Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de junho de 2026

Miss Sueter

...Ou um texto para quem tentou se matar.

Me lembro de seu cabelo longo e escuro, e teus olhos negros como uma maldição taciturna que não deixava ninguém dormir. Conhecemo-nos novos, por isso nunca pude vê-la como os outros viram, meu approach com você sempre foi diferente. Podíamos ser o que viesse em nossas turvas mentes, porque no fim, (em primeiro plano) um triumvirato, e depois, uma dupla.

Hoje, te trabalhas de alguma coisa num apotecário, ou algo assim. Se perdeu no tempo traiçoeiro das falsas suposições, e acha que está certa no silêncio e desagravo de levar a vida a tons chagados e murmurantes, trilhando a espiral de se imolar por vã questão e estreito espaço de dor que lhe cabe o peito. Esquece de quêm fôste, e ao que na vida lhe benfez, tange nada a lugar algum - o silêncio, que ecoa nas atitudes e ideias vazias, é agora teu dono e mestre. Esquece os que lhe dobraram o braço em nó como companhia; e o pouco do bem-viver que estima vida ‘inda entre tuas mãos, escorre como a água que ao esvanecer, mau lavas teu rosto porque estás a perder por egoísmo e cinismo cego e delator. Perdeu-se, e finge-se irreconhecível para não encarar a vida, cousa que outrora, em nossa juventude, com problemas mui menores - a nível de verdade - lidávamos, vivíamos, e amávamos. Se éramos reis, tu seria a assunta. Éramos amigos, e tu a amorosa, a Dora que faltava em nosso trapiche.

Quiçá você nem se lembre mais de Natalie quando morreu nos nossos braços depois daquela facada quando brigamos com aquele povo no centro, ou quando Bep foi para a Holanda tentar uma vida melhor do jeito errado, ou Rodrigo quando descobriu o câncer que o levou embora; tampouco, há de recordar os estúdios e ensaios, os olhos cruzados na mesa de bar, e as loucuras do centro, sair carregada do bar fingindo desmaio para não pagar a conta e as cervejas dentro de seu carro regadas de conversas cheias de match, ou quando a noite virou dia e as músicas da alpha fm faziam sentido, quando nossos pais morreram, e quando você não acreditou que era verdade tudo aquilo. E por bem da história - modéstia a parte, vos sou crônista, ditoso têmpo, conclamo que proste seus ouvidos aqui - eu lembro. E talvez, só talvez, escrever, além de gravar na eternidade, seja uma forma de denunciar; um grito feito para ninguém ouvir.

O tempo, enfim, foi suspenso no ar; pois no agora, assim eu o quis. Era 2012 ou 2013. Lembra quando encontramos os meninos na frente da estação, dizendo que iam lá protestar não só por vinte centavos, mas por um lugar melhor? Eu ‘inda acho que termos gasto nosso tempo nas cervejas do Xaréu foi mais útil. E no seu carro prata, entre as curvas da estrada, levava-me pelas curvas para irmos na divisa, e ali olhavamos o Céu, e corríamos da segurança, sempre felizes, nunca alegres. Éramos, na forma mais poética, prudentes no erro. E te fiz saber ainda, por último, que aquela garôta do norte não me passou de um pesadelo, quiçá um sonho amargo com gôsto de leucemia.

Marcvs de MMXII: Jogatina, álcool, estádios e serestas.

Menina, quase-indíca-quase-indigena, de kaftan e salto. Meu melhor musk derramado ao pescoço e na jaqueta jeans, e seu floratta que tinha cheiro de desejo e amôr selvagem. Sorriso ameno. Cara de maconheira. Coração maior que os seios, voz aveludada e pele banhada a monange, e um gosto musical que parou nos anos 80. A gente nunca foi naquele baile de samba-rock, não é mesmo? Pena, que agora faz-se tarde. Entre tanta coisa que ainda parece ser tão tardia, tão a se perder…

Volta, se der tempo, e olha as fotos que tiramos, e os sorrisos de quem lhe estima. E se permitir, levanta os olhos, e vê o Sol, deixa a chuva molhar e o vento circundar. Esquece. Pode não parecer, mas após sacudir levemente o saco de memórias do tempo, espero que veja que isso tudo é uma fase, que como tudo passa. De forma bela e precisa nada mudou, apenas envelhecemos e nos tornamos mais propensos a suportar mais. Isso tudo você há de tirar de letra.

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Padaria.

Se sinto falta de algo, é de teu pouco tamanho, e de teu cabelo escuro, que por horas me enforcava, e por horas me incensava e me deixava dormir como um rei. Do cheiro in natura de sua pele, e da naftalina que emanava que você nunca sente porque nunca entenderia...
E de verdade, se calo o estreito que comprime meu peito, não de mal é; pois, apenas ainda me excluo como sempre me excluo de todo o tudo, pois sei que não pertenço, e qual a receber o prêmio de consolação, aguardo ansiosamente. E digo isso não por maldade - pois a palavra não dita, mulher, é lâmina que tange, e não me extenso em explicar, porque estou cansado; e a cada cansaço meu, estará vós o dôbro - mas entendo a condição e ainda sim a aceito. 
E de ti? Silêncio.
O vago silêncio monstruoso do Leviatã que ronda até hoje na beira da minha cama, ou onde quer lá que eu durmo, com sua bocarra satânica a me espreitar; e eu, anti-argonauta, Caronte por natureza navego não por ter mêdo, mas por necessidade tênue que me extingue, e se me foge a dita palavra, peço que gentilmente olhe minhas atitudes, pois ali provavelmente resida mais do que qualquer peixe que saia de minha bôca. E minha bôca, em qualquer situação resulta em chamar seu nôme, tanto como mulher, como mãe, para que me escondendo embaixo da sua saia, eu possa me refugiar do mundo em suas coxas e suas mãos. E que na fumaça dos tabacos e incensos, eu cada vez me esconda e morra dentro de você, para que antes que eu diga ou profira mentalmente a sentença, seja você a juíza que ostentando em punha a vista espada, execute. Não por ser me submissa, mas ó mulher, pelo fato de ser minha, pelo fato de segurar-me em teus braços, e natimorto, desfalecendo, e perdendo as ribeiras de minha carne, você possa, enfim, ver a luta até aqui e suturar minhas feridas, e lutar por mim como ostensóriamente* eu tendro a lutar por vós.
Eu devoto minha vida ao seu legado, mas você não vê.
Por mais que saiba de meu desejo de ir embora, permita então que antes que eu vá que o seguro entre nós seja o trato feito e bem calculado - dito isso, ao menos encanta-se em mim mais uma vez e decanta essa alegria e salva-me deste mundo quaresmal de dôr aonde Superman e suas ideias tão loucas parecem tão necessárias. E digo vos, não por necessidade, mas por um apêlo, aonde meu coração tão pequeno estreita em suas mãos, e o esmaga sem perceber ao ignorar ou descasear situações tão pequenas a vós, mas tão grandes e significativas para mim.
Estende, logo, seus braços e me esconde, e assim como nus, deitados n'quela cama, no pôr-do-Sol, com a luz se pondo e doirando seu côrpo, e os ônibus fazendo uma sinfonia de buzinas e freios, me guarda no seu sacrário e ouve o que não consigo dizer, aquilo que me faltam tôdas as palavras, mas apenas meu gesto diz tão tenaz, e você, única sibila dotada de mim, sabe dizer em precisa forma e textura, e dando-me a chancela, guarda-me.
...porque mesmo longe, e você nunca percebendo, mulher, volto para você. Pois é tudo por você.

--------
* = Referência a Santa Clara de Assis; o Barra-Vento do Senhor.

terça-feira, 21 de maio de 2024

Festa.

 Se me encontro só, por fatalidade ou coisa do destino, cabe a mim lembrar de teus cabelos negros, tuas mãos e olhar lânguido. Assim, talvez, ameniza em mim aquilo que grita e arde no peito com tenaz de sangue, que afoba meus passos mediante o quão caminho, e que qual estando só me confunde, mas ao passar na rua da qual andamos, ou no sorriso e piadas que confidenciamos, retorna a mim com um carinho e sorte de ser novamente confortante.
E, eu ainda uso botas. E sigo até hoje sem chulé; incrivelmente.
Passei outro dia na frente daquele bar que te levei uma vez na São Bento; nos fins dos dias, aquela mesa aonde sentávamos para beber e poder sorrir diante de uma vida tão pesada ainda está lá, e largava sua bolsa ao canto, e seus cabelos negros seriam então arrumados olhando pelo reflexo do espelho do banheiro sempre fedido a urina e cocaína. Será então dito em gestos o que não se diz em palavras e nem tampouco em textos pífios como esse. É algo que não tem censura, credo ou classe - transcende, excede e esconde. Andaríamos e cruzaríamos as ruas, faríamos o triângulo e veríamos o Rei do Matte; e se te interessa saber, aquela rua ainda está lá. Aquela mesma.
Há um riso tímido em sua face, da qual nunca me esqueço que também me arranca um riso tímido tôda vez que lembro ou sequer fiz questão de esquecer. Lembro de dias a fio, com pensamentos a fio, enquanto discorro um diálogo com os fios de nylon de meu violão. E é inútil resistir, e dado a essa resistência tão fútil, apenas me pego esgarçando a madeira e elevando acordes que nem sei mais o nome para guardar parte de mim no momento. Incenso o passado, perdôo o presente, e anseio o futuro na festa do lugar. Lembro de você de vestido. E de irmos a Liberdade.
Ao ver a paisagem que gostávamos - da qual onde hoje moro - do ônibus que pegava para ir para casa (cujo ponto mudou, aliás), dos sebos e caminhos que lhe mostrei, apenas nada digo. Mantenho em mim uma velha chama crepitante que usa-se de esperança que em algum lugar tudo isso ainda existe, se mantém forte e vívido. Aquela boina minha, a Cookie mordeu, e os meus discos ainda existem. O Walter ainda toca nas festas e o Pery ainda é DJ de mão cheia. Minha barba cresceu, e de repente todo mundo cresceu, mudou, evoluiu.
Ainda ando falando com pessoas que não sabem o meu nome, e se quer saber aquela esperança teimosa minha ainda nasce e morre todo dia, como se fôsse uma febre incurável de otimismo que soterro tôdo santo dia por camadas de humor negro e questões duvidosas. Hoje me vejo homem, com insônia e cansaço. Mas que ainda escreve de forma trincada para apenas (me) lembrar de coisas que a ninguém diz respeito; mais uma vez te pondo no meu rincão de memórias, sem saber se vez ou outra ainda faço parte do seu conjunto de lembranças...
A vida, maravilhosamente, continua. 

