem do Meu Glorioso São Jorge, em que sempre se apresenta em batalha constante contra do dragão da maldade, e só acaba quando a gente descansa - triste a sina deste trovador, não? - os xablaus nunca cessam, mas Deus está aí, guiando, e de vez em quando a gente esboça um sorriso amarelo, e tudo fica legalzinho, e a vida até parece que vai (não indo).
Uma amiga disse que eu nasci no mesmo dia que São Francisco de Paula também nasceu. 27/03. Meu avô se chamava Francisco, minha avó se chama Antônia, e eu sou o filho de uma devota do Pae Francisco, batizado numa igreja dedicada ao Pae Francisco, que pediu deste que eu estava no seu ventre para que êle me cercasse e me tirasse da lama do mundo, e bem, agora estou aí pelejando pra ser um Terceiro. É tão engraçado como Pae Francisco agiu na minha vida, e me reconduziu até o Divino, Abba, é tudo muito suspenso no ar e coincidente, mas, belo, carinhoso, parecia que já era para mim viver da vida Franciscana, e se devotar pelo Crucifixo de São Damião. O Cristo venceu a Cruz, e triunfante olhou pra Francisco, e agora, Francisco me conduz de volta do caminho que não deveria ter saído nunca.
Eu acredito, que estou voltando pra casa, bem acompanhado com o Pobrezinho. E espero quando chegar lá, que essa tristeza acade ou amenize. Amanhã, bomfrade, faço 26 anos, e não me sinto feliz, nem triste, me sinto apenas mais velho e mais experiente e com mais vontade de me perdoar pelas cagadas cometidas ao longo da vida, e de perdoar quem me quis mal, e seguir uma vida cheia de Deus, e cheia de paz. Mesmo que neste atual cenário mundial me pareça impossível.
Mas, ando fazendo pequenas coisas, para logo fazer o possível, e rogo a Pae Francisco que eu logo após isto consiga fazer o impossível.

1 Pe 3; 11.
Nm 6; 24-26

T

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Dashboard.

Quero sentir o gôsto de tua boca. Sentir como sinto o gôsto da cerveja, o gôsto da infinidade, a interatividade dos Céus quando pesavam em meus ombros, e meus olhos eram capazes de fitar aquilo que não se nomeia, mas ousamos dizer que é bonito.
Minhas mãos não me obedecem, e seguem até o rumo de suas fotos, e minhas audições procuram as vibrações que emanam de você, sua voz, seus sons, e meus olhos não me respeitam e te procuram na vasta e extensa Avenida, e algumas músicas arremetem aquele dia, e aquela noite parece ter sido ontem, e cria-se uma expectativa que logo, tudo se acerte e se aceite. Apenas o vento que venta nos cabelos diz coisas que só a mente ousa dizer, e apenas as pessôas que tanto nos estimam dizem; Ou dão a entender.
Quero dar em mim, um gôsto do Sol, do cabelo cristalino da velha senhora que dá danone pro Zécão, quero a geral arrepiando num grito de gol, o carinho da mulher amada, e mesmo neste pouco, no pouco que tanto busco, no pouco que para mim me saciaria e transbordaria, sei que é isto: É isto que eu quero, é isto que busco, e isto que preciso. Logo, quase me esqueci dos dias fitando o Tau de Damião, e logo, me esqueci dos pensamentos perdidos enquanto acima do viaduto, e logo me esqueci de mim - esqueci até da resposta a tudo isso, e a Zécão tava com ração no pote mais comeu um danone que a Velha Senhora deu pra ela. E eu apenas continuo pela razão que me trouxe aqui. E até agora, as últimas cinco linhas foram uma tentativa inútil de fazer esse texto de ordem social sair de foco em você, mesmo caindo por terra agora.
Deita minha cabeça na campa fria, e quando os olhos turvarem, beija minha testa. Desalinhando meus cabelos, sei que você vai conseguir alinhar minhas idéias, e segurando meu ímpeto vai liberar meu desejo, e trancando meu amôr, será sacrário de algo maior que eu consiga ou possa imaginar - quando seus olhos, novamente, cruzarem os meus, palavras não vou dizer, nem ousar cingir seus olhos. Time well tell us.
Quanto aos sons, serão sempre sons, são usucapião da metáfora de gostar, ser e estar. Nada é real quanto a turvação dos Céus sob o Sol, e nada é tão sincero quanto o sorriso de quem achou cinco reais no bolso da calça que ia pôr pra lavar.
Nada é tão real quanto essa minha vontade de môrder o teu perfume.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Action Woman.

Há (vera) sorte;
Em saber que num fim-de-semana fui rei.
Ao lembrar do pedido na terça/a música de quarta/a cerveja de quinta/solidão de sexta
(você já dava seus sinais de vinda, eu que não me apercebi de imediato)
E a convite da amada, ao encontro dos diásporas, iguais a mim
Lá estava você:
So woman and so childesh.
pretty and fine
God protect me for take u for a beer
Ao apresentar-nos, cingi meu rosto, pois já havia lhe visto desde que me adentrei naquele local - e era linda
É linda, eia!
E ao ver o amigo e o felicitar, a banda começou a inebriar o sôm
(e nesta altura eu já me inebriava de você)
Foi quando vendo as byrdies a dançar
E The Litter inundar o salão, lá de longe te olhei - e tu, olhando de volta, sorriu.
Maybe? Cheguei perto
No mesmo murete, tentando puxar qualquer merda de assunto apenas pra ouvir tua voz once again
(Deus, como sou trouxa pra essas cousas...)
Já sei: "É um Doc?"
E você sorriu(!), e respondeu, e cerveja de amêndoas (tinha gosto de toddy)
O cabelo longo, franja reta, meia de criança
So woman and so childesh
Você riu
Você se aproximou
Você me beijou
Você me extasiou
Você me desarmou
Você sorriu
Você
Eita.
E mais uma cerveja, mais um beijo, mais um sorriso, essa banda é bôa, e você, encostada em mim, seu perfume, avenca no braço, Baden Powell, raízes, dignidade e continuidade. Bill Murray. Preciso ir embora. Te add no instagrão, a casa (já) é sua.
E, após tudo isso, fica o questionamento:
Quando lhe verei de novo?
Será?

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Samba de Orly.

