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quinta-feira, 20 de abril de 2023

Lost In The Supermaket.

 Um ano depois é muita coisa.
Ainda não sei dizer, se estou vivo ou morto. Sei que meu livro sai agora em maio após umas séries de desventuras e de fazer-saber e fazer-conhecer. Sei que não durmo mais no chão e tenho paz de espírito - ainda sonho e penso na morte de forma afã, mas tenho ainda o tino de mexer bem com a lâmina que trago oculta em minha mão.
Eu não sou herói, sou escriba. Dos que escrevem eximiamente sobre tudo, e no fim não te deixam entender nada. E já queimei o notebook com o cachimbo. E já mandei rezar uma missa. E já falei de menos. E olhei demais.
A água de beber é diferente da água de candinhar. E na anágua que ela veste, na têz da noite com os corpos no escuro, eu quero me esconder. E aninhado, aos olhos acastanhados que vermélidos, me dão alento, navego suspeitosamente em seus cabelos negros e penso em mim como escriba, daqueles que fala dela sem que ela perceba que eu cito-a. Diz Ednardo na música: "Pra menina meio distraída, repetir a minha voz...", e assim, quero permanecer. Como alguém alheio, mas não presente. Como rei sem trono, casa sem arrimo e olhos que hordam a cegueira.
Uma vez eu conheci um cara que foi um herói. Ele me disse que era dos boêres, e que lutou na Índia. Eu nem acreditei e nem desacreditei; Na verdade apenas ri - eu só pude rir. Conheci também uma moça que chorava lágrimas de prata, e que suas mãos eram mais quentes que água em ebulição... ela tinha nôme de pedra, talvez jade, talvez esmeralda, ou turmalina. Tanto quanta outra vez conheci um irmão de rua que falava latim, aramaico, grego koinè e hebraico-velho; me confidenciou que era grã historiador teológico, mas que a tudo largou para viver o que realmente desejava (as coisas de seu coração), e por isso perdeu tudo. Conheci uma mulher que se prostituía por medo da solidão, uma boliviana que pagou 50 mil em um anel, e trocou por uma casa na Bela Vista, e depois por dó (sic) ela se casou com o dono do ap golpeado e foi a melhor coisa que fez. Vi filhos de amigos nascerem, vi pessoas amadas morrerem, vi a tristeza e dor em cada coração e celebrei e fui rei com quem celebrou cada alegria de forma ferrenha. E isso me manteve vivo - por mais que ainda esteja dançando um tango errante com a morte; parando apenas para ir no banheiro e comer um pastel.

E em um ano depois, é muita coisa, nem dá pra contar tudo nesse texto, apesar de já o ter dito o suficiente...

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Sunday Morning.

Estávamos bebendo eu e meu irmão ontem. Na sexta ou sétima garrafa, sei lá.
Rindo e conversando da vida.
Curando as feridas um do outro.
Acabamos de comemorar a morte de um desafeto nosso.
Eu o tangi. Feri de faca como há muito não o fazia, e desaguei naquele momento enquanto o punhal maldito descia entre a pele e jorrobatava sangue marrom, de raiva toda a minha agressividade e cólera soterrados por anos de cristianismo e bons pensamentos eu desapeguei para apenas ali fazer a justiça que não esperei do Céu, e tampouco a dos homens.
Quando, já em ponta de morte o desafeto ganiu, meu irmão puxou o gatilho com os olhos em riste e bradando de raiva. Os capangas dele deram um jeito no corpo, parece. E isso o ensinaria a não mexer mais com um casal que desce a rua para se divertir e tampouco balear a esposa grávida, roubar o dinheiro de alguém e quase aleijar alguém que não tem a ver.
Ríamos, brincavamos, como se aquilo fosse quotidiano em nossas vidas - e talvez, num passado distante o fora. O meu irmão, assim como eu e a gama de nossos amigos, vem de uma raíz nordestina, aonde ainda mantemos a situação a se resolver no brilho da faca - não que isso explique, mas denuncia muito a nossa conta.
Não tinhamos pais, e nossa formação era das brigas de rua, das missas, e das idas em estádios e tomar cerveja num bar que vendia escondido para nós. Eu, na verdade, me enveredei pelos caminhos de Padre Deus e me inseri no contexto apostólico e diplômatè. Meu irmão, pegou em armas verdadeiras e se sujou com hasseldamas, mas de contrapartida ergueu capelários, doou dinheiro, cuidava das crianças e viúvas e os que em dolosa aflição estavam, foi mecenas da providência divina. Eu, vivi. Ele, também.
Na mesa, cerceados por cervejas e pizzas, nós falávamos de Alvares de Azevedo, da existência de Deus, do princípio da minha - por supuesta - cura, dos heróis de nossa juventude, e de nossos demônios taciturnos, que arrodeiam nossa cama, daqueles que nos abrem os olhos quando queremos fechar.
Ele, em respeito a mim, não há de guiar e pretorar os passos da amada a quem um dia lhe pedi para que sentinelasse para que eu não me sujasse. Eu, em respeito a ele, pedi uma última alegria.
Tangemos aquele que nos fizera mal, e deixando-o na tendinha, seguimos como fazíamos na época em que éramos deuses: nos lavamos, olhamos um pro outro, nos abraçamos, e fomos descarregar o acontecido em cervejas para esquecer. Pusemo-nos um no lugar do outro: Fui assediado enquão acompanhado pela amada e doente, ele, ferido e pobre, com sua esposa ferida e sem o fruto no ventre dela. Isso nos impulsionou ao último ato transgressor - mas ainda lemos Agostinho, rimos e sabemos falar da somatória do medo, somos os mesmos, apesar de evoluídos(?).
O bar estava pra fechar, embrulhou a pizza e me deu os pedaços para jantar, me levou até em casa e me abraçou, e foi depois ver sua mulher e cuidar dela. E assim seguimos a noite de um domingo.

E apesar de tudo, somos humanos. Relicáriamente humanos. E eu acordei.

terça-feira, 19 de julho de 2022

Preparação para a Morte.

 Alguns leitores tem lido as minhas últimas cartas (públicas) a amigos próximos, a quem os estimo. E me perguntam o motivo de no esqueleto armado das proposições das cartas haver sempre de ter na terça parte um capítulo chamado "Preparação para a Morte".
Bem, explico-vos nesta minuta:

É de fator humano que a morte é irremediável, e eu na condição de católico e afiliado ao carisma franciscano não tenha medo da morte, pois como nos diz Frei Francisco: "Louvado sejas Meu Bôm Senhôr, pela nossa Irmã, a Morte corporal, da qual nenhum homem pode escapar!", logo, me preparo para minha morte diariamente como todo católico deve(ria) fazer.
Monges, padres, santos, todos fazem disso um grã costume tradicional e costumeiro, isso não começou com Afonso de Ligório e tampouco se resume a memento mori. - expressão latina que evito ao máximo usar para não ser confundido com os ridículos da tribuna. Sou escriba.
Medito sobre meu fim, se fui frutífero ou de boa estima, e se eu também deixei frutos, se apresentei bons atos de fé para os meus e a Deus. E entendo, que iminentemente eu vou morrer, seja pela moléstia que me aflige agora, ou depois de qualquer outra forma, mas, dado o atual cenário, me preparo para poder dizer e fazer da melhor forma; não quero ser ou soar dramático, pois, a ideia é justamente aprender a lidar com o fato da morte, e saber que uma hora me chamarei saudade - por isso, dado a exemplos que vivi, escrevi (e ainda estou a escrever) cartas e ensaios dos meus pensamentos e opiniões sobre a vida, das pessoas, e as minhas impressões da terra - não gostaria de ser mal-interpretado e tampouco que pensem "o que será que ele pensaria disso?" Por isso, em formas de escritos, deixo para trás meus textos, conselhos, admoestações e forma de vida geral para compreensão. 
E isso de forma certa não é para me por em condição de mártir, mas apenas para aqueles que buscarem a saber os meus últimos passos, saibam o que fiz e vivi pela melhor pessoa: O cronista, Marcvs. 

Grato por tua leitura. :)

sexta-feira, 17 de junho de 2022

Carta a Rafael.

 1 - Prefácio e saudação;

Marcvs, escriba e pai das cordas para Rafael e, versátil pregador-texugo e filho dos doutos.. A graça te baste e não te pese a mão da horda, que suas alegrias sejam eternas e infinitas.

2 - Justificativas geraes;

Desculpe-me se desisto da última bandeira. Desculpe-me se sinto se já fiz muito e tanto, abro meu coração diante de vós e abro-os como cera, de par em par, e por isso, cansado de tanta luta, sem Dulcinéia e sem Sancho, entrego-me a vontade de Deus e da ida, e iço velas para o que haver de ser de mim. Morro lentamente, e dói cada íngua e dobra de meu corpo de jeito que levantar da cama há de ser uma batalha. E eu, abdicando de fé e esperança, me deixo ir, sabendo que os que deixão hão de ser benvistos e benquistos na terra dos homens e na morada do Senhor. Não quero usar bengala, tampouco me fazer em testemunho e martírio, mas se for para sofrer, que eu sofra para Meu Senhor que mais sofreu por mim no Santo Madeiro.


