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sábado, 30 de abril de 2022

Rua dos Ingleses.

 Hoje eu acordei com uma joaninha na minha casa. E me lembrei de tua perna.

E vi o Céu cinza, do jeito que amo, gosto, quero e desejo.
E esse frio, extenso, garoando e cinza, me abraçou e exultou meu dia em torná-lo bom, e choveu fino; teve um incêndio no Glicério, a Boa Morte continua quentinha nos dias de frio e voltei a estudar latim e grego. E eu me senti vivo novamente pegando aqueles livros antigos do monge e podendo-os ler e tendo a justa correção das palavras e escritos - novamente, me tornei o letrista que almejava ser, ao poder usar as letras em ordem.
E as pus?
Pus apenas em ordem; mas por algumas vezes não pude lê-las. Mas isso não significou que elas não estivessem ali, em minha frente. Não significou nada, de vera. Eram apenas letras que aprendi a ler, re-ler, entender, e vê-las de nova perspectiva; e quando pus-me a lê-las com novos olhos, pude ler melhor, bem e mais. Ah! E o óculos me ajudou, de fato.
Ando-me sentindo novo para aprender, e finalmente aquele fôgo que ardia em meu peito acendeu novamente, tangeram-me os lábios em brasa viva, e eu pude então ver que saíram de mim os grilhões e os dardos não mais perniciavam minhas carnes. E de meus olhos, jorravam brilhos, e eu sereno, olhei e sorri.
E escrevendo, olhei o mundo, e vi três passarinhos voando na garôa, denotei um sorriso bobo em minha barba, e soube: era Deus.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Virgem dos Olhos de Vidro.

 Os sons falam de nós dois, você não ouve? Se não conseguir, abre a janela, lá fora a canção da rua toca um aviso falando do nosso amôr, e se ainda não conseguir, dentro de ti, no silêncio, ouve teu coração, e se ainda esse coração teu - tão meu, não síncopar falando de mim, então eu amei só. E isso me dói sem ser verdade, e mesmo sabendo das coisas, minha mente me trai, e me faz réu de mim mesmo.

Queria dizer-te tanto, mas pelo afã de não ter palavras, ou de ter como falar palavras, mantenho-me atordoado, descendo ao fundo de mim a procurar trejeitos, gestos que denunciem aquilo que para todas as paredes confesso, e gostaria que você entendesse e fôsse recíproco. Eu só quero, que você me queira, não leve a mal...
Deita-me no teu colo, e com a mão no meu cabelo, afagando em desalinho, diz-me tudo, desde a escola frankfurtiana até como se bebe tequila sem sal, e me faz sentir mais próximo, mais vivo, mais inteirado, dá-me o descanso daquilo que procurei e visei em você, e ao entregar-me aos teus braços, percebe o meu passo mantido, porém cansado, e a esperança de ser você quem procurei entre erros e devaneios. Não foco num fatalismo ou numa fantasia, mas numa realidade esperançosa; andei eu pela metade do camiño, e agora estou eu aqui te esperando para andar mais um tanto, e andarmos juntos - mostra-me que está finalmente completo, e que a mão que seguro é a mão que segurarei nas horas boas e ruins.
Dá-me o teu calôr; seus beijos; seus abraços; e se possível; teu coração; me faz sentir afã ao teu lado.
Despe das roupas, para que eu te veja ao natural mais uma vez, e que eu ao te ver, te sinta e te adore como outrora, e que ao menos você desarmada - sem roupas, trejeitos, palavras, parlação - me mostre que és minha, não de posse ou propriedade, mas que ao demonstrar afeto, acalme meus demônios, e escondido abaixo de meu peito, saiba que eu tenho parte na perfeição, e que essa mesma perfeição, é minha e me tem amôr - e o que você não sabe, é que eu preparei uma canção pra você.
Se lembra de mim, como lembro de você, e me guarde em teu sacrário, como te guardo no meu, tem em mim estima e amôr, pois tenho por ti em demasia, e te quero muito, bem, e em paz. Seja aquela que foi antes, e me diga novamente tudo o que foi dito, e guarda a nós dois: Venho em paz, nunca em guerra, mas enfrentaria tôdo tipo de cousa para te honrar e dar-te um sorriso no rosto e bôa vida; te fazer feliz, te fazer sentir amada, desejada, jorrar mel de tua flôr, segurar as barras com você, e deitar ao teu lado sabendo que ao meu lado dorme uma rainha. Eu realmente lhe amo, e por favor, me note, pois meu coração já pena e pesa.
Por favor, me diga que tudo isso é real.