Entendo a vida como ela é, e pelo que ela há de ser. Não por mais, nem por menos, mas, seguindo sua linha rasante de pensar, sentir, e agir. Vejo muitas pessôas infelizes com suas almas vendidas e sonhos roubados por outras pessôas, que nem ao menos os roubam para os viver, mas, para se moer no Moinho do Centro do Mundo. Vejo zumbis que se degladiam em busca de lugar nenhum, pelo simples fato de ter apreço pelo “não ser nada e nem ninguém”, mas, se esquecem que até mesmo o vazio tem um propósito, uma forma de vida, um porquê – as pessôas querem ser tão autônomas que em sua independência, acabam dependendo dos outros, para ser arrimo, consolação, ou sparring.
Me desculpe, não faço parte deste bando.
Quando me entitularam “profeta das estepes”, apenas consumi em mim o que sempre consumi, dividi o que sempre dividi, e fiz, faço e com a ajuda de Deus farei o que sempre farei: A música, devidamente chamada de Cecília, os amigos, os auxílios – carnais e espirituais, as cervejas e os andares, pesares e intensidades; Tudo isso foi medido e avaliado para ser meu, em apelido, que hoje se faz sub-nome. Sub-nome que gosto, e me sinto abençoado por têr, e honro a cada dia que se passar. Eu mudei, mas, não mudei. Mudam-se as carnes, pelos, pensares, agires e fulguras, mas minha essência, alma e lampeijo ainda se fazem em mesmo. Eu não mudei. E nem pretendo.
Me desculpe se minha camisa não parece tão bem-passada. Eu mesmo a passo. Não dou a minha vó ou a minha mãe a incumbência de algo que elas já me ensinaram a fazer inúmeras vezes, comno também peço perdão se minha roupa não está tão alva: Eu não aprendi a batear com tanto afinco, por isso talvez algumas camisas minhas estajam sim se amarelando, mas, estamos trabalhando nisso, ou até mesmo me perdoe o tempero carregado no feijão, mas o sangue mineiro pede este toque, assim como a minha fé, minha complacência, e minha pérola. Não profiro mais palavras tortas, e nem prossigo em coisas perniciosas, mas, apesar desta aura tão “sacra” que eles me falam que estou a tomar, ainda sou o mesmo: Ainda danço samba-rock, ainda bebo, tenho minhas camisas, meu coração bate forte pela menina de cabelo escuro e tau no braço, ainda me emputeço com o sistema ferroviário, e vibro quando acho dinheiro na rua. O que assusta é: A partir do momento que você muda, as pessôas não lhe enaltecem ou vibram com sua nova forma de vida, apenas lhe tecem viés e pedras – Não se agradam por ver que você está buscando uma melhoria, ou que você simplesmente está se sentindo melhor assim.
Não te pensa, nem por um segundo, que me faço de bôbo, pois não sou. Fui ao mundo, vi, vivi e senti dores e prazeres, mas hoje me faço limpo porque cingiram-me a face, lavaram me o corpo e disseram: Caminha – e aqui estou. Não te pensa que não sei o que é mal, ou a manifestação da maldade, sei muito bem; E digo que de mim, a sinceridade e minha ingenuidade, fôram presentes que pedi a Deus Pai e Êle em sua misericórdia infinita me aceitou, me honrando com seu signo sob minha efíge, se te olhas nos meus olhos, não se sentes atraídas por mim, mas pelo Amôr que é amado por mim, e que me faz ser assim, “diferente”. A saída do mundo maldoso, para estar numa nova fase da vida e compreensão do mundo, e realmente ser uma pessoa melhor é bem dolorosa, lancinante e extasiante, mas, vale cada segundo, pois, minha pérola não se compara a nada, e minha vida agora tem mais brilho, e da ruína de minha carne se fez uma nova oportunidade para honrar os que amo, estimo, e guardei em minha alma - Sou água parada, mas sou bem turvo; Uma pena que você ainda não possa me entender, mas, se quiser eu lhe explico um dia desses.
E a vida – como sempre – continua.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Osanah.

Eu não estou onde eu queria, e isso me deixa tão feliz - você nem imagina o quanto. Outro dia joguei tantas roupas fora, tantos bilhetes, cartas, nostalgjias de um tempo ido, um passado que ainda habitou o presente, um perfume que ainda lasciva as narinas deste contra-cronista. Achando escritos meus - crônicas rudimentares dos meus 16, 17 anos - lembrei dos meus sonhos, planos, ideais e ilusões, feitios e fetiches, e de como cresci diante do adverso e do universo, como eu estou tão forte, incrivelmente forte a tudo que veio me sobrepujar. Eu me senti alguém que venceu na vida, e bati palmas para o universo e sua contra-fôrça, pois, não me deu o que quis, mas, o que mais precisei para acalmar a alma. O corpo. A mente, ainda não.
Após lembrar de tanta cousa, me remeti ao meu passado, época tão distante e tão próxima, tirei a camisa, camiseta, e me prostei em frente ao espelho: O balofo gordo cresceu. Hoje tenho um cabelo que me satisfaz, uma barba que bem ou mal está aí, minha barriga diminuiu, mas, ainda sim vejo as marcas de navalha no meu braço que a tatuagem não pode esconder, vejo um braço menor que o outro, as marcas de espinha, a lânguidez de um corpo turvo. Posso ainda estar horrível, mas, ao menos estou melhor do que antes. Um pouco melhor.
Voltei ao quarto, e coloquei aquele velho disco de fazer-pensar, e pensei na ignorância das pessôas, na relatividade da vida e quantas eu perdi em carne (mas não em espírito), quantas me afastei e quantas se afastaram de mim, quantas me sangraram e quantas eu vi outras pessôas sangrarem. Vi a degradação do ser humano, a maldade ser via expressa, e as pessôas que se afastaram simplesmente por não ter peito por se deixar sangrar, ou por sentir um sangue que escorre por elas. Lembrei de tanta gente boa que há no mundo, e lembrei daquele velho músculo que coloquei num baú trancado que joguei no mar férreo. Lembrei da vida que me coube, da vida que me tem, e do corpo-a-corpo que joguei com ela, e hoje não mais, nem nunca mais, hoje eu estou jogando fora cada sentimento, cada pedaço, cada razão, cada viver, cada ter. Estou deixando tudo isso pra nunca.
Achei uma foto: Ela olha sorrindo pra êle, e êle olha para o horizonte, com aquela cara de piranha sem dente. Achei uma medalha, com sete linhas de umbanda. Achei um texto de um amigo, um desenho de uma amiga, um ingresso de um show, a palheta de um dos meus heróis, um pedaço de pano da roupa de uma colombina, um voto, achei o projeto Baden Powell, dentes, achei letras e textos, um devocionário de São Paulo, e um terço. Achei uma carteirinha de universidade, achei um bilhete de um amado, outra foto: Um homem, com seu filho no colo, rindo, uma farra. Outra foto: Uma Rainha, segura seu neto mais novo no colo, com as mãos fechadas pois estava com a mão molhada de lavar a louça, achei aquela última garrafa de Original que tomei naquele apartamento; Guardanapo de Pizza Hut com a irmã no Tatuapé, patuá, Salve a Rainha com a letra dele. Achei coisas que me lembraram da vida antes da vida.
Percebi, após achar tantas coisas minhas, tantas coisas compartilhadas com as histórias da minha gente, que a vida continua, e que eu nunca quis, mas, Deus me levantou mil vezes das mil vezes que caí. Que Deus me segurou quando eu ia cair, e que por intermédio d'Êle, tive amigos (alguns eternos, outros veraneios) que me ajudaram, tiveram comigo e foram por mim. Tive amores eternos de quatro meses e histórias mal resolvidas. Tive prazer em trabalhos, e trabalhos em coisas prazerosas, e apesar ainda dos meus trejeitos, formas e manias, continuei a jogar fora coisas, peças, pessôas, tudo aquilo aonde eu não me cabia mais, ou me fazia mal; Pior: Que desacreditava de mim, que não me aceitasse nas minhas deficiências, ou que quisesse/quiser me podar de alguma forma - aprendi que quando gostamos de uma pessôa, a aceitamos e estamos com ela, independente de seus jeitos ou tato, a aceitação, afinal. Hoje de manhã, após essa limpeza, vi que minha vida neste terral está no fim, e começo a rumar para um lugar diferente, aonde (talvez) um desafio maior me espera. Algo maior que eu nunca vi, vivi, ou senti. Algo que em parte anseio, em parte quero desistir, algo que em parte peço para não ter, mas sei que preciso. Coisa que só posso explicar aos ouvidos que querem realmente ouvir e entender o que se passa na minha massa cinzenta.
Percebi, que as memórias sempre hão de existir, e as cicatrizes de algumas também. Mas apesar de todas as recordações - boas ou ruins - a vida continua, e este é o milagre maior da vida. Tôdas as coisas passarem, e pela vida afora eu vou jogando fora as coisas que eu guardei por guardar, apenas para manter em mim tudo aquilo que só me deu bonança, e que me fez o que ser o que sou hoje.