3 - Preparação para a morte;
Que Deus te preserve do choro, e te dê um riso bobo para minha hora quando vimos Jairo no caixão, e passados 9 dias, fomos o visitar e vimos pássaros e peixes em seu jazigo. Não ore por mim, mas te peço que ore pelos meus pelas continuidades de minhas promessas, e que eu, estando ausente, sê tu sustentáculo de fé para que tudo permaneça bem como está - que você ouça, veja e fale com peixes e pásaros, mas que nunca te seja obra de grandeza ou objeto de escândelo, e pedindo quanto crismas quiseres, atenda-te Deus. E de ti, quero a Salve Rainha no meu tom e corrida, e Angelvs na formula de Dona Antônia. E após posto meu esquife na terra fria, que te ponhas tua mão na terra, e sinta que me tornei parte do Cântico. E eu, sorrindo, estarei em uma esquina do Céu tomando cerveja com os nossos, e os Patriarcas, a quem tanto rogo, lhe darão alguém melhor para inspirar as novas, belas e boas palavras.

4 - Transmitir conhecimento;
Te ensinei as bandeiras, as tradições católico-pavlistas, os dias magnos, datas e rezas, te mostrei as igrejas que são históricas e os altares onde Deus habita. Te peguei pela mão e te mostrei todas as entradas e bandeiras de São Pavlo da Piratininga para que fôste ungido como diácono no rito antigo da vida antiga, não faça eu me sentir ridículo se não proliferar de vós a sapiência que jorrei em ti; com a ordem de magister sobre vós, lhe rogo: não deixe a verdadeira tradição morrer na mão dos iníquos. Lembra-te de como meu rosto transfigurava e que fôste o único que viste minha alva e elevação do chão - e ainda sim isso não me faz santo, só faz apenas um pequeno trouxa do caraio que em vós tem um filho. Sê prudente! E passe adiante todo conhecimento para apenas os dignos e justos de confiança.

5 - Minha última bandeira;
No domingo, farei minha última bandeira. Assistirei a missa em latim, subirei o morro dos inglæzes altivamente, passarei pela Pavlista, descerei a Consolação, renderei graças no túmulo do Frade Eterno, e após isso irei até a Consolação ver a Virgem dos Cônegos que tanto me valeu. Comerei algo, e após isso retornarei em casa para não mais sair, fazer bandeiras, ou andar vivamente, me sinto fraco e débil, e por essas semanas já caí na rua algumas vezes, então, peço que ore por mim para que um Bom Anjo de Luz, Paz e Guia me guarde e me dê força para ver minha Piratininga pela última vez a maneira que eu gosto - como disse na carta passada, Monge Ivan me trouxe livros, logo me dedicarei as leituras e pouco andarei e sairei de casa, apenas para esperar a hora derradeira no meu momento.

6 - Conselhos geraes para pastorêio;
Leia os cinco evangelhos. Seja caridoso. Ame os seus, odeie a falsidade e o levianismo. Mate a morte, e se guarde e banhe no Espírito Santo Paráclito. E quando puderdes, faça as bandeiras, me encontrarás lá em cada recôncavo e segundo. E eu, vos amando como filho, irei te guardar nos meus e diligenciarei minhas orações a vós, a cada segundo da eternidade - desde que seja fiel aos recomendos que te dou nesta carta.

7 - Benção final e despedida;

Que Deus, em sua infinita misericórdia te guarde e te proteja, livrando vossa mercê de todo o mal. Que a Mãe Rainha da Boa Morte te guarde e te conte entre os seus. Que São Maurício te capacite, e que São Leão o Magno te dê sorte de ter o espírito de pregação. Espero encontrar-vos na festa do lugar, e com o espírito incorruptível, e se possível, te rogo adiante e em paz por mim. Do teu pai que te ama muito e reza pelos teus estudos e teu futuro pastoreio, Marcvs. 

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Carta a Tito.

 1 - Prefácio e Saudação;

Marcvs, escriba e profeta das estepes para Tito Thetassalikis, pai de Irene, filho da República Helênica e dos mundos antes do mundo. Que a sorte do seu caminho seja de bons ventos, bons azeites, mulheres e peixes frescos nas suas pescas.

2 - Amenizar tua preocupação, amizade eterna;
Sei que está a imaginar o que se passa, pela escrita que vos entrego, o trejeito, manejo e tato: sim, Theta, a hora chegou, desvela teu hábio: telegrâma-de-vêm-me-vêr. As coisas andam bem, mas ao mesmo tempo vejo três cousas me esvanecerem de minhas mãos, por isso, antes que a cidade durma e eu vá para a festa do lugar, peço que atenda o telegrama; corre em minha foz e me vê desaguar os últimos rios, pois, quando me chamar saudade, me torno apenas o herói de Fred Perry que levou um tiro de borracha por você nas manifestações de 2013. Corre e vem ver teu amigo antes que ele deixe de ser teu amigo. Corre e vem abraçar a carne que esmaece. Corre e vem rir, antes que o riso se torne lágrima.

3 - Preparação para a morte;
De saudades em saudades, rogo a Deus que Gil esteja lá sendo meu caronte, e estando eu a ponto de vê-lo, mando lembranças tuas; e rogando a Deus por tua empresa, rezo por vós o tanto quanto to me pedes. Hoje Ivan veio me visitar, me trouxe livros, alegrias, e preces que acalmam o coração. Quando eu me chamar saudade, não carregue meu caixão pois perdi nossa aposta: Até mesmo os unicórnios místicos tem prazo de validade, logo, peço que você vá até mim e me conte pela última vez a minha carne a história de Santo Antão do Deserto e o diabo. E tenha paciência, pois dessa vez não irei lhe responder mais. Estou a preparar minha carta com meus últimos desejos e pedidos, e tenho coisas a deixar a vós. Aceita-as, pois hão de ser tão tuas como minhas, e hás de zelar tanto quanto eu zelaria.

4 - Evocação a juventude;

Se lembre de nossa juventude, Theta. Se lembre de nossos risos, nossas brigas, e nosso amadurecimento perante a vida, e do cachecol na cintura. Se puder, se lembre de mim, e reze pela minha pequenina, a quem amo e estimo. Lembre da Theotokos que Gil deu a mim e a ti, e abençoa a dona da Theotokos, assim como eu abençoo teus rebentos, e extenso a benção para a Dona da barriga que gerou teus rebentos. Graça e Paz a vós!

5 - Admoestações;
Passada toda a tristeza, espero terminantemente que você tenha acalmado os ânimos com tua irmã, e que a unidade entre vocês seja conservada, e que se ainda não o fizeste, mando-te pela santa obediência que o faça e logo: seja bom para ter bondade, tenha misericórdia para ganhar misericórdia e ame para ser amado, nosso Deus não É e nem nunca há de ser mercenário, e Ele se agracia a cada benção que se deita por nós. Sejamos bons para que Ele conceda-nos a bondade. E sei que adormecido em vós há uma bondade corroída por mais de anos de autopreservação que não se justifica: Trocaste teu coração por regras malditas, e hoje pelas tuas ĺeis não se entrega ao amor, a paz, e a misericórdia sei lá Deus porquê. Que Deus te desendureça teu caminho e te ache teu caminho para casa. Rezo por vós até meu último suspiro.

6 - Benção final;
Que Deus te abençoe e te ponha entre os Santos, Únicos, Primeiros, Justos e Mártires. Que Deus te guarde e te livre de todo o mal. Que Deus te dê fartura e peixes frescos.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Carta a Lucas.


1 - Prefácio e Saudação;
Marcvs, escriba e oriundo do degredo, escreve a Lvcas, o pioneiro de si. Adiante abençoo e como o sustentáculo louvo teus pés que vão, ficam e hão de pisar de meu grã amigo, gente de minha gente.

2 - Admoestação e constatação;
Vejo que, ao passo que nos mantém vivos, consideremos o que ainda temos na mão e ao nosso contorno, e por mais que as coisas sejam propensas a ruína - e creia em mim, eu vi a ruína como bem sabes, e agora reconstruo minha vida e tenho bons olhos pro que há  de vir e me mostraram - ainda temos a chance de recomeçar, como os discípulos em Emaús, como Franciscos, e tantos restauradores.
Mas, denoto que por mais que as coisas estejam nebulosas, devemos sempre manter uma esperança na melhoria de nossos dias, e trabalhar em diversos aspectos: Ora por fé, ora por esperança, ora por amor, ora por certeza, ora por dúvida, mas sempre devemos agir, e de preferência pela prudência e de acordo com nosso desejo, e pelo que nosso coração anseia e a mente projeta.

3 - Preparação para morte e consolação;
Você viu um homem preparado para a morte. E o tomou como pai assim como ele lhe tomou como filho; assim como ele fez comigo. E o nosso pai - que agora, criados pelo alo vatilício e vaticíniado de família lhe chamo de - meu irmão, dá-nos um grande exemplo de como morrer em pé, olhando o Sol e a Lua, vendo as pessoas ao seu redor e esperando a sua hora definitiva, e nós, participantes de sua páscoa pessoal, somos de certa forma brindados por exemplos que tanto eu como vós não tivemos essa instrução. E após termos vividos errantemente, encontramos um ser humano como nós, com seus erros e acertos como nós, temos (finalmente!) um motivo para ir adiante; mais uma estaca para ficar nossas raizes neste solo.
E devemos, ser fiel as nossas raizes, ao que ouvimos, aos que nos ajudaram/ajudam há tanto e muito e agirmos sempre de misericórdia e perdão. E sempre que possível, fazermos boas coisas e bons momentos.

