Antes que eu vá, digo que eu esperei por você.
Esperei pelos seus abraços de sêm-fim, e seus beijos amenos - ora na minha testa, ora na minha bochecha, mas quase sempre na bôca. Esperei idem pelos seus carinhos macios nas minhas costas, como por quantas vezes escrevi deles, assim como agora escrevo me despedindo de vós. Esperei pelo seu sorriso de chegada e por sua têz entristecida de partida, das faxinas, limpezas, arrumações, cariños e filmes regados a viños e pipoca com ajinomoto - das pizzas, churrascadas, e cuidança. Nas festas de amigos, ficaríamos orbitando no universo deles a beber, a rir, a cantar, a se abraçar e fazendo piadas, pois teríamos o tino do humor nêgro, da baixaria, mas ainda sim arriscaríamos tudo em uma tentativa de arrancar o riso um do outro...
Dos dias frios, cobertas no sofá, de você fazer um cachimbo para mim - afinal, conheceria a medida do tabaco e como gosto -, tanto como de que quando me mantenho só, olhando para o universo para encontrar ou a mim, ou a Deus, que você se atentando ao meu lado não dissesse nada. E apenas colocando sua mão em volta de meu braço, ou me abraçando, tampouco na mais ríducula das hipóteses, como naquele Céu estrelado que uma vêz vi na Serra de Santa Helena, e seria lá tu que deitaria um mantel sobre mim. De passar no mercado e perguntar o que você quer, o que você precisa, o que falta, o que quer comer. Dos dias de calôr, teria a praia, o clube, o veraneio, te ver dourar a pele, beber uma cerveja contigo, e sentir que o Sol nos aquece, e ao deitar contigo, seu calôr não me incomodar, e sentir alegria em queimar-me em ti.
Do seu carinho em minha cabeça, dos olhares, das piadas infames de casal, de ter a minha parceira a bandeirar pela cidade comigo, de não me preocupar se me fedo a fumo ou suor, porque estaria lá seu abraço como pôrto-seguro de tôdas as agruras que fêz esse mundo em mim. Seria lá, teu olhar e ter teu coração cousa mais bela e própria do que ter e obter Deus em si. Seria, por mais franca verdade retilínea um trabalho de vida. Ter-te num arrebato de abraço, para enfim descansar de forma concreta, precisa, e assim poder dormir finalmente em teu colo, ou em teu busto, ouvindo teu pulsante coração descansando perto do meu.
Seria, afinal, o que dizem êles em ser feliz.
E as noites sem final de violões, bandolins, e cantorias, para mais uma vez ouvir seu canto de rouxinol clarear a noite toda...
Esperei cuidar de você. De te dar cafunés, contar as coisas que sei, falar de dias de batalhas e glórias passadas; e de planos futuros que ninguém nunca há de saber, e de quando ir trabalhar, sentir sua mão tão macia me segurar pedindo um beijo de despedida, e que seus olhos acastanhados, translúcidos com um brilho tão incógnito fôssem então para mim motivo para que eu pudesse continuar adiantar, e lhe trouxesse a alegria e o cansaço de um labor, enquanto abriríamos uma garrafa e descansaríamos de toda a vida que morreria fora de nossa casa. Te encontrar no metrô seria como ir numa fila ao tomar a eucaristhia, de importância, reverência, temência, amôr e respêito. Te celebraria como o gôl de desempate, e do primeiro gole de Antarctica gelada. Seria lá tu a fôrça de minha fraqueza, e eu seria o teu baluarte para que passasses incólume.
A verdade é: cuidaria de você melhor do que eu algum dia pensei cuidar de mim.
O lado de dentro da calçada, o braço na cintura, o beijo inesperado, o vento que invade sua saia, as ondas violentas, o emboque do mar, as alegrias vindouras, a alegria de sermos mais de dois... esperei ansiosamente por isso, e Deus sabe como.
Te encontrar, em qualquer lugar, em qualquer circunstâncea, de qualquer maneira, seria pra mim a cousa mais bela que existe. E só de sorrir para mim, saberia afinal o que seria isso que êles chamam de "ser amado". E eu saberia - de alguma maneira muito inóqua, muito estranha, muito bizarra, muito bela, muito chamativa, muito desesperada, muito involuntária, muito emocional, muito devota, muito minha, saberia que você também me amaria.
...e antes que eu vá agora, apenas saiba que te amei. E eles não vão te amar como eu amo você. Eu te amei pelo conjunto da obra e solidificação, eles te amam pelo que tens. E isso me difere em grã situação deles.
E isso me diferencia de uma maneira que você nunca vai saber, porque talvez você nem saiba de mim. Sou só um escriba.
Epitáfio do Marcus Queiroz. Apoia esse blog, faz um pix pra nózes: marcusvini15@hotmail.com
sexta-feira, 30 de junho de 2023
Just A Song Before I Go.
terça-feira, 20 de junho de 2023
Bola de Cristal.
eu só queria dizer que ando cansado.