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Operator.

 O amôr, em suas três divisões, por ora pode ser demasiadamente lindo. Mas pode ser lancinante e cruel. Lembro quando olho para trás todos os sonhos que constitui e construí - alguns com rapidez, outros com cautela, e outros de qualquer jeito. E a sensação amarga do recomeço sempre me incomodou.
O amôr as vezes pode ser muito explicado, mas, quando torna-se frugal, torna-se melhor. E quando torna-se belo, deve-se ter cautela.  
Sei, também, que o amôr costuma ser vivaz com quem o sente, e que não se baseia apenas nas pernas grossas e olhos acastanhados das moças, mas no vento sagaz, na beleza das luzes do centro, dos cafunés nos Santos Cães da Rua, na feijoada na cumbuca de barro, o litrão na mesa de plástico e uma alegria de fim de festa...
Uma fumaça do cachimbo voando solitária pela noite, que por vezes no fornilho faz as vezes de lampião.
Talvez, há  uma grande chance do amôr nunca ser nada do que se quer, mas sim do que se precisa, mas, até no precisar deve existir um querer - seja de ordem de grandeza, ou da grandeza. Se ela usa salto ou all-star, se sorri ou franze a testa, se grita ou geme, se fala ou sente; que mal faz? É amôr, dentro do sacrário do peito d'ela reside parte de mim, e parte d'ela carrego atado a mim. E ao porto, digo não. Acosto, acocho e me atraco a marina de seu porto, fazendo-me saber de dela, e que ela se saiba de mim.
Haverão dias escuros e noites claras. Medos e incertezas, raivas abruptas e carinhos sem fim. Sei disso, é o mesmo esquema de maneiras diferentes em cenários iguais, mas, não compete a mim fazer toda a vez ser a última vez? Disse um velho senhor que conheci no passado que o "verdadeiro amôr, é o último amôr" (sic). Eu não discordo em parte, mas sei que não é apenas isso. Só o que excede, transgressa, urge e faz ser visto é notável e deliberadamente tangível no alto do ser.
E do resto? Que lá sei.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Up The Junction.

 Dizem, os sábios, que o amor é loucura.
Das mais atrozes, que dilacera e faz os sentidos se tornarem ridículos. 
Crendo nisso, logo me entendi enquão amante - seja da vida, da nostalgia, do tempo e do têmpo antes do tempo (importante dizer) e etc. Sou apaixonado por n coisas que me fazem gemer em ais e perder o fôlego das razões. Logo, se sou assim, desconheço e ojerizo o amôr em face de ser racional. Não existe. Amôr que pensa é lógico, e assim, não existe o imediatismo, a ensandecida vontade de demonstrar o sentimento para quem se ama ou para o mundo em geral - logo, o amôr enquanto racionalidade, é uma falha grave e alcova de pessoas que usam as outras. Caso encontre um ser desses, fuja para longe e peça a Deus que esse ser tenha um belo caminhar.
Pessoas que racionalizam o amôr na verdade tem uma grande falha em se entregar, e por isso acham que calcular a rota e racionalizar aquilo que apenas se sente vai mudar algo... e o que muda na verdade é como nós as vemos: de pessoas incríveis, para bichos. Rasteiros. De coração frio, estômago baixo e olhos acobertados. 
E eu, pessoa pequena de pensamentos e habilidades, creio que o desespero que emprega no amôr é o que rege, evolui e demonstra violentamente o mesmo; que aliás também reside nos cuidados silenciosos, nos pratos favoritos feitos, nos abraços em horas de dor, das noites de bebedeiras, e dos carinhos velados somente para a madrugada afã e perfeita. O amôr, como mãe que possui e provém todas as habilidades, logo se mostra prolífero de cuidados, quereres e coisas boas. Sem esse amor, a vida não posssui ter ou querer.
É como trabalhar com o que não se gosta, e ao sair do labor encontar livre e desimpedido aquilo que te rege como grã alegria e motivação - e sim, eu sei, e Deus sabe que eu sei que existe a alegria oculta, que nem todos os nomes são capazes de dizer, nem todos os pensares são capazes de elaborar e nem todo nome é capaz de lograr. 
Aliás, o meu é uma Antarctica. Gelada. 
Geladinha. De trincar.
Meu Santo Antônio, com uma dessa eu danço até com os Santos Cães da Rua!
E, enfim, me ponho a pensar, no que ouvi hoje sobre os amôres e os gostares, e percebo que as pessoas mudam os cenários, as faces, as fases, as ruas, mas a grã maioria dos seres humanos ainda tem o mesmo problema (possivelmente de fábrica): Eles não sabem - e talvez nunca vão saber - amar. 

domingo, 23 de julho de 2023

Carta A Oshiro-Romani

1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba, para Brayan e Camila. Que Deus os encontre em boa forma, bom estado, e bom coração.

2 - Das alegrias;
Alegremos e demos festas - dentro e fora de nossos corações - por tão salutar alegria. Mas, além da alegria que reina, devemos saber das alegrias que sondam nosso espaço, pois dentro do espaço de um navio, temos lá nossa alegria, a alegria que se compartilha, e a alegria geral, que em bando ou grupo, prenuncia tempos de paz.
2.1 - das terrenas;
Devemos acatar todo sim com regozijo, mas lembrando que todas alegrias são temporárias bem como as tristezas. Logo, enquanto houver-se alegria, deve se esticar o sorriso mais belo no rosto, e quando a tristeza avier, devemos por nosso sorriso mais forte, para honrar a alegria que veio, e para afugentar a tristeza - filha do feo, que não se contenta em vermos em paz.
2.2 - das esprituaes;
E nas alegrias geradas através de rezas, e pedidos sinceros ao coração, devemo-nos alegrar a alma de maneira tão bela que não só agrade a Dôce Mãe das Candeias, mas sim a Deus Pai, o Criador, pois tôda alegria, tôda honra, e tudo de mais belo e perfeito pertence só a Ele, com Ele, e por Ele.

3 - Preparação para a morte;
Devo-lhes alertar também acerca do fim - inevitável e belo encontro aonde veremos face em face Aquele que nos mantém. Não é apenas caridade, nem apenas obra, nem apenas boa atitude, nem apenas boa criação, tampouco bons valores. Nós, de gênero humano, longe da matemática celeste, esquecemo-nos das vias de caridade, das bondades quotidianas e damo-nos por perdidos, por mais que nosso coração pertença a Deus. Ser pae e mãe, é elevar seu(s) rebento(s) ao máximo possível para que eles tenham o coração bom de seus pais, e extirpem os erros para que sejam melhores - cousa que não incluem da violência, do erro, do ódio ou da palavra de inclinação ao erro. Digo, pois, para lhes verem um dia, novamente, unidos na festa do lugar tomando uma pinguinha em algum boteco no Céo!

4 - Da Família;
Da família, pilar da unidade entre o ser e o Criador, criam-se universos de realidade infindáveis, e exponho-vos sobre, não porque sou melhor ou maior, mas para apenas lembrar-vos de cousas pequenas, porém estritamente importantes.
4.1 - Unidade;
Família é união, e não há como fugir disso; se a família se desintrega, são apenas indivíduos que habitam abaixo do mesmo teto, logo, irmãos devem se amar e se proteger, pai e mãe devem se respeitar e se proteger, um com/pelo outro, no cansaço de um, que o outro divida o fardo, e na alegria de um, que o outro saiba se alegrar, pois sendo espelhos vivos de exemplo no caminho terrestre, logo, se uma palavra amarga toma conta do lugar, ou uma repreensão se torna algo excedente, temos aí a abertura do agravante, o índice do erro.
4.2 - Indivíduo;
E que cada indivíduo, tenha também seu tempo, seu espaço e seu domínio: falar, pensar, agir, rezar, amar, se recolher e poder criar seu pensar e seu agir - e percebam que na individualidade daquilo que conclamo, nenhum dos itens vae contra o que lhes digo enquão união. Logo, toda a família precisa de um tempo individual para ter seu respiro; não para ser quem é, pois isso deve-se de ser sempre, mas sim para também ter suas amizades, seus passatempos, e sua mentalidade individual para gerir o pro-bonum para sua família.
4.3 - Da benção em ser mãe;
Ah, a mãe! Olhemos para a Maria, Excelsa. Quão bela é! E tu, ditosa Camila, bendita é tu entre as mulheres, pois teu coração agora desdobra num novo coração, e numa nova forma de sentir, viver, amar, e cuidar. E essa, é a parte do seu corpo que mais vae doer, mas também é a parte que mais irá lhe alegrar, portanto sempre abençoe seu(s) rebento(s) o quão puder, até se exaustar, pois a benção de uma mãe é a maior reza que alguém pode se ter na vida.
4.4 - Da maldição em ser pai;
Major, lembremo-nos de Nóe e Jacob. As palavras do Patriarca da casa, são de extremo perigo. Cabe-te a missão mais bela e extenuante de ser o sentinela, também tem o peso da maldição. Se Camila tem o lado bom, você fica com a faca; Logo, entende-se que se pelo seu crivo houver alguma injustiça, quando afligir sobre seu(s) rebento(s), lembre-se do poder que tens em dizer algo.

