Se quiser saber de mim, ouça meus discos. Principalmente os meus favoritos: Os de samba de roda, os de progressivo, os com baixo marcado, e passe a mão na minha cerveja e sinta o que minha língua amava, se abrace na minha camisa favorita, e se te cabe saber, meu suor e meu perfume ainda estarão lá. Não vou e nem quero desanimar, apenas estou deixando tudo isso pra depois.
E eu, quero desesperadamente teu abraço e teu aconchego.
Se te interessar saber, eu ainda estarei nos lugares que tanto amei e cada pedaço de mim estará fragmentado dentro de quem eu tanto amo e tanto estimo como uma horcrux, e quando você quiser me procurar, ache-me nos sorrisos, nas minhas devoções, na minha fé, nos abraços que te pedi, na música que te fiz, nas cervejas, no Corinthians e tudo o mais que eu tanto cativei e cultivei. Se quiser saber de mim, fale com quem sabe de minha gênese, do meu agora e do meu fim; Pois quem souber de tudo isso vai te contar de mim, e quando minha carne for de terra, seu sorriso não me atingirá, e quando minha lamúria virar paz, você notará que tudo foi preciso como a ciência de Deus. Lírio.
Quando quiser saber o que eu sinto, vá nas igrejas que tanto fui e tanto amei, e chegando lá, dobre seus joelhos ante o altar e olhe: Seus olhos verão o que eu vi, e assim seu coração sentirá o que eu senti. E logo depois de sair, me encarregarei de te consolar, eu serei o vento em lhe beijar a face, serei o semáforo para atravessar, e a condução rápida e vazia, e quando chegardes em casa, serei a refeição saborosa e o descanso na cama com a janela entreaberta.
Serei a música que toca seus ouvidos, e que encrostada nela, lhe trará uma mensagem de atitude positiva. Ou realista. Mas nunca negativa; serei alguém que mesmo distante, estará mais próximo que você imagina, mas não nesta hora. E se você ainda me procurar, não me achando nisso tudo, saiba que em tudo eu serei, eu estarei - se você quiser.
Segurarei os dias, horas e minutos, ou os apressarei, e tomarei partido do que vale, assim como suas lágrimas serão nuvens que pedirei pra Deus rachar em forma de chuva, e com isso lhe darei toda a experiência de estar, ser e sentir. E nos avisos, na escrita do muro, na orla da praia, na síncope, na blusa que te veste, tudo... Ali sou eu, ali eu estou. E não faço por mal, nem me leve a mal. É apenas parte da minha palavra, minha promessa. Serei em você a saudade que eu sinto agora de você.
Epitáfio do Marcus Queiroz. Apoia esse blog, faz um pix pra nózes: marcusvini15@hotmail.com
terça-feira, 26 de julho de 2022
Argumento.
segunda-feira, 25 de julho de 2022
Carta a André.
1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba a André, escriba ad ibdem. Que eu, ao jogar meu manto sobre você, seja como meu Eliseu, e vá até onde eu não consiga ir, veja o que não pude ver e entenda o que não entendo. Seja melhor e mais do que eu já fui.
2 - Amenidades;
Bendito seja Deus! Teu presente, além do material, é subilme em me dar de volta teu convívio em minha vida! Exulto em ais pela dor e pela glória de te ver homem feito, forte, e crescido e acrescido por uma majestade incorrputível, da qual vejo tua letra forte e precisa, tua justiça impecável e teu zêlo pelos teus - qual inclui este velho escriba de fim-de-feira. Leva sempre esse teu coração assim: forte, justo, belo e miraculoso sem ser manchado, e defende teus ideaes com a força que ergues, pois vejo em teu camiño coisas tão magnânimas que me alegro de ter visto quem eras, é, e Oxalá há de ser. Que o Bom Santo Antônio te valha!
3 - Preparação para a morte;
Te tomei como filho-de-lêtra mesmo sem saber se tens pae-de-letra, e te dei meu bastão, e não há necessidade de o honrar. Vi em tu (além do signo) cousas de minha juventude e enxergo em ti cousas que eu sinto, por isso lhe tomei ao modo de Isaías "Nada temas, pois eu te resgato, eu te chamo pelo nome, és meu. Se tiveres que atravessar a água, estarei contigo. E os rios não te afogarão; se caminhardes pelo fogo, não te queimarás. Porque és precioso a meus olhos, porque eu te aprecio e te amo, dou reinos por ti, entrego nações por ti. (Is 43; 1-2;4)" e fiz uma glória literária em ti. E meu acerto estava vero. Assim sempre soube, e hoje to confirmo; quando me chamar saudade, minha cadeira vazia não precisa ter assento esfriado pois a herda segundo minha vontade, e toma minhas leis pessoais para ti em forma de conselho, e diz verdade ao juíz, consola os aflitos, entretenha os angustiados com histórias, e aos que necessitam de camiños, dá-os exemplos - assim vos peço para que eu me satisfaça.
4 - A Doutrina do Escriba;
Filhinho, o escriba tem como função principal ser um narrador sério (caso teu), ou debochado (caso meu) perante a história. Nos cabe a história em três pontos: parcial, imparcial ou em forma de fantasia. Eu escolhi o caminho mais perigoso que seria o imparcial, na qual não extinguo nada e nem ninguém de culpas, porém, sabemos bem que esse fator é um dos mais difíceis de ser elaborado. Nosso dever é guardar a história, ou inventar a história para que as pessoas esqueçam a penúria de sua própria história. Por mais que não sejamos postos em régua de igualdade diante do tempo, estamos aqui; sendo fortes e relatando tudo num breve tempo histórico - e quando nosso tempo passar, aí teremos valor diante do tempo.