Sei lá eu de quê - mais sei que extenuei e estrangulei aquilo que chama-se limite.
Minahs lágrimas secaram, Dulcinéia não se encontra para afagar minha barba e dar-me um beijo, tampouco Sancho enfrentaria comigo o Aragonésco moinho, pois ele saiu para almoçar faz três anos longos...
Na verdade me perdoe a metáfora embutida, mas, queria era um porto seguro - difícil termo e condição para os dias de hoje e para a vida que se vive de caxangá e pôrto pôsto contra o Sol.
...mas o que é mais me anseia a alma. Minhas carnes vibram por esse dia.
O sôm, que ensurdece, desatina, corta e tange, fere, toca e mata. Tal qual esse momento. O translúcido quasar que ressona a dissonante nota que atenua e atenta o que aquele guitarrista fez no Royal Albert Hall aos 5'56'' do Concerto de Despedida em 1968. Dantesco, preciso e lírico.
Queria era alguém que comemorasse minha fraca existência como se fôsse motivo de dulia, ou de algo estimado. Como o velho canino que se abana e se expõe em barriga faceira para ser acariciado.
Queria sair por aí, nada de acampar ou dias de praia com areias inconvenientes no corpo. Apenas uma mesa e garrafas, fumaças de tabaco e músicas para cercear quando houver descuido no silêncio.
Queria buscar sentimentos antigos, desde os natimortos em mim até os que foram assassinados por mãos de esmaltes que não enxergo as côres.
Além disso: sinto que nas sôfregas mãos em que peno em dizer algo ao escrever, marco apenas a sentença do eterno escriba: ao testemunhar o fato, torno o lírico - sem ter a necessidade. Apenas por um fator ididota de transpôr em letras, do que meu coração chora.
Também tenho dias tristes, noites negras, e um vivante da solidão que há muito e há tanto é minha companheira. Há dias que penso que não tenho afago, e há dias penso que há alguém que aceite minhas loucuras.
Há dias que sou um rei assunto. Há eternidades que sou o fim-de-fêira.
Não me importo, me sinto bem assim.
Se me apego em Deus? Como não?
E haveria mais alguém que me ama com tôdas as minhas (inúmeras) imperfeições e me aceita? (e que óbviamente não seja de gênero de carne, pois)
Paciente, em algum lugar do universo, Êle existe. E eu aguardo a hora de Vê-Lo, para sentir um vero amôr que me consuma as entranhas. Há dias que são cinzas, e outros tantos dias Cinzas.
E no fundo, eu não quer dizer nada com tudo isso.
Eu só quero vomitar um peixe pôdre de tão antigo desta garganta minha.
E não. Você mais uma vez não entendeu.
sexta-feira, 16 de junho de 2023
Woohoo.
Bateu cinco graus no centro. Eu vi, eu estava lá.
E foram cinco graus bem pesados, bem medidos e bem acirrados. E a precisão da sensação térmica deu os mesmos cinco graus. Era frio, mas o viño que me desceu aos nervos me aqueceu mediante a falta de teus afagos e teu dínamo vivo que chamas de corpo.
Avisa a tomboy que hoje não tem café. Só chá.
Sou suspeito para falar, né? Gosto do frio e seus nuances - sinto-me verdadeiramente vivo, ou útil de alguma forma quando essas correntes de ar me circundeiam; sinto ecos do passado e de alguma forma mui estranha também sinto os meus antepassados em presença dijunto a mim. Sinto mais prazer nas bebidas quentes, e posso simplesmente andar nas ruas sentindo o mundo a minha maneira; não que isso seja algo especial, mas sinto que nesta forma eu absorvo mais do meu infinito, e com isso me sinto mais disposto a entender, refletir, agir e cuidar.
Hoje de manhã se deu em 10 graus. E foi ótimo.
Apesar das roupas não secarem decentemente, ainda sim é um bom tempo. É quando as pessoas se recolhem. É quando tem São João. É quando a vida se torna mais íntima e menos de exposições públicas, sem vermos todo o mundo vibrando em unissono na rua, havendo mil ecossistemas a cada esquina, se degladiando por um lugar ao Sol. É quando tudo estranhamente se permanece absorto, meticulosamente quieto. Estático. Dentro de sua concha.