5 - Da vida de casal;
Se uma família se constitui em mãe, pai e filhos, logo há um casal. Há de ter sempre a importâncea em não esquecer isso. O casal torna-se mãe e pae, mas ainda sim é um casal. Se vocês amadurecerem, amadureçam o relacionamento de vossas mercês, e se a vida estagnar, reinventem para evoluir e fazer melhor e direito. Os filhos, são a consequência da união, logo, nunca se esqueçam de que vocês não passam de um casal que vingou, deu certo, deu frutos, e gerou pessoas boas para este mundo.

6 - Da igreja;
Alegro-me em ver vocês se aprumando no lado católico da força, e isso de fato é algo mui interessante. Não digo isso de forma pejorativa ou gabosa, mas sei que isso me faz sentir que há uma busca em vocês para a eterna melhoria, tanto de dentro, como que de fora, logo, exponho dois temas:
6.1 - Valores;
Nossos valores - aquilo do qual nunca abriremos mão - tem que estar pareados ou nivelados na nossa crença. Se não seguimos nossa crença, ou seguimos mas com exceções e pequenas permutas, isso não nos torna dignos em nada. A vida, em si, é tão básica, simples e humilde que nos assusta, logo, admoesto a vocês que entendam que os valores da igreja eterna são simples, e se estes valores forem de prudência e evolução para vocês, creio que estão no local certo.
6.2 - Tradição versus Conservadorismo;
São Brayan, quantas vezes você me ouviu falar que a "Igreja de Cristo é imutável?" (sic). Pois então, torno a repetir. Na nossa igreja temos inúmeras ordens, congregações, e mais de trinta tipos de liturgia. Não cabe a nós nunca misturarmos a Imutável Igreja de Cristo com o século (nosso tempo), e tampouco acharmos que a Igreja deve ser pendida a um lado ou convicção. A igreja é tradicional, mas não conservadora. Jesus é o Cristo, e não revolucionário. Na beleza dos cantos tridentinos, vemos sim Deus agir, mas foi pela CEB que vi muitos amigos meus de carestia que não tinham o que comer, serem nutridos e serem hoje boas pessoas. A nossa igreja é como uma grande família, com inúmeras personas, cada qual com seu jeito, maneira, e forma. Devemos apenas ter a harmonia de viver em paz, sem dizer quem é certo ou errado, pois, se cremos no mesmo Cristo e elevamos a mesma hóstia santa, logo todos nós temos o mesmo Credo.

7 - Das raízes;
Imploro a vós: Nunca percam suas raízes. Quem perde suas raízes é condenado ao suplício, ao erro, a peste, a maldição e a morte. Da humildade, da felicidade com pouco, das alegrias sacras que residem no simples, da paz, e da felicidade: Sempre se lembrar do bom passado, e transmutá-lo ao advento e tempo de Cecília, a benvinda e bem-aventurada entre nós. Quem esquece suas raízes, esquece de si mesmo, e esquece de onde veio, para onde vai, e o que quer fazer.

8 - Benção e Despedida;
Acerca de mim, não me aquietaria em escrever no meu alfarrábio de memórias sobre grandes pessoas que se tornaram grande família e que eu pudesse dar algo tão meu (palavras foscas) para um memento desse porte. Abençoo-vos com minha humilde e fraca reza, e peço que Deus os abençoe e os ponha entre os Santos, Únicos, Justos, Primeiros, Patriarcas, Profetas, Virgens e Mártires.

sexta-feira, 30 de junho de 2023

Just A Song Before I Go.

Antes que eu vá, digo que eu esperei por você.
Esperei pelos seus abraços de sêm-fim, e seus beijos amenos - ora na minha testa, ora na minha bochecha, mas quase sempre na bôca. Esperei idem pelos seus carinhos macios nas minhas costas, como por quantas vezes escrevi deles, assim como agora escrevo me despedindo de vós. Esperei pelo seu sorriso de chegada e por sua têz entristecida de partida, das faxinas, limpezas, arrumações, cariños e filmes regados a viños e pipoca com ajinomoto - das pizzas, churrascadas, e cuidança. Nas festas de amigos, ficaríamos orbitando no universo deles a beber, a rir, a cantar, a se abraçar e fazendo piadas, pois teríamos o tino do humor nêgro, da baixaria, mas ainda sim arriscaríamos tudo em uma tentativa de arrancar o riso um do outro...
Dos dias frios, cobertas no sofá, de você fazer um cachimbo para mim - afinal, conheceria a medida do tabaco e como gosto -, tanto como de que quando me mantenho só, olhando para o universo para encontrar ou a mim, ou a Deus, que você se atentando ao meu lado não dissesse nada. E apenas colocando sua mão em volta de meu braço, ou me abraçando, tampouco na mais ríducula das hipóteses, como naquele Céu estrelado que uma vêz vi na Serra de Santa Helena, e seria lá tu que deitaria um mantel sobre mim. De passar no mercado e perguntar o que você quer, o que você precisa, o que falta, o que quer comer. Dos dias de calôr, teria a praia, o clube, o veraneio, te ver dourar a pele, beber uma cerveja contigo, e sentir que o Sol nos aquece, e ao deitar contigo, seu calôr não me incomodar, e sentir alegria em queimar-me em ti.
Do seu carinho em minha cabeça, dos olhares, das piadas infames de casal, de ter a minha parceira a bandeirar pela cidade comigo, de não me preocupar se me fedo a fumo ou suor, porque estaria lá seu abraço como pôrto-seguro de tôdas as agruras que fêz esse mundo em mim. Seria lá, teu olhar e ter teu coração cousa mais bela e própria do que ter e obter Deus em si. Seria, por mais franca verdade retilínea um trabalho de vida. Ter-te num arrebato de abraço, para enfim descansar de forma concreta, precisa, e assim poder dormir finalmente em teu colo, ou em teu busto, ouvindo teu pulsante coração descansando perto do meu.
Seria, afinal, o que dizem êles em ser feliz.
E as noites sem final de violões, bandolins, e cantorias, para mais uma vez ouvir seu canto de rouxinol clarear a noite toda...
Esperei cuidar de você. De te dar cafunés, contar as coisas que sei, falar de dias de batalhas e glórias passadas; e de planos futuros que ninguém nunca há de saber, e de quando ir trabalhar, sentir sua mão tão macia me segurar pedindo um beijo de despedida, e que seus olhos acastanhados, translúcidos com um brilho tão incógnito fôssem então para mim motivo para que eu pudesse continuar adiantar, e lhe trouxesse a alegria e o cansaço de um labor, enquanto abriríamos uma garrafa e descansaríamos de toda a vida que morreria fora de nossa casa. Te encontrar no metrô seria como ir numa fila ao tomar a eucaristhia, de importância, reverência, temência, amôr e respêito. Te celebraria como o gôl de desempate, e do primeiro gole de Antarctica gelada. Seria lá tu a fôrça de minha fraqueza, e eu seria o teu baluarte para que passasses incólume.
A verdade é: cuidaria de você melhor do que eu algum dia pensei cuidar de mim.
O lado de dentro da calçada, o braço na cintura, o beijo inesperado, o vento que invade sua saia, as ondas violentas, o emboque do mar, as alegrias vindouras, a alegria de sermos mais de dois... esperei ansiosamente por isso, e Deus sabe como. 
Te encontrar, em qualquer lugar, em qualquer circunstâncea, de qualquer maneira, seria pra mim a cousa mais bela que existe. E só de sorrir para mim, saberia afinal o que seria isso que êles chamam de "ser amado". E eu saberia - de alguma maneira muito inóqua, muito estranha, muito bizarra, muito bela, muito chamativa, muito desesperada, muito involuntária, muito emocional, muito devota, muito minha, saberia que você também me amaria.
...e antes que eu vá agora, apenas saiba que te amei. E eles não vão te amar como eu amo você. Eu te amei pelo conjunto da obra e solidificação, eles te amam pelo que tens. E isso me difere em grã situação deles. 

E isso me diferencia de uma maneira que você nunca vai saber, porque talvez você nem saiba de mim. Sou só um escriba.

terça-feira, 20 de junho de 2023

Bola de Cristal.

eu só queria dizer que ando cansado.

Sei lá eu de quê - mais sei que extenuei e estrangulei aquilo que chama-se limite.

Minahs lágrimas secaram, Dulcinéia não se encontra para afagar minha barba e dar-me um beijo, tampouco Sancho enfrentaria comigo o Aragonésco moinho, pois ele saiu para almoçar faz três anos longos...

Na verdade me perdoe a metáfora embutida, mas, queria era um porto seguro - difícil termo e condição para os dias de hoje e para a vida que se vive de caxangá e pôrto pôsto contra o Sol.

...mas o que é mais me anseia a alma. Minhas carnes vibram por esse dia.

O sôm, que ensurdece, desatina, corta e tange, fere, toca e mata. Tal qual esse momento. O translúcido quasar que ressona a dissonante nota que atenua e atenta o que aquele guitarrista fez no Royal Albert Hall aos 5'56'' do Concerto de Despedida em 1968. Dantesco, preciso e lírico.

Queria era alguém que comemorasse minha fraca existência como se fôsse motivo de dulia, ou de algo estimado. Como o velho canino que se abana e se expõe em barriga faceira para ser acariciado.

Queria sair por aí, nada de acampar ou dias de praia com areias inconvenientes no corpo. Apenas uma mesa e garrafas, fumaças de tabaco e músicas para cercear quando houver descuido no silêncio.

Queria buscar sentimentos antigos, desde os natimortos em mim até os que foram assassinados por mãos de esmaltes que não enxergo as côres.

Além disso: sinto que nas sôfregas mãos em que peno em dizer algo ao escrever, marco apenas a sentença do eterno escriba: ao testemunhar o fato, torno o lírico - sem ter a necessidade. Apenas por um fator ididota de transpôr em letras, do que meu coração chora.

Também tenho dias tristes, noites negras, e um vivante da solidão que há muito e há tanto é minha companheira. Há dias que penso que não tenho afago, e há dias penso que há alguém que aceite minhas loucuras.