terça-feira, 28 de março de 2017

XXVII (Completo)

N. do E.: Texto em versão completa, maçante e sem cortes. Quem pôde ter acompanhado a versão fragmentada aqui vai achar trechos a mais, poupados durante a divisão do ensaio. 

Calado, ao meu peito permaneço em meditação; Saio dos extramuros de portas pesadas e férreas para novamente me meter nas construções de homens, com assuntos de homens e pensamentos vilipendiosos. Eu sou um homem, faço parte dessa máquina mercantil, meu sentir pede socorro, pois a cada dia, a cada segundo, a cada hora, hordas de anjos, senhores-de-lei, músicas, escritos, amigos, pessôas-das-geraes me lembram e me fazem afirmar que não sou daqui. E quando tento diariamente me tanger os olhos com o ferro quente da realidade, Deus novamente me brinda com um Céu, uma garôa, um frio, uma cerveja, uma bôa conversa, ou apenas uma fôrça que nunca foi nem nunca será minha, como teimosia de criança, para seguir em frente, que minha recompensa está a vir. Minha recompensa, leitor, é a morte. Nada mais, nem além disso. Na morte encontro a paz, na morte encontro Seo Fábio, na morte encontro Jesus Cristo, Nosso Senhor. Na morte encontro tôdas as respostas que sei que aqui de forma alguma terei, por isso cada vez mais quando me enrolam em espirais de ilusão, bobeira de fim-de-feira, me deixo atrair, pra me ver se naufrago logo; E assim encontrar minha paz, e em contra-partida dar a paz a quem está ao meu lado. Esse côrpo é meu empréstimo para pagar outra dívida, assim como essa vida é para saudar e mostrar que até aqui no degredo, tem gente boa, feliz, altiva e inteira (que, obviamente, não sou eu). Não pense, leitor(a) que com isso tenho tendências suicídas, ou depressão, muito pelo contrário. Filho de enforcado não repete erro, e além disso, me fiz, me vi, e estive sozinho por tantas vezes, que me acostumei com a solidão, e quantas vezes mais lutei por ter gente ao meu lado, para ver se a vida não valia com alguém do lado (amigos, namoradas, esposa, consorte...), mais descobri que as pessôas andam mais solitárias, egoístas, e vivendo umas espécie de queda-de-braço: Não te assumem o que sentem, mas, se o faz primeiro, vira réu delas, e mais além; Te corre risco de sangrar, e quem sangra primeiro não é errado, mas é quem é mais cristão, amou o outro como a si, tomou o outro pra si, como se entregou ao outro: As verdadeiras mãos que são sujas de sangue estão ocultas - tem do mêdo, da má alheia, e não sabem como agir quando encontram um carneiro em seu holocausto, apenas se tremem e se refugiam em seu infinito particular. O sangue inocente nas mãos, no fim das contas, são também de mãos mais inocentes ainda, por não se deixar ir adiante, ou se deixar viver, ter; Dizem-se tanto, e pouco se são, e muito se enchem do vazio, e na hora da vera, é tudo tão tardio, é tão triste, e as pessôas que se eiam, no final das contas são as que mais vazias estão. Elas dizem se comungar com o amôr, mas, o amôr do qual eu comungo não tem fim, prazo de validade, ou como-se-porta. Ele é o Amôr, tão só, somente, é. A vida é mais simples - algumas pessôas que a complicam. Se agregaram em mim o amôr sem fim de uma vida renunciada, a contra-fôrça, e a fé de Dona Antônia; Elas me fizeram dar o passo descompassado e viver o que vivo, sentir o que sinto, temer o que temo, e almejar o que não consigo nem imaginar possuir; Faço do vento, veículo aonde jogo estas palavras, pensamentos e sentimentos, e que cheguem aos ouvidos, olhos, bocas e corpo, pois meus não são meus, agora - mais do que antes - se pertencem a geral: Concórdia, Cecília, Bep, são da geral, são amarras que me desatei, e aquela camisa do Corinthians nem uso mais, e até mesmo o velho anel do Santo Guerreiro, penso em deixar em desuso para cada vez mais aderir essa vida. Minha vida. Sua vida. A vida, em si. Quando se vive para Alguém Maior, se esquece de si, das horas, dos dias, se esquece até mesmo de tudo que um dia possa ter ocasionado dôr. E por mais que algumas ainda façam o músculo repuxar, tudo isso passa, tudo isso acaba, tudo isso é deixado de lado, para dar lugar ao que realmente importou, importa e há de importar cada vez mais na vida daqui por diante. Me importa apenas fazer o bem, e sentir que de alguma forma o bem me invade, dando o elo da minha vida, da minha geração, de honrar e fazer parte do meu passado, de meu presente, e do meu futuro, naqueles que carregarão meu sangue, o Santo Guerreiro se apeia em seu cavalo, assim como o Pai da Rainha apeiava em seu cavalo, e ia para a beira do São Francisco para negociar peças de madeira, ferragens e talhados, o cavalo corre, mas a rédea o mantém sob o domínio dele, e com um grito: 
Eia! EIA! Deocleciano, minha fé se reside em ti. Tão só em somente em cada um dos meus - idos, estados, futuros. Deocleciano é Patriarcha de tôda essa gente humilde, feliz, o Pai da Rainha Original. O pioneiro do degredo que dobrava ferro e pregava madeira, apeiava no cavalo e descia a correntina até a Quinta da Bahea para ir ver o Nosso Senhor do Bonfim. Deocleciano é o difusor do Ofício, que se reside em cada um de nós, em cada um de cada seu, que ainda sim reza sem parar, porque Nossa Senhora está de joelhos. Deocleciano é o pendão imaculado de fôrça, de fé, de perseverança. É quem nos trouxe até aqui, dando sustâncea na farinha de Dona Antônia, dando fôrça de lá do lado de lá, e aqui, nós fazemos nossa parte, nos mantendo, nos cuidando, nos tendo.
Para cada raio de Sol, há uma prece, Seo Deocleciano, eu sei disso hoje mais que nunca - um prefixo dedicado a uma prelação, e a cada brumeio, um agradecimento; E mesmo que nós na nossa humanidade carnal raramente consigamos ver o que está a acontecer, existe e sempre existirão pequenos milagres: Os dois reais achados no bolso da calça, ir sentado no metrô, o café de graça dado no serviço, e a cabeça que ora pende pra alegria, e ora luta para se permanecer em alegria. Para cada gôta de chuva, existe uma benção, e por isso ando sem guarda-chuva e deixo me molhar, para me sentir vivo, para cada grão d'água molhar meus cabelos e cingir minha face, e se misturando com meu olhar, talvez aia de vingar uma lágrima de alegria. Talvez.