5 - Admoestações Geraes;
Seja feliz. E escreva de tudo um bocado. Sente-se na grama e veja as folhas das árvores dançarem com o vento, e se houver um lago ou rio perto, vê a água translúcida. Olha o Sol se deitando em cada coisa da terra, sorri, brinca e fica em paz. Cuida dos teus - como já tens feito - e faz mais por eles do que eles por você; nessa vida, o servo é maior que o Derr Konkistörr. Ser humilde, manso, e prestativo não é sinal de fraqueza e submissão - muito pelo contrário: é a maior prova de amor que se dá a uma pessoa e o maior exemplo de cristianismo e fidelidade a Nosso Senhor. Quem abusar, nos ridicularizar ou nos fizer de bobos é quem perde: nosso coração é imaculado, e nos fizemos prontos para amar, perdoar, cuidar e reconciliar como o próprio Bom Jesus nos pede. E é aqui que nos diferenciamos deles.
6 - Brevidade da vida;
Pensemos, pois na vida após o que vos escrevo, filhinho. Ela, tão breve e efêmera escorre de nossas mãos; logo, devemos ter felicidade, e lutarmos de forma pacífica pela paz de espírito que almejamos, devendo também não deixar nada para trás, tampouco o que sentimos, pois nosso sentimento é a extensão de nossa alma. E dado este logos a ti, te rogo que sempre seja claro, diga as coisas precisamente tendo as ventas, e após ter dito, tenha a paz e a certeza de que fez o melhor - e o que for de direito, pura e simplesmente teu, volverá a tua mão. Sorria, abrace demasiadamente e faça do amor cousa frutífera que extensa até ti e os seus, e eleve o cariño a forma de vida. E assim, seus dias serão extensos, fortes, belos, dignos e miraculosos.
7 - O Ato de escrever;
Escrever, pois, ser um escriba, é a fatoração de uma situação, e deve ser feita com muita prudência, seja a de forma realista ou de proforma fantasiosa. Lembra-te, que temos inúmeras histórias a contar: de caso vero e de caso pensado de nossas máquinas encefálicas, por isso, pontua a letra na tua pena, e dana-te a escrever, escriba! Faz tua forma, e divulga a cada rincão da terra das notícias e dos contos que permeiam o teu universo (público e particular).
8 - Sobre a solidão;
Sim, filhinho, lhe digo que nosso camiño é tortuoso e por vezes mui solitário. Digo isso de minha própria experiência, por vezes, me sinto só e tenho passado por muitos momentos sozinhos em nível de carne. Tenho passado por vezes dificuldades, ora materiais, ora sobre-humanas, mas mantenho-me, pois me disseram que o que hei de receber é maior do que pela purificação que passo. E sinto, a cada segundo, que por momentos, uma Potestade cuida de mim, e a Ele entrego nas minhas preces o alívio das dôres, o ter do que comer, o aliviar da dôr de dormir no chão, e de poder novamente ter com quem estimar e se entregar o côrpo cansado nessa solidão. Esta época, é minha época mais frutífera em escrever, e desfio textos, crônicas, contos e frases, pois na solidão, o escriba registra o momento, e, quando em perigo de morte, ele registra com mais afinco. E é isso que nos torna testemunhos do tempo presente para de certa forma sermos também ferramentas do futuro para entender e (re)viver o passado.
9 - Conselhos finaes e benção;
Agrado-me em vós, e tenho estima por suas formas literárias e suas visões sobre o mundo, e sei que mesmo quando aceitas de mim o bastão e o manto, tomas nova forma e incrementa em teu ser uma nova face - como toda carga que chega e se agrega em valor na nossa vida - seja literária ou pessoal. Deixo-vos no Sagrado Coração, e peço a Padre Deus que sempre guie teus passos, e lembra-te sempre de voltar ao começo; Deus te abençoe, Deus te faça um bom homem, Deus te faça feliz! Laudos do teu pae escriba.
sexta-feira, 22 de julho de 2022
Carta a Lilian.
1 - Prefácio e Saudação;
Marcvs, escriba, para Lilian. Que Deus te acolha, ouça teus rogos e salve-te de ti mesma. Que nesta carta que discorro a vós possa eu mostrar por exposição histórica e teológica os motivos prudentes e perenes para mudar sua mente antes que você se arrependa dos atos que hão de se seguir. Tua carta me tomou três dias pelas idas ao hospital a noite, e por achar palavras precisas em te demover. Espero que leias com o coração aberto:
2 - Considerações geraes;
Devo admitir que mo encheram os olhos de cólera o que li de vós, e o caminho que te tomas. E o sorriso que nutria de ti, ó amiga, caiu e esvaneceu como areia em ampulheta. O engôdo que tenho do sangue sujo, junto com tuas novas formas de querer viver libertinosamente, e me dão mais nôjo e raiva. Aparta-te de mim, e do meu rincão se te for melhor tomar esse caminho que adiantas o passo agora. E abstenho-me de rir, mas sim me ponho na risca de levantar meu calcanhar contra vós, pois me lembro das antes de ti - das quaes alguma tu conheceste pois era também amigas de teu irmão: Rachæl, Luíza, Conceição, Ana, Mariana, Bep, e as justas que se perderam no caminho. Te rogo, enquão não te maculas: aparta-te de mim. É o demônio que te aconselhas, messalina!