4 - Teofania e sinais;
Digo-lhe, pela tua curiosidade, e para revelar: A Teofania que temos não se baseia em um sinal divino/místico surreal; perceba: Deus se revela em cada coisa a cada momento em todo o minuto e tempo.
No sorriso das crianças, no vento, na chuva, nos abraços bons e sinceros, e nos passarinhos - em tudo isso encontramos sinais de Deus, e em Deus nos encontramos em comunhão e vontade, e isso nos ajuda a ter fé, conhecer os sinais e propósitos de Deus, e principalmente agir de acordo com o movimento dos barcos. Quando temos um sinal de Deus, obtemos a chancela para entender situações, moldarmos planos, e principalmente meditarmos. Entregar-se numa vera vontade de Deus não é impoossível, mas nos basta entregar verdadeiramente em vez de oração decorada e de livro transposto na mente: A rotina da fé constitui-se bravamente e arduamente, mas isso lhe explico em outra carta.

5 - Esperança, fé e o universo;
Ter esperança é nossa vontade, e nosso desejo. Ter fé é nosso combustível, e o universo é oo campo aonde Deus deseja que atuemos.
Se tivermos fé, podemos pedir quaisquer coisas a Deus, e pela Sua santa vontade e permissão, acontece. A fé, quando elaborada e trabalhada, consegue fazer todas as coisas renovadas e belas.
Ter esperança, é como no velho ditado que "o jogo só acaba quando o juíz apita", e que isso nos vale de forma bela e digna. Quando temos esperança, somados a fé, temos uma crença inabalável em n situações que podem nos levar a glória excelsa. A esperança é a mais ditosa das virtudes, que nos inebria com os sons, luzes, palavras, atos, remissões e orações, e nela, não se encontra erro ou mancha alguma, pois nisso atendemos o propósito de vida e viver. Bem sabe de minha chaga que dói e do que me machuca até a alma agora, mas, além do frio, me resta a esperança, a fé e o universo. E Deus, é o que me sabe. E é esse meu momento: Orar, ter esperança, e esperar pela minha botica.

6 - Conselhos finais, agradecimento e benção;
Agradeço por ter vindo me ver, e por ter me dividido o teu fardo comigo. Por ter deitado no chão cru e gélido comigo, e rirmos enquanto nossos queixos batiam. Agradeço por andar comigo na glória e na humilhação.
Aconselho-vos, a ter sabedoria, ter mansidão, contar com todos que lutam e estão contigo e lhe ajudariam sem pestanejar. Teu pai manda bençãos e sortes de sem-fim.
Abençoo-te, como quem te guarda em um sacrário para ter o melhor de tua vida viva em mim. Deus te faça bom homem e boa pessoa. Deus te abençoe meu irmão.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Virgem dos Olhos de Vidro.

 Os sons falam de nós dois, você não ouve? Se não conseguir, abre a janela, lá fora a canção da rua toca um aviso falando do nosso amôr, e se ainda não conseguir, dentro de ti, no silêncio, ouve teu coração, e se ainda esse coração teu - tão meu, não síncopar falando de mim, então eu amei só. E isso me dói sem ser verdade, e mesmo sabendo das coisas, minha mente me trai, e me faz réu de mim mesmo.

Queria dizer-te tanto, mas pelo afã de não ter palavras, ou de ter como falar palavras, mantenho-me atordoado, descendo ao fundo de mim a procurar trejeitos, gestos que denunciem aquilo que para todas as paredes confesso, e gostaria que você entendesse e fôsse recíproco. Eu só quero, que você me queira, não leve a mal...
Deita-me no teu colo, e com a mão no meu cabelo, afagando em desalinho, diz-me tudo, desde a escola frankfurtiana até como se bebe tequila sem sal, e me faz sentir mais próximo, mais vivo, mais inteirado, dá-me o descanso daquilo que procurei e visei em você, e ao entregar-me aos teus braços, percebe o meu passo mantido, porém cansado, e a esperança de ser você quem procurei entre erros e devaneios. Não foco num fatalismo ou numa fantasia, mas numa realidade esperançosa; andei eu pela metade do camiño, e agora estou eu aqui te esperando para andar mais um tanto, e andarmos juntos - mostra-me que está finalmente completo, e que a mão que seguro é a mão que segurarei nas horas boas e ruins.
Dá-me o teu calôr; seus beijos; seus abraços; e se possível; teu coração; me faz sentir afã ao teu lado.
Despe das roupas, para que eu te veja ao natural mais uma vez, e que eu ao te ver, te sinta e te adore como outrora, e que ao menos você desarmada - sem roupas, trejeitos, palavras, parlação - me mostre que és minha, não de posse ou propriedade, mas que ao demonstrar afeto, acalme meus demônios, e escondido abaixo de meu peito, saiba que eu tenho parte na perfeição, e que essa mesma perfeição, é minha e me tem amôr - e o que você não sabe, é que eu preparei uma canção pra você.
Se lembra de mim, como lembro de você, e me guarde em teu sacrário, como te guardo no meu, tem em mim estima e amôr, pois tenho por ti em demasia, e te quero muito, bem, e em paz. Seja aquela que foi antes, e me diga novamente tudo o que foi dito, e guarda a nós dois: Venho em paz, nunca em guerra, mas enfrentaria tôdo tipo de cousa para te honrar e dar-te um sorriso no rosto e bôa vida; te fazer feliz, te fazer sentir amada, desejada, jorrar mel de tua flôr, segurar as barras com você, e deitar ao teu lado sabendo que ao meu lado dorme uma rainha. Eu realmente lhe amo, e por favor, me note, pois meu coração já pena e pesa.
Por favor, me diga que tudo isso é real. 

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Carta aos Dispersos.

São Paulo, ano do Senhor de 2020, ao 29º dia do Mês de Maio.

I - Prefácio, e saudação.

Marcus, o Queiroz; Filho de Fábio, de Márcia, amado por Antônia, de coração Franciscano, mente Dominicana e bôca Beneditina, aos dispersos pela pandêmia: Paz e Bem! Glória imortal ao Sangue vertido da Cruz, pois Ele é a melhor forma de viver.
A filha, no ventre da amada, ao Sol que ainda aquece no frio, ao Marçal, Bezerra, Leão, Cunha, Leme, Arcanjo, Miriani e aos que me circundam: Graça e Paz! Fartura para os que dividem, e misericórdia aos que acumulam.
Em tempos de crise, ticoliro (lhe chamo assim desde que soubemos de vossa alegre e bem-vinda  chegança), nós andamos dispersos, mas o fundamento, côrpo e essência para se manter são é você. Então, o tôm, contracrônica e palavra dessa epístola é para você. Os acima citados são meus, e me tem carinho como os tive, logo, se são pessoas de meu viver, pode os considerar teus amigos e próximos.
28 anos, sem a amada, com a barba extensa, e a todo dia orando por você, e desejando ardentemente segurar-te em meus braços ao menos uma vez e te amar gloriosamente - filha, és de fato a concretização de um sonho, e a alegria que fulgura em meu peito, faz-me bem e dá-me ânimo e esperança. Não há um dia que eu não imagine sua mãe, e não pense nela, tampouco cá vós, e oro para que o dia da festa esteja pronto e digno para sua entrada. Em ti vejo a calma que tanto busquei, e o motivo de continuar a terra. Em paz e ainda em paz, desejo ser para ti o pai que nunca tive, e ser presente como o meu nunca foi, amar-te e apoiar-te e dar-te o que conheço, tenho e sei. Te ensinar o amôr, a verdade, e o que realmente é o mundo. Não te quero santa, mas não te desejo comungando com falso moralismo, quero-te livre, verdadeira, e fiel a seus princípios - e mesmo que os teus princípios possam me magoar, serei fiel a teu amôr, pois é por você que dobro meus joelhos a cada dia desde que soube que seria o melhor presente que tua (incrível) mãe poderia me dar.

II - Passar dos dias, admoestação, cuidar e conhecer:

E aqui eu fico, isolado, longe, arrumando a casa para sua chegada, e imaginando você; Desejo que não seja nem igual a mim, tampouco a sua mãe, mas que tenha seu brilho próprio e que ache seu lugar ao mundo, que eu e ela possamos lhe dar com o tempo e com a experiência, você é a primogênita, e cheia de amôr. Permita Deus que nós sejamos exímios em sua criação e possamos lhe passar o que julgamos ser a verdade. Filha, agora me acho aparte de vocês, mas nunca em momento algum deixei de amar ou sequer pensar em vocês, digo com a certeza dos Patrísticos que estou vivendo um sonho acordado, mas o maior sonho de minha vida, não estou vendo. Apenas sentindo. Deus é bom, justo e maravilhoso, e a tôdo momento cabe a Êle render glórias, pois em respostas de minha oração, Êle me entregou sua mãe como mulher, mãe, amiga, namorada, amante, rainha, consorte, e esposa. Ter sua mãe não foi apenas amar uma mulher, mas ela fez mais por mim como qualquer outra. Sua mãe encontra-se num patamar igualado e nivelado de sua Avó Márcia, e de sua antecessora, Dona Antônia - A Véa.
Porquanto você estiver com ela, diga que a ame, cuide e ampare dela, faça-a bem, respeite e ouça as decisões e conselhos dela com sabedoria. Abrace-a forte, e beije o rôsto mais macio que há. Tenho mais certeza ainda que não poderia haver mãe melhor para você do que ela. Afora sua mãe na terra, há Maria, a Virgem Sempre Bem-Aventurada, que ouve minhas preces e há de sempre lhe acompanhar por onde for, porque a amada Rainha Celeste, mãe nossa, me disse que cuidaria dos teus passos e te daria a alegria. A Mãe, minha filha, sempre quer nosso bem. Sempre.
Ame seus avós, e não esqueça de sua avó Márcia, que muitas vezes lhe ora e pede sua vinda com saúde, e ânimo. Cookie, a cachorra mais desordeira do mundo te espera ansiosa para lamber sua cara e roubar sua comida. Todos nós, deste lado da história estamos muito ansiosos por você e fazemos votos de lhe amar muito, e em paz, e contemplar você.

