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domingo, 2 de agosto de 2026

Eu Quero Uma Casa No Campo.

Zé Rodrix was right.

Ultimamente não quero muito da vida - e é tão gostoso não ser do tipo absolutista em querer a dita glória do mundo. A casinha no interior com uma hortinha me cai bem melhor do que o apartamento na Santa Cecília. Rejeitar o sonho moderno é de fato tão gostoso e libertador…
Outrora, via meus amigos a embarcar em viagens pela europa, ásia, e tantos outros lugares intangíveis, e com eles o sonho (e prestações) de uma vida se concetrizava. Mas, e cá eu? Eu, bem… penso que ando numa contra-mão do mundo em não querer um Honda City.
Nunca quis ir para fora do país, e se o fôsse, como conversei tantas ôutras vezes com tantos amigos, era rechaçado em primeiro momento ao dizer meus (possíveis) destinos; ou até mesmo sonhos, lugares de minha realização pessoal e de sorte na vida. Por muitas vezes, por mais que ame, e ame muito o Centro da cidade e suas arquiteturas, não me encontro ali.
Mas, aonde me encontrei? Aonde eu me pertenço?
Creio que sempre me encontrei quando ia aos parêntes do interior; e ali, dêntre as matas, na terra batida ou caicada, e no cheio de sujeira do chiqueiro, no tabaco forte no fornilho de Tio Fungo e as bananêiras carregadas de frutos, ali definitivamente me sentia alguém ou algo mais completo e realizado do que como quem fôi até os EU da A.

                 
                Dessa vida, só quero ficar no mato com meu binóculo.

O sonho, a sociedade, o consumo, tudo isso sempre me pareceu mui forçado e totalmente passível de ser contrariado civilizadamente. Nunca me importei em ter o carro do ano, ou o corte de cabelo aceitável, e tampouco os sonhos homogenizados. Me contento com o que habita no rés, bem ali no sopé do chão: justamente ali, aonde grã maioria dos meus rejeitam, é ali que reside meu sonho, esperança, e fiança de vida. A casa no interior, as galiñas, os ovos frêscos, as quatro cabêça de pôrco, e uma foguêira pra tocar viola e se esquentar com meu amôr. Uma biblioteca na sala, e uma banheira pra tomar banho deitado. Um alpendre, com a rêde posta, uma banca e mesa, com talvez frutas; fogão de lenha, e uma parte para guardar as ferramentas, as peças, os trecos e parafusos acumulados de uma vida… sim, de fato é este o meu sonho.
Não digo isso como superior, tampouco como quem diz uma oração doutrinatária; não compete a mim dizer nada sôbre os sonhos e virtudes de ninguém. Não tenho muito a dizer – e nem sei se quero dizer algo, a ser franco… apenas compreendo que quando o Sol se esconde entre as encostas das serras, algo em meu coração pulsa desesperado, exacerbado e violento, como se minh’alma se transfigurasse ao lugar, e ali eu fôsse blindado de toda cousa que se há na vida, existindo no momento de contemplação, atingindo assim uma imortalidade tangível do instante, e esquecendo de causa, razão, motivo ou circustâncea.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A Lontra Franciscana Introvertida.

 Nos diz o Apóstolo São Paulo na parte que ninguém lembra da Primeira Carta aos Coríntios, Capítulo XIII: Quando era menino, falava como menino, pensava como menino, e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei as cousas de menino para trás. Amadurecer, no ponto em que proponho, é saber perder, e saber ganhar. Olhar para trás, e saber que acabou e tudo é uma memória a ser tratada como lhe aprovém.

Nêste ano, eu me prometi aumentar as amizades, e reforçar alguns laços que se tangiam em pouco ou nada. No último ano, senti-me imensamente vazio e sozinho, d'onde muitas vezes corri os dedos entre fôlhas de livros, ou solfejando qualquer acorde aberto no bandolim. Quando eu, introspectivo por natureza, percebo que me restam poucos amigos - e posso sobrecarregá-los com meus devaneios e imensa lista de derrotas - e que as memórias não tratadas se tornam meus demônios noturnos, me apercebo que a meta da qual me prometi faz bastante justiça e me trata com afã, pois assim, posso enfim sair da concha pra ver a vida.
Mas a nível de justiça: apenas quero as amizades que agregam e fazem-nos sentir importantes, pessoas úteis ou necessárias - das que nos ensinam e deixam-nos ensinar um pouco do que há em nossa babagem. Nada daquele papo loucura, chiclete e sôm do Roberto Carlos de um milhão de amigos. Deus me defenda.
Sou, por natureza, tímido, acanhado, restrito, débil, e pensante; digo-lhe pois: tudo o que fiz por mim, foi totalmente só, sem mãe ou pai que apoiasse, mulher que torcesse e abracasse, amigos que festejassem, ou reconhecimento - e não digo isso para que soe como quem necessitasse de algo assim, mas quando olho para esses mesmos demônios noturnos e vejo o quanto me doei e estive lá pelos outros, não deixo de refletir. Certa feita, quando comecei a aprender outros idiomas, uma dama me perguntou qual seria o motivo. Apenas para aprender, eu disse. Dias depois terminamos pois ela achava que eu queria rodar o mundo num mochilão, mesmo sabendo que tenho medo de altura e sempre desmaio quando ando de avião.
Talvez, sair da concha, bater o pé e fazer um pouco dos meus gostos não seja de todo ruim. Talvez seja uma remissão de tanto tempo a fazer pelos outros, ou a crise da meia idade, ou até mesmo mêdo da morte, sei lá... apenas sinto que não tenho mais tanto tempo para tudo que quero, então desejo o mínimo que ainda cabe e resta.
Ah! E se você que me leu até aqui essa pequena garrafa boiante no oceano do subistéqui, entende, pensa ou acha prudente; me mande uma mensagem - sair da concha é fácil, mas ajuda com incentivos.





quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Poor Places.