3 - Preparação para a morte;
Tenho meus pecados, tristezas, e todo o restante. Mas, sei bem que eu na batalha para cuidar de meu fim, adianto-o. Gostaria que você também pensasse assim, ao menos não tomaria tanta rota errada como acerto e se arrependeria futuramente. Espero a morte como quem esperava a coragem da boa briga, ou de dobrar o sino no linguote. Espero a morte como quem espera a pena capital, e vivo enquão posso, e peço a Padre Deus que minha ida não afete o ecossistema que me arrodeia, mas, que se faça em expiação de meus pecados e pela piedade dos meus. Que seja eu sopé da porta para que Meu Bom Senhor passe. Se sofro, e Deus o permite, foi porque eu mesmo pedi que minha vida fosse uma forma de evangælho aonde pudesse perseverar na fé e que por minha luta, pudesse levar pessoas novas para conhecer Meu Senhor. E se a tudo passo em necessidade, aflição, dor e solidão, tenho Meu Bom Senhor a meu lado, e Ele me provém e restaura tudo em Seu tempo e de acordo com minha necessidade.
4 - Perca de fé;
A Fé se faz necessária, mas a perca dela é fator comum. Nós, de gênero humano somos fadados pelas tentações demôníacas (tal qual as de seus futuros atos) a termos um afastamento de Deus. Mas devemos a todo instante e momento volvermos nossa carne e nossa cabeça a Padre Deus, e dando-nos este tratamento, logo estaremos propícios a estar com e em Deus - seja por costume ou por aprofundamento da fé. Comece com uma breve prece. Depois reze uma oração, e após isso volte a rotina. Ao menos, tente; talvez isso faça você voltar ao seu eixo de prumo. E talvez no orago, você possa ter assim ter finalmente consolação e sair dessa vida vazia e não cair no poço errôneo que d'agora queres a água amarga. LEMBRA-TE DE RACHÆL!
5 - Loucura da Santidade;
Todo santo ou propenso a santidade é louco, degenerado e renegado - e isso nos mostra a história e o tempo hagiográfico. A inquietação, o amor irracional pelas cousas do Céu, e principalmente a vontade de melhorar o mundo. De vera, ainda qu'o defenda o laicismo do estado, me vejo a crer que a melhor infraestrutura para uma sociedade é a pauta cristã; e não porque nós somos melhores, mas porque agimos de perdão, amor, justiça e misericórdia. E quando fazemos esses quatro feitos de verdade, abrimos nossa alma verdadeiramente, e O Justo Pai das Luzes, vai nos guiar e nos dar enfim, a paz que só Ele tem e é capaz de nos dar.
6 - Medo de sofrer;
To me dizes do medo de sofrer. E vens dizer isso a mim, que jorrei lágrimas de dor fronte a musa? Vens dizer a mim que durmo no chão frio enquão minhas carnes vibram de dor e por vezes derramo sangue de meus ouvidos? Vens dizer a mim, que acordo todo dia a vomitar? Vens dizer isso a mim que me encontro só em gênero de carne? Vens dizer isso a mim que perdi o pouco valor financeiro que tinha guardado? Vens dizer isso a mim que passei duas noites no hospital após a dose da radio ter dobrado? Vens dizer isso a mim que estou sem força de batear roupa na mão? Eu sei o que é sofrer, e carrego no oculto de meu coração e elevo esse meu sofrer ao Bom Senhor que mais sofreu por mim. E não digo metade do meu sofrer, pois estamos em época temporã de criar mártires e fazer teatro do afã alheio. Você não sabe o que é sofrer, Lila. Louva cada pedaço, recôncavo, cama, fogão, geladeira, tv, dinheiro, roupas e amigos que tem. A vida ainda não te deu o vero sofrer, então roga a Padre Deus nessa piedade.
7 - Consolação;
Se eu puder me glorificar, que me glorifique no Senhor, e se for para exaltar, que sejam as virtudes dos meus, tão melhores a mim. O sorriso me consola, o abraço me alivia o fardo, a eucaristia me cura, e o terço me faz sentir forte. A minha consolação baseia-se n'Um Deus Misericordioso que desce até mim através de um afago, uma hospitalidade, um beijo, um almoço, um lavar de roupas, uma carona, uma ajuda, e nos milagres tão inexplicáveis que fogem de minha língua explicar. Minha consolação se baseia na minha fé e na minha crença, e agindo-as com mutua respeito, formam-se numa coisa só. E ter a consolação verdadeira, é saber que Deus dá, Deus tira, Deus restitui, Manda buscar, conserva e melhora.
8 - Considerações finaes;
Deixo-te com Deus e o Bom Santo Antônio. Peço a Eles que mude tua cabeça e tão muito e tão logo você possa mudar sua vida e mudar seu jeito de ser, começando por sua nova escolha de vida. Ouve. Para. Pensa. Muda. E para melhor. Minhas preces e bençãos se extensam até seu filho, e rogo a Virgem Maria por vocês.
terça-feira, 19 de julho de 2022
Preparação para a Morte.