III - Consolação, virtudes, apoio:

Não há culpa, não há magoa, não há dôr. Há um vazio que vocês duas deixaram, e que nunca se preenche. Nos primeiros dias, pedi tanto a Deus pela morte, e ele nunca me respondeu. Talvez eu deva lhe segurar nos braços para entender o que é a perfeição, para depois partir. Filha, dou-te como lição ser sempre leve, aceitar tudo o que Deus lhe manda, e amar as pessoas com cada tino e certeza de seu coração, confie em tua intuição, e acredite sempre em seu potêncial - se hoje sou pai, e estou vivo, é porque ao longo do caminho sempre tive o sonho de um dia poder constituir minha família, e mais além: Sabia de que minha vida seria perfeita com tua chegada. Não houve um dia que não esperei por hoje, e digo que você desde que revelada já foi muito amada, tôdas as minhas alegrias hoje são você.
Se eu não estiver por perto, saiba que lhe amo, e lhe tenho confiança em tudo o que fizer, e mais além: Tudo o que desejar, que for sincero e puro, de teu merecimento, Deus lhe dará e te recompensará pelo que dividir com teus irmãos. Ama a vida, e despreza o gôsto de ocre na bôca, renega a casa, flôrete e jardim, e ama a perfeição, entende que tudo que vive é irmão, e que há uma Fôrça soberana que rege, guarda e ilumina teus passos nessa terra. Sê feliz, pois quem tem sorriso na boca não tem tempo para chorar; Entrega-te só para quem te merecer, pois tem seu pêso posto em ouro, vale muito e é estimada, preciosa e querida. Ame apenas quem for digno de seu amôr, sê caridosa com todos e louva a Deus por tudo, pois em Tudo Êle estará contigo e te livrará do mal por onde você for, carregas o sangue franciscano, sê humilde, grata e em paz.

sábado, 16 de novembro de 2019

Lucky Seven.

memento mori
Ah, vai dizer que você não sabia que a morte é o princípio da vida, e que nada se começa sem se terminar? Vai me dizer que você acha que simplesmente tudo está aqui, suspenso no universo e nada aconteceu antes e nem depois? No escuro da noite, o norte do que vacila é uma oração - e o quanto mais se questiona mais sabe. No fim das contas, zerando a reza, o que sobra do homem é apenas a carne exposta e um coração que sangra: Ecce Homo! gritaram da platéia, e o palhaço, de íris-esmeraldina mete os pés pelas mãos e o mar verde é submarino, o cordão que aperta o pescoço é seda, e o que é velado, também sabe velar; Não dizem nada das arquibancadas, mas quando se desce para ouvir o universo, todos tem um palpite, uma coordenada, um conselho, e no fim do juízo, quem aconselha o conselhereiro? Afinal, de certo deve saber que a sapiência é dom dado e multiplicado quando dividido, mas, quando empirizado e descartado como vantagem, a burrice é o pé da soleira.
Até agora, os anjos continuam a voar pelo Céu e se distânciando de aviões e ônibus espaciais, então nossas bençãos estão garantidas; Os olhos ainda lacrimeijam de raiva e de lágrima, e não se ouve, não se sente, não se vê, no côvado de um banheiro, toda uma raiva se externa com as santas águas bentas do chuveiro - onde os touros de basã sentem mêdo, ali não me acharão, e vou mais além; Profeta de mim, sabia muito bem e antes de minha sina, e marcado por meu vaticínio sabia do que aconteceria, e parafraseando a velha senhora: Deus dá e Deus tira. As coisas, o tempo de convivência, tudo, é apenas um tempo de aprendizagem, mas Deus dá e Deus tira. As pessoas dão, e as pessoas tiram. E se o significado não difere, então é Pessoa.
Abaixo do Céu, a nivelação vem para todos, e a morte não nos faz irmãos. Pois sim, a vida. E enquanto a vida não vem, habitam verbos na boca, e se os verbos se conjugarem errados, corações se quebrou, se caminha pela estrada certa, sede seus passos firmes e bólicos, e deixa que o tempo mostra. Quem não tem tempo pro tempo, tem medo e raiva. Quem não tem tempo pro tempo, tem medo do êrro. Ainda existem coisas boas na terra, e por mais que andemos, ainda tem-se um cajado para seguir.
MAS em flôr, já cantava o Profeta, elogiando em sua trova uma Fôrça soberana tudo o que acontece, e vendo do passado, louvou os que seguem por agora, sabendo que a porta estreita ainda dará louros de glórias e lavras para quem quer a messe em ordem. No final das contas, as contas foram pagas com preço alto, e ao firmar os passos na estrada, esquecemos que o passado é passado, mas ao olhar a marca de nossos pés, vemos o quanto mudamos, e o quanto temos que melhorar: Louvamos um Amor, e machucamos quem amamos com aspereza e superficialidade, damos o Céu mas sem esquecer de firmar a terra sobre nossos pés - da adversidade nasce a razão, e da falta de pensar e da crítica nasce a ignorância e a adaga, que carregas atada em suas mãos, para cada vez que me vês, com teus abraços e mão-a-mão, penetra em mim. E no dobrar dos sinos, na raiva do metal que tina sem mêdo, minha alma grita em desespero, e na surdez do tinar eu sou ouvido enquanto as mãos limpas, tem sujeira demais, e as mãos sujas são as que merecem o bornal com a farta cornucópia.
memento mori

domingo, 10 de novembro de 2019

José.

Na madrugada, não muito longe desse mar, dois amantes se deitaram após de ver a rua, e no parco moviemento, como duas sentinelas, do alto da janela, se abstém. A cama quente sabe se entreter melhor que a madrugada que desponta pelos olhos acastanhados, olhos que só sobrevivem no crepúsculo, olhos que nascem quando o dia morrer. Ali, no eleio, elegem-se arrimo um do outro, e enquanto dorme, com o cabelo acacheado perfumado, no grosso do sono eu a ouvi dizer meu nome. Pele branca, cintura fina, pés pequenos, sorriso esmaecido e a tranquilidade que finalmente encontrou-se no sono. Dos justos, dos incertos, do que valer, mas ali se encontra o fim.
Eu ouvi, você chamar, o meu nome.
De fato, não me assusta por um segundo que a vida se aconteça e se renove. Me assusta as pessoas querem dominar o alheio, transfigurar aquilo que lhes cabem na vista de um palmo, para deturpar para seu próprio prazer - ou dor.
Cabe me a cova de desejos, e um mar ferreo aonde não consigo mais navegar - e foi ali, aonde deitei meu coração, por baixo do mar ferreo, aonde os heróis nunca saberão de seu panteão, e aonde as donzelas choram suas miçangas, lágrimas de môça e rugido de transformação, é ali onde ele está, pouco abaixo da linha da razão e um pouco acima da serviliência. Aonde os deuses podem pisar.
E dentre toda essa multidão, ouvi sua voz me dizer coisas, uma mão que segurou a minha, um abraço que me afagou e um beijo que tomou meu segredo. Eu estou esperando um milagre. Eu estou esperando os sinos tocarem. Eu estou esperando os pássaros marrons. Eu estou esperando o dia acontecer. Eu estou esperando o meu Sol rasgar o peito. Entretanto, esperar todas essas coisas nunca significou nada para os outros além de mim, e mesmo que as pessoas estejam a dizer: Estou aqui, conte comigo, só eu sei o que carrego - que vale dizer que está, e que compartilha, se no final não está e não compartilha? Me vale mais um silêncio do que a falsa esperança, e a falsa caridade. Me vale mais a solidão do que falsas companhias, e deixo o ouro na mão dos que o almejam, pois me basta apenas meus pés cansados, e o que tenho dentro de mim. Cabe a mim apenas ter a esperança de que já está tudo consumado entre os pés e contrapés da casa. Fiz o que pude e não pude, guardei a fé dentro de meu peito e distribui como a eucaristia a quem quis. O resto não me interessa.
Senhor, Tu tens tido feito o Vosso Refúgio em meu peito.
Nos velhos muros tricentenários, ainda consigo reunir as últimas forças para ver o Amado. E ao me entregar como cordeiro ao Pastor, sinto ao menos mais uma vez o Único amôr que realmente me ama sem ter adagas e pedras na mão, e sinto pela primeira vez que mesmo com todos os defeitos e falhas de minha vida, ainda tenho a minha redenção e glória. Sei que no final das contas tenho em minha alma uma grande coisa fervilhando, mas não sei o quê ou como, de qual forma ou proceder; Ponho-me defronte de um turbilhão de coisas que não sei decifrar, e apenas espero o tempo passar para entender tudo.
E toda vez que (se) sentir a dôr, respira, refrão. Acaso não sabe que a Mãe daquele que remiu o mundo olha pelo povo que come as migalhas? De certo, não é a destra do Senhor que se opera em maravilhas e salva o justo da morte? Que vida é essa, que faz os amados se degladiarem e dar a dôr em vez da esperança? Será mesmo que é isso, apenas brigar, até mesmo com quem se ama e crescer cada vez mais solitário, para depois de tudo ajeitado, vir alguém como um ladrão e dizer que sempre quis nosso bem? De fato, se a solidão nos faz bem, não nos cabe mais em sociedade ou como falsos amigos, falsos parentes, ou pequenos transeuntes de vida, que nos dão falsa força, ou falso carinho - a velha cultura do bate-e-assopra.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Após o Amanhecer.