Quando nós, na nossa leiga ignorância, vamos nos desenvolvendo e descobrindo com o tempo tudo o que estava a nossa frente, nós rasgamos mais um véu que nos cegava, com isso, temos a vida verdadeira em nosso olhar, nossa mente, nosso coração. Pois, ao rasgar o véu cegante da ignorância, nós nos abrimos para o inonimável, e para uma alegria que não se têm fim - é como se ouvíssemos Baden Powell a tocar na nossa sala. É o Divino, é o Espírito Santo no Sacrário abaixo da imagem de Jesus Crucificado. Um Jesus tão pobre, tão amorenado-de-vela, tão frágil, tão ferido, tão môrto, tão por mim, por você, por nós... Faz-me um favôr, desce até a dobra da rua, aonde havia um rio, ali se deve fazer o bem, e novamente, e novamente, e novamente, até se cansar. Sobe o elevado, e cruza a avenida, ali também se pode fazer a vida renascer, ali pode-se dar o bem com bem, e fazer a bondade aflorar. Em tôdo lugar há uma chance de ser bom, mas, bom de verdade, bom de alma. Em tôdo lugar vejo uma chance de honrar Deocleciano, Antônia e Márcia.
Quão cansados estão essas pessôas que se degladeiam e se machucam pelo prazer de se sentir bem, de ver lágrimas e dôr brotarem de outrém - dessas pessôas, devemo-nos cada vez mais nos aproximar, e nos fazer casa e caserna delas, devemos dar amor, carinho e morada. O ser humano não é mal, êle apenas se perdeu no labirinto da ganância, do medo, e de não conseguir ver atrás do Véu de Deus, e nisso se achou maior ou no mesmo patamar que o Dulcíssimo. Não existe dôr, nem maldade, isso é invenção do feo.
Aonde nos cabe, estamos, e a cada porta estreita, nos devemos encolher mais, e deixar que os maus sejam maus, mesmo não sendo, e que os bons se elevem até o Divino, e desçam até a terra batida pelos homens que não entendem da lição que foi deixada no evangelho. Eu ainda estou na minha estrada, estou no meu rumo, tenho meu dia bom, e agora, tenho minha fé. Há um Cristo crucificado, tão mirrado, tão machucado, tão por mim... Por quê não poderia eu estar no lugar dele? Por quê sofrer tanto por mim? Pantocrator deveria muito bem saber que gente do degredo igual a mim tem pecados de levas. Mas, mesmo sabendo de tudo, o Triúno morreu por mim, pelo leitor(a), por cada um de nós deste vale de lágrimas, e apenas nos cabe o respeito, a admiração, a fé, a devoção. Nos cabe o amar em irmãos-em-Cristo, e nos perdoar, para vivermos melhor, e quando o barco virar, não ter medo de morrer.Eles se denominam tão maiores, tão melhores, mas são tão pequenos junto a Deus. Eu oro por vocês, multidão que não quer se enxergar no espelho, vocês medem a sujeira alheia mas não reconhecem a própria, vocês tão livres, tão gente aberta, tão de bem, tão seus, tão autorais, mas não entendem nem um terço do plano do Autor original. Eu sou redator das cartas de anjos, irmãos, santos, mendigos, professores, mestres, e biscoitos, vou redigir um segredo para vocês: Escrevo como escriba, porque como homem, eles não me respeitam. Me faço jornalista dos versos mais pobres, carentes de atenção e de olhos ávidos dessa ávida multidão, e peço a Deus, fôrça para desenvolver cada vez mais linhas, para cada palavra sonar na cabeça de quem sente, e neste fragmento de suma, deixo ao vento que diga as coisas mais incertas, pelas mãos minhas, tão feridas, tão sôfregas, tão minhas, tão de Deus. O dôm não é meu, a carne é emprestada, sou o mensageiro, não quem promulga, aceita e diz da mensagem.
A maldade do mundo tem nos feito frios, insensatos, maldosos e corruptos, roubando nossa própria felicidade e desejando o sangue - privando o riso aberto num dia de Sol pelo riso forçado ao querer impressionar pela qualidade de dentes brancos que se tem na boca. Cala tua boca, e deita-te na tua cama. Pensa nos teus atos, pensa na tua vida, e dorme, dorme o sono que Deus te vela, que neste sono te encontre a paz, que neste sono te encontra a felicidade que te cabe, e não a que te mede no alheio, e que sua verdade seja água.
Amanhã há de ser bem melhor.
Quando se lava as mãos antes de comer do alimento, de carinhar quem se ama, ou antes lavar o rosto, você se purifica, mas, porque não lavamos mais a alma? Por quê nós não aceitamos a simples idéia de renovarmos nossos laços e sermos quem precisamos e prometemos ser a nós mesmos, e na frente da assembléia da massa, há tempos tão idos, tão longíquos que nem mesmo as mãos do tempo ousam tocar, mantendo a lembrança num relicário de vidro e madeira aonde se vê, mas não se toca, nem se encosta, tampouco se sente. Lembranças, daqui desta clausura, serão minha pedra angular no futuro, e me ensinarão mais ainda a não temer a morte, nem as pessôas, nem de ser quem eu sou, preciso ser, ou qual bandeira levantar; Muito pelo contrário: Eu não sou meu juíz, mas, sou meu próprio carrasco.
Divino Espírito Santo, terça parte de Um Deus Tríuno, esteja comigo, e me faça entender como Vocês ao mesmo tempo são Um, e como tôda a alegria que perdi, encontrei na Vossa Presença. Ajude, a cada pessôa perdida como eu a se encontrar, e a quem está perdido no Vale de Lágrimas, a se encontrar, a se perdoar, limpar-se desse lôdo e seguir viagem carreira adiante nesta sinuosa estrada, e ter da concha-forma-mão para tomar no assude, comer do pão que lhe ofertarem na estrada, e sentir a fresca da manhã lhe tomando a cintura, num abraço sincero; Aprende que a vida tem bem mais no menos, e se perdoa de nunca ter vivido isso antes, e que quando você aproveitava as coisas pequenas da vida, você não aproveitava genuinamente - como eu tardiamente aprendi a apreciar, e aprecio agora: Amigos, hoje, na minha cama, encostada ante a janela de quase um século, vejo a garôa cair, e uma gôta está pendendo na ponta de uma folha de uma árvore que está para cair, e não cair, e me sinto agora como esta gôta, me encontro num cai-não-cai impossível de ser descrito, mas só sabe quem sente, vive ou viveu isto. Nem sei mais que horas são, mas se eu puder, mensuro três-quartos de hora perdida esperando essa gôta cair, mas intactamente ela repousa. Será esse o orvalho que minha avó tanto fala? Será que tôdos esses pensamentos são necessários a ponto de não me deixar dormir, e desejar que eu estivesse no colo da que amei por último, e que nos beijos, ventre, seios, sorriso e abraço dela, eu pudesse me valer de algo? Será que a madrugada é mais sádica dos que os seres humanos que vejo trafegar na rua? Será que tudo isso é realmente tão necessário? Será que ela ainda ao menos pensa em mim? Será que eu devo abandonar essa caravana e mais uma vez - inutilmente - mostrar e dizer o que eu sinto, e contar - mil por mil - das flôres do jardim? Será que foi só uma estrêla de fuligem rápida e fulgurante, que finalmente me pôs no lugar que nunca deveria ter saído? Ah, noite, reina em mim, e de uma vez por tôdas, deixa seu pensamento reinar sobre mim.Ah, madrugada, vem reinar em mim, e me faça criança para nos braços da Consolação eu ser ninado e dormir no colo da mulher mais que amada e dormir bem; Guarda-me na barra do teu sari para o feo não me ver, e não me sentir, e quando me sentir pronto, me pega pelos braços e me carrega pra teu lar, me leva pela mão porque eu não sou mais meu, sou mais teu do que qualquer outra coisa, Consolação. Sou teu e de mais ninguém.