Alguns leitores tem lido as minhas últimas cartas (públicas) a amigos próximos, a quem os estimo. E me perguntam o motivo de no esqueleto armado das proposições das cartas haver sempre de ter na terça parte um capítulo chamado "Preparação para a Morte".
Bem, explico-vos nesta minuta:
É de fator humano que a morte é irremediável, e eu na condição de católico e afiliado ao carisma franciscano não tenha medo da morte, pois como nos diz Frei Francisco: "Louvado sejas Meu Bôm Senhôr, pela nossa Irmã, a Morte corporal, da qual nenhum homem pode escapar!", logo, me preparo para minha morte diariamente como todo católico deve(ria) fazer.
Monges, padres, santos, todos fazem disso um grã costume tradicional e costumeiro, isso não começou com Afonso de Ligório e tampouco se resume a memento mori. - expressão latina que evito ao máximo usar para não ser confundido com os ridículos da tribuna. Sou escriba.
Medito sobre meu fim, se fui frutífero ou de boa estima, e se eu também deixei frutos, se apresentei bons atos de fé para os meus e a Deus. E entendo, que iminentemente eu vou morrer, seja pela moléstia que me aflige agora, ou depois de qualquer outra forma, mas, dado o atual cenário, me preparo para poder dizer e fazer da melhor forma; não quero ser ou soar dramático, pois, a ideia é justamente aprender a lidar com o fato da morte, e saber que uma hora me chamarei saudade - por isso, dado a exemplos que vivi, escrevi (e ainda estou a escrever) cartas e ensaios dos meus pensamentos e opiniões sobre a vida, das pessoas, e as minhas impressões da terra - não gostaria de ser mal-interpretado e tampouco que pensem "o que será que ele pensaria disso?" Por isso, em formas de escritos, deixo para trás meus textos, conselhos, admoestações e forma de vida geral para compreensão.
E isso de forma certa não é para me por em condição de mártir, mas apenas para aqueles que buscarem a saber os meus últimos passos, saibam o que fiz e vivi pela melhor pessoa: O cronista, Marcvs.
Grato por tua leitura. :)
quarta-feira, 13 de julho de 2022
Entrevista ao zine ¡Ahi Gabriel!.
(N. do E.: Texto traduzido da entrevista ocorrida na segunda passada para Vicente Garranzón para seu zine de leitura underground argentino ¡Ahi Gabriel!, que sairá em veiculação na última semana de Julho).
Perfil: Marcus Queiroz, 30, Brasileiro, mas acha Garrincha melhor que Pelé. Escritor de mão cheia, mantendo há 15 anos um blog de crônicas de sua vida pessoal, poemas e textos de virtude e sentimentos bem precisos. Em setembro, lança seu primeiro livro: "Entre as Cidades", de trama gostosa e envolvente, de estilo eclético e bem trabalhada com palavras de acesso direto ao corpo da história, que gira em torno de cinco amigos, tomamos a frente e o entrevistamos com a exclusividade clandestina de sempre falando de seu panorama geral, perspectivas, forma de texto e amenidades, confira:Legenda: AG (¡Ahi Gabriel!)
MQ (Marcus Queiroz)
AG: Marcus, obrigado pela disposição em falar conosco! Em primeiro lugar, gostaria de dizer que você continua sendo um dos melhores escritores underground do Brasil, e como você mesmo escreve, da Piratininga!
MQ: Obrigado, Vicente. E fico feliz em ter acompanhado este zine ter nascido lá em 2015 e tanto tempo depois estar sendo entrevistado por ele. É uma boa alegria!
AG: Diga para nós Marcus, como se deu o processo de "Entre as Cidades"? Ele se encaixa em alguma corrente literária?
MQ: Bem, é um livro de pequeno teor, creio que ele não esteja em algum tempo literário. Mescla um pouco da vida, com alguns valores alegóricos, mas nada puxado para algo absurdo ou que não possa ser sentido por qualquer um - a ideia é justamente dar ao leitor a sensação de história fácil, que pode ocorrer na vida de cada um. Eu literalmente tive um estalo e pensei "ok, vou escrever um livro". E assim nasceu num raio de seis meses.
AG: Eu admito que quando li a parte um achei muito interessante, mas na segunda parte eu perdi o chão. Você considera esse seu magnum opus? Porque para uma obra sem ambição nascida em seis meses, ela tem uma carga muito forte.
MQ: Na verdade, não Vicente. Para mim, "XXVII" ainda é meu magnum opus. Foi uma das poucas coisas autorais que consegui trazer do seminário ainda em tempo quando saí. Para mim aquele foi meu melhor trabalho. E ainda continua o sendo.
AG: E eu sei que é um assunto que você evita falar, até mesmo com o saudoso Ali do Cosmos, mas, e os outros dois livros anteriores? Você realmente não os tem? Não seria interessante podermos lermos também?
MQ: Grande Ali! Deus o tenha entre os justos! Bem, os dois livros foram um fiasco! (Risos), eu perdi muito da esperança de escritor neles, e o 1° livro ainda tem uma ligeira parte solta no blog - fragmentos para ser exato. E o 2° livro que tinha o nome de "O Segredo do Sol", para uma surpresa minha, eu achei completo numa arrumação, e fiquei até feliz de ter visto, mas não penso em publicar ele, creio que vai contra muita coisa que hoje acredito, e talvez a opinião pública também não gostaria.