Enquanto ela dorme, acordo para fitar o milagre miraculoso do amôr, e a mulher que repousa em meu peito, e sinto sua respiração suave, e seu sono me segura num aceso de preguiça, pedindo um pouco mais de nós dois na cama do que a luz do Sol lá fora.
A maneira dela quando fala só é boa quando fala comigo, e o sorriso dela só brilha quando o Sol reitera-se na glória, e todos as potências celestes se inclinam para ouvir uma oratória tão forte de uma mulher tão pequena, disse Basílio de Cesaréia para Lourenço de Brindisi: "Mas quem é essa moça que dizendo pouco e desconexo, diz com a mesma força dos Hierarcas?". Dizem que o amôr é a forma mais linda de oração, e quando um amôr se sente com tôdas as máculas do côrpo, até os Santos param para ver a dedicação de um casal. De seus olhos descem lágrimas, de meu peito jorra água e vinho, de nossas bocas, nossos nomes.
Seu corpo é uma escultura, que nunca se corrompe ou suja, e seus olhos mudam de côr quando acometidos de sentimentos: Seus beijos são desencontrados, mas sincopados, e seu amôr é desenfreado, mas meu.
E isso não é comigo, ela tem todo o débito da situação, pois bem sabe ela que a doçura do mundo reside nela, e em sua loucura, por mais que se sobreponham os sentimentos, ainda sim ela fala desordenada e sem ordem do que se passa em seu coração - e mesmo que sejam três palavras, ela se basta nisso, como se aprendesse que o básico, a nível de simples e de silêncio fôsse apenas o necessário, se vale de dizer pouco ou nada para externar do mundo que se diz no coração, na mente, na alma - solta o brilho agudo musical.
O corpo nu na cama, os braços atados ao travesseiro, o busto colado ao meu, as ancas se realçando pelo contraste do Sol e o rosto sereno, de quem dorme com toda a paz do universo. Aqui dorme uma rainha. O sôm nenhum que se propaga no quarto trás a experiência da contemplação, e dado o sentido de acordar, ao se estirar na cama, o milagre da vida toma cena: Os braços que se arqueijam, os olhos que se abrem, os pés que tocam o chão, a janela que se abre, e a São Paulo nebulosa e fria.
As marcas de beijo e mordida, as lembranças boas, os segredos, a vida, os dias e as noites, os carinhos e tudo o mais que há, tudo isso, sem exceção, cabe na glória de nos sermos, nos termos, e nos vivermos. E qualquer coisa além disso soaria total loucura e diáspora se não fôsse, houvesse, ou tivesse como ser.
E de uma janela semi-secular, de um apartamento no ponto mais estimado da Nova Cidade Velha, o amôr inflamou o chão de taco de uma casa. A janta vira café da manhã, e os amantes se isolam do mundo no eleio de um abraço.

domingo, 24 de março de 2019

Waiting In Vain.

Ela tinha um cheiro incrível, Deus sabe mais que eu. Descia-se de sua cabeça fios enrolados, de mística e vera sorte que podiam ser chamados de cabelo - juba de um leão suntuoso, e apregoavam de suas orelhas um par de brincos, que realçavam das sardas em seu rôsto, boca pequena, riso riste, número dela. Era de tôdo pequena, cintura fina, e gestos módicos, mas como um cais, parecia grande para que houvesse em si sentimento. Tinha gestos de quem vivia só, mas que se soltava a conversar se você estivesse disposto.
Talvez fôsse ela a maior definição de estar só no mar de gente, e talvez fôsse por isso que tudo aconteceu; Foi ali que os Céus tôdos caíram: Ao sentir o cheiro da pele, um leve aroma de infância, e quando dijunto a pele, não pude raciocinar muito e efetuei o disparo contido na boca que procurou a sua - definitivamente estava lá (eu) de coração e chaga aberta; E de fato, como nunca pude ser meio, fui tôdo para ela, e deixei as demais coisas suspensas no ar.
Sinceramente, não me importei da Quaresma, nem do carnaval, nem da chuva, nem de nada, era apenas necessário ter você nos meus braços, e sentir seu corpo contra o meu, e era mais do que importante você ter percebido todas as coisas que foram incluídas em silêncio no pacote, que só sabe quem ama: Dos sacrifícios, cabe apenas quem faz e quem sente, senão, não tem porquê. De tudo, quero guardar apenas o sôm dos sinos, o turvar feliz, o gôsto bôm na bôca, e de sorrisos, apenas. De todo o resto me esvaneço e caio de novo na ávida multidão, e no primeiro eu paro, no segundo eu fico, e no terceiro eu caio. Não penso mais no que há de acontecer, só penso que no final isso tem que valer muito a pena. No final, só quero levar alegria a todos os corações - de tiro, riso ou morte.
Kyrie, Elesion.
Não devo dizer que estou bem, os meus pilares já estão sabendo, e os amigos próximos estão me dando um Hovercraft(TM) maravilhoso, mas, o rebento do meu peito ainda é maior, e por hora, não me sinto afã em olhar a janela, e nem ver o Sol no frio. Zécão está aí, fazendo seu papel, e a vida vai se encaminhando, mas, não consigo deixar algumas coisas passarem tão rápido; A peneira mental me força lembrar a cada cinco minutos do que mais queria esquecer agora: Cada sorriso, abraço, beijo, turvor, suspiro, mordida, palavra, segredo, mão-a-mão, afago, cada cena dessas vem a minha mente agora, contrastado com o que não faz sentido, e me deixa atordoado, tentando entender o que não entendo, e estando a dizer o que não consigo conjugar, e a esperar uma resposta que possívelmente não terei. Hoje não teve música para dormir porque nem dormir se dormiu.
Kyrie, Eleison.
Eu espero que o vento não se importe se eu disseminar umas palavras tortas aqui, que se doam os ouvidos, mas que lavam a alma, mas eu só sei dizer que tôda tristeza padece de um momento, e tôdo momento dura uma parte, e depois não há de doer mais, fica apenas a cicatriz, apenas um sorriso disseminado no ar, trastejado com a lágrima que eu não quis te dar o prazer de ver, e quanto as flôres do jardim que eu queria que você visse, irei arrancar uma-por-uma, pois nenhuma delas se equiparou a sua beleza -  mais além - as flôres crescem e se desenvolvem, a terra se realoca, e fica o sentimento, e a mim na ventania. E nada realmente importa, não é mesmo? As coisas já estão arrumadas, e meu coração pesa. Meu sorriso não tange a aparecer, porque realmente rir agora seria desrespeitoso e inútil: A minha definição de alegria se atristejou, e agora está indo embora por aquela porta...
Kyrie, Eleison.
Quanto a mim, não se cabe em dias, ou medida de têmpo, cabe apenas orar, meditar, e esperar, fazer as coisas como sempre fiz, e com o têmpo esperar o plano de Deus se acertar, ver as coisas se encaminhar, e fazer o bêm, olhar para os meus, e esperar por aquilo que desconheço. Cabe a mim, apenas lembrar sem tristeza, mas com o amôr natimorto, amôr esse que foi todo guardado para você. E estará.
Deixo os meus discos falarem por mim, e as músicas sonarem por mim, as pessoas próximas agirem, nos Céus deixo o meu sentimento, e para os que cingirem meu rosto, não verão minhas lágrimas, e nem meu riso, me verão como sempre viram. Minha alma ainda aboia em momentos do dia, e meus olhos transporão para as minhas mãos os sentidos de ver a alma de cada um, e quando eu deitar minha cabeça na campa fria, sentirei em mim todos os sentidos do mundo, sem medo de saber o que há por vir, ter, ou fazer. Quando a vida estiver pronta, arrumarei minhas malas e pegarei o primeiro trem para as terras da Correntina, e lá, haverá um aboio para fazer, uma maia pra deitar, um gai pra acender. Em algum lugar, o seu sorriso ainda será o meu maior prazer, mas em algum lugar, sentirei sua falta mais do que agora.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Caravan.