 Estive pensando em você, e me deu uma saudade da vontade - cousa tão nossa que capaz de tu saber o que é; porque de alguma forma, eu sou você.
N'outro dia, no vagão do metrô tive a impressão de ver você; mas cabelo não era escuro, e tampouco fazia aquele olhar cínico por cima do óculos. E ali percebi que eu queria lhe ver essa noite. Para conversar, dizer do muito que trago no peito, e daquilo que minha alma anda desaguando de formas erradas e momentos incertos; ando a errar em muitas coisas buscando motivos certos no que é efêmero, e esquecendo do que tanto conversamos.
E devo dizer que vi outros lugares, flertei com novos mundos, amei outros amores; mas inexorável fui me atando a mim. Me permaneço aonde me encontraste, e aqui até hoje firmarei meus pés. Estou no mesmo lugar aonde me deixaste. 
(Lembro de meu pai, que no caixão, puseram um cachecol e duas madeiras em seu pescoço. E lembro do cachecol acinzentado que havia na volta de seu pescoço). Talvez tenha sido ali que me dei conta que minha côr favorita foi cinza, e onde me despedi dos excessos para aprender mais no silêncio e na calmaria - do hedonismo disse não, e da desregra abandonei - me isolei e reconstruí aquilo que só a mim é digno de orgulho - mas sei que de você arranco um riso bobo.
Hoje, a caminho de casa, o Sol se pôs alaranjando, ferindo uma têz royal no Céu. Risquei os dedos no ar em riste, como se de alguma forma esse carinho nos interligasse, e pensei novamente em você (espero que não se importa, mas até imaginei sua presença) e nos sons que ficaram suspensos; nos cachimbos que não fumamos, nas conversas de varar madrugada no alpendre, e em tanta coisa que de alguma forma você sabe, você sente, você - em qualquer forma que esteja - entenda.
Sinto, então, que ficou muito para caber, e por ora me contento que seja esse vazio - espaço estreito de um navio - que diga tudo de maneira mambembe, ridícula, debochada, e inerente; assim como no silêncio pus os dedos ao Céu para te encontrar, meu pensamento viaja com perguntas, dilemas e desabafos, e no divã de seu silêncio, desaguamos um no outro uma saudade não fictícia, mas de um futuro, um porém, a virgula consumatória do universo que nos ousa em separar no longo fôlego de curta vida que teimo em gastar. O Sol já se pôs, e a noite repousa em nossas mentes.
Eu não vou lá para fora.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

A Night Of Love.

Ao entrar no carro, as palavras caem como mísseis em minha mão. 
Mas, as evito. Olho a paisagem noturna apenas para passar o tempo, e esperar a virada da estação.
Algo ocorre dentro de mim, algo morre, a ser mais exato; e no fundo sei muito bem o que é, assim como você; mas cansei de fazer movimentos ou bandeiras acerca disso, apenas me mantenho em silêncio eliminando o parco fulgor que ainda provém de mim. Talvez amadurecer seja sempre isso, a eterna morte do ser.
Vale mais o seu sorriso que a minha lágrima, crianças dançam descalças a avenida, e alguns homens bebem nas mesas postas na calçadas; um cachorro tenta alcançar o que está no prato sendo petiscado. O semáforo abre. Garôa.
A música - Cecília de minha vida, musa primeira a qual devo amôr e respeito primeiro, única impassível de ida ou volta - me atraca ao pôrto de entender.
Mas o peito, este, não.
Apenas deixe ir, garôto - ela me sussurra.
Essa noite poderia ser uma nôite de amôr, mas não é; então boa noite e se cuide.
E com isso, começo a remoçar e remoer todos os sentimentos vívidos e translúcidos em mim, trazendo a tona tudo o que meu peito releva e a condição transpassa. Não sou ruim, e sei bem que não sou. Talvez eu nunca soubesse ao longo de minha vida o quão bôm sou, e que esta culpa franciscana me arrasta ao sopé do chão. Tento em vão buscar palavras que apenas em minha cabeça ecoam, e somente a mim fariam sentido.
Sentindo aonde me encontro, e aonde gostaria de estar, me pego mentalmente falando contigo de tudo aquilo que minha cabeça pesa e meu peito dói, mas que a bôca insiste em calar. E por um breve sentido da vida ser intríseca, nossa telepatia não funciona. Conversamos com o olhar muito bem, mas as vezes você perde o que o opaco de minhas íris esmeraldinas têm teimado tanto a lhe dizer e eu mesmo me censuro em verdade.
Então boa noite, e se cuide.
A água quente do banho não se compara a seu abraço, e a cama tão macia não me esmaece quanto ao seu eleio; e no alto da noite, não há duas cervejas; e a fumaça de um cachimbo não se equivale ao nosso defumado; olho os livros, os odeio. Quero rasgá-los tôdos - mas o anjo-de-guarda segura me veladamente, e as imagens não se quebram, apenas meu peito deságua por essas linhas por você não ver.
Dizia meu pae, que quem é fiel aos seus princípios, é fiel a si mesmo. Penso em quantas vezes me compensou ser fiel aos meus, e quantas vezes me foi perfídio e vão os princípios dos outros, e mais além - quntas vezes não foe por mim. Aquela lágrima virou um desgôsto - engôdo preso na bôca que nem o tabaco desamarra e tampouco a cerveja ajuda a descer pro ventre - e minha mente vagueia pelos recôncavos que me estreito em raiva se lhe contasse. Nessa noite se encontra o amôr, e eu, só, apenas observo o que se passa. As ruas passam depressa, as luzes viram feixe, e o vento não acarinha meus cabelos, apenas jorra um ar gélido como quem refrigerasse algo em mim. Talvez fôsse melhor achar alguém quem se importa. Talvez fôsse útil fechar os olhos. Boa noite e se cuide.
Deita-se a cidade, e os olhos ficam enegreados. Amanhã acordo, mas eu sei que amanhã tudo mudou; e se você não percebeu, é que para você não faz a mínima diferença. Boa noite e se cuide.

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Padaria.

Se sinto falta de algo, é de teu pouco tamanho, e de teu cabelo escuro, que por horas me enforcava, e por horas me incensava e me deixava dormir como um rei. Do cheiro in natura de sua pele, e da naftalina que emanava que você nunca sente porque nunca entenderia...
E de verdade, se calo o estreito que comprime meu peito, não de mal é; pois, apenas ainda me excluo como sempre me excluo de todo o tudo, pois sei que não pertenço, e qual a receber o prêmio de consolação, aguardo ansiosamente. E digo isso não por maldade - pois a palavra não dita, mulher, é lâmina que tange, e não me extenso em explicar, porque estou cansado; e a cada cansaço meu, estará vós o dôbro - mas entendo a condição e ainda sim a aceito. 
E de ti? Silêncio.
O vago silêncio monstruoso do Leviatã que ronda até hoje na beira da minha cama, ou onde quer lá que eu durmo, com sua bocarra satânica a me espreitar; e eu, anti-argonauta, Caronte por natureza navego não por ter mêdo, mas por necessidade tênue que me extingue, e se me foge a dita palavra, peço que gentilmente olhe minhas atitudes, pois ali provavelmente resida mais do que qualquer peixe que saia de minha bôca. E minha bôca, em qualquer situação resulta em chamar seu nôme, tanto como mulher, como mãe, para que me escondendo embaixo da sua saia, eu possa me refugiar do mundo em suas coxas e suas mãos. E que na fumaça dos tabacos e incensos, eu cada vez me esconda e morra dentro de você, para que antes que eu diga ou profira mentalmente a sentença, seja você a juíza que ostentando em punha a vista espada, execute. Não por ser me submissa, mas ó mulher, pelo fato de ser minha, pelo fato de segurar-me em teus braços, e natimorto, desfalecendo, e perdendo as ribeiras de minha carne, você possa, enfim, ver a luta até aqui e suturar minhas feridas, e lutar por mim como ostensóriamente* eu tendro a lutar por vós.
Eu devoto minha vida ao seu legado, mas você não vê.
Por mais que saiba de meu desejo de ir embora, permita então que antes que eu vá que o seguro entre nós seja o trato feito e bem calculado - dito isso, ao menos encanta-se em mim mais uma vez e decanta essa alegria e salva-me deste mundo quaresmal de dôr aonde Superman e suas ideias tão loucas parecem tão necessárias. E digo vos, não por necessidade, mas por um apêlo, aonde meu coração tão pequeno estreita em suas mãos, e o esmaga sem perceber ao ignorar ou descasear situações tão pequenas a vós, mas tão grandes e significativas para mim.
Estende, logo, seus braços e me esconde, e assim como nus, deitados n'quela cama, no pôr-do-Sol, com a luz se pondo e doirando seu côrpo, e os ônibus fazendo uma sinfonia de buzinas e freios, me guarda no seu sacrário e ouve o que não consigo dizer, aquilo que me faltam tôdas as palavras, mas apenas meu gesto diz tão tenaz, e você, única sibila dotada de mim, sabe dizer em precisa forma e textura, e dando-me a chancela, guarda-me.
...porque mesmo longe, e você nunca percebendo, mulher, volto para você. Pois é tudo por você.