AG: Tudo bem, mas depois me deixe conferir!
MQ: Claro, lhe envio! (Risos)
AG: E sabemos que infelizmente você está doente, mandamos daqui de Argentina nossos sentimentos de cura e melhoras. Pelo visto, você também deixa transparecer um pouco em seus últimos textos sobre seus sentimentos nesse quesito de sua vida pessoal. A sua escola literária também transparece muito no que você escreve. Isso é intencional?
MQ: Olha, intencionalmente nunca foi, mas não deixo de ser influenciado pelas minhas leituras. Isso é para qualquer escritor que se enquadra também num foco de leitor. Atualmente tenho lido muito sobre teologia, e depois disso me inseri num contexto de back-to-roots, aonde eu poderia transitar entre meus tempos literários.
AG: Devo admitir que as suas últimas postagens, no caso as cartas, estão de pro-forma impecável, e de uma realidade translúcida, porém desesperançosa.
MQ: Não podemos ser fantasiosos o tempo todo. Por isso aboli alguns termos do meu glossário pessoal - a Feira da Renascença, por exemplo. Era uma figura de linguagem que amava, mas abandonei.
AG: Eu adorava a temática de contraste entre a Feira e o Crepúsculo...
MQ: Idem, mas partir do momento que um texto deve ser acessível, devemos ter palavras mais cabíveis ao entendimento, tal qual as expressões e figuras.
AG: E os planos para o blog, Marcus? Quais seriam as metas para o futuro? Você conseguiria manter ele num processo de curto prazo enquanto trabalharia num próximo livro, por exemplo?
MQ: Creio que sim, sabe? Eu não estou afim de escrever mais um livro, e creio que "Entre as Cidades" não teria uma continuação ou ramificação - ao menos se Teresa (personagem do livro) fosse uma raíz que interligasse os dois. E enquão isso, eu preciso até de certa forma do blog para ir escrevendo coisas aleatórias para ir aliviando a cabeça ou praticando outras escritas; o meu gênero de escrita favorito ainda é a Crônica de Ordem Social.
AG: Marcus, não duvido que você seja capaz de fazer e manter isso. E me alegro muito em ver o blog em definitivo e em aberto. Para um leitor de primeira viagem, sua escrita é totalmente fechada, mas no seu livro pelo que percebi você usa uma linguagem acessível e dinâmica. Tem algum motivo?
MQ: Bem, na verdade o blog é mais um alfarrábio meu. Caso eu esteja com Alzheimer no futuro, ali é um lugar que eu posso entrar e sair, transitar tranquilamente sem ter como todos perceberem entre as minhas memórias. A minha sorte foi ter escrito de forma reclusa, com palavras arcaicas e expressões tão minhas que até quem acha que sabe do que digo, se engana! (Risos) E quanto ao livro, bem, livros tem que ser acessíveis, não?
AG: Com certeza.
MQ: Então é por isso que escrevo dessas duas formas.
AG: Marcus, quais os planos para o segundo semestre deste ano?
MQ: Bem, divulgar o livro, escrever o máximo que puder, e aguentar firme até a festa da Transfiguração. E agora podendo tomar uma cervejaAG: Marcus, uma pessoa singular de humor sarcástico e de grande verdade, leitores! Uma honra ter você nessa edição de ¡Ahí Gabriel! E esperamos poder fazer uma resenha longeva de seus escritos.
MQ: Vicente, mais uma vez agradeço pela chance de falar um pouco de minha trilha literária, e espero que você possa gostar de meu livro. Assim que eu terminar as prensas, lhe envio uma cópia física.
AG: Eu agradeço, amigo. Uma última observação?
MQ: Apenas agradecer pelo carinho e o convite! ¡Paz y Bién!
domingo, 10 de julho de 2022
Carta a Adilson.
1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba, para Adilson. Que tão belos cujos teus feitos sejam os teus quereres sobre a terra, e que teus feitos reproduzam a verdade e a bondade.2 - Primeiras impressões da terra;
Diz-me coisas belas do teu labor, e coisas belas da vida, e mais belas ainda das que se passam em teu coração. Francamente, faço de tua alegria a minha alegria, e faço de teu amor o meu quando me falas de quando sentes a terra girar, ou tens percepção maior e melhor da vida que se amplia nos teus braços. Dizes também de teus paes, de teus irmãos e nossos amigos - cujos todos parecem estar bem e em paz. Agradeço os amplexos enviados até mim, e rogo que você os remeta em anexo de volta a essa carta, incluindo ao Toninho da Rampa e ao Tio Fungo! Aos meus, de Tiradentes, a quem estimo em saudade e espero ver em breve.
3 - Preparação para a morte;
Deixa-me ter a tutela do que me pertence. Esse é meu tempo, minha vida e minha morte. Não pertenço, pareço ou padeço a nada disso, e digo-vos em peito aberto que querer o fim não significa a falta de perspectiva, e sim o cansaço de um passo mantido. Pois, se tenho a sorte da boa vida, a vida não tem sentido, mas se tenho também o agouro de uma árdua vida de batalhas, que sorte teria? Não há. Das decisões que tomo, sei que essa pode não ser a mais sábia, mas é a que me deixa mais em paz - e se de fato Deus está no firmamento, que Padre Deus cuide de mim, livrando de mim o que não tenho em conta.