(I)
Alguém está me chamando por diante de minha caravana
Não consigo ver seu rôsto, mas seu sorriso me acalma
Quero lhe encontrar
Preciso lhe falar...
Os flashs da rua movimentada,
irá pretender me separar?
Um perfume esvanece no vento
você já passou aqui então? Antes ou depois de mim?
O vento bate forte contra o meu amôr
Trovões se apregoaram - chove lá fora, bem sei.
A multidão deve passar por mim
Devo eu debandar dessa caravana?
Minha amada está além de mim
(as questões me passam solfejando)
Devo eu ficar nesta caravana?

(II)
Levaram-me embora - tomaram minhas mãos
Chorei sorrindo alegrias, frias como a campa larga
Sobrou-me apenas o Céu, penou-me a terra míngua
Aonde você dorme, acorda, e a incógnita permanece
Onde você se esconde nesse mar de gêntes
Por quê não te encontro?
Nada parece tão certo quanto sua existência
Nada parece tão errado quando não te conhecer
Todas as ruas sabem você
Todos os ventos te abraçam
E eu te espero; Padeço; Despeço; Esqueço; Desapareço.
E é bem provável que você não me veja
Ou esvaneça - não interessa nada
São todos erros meus,
são todos grilos meus
são todos pesos meus.
É tudo culpa minha, e eu não estou afã
Apenas pensativo; Álias, êste problema é seu.
Se cuide e boa noite - sinto sua falta
Corre pros meus braços, é tudo culpa minha
Deita-te do meu lado, e não diz nada, palavra alguma.
Coisa alguma.
Tudo se transformou, tudo se refez.

(III)
Qual terrível sina no peito da dor,
faz-se criança pra fugir da dor
Corre para seu leito na clausura do têmpo
Se isola do mundo pois o amôr dói nos ossos
Ninguém pode sentir
Os Céus (não) irão turvar
Os anjos irão chorar
Acorda para trabalhar diante de toda essa dôr
Sorri para o resto da vida
Dói, mas vai passar(?)
Segue a nau de gêntes, sorri mais um pouco
Bebe que isso passa, logo vai mudar
O cheiro vai perseguir os têmpos de sua alma
O AGNI PARTHENE!
Tem pêna de mim
Se a Cruz pesada fôr, me ajude a prosseguir
Cuide de tudo o que tenho, ajude-me a sentir
O que carrego no peito: Tenho, fui e sou.
E de tôdas as dôres, forma-me a ser quem sou
Quebra-me no meio, e restaura meu valôr
Pelos azuis mares, navios caem e morrem
Deus Vos Salve muher, cujo beijo é ignóbil
Se tens que me deixar, que sejas bem feliz
Aquela que nunca conheci a fio-de-espada
Nesta vida eu ainda vou te amei.

domingo, 3 de março de 2019

To Zion.

Vêde, que as coisas ao meu redor desmoronam, e como Jan Palach continuo a rir frenéticamente de tudo, pois assim me faz bem, me é melhor, e me ajuda a passar pelas trovas de dôr e dor e dôr e dor e dôr e dor. De repente, noto que as flôres daquele jardim morreram há meses, e só me importava o cheiro, hoje apenas as cultivo por qualquer motivo de menor afanismo. Algo irá acontecer, me rasgará como o Véu do Santo, e eu nem ligo. Só quero não estar aqui.
Não me importo com os dias. E sinceramente, não posso evitar de não me importar com a vida e com as coisas ao meu redor, apenas, mais uma vez, dessa vez, eu deixo os Céus caírem sem me ver, e sem me perceber, burro e bobo trafego na rua, e como o deferido Carneiro môrto no madeiro, me deixo sangrar, sem que ninguém perceba, pois no silêncio eu aprendi a viver. Aprendi tanto de tantos que esqueci de mim, e ao me esquecer, deixo-me morrer a cada esquina, a cada copo, a cada beijo, a cada sorriso distribuído, a cada Kyrie, a cada benção sôbre a terra, e pior: A cada rastro que deixo, sinto esvanecer um pouco de mim, ficando nada por nada, e deixando as lindas garôtas não mais cantando, e não mais a sentir o Céu turvar.
Sinto-me próximo do encontro do meu amado, do que me amôu primeiro, e irei de encontro a Êle sem me preoucupar com ninguém, nem nada, nem se deveria ou não, o vento bate forte contra o amôr, e eu irei deixar esta caravana. Caio do degredo na areia fofa dos têmpos, deixando-me saber quem sou. Sou dono de mim, e faço o que quiser.
Entendo da glória dos Céus, mas não entendo a glória dos homens, e sinto Deus cada vez mais perto de mim, mas não sinto o vento das fôlhas ou o lancete do inimigo, e nem a mão lançada da amada, mais uma vez, dessa vez, pela milésima vez, me apresento ao Deserto de Cemal, aonde vago ser ter quê ou por quê(m). Devo eu deixar essa caravana. Eu não quero nenhum Cadillac.
Você lembra do dia em que andamos pelo Rossio, e o frio tocou minhas mãos cortadas, e atrelado no cabelo, segui a fôlha que caiu do Céu? Lembra-te do dia na praia, com o velho genitor e a cerveja gelada? Lembra do show, aonde sozinho foi  mais que a multidão? Lembra-ti, da vida antes da vida, e do tempo montado no tempo, e de tantas coisas? Lembra de quando você tocou para todas aquelas pessoas? Ou do 1º abraço de Bep? Lembra-te de alguma glória cativa? Lembra apenas que você é homem, e como homem deve permanecer.
Pelo sôm, te dói no peito, e a cabeça quer dormir, por isso você escoa em lágrimas poucas - porém pesadas, e assim você se faz o último de Terceiros. Você sabe que o peso da sociedade lhe faz sentir coisas que você adoraria, mas, manter o mundo sendo mundo, é mais doloroso do que manter sua cabeça em ordem. E na Ordem, nem tudo está em ordem.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Dağlar Engel Oldu.

Bep;
Hoje o Céu daqui pareceu-me o Céu de Londres. A Londres de D.J., a minha Londres - ah, os quatro quarteirões, os casacões tão alinhados, o sôm desalinhado tão potente sôb os ouvidos de tocar guitarra de fone pra não irritar os vizinhos, o licor, o vento cortando com a garôa rente, e o vento acarinhando o cabelo - E não me apercebi de imediato que a vida tem dessas coisas, e trás dessas coisas. Bep, ainda tenho um leve resquício de juventude em mim, que brada e briga com as correntes e pedras que me fiz prisioneiro (Deus sabe que nunca por mal, nunca por mim) para ter ainda a vida livre, a vida entre os dentes como as coxas da dama louca que amei com gôsto de paraíso. Bep, viver tem sido um barato melhor que aquele dia que descemos a Augusta quando tava tudo sem luz nos postes (afora as pontas de cigarros, baseados e luzes neon). Sua mão segurou a minha tão forte, e pela primeira vez me lembrei da breve oração; Quão suntuosos foram nossos lábios, ao estar em terreno inimigo, dizer o que os das garrafas não queriam beber, e dos que fumavam não tragavam em seu pulmão, e dos que comiam, não alimentavam. Ai de mim, Bep, se não o fizesse, nem com você, nem com eles, nem comigo. Ai de mim se eu morrer sem nem nunca ter dito que era de lágrima agridoce, foi pela causa, foi pelo reino, foi por tôdos, pela criança que dorme na Rua do Thesouro de madrugada e apanha da polícia, da mãe solteira que pega ônibus até o hospital com o bebê em febre, pela avó que visita o neto encarcerado, pelo pai de família que pela tristeza se entrega ao vício do álcool, pelos meus contemporâneos que só saberão do que digo na hora de morte, e a êles bendigo e bem-aventuro: A morte deles não lhes farão mal, pois a mística divina os intercedeu, mas para mim que sei os esquema das Ave Mariae tudo, estou lascado! Porque a segunda morte pode me fazer mal se eu não fizer bem feito, e na minha hora de solidão, se não for por Deus, não há de ser por ninguém.
Ah, Bep, Cecília está a caminho, e ela tem cheiro de Ventura, cheia de amôr no seu alfanje, vem trazer esperança na minha carne nova, mas de alma tão anciã. Cecília corre como o vento londrino que sai da Picadilly Circus, e cai na Líbero Badaró passando pelas janelas dos paifrades até chegar no meu coração. Sei que vem e vem em bonança, para me lavar de tristeza e lavrar em melhoramento. Quem diria, Bep? Após tanto afastamento, minhas profecias ainda dão certo, apesar de algum delay. Deus é Excelso, e descobri a sorrir (mas ainda não consigo tirar fotos sorrindo, e inda ponho a mão na bôca ao rir e gargalhar, 'quele trauma inda continua). Aprendi a ser beneditino nos pensares, dominicano nas declamações e atrações, e franciscano com tudo aquilo que está ao meu redor. Inaciano não, ainda não. Talvez depois da segunda morte. Ainda existe aquele gôsto de ferro na bôca, Bep. Uma tristeza e aquela agonia juvenil. O medo. As cicatrizes mostram nossas lutas, mas quando o vento bate nas nossas cicatrizes, elas doem, ardem, parece que se refazem de agonia, e nos lembram de alguns acidentes de percurso, mas calma: Estou aqui ainda, não do jeito que nos conhecemos, mas talvez um pouco melhor, um pouco mais experiente e barbudo; Vendo a vida em tudo, e entendendo as pessôas, e não as mostrando em abrupto, mas apenas deixando que os Véus caiam sutilmente e tradicionalmente - o têmpo da cólera já passou, não posso tomar armas com o têmpo e querer que tôdos evoluam como eu, tampouco que tudo ocorra numa medida, as coisas irão se formar e acontecer quando precisarem, cabe a mim meditar, perseverar, orar, jejuar e a Deus entregar. Vês como mudei, Bep? Mesmo sendo o mesmo, de mesma essência, não sou mais o mesmo. 
Não sei quando voltas, ou se vens visitar os teus daqui d'além-mar, mas, quando vier, avisa-me, tenho muito a te dizer e contar. Sinto falta das tuas sardas no rosto, tuas saias e botinhas, e aquele sorriso de quem conta com o ovo no cu da galinha. Sinto falta de gente mortificada, mas viva no espírito, de tal forma que sua alma aparecia mais que suas pernas. A invenção que superou o inventor. O cabelo multicolorido, e o Véu para entrar na igreja. Os piercings, mas decorar a Ladainha de Nossa Senhora, as cervejadas, mas acordar cedo ao domingo para ir no missal da massa. Faz falta, Bep. Lembra-te de mim quando entrar na Matriz, e passando pelo Rossio, toma um vinho por mim (ando trocando amarelas por carmins), e peço-te que reze incessantemente por mim, e pela salvação de minh'alma, que errante erra, relutante reluz, e aceita asceticamente. Te faz em saudades do teu exílio, mas sei que daí estás bem com teu garôto.