Há dias que sou um rei assunto. Há eternidades que sou o fim-de-fêira.

Não me importo, me sinto bem assim.

Se me apego em Deus? Como não?

E haveria mais alguém que me ama com tôdas as minhas (inúmeras) imperfeições e me aceita? (e que óbviamente não seja de gênero de carne, pois)

Paciente, em algum lugar do universo, Êle existe. E eu aguardo a hora de Vê-Lo, para sentir um vero amôr que me consuma as entranhas. Há dias que são cinzas, e outros tantos dias Cinzas.

E no fundo, eu não quer dizer nada com tudo isso. 

Eu só quero vomitar um peixe pôdre de tão antigo desta garganta minha.

E não. Você mais uma vez não entendeu.

quinta-feira, 18 de maio de 2023

The Edge.

 Pau no seu cu, meu chapa!
E quero mais ainda que se foda seu cabelo translúcido e seus olhos fulgurosos, nós - modéstia a parte, os anjos, os santos, os mestres e os escribas - nós tamo é pouco é se fodendo é. A gente gosta mesmo de rir, brincar, sentir: e sem mão na bôca, a libertação está perto. A liberdade vêm, e cheira a crisântemos como um entronar de uma Amaterasu, ou como a morte no caixão de um cristão. Talvez você não entenda porque o pau no seu cu entrou até os seus tímpanos, por isso tu num lê. Toma meus olhos: A regra é clara, limpa, pura e simples.
Segura seu par, e beija forte. Se joga contra as ondas e deixa a água salgada do mar te iodar, e roda o mundo procurando sua paz. Faz carinho nos santos cães de rua, e abraça eles. Dá uma marmita ou uma grana aos Irmãos de Rua, e proclama um evangelho que no silêncio, perturba os anjos do Céu com seu tinar do coração, que bate mais forte que a voz do que prega imundamente.
Se você for bom, a bondade nunca sai de você, como um câncer benéfico - e de câncer eu entendo - e emaranhando tuas veias, pulsando em tua alma e rechaçando os seus sentidos mal-feitores, será tu exposto a clara luz que segue um comboio forte, que não lhe dará tristeza, e que ao quando sê tu exposto, se diminuirá, e assim, será dado como um dos nossos, e não dos deles. Não há de ser fácil, mas se lêes com o coração, recebeste o ouro que te dou, mas se caiu na armadilha trincada do escriba, tenho más notícias para dizer...
Ouve o baixo tocar. Pulsa. Ressona. Emana. Imanta. Ele dita as notas, contrapasso, repuxa e engrossa no cordão do refrão, e ele que te faz pular enquanto segura a amada pela cintura - aproveita e leva ela pra fora da pista e tomando um ar, diz pra ela as coisas do mundo, do amor, do Céu, de vocês, e de você, tão pequeno, e tão entregue a ela. Faz ela chegar ela perto, e mais perto, e mais perto. Ouve a sinfônica entrecoretante e inebriante que emana do coração pulsante dela, e eleia essa arrombada, meu mano! Beija ela! Celebra o amor, candango!
E VAI TOMAR NO CU RED PILL! Nós, da velha guarda, mantemos o bom coração e temos a rosa exposta no coração, e se não dá certo, só seguimos em frente. Saber lidar com o não, também faz parte do jôgo do amôr - A BENÇÃO, WAYNE FONTANA! Saber amar e ser amado não é difícil... Difícil deve de ser sua mãe e aguentar você falando merda gratuitamente; e dos meus livros de boa memória, te guardo no mais digno de sua corja: Os esquecidos. E portanto viva eu, peixinho da lagoa, Tio Fungo (de dôce memória) e a Repvblicæ Livre de Itaqvæera como berço de heróes que nunca serão esquecidos na lira dos trovadores e nas tabvlas dos bons escribas! Nós, os da boa vontade e de coração tenaz (que é longe de justo) ainda estamos por aí -  e vamos adiante até a perfeita hora da dôce morte!

E corre, falaram que tem post no blog do The Joker amanhã.

domingo, 14 de maio de 2023

Ofício.

 N. Do E.: Crônica dedicado ao mecenas que contribuiu com o café do escriba. Benedictvs si!

Se eu te dissesse tanta coisa te seria de entender?
Das coisas que sei,
Das que entendo,
Das que desconheço,
Que cabe no oculto de meu coração.

E com teu óculo analisaria sabiamente:
O que escrevo ou digo,
Emendando em minha conversa objetiva,
Uma liga que anuncia algo,
Ou apenas daria um simples sumiço?

Por favor, não olhe as coisas como frias;
pois se assim o faz, põe as em lugar comum.
E se torna comum, perde a magia,
se perde a magia morre o porquê,
e assim, não tem razão de ter ou ser.

Se estende a mão;
Aceita o abraço e o eleio,
E conhece, aceita, ama e gosta.
Abraça, aperta, morde, beija e devora.
Faz diferente para a borboleta imortal não morrer.

Dos ofícios do escriba, cabe a denúnica,
de um novo amor,
de uma vida que nasce,
de uma morte vindoura,
de um dengo.

E cabe, a quem lê entender,
por mais que pareça torto,
as linhas do trovador,
enquanto ele com suas linhas entreveradas, lhe diz:
"espera, não esfria, por favor, fica."

Agarra em um abraço e não solte,
Aperte a mão e ouça o som junto,
Deixa as lindas garôtas ouvirem,
Os céus turvarem,
Enfim, os corações se cruzarem.

sábado, 13 de maio de 2023

Crônica Desinteressante.

 N. Do E.: Crônica dedicado ao mecenas que contribuiu com o café do escriba. Benedictvs si!

Se vale o comentário, vale uma história. E se vale o interesse, não há motivo de rotular como desinteressante, não é mesmo?
É só um comentário - ou ao menos era pra ser, e de fato não deveria ser tratado menos que isso. Pra quê tanto escarcéu? N'um dado momento aonde as palavras se tornam mais ajuízadoras do que conciliatórias, para quê eu iria compôr uma tribuna da qual rejeito? Então, te tomas pela certeza que é só um argumento; e mais além: A sintonia ajuda, tal qual a música, as luzes inebriantes como um velho cabaré afrâncezado, e as estrelas, perdidas no Céu escuro, aparado por copas de árvores, dão a sorte de um querer bem.
Pra quê a noite, se existe companhia? 
E falemos de música, e falemos de sons, e falemos da Anima, mais ainda; falemos de nós, das piadas de fundo verdade, de humor tão cínico, besta, inerente, juvenil, sexualmente apelativo, mas de forma tão nascente, nosso. Falemos dos velhos senhores, do show, da vida em si, das apreensões e dos fumos e das cervejas, pois isso é o que basta ao momento.
E olha, há quanto tempo as coisas não acontecem de forma natural, por um acaso ou planejamento divino, e põem-se em marcha para dar certo e assim contribuir para uma alegria que reina perfeitamente no nosso peito? E falando em coisas do peito, Meu Deus, como se odeiam os prédios espelhados e como se odeiam os pulmões masoquistas de fumantes!
Procura no campo a paz que reside em teu peito, prepara um jantar, acende um cigarro, e passa a mão entre os cabelos: Que doida coincidência é a vida. Abre uma cerveja, e suspende-se num ato: estando inerte ao ar, sente novamente aquele coração pulsar, a barriga florear farfalar de velhas borboletas imortais, e como jovem sonham com um beijo - o velho rolê juvenil que a gente esconde em sete chaves num baú dentro de nossa alma para não se quebrar de novo: O eleio. Conversas bacanas e produtivas. O abraço. A música do pé-a-ouvido. O amasso. Amor travestido de sexo com suas ancas habilidosas maestramente levantadas enquanto se pesa o corpo do amado. O carinho travestido de qualquer coisa que você queira. A música tocando alta e a fumaça oriunda do cinzeiro incensando o lugar. Acaba o cigarro que se fuma sozinho - dois corpos estão ocupados. Os beijos de fim de noite enrolados em braços tão unidos que nos fazem perder a letra em dizer. E o acordar? Um café, forte e sem açúcar, junto com um misto, ou até mesmo apenas um pão com manteiga, mas feito com a energia e o sentimento que não se cabe em letras, mas é explicativo de quem o sente.
Conversa mais um pouco, fala mais um pouco, stalkeia mais que tá pouco. Abre a foto. Vê, olha e pensa: projeta um cenário e todas as roupas possíveis para usar e impressionar, além de poder dizer coisas que sejam alheias e verdadeiras, mas que não a afastem, olha para ela e pensa como o universo tem sido legal. Diz uma asneira gratuita para desbaratinar, e pensa além de tudo, no futuro, mesmo não tentando fazer planos. No dia do encontro, como será? Seria ela maior ou menor que eu? Ela gostaria de caras mais novos ou mais velhos? Será que rola um beijo no fim do encontro?
Perguntas, sem resposta, que ainda precisam de um desenrolar do tempo para se crismar.
Dado o dia, levanto, e ao ler tua mensagem, o coração traqueja um palpitar. "Ontem foi real", e isso alucina a vida, faz a vida ficar mais interessante, e dá mais gosto ao café. E ao ver novamente a foto, retorno ao turbilhão de sentimentos dados ao flerte da mulher que vi. E ela, me atordoando, permanece atenta como a sibila que profetiza entre os lábios voluptuosos a denúncia: Quero.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Time To Hide.