4 - Sobre entender o viver;
Senta-te ao meu lado, e não diz nada. Apenas ouve e não obterá som de minha voz, pois, se sentes a terra girar como eu senti alguma vez, ela há de te dizer tudo; se o vento te falar algo, ele vai te dizer tudo o que penso, assim como o que o mundo exprime; se teu coração pulsar forte e desesperadamente numa busca inquietante, logo entenderá tudo o que verás ao seu entorno. E isso, meu amigo, lhe digo sem sombra de dúvida que é a vida, e diferente do que o ancião nos diz, a vida não começa num ponto final. A vida começa de um princípio por ora gerado, que nos constitui. O fim é mentira. É mato.
5 - Sobre a maturidade/maioridade;
Quando você crescer, você vai ver que nada é tão preciso, e muitas vezes nós vamos e podemos perder o controle da situação - e isso não significa nada. Nossa maior luta (enquão amadurecer) não se baseia em controlar a situação, mas sim em como poder aguentar tudo com maestria, graça, deboche e glória - ou como me dizia teu irmão Jairo: "Eben-Ez-Er, Ox". O ato de se achar superior em relação a vida é um grã erro, e afasta-te disso; Sempre, quando puder, olha para dentro de ti e se ponha numa condição pequena, para que o lucro obtido seja de valôr próprio, e não estimado.
6 - Sobre o amôr;
Encontre uma mulher, e seja feliz com ela. Uma que te ouça no tanto que você a ouve. Uma que te ame no tanto que a ame. Uma que seja sua no tanto que seja dela - que não lhe importe se ela tem posse, profissão de fé ou se ela tem algo a declarar na tribuna, mas, que ela delegue a ti o seu coração, e você sem medo algum posaa deitar o seu coração com o dela para descansar de tantas e todas as coisas. E isso significa tudo, se não significar muito.
7 - Conselhos finaes;
Vejo em ti grande futuro, e alegria. Mantém a alegria, e não se renda a tristeza - entrega-te ao desejo da boa vida e faça tudo o que for prudente para recomeçar para sempre quanto preciso. Não tenha medo do inimigo, nem de suas leis; cria tu as tuas leis, e faz tu tua forma de viver. Seja um Jaguar XTR. Seja feliz.
quarta-feira, 6 de julho de 2022
Carta a Giuliano.
1- Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba e escritor, para o terceiro Giuliano que agora vaga em águas internacionaes. Que Deus te guarde, e te esqueça aonde. Alegro-me por tuas palavras, e entronizo as minhas, como em via de resposta as tuas, para poder dar-te a alegria de saber de mim - cousa que acho repulsiva pois n'um telephonema resolveríamos isso de forma amistosa.
2- Admoestações, perca da fé;
Ainda me chamas de Pedro, mas, peço que me chame de Marcus. Marcus, filho de Fabio e Neto de Fabio Magno. Não sou quem vêes, e a cada dia apago mais minha fé, e tenho veramente abandonando-a com constança, tenho não mais acreditado no que o vento diz, pássaros cantam e peixes falam; tenho não mais rezado o Ofício, e tampouco desfiado terço, e tenho posto em régua a crença minha em Padre Deus - E considero veemente que andei errado todo esse tempo, de forma que só fiz charitas, mas ainda sim apagou-se em mim a chama do viver e a alegria de servir ao Divino, cuja fé agora não sei se o tenho. Tenho cá estado muito comigo, e afastando-me de escopo religioso, creio que talvez desperdicei meu tempo e meu momento. Fui Luís e Fui Pedro, mas, Sou Marcus. Marcus dos Queiroz.
3 - Preparação para a morte;
Por mais que tenhas um arsenal de argumentos, guarda-os. Tenho cuspido e vertido sangue, e além disso, tenho as carnes ora fortes como jovens, e ora fracas, e elas vibram de tremer, como se eu fosse claudicante; como pouco, pela falta de apetite e tanto como não ter como comer, ainda passo por algumas privações, mas sigo firme como sempre o fui. De fato, como vos disse, não penso e nem pretenso atentar contra minha vida, mas, começo a cada vez mais querer desistir de algo que tantos me pedem, e percebo que a cura é mais maléfica do que a ida. Talvez, só uma vez, eu não queira nada mais do que a pura vaidade carnal de me sentir querido, amado, e de após quase quatro meses, tomar uma cerveja. Queria um churrasco, queria um afago, e poder ouvir minhas músicas sem me preocupar se alguém vai ou não gostar. E talvez, estando eu do lado de fora, não tendo essas preocupações, possa ser e estar feliz, e calando as coisas que ainda doem em meu peito, eu consiga ser e estar feliz. Entenda-me, e lê-me com prudência, morrer não me afeta, e possivelmente seria até bom para com quem diz estar comigo, não anseio a vida, e desejo a partir de agora voltar a fazer tudo como antes, apenas para ter um fim ao meu gosto.