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* = Referência a Santa Clara de Assis; o Barra-Vento do Senhor.

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Waterfall.

Ele me disse que um bom pastor, pastoreia suas ovelhas em um silêncio. Se você quiser ser um pastor aos moldes de Hermas - me disse, olhando para o vazio - apenas faça da mesma maneira que vem fazendo. O não-reconhecimento é a maior riqueza e glorificação; e de fato concordei; Suas palavras me atingiram com a tenaz em brasa de Isaías e sem titubear entendi que ali havia mais do que o que sempre conversamos e prontamente me recolhi ao silêncio: subitamente entendi que a vida aconteceu ali, e finalmente fui contemplado com o milagre diário da simplicidade, da qual poucos de nós temos a parca capacidade de entender.
Porque quando me vejo assim - perdido diante da movimentação descompassada de meu coração - sinto-me perdido e confuso sobre minhas atitudes e pensares que me magoam ao exigir o melhor de mim para eles; mas nunca para mim, e neste momento é que gostaria de me enroscar no seu cabelo de cheiro de uva como parreiras frescas que descem sem saber porque - mas mantidas em um verticalismo que inerte, provém toda a força; quando atrelados e contar meus medos, delírios, raivas, segredos e sacras no sopé do seu ouvido (mesmo sem o merecer). E morrer nos seus braços olhando seu rosto e ouvindo sua voz me pareceria a melhor maneira de conhecer as Excelsas Nuvens. Me esconder na barra da sua saia como uma criança que tem medo da ira da natureza como o trovão rugindo lá fora, e sentindo o perfume dócil de sua voz, poderia me esquecer de mim para que você m'o cuidasse, com correia, candeia, auxílio, luz e socorro. Ter sua presença por inteiro, e de inteiro a inteiro, por mais um dia com você para menos um dia sem você.
Diz São Paulo o Apóstolo que "quando se é um menino, fala-se como menino; sente-se como menino; e vive-se como menino". Ora, mas no Getsêmani das palavras, aonde inequívocamente elas não pedem licença para nascer, e brotam das têmporas e das velas içadas das mentes que padecem, logo (ei-lo), desemboca da bôca um gôsto amargo dado a profundidade do que se sente no âmago da alma e não se promulga a dar como dôr-de-pêito: o parto do vômito de tôdo um desaguar da vida jogada como caxangá, e lágrimas tão quentes que eiam a queimar e ruborizar a pele, cujas mãos preteridas ao cargo não secam, apenas queimam-se juntas, dissonando naquilo que enfim não tarda a chegar e tampouco a acontecer. É sim, de fato, a violenta força da alma silenciada, abnegada, e furtivamente isolada, filha do ocaso guardada no seu jardim secreto, tendo dentro de si o tudo - o nada. Apenas esperando a ser veramente querida e veramente amada; e deixando de ser a nascente, receber-se enfim, como foz.
Logo, enquão escrevo essas linhas eu me pego pensando no meu passado, e disso pouco me orgulho, e menos ainda me honrando irei a ficar; pois parafraseando o dito Santo "não fiz tôdo o bêm que gostaria, mas o mal que não quis ocasionar, êste o fiz com demasia." Logo, entendo do muito de meus erros, e o pouco de meus acertos no enfim desejo que sempre tive, o dito "viver". 
Entre becos, vielas, estradas, vilas, conventos, casas, ocupações, apartamentos, casernas, moradas, grutas, planíces e desertos, eu fui - e antes que digam de mim, eu sei de mim e das coisas de meu coração (por mais que não as compreenda por completo); e dos lugares que fui, deixei-me num tanto, e levei outros como fiança, e assim, aprendi da vida, e aprendi de mim. Amei os outros, cuidei dos que pude, perdoei como deveria, e peço ainda hoje perdão pela pilha titânica e magna de erros que deixei no caminho.
Se fui quem acho que fui, é longe de mim uma graça Divina ou consôlo pois muitos foram os meus dolos contra mim e os meus. Mas se me atinge a graça Divina e o consôlo da Dôce Virgem Mãe das Candeias, nunca haveria de ser por merecimento meu, mas sim por misericórdia d'Ele; e assim eu me permaneço. Pois tudo o que tenho, tive e terei, todas as coisas nunca haveriam de ser minhas, mas sim tudo foi, é e há de Ser d'Ele. E o que escrevo nisto deixa cair por terra quaisquer outras dúvidas, está completo.
Posto em uma encruzilhada, olho aos pontos cardeais e nada acho, a não ser possibilidades, sem mensageiros que possam me apitar em qual dos cardeais seguir, e se sigo, mantenho-me sobre a tutela de Padre Deus, e espero de mim o mínimo para viver: não ser um babaca.

terça-feira, 21 de maio de 2024

Festa.