 "E aí, Pedro, seu glad bird?"
Quando olhei assustado com essa saudação, vi a épica Irmã Eunice descer das escadas do Carmo Velho com algumas freirinhas. Eunice é uma das pessoas que mais senti falta quando saí da minha vida no convento. Ela tinha olhos tímidos, cálidos e cantava como um rouxinol; mas hoje parece ter mais vida e seus olhos pratejavam como se pegasse fogo. Ao subir a Martiniano de Carvalho, passando pela Casa do Carmo Velho indo ao festejo dos amigos, a encontrei saindo dos beiras da Casa Santa - a qual me interpelou com a frase e nome antigo. Ainda com o mesmo hábito de sempre, o véu puído tampando seus cabelos, e pelo visto trocou o violão por uma flauta que dava pra ver guardado em seu bornal. Conversamos brevemente, e subi para o folguedo, prometendo nos ver tão muito e tão logo. E ao sair da Igreja, lembrei de uma mulher que me falou do lado Carmelitano da força.
Chegado eu pois no edifício, senti de fato um frio em minha espinha e dores nos músculos e nos brônquios, como que de fato me houvesse saído de mim. Respirei. Vi rostos conhecidos, estimados, mas no dado ponto a dor me valeu tanto que não pude ver nada ou sentir nada além da lata de cerveja na minha mão. Respira, inspira. Deixe entrar, deixe sair. Respira. Essas dores me seguem desde quarta passada.
(Penso pois muito nas obras feitas das mãos, e num valor que se dá quando dedicamos o tempo, espaço e energia a cada uma dessas coisas - e se a intenção da qual ofertamos a quem damos é realmente intencionada. Apesar de hesitante, ainda sou o labrador humano que tem o coração ardente por um evangelho à moda franciscana, com pitadas de patrística; tiro de mim para os outros, dou o que é meu para quem amo, e reparto do pouco que tenho porque sei que na hora devida Deus me dará o que é por direito de meu aceitar e viver. Se, pois, to escrevo cartas, te dou a melhor parte de mim, pois é a dita letra. Se, então, to entalho ou trabalho por vós na madeira, é para ter algo que demonstre meu afeto e apego por você, e se, logo, dou-te algo meu, é porque te dou minha vida e te significo na minha vida.)
Após tonturas e leves enjôos, respirei e segui, como sempre. E após um leve bem-estar, vi teu rosto aparecer pela porta. Me emudeceu a voz depois de tanto tempo olhar para você, e além do emudecer, me turvou a vista e disparou o coração, me deixou sem graça. Ainda mexe. Vi o sorriso sem-jeito, os brincos, e as unhas claras, e a joaninha na perna. Leve disparo no coração; ansiosidade, paixão, passando mal ou princípio de infarto? Talvez tudo.
Fuma um cachimbo, ri, faz besteira, fala da vida, faz piada e vê as coisas acontecendo e sendo como são - vida se transformando, família, risos, festas, incenso e azul. Olha o Céu, vê que Céu lindo Deus pintou pros meus amigos, foi esse o dia que o Senhor preparou, e apesar das dores, alegrei e me exultei n'Ele.
Quão desprevenido, na hora de tomar uma água, veio quem me dispara o peito até mim. Uma conversa rápida. Um diálogo civilizado. Seu perfume me faz lembrar tanta coisa, fecho os olhos e evito contato visual. A água no copo acaba. Sua voz ainda me soa como um Angelvs.
Dói um pouco mais, respira. Dói um pouco mais, respira um pouco mais. Só tomo dois remédios se estiver em casa. A noite desponta, sinto as carnes vibrarem, melhor ir pra casa.
Deito, descanso. A janela aberta mostra uma noite épica, e consigo notar as estrelas fazendo cena no mesmo Céu ainda. Um vento gostoso entra ventilando na casa, e carinhando minhas costas, na vitrola tocando Asinhas Over America, e lembrei de tudo até aqui. E a dor me consumiu de tal forma, que de cansaço ou exaurido, dormi.

E algo em mim continua igual. Imutável como Deus.

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Time Moves Slow.

 Estou aqui no hospital. Não imaginava que drenos no pulmão fossem incomodos. Já são três dias.

Depois de três dias a dimensão de tempo é tão difusa, tão surreal, que chega a incomodar.
Estou vivo ainda, por graça de Deus ou por alegria, talvez. Estou vivo, principalmente, pela esperança. As que imputam em mim e nas que eu gentilmente ponho no meu coração, ornando-as com a beleza de Deus.
Gostaria de beijo e abraço específico. Da voz e da tenaz palavra. Isso me acalmaria senão, atordoaria benéficamente. E neste frio, tremo as pernas com os cobertores postos, e sorrio. Apesar de toda essa lama, toda essa tristeza, ainda sinto e tenho um pedaço de Deus em mim. E isso também é esperança.
De esperança em esperança foi como vivi, pois assim pude deixar a providência divina e as obras da caridade nunca falharem dentro de sua matemática celeste.
Nunca senti que vivi pouco, pelo contrário: vivi o tanto que me coube, e tendo isso em mente não me regojizo ou me vitimizo: vivi o tanto que pude e que Deus deixou eu viver dentro de Sua tutela. Deus, além de Deus foi meu melhor amigo, pai, irmão, advogado e pretor.
Essa imunidade baixa e os dias frios me nocautearam. Alguns dizem que irei sobreviver e que rezam por isso. Mas, docilmente ponho nas mãos do Divino o querer (não só disso, mas de tudo que abrange minha mente agora). Caso viva, bendigo Meu Senhor. Caso morro, bendigo a Vida. Faço parte de toda uma sistemática que sinto entorno a alegria e a tristeza, e assim sigo. Na minha janela, não pousaram passarinhos, e isso me entristece, mas a nutricionista me deu gelatina de limão, e isso me alegra.
Achar a alegria em tudo, e agradecer a Deus por tudo, por todos a todo o tempo, esse foi o conselho que Frei Francisco me ensinou.
Tento, apesar de tanta dificuldade pesarosa e dificultosa, ver Deus em tudo, e mais dificultoso ainda, agradecer pela Sua ditosa vontade. E neste estreito espaço de navio, oro. Acho que nem nos meus tempos mais espiritualizados eu rezei tanto. Este frio me trava os dentes, mas me liberta a alma. E se eu voar, eu posso ir te visitar? Sentar na beira da tua cama, cantar tua música, e te fazer sorrir? Como um passarinho marrom?
Mais uma noite. Mais uma noite. Menos uma noite. E o Sol desce no cinza e arqueija a noite densa e enevoada. Sorrio. É das noites que gosto, mas como um mercúrio, me envenena em doses lenta. O que amo me mata. Sorrio. Se me sobra, sobra tu, letra ditosa da pena. Inclina-te em minha ordem, pois ainda em claudicância eis que mando o teu ditar: escreve, escriba; se não como testemunho, como ao menos um alpendre de verdade para quem ler como memorial. Se me cabe escudo, agora liberto-te, a adaga oculta que guardei para a noite memorável quando me amavas: Diz-me, Deus - a qual roga os miseráveis, quão longo e dulce suplício é esse que me embute, se nunca pedi ou desejei galardão de santo?É pela minha relutância, tal qual Cupertino, que me fazes assim? Sou filho da porta estreita, e por ela passei n vezes sem murmurar, mas, quando me põe no sopé da morte e vejo eles tão distantes, sinto-Te mais ainda. Não te abstém, força minha, Corre Tu em meu socorro e salva-me nas excelsas glórias, pois da porta santa abri para chamar Teu nome.
És o Deus de Dona Antônia, o Deus que ela há tanto e muito rezou e que nunca foi confundida. É a Você que clamo nesta hora de minha solidão e amargor.
Eu acho, que eles chamam de milagre. Eu chamo de vida. Eu chamo de viver.
Ora pelos meus, e salva a minha (ela) do laço do passarinhedo, e quão a minha vontade, que seja inferior ao Teu querer. Por isso lhe invoco, glorioso Jesus Cristo, Filho de Todo o Poder Criador que me amou primeiro, atira-se no precipício que me encontro e reclina teu Bom Ouvido para ouvir esta última prece: Deixa as lindas garôtas ouvirem e deixa os Céus turvarem. Encosta-Te em mim e abraça-me, para numa última vez, unido a Vós, possa sentir o amor o querer, e estando na mais alta dificuldade, sê Tu aqui meu animador, e dá me o riso. Alteia meus olhos, e reconecta-me ao que perdi para que encontre. Dá-me vida para que eu possa terminar a promessa que te fiz, e escondido dentro do Teu Sagrado Coração, não me vejam, sintam, ou possam agir de mau juízo de mim.
E estando eu contigo, que você me alivie cicatrizando todas essas chagas para que eu, estando junto a Ti, possa apenas me glorificar de Você ter me acolhido e restituído tudo aquilo que perdi - e vagarosamente - retorna ao oculto de minha mão, ou como nos diz o profeta: "retorna em mim o riso, e faz-me viver". Dando-me, tais poucas três cousas que lhe peço, rugirei como o Leão de Baoz para que não Maculem teu nome, e sei Teu Capistrano. Ergurei elogios e honras, e mandarei promulgar Teu Nome, pois nesta presente agonia e sufrágio me valeste.
E que eu só leve alegria a todos os corações, amen. E de paz em paz, roguemos ao Senhor.

Alto! O Sagrado Coração está comigo!

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

II Carta a André.

 1 - Prefácio e Saudação;
Marcvs, escriba para André. Filhinho, que toda sorte recaia sobre você, e ao ler os textos de crônicas de um passado, saiba de um bom tempo que houve. Como gosto de parafrasear Tio Fungo: "Havia um tempo antes do tempo." Cabe a nós abrirmos e fecharmos a porta, o canto, a lágrima, e aceitarmos o fim iminente.

2 - Considerações gerais;
Considera a maldade. A solidão. Os corações endurecidos. O orgulho. De todos esses, moí como bagaço de cana e bebi o sumo. Fiz de dor alegria, fui príncipe, rei, amigo, irmão, consorte, pretor e altivo. Desci até uma mina d'água e lavei os pés e joguei uma concha-forma-mão de água em meu rosto, e pude seguir a estrada. Mas, trago-vos o perguntar: E a estrada? Que forma tem e aonde dá? Quando não sabemos, e não temos mais o ímpeto juvenil da coragem e da sapiência, não queremos mais aventuras, queremos apenas descanso. E isso, filho meu, é o que mais anseio. Aposento a lança e deixo-vos a pena e a lira. 