4 - Último peixe, e consideração sobre a ida;
Escrevo-vos pela obediência que consome, sobre o que vi, e espero teu chrisma sobre, de fato que temos ainda fatos a adconjunturar quão voltardes do Vaticano:
Ele se assentou ao meu lado no sopé da escada sem que mo percebesse, e desvelando a capa, tirou o capucho com as duas mãos aonde pude ver seu rosto pacificador, e abrindo o lado da capa, tirou o braço e pôs sua mão sob a minha; e eu, já acostumado, sorri de volta sem precisar de maiores explicações - fez ele me olhar as pessoas, os sorrisos em suas faces, e a tôrre da igrêja; me tomou pela mão como sempre o faz, e andamos entre o mar de gentes, e sorrindo brotava entre crianças, flôres, côres, incælensa e azul, vi o sorriso que me cativa, e sorri de volta - e aquele que me guiava sorria porque sentia o meu pulsar de vida diante de tanta tristeza e solidão. Quando senti a dor de sangue sujo, ele me acomodou entre seu abraço, e deixou que me mantivesse inerte por um momento. Por sua ordem, deitei a dobra de minha mão contra a musculatura que doía, e não senti dor, e mesmo sem saber, deixava que eu pudesse ser mantido e segurado. E por onde andávamos, tinha peixes ao nosso redor, de tal forma que pareciam que se faziam em tapetes para andarmos sobre. Nós estávamos simplórios, e estando eu sob a tutela dele, não senti medo algum - nem de vergonha, nem de medo, nem de morte. Quando ele me deu a ínsigne, me disse: Toma, é pequenina, mas valor tem maior que tôdo, guarda-a e mantém-a; e envolvi-a de tal forma que mesmo se meu coração não quisesse, senti ali que era de valia, e tudo isso, de uma forma geral, me fazia sentir vivo, íntegro e inteiro. E não animava-me a ser quem sou, viver e ter fôlego para ir adiante, por considerar querer ter a morte, mas considerava que até chegar na minha hora de morrer, ele me dizia coisas pertinentes sobre o Sol e o Céu. E eu, repelindo tais palavras e sortes, sentia dor a cada renegar em minha carne. Que, de maneira eu poderia fazer apenas consentir mesmo que meu coração não fosse ofertado nesta forma e maneira. Ainda em mim arde o ir embora, de forma como ele mesmo queria quando era tão carnal como eu. Ele sorriu, abraçou-me, e ao olhar para mim, o disse: Teu peito é semelhante ao Peito que buscas; que apesar de maltratado e amado tardiamente, tens a gana de sempre amar de forma abundante. És agradável aos olhos do Senhor, e por isso to vives!; e obviamente, amei com ódio o vaticínio que me foi dado via peixes/embratel. Mas agradeci e pedi a tutela ao pai dos peixes para que eu pudesse apenas fazer uma última bandeira a meu modo, de minha maneira. Queria eu sorrir. Queria estar vivo para 'queles que estimo, mas sei que estou morto. E por isso atentei e atento com desejo afã de morte contra minha carne, para não ter mais ou obter mais contra o que me mantém. Ainda me sinto só, e mantenho o passo diante da situação, e só levanto meu calcanhar contra os meus desafetos, abrindo a boca apenas para bendizer Meu Bom Senhor e desejar a morte para estar co'Ele na festa do lugar - me vale bem mais do que o vale de lágrimas que me foi ofertado, e apesar da Boa Consolação, meu peito se arrebenta, e sinceramente choro.
5 - Desejos e vontades;
Diz-me de teu sonho, e me sinto honrado pela confiança em saber de tais coisas. Mas, rogo-vos que pense, pois é de fato mui arriscado perder uma vida por um sonho onde não haja a satisfação de ser feliz e estar feliz. Se a mulher não te eleia a beijar, abraçar e ter em paz, não te mereces, e se o Sol não esquenta as carnes, inútil o É. Viver, de um modo geral, se torna inútil. Infelizmente, me pedes conselhos de coisas que não posso dizer sobre, e só poderia me debruçar em cima de meus alfarrábios, ou consultar meus decanos para lhe dar um aviso pertinente, mas ainda sim, saiba que podes desejar o mundo, mas nem todo o mundo será prudente para você.
6 - Leituras;
Pare de ler apenas uma escola literária, e adentre em todas. Abomino e disconjuro-te ao fôgo do inferno por terdes tantos livros e apenas usá-los como aparência, e rogo-te que sempre volte a tua gênese literária, para que o seu princípio sempre se mantenha vivo. Leia da patrística com o mesmo fulgor os catedráticos, e leia com zêlo os apologetas de mesma forma os doutos. Ter um favoritismo não significa fanatismo, e na tua condição, ampliar os horizontes para ter mais meios do que falar me parece ser mais prudente. E lê meu livro, necessito de tua informação acerca de minha letra.
7 - Sobre a morte;
Diz me de uma importância, mas, qual? O local que me encontro, a direção, nada disso importa. No fim, isso só foi um momento efêmero e agora, me entregando a hora certa e irremediável do fim, espero que nele obtenha tudo o que não obtive quão em vida, e que eu, morto, não seja alvo de lágrimas falsas e tardias, pois a esses amaldiçoo e renego, e bato meu falar contra eles.
8 - Consideração final e despedida;
Seja feliz. Não leve desaforo para casa. Saia na mão. Brigue. Grite. Laudeje violentamente contra tudo e todos. Exponha seu ponto de vista, mesmo que na base da agressividade. E não tenha medo de errar. E que sejas bem feliz.
sexta-feira, 1 de julho de 2022
II Carta a Bep.