 Se me encontro só, por fatalidade ou coisa do destino, cabe a mim lembrar de teus cabelos negros, tuas mãos e olhar lânguido. Assim, talvez, ameniza em mim aquilo que grita e arde no peito com tenaz de sangue, que afoba meus passos mediante o quão caminho, e que qual estando só me confunde, mas ao passar na rua da qual andamos, ou no sorriso e piadas que confidenciamos, retorna a mim com um carinho e sorte de ser novamente confortante.
E, eu ainda uso botas. E sigo até hoje sem chulé; incrivelmente.
Passei outro dia na frente daquele bar que te levei uma vez na São Bento; nos fins dos dias, aquela mesa aonde sentávamos para beber e poder sorrir diante de uma vida tão pesada ainda está lá, e largava sua bolsa ao canto, e seus cabelos negros seriam então arrumados olhando pelo reflexo do espelho do banheiro sempre fedido a urina e cocaína. Será então dito em gestos o que não se diz em palavras e nem tampouco em textos pífios como esse. É algo que não tem censura, credo ou classe - transcende, excede e esconde. Andaríamos e cruzaríamos as ruas, faríamos o triângulo e veríamos o Rei do Matte; e se te interessa saber, aquela rua ainda está lá. Aquela mesma.
Há um riso tímido em sua face, da qual nunca me esqueço que também me arranca um riso tímido tôda vez que lembro ou sequer fiz questão de esquecer. Lembro de dias a fio, com pensamentos a fio, enquanto discorro um diálogo com os fios de nylon de meu violão. E é inútil resistir, e dado a essa resistência tão fútil, apenas me pego esgarçando a madeira e elevando acordes que nem sei mais o nome para guardar parte de mim no momento. Incenso o passado, perdôo o presente, e anseio o futuro na festa do lugar. Lembro de você de vestido. E de irmos a Liberdade.
Ao ver a paisagem que gostávamos - da qual onde hoje moro - do ônibus que pegava para ir para casa (cujo ponto mudou, aliás), dos sebos e caminhos que lhe mostrei, apenas nada digo. Mantenho em mim uma velha chama crepitante que usa-se de esperança que em algum lugar tudo isso ainda existe, se mantém forte e vívido. Aquela boina minha, a Cookie mordeu, e os meus discos ainda existem. O Walter ainda toca nas festas e o Pery ainda é DJ de mão cheia. Minha barba cresceu, e de repente todo mundo cresceu, mudou, evoluiu.
Ainda ando falando com pessoas que não sabem o meu nome, e se quer saber aquela esperança teimosa minha ainda nasce e morre todo dia, como se fôsse uma febre incurável de otimismo que soterro tôdo santo dia por camadas de humor negro e questões duvidosas. Hoje me vejo homem, com insônia e cansaço. Mas que ainda escreve de forma trincada para apenas (me) lembrar de coisas que a ninguém diz respeito; mais uma vez te pondo no meu rincão de memórias, sem saber se vez ou outra ainda faço parte do seu conjunto de lembranças...
A vida, maravilhosamente, continua. 

sábado, 30 de dezembro de 2023

Still Waters Run Deep.

A cidade desce, e no acinzentado padrão do mar-de-côres que o horizonte entrega, em cada ninho vertical que há na cidade, reside eu, tu, e tantas outras pessôas... acendo um cachimbo, e enquanto esfumaceio o meu cômodo, lembro de teu sorriso, e de alguma forma isso me trás uma nostalgia benéfica, de forma que só de lembrar seus olhos e seu sorriso, seu charme e seus trejeitos, me encabulo sem estar aqui.
Escrevo sem escrever, mais em tom de desabafo, estando a casas de distâncias, ruas talvez, até. Tudo é questão de logística pelo visto.
Enquanto o vento desce, encho minha taça para mais um tanto, e vejo os poucos carros na avenida movimentada. Assim, logo percebo como a vida, tão agitada também é - e pede - calma; assim como implicitamente pedi (e agora por telepatia) peço seus beijos; e antes que diga algo, você sabe que é para você esse pensamento, e mesmo não entendendo, sei que você compreende de alguma forma o meu jeito reservado, quieto, sereno, pensativo, teólogo-amadorístico, quixotesco, beberrão e principalmente travado em relação de você. 
Você acreditaria nas coisas que tenho a dizer? Em todas as que enchem minha alma e pesam em meu coração? Ouviria o resto de minhas histórias para desvendar e ver quem eu sou dentro desta carapaça? Você acreditaria no que falaria das coisas que sei, ou tentaria interrogar para que visse algo que nem a minha face se mostra? Se, no calor de hipoteticamente vos dizer algo já me escuso; sem que você saiba já me declaro e me deito ao vosso pé. E assim sou - imediatista, romântico, dos versos, dos sentimentos, das flôres e das liras. E esse sou e serei ao visto da minha vida; e no fundo nem acho de tanto ruim. Até gosto, a ser franco.
A chuva cai. Mui provavelmente dormes, ou assistes algo, ou preparas algo para beber. A têz da noite começa a abraçar o Céu cinza dando seus prenúncios, e você nem diz nada, tampouco me aborda para falar do que é, ou não é. E o oculto de meu peito, apenas espera a Dulcinéia. A vida, por mais incrível que seja também espera - ao atingirmos um patamar descobrimos que ela espera, e nesse sábio esperar para ter com quê, vemos finalmente a vida acontecer e ser real. E que é então a vida? Habita em seu sorriso, cabelos, olhos apertados, coxas grossas e voz macia e toque-de-mão. E qualquer coisa além disso, definitivamente Deus guardou para Ele.  

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Phone Call

 Sinceramente, gostaria de não exisitr.
Tampouco, de pisar meus pés na casa do Senhor.
E mais além: de ter conhecido as pessoas e vivido a vida - sinto, em mim, a vida pesar como um jugo que cada vez mais oprime e chagueia tudo aquilo que tenho. Como diz Paul Rodgers em Heavy Load: "estou trilhando um longo caminho do qual não aguento mais".
Queria ir ver o mar da Villa da Conceição de Itanhaém. Sentar num quiosque com a Mari, falar merda e ouvir pela enésima vez como ela sentia medo da introdução de "Judas" do Raul Seixas. Queria ver de novo o Sol nascer no alto da torre do Seminário de Guaratinguetá. Mais ainda: Queria me sentir vivo quando como bebi homericamente no Coloniafest, ou quando durante uma tempestade de trovões, desci até a água do mar com meu pai, e entre os trovões e o mar ressacado estávamos nós bebendo rum oro para se esquentar e cantando Pink Floyd no talo. Gostaria irremediavelmente daquele frio na barriga do primeiro dia de trabalho em Barueri, enquanto o meu leal The Who ecoava nos tímpanos, e da primeira vez que entrei no Largo e senti (e veramente senti) Deus falar comigo. Falaria mais e mais com Adriano, e ouviria mais vaporwave com ele. Daria os meus santos dons para ver Dona Antônia mais uma vez, ou rezando seu impecável "Ofício da Imaculada Conceição", rezado com o têmpo nas mãos, ou passando roupa cantando a Consagração a Nossa Senhora.
Não voltar ao tempo por questão de saudosismo, mas pelos momentos-chave que me deram - e dão - a alegria de ser quem sou e estar onde estou. De finalmente, após tantas batalhas, doenças, peste, erro e morte finalmente me sentir ainda vivo; de utilidade perene, sem ser o quem paga a conta, ou quem deve um sexo, tampouco quem tem que ser o espiritualmente forte, ou quem tem que ter uma piada vergonhosa na manga da bata. Ser apenas o Marcus. 
Não tenho sonhos, e nem pretensões - e nunca pretendi as ter. Deixo que Deus me leve como Ele quer, e que faça em mim o plano d'Ele, mas sei que mesmo que não tenha mais com o quê e para quê brilhar, de alguma forma muito teimosa, continuo - não por mim, mas pelos pouquíssimos meus que ainda dizem ousada e debochadamente que sou boa pessoa e que tenho boa índole. E como pode lá eu ter boa índole? Conforme noticiado algumas vezes neste bRog, as pessoas de Itaqvera não tem nada disso, e por isso eu as amo: de felicidade e tenacidade ferrenhas, e delas eu também sou um. Apenas, por um leve momento, gostaria eu de descansar; longe de todos os problemas, dores, aflicções, medos, raivas, cansaços, inteligências, seduções e dizeres. Queria talvez pela inédita e ridícula vez aquele amigo que me liga desesperado para saber se preciso de algo como eu inúmeras vezes cansei de fazer com todos os meus amados (antigos e novos); pois no Getsemâni em que me encontro, não me há anjo consolador, só solucionador que no fim não sabe solucionar porra nenhuma porque ainda não entendeu qual forma de vida e sôb qual pena carrego em meus ombros.
Transcrevo essas linhas entre lágrimas, pois esse sou eu: Eis, ó malditos! Não me escondo, e minha lira rasga suas carnes e minha forma turva vossas mentes! Se vivo pela regra de Francisco, é porque assim denuncio e escandalizo cada um de vocês; e rio feito criança de vocês, Grãs Doutos, que dizem tanto e sabem tanto, mas no fim são mais vazios do que o coração do insensato. Se vocês não se metem a viver a vida como se deve, viverão eternamente na condição de erro, e eu, por mais que alerte por via de exemplo ou deboche, não consigo ir mais além que isso - não me dóe vossas palavras contra mim, mas o que mais machuca, enfim, é vocês sempre acharem que estão certos.
E a minha sorte, é que pus meu coração no thesouro certo. E de alguma forma ele ainda me vale mais que tudo.