3 - Preparação para a morte;
Não tenho medo. Fui desde cedo posto em pé de igualdade com a morte e coube a minha parte o entendimento, então sei de mim. Choro apenas pelas lágrimas que irão derramar por mim, por latência, de forma retardante e demorada. Vazio estando o ninho, mantenho-me de olhos fixos ao Céu, e pelo Deus que rege o firmamento, pago o preço do fim que irei acometer: O frio, o chão, a dor, a solidão, a fome, o cansaço, a claudicância e o não querer viver mais.

4 - Das crenças;
Creio em Deus, e isso me bastou em trinta anos. Deve me bastar mais uma eternidade. Deve me valer uma eternidade. De fato, o que se consiste senão ter a força de Deus para caminhar, olhar, ver, viver, ter e sentir? Deus me sustentou até aqui, e agora, no ponto mais calamitoso, me sinto só. Sei que por mais que não O veja ou O sinta, Ele ainda está, mas, atordoado em demasia com o silêncio que ricocheteia em minha mente, não consigo dizer e tampouco fazer muito. Minha crença diminui - e analogamente - aumenta em minhas veias, tal qual aquilo que mina minhas forças e esperanças. A morte pode me ter, mas, ao menos uma vez há de ser em minha maneira.

5 - Da tristeza;
Acolhe o triste, e lida com a lamúria dele com paciência e amor. Sê amigo, pois um dia hão de enxugar teu pranto, pois quem é da lira e da pena tem um coração grande, daqueles que chora, ama, vive e sente. Então, vê lá tu e segue em harmonia, pedindo sempre a Deus pelo melhor jeito de consolar o povo que sofre, perece e padece. E todo bem que fizer ao sofredor, é bem que volve a ti por mérito, ordem de Deus, ou da vida.

6 - Das tradições;
Devemos sempre manter costumes e tradições, de tal forma que quando estivermos sempre a ponto de entender, ver, viver e sentir, sintamo-nos também perto de um costume e tradição. Olhemos também para dentro de nós, e dado a alegria da vida, consigamos nos entender, se fazer entender e dar a vida aquilo que não se enumera, que não se sente, não se vê ou tampouco se tange. Que pelos costumes de uma corrente de pessoas, sejamos nós brindados pela alegria de viver, 'inda que tardia. E que pela tradição, façamos e sejamos lembrança. 

7 - Do oculto;
Existem segredos, dentro de cada recôncavo e rincão de uma alma que nos tomam de forma imperfeita e imprecisa. Não temos acesso a acessa parte - aqui ficamos. Mas, quando alguém nos der por dieito um acesso ao nosso oculto, ou até mesmo ao nosso Jardim Secreto, aonde compartilhamos o nascer e gerir de nossas esperanças e fomentos, devemos sempre honrar o compromisso do oculto, respeitando-o, e dando seu tempo para que se abra: tal qual a flor, que em loucura de primavera se abre, faz-se faceira e manda a vida subir até vós.

8 - Da raiva;
E nos rincões, da raiva que nos trará, exortaremos ao Bom Deus que a elimine, pois somos de lira e pena, e só usaremos a raiva quando profanarem a nós e os nossos - na condição de pretores, seremos a guarda de quem amamos, e na condição de escribas, usaremos a raiva para exortar o que é desnivelado ante ao universo. E, dentro de nós, usaremos nossa raiva e ódio apenas contra uma pessoa: Nós mesmos. E isso nos elevará em magistério pelo desvelo da vida, cuja perdemos, e logo a Encontramos.

9 - Da morte;
E no silêncio, oculto, de fim-de-feira e fim de bandeira, aonde o frade eterno repousa, estaremos pois, nós. E na morte, após lágrima sincera, e não copiosa, entregaremo-nos, a parte certa e devida da vida que foi vivida: Bem pesado e bem medido, seremos condecorados com o que nos aprouve, e após isso, apenas Deus bastará.

10 - Benção e despedida;
Abençoo-te diante dos Santos, e peço a Padre Deus que te dê boa vida, e bons frutos. Que você seja frutífero, solícito e amigo de todos os momentos que a vida lhe ofertar. Viva, e siga sempre o Sol, pois tudo foi feito pelo Sol. E tudo que você pensar, será.

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Dancin's Alright.

Ressona.
CAXAPOU!
Como uma granada no ouvido.
Lembra?
Como um som que bate turvado e agudo, progressivamente trazendo no bojo a camada grossa de um grave arreboado, que sorri como aquelas caixas tão fortes e grãs de quando a gente dançava todo galante e forte e glorioso e dono do mundo.
Ressona forte, miraculoso, belo, transfigurado e misticamente perfeito. E me lembra algo, me lembra alguém, me lembra uma outra vida, um outro tempo. E me lembra você, também.
A gente era é muito danado, é.
A gente não era? Lá, quando a gente era jovem era.
Nem tinha muito o que fazer - dançávamos para rir, para celebrar, para guardar a tristeza, e para tirar uma onda. E éramos bons, deixávamos os ditos "bons" - vulgares estrelas que não constelavam em nosso céu - fazerem seu ato de pavão, e depois, quando nosso som rolava, danávamos a ser, ter, fazer e viver.
Nós éramos de uma felicidade tão forte, bela e suntuosa, que quando ouvíamos o som junto, éramos o tipo de irmãos que nos abraçávamos e danávamos a cantar, rir, brincar e ser felizes. E quando eu ouvia o som com você, eu só queria te pegar pela cintura e dançar com você. Era o que eu mais queria, mulher...
E durante a semana, descíamos até nossa base para falar de música, beber, rir, e falar da vida - e sempre regado a música, doce música. Era música, não era? Sempre foi. Os gritos diziam, e os acordes tocavam, e nós, de olhos fechados, uma mão na fivela do cinto e outra com o copo levantado ao Céu, brindando a Deus pela vida, cantávamos altivamente, como se nossa voz quisesse vencer os decibéis da caixa de som que amorosamente nos ensurdecia.
E quando desligávamos o som, era o nosso som que ficava sendo feito no ranger dos dentes, dos ossos, dos corpos, da cama...
Ah, e é mesmo! Quando não ouvíamos o som, fazíamos o som! Descíamos com pau e corda até a casa santa e ligávamos na energia e dávamos energia. Eramos vivos e safos. Queríamos ganhar o mundo, e depois o palco aonde ressonávamos violentamente contra as paredes, os ouvidos, e os corpos de quem nos ouvia; e foi ali que soube, após a sessão, quando Che me ergueu pelos braços, que fui profeta: vivi pelo som, amei o som, aguentei o som e bradei violentamente como trovão na terra seca, e fiz alegria, fui alegria e sorvi alegria, e enquanto rodavam as trinta e três rotações do disco eterno, ouvi em mim todas as músicas da alma - das que tangiam, das que ficavam e das que partiam - e pude assim ouvir o Límpido Brilho Agudo Musical Translúcido.

De certa forma, éramos e sempre seremos o som.

Carta a Censora.

 1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba e preocupado, para a censora. Que teus olhos achem bom afã dessa letra que vos escrevo - cuja estava em parte ansioso para. [...] E me perdoe se soei rude no telefone hoje de manhã, foi apenas o desespero em ter alguém que estimo muito por perto.

2 - Jusificativa;
Sim, de fato cumpro a promessa de não escrever sobre vós, [...] E este mesmo texto, como to sabes, é a censura da censura pois não vem em público no seu integral, e caso o queira ler na íntegra, lhe envio em suma. Mas peça, ceda ao menos uma vez em vossa curiosidade, pois me sei bem que admiras a letra de teu escriba. 

3 - Preparação para a morte;
Enquão se apoias em meu ombro, diz que eu não vou morrer. Tenho cá eu minhas dúvidas. [...]  se não feito por e com amor, por e com caridade, e se não por e com caridade, pelo simples e livre exercício da pia misericórdia. Deixa, que das últimas lembranças do vale de lágrimas, sejam felizes por serem estruturadas com/em/por você.

4 - Sobre a vida;
[...] Se me dizes com forma de rudeza, lhe respondo com carinho, e se me abres o coração quando te enches de viño, me faço morada para que habites. Se de fato, precisamos ser maus, não há a necessidade de sermos cristãos, e se escondemos uma verdade no oculto de nosso peito que só denunciamos quando nos embriagamos ou quando sentimos a mão negra da morte, então somos hipócritas - cousa sabida que tanto eu quanto você odiamos. Das memórias boas entre nós dois que guardo, quero lembrar de você cantando e dançando nossa música de pijama na tua casa [...] (de fato, "evidências" poderia ser nossa música [...] ).

5 - Sobre a inconstância;
Respira. Respira mais uma vez. Agora segue. Sabe, que mesmo aquilo que mais me aflige e dói, se te fizesse feliz, o faria, e faria para ganhar teu sorriso em devolutiva. Faria para ganhar você. [...] E eles? Que são? Apenas material. Apenas material... por isso vos peço que não me ignore, ou tampouco no auge de minha fraqueza me deixe sem tua resposta, ou que mintas. Apenas me deixe descansar o que resta, pois não quero muito dessa vida, e o tempo que me resta, já escrevi acima como gostaria de gastar.

6 - Temperança;
Dizemos pois, que somos cristãos. E o somos. Mas, qual cristianismo é esse que co-criamos em paralela vida? [...] E mais além: é justo que aquele que sofre, pedindo a Deus por um pouco de bálsamo, seja posto para fora por cousas efêmeras, de jeito e sentido nenhum? Faz-nos, cada vez mais sentido voltar a raíz, censora ditosa. Ler a Santa Regra, rezar com fé. Pedir. Elevar-se diante de um Deus Altíssimo que tudo Ouve e Sente - Bom Pai, justo e misericordioso que nos toma no colo e faz-nos crianças para que possamos dormir em Sua presença e sermos protegidos do feo. Por mais que tenhamos nosso charisma, nosso objetivo está sempre pendurado no madeiro, para nossa alegria e salvação. E Ele, conhecedor de todos os corações, nos aliviará. 