Vi uma criancinha no Terminal Pq. Dom Pedro dizer pra mãe: olha, sai fumacinha da bôca! enquanto a mulher em seu exercício materno olhava cariñosamente e ao mesmo tempo procurava o ônibus para entrar, e por um momento lembrei de minha mãe quando me levava ao Cândido Fontoura ou ao Darcy Vargas. Lembrei de muitas mães que como sublimes leoas se dividiram em formas irrecuperáveis para ser (em sua conduta e forma) o firmamento para seus filhos e filhas. Lembrei de Dona Antônia (entre os justos), e timidamente soltei fumacinha pela bôca mesmo sem têr um cachimbo de usufruto para disfarçar. E esse era eu. Aos 31 anos de idade, atingido invariavelmente por uma criança, ressuscitei uma parte morta dêntro de mim em um terminal de ônibus que também foi palco de minha infância. E ao entrar no ônibus, apenas ri.
Após goles de café, relatórios e testes, cá estou eu. Aqui na Mooca faz os mesmos 10 graus (em sensação), e de fronte para o meu quintal - amada Piratininga - sorrio, e lembro de um bôm têmpo. Faço mais um café, e com a corrente de vênto na janela, vejo a cidade fria se transfigurar para um formigueiro silêncioso.
...na verdade, agora fazem 13 graus.
Que dia delicioso.
terça-feira, 13 de junho de 2023
Tu Loucura.
Faça como quiser.
No fim das contas nem eu e nem você se importa. Estamos em lados iguais mirando posições diferentes. Que lá eu haveria de dizer? Como sempre, digo e repito o compasso da vida que embuto em mim - e enquanto engomo a calça, sorrio um pouco; sei que me acabo aqui, não sendo pontivirgula, e sim ponto final. Caetano uma vez disse que a vida começa no ponto final... no fundo não importa muito o que venha a dizer. Sinais de alerta são difíceis aos corações corroídos e cabeças duras.
E, faça como quiser.
Abro meus olhos e fito da janela a neblina no meu quintal, e penso em tudo de que me ocorreu: sonho translúcido, de horas e hordas, de musas e contextos, e em tudo isso, me encontrei. Ainda sou o mesmo, e sendo de pérola imutável, orgulho-me do que cabe no meu ser, e em ser. Não me vendi e tampouco me corrompi para ser aceito, e quando fiquei só, me coube ser o que sempre fui; e com a adoção de novas palavras, transpus o mesmo sentimento; Com os novos sons, inclinei as melodias; E com os braços abertos, deixei o abraço vago.
No fim, faça como quiser.
Acendi um incenso, e terminei de ler. Acabou mais um vinho - e não me arrependi. Que lá tem se na minha tosse sai escaras de sangue? Que lá tem se é essa a vida a ser vivida? Que seja com gosto, se não, com glória. Olho os olhos do mundo, do universo, e transitando em todos os caminhos, vendo todos os passos, sentindo todos os sentimentos, me sinto mais leal as minhas escolhas. E se não durmo, se preocupe não, irei rezar por você e nos nomes escritos no oculto de meu coração. Lembro dos dias do frio, aonde tremia, e agradeço por tudo o que chegou até aqui - se é errado fazer festa por cada conquista, mesmo que besta, mesmo que vã, mesmo que ridícula, eis os oitocentos e caralhos anos de uma irmandade franciscana que fundada pelo Paráclito foi fundada a ruína, pois, a alegria do pobre é cada glória pequena que deve ser comemorada como algo impossível (tanto porque naquele momento, o era)
Enfim, faça como quiser.
Você ainda teima em procurar respostas da janela, e não espera elas virem até você. Na sua pressa tão certeira você procura coisas que não tem a hora de maturação ainda. Que bandeira... esquece o que aprendeu, e só uma vez sente verdadeiramente o que seu coração quer, sem medo, sem hesitação, sem forra, sem guerra. Deixa o quasar pulsar de forma violenta e instigante até você ver que a vida ainda tem gosto de ser, ter, e viver.
Afinal, faça como quiser.
Eu sou só uma sombra.
domingo, 11 de junho de 2023
Ao Homem Môrto.
E tu, homem môrto;
Nada leva além dessa terra
a não ser o ódio de quem te ama,
e o perdão de quem não te conhece.
Teus livros na parede não serão lidos - talvez doados,
sua amada amará outro amor,
teus filhos te oraram em despêito,
afinal, és homem môrto, de terra contra carne bruta.
Abre tua alma,
e esquece as vezes que você desafinou,
e estranhamente lírico, és tu;
Sobrepujado entre os altos Céus,
uma voz para cantar.
E tu, homem môrto;
Tudo aprendeu nessa terra,
incluindo as festas e as arguras,
e o abraço que acalmava sua animosidade.
Seu carro será trocado,
suas roupas irão para a caridade,
teu dinheiro tão bem guardado será gasto braviamente,
afinal, és homem môrto, sem carteira ou pensão.
Mostra sua petição,
emane o que de bom você já presenciou,
ricamente humano, foi você;
Estando longe da condição humana,
consegue agora desatinar.
E tu, homem môrto;
Não precisa despertar pra trabalhar,
agora não importa o que deve ou ganha,
só te resta até o fim do juízo descansar.