terça-feira, 20 de junho de 2023

Bola de Cristal.

eu só queria dizer que ando cansado.

Sei lá eu de quê - mais sei que extenuei e estrangulei aquilo que chama-se limite.

Minahs lágrimas secaram, Dulcinéia não se encontra para afagar minha barba e dar-me um beijo, tampouco Sancho enfrentaria comigo o Aragonésco moinho, pois ele saiu para almoçar faz três anos longos...

Na verdade me perdoe a metáfora embutida, mas, queria era um porto seguro - difícil termo e condição para os dias de hoje e para a vida que se vive de caxangá e pôrto pôsto contra o Sol.

...mas o que é mais me anseia a alma. Minhas carnes vibram por esse dia.

O sôm, que ensurdece, desatina, corta e tange, fere, toca e mata. Tal qual esse momento. O translúcido quasar que ressona a dissonante nota que atenua e atenta o que aquele guitarrista fez no Royal Albert Hall aos 5'56'' do Concerto de Despedida em 1968. Dantesco, preciso e lírico.

Queria era alguém que comemorasse minha fraca existência como se fôsse motivo de dulia, ou de algo estimado. Como o velho canino que se abana e se expõe em barriga faceira para ser acariciado.

Queria sair por aí, nada de acampar ou dias de praia com areias inconvenientes no corpo. Apenas uma mesa e garrafas, fumaças de tabaco e músicas para cercear quando houver descuido no silêncio.

Queria buscar sentimentos antigos, desde os natimortos em mim até os que foram assassinados por mãos de esmaltes que não enxergo as côres.

Além disso: sinto que nas sôfregas mãos em que peno em dizer algo ao escrever, marco apenas a sentença do eterno escriba: ao testemunhar o fato, torno o lírico - sem ter a necessidade. Apenas por um fator ididota de transpôr em letras, do que meu coração chora.

Também tenho dias tristes, noites negras, e um vivante da solidão que há muito e há tanto é minha companheira. Há dias que penso que não tenho afago, e há dias penso que há alguém que aceite minhas loucuras.

Há dias que sou um rei assunto. Há eternidades que sou o fim-de-fêira.

Não me importo, me sinto bem assim.

Se me apego em Deus? Como não?

E haveria mais alguém que me ama com tôdas as minhas (inúmeras) imperfeições e me aceita? (e que óbviamente não seja de gênero de carne, pois)

Paciente, em algum lugar do universo, Êle existe. E eu aguardo a hora de Vê-Lo, para sentir um vero amôr que me consuma as entranhas. Há dias que são cinzas, e outros tantos dias Cinzas.

E no fundo, eu não quer dizer nada com tudo isso. 

Eu só quero vomitar um peixe pôdre de tão antigo desta garganta minha.

E não. Você mais uma vez não entendeu.

quinta-feira, 18 de maio de 2023

The Edge.

 Pau no seu cu, meu chapa!
E quero mais ainda que se foda seu cabelo translúcido e seus olhos fulgurosos, nós - modéstia a parte, os anjos, os santos, os mestres e os escribas - nós tamo é pouco é se fodendo é. A gente gosta mesmo de rir, brincar, sentir: e sem mão na bôca, a libertação está perto. A liberdade vêm, e cheira a crisântemos como um entronar de uma Amaterasu, ou como a morte no caixão de um cristão. Talvez você não entenda porque o pau no seu cu entrou até os seus tímpanos, por isso tu num lê. Toma meus olhos: A regra é clara, limpa, pura e simples.
Segura seu par, e beija forte. Se joga contra as ondas e deixa a água salgada do mar te iodar, e roda o mundo procurando sua paz. Faz carinho nos santos cães de rua, e abraça eles. Dá uma marmita ou uma grana aos Irmãos de Rua, e proclama um evangelho que no silêncio, perturba os anjos do Céu com seu tinar do coração, que bate mais forte que a voz do que prega imundamente.
Se você for bom, a bondade nunca sai de você, como um câncer benéfico - e de câncer eu entendo - e emaranhando tuas veias, pulsando em tua alma e rechaçando os seus sentidos mal-feitores, será tu exposto a clara luz que segue um comboio forte, que não lhe dará tristeza, e que ao quando sê tu exposto, se diminuirá, e assim, será dado como um dos nossos, e não dos deles. Não há de ser fácil, mas se lêes com o coração, recebeste o ouro que te dou, mas se caiu na armadilha trincada do escriba, tenho más notícias para dizer...
Ouve o baixo tocar. Pulsa. Ressona. Emana. Imanta. Ele dita as notas, contrapasso, repuxa e engrossa no cordão do refrão, e ele que te faz pular enquanto segura a amada pela cintura - aproveita e leva ela pra fora da pista e tomando um ar, diz pra ela as coisas do mundo, do amor, do Céu, de vocês, e de você, tão pequeno, e tão entregue a ela. Faz ela chegar ela perto, e mais perto, e mais perto. Ouve a sinfônica entrecoretante e inebriante que emana do coração pulsante dela, e eleia essa arrombada, meu mano! Beija ela! Celebra o amor, candango!
E VAI TOMAR NO CU RED PILL! Nós, da velha guarda, mantemos o bom coração e temos a rosa exposta no coração, e se não dá certo, só seguimos em frente. Saber lidar com o não, também faz parte do jôgo do amôr - A BENÇÃO, WAYNE FONTANA! Saber amar e ser amado não é difícil... Difícil deve de ser sua mãe e aguentar você falando merda gratuitamente; e dos meus livros de boa memória, te guardo no mais digno de sua corja: Os esquecidos. E portanto viva eu, peixinho da lagoa, Tio Fungo (de dôce memória) e a Repvblicæ Livre de Itaqvæera como berço de heróes que nunca serão esquecidos na lira dos trovadores e nas tabvlas dos bons escribas! Nós, os da boa vontade e de coração tenaz (que é longe de justo) ainda estamos por aí -  e vamos adiante até a perfeita hora da dôce morte!