Escreve, escriba, escreve. A noite é longa, e ninguém pode te salvar de ti mesmo. Observa a gota que ainda está na ponta da folha, e que não cai - miraculosamente está suspensa entre o ar e a folha, e Deus a mantém, Deus a quer ali, Deus permite tudo o que acontece. Deus é amor, mas é justo, e a quem se porta com decência, honrado é pela mão d'Ele, e quem desvirtua o caminho, perdido está, mas pode ser achado se pedir uma candeia para nas mãos, dar luz para guiar aos pés; E Deus, depois de me dar um archote, me deu azeite, candeia e linheiro, faço minha candeia agora para guiar meus pés, e me manter longe do caminho que trilhei, para agora me ser tôdo inteiro, tôdo água. Nesta madrugada, escrevo ainda para que quando sair daqui, eu promulgue o que sinto, e quando chegar ao derradeiro dia do meu quarto-de-século, eu não me esqueça de tudo isso que estou a viver aqui nesta cama, nesta clausura, neste sentir.
Deus, faça sua morada em mim e abra meus olhos, pois eu não rasguei o Véu, apenas o levantei, e se fôr dos Teus planos, me deixa abrir os olhos para Te ver, pois só irei abrir, se Você permitir, pois, mesmo eu na minha ousadia de levantar o Véu, sei que não deveria. Mas, pela mesma sabedoria que Me deste, me questiono, se com os Véus, eu via vultos, preciso fechar meus olhos quando levantar os véus para eiar os olhos, pois, a olho nu, a vívida poderia queimar minha íris, e apenas na Sua presença, já me sou abençoado, logo, se eu puder Te ver, sortudo me sou. Senhor, abre meus olhos para Te ver.
Não posso, não quero, não devo. Abnego tudo isso apenas pelo fato de ter a paz que tanto procuro, paz que não existe em murais, cervejas, futebol, beijos, ou em conversas de fim-de-feira. Eu quero apenas pelo que minha alma anseia, que fracionado, é a figura completa da paz, mas, dividido, mostra-se como pequenas coisas geraes que nos fazem ao longo dos dias.
Te julgo o mal, e peço que saia de mim, fica em mim enquanto pode, maldade, para que me seja peso-de-prumo para entender o que se passa comigo, com os meus, com os da rua, e os que virão. Como tudo que existe é criação e oriundo de Deus, você há de ficar, mal, pois faz parte desta sociedade, e já está contaminado nos genes, sentidos e agir das pessôas. Mas em mim, não há de habitar, mesmo que interfira na minha vida, mesmo que interfira no meu ser, mesmo que machuque minha carne, mesmo que me faça mais besta, eu prefiro crer, eu prefiro ter em mim tôda a bondade que houver, e voltar a ser a mesma pessôa boa de antes - mesmo que me prive, que passe por constrangimento, e precise dar a cara para ser batida a tôdo o solo do chão, faço isso a partir de hoje voluntáriamente, porque sei que isso é o que deveria sempre ser feito: Acreditar mais, dar mais fôrça a vazão dos sentimentos, e deixar desaguar o amôr, a beleza da vida e o viver de forma ímpar, de forma magna, e quero acreditar e fazerem os meus ao redor acreditarem que todas as cartas vão chegar, que os sinos hão de tinar, e que tudo, magistralmente seja belo, lindo, humilde de coração e forte, forte como a fôrça que nos motiva. Meu Deus, que o gôl, aquele beijo da mulher amada, aquele solo de guitarra, o Sol que desponta na praia durante o bate-volta, a cerveja gelada, o abraço ganhado na hora da solidão, permite, Meu Deus que tudo isso seja digno aos meus, sem exceção, distinção, classe ou horda; Permite que cada um dos meus amigos, irmãos, profetas, professores, senhores, Seos, Donas, escribas, mamães, pessôas, pirañas, picles, biscoitos, raios-de-Sol sejam eternamente e extremamente felizes, como eu fui, sou, e irei ser ainda mais, Deus Meu. Somos reis, somos profetas.Na calada da noite, me calo, mas a alma fervilha uma série de prelativas para perturbar as carnes, e a mente ardilha mil caminhos para me inconformar com o atual estado das coisas, e me fazer provar do doce, do amargo, do que não se nomeia por respeito as palavras; Eu estou aqui a escrever coisas que não compreendo nessa suma para ver se alguém me ouve ou me sente perto quando eu não estiver no mundo. Não sou santo, e Deus me sabe disso - mas, saio desse mundo para adentrar e nunca mais sair de um mundo aonde realmente sou alheio, escolhido, aceito e bem-amado pelas distoantes dessa vida carnal.
Tôdas as coisas passam - menos os sentimentos.
A camisa dada, o sorriso ofertado, os lábios que se morderam, um longo abraço, o sorvete dando a alegria de um sábado, a música que invade o ouvido e toca a alma, tôdas essas situações tem embutidos algo que a carne, e a mente não produz, mas a alma transmite, a alma sente, a alma incandeia, e faz maior que tôdos nós; Ah, pessôas, se guardem no amor de Deus porque foi Êle quem valeu na hora da solidão e da morte, foi tão somente Êle que soube de tudo desde o começo, e lá longe, alguém que sobe no vapor de carvoar se entrega aos braços de Deus Rei nosso pai, e pensa que tudo poderia ser melhor se pudesse recomeçar a vida em outro plano, outra situação, outra vida. Eu, aqui, deitado nessa cama quente na noite úmida, penso igual, e por isso faço meus planos tão iguais ao mesmo homem que desceu da Quinta da Bahea pra tentar a sorte e vencer no sul. Meu coração é tão igual ao teu, nunca te vendo. Meu coração é igual o da tua esposa que cuidou de sete filhos, sem depender de outro homem, e que lavou muita roupa e hoje tem as mãos deformadas, as mãos calejadas, e tôdos os dias reza por cada um de nós, sem pedir nada em troca, ou até mesmo sem exigir um espólio. Rainha Maior que tudo, simplesmente é.