Um abraço do;
Queiroz, o Marcus.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Holy Are You.

Ao longo de minha vida, não fiz questão alguma de existir ou ser reconhecido (ora por música, texto, discurso ou modus operandi); apenas fui logrado de um lado pro outro como um brinquedo na boca de um cão raivoso, e quando percebi o que me restava, me apeguei ao pouco (do) que me restava; como areia, (o que me restou) esvaneceu de minhas mãos, e não senti mais nada, apenas senti que deveria vagar como um eremita penitente que procura nos caminhos a existência de Deus, ou algo que lhe tire essa dôr do peito e o amargo da língua - e assim eu vago. O meu contentamento se basta nas pequenas coisas e ainda sim consigo achar Deus nas pequenas - e verdadeiras - coisas, mas ainda sim minha parcela humana sente dores e apeia em aboio (prova de que ainda estou vivo, talvez?), há horas que o riso finge nascer, noutras, o choro vilânicamente tenta desabar, e em algumas a horda de coisas se torna tão forte e intensa que só me resta respirar o máximo que posso e (não) deixar as águas me afogarem.
Não permita, nem por um segundo que eu me afaste de ti, Excelso, olha por mim, e pelos caminhos sinuosos que desentortei e fiz valer, logo tornar-se retos, para não me desvirtuar mais. Como ovelha perdida, fui achado por Você, e Você mesmo me restituiu na Tua graça e Presença, dando-me nova chance e nova forma de vida, restituindo-me de tudo que fiz. Mostra-me com Sua Presença que ainda vale algo desta vida, ou que as coisas irão de alguma forma se ajeitar - por momento vejo apenas uma nebulosa sinousa, e por vezes não te encontro, nem te Vejo, nem te Sinto, como se você não deixasse eu te Ver ou te Sentir - não que Você não exista, não é este o ponto, mas o que dói é que nas horas em que tudo se acerta, logo tudo piora de uma maneira tão abrupta, e tão logo, as coisas que estão sôb Tua mão, não me deixam entender o porquê de tão virada brusca de ares. Não me consome o medo, Excelso, apenas me consome a diáspora e a aflição, e além disso, me assusta o quão ruim as pessoas são, e que ela não entendem as suas lutas, apenas querem que sejamos igual a Você durante sua hora de solidão: Escurraçado e humilhado, sem tempos de bonança ou calmaria. Apenas flagelo e dor.
Permita, ó Deus, que a morte segunda não me faça mal, e que neste momento, não consiga sentir mais nada; e quando o aço gelado cortar minha carne, a fuligem se torna vento, e o sangue se rarefaz; que a morte não seja um término, tampouco um final, que seja um nôvo chão para os meus pés cansados, e que quando toda a dôr acabar, não exista mais dôr - que a dôr seja o fim da dôr.
Não permita nem por um segundo que a tristeza seja o que maltrata, e tampouco vá me matando aos poucos, fique mais um dia - Como a corrente de ar, que ela vá embora, tangendos os sinuosos ventos, e que não atrapalhem de forma alguma a ninguém, que haja a paz nos desaventos; que os sinos toquem, que as lindas garotas ouçam, que os Céus turvem, e a vida se transforme. Quando o jarroio carmim pingar ao solo, não haverá mais nada, e quando a carne desgrudar, não haverá mais nada, e quando o vento levar, não haverá mais nada: Nem gritos, choros, risos, erros, maledições ou coisas que possam nos abater.

...Mas não é engraçado, que os bons são os primeiros a serem ruins?

sexta-feira, 18 de maio de 2018

So Sad.

Quando a alma se cansa, ela busca refúgio. E do alto de seu lugar reservado e inóspito, ela por vezes até manda recados a civilização do que está acontecendo pela dada necessidade de seu exílio, ou isolamento. Algumas pessoas escrevem, outras bebem, algumas choram, e outras se devotam a Mãe Cecília.
Há muita gente que quer ajudar, e há pouca gente que quer ajudar e entende o que fazer, como fazer: Cada alma é um segredo, um verbo, uma forma - não se há generalização no que se sente, cada dor dói de um jeito e cada rasgo sangra para um lado. Do povo que perece, sofre e padece, tenha misericória, Bôm Deus. Tem misericórdia do silêncio, mas não do silêncio pacômioso-monástico, mas sim do silêncio da alma, sujos olhos mostram na Íris Esmeraldina a dôr que carregam, e ainda si ri, ergue o copo, canta, e emana de si a vibração da carne em êxtase - é esse o pôvo, Deus. É esse o rastro que ficou de Você, nós que nos choramos, mas mantemos firme a híbrida forma de se segurar ante ao que nos maltrata. Acreditamos que uma hora tudo vira lembrança, e Sua bondade nos toca de alguma forma, e logo estaremos longe dessas tristezas, dessa solidão, dos medos, e de todas as coisas que nos interrompem de seguir vendo Tua perfeição em todas as coisas que nos rodeiam e estão em nós, por nós, conosco.
Estou em um deserto, só. E ninguém está ao meu lado e adjascência. Tenho meu masbaha em mãos, e na outra carrego minha saca, meus pés doem - ninguém sabe, meus olhos lacrimejam - ninguém sabe, minhas chagas se abrem - ninguém vê, apenas me tenho com a minha oração - E até onde a estrada vai dar, para eu ser do jeito que sou? Até onde minha cabeça aguenta saber de mim, e não do que há no mundo ou Sôbre ele? Pus-me a andar para a loucura não atormentar, e pus-me a beber para a minha racionalidade não me degenerar, e pus-me a rezar para agradecer por quem não agradece. Eis-me aqui, novamente na solidão de cais e casas, e no meio do mar-de-gênte, eis-me só, e com tantos ao meu lado, nenhum sabendo estancar meu sangue, e com tanta fé, me acometendo de heresias, e sustentando Atlaicamente tantos pilares que doem minhas costas e deixam meus pés cansados. Meus pés estão cansados. Minha barba já tem cabelos agrisalhados, e minha tristeza está atrás de meu cabelo, abaixo de meu sorriso, e de tudo que esconder do mundo, pois o mundo que há de ser bom, que receba bondade para continuar bom. E para mim, cabe o que Deus decidir, e que venha para minha edificação (ou total destruição), me sinto agora como o mítico personagem da canção: "Eu deixo a onda me acertar/E o vento vai levando tudo embora."
Deixe que eu não veja nada, e ninguém, que a minha fronte vá um anjo me acompanhando, e meu masbaha indique o que pensar, como pensar e porquê pensar, afaste de mim tudo o que tenho e tôdos que estão comigo, tire de mim tudo o que tenho, e afaste de mim tudo que é vão e que possa me danificar bem mais ainda muito. Lance sobre mim sua destra, e que sua providência me cerque, e quando essa dor me doer, manda-me a botica para sobreviver, e ser cada vez mais teu (Não permitais nunca que me separem de Ti/Na hora da morte chamae e mandae-me ir para Vós), e quando a dor passar, que eu consiga levantar e seguir com estes mesmos pés cansados, mas ávidos para seguir para lugar algum, apenas se curar dessa dôr. Permita, ó Deus, que no longo desse estreito que caminho, desse deserto tão infinito, em algumas passagens, haja apenas uma clareira de água, para que eu lave meu rosto, e molhe os lábios secos de bendizer Teu nome, e de brigar contra o vento e o Sol. Permita que com sua graça, a vida continue sendo a vida sobre qualquer circunstância e aspecto, e que um dia tudo chegue ao seu destino.

domingo, 13 de maio de 2018

Lá Vem o Dia.