E corre, falaram que tem post no blog do The Joker amanhã.

domingo, 14 de maio de 2023

Ofício.

 N. Do E.: Crônica dedicado ao mecenas que contribuiu com o café do escriba. Benedictvs si!

Se eu te dissesse tanta coisa te seria de entender?
Das coisas que sei,
Das que entendo,
Das que desconheço,
Que cabe no oculto de meu coração.

E com teu óculo analisaria sabiamente:
O que escrevo ou digo,
Emendando em minha conversa objetiva,
Uma liga que anuncia algo,
Ou apenas daria um simples sumiço?

Por favor, não olhe as coisas como frias;
pois se assim o faz, põe as em lugar comum.
E se torna comum, perde a magia,
se perde a magia morre o porquê,
e assim, não tem razão de ter ou ser.

Se estende a mão;
Aceita o abraço e o eleio,
E conhece, aceita, ama e gosta.
Abraça, aperta, morde, beija e devora.
Faz diferente para a borboleta imortal não morrer.

Dos ofícios do escriba, cabe a denúnica,
de um novo amor,
de uma vida que nasce,
de uma morte vindoura,
de um dengo.

E cabe, a quem lê entender,
por mais que pareça torto,
as linhas do trovador,
enquanto ele com suas linhas entreveradas, lhe diz:
"espera, não esfria, por favor, fica."

Agarra em um abraço e não solte,
Aperte a mão e ouça o som junto,
Deixa as lindas garôtas ouvirem,
Os céus turvarem,
Enfim, os corações se cruzarem.

sábado, 13 de maio de 2023

Crônica Desinteressante.

 N. Do E.: Crônica dedicado ao mecenas que contribuiu com o café do escriba. Benedictvs si!

Se vale o comentário, vale uma história. E se vale o interesse, não há motivo de rotular como desinteressante, não é mesmo?
É só um comentário - ou ao menos era pra ser, e de fato não deveria ser tratado menos que isso. Pra quê tanto escarcéu? N'um dado momento aonde as palavras se tornam mais ajuízadoras do que conciliatórias, para quê eu iria compôr uma tribuna da qual rejeito? Então, te tomas pela certeza que é só um argumento; e mais além: A sintonia ajuda, tal qual a música, as luzes inebriantes como um velho cabaré afrâncezado, e as estrelas, perdidas no Céu escuro, aparado por copas de árvores, dão a sorte de um querer bem.
Pra quê a noite, se existe companhia? 
E falemos de música, e falemos de sons, e falemos da Anima, mais ainda; falemos de nós, das piadas de fundo verdade, de humor tão cínico, besta, inerente, juvenil, sexualmente apelativo, mas de forma tão nascente, nosso. Falemos dos velhos senhores, do show, da vida em si, das apreensões e dos fumos e das cervejas, pois isso é o que basta ao momento.
E olha, há quanto tempo as coisas não acontecem de forma natural, por um acaso ou planejamento divino, e põem-se em marcha para dar certo e assim contribuir para uma alegria que reina perfeitamente no nosso peito? E falando em coisas do peito, Meu Deus, como se odeiam os prédios espelhados e como se odeiam os pulmões masoquistas de fumantes!
Procura no campo a paz que reside em teu peito, prepara um jantar, acende um cigarro, e passa a mão entre os cabelos: Que doida coincidência é a vida. Abre uma cerveja, e suspende-se num ato: estando inerte ao ar, sente novamente aquele coração pulsar, a barriga florear farfalar de velhas borboletas imortais, e como jovem sonham com um beijo - o velho rolê juvenil que a gente esconde em sete chaves num baú dentro de nossa alma para não se quebrar de novo: O eleio. Conversas bacanas e produtivas. O abraço. A música do pé-a-ouvido. O amasso. Amor travestido de sexo com suas ancas habilidosas maestramente levantadas enquanto se pesa o corpo do amado. O carinho travestido de qualquer coisa que você queira. A música tocando alta e a fumaça oriunda do cinzeiro incensando o lugar. Acaba o cigarro que se fuma sozinho - dois corpos estão ocupados. Os beijos de fim de noite enrolados em braços tão unidos que nos fazem perder a letra em dizer. E o acordar? Um café, forte e sem açúcar, junto com um misto, ou até mesmo apenas um pão com manteiga, mas feito com a energia e o sentimento que não se cabe em letras, mas é explicativo de quem o sente.
Conversa mais um pouco, fala mais um pouco, stalkeia mais que tá pouco. Abre a foto. Vê, olha e pensa: projeta um cenário e todas as roupas possíveis para usar e impressionar, além de poder dizer coisas que sejam alheias e verdadeiras, mas que não a afastem, olha para ela e pensa como o universo tem sido legal. Diz uma asneira gratuita para desbaratinar, e pensa além de tudo, no futuro, mesmo não tentando fazer planos. No dia do encontro, como será? Seria ela maior ou menor que eu? Ela gostaria de caras mais novos ou mais velhos? Será que rola um beijo no fim do encontro?
Perguntas, sem resposta, que ainda precisam de um desenrolar do tempo para se crismar.
Dado o dia, levanto, e ao ler tua mensagem, o coração traqueja um palpitar. "Ontem foi real", e isso alucina a vida, faz a vida ficar mais interessante, e dá mais gosto ao café. E ao ver novamente a foto, retorno ao turbilhão de sentimentos dados ao flerte da mulher que vi. E ela, me atordoando, permanece atenta como a sibila que profetiza entre os lábios voluptuosos a denúncia: Quero.

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Céu De Brasília.