A fé de uma pessôa, além de hereditária, pode ser ponto de referência, pois, logo quando nos é dado um motivo para termos, utilizar, manter, ou dobrar nossa fé, nós nos espelhamos na fé de alguém, e na majora, usamos a fé de nossos antepassados para entendermos o conceito de Divindade, e o conceito de como ser grato, e como a fôrça regente do mundo provém de Alguém maior que tudo que pôssamos imaginar, aprendi fitando os olhos fechados e os dedos de minha vó trincando um rosário, que a única coisa que realmente temos ao nosso lado é Deus, e afora ele, tudo e toda qualquer coisa é passageira, e passível de perca ou abandono; E quando nos deixa, nos deixa de modo abrupto, mesmo tendo nos preparado - como tôdo santo dia na homília dos dias nossos pais nos dizem que uma hora não estarão lá a vida tôda; Mesmo tendo a preparação, quando o dia vier, ninguém estará realmente preparado.
Vou delineando meus dedos sobre o papel, sobre essa cama, sobre o travesseiro, e velhas recordações vem me tentar e me fazer lembrar do passado, e dos sonhos que naufragaram antes de se caber e meter em terra; A dôr tenta invadir meu coração, mas, dessa vez não posso deixar que ela me ganhe, não sem ter da luta, do sentimento, e mostrar que estou aqui para lutar pelo aquilo que considero justo, certo, sincero, pelo meu, que não é mais meu, e agora cabe (mais do que antes) ao Jesus Nazareno, e ao meu padrinho (porta estreita, porta estreita...)
A luz do poste invade o meu quarto e deixa um facho de luz forte e fino cruzar por tôda a diagonal, e eu, ainda a escrever sobre isso, continuo a exortar a bondade de Deus por estar aqui, mesmo com o sono começando a bater, e me fazer criança quando tem medo de dormir por conta do monstro que habita no ármario. Lembranças me vem a tona de corpos que se deitaram ao meu, bocas que beijei, amôres que amei desenfreadamente, e do último amôr que não pude amar, não pude contemplar em seu êxtase, e da dôr que ele me causou. Nuvens ainda me turvam a vista, e me deixam ainda triste, e me fazem lembrar de quem hoje me esquece entre brumas, e me lembram como uma escrita pode ser um divisor de águas e como a tristeza se fez como minha mãe, amiga, mulher e filha. Hoje, afogo minha filha, separo de minha mulher, rompo de minha amiga e sepulto minha mãe, essas ilusões, visões, turvações, o que for... Tôdas elas me dão a certeza que nada disso é pra mim, e que estou no caminho certo, mesmo com dúvidas, mesmo com medo, mesmo aprendendo justamente agora a sorrir e a enfrentar o universo.Mantém-me acordado, e não me deixa dormir agora, deixe eu olhar mais um pouco a chuva cair, e me motivar a estar vivendo o que vivo, e sentir o que sinto. Pega minha atenção e a cultive, cative, cada vez mais, e saiba que só você pode fazer isso, Deus - só para você devo largar tudo, e prestar a obediência, e o ato da fé absoluta e inexorável.
Desce-me até a mina d'água, e lava-me dos meus pecados, e deixa a carne ser carne, afogue a minha carne, para sair, sobressair, intervir, e vencer. Deixe-me, ao menos uma vez na vida, ser certo, estar certo, e viver certo. Deixe eu ser leve, calmo, puro e cristalino como a água que lava a alma, e que cinge a carne da alheia, deixe me saciar a sede de muitos os que procuram, para que eu os dê o que realmente procuram, deixe eu ser palavra, razonete, segredo, mistério, consolador, ouvinte, amigo e interlocutor. Deixe, com sua permissão Meu Deus que eu seja aquilo que êles mais tem falta, deixe eu ser meu, e que na minha concepção, a concepção não esteja certa ou errrada, mas que esteja sempre em paz e bem. Que em mim não exista um procedimento ou maneira, seleção ou recrutamento, mas que exista, de alguma forma o acolhimento para que eu possa ouvir e dar acolhimento a todos que andam cansados, e assim como o Samaritano, cuidar de quem mais precisa.
Eu quero ir aonde tenham problemas, desafios, coisas a se superar e integrar, quero ser a solução, não para ser quem ganha espólio, mas para fazer merecer o que espero ter lá na frente, e honrar quem me salvou.Você acredita no dia de amanhã, e nas coisas que podem acontecer no amanhã? Você acredita em tôdas as coisas que podem melhorar, ou que sentir as coisas estão melhorando ao longo de um dia vivido? Você acredita num amanhã melhor, aonde a chuva para de castigar, e apenas chove sobre a fôlha, no brumeio que vai te amar e te cercar de coisas boas, e acredita em tudo aquilo que mataram dentro de você pode se regenerar e ser maior e melhor que antes? Você crê que as chagas podem ser curadas e cicatrizadas, mas elas ainda estarão lá, elas ainda aparecerão, mas elas nunca mais irão doer, só nos farão ser partes de um tôdo completo chamado vida. Você acredita? Eu acredito.
Eu acredito em mim, nos olhos, raios, sorrisos, ventos, torrentes, e na cerveja gelada que fica no centro existindo alguém só para a beber, só a sorver, só a coexistir. Eu acredito nas pessoas, acredito em cada uma delas, e me desapego daquelas a quem me desfizeram e me resigno de ódio, piedade ou dôr - quanto a mágoa, ainda está a ser trabalhado; Estamos fazendo nosso melhor. A noite não pena em passar, e por isso me mantenho em apenas pensar, sentir, texturizar e refletir sobre tudo - e nada. Eu apenas creio que tudo isso é desnecessário, e eu espero que na medida do que já exagerei, esse desnível minimalista seja uma nivelação das contas desse rosário enorme e desvelado que me encontro há 25 anos rezando, e a 25 anos não consigo o entender, mas apenas o faço por obrigação, por dever, pela esperança, pela fé.
Concórdia, olha por mim daí, me mantenha na fé, e me deixe que na fé me encontre o caminho de volta pra casa. Concórdia, seja aquela a quem eu esperei a minha vida tôda, me deixe te ter, para que ao momento que eu te ter como minha, não abra mais meus olhos, e tudo que eu tenho - tudo o que vêes é teu, teu e de teu Filho. Você me mantém sobre teu sari, e daqui vou fazendo meu melhor, aprendendo a ser maior e melhor que tudo isso, mas me faça menor que tudo, menor que eles, e tire de mim tudo o que eu tenho; Para quando eu me encontrar só, dentro de mim, meus olhos se fechem em um véu, que apenas Você possa tirar, apenas você pode me fitar, cingir e tinar.
Desce-me até o Rossio, e que lá as pessôas que me viram, não me vejam, e as que já me viram um dia desses, não me reconheçam, desce pelas ruas e procura meu rastro, mesmo sabendo que eu não vou deixar. Estou deixando esse mundo, essa minha vida, para minha eternidade, para ser o que nunca pude ser antes, viver, sentir e entender o que nunca compreendi. Desce da tua plataforma e patamar e ouve: Eu não sou mais o mesmo.