Um dia,
virá o dia,
verá que a vida,
insistiu em passar sem parar.
e a guia
da Mãe Virgem Pia
lhe fez n'Ela moradia
para você os dias aproveitar.

Agora,
tudo lá fora,
já foi-se embora,
ficou apenas a tranquilidade do nosso lar.
Ora,
que tudo melhora,
logo a gente aprimora,
e Deus nos dá força para tocar.

Sorria,
inda que tardia,
desfaz da teimosia,
que a nossa vida é perfeita demais.
Alegria,
nosso mais-valia,
do humilde a bela ousadia,
e bendizer ao Excelso Bôm Senhor.

Que correria!
passou o dia,
e eu nem vi a flôr-de-Maria,
deixar seu cheiro pelo nosso Lar.
Nossa alforria,
e certeza bem cria,
é que a noite não nos agita,
Já podemos enfim dormir em Paz.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Gurbet.

Na esquina do Velho Centro, perto do 133 se tem a cerveja gelada aonde o pensamento se emudece e a vida parece acontecer na porta de fora do bar, e de repente bate uma alegria no peito, porque aqui no Brasil é carnaval no Céu Azul Anil, dia de Santo Domingo de Gusmão, dia de voar com os pés no chão, e tudo se toma um ar diferente quando qualquer coisa pequena transforma o dia. Para alguns, o amôr, para outros, o frio, para mim, a vida nas suas minúcias. Me vale mais o copo cheio do líquido do que posições de status, ou quanta gente importante eu conheça. E dessas pessôas que não entendem a vida ou seus sentimentos, tem misericórdia, Senhor.
Deus de misericórdia, Deus que se faz presente na mão dos sacerdotes, tende misericórdia de nós, e misericórdia dobrada dos mentirosos, que ao se viverem na solidão criaram um imaginário mal-sustentado que lhes fazem achar que alguém os aproxima. Tende piedade. Olha, Dulcíssimo, pelos que padecem de dôr na alma, dôr de orgulho, de farisianismo, de alguma forma híbrida de solidão e isolamento. Olha pelos idosos que muitas vezes se encontram sós, e pelos Irmãos Gentes e Irmãos Cães de rua. Do mesmo modo que tiraste Teu manto ao se cingir co'a toalha e lavar os pés de seus Santos Apóstolos, imploro que tire seu manto e jogue pros que estarão no frio, e pior que o Irmão Frio, é o Frio das almas dos Irmãos que não os vêem, ou pré-julgam, ainda falhamos grandiosamente com sua Santa Regra, Dulcíssimo. Tende misericórdia. Kyrie Eleison. Mercy mercy us. 
Olha por nós, pequenas formigas operárias dando cabeçadas aqui embaixo e nos abençoa dando-nos as novas chances e novas esperanças para aguentar firme; Evitar as mesmas velhas coisas de sempre, e nos dar caminho manso e de retidão aos que se maltratam em eterna rota de colisão. Eis-me aqui Meu Deus, profeta das estepes e menor dos outros, que leva Teu nome em bares cheios de gente risonha, bêbada e perfumada; Eis-me aqui, Meu Deus, o que te encontra a cada acorde, a cada sôm, a cada órgão tocado e sino dobrado; Eis-me aqui, Meu Deus, o que te quer mais que tudo, e estima morrer na Sua graça e Concórdia, e que por mais que não consiga entender, aceita Teus planos, pois na hora do desterro, foi sôb Tua destra que me valeu da perdição - adiante com você na estrada, que maldade me espera? Nenhuma, minha sina é ser ovelha do Teu rebanho, sentimento do Teu rebento.
Adiante, que a menina de pele branca e pés pequenos tenha os mesmos pés firmes para ir mais e mais em frente e sentir o vento assanhar os cabelos. E abençoados os casacos dela que escondem a cintura de seu corpo, e sua grandeza dentro de sua pequenez - na sorte de ter a conhecido, e ter tido, me bastou sua companhia, e aonde o vento a tocar, é o meu carinho por ela.
E que o Irmão Vento dê um abraço no Codó e em tôdos os meus, que estão aqui e os que estão lá do lado de lá, e que a vida continue sendo simples, e nós menos complexos em relação a ela, e exigindo menos de nós mesmos de esperando menos dela, e quando acharmos o milagre da queda das fôlhas no firmamento, entederemos o mistério velado dentro de cada um de nós.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Pois é, Seu Zé.

"A platéia só deseja ser feliz..."
Abba, sinto-me deslocado. Talvez, até egoístamente sozinho - há quem diga, maldosas línguas que deve ser o inferno astral. Quem me viu disse que era a quaresma, quem me sentiu disse que minha alma aboiava. Outras disseram que morri, mas a carne passa bem.
Sinto que meu coração, lentamente foi dissecado, e lentamente perdi os tinos e sensos de tudo, e hoje me sinto como o início de meu Salmo favorito (o 22º) desamparado de Deus, sozinho, e abandonado - mesmo sabendo que ele se encontra here, there and everywhere. Existem, ainda sim Abba, pessôas que me fazem desarmar as ventas e tornam minha vida menos triste neste mezzo-tempo. Maria continua sendo uma grande aliada minha, Bigous voltimeia faz a minha tristeza dar uns rolês, e Diana Pastôra me tomou como um dos dela, e me tratou como um dos dela. A vida, por mais triste e desesperadora que esteja sendo nestes últimos dias, não está sendo mais tão cã por conta deles tôdos - incluindo o Vossa Santidade Menor.
Deus ainda me sustenta pela destra e me guia, e talvez este medo todo seja por ser mais humano do que cristão e entender de uma vez por todas o que minha carne secular não permite: Os tempos divinos são diferentes dos nossos, e cada coisa acontece no seu devido tempo; Besta sou eu em achar que as coisas acontecem logo, e este tempo de preparação, de penitência, de contra-força, de zêlo, de contemplação me agonia tanto, me desespera, e me deixa assim, como se tivesse caído da mudança, ou como se eu fôsse o próprio Longuinho Lanceiro. Deus é quem me guarda, mas ainda preciso domar e catequizar a mim mesmo para os tempos divinos. Meu Deus, perdão pela minha intransigência enquão crente de Vossa Glória e Amôr; Dôce Coração de Maria, sêde minha salvação!
A falta do emprego ainda gera um desespero geral, mas não me deixa mais tão triste, meu maior medo é que eu não fique conformado nesta situação. Tenho um cão, mãe e avó para zelar e cuidar, afora meu futuro Terceiro para fazer, não posso me conformar. A maior virtude de um Franciscano me falta agora, que é a Irmã Alegria, e penso comigo mesmo que dos Terceiros, devo eu ser quem mais envergonho Pae Francisco, pelo fato de que não consigo cultivar e cativá-la por esses dias. Tenho sentido tôdos os sentidos do mundo, e o incerto me faz afundar os dedos na terra, enquanto me pego rezando para Deus não me deixar convencer pelo dinário do mundo, mas, me dando uma oportunidade de ganhar um dinário pra viver com dignidade - que encruzilhada, que bandeira.
Abba, ainda me cabe uma esperança cristã do amanhã, mas que parece tão longe, tão distante - assim como a alma de meu pai carnal, mas, ela ainda tem focos em mim, que por hora não consigo fortalecer ou deixar mais forte (tanto a esperança quanto a bôa alma de meu velho). A vida ainda sim continua sendo como uma imagem do Meu Glorioso São Jorge, em que sempre se apresenta em batalha constante contra do dragão da maldade, e só acaba quando a gente descansa - triste a sina deste trovador, não? - os xablaus nunca cessam, mas Deus está aí, guiando, e de vez em quando a gente esboça um sorriso amarelo, e tudo fica legalzinho, e a vida até parece que vai (não indo).
Uma amiga disse que eu nasci no mesmo dia que São Francisco de Paula também nasceu. 27/03. Meu avô se chamava Francisco, minha avó se chama Antônia, e eu sou o filho de uma devota do Pae Francisco, batizado numa igreja dedicada ao Pae Francisco, que pediu deste que eu estava no seu ventre para que êle me cercasse e me tirasse da lama do mundo, e bem, agora estou aí pelejando pra ser um Terceiro. É tão engraçado como Pae Francisco agiu na minha vida, e me reconduziu até o Divino, Abba, é tudo muito suspenso no ar e coincidente, mas, belo, carinhoso, parecia que já era para mim viver da vida Franciscana, e se devotar pelo Crucifixo de São Damião. O Cristo venceu a Cruz, e triunfante olhou pra Francisco, e agora, Francisco me conduz de volta do caminho que não deveria ter saído nunca.
Eu acredito, que estou voltando pra casa, bem acompanhado com o Pobrezinho. E espero quando chegar lá, que essa tristeza acade ou amenize. Amanhã, bomfrade, faço 26 anos, e não me sinto feliz, nem triste, me sinto apenas mais velho e mais experiente e com mais vontade de me perdoar pelas cagadas cometidas ao longo da vida, e de perdoar quem me quis mal, e seguir uma vida cheia de Deus, e cheia de paz. Mesmo que neste atual cenário mundial me pareça impossível.
Mas, ando fazendo pequenas coisas, para logo fazer o possível, e rogo a Pae Francisco que eu logo após isto consiga fazer o impossível.

1 Pe 3; 11.
Nm 6; 24-26

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