Quero andar um pouco.
Me divertir, sentir vivo talvez. Quero ver o começo da semana a noite. Os semblantes cansados nos comboios públicos, as dôces mulheres que tirando seus saltos de horário comercial, agora se desprendem de ancas em chinelos de dedo, as môças que se saindo da academia, parecem uma tartaruga-ninja com o casco de alça pôsto nas costas... Os fortes homens de alma frágil dependurados nos balcões do bar, tomando uma cerveja ou uma pinga com limão para aguentar o tranco, ou dormir sem jantar...
Tem um irmão-de-rua que passa, cativo e alheio ao universo. Seu saco de coisas encosta nos transeuntes, e atenciosamente, pede perdão a cada um. O passêio público parece algo tão largo e estreito; na quadra seguinte se reúnem os jovens para poder entrar em uma faculdade, e alguns adolescentes se encontram e sentindo o mal da imortalidade bebem, dançam, cantam e brincam com o amanhã; como se de forma bela isso fosse imortalizado em sua aura.
Uma estrela brilha demasiadamente, mais que a Lua - já não mais cheia. E ai dos olhos que as vêem, pois se o alteia para vêr, pode correr risco de perder a carteira, celular, e ganhar hematomas furtivos. Um vento suave como que de verão entrecorta os corpos cansados, que já mais do que nunca anseiam por sexta-feira. Tem um olho no alto da torre. Mão aberta, cajado pôsto em defêsa, e rôsto de fronte inquisidora. Olhos que olham, tangem, secam... aliviaram.
Ah, musa, deverias deixar eu me ocupando pelo brilho dos olhos foscos que vejo, do colorido cinza que têm nos prédios e marquises, das tôrres, bares, perfumes e cheiros fétidos; dos aviões que transpassam o ar sem ter nem com quê ou porquê, e nas rotas mais calmas, se tive sorte, ouvi uma árvore farfalhando ou alguém pedindo um dinheiro para pagar um corote.
E eu, tão pequeno diante da magna essência desse lugar, sou ao mesmo tempo dono de um universo tão complexo e confuso dentro do meu sorte. Os faróis são de estrada, faróis de milha como diria meu pai, e os semáforos hoje, logo hoje decidiram trabalhar. As bancas de jornaleiros começam a bater seu cartão e fechar. Um garoto de talvez 14 anos compra um cigarro solto. O vejo. É cabeludo, como fui. Sua mão parece frágil ao acender o isqueiro para fumar. Na primeira tragada ele engasga. Desvio o olhar para não intimidá-lo, e lembro-me de quem já fui - parcela de mim que não eliminei e ainda rola no meu recôncavo, alcunha de nome Ox; velho conhecido desse blog...
Ao sair do espaço, mantenho-me perto de alguma certeza, algo que ainda tente me mantenha firme. Faz muito tempo que não sinto meus pés tão pesados e meus olhos tão fracos. E ver essa cidade, mesmo que do lado de fora, por um pouco espaço de tempo, me acalma. Me dá a sobrevida que preciso, e afasta de mim aquilo que nem as paredes confesso; apesar de já dito. Me esqueço da sorte, da solidão, da contraforça e da raiva, e guardo em mim a sorte ou benção de ter sido filho do furacão - dos amigos mortos, heróis tardios, mártires irreconhecíveis, gloriosos desconhecidos e do pae tardio.
Dobro a rua de casa num arremate preciso para não ver mais estudantes arrogantes de direito, desço-a, tal qual os ônibus desordenados, e me mantenho apenas por existir ou por fôrça de pesar os pés contra o chão. Abro a porta, e vejo o saguão, tímido e de tapete suntuoso. E ninguém me espera, toma pela mão ou segue meu ser; como me disse o cantor: Quem me levará sou eu.
Se hoje saio para ver esse coração maquinado trabalhar, é porque o meu já não bate, tampouco palpita, e só a ouvir a sinfonia que essa cidade proporciona, sinto-me de alguma forma, imortal. E nenhum outro que não seja filho da Piratininga pode entender.
Ao meu chão, entrego meu corpo primeiro. Ao porto, não.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

MMXXII

 Mas gente do Céu, que aninho treta...

Este ano de fato foi o ano onde mais a porca franciscana torceu o rabo. Ao meu parecer, vi que esse ano não foi revelador, mas sim temerário, de grã vileza e de fôrça rude. Esse ano mostrou tanta coisa que, vemos face a face. 

(DISCLAIMER: Não venha até aqui com seus olhos positivistas tentar ler o que escrevo com alguma "aura" linkediniana. Aqui é mato - raw franciscan way of life, and such a well respected workin' class mate - e pretendo continuar assim por mais um tanto. Me vale a alegria de ser o que vivo e professo do quê viver uma ilusão ou flertar com estilo de vida incompatível, ou também como dizemos no populesco: "arrotamos caviar comendo mortadela.")

A vida nos ensina a ser francos, ter noção de justiça, re-considerarmos, e termos o entendimento que nem toda teoria é certa, e todo livro também possui seu inutilismo. Tenho receio daqueles que se escondem atrás de livros, alpendres, pórticos e arietes, e no alto de sua douta vida e grã sabedoria não descem para a arena para viver com gosto e agarrando sua própria alma com fôrça e altivez. Ah, que pena. Pena que seus livros te ensinem tanto sobre amor, e não ame; te doutrinam sobre misericórdia, e não faça; te fale sobre ter sensatez, e você tem falácias descontinuadas.

É mais fácil ser superior, né? Mas mais difícil é 'guentar o tranco da vida com todas as suas porradas e imperfeições e ter a cabeça tranquila no travesseiro que fez tudo o que podia, sem hesitar, sem pensar, sem murmurar e sem se conter por quaisquer barreiras que te façam humano e vivo/atento a todos os sinais de vida que o Criador te imputa ao redor de tua carne - fez com desespero e alegria aquilo que se prega em um evangelho vivo e imutável.

Seus diplomas serão papéis amarelados, sua ciência pode e será refutada, e seus momentos de "bom-vivant" serão mal-ditos pela suas costas. Te restará apenas o (parco) bem que você faz de coração aberto; você tão em pressa de viver esqueceu principalmente de viver. Que bandeira... 

Esse ano foi o ano que escrevi meu livro e o publiquei. Se der certo, a primeira meta do ano que vem é fazer uma tarde de autógrafos num lugar que gosto muito. Oro a Padre Deus que dê certo. Espero os rostos e as auras que tanto me fizeram bem esse ano para celebrar no ano que vem este momento tão belo em minha vida.

Ah! E me mudei. Agora o garôto da zona leste tá no Centro da Cidade!

Tenho medo da riqueza material e o que ela faz com a cabeça das pessôas; e dos que vi, meu coração até hoje dói por eles terem tão fascínoramente "virado a cabeça", tenho ojeriza das famílias de "comercial de margarina", tenho surtos coléricos ao ver pessôas tão felizes que batem palma pro Sol - a alegria de viver reina e se estabelece em meu pêito, e se a engrandeço de maneira exacerbada, me torno inimigo daquilo que carrego em meu ser; Deus que se manifesta no silêncio e vem em meu auxílio nas horas mais tristes aonde ninguém segurou minha lágrima ou me fez ombro amigo.

Houveram dias que houve silêncio. E quando apertava, rezava. E quando a reza não dava, chorava. E quando a lágrima secava, recorria como um desesperado aos pés da Cruz. E inexplicavelmente tudo dava um pouquinho certo - certo o suficiente para que eu ainda sentisse vida em mim, e no meu coração. 