terça-feira, 21 de março de 2017

XXVII (2-7)

Eia! EIA!
Deocleciano, minha fé se reside em ti. Tão só em somente em cada um dos meus - idos, estados, futuros. Deocleciano é Patriarcha de tôda essa gente humilde, feliz, o Pai da Rainha Original. O pioneiro do degredo que dobrava ferro e pregava madeira, apeiava no cavalo e descia a correntina até a Quinta da Bahea para ir ver o Nosso Senhor do Bonfim. Deocleciano é o difusor do Ofício, que se reside em cada um de nós, em cada um de cada seu, que ainda sim reza sem parar, porque Nossa Senhora está de joelhos. Deocleciano é o pendão imaculado de fôrça, de fé, de perseverança. É quem nos trouxe até aqui, dando sustâncea na farinha de Dona Antônia, dando fôrça de lá do lado de lá, e aqui, nós fazemos nossa parte, nos mantendo, nos cuidando, nos tendo.
Para cada raio de Sol, há uma prece, Seo Deocleciano, eu sei disso hoje mais que nunca - um prefixo dedicado a uma prelação, e a cada brumeio, um agradecimento; E mesmo que nós na nossa humanidade carnal raramente consigamos ver o que está a acontecer, existe e sempre existirão pequenos milagres: Os dois reais achados no bolso da calça, ir sentado no metrô, o café de graça dado no serviço, e a cabeça que ora pende pra alegria, e ora luta para se permanecer em alegria. Para cada gôta de chuva, existe uma benção, e por isso ando sem guarda-chuva e deixo me molhar, para me sentir vivo, para cada grão d'água molhar meus cabelos e cingir minha face, e se misturando com meu olhar, talvez aia de vingar uma lágrima de alegria. Talvez.
Quando nós, na nossa leiga ignorância, vamos nos desenvolvendo e descobrindo com o tempo tudo o que estava a nossa frente, nós rasgamos mais um véu que nos cegava, com isso, temos a vida verdadeira em nosso olhar, nossa mente, nosso coração. Pois, ao rasgar o véu cegante da ignorância, nós nos abrimos para o inonimável, e para uma alegria que não se têm fim - é como se ouvíssemos Baden Powell a tocar na nossa sala. É o Divino, é o Espírito Santo no Sacrário abaixo da imagem de Jesus Crucificado. Um Jesus tão pobre, tão amorenado-de-vela, tão frágil, tão ferido, tão môrto, tão por mim, por você, por nós... Faz-me um favôr, desce até a dobra da rua, aonde havia um rio, ali se deve fazer o bem, e novamente, e novamente, e novamente, até se cansar. Sobe o elevado, e cruza a avenida, ali também se pode fazer a vida renascer, ali pode-se dar o bem com bem, e fazer a bondade aflorar. Em tôdo lugar há uma chance de ser bom, mas, bom de verdade, bom de alma. Em tôdo lugar vejo uma chance de honrar Deocleciano, Antônia e Márcia.
Quão cansados estão essas pessôas que se degladeiam e se machucam pelo prazer de se sentir bem, de ver lágrimas e dôr brotarem de outrém - dessas pessôas, devemo-nos cada vez mais nos aproximar, e nos fazer casa e caserna delas, devemos dar amor, carinho e morada. O ser humano não é mal, êle apenas se perdeu no labirinto da ganância, do medo, e de não conseguir ver atrás do Véu de Deus, e nisso se achou maior ou no mesmo patamar que o Dulcíssimo. Não existe dôr, nem maldade, isso é invenção do feo.
Aonde nos cabe, estamos, e a cada porta estreita, nos devemos encolher mais, e deixar que os maus sejam maus, mesmo não sendo, e que os bons se elevem até o Divino, e desçam até a terra batida pelos homens que não entendem da lição que foi deixada no evangelho. Eu ainda estou na minha estrada, estou no meu rumo, tenho meu dia bom, e agora, tenho minha fé. Há um Cristo crucificado, tão mirrado, tão machucado, tão por mim... Por quê não poderia eu estar no lugar dele? Por quê sofrer tanto por mim? Pantocrator deveria muito bem saber que gente do degredo igual a mim tem pecados de levas. Mas, mesmo sabendo de tudo, o Triúno morreu por mim, pelo leitor(a), por cada um de nós deste vale de lágrimas, e apenas nos cabe o respeito, a admiração, a fé, a devoção. Nos cabe o amar em irmãos-em-Cristo, e nos perdoar, para vivermos melhor, e quando o barco virar, não ter medo de morrer.

segunda-feira, 20 de março de 2017

XXVII (1-7)