1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba e com uma dor do caralho par Bep Andrade e os seus, a despeito da última missiva que muito me preocupou e deixou exultante.2 - Pedidos geraes;
Alegrou minha vista tua carta, e meu peito exultou de alegria em saber que já adiantaste tua vinda com Rodrigo e teus rebentos. Ai de mim que esteja íntegro para ganhar um abraço teu! Cuido-me pela certeza de te ver, mas espero que você esteja cuidando também de si mesma. Muito me preocupa essa moléstia que pega Digo pelas ventas, e sigo em orações. Deus o abençoe e o ponha em saúde restaurada. Faz uma sopa de frango com bastante mandioquinha pra ele, ajuda a melhorar: para algumas doenças, o amor é o maior e melhor mecanismo de cura.
3 - Preparação para a morte;
Me alegra que to venhas em Agosto. Falta um mês. Dia VI é a festa da Transfiguração do Nosso Bom Senhor. Eu quero muito estar de saúde boa para ir, Bep. Ainda consigo andar com apoio, e apenas nas cercanias, e as carnes doem pouco. Mas, o cabelo não caiu, e nem a pele acinzentou. Só dor e dor mesmo. Tenho sim; para todos os casos me adiantado e me preparado para a ida, encerrando ciclos, despedindo prematuramente e esperando qualquer coisa de qualquer pessoa; de alguns recebi apoio, de outros, recebi as costas viradas.
E eu, sem poder ter o que fazer ou como fazer, chorei, respirei, e pedi a Deus que Ele fizesse o que quiser de mim.
4 - A vontade de Deus;
Não era verdade que o Senhor Andrade era um belo tenente? (Deus o tenha entre os justos) Que lutou contra o crime enquanto nós estavamos na escola rindo, fumando e ouvindo Pink Floyd? Eu associo isso com ao que Deus nos faz: enquão vivemos nossas amenidades, Deus nos guarda. Enquão olhamos nossas minúncias, Ele nos desvela. Quão triste é! Não notamos o cuidado, mãezinha! Triste daqueles que só sabem quando não o tem. Ai de nós, Iervsalæm, pois estamos atentamente lutando para abrir nossos olhos.
Nós, Bep, somos de água e vinho: Somos os tatuados que tem veneração pela eucaristia, somos os que contestam, aceitando dogmas, e somos principalmente os que amam em demasia, mas defendem seu lugar tenente. E isso, de certa forma "apologética mambembe", é o que nos faz ser católicos de fato - não rezamos terços em vão, e nem fazemos cenas e trejeitos. Somos o que nosso coração pulsa e nossa alma emana, e por isso Deus se inclina a nosso favor, mãezinha.
5 - Sobre as percas e desilusões;
Sei, minha irmã, quão difícil pode vir a ser entender os designos de Deus. A mim, não cabe entender, apenas respeitar, mas; Toma cuidado e vigia a porta, pois, quem diz obedecer a vontade celeste fazendo valer a sua, tem mais culpa do que qualquer outro. Eles, fingem viver em Deus, mas se preocupam com aparência, dinheiro, status, comidas e lugares, e nós, minha amiga, desprendemos de nós mesmos para ir atrás do outro resgatá-lo, cuidá-lo e amá-lo, trazendo de volta do caminho transviado. Pagamos nosso débito pondo-nos em serviço do evangelho imutável que não pede dinheiro e coisas temporãs e malditas; mas que pede justiça, misericórdia, perdão e amor.
6 - Sobre o segrêdo;
Quanto ao segredo, guardo-o. Mas louvo e bendigo, e espero ter olhos para ver a esperança que é gerada e se vela na flôr desabrochada. Quão bela alegria saber de cousas boas e justas em teu caminho! Que Deus tenha amôr-sem-fim, e que Rodrigo melhore para vocês consumarem tanto mais e mais!
7 - Sobre a Nê;
Sim, ainda a amo. E sim, ainda a sinto a falta dela. E não, ela realmente não voltou, e só Deus sabe como isso ainda dói. Por vezes me pego pensando, pondero sobre, mas meu coração não aguenta tanta coisa sobre o que está acontecendo comigo, por isso me mantenho quieto. Eu ainda penso nela, mas creio que ela nem pense em mim, ou nem tenha mais algo de ter comigo. Graças a teu parlório, eu ouvi músicas que me lembram ela, e lembrei do mais terno amor que tive. E por ela, eu me mantive. Hoje, ainda sinto a falta, e Deus sabe que adoraria tê-la comigo para enfrentar essa tormenta. Mas sim, se mo perguntas, não há uma hora do dia que eu não pense nela.
8 - Sobre a Piratininga;
Aqui ora faz sol, ora faz vento. A Piratininga continua sendo como sempre foi uma mistura climática diária. Nada muda, nada é, tudo continua. O centro mudou bastante, e quando vierdes há de ver como está mudado.
Bares fecharam, bares abriram, pessoas mudaram, mas algumas ruas tem os ecos de nossas cantorias de madrugada, e algumas ruas tem os ecos de nossos pais; hás de ver que na Piratininga, a mudança não tira o seu fator imutável.
9 - Benção e despedida;
Abençoo-te, e te rogo em paz, e de paz em paz roguemos ao Senhor. Que Deus te abençoe e abençoe tua família, lhe pondo entre os Santos, Únicos, Justos, Primeiros, Profetas, Virgens e Mártires. Espero-te animosamente.