Este ano perdi amigos, referências musicais, perdi família, perdi o amor, quase me perdi, trabalhei em lugares e profissões que nunca achei que faria, e mesmo longe eu estive perto - fui agraciado e reconhecido pelos trampos que fiz e pela força que exerci. E aonde fui, levei meu velho crucifixo de bolso com um Santo Antônio, e repetindo a fórmula que minha avó rezava, dizia ao me sentar na mesa: "Alto! O Sagrado Coração está comigo!". E quiçá por Deus, ou pelo meu merecimento, hoje estou num cargo bom, numa empresa boa, num lugar bom, com uma vida que ainda bagunçada, mas bem.

Esse ano foi um porre. E a garantia é não saber o que vem no ano que vem. A garantia é mais trabalho, mais cervejas, mais exames, mais leituras, mais sons, e mais silêncio; se retirar e aprender a morrer é uma questão de ordem.

Feliz ano nôvo, tilápios. Paz e Bem!

Do;
Queiroz, Marcus.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

(Find The) Cost Of Freedom

Eu duvido muito de mim e das coisas que penso. E por isso as transcrevo. 
Não tente entender. E se realmente quiser entender, me pergunte. A tua conclusão preciptada só pode piorar o quadro no qual extenso as minhas palavras e que você pode julgar; o dever do escriba é sempre (a seu modo, linguagem e têmpo) dizer das coisas de seu coração, de sua fé e de seu tempo. 
Boi voador não pode.
Conheço o oculto de meu peito e adentro dele sei das coisas de meu coração - das quais admiro e exulto em ais. E por isso escrevo. E danço tango com a morte e como um pastel nas horas vagas.
E a escrita transcorre entre sua íris entre o lírico, épico, e belo; mas sabe lá tu de quê escrevo. Falo de minha vida, minha luta, minha saudade, dos pássaros, da geral que pia, e do peixinho-da-lagoa. Minha temática é híbrida e florida, mas você só pode entender se seguir meus passos de forma que ao eu te explicar porque faço uma coisa; o significado e valor que ela tem - pode não parecer, mas todos nós temos valor e significado, peso, história e legado; só precisamos saber se estamos fazendo jus a nossa bagagem ou sendo extremamente cuzões.
Como já dito anteriormente nos anais desse blog, a função do escriba é denunciar e por na história o que acontece contra os fascínios e os facínoras que nos cercam - e eu, como aclamado e dito escriba (e por vezes proclamado profeta da estepe), escrevo e transcrevo o que me circundeia.
Tal qual Jeremias (Jr XX;VII-XVIII), instalo em mim a lamentação ad infinitvm de um "profeta" que incute a verdade de Deus em comunhão com a situação dos homens, e escrevendo pois sobre as linhas apuradas de quem antes ouviu e sentiu Deus, nos pássaros eu vejo/sinto/ouço todas as coisas que acontecem de maneira ferrenha e apressada contra meus olhos, carne e alma: Falo da vista da janela, da amada, do vento, do amor, da morte, da lamúria e da Excelsa Glória de Deus, que se encobre e se vela nos altos Céus, que agora derramando gotas de chuva, abençoa a cada um de nós, que apressados nem sentimos o milagre da vida - seja pelo guarda-chuva, medo de desfazer a escova do cabelo, ou de ficar gripado.
Assim como o profeta, escrevo das carnes que sangram não (tanto) por desabafo, mas por um motivo bélico de denúncia: Pelo povo que padece, sofre e perece; eis, Padre Deus, minha missiva. E assim como o profeta, tangeste minhas mãos e minha boca com a tenaz para que eu dissesse e falasse com o peito e o coração; e das noites da taverna: bebi, berrei, briguei, embriaguei, e fui herói. Disse a eles o que escarnece sua alma e denunciei a atitude que corroe a alma, mas que eles não são capazes de aceitar. 
Subi ao altar. Sentei-me a destra do altar, na escada. Naquele instante, naquele nosso pequeno tractvs, ficou decidido entre nós dois o que havia de ser; e assim como o profeta, fui tentado, posto ao sopé da morte, mas ainda sim vivo fiquei para exercer minha parte do tractvs e da nossa aliança, e ainda sim quando eles fôssem reis, eu os pisaria para mostrar a sujeira, e quando eles fôssem pôstos em humilhação, eu os mostraria o verdadeiro reinado e espólio que Me ensinastes.
Não os julgo. Mas os condeno, e peço ao Juíz que mude os corações endurecidos, e deixe as lindas garôtas ouvirem, e os Céus turvarem. Peço a paz, a calmaria, e o abraço que os braços procuram - de causa urgente e passível de morte. Ah, assim como o profeta digo a iniquidade do meu povo, e faço minha parte além da denúncia, pelas obras e pela ação-em-fé. E isso me basta; ainda que eu o ache tão pouco, mas Me ensinaste Tua matemática, e nos dias mais soturnos, mandaste teus mais diferentes e diversos amigos para ter comigo, e por Tua imensa Glória o pouco que tive dividi - e se multiplicou, e quando nada tive, obtive tudo de Tuas mãos, e quando meus olhos choravam, foi lá Tu e desceste até mim e me segurou em Teus braços, e quando estava Tu deveras ocupado salvando os meus a quem onerosamente orei, mandaste novamente os Teus. E vi você.
E assim como o profeta; sabendo de meus imensos erros e incapacidades, escolhi Você e o Seu partido assim como me escolheste, me capacitaste e me enviaste para a messe barulhenta e briguenta do cativeiro, e com isso escrevi minha história na Tua e me prometi que meu nome seria sublinhado para que fôsse o Teu mais brilhoso, e até hoje os Teus amigos me ensinam diariamente esta lição; e não me arrependo de estar e viver neste lado da história, de forma alguma. Pois, assim como o profeta, és a minha Força, Certeza, e Alegria. E nunca seja eu objeto ou fiança, pois não sou e nunca fui merecedor de nada de bom que me ocorreu até aqui, Bom Pai.
É tudo pela sua imensa Misericórida.

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Summer.

Disse-me um sábio, certa vez, que a melhor conversa é aquela que se faz e se diz com os olhos. Das mais profundas, sinceras, belas, engraçadas, tristes e magnas. Daquelas que você conversa com a alma e sente a responsa em sua própria alma, sentindo verdade no que te é ofertado. 
Bem, raramente eu tive desses contatos, mas, todas as pessoas que tive esse presente foram mui categóricas pois eram pessoas de tenacidade ímpar, daquelas que são decisivas e fazem-se valer por ser quem são, e de uma força incrível. As pessoas que conversam com os olhos verdadeiramente estão em um outro nível, patamar, e gostar...
E a nível de sinceridade, quero ver teus olhos de novo, e de preferência com os solfejos de tuas mãos, n'e que quando empunhas a caneca em tua mão, desabrocha esse riso em tua bôca como se a vida se cristalizasse n'aquele instante. E eu basicamente gemo em ais pelas pessoas que sabem eternizar o instante da forma certa, a vós, minha benção e minha estima mais ditosa e verdadeira. 
E é sobre isso, disse-me ela. E irrompeu na mesa