7 - Sobre as expectativas;
"Telegrama-de-vêm-me-ver".

8 - Despedida e benção;
Peço a Padre Deus que te abençoe ontem, hoje e sempre. Que cuide de você e dos seus caminhos, e te faça feliz, e te dê boa saúde e boa fé. Que você viva mais, bem e melhor. Que Deus esteja com você o tanto que está comigo, e que você possa veramente Vê-lo e Senti-lo como eu vejo os peixes e pássaros, para que assim vejas quão belo É. Que Deus te abençoe e te ponha entre os Santos, Justos, Únicos, Verdadeiros, Patriarcas, Primeiros, Virgens e Mártires. Espero poder vê-la hoje a noite pois estou com medo de como ficarei hoje. De paz, e em paz; Marcvs.

domingo, 26 de junho de 2022

Carta a Ignácio.

 1 - Prefácio e saudação;

Marcvs, escriba com dores para Ignácio, longo amigo de discussões e parlatórios regados a viño e lógica joanina. Que nunca te pese a mão do mau homem, e que você em sua vida encontre muito antes do fim o que busca.

2 - Comentários geraes;
Diz-me que querias uma carta, como para Rafael e Ivan, e por isso me rogou ao longo de três dias; ei-la, toma e lê. Acerco de ti sobre a virtude, a vontade, a coragem e a ousadia. E faço dessa carta não por instrução, mas como memorial de nossa amizade. E espero que você seja maior e melhor do que os que te permeiam. Não use do hábito um meio para que você obtenha respeito ou sistema de ordem; a ordem é o caminho no qual escolhemos para seguir a voz de Deus, e o respeito nos é dado como forma, enquanto mostramos como somos, sem censura, sem trejeito, sem máscara ou véu; se acharmos dentro de nós o que somos, e assim mostrarmos a VERDADEIRA face de nós, assim garantiremos a estima que hão de gerar por nós.

3 - Preparação para a morte;
És, hipócrita. Se pedes que eu fique, que proveito teria? Não seria de fato para mim ser livre como os passarinhos e viver perto de mim e do Meu Senhor? Acaso não é o Pai de teu onomástico que diz "na hora de minha morte chama-me e manda-me que vá para Vós?"; acaso não é o próprio Bom Santo Antônio que queria a coroa do martírio? Existem até hoje formas de testemunhar a Deus, e testemunhei algumas, em mim e no que vi nos outros. Não peça que eu me cuide com afã, se dentro de meu coração já vi, vivi e constitui (quase) tudo o que queria. Agora, resta-me os dias de restinga, re-aprendendo a morrer com dignidade - cousa que todo cristão restringiu na frase de "memento mori". Não tenho o abraço que quero, tampouco o eleio que me envolvia, e eu, cansado de tanta coisa, apenas quero acordar e ver o Sol nascer, quero ver a geral piar, e quero pela última vez sentir o vento no cabelo. E quando eu me chamar saudade - se o fui - diz coisas de mim, de preferência que fui ruim, e fascínora. Diga o quão péssimo era, e não se digne a dizer nada benéfico, pois não sou. Ainda sou subêijo, resto de fim-de-feira.

4 - Aprender, ler, estudar;
Espero que tenhas aprendido a ler em latim, coisa que considero vital para que nós possamos debruçarmos nas regras geraes e entender o universo nosso. E que tenhas ganhado gosto e afeição na leitura. Que Deus possa ter te feito sapiente e te dado coragem para se livrar deste entojo que é não ler. Tenha sapiência pra que eles não te humilhem, mas te admoesto e te amaldiçoo ao fogo do Hades se você usar de sua sapiência para ser maior ou se sentir maior que alguém; seja sempre burro, viva sempre burro, ensine como quem talvez saiba, e ouça tudo o que todos tem a dizer: cada pessoa carrega um saco de verdade e um punhal de mentira; e com tua sapiência, edificada e consagrada a Deus Pai das Luzes, tu será digno de ler, entender, aconselhar e ter fé na vida mesmo que ela não seja boa.

5 - Vida sacerdotal;
To bem sabes que nunca fui afã de sacerdócio, porque não me considero digno de manipular e transpor Deus Trino no pão e viño, me soa como um dever exclusivo aos dignos, cousa da qual sempre me excuso - tenho muitos peixes e pássaros para lidar, e tu que viste e viveste comigo, deveria sim pensar sobre. Tens a oratória, tens o amor, tens a ousadia, e és dotado da boa vontade, e isso lhe considera bastante, e que tu, feito posteriormente pastor de algum rebanho, possa sim ser digno. E eu vos louvo desde já em qualquer coisa que escolher.

6 - Sobre a humilhação;

Digo, tenha humildade. Tenha amor. Tenha paciência, calma e fé. Ora. Demasiadamente. Ora em dobro pelos que te perseguem, e em triplo aos que te magoaram/feriram. E por ti, se jogue ao pé da Vera Cruz e pede perdão por ser quem é - o verdadeiro Tu, que está no oculto do teu coração. Ora a Deus pela vera conversão, e entrega o leme de tua vida a Deus, e deixa Ele te guiar, e respira. E se for de lágrima, chora. E se for de medo, grita: "Durma, medo meu! ALTO! POIS O SAGRADO CORAÇÃO ESTÁ COMIGO!". De fé em fé, busque em Deus e Nossa Senhora, ore pro seu anjo da guarda e sugiro que reze uma Salve Rainha na fórmula de Dona Antônia.  E todos aqueles que pisaram em vós, serão atormentados pela culpa, pelo medo, pelo vazio, e você, tão ocupado em rezar, não terá tempo de sentir uma dor. E essa dor, logo fica pequena - irá doer, mas será suportável.

7 - Despedida e benção;

Espero lhe ver pessoalmente: "telegrâma-de-vêm-me-vêr". Espero que faça boas escolhas. Espero que Deus esteja contigo. Que Deus te livre de todo o mal, que Deus te abençoe e faça bom homem e boa pessoa. Que Deus te abençoe e te ponha entre os Santos, Únicos, Justos, Profetas, Primeiros, Virgens e Mártires. Que Deus, Virgem Mãe das Candeias e o Bom Santo Antônio estejam convosco sempre. 

sexta-feira, 10 de junho de 2022

II Carta a Kamila.

 1 - Prefácio e Saudação;

Marcvs, escriba e propagador da letra, no pensar e magistério, para Kamila, yalorisà de Oyà. Que a Virgem Doce Mãe das Candeias te livre de todo o mal, injustiça, iniquidade ou presente tristeza ou duvida!

2 - Felicitação e admoestação;
Ah! Me exulto em tão boa resposta, e preceito posto. Aceito de bom grado novamente tua consorte para me dar a motriz, e tu, ouvindo meus ganidos de dor, como Simão de Cirene me ajuda a andar e seguir. Amiga, te rogo no Sagrado Coração que seja sempre em paz tua vida, teus caminhos, tua voz e tua bondade com este pequeno pedaço de escândalo e escárnio que vos escreve - rogo-te mais: como futura yalodè (é assim que se escreve? Nem me lembro mais...), que tenhas sempre o senso de justiça apurado, a bondade em abundância, o corpo fechado, as misericóridas abertas e principalmente a caridade como força motriz de toda função e ação que hás de ter, e acima e adjunto a isto: que seja a verdade sua mãe e o amor teu pai, e assim, teu sacerdócio, tal qual Melquisedec se perpetuará na boca dos que te virem e ouvirem.

3 - Preparos geraes para o fim; justificativa do modo (forma) de vida;
Mãezinha, quando for minha hora de morte, te rogo neste expresso capitulo meu desejo: Enterra-me na minha zona leste que tanto amo. E enterra-me com o bornal (poncho) que lhe mostrei, com o capuxo posto em minha cabeça e abaixo dele a camisa do corinthians que é a minha favorita. Se possível dá minha corrente com minhas medalhas ao primeiro irmão de rua que virdes pela frente, e arruma minha barba como gosto que ela fique, e deixa-me partir com os pés descalços, sem sapato ou meia. Guarda-me em excelsas memórias, e deixa que a terra fria crie raízes em meus cabelos, e meus olhos fechados possam ver o mundo, e descansando de uma tristeza e amargura, abrindo meus olhos para uma nova vida, possa eu sorrir e glorificar ainda sim mais um minuto, mais um momento, mais uma hora aonde se faz sentido estar em paz de lá do lado do lado de lá. Diz aos meus que fui herói, que venci, perdi, caí e reegui. Fui logrado, e dentro de mim guardei o peso de cada segredo, lágrima, alegria e euforia. Fui rei e escravo, fui mestre e escriba, profeta e ouvinte. E não me incomodei em estar por cima ou por embaixo - tanto pelo contrário; tudo o que fiz foi pensando em ser feliz, dar felicidade, e obter satisfação. E a todos, diz que fui ninguém de importante, apenas pó de poeira, resto de subêjo, fim de feira, e os que se revoltarem, estes saberão de mim - e eles se erguirão para falar meu nome com carinho, os verá.

4 - Sobre o Segredo;
Guarda teus segredos no oculto de teu coração, e revela-os somente a Deus, e no máximo aos que merecem teu respeito e tua confiança, e trabalha-os, evolui-os, e usa-os como régua e alicerce para ir além; e não tendo medo, guardados e bem distribuidos, irás ver que eles crescem, frutificam e ficam em paz e em força. Sonhos são diferentes de segredos sim, mas, uma hora um sonho se torna segredo, e um segredo mau fecundado se torna sonho. E deixar um sonho morrer é abortar uma idéia que não se teve a chance de se apresentar decentemente.