Calado, ao meu peito permaneço em meditação; Saio dos extramuros de portas pesadas e férreas para novamente me meter nas construções de homens, com assuntos de homens e pensamentos vilipendiosos. Eu sou um homem, faço parte dessa máquina mercantil, meu sentir pede socorro, pois a cada dia, a cada segundo, a cada hora, hordas de anjos, senhores-de-lei, músicas, escritos, amigos, pessôas-das-geraes me lembram e me fazem afirmar que não sou daqui. E quando tento diariamente me tanger os olhos com o ferro quente da realidade, Deus novamente me brinda com um Céu, uma garôa, um frio, uma cerveja, uma bôa conversa, ou apenas uma fôrça que nunca foi nem nunca será minha, como teimosia de criança, para seguir em frente, que minha recompensa está a vir. Minha recompensa, leitor, é a morte. Nada mais, nem além disso. Na morte encontro a paz, na morte encontro Seo Fábio, na morte encontro Jesus Cristo, Nosso Senhor. Na morte encontro tôdas as respostas que sei que aqui de forma alguma terei, por isso cada vez mais quando me enrolam em espirais de ilusão, bobeira de fim-de-feira, me deixo atrair, pra me ver se naufrago logo; E assim encontrar minha paz, e em contra-partida dar a paz a quem está ao meu lado. Esse côrpo é meu empréstimo para pagar outra dívida, assim como essa vida é para saudar e mostrar que até aqui no degredo, tem gente boa, feliz, altiva e inteira (que, obviamente, não sou eu). Não pense, leitor(a) que com isso tenho tendências suicídas, ou depressão, muito pelo contrário. Filho de enforcado não repete erro, e além disso, me fiz, me vi, e estive sozinho por tantas vezes, que me acostumei com a solidão, e quantas vezes mais lutei por ter gente ao meu lado, para ver se a vida não valia com alguém do lado (amigos, namoradas, esposa, consorte...), mais descobri que as pessôas andam mais solitárias, egoístas, e vivendo umas espécie de queda-de-braço: Não te assumem o que sentem, mas, se o faz primeiro, vira réu delas, e mais além; Te corre risco de sangrar, e quem sangra primeiro não é errado, mas é quem é mais cristão, amou o outro como a si, tomou o outro pra si, como se entregou ao outro: As verdadeiras mãos que são sujas de sangue estão ocultas - tem do mêdo, da má alheia, e não sabem como agir quando encontram um carneiro em seu holocausto, apenas se tremem e se refugiam em seu infinito particular. O sangue inocente nas mãos, no fim das contas, são também de mãos mais inocentes ainda, por não se deixar ir adiante, ou se deixar viver, ter; Dizem-se tanto, e pouco se são, e muito se enchem do vazio, e na hora da vera, é tudo tão tardio, é tão triste, e as pessôas que se eiam, no final das contas são as que mais vazias estão. Elas dizem se comungar com o amôr, mas, o amôr do qual eu comungo não tem fim, prazo de validade, ou como-se-porta. Ele é o Amôr, tão só, somente, é. A vida é mais simples - algumas pessôas que a complicam. Se agregaram em mim o amôr sem fim de uma vida renunciada, a contra-fôrça, e a fé de Dona Antônia; Elas me fizeram dar o passo descompassado e viver o que vivo, sentir o que sinto, temer o que temo, e almejar o que não consigo nem imaginar possuir; Faço do vento, veículo aonde jogo estas palavras, pensamentos e sentimentos, e que cheguem aos ouvidos, olhos, bocas e corpo, pois meus não são meus, agora - mais do que antes - se pertencem a geral: Concórdia, Cecília, Bep, são da geral, são amarras que me desatei, e aquela camisa do Corinthians nem uso mais, e até mesmo o velho anel do Santo Guerreiro, penso em deixar em desuso para cada vez mais aderir essa vida. Minha vida. Sua vida. A vida, em si. Quando se vive para Alguém Maior, se esquece de si, das horas, dos dias, se esquece até mesmo de tudo que um dia possa ter ocasionado dôr. E por mais que algumas ainda façam o músculo repuxar, tudo isso passa, tudo isso acaba, tudo isso é deixado de lado, para dar lugar ao que realmente importou, importa e há de importar cada vez mais na vida daqui por diante.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Concórdia.

Concórdia, a ti entrego minhas aflições, porque sei que antes mesmo de me existir, você me escolheu pra ser teu e me amou primeiro. Por isso, obrigado. Obrigado, pelas horas em que mais estive aflito, seu abraço ter sido minha casa, e quando me senti só, você inúmeras vezes também me tirou da solidão, e me fez teu menino, botando a mão em meus cabelos, secando as lágrimas minhas, e me fazendo dormir no teu colo. Eu me lembro, que na hora mais difícil, quando as mãos trêmulas não cabiam na carne, você mesma pôs minhas mãos sob as tuas, e com elas acaríciou teu rosto, e me disse: Vai ficar tudo bem. E ficou. Me recordo mais ainda, que na dor, você sorria e dizia: Acontece, menino. Segue o jogo - e novamente íamos eu e você contra o mundo, como duas pessoas sem medo de nada.
Concórdia, éramos imortais ou foi o mundo que cresceu demasiadamente? Hoje não mais ouço das tuas palavras, e raramente te vejo, como se nossa comunicação estivesse bem bagunçada - seu beijo na testa me faz falta, e quando eu ando sozinho nas ruas, procuro em cada rosto o teu, e a cada avenida, tua voz. Você me abandonou, ou eu que não mereço mais da tua presença? Minha devoção a ti é como a de quem veste a camisa do time, e segue de encontro a torcida rival para defender os seus - eu estou morrendo e só dependo de tua permissão para ser feliz, para sair desse mar de lama; Voltar a fazer sessões rítmicas de quatro pontas com você, ou descobrir quantas vezes eu poderia beber sem ser bêbado; Ah, Concórdia, você se lembra dos braços dados, a chuva que caía contrastando com o Sol? Eu me lembro perfeitamente de teu sorriso, teus cabelos presos no véu, da rosa no jardim, e dos teus bons conselhos. Deitar a cabeça no teu colo e ouvir tuas mais magníficas histórias. Quanto tempo faz? Duas vidas?
Concórdia, senhora minha, me sinto só e triste, e essas sečanjas me doem cada vez mais, e não digo nada. Rio em face e finjo paz mas meu peito doe a cada vez que pretenso emitir qualquer urro. Estou definhando, e ninguém nota, talvez você notaria. Você olharia pra mim.
Concórdia, Deus sabe como sinto sua falta ao longo desses dias todos, e cada vez mais, a belicidade de minhas palavras somem, e a água torna-se inimiga, a voz embarga, e volto a velha cama cheia de pensamentos. Estou em outra dimensão, e ninguém nota, sente, ou vê. Para êles, a pedra ainda é mais útil e mais prática, Concórdia. Eles não aprenderam nem com Estevão, tampouco com Tarcísio. Estão apenas esperando o rebote para atacar veemente cada pessoa do mundo com suas perfídias e seus malderes, e eu aqui, me cansando de ser bom, me cansando de ser gentil, esperando apenas a hora de ir pra casa. Minha casa é na mesma rua que a tua, aonde vive Êle e a mãe d'Êle, e eu sou um dos d'Êle, pois Esse Homem foi quem me amou primeiro na hora da viração, e ele disse que a gente ainda tem muito o que conversar. E eu acreditei.
Concórdia, ando me sentindo só procurando o que olhos não vêem e dizendo nomes que a boca não pronuncia, por isso tanto código, mas, se um dia você quiser voltar pra cá e tomar um chá, vai ser bem vinda. Irei te por a par de tudo o que precisa saber, e te falar da Flôr de Lotus que nasceu no meu jardim. Te contar da minha solidão, e do medo moto-perpetuo. Foi ali que eu chorei. E você não estava lá, o que foi mais um agravante.