5 - Propagar a tudo e todos;
Hastear um pendão (bandeira) é algo de extrema dificuldade. Mas é feliz quem propaga sua idéia/ideal, e leva com dedicação tal feito. Por isso rogo a Jesus Cristo, redentor do mundo, que você possa sempre ter fôlego, coragem, fé, ânimo e amor em tuas feituras, e que dado o sentimento de desprezo, medo, ignorância, apenas continue a fazer seu trabalho bem-feito. Veja: eu escrevo tantos anos aqui, e ainda sim, por mais que sejam poucos, minha palavra ainda é perene e se faz necessária - e ainda me julgam profeta!

6 - Sobre o cuidado e o zêlo;
Cuide de quem precisa ser cuidado. Parece óbvio, mas o óbvio precisa ser dito - e essa afirmação se atrela com o que vos disse sobre a caridade e suas diretrizes. Tenha zêlo com suas coisas, suas pessoas, seu credo, e sua felicidade. Zele por quem zele por você, e entregue uma folha bem preenchida como relatório justo de tua conduta, sem tirar e nem por um ômega. E a justiça, quando lida na tua sentença, será computada em teu favor, pois tu será nova e renovada entre tudo e todos, e transcenderá como o Sol se o bem fizer, o bem manter, e o bem aflorar; assim eliminarás pouco a pouco o mal do mundo.

7 - Conservar a eternidade do Infinito;
Ser sacerdote/profeta/oráculo é conservar o Divino em sua Infinidade. É estranhamente explicar o que não se explica, amar quem nos Ama, e mostrar a parcela boa da vida após a vida enquanto penamos por aqui. Por isso, ao falar de Deus e suas obras e caminhos não economize palavras e teorias. Seja sempre alegre em demonstrar - mesmo que ineficaz  - quão grande É, quão misericordioso É, quão belo É, e quão miraculoso É. E quanto amor tem.

8 - Agradecimentos finais e benção;
Obrigado, por ter tão prontamente tido comigo. Guardado-me em tuas orações e ter feito e falado coisas tão edificantes que me fizeram animar tanto pro fim como para o começo. Agradeço por ter tido tempo em tanta coisa verdadeira que sei que desperdiçou comigo - peço-te perdão por ter sentido dor, não sou mais o jovem que caminha pas bandeiras. Agora ando pouco e prefiro ficar deitado para não passar mais mal ou sentir dores lancinantes. Que Deus te abençoe e te ponha entre as Justas, Únicas, Santas, Virgens, Mártires e Sibilas. Que Deus te abençoe e te faça boa mulher e boa pessoa. Que Deus te abençoe e te guarde no Seu sacrário. Que Deus te livre de todo e qualquer tipo de mal. Que Deus subjulgue Satanás e sua infâmia longe de ti. Que Deus te conceda uma boa vida. 

terça-feira, 7 de junho de 2022

Barro Tal Vez

Sei que me lêes. E eu escrevo também para te encantar e para lhe mostrar a prova: O escriba escreve para sua musa. Se quero algo, é teu amor e teus exultos em saber que alguém mataria e morreria por vós. Eeu sei que já estou me prestando ao ridículo, mas, o amor, quando posto em régua, é assim: dado a alegria e ao animoso, não há como ter ou ser de outra forma, e, se puder lhe dizer, ao saber que me lê, te digo que apenas dessa vez abra seu coração e siga ele - há alguém esperando você para viver uma vida e segurar todas as barras e necessitando de tus chameguitos.

Em cada rincão dessa terra, risco seu nome no Céu e na Terra, e em cada pessoa que conheço, perpetuo minha devoção em vós. E por cada segredo que mantive oculto, abri a voz apenas para repetir meu mantra: teu nome. Queria eu agora, ainda debilitado dessa dor no quadril, te ganhar um abraço e te dizer tudo que rolou hoje - e por favor, só hoje abre teu coração e vem ter comigo, necessito como bem sei que você também; só dessa vez, ceda.
Chove, e estou encharcado, esqueci o guarda-chuva como sempre, mas sorrio e sigo. Deixo as gotas molharem o jeans, e a música guiar meus pés, e meu coração, elaborando este texto em tua Ode, nada mais propensa a fazer, e lá no fundo no fundo sei que você gosta. Se rende, e tem comigo.
As ínguas doem um pouco, e mantive o passo até chegar em casa. E ao chegar, tomo um banho e olho nossa foto no porta-retrato e sorrio; você é a mais bela dentre todas; e ao expandir minha alma no desaguar de sons e sentidos no violão, meus dedos discorrem nos acordes que tocam a música que fiz para você. Lembra?
Ouve-me antes que eu possa emudecer, diz-me antes que eu não ouça, e abraça-me antes que eu me chame saudade - pois eu mantenho-me (também) por tua empresa. E quando meus olhos cingem o infinito dos Céus, só sabem pedir a Deus para você ir bem e que você ainda me queira. Você, excelsa de pés pequenos e olhos vívidos acastanhados, lança movamente tua têz em mim, e me encontra: sabbes de todos os lugares que estou e onde estou. Me encontra e vem ter, e ouve uma vez só teu coração pois ele não vai te decepcionar, ouve teu coração e confia. Ouve teu coração e vem me ver. Sorri, agita a bandeira, corre e grita: Tens quem te ame, e que viveria uma vida inteira para lhe ter de novo.

Como nós dizemos: "telegrama de vem-me-ver".

PS: pus na tua área de trabalho a primeira parte do livro já editado e diagramado. Espero que goste, tem muita coisa que mudou, aconselho que você leia.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Carta de Bep.

 [N. Do E.: Pedido para ser escrito para posterioridade pela própria autora da carta]


"Meu Ox;

Em primeiro lugar, te agradeço por mandar notícias por mais que não sejam boas. Sei que minha vida anda corrida, mas aqui na Neerlândia (lembra? Rs), seu relato foi lido e relido inúmeras vezes com Rodrigo, Gaelzinho e Cecília. Que aventuras, amigo! E o homem de alvim foi pro centro, por mais que não foi da maneira que você quis, neh? Mas logo vai melhorar mais ainda.
Te peço, para não abandonar seu valor e não esquecer quem você é, que é amado por inúmeras pessoas, e nós, teus afilhados te amamos mt mt mt. Temos saudade, e em agosto iremos para o Brasil, será que ainda tem os churrascos do Gabriel? Se não tiver marca um pra gente?
Abinha, por mais que esteja dificil, segure firme. Pra te alegrar eu te aviso que parei com os peep shows depois que me reconheceram nas ruas, sabe? Aquela nossa ultima conversa e o medo do que meus filhos pensariam de mim me fez rever muitas coisas. E espero que ja esteja segurando Ada e que ela tenha gorfado leite na sua camisa XD! Rodrigo te manda abraços e pede tua benção de mão cruzada. E ora pelos nossos filhos, queremos ver como eles lidam aí e como vai ser a vida agora.
Dormir no chão em tempo frio é dificil mas ainda bem que você tem um teto, como vc disse e que logo mais tenha mobilia para poder ficar bem e confortavel, e se eu soubesse transferir grana internacionalmente, te dava dinheiro para cobertores e para uma cama e gaveteiro, padrinho. Espero que logo todos os que te puseram down under possam reconhecer sua gloria, e os que te excluiram sejam os primeiros a te guardar, ainda acho lindo o jeito que você sabe perdoar e seguir as coisas, meu menino, cheio de marcas e lagrimas que é tão forte, obrigado por ser testemunho silencioso do Altissimo, rezo sempre por você e espero que sua mulher possa voltar aos seus braços - há tempos não te via tão apaixonado assim, sabe? Lute pelo amor, abinha, e não tenha medo, deixa o medo pra esses que não amam e depois sofrem chorando por se acharem fortes, você Oxzinho é uma pedra forte, e sortuda essa dona do seu amor por ter seu amor.
Quem te conhece sabe da sua força e luta pela paz e eu rezo por isso desde sempre e pra sempre <3
Sinto saudades de essepe, dos discos, dos cigarros e de quando você me arrastava para aqueles sebos horríveis com livros mofados. Aqui está tudo estranho, sabe? mas espero que melhore logo messe meio tempo, e quando estivermos aí podemos tomar um mate com limão e rir de toda essa tristeza.
Me impressiona essa esperança, essa alegria e essa força que nunca te vi ter, sabe? É como se do nada trocassem você de lugar! Rs. Você sempre sendo forte, talvez encontrou sua verdadeira fortaleza e eu fico feliz por isso. Você é uma pessoa importante Ox e eu sempre esqueço de você, e aquela nossa foto com o bando quando formos te visitar no convento ainda está comigo, quando der eu scaneio e te mando, e que triste que você foi enxotado de tudo isso como cão. Deus vai te abençoar, pode crer.
"Viver uma vida cheia é não viver uma vida vazia", lembra? Foi isso que você me disse no aeroporto antes de vir pra cá com Digo, e você tava certo. Eu me perdi na vida vazia e esqueci das coisas mais importantes, esqueci de amigos, familia, e de mim mesma, mas você sendo sabio sempre cantou a bola antes, seu blog é um grande pedaço de suas inúmeras profecias, e cada dia que leio faz mais sentido o que Che disse naquele bar da augusta, gritando e te abraçando, dizendo que você era o verdadeiro profeta das estepes. Você sempre soube dele, não é? Você é um herói que poucos podem ter a honra de viver e entender, espero que você tenha aberto a voz e feito suas profecias para tantos outros.
Espero que em agosto eu possa te ver no aeroporto junto com o pessoal, e que você possa ir com sua mineira. Queria muito conhecer essa mulher que te fez e espero que fara mais bem ainda.
Fica firme, e se segura, e me espera em agosto, estou te levando presentes meu padrinho. E põe no seu blog isso, pra todos saberem como você e maravilhoso, se não fizer a maldição da samara do orkut volta pra você em sete anos rsrsrs.

Obrigado pela perfeição no meio do caos. Que lindo te ver sorrindo nas fotos!

Nós te amamos, e pedimos suas benção, santo insanto, bjs da Bep, Rodrigo, Cecília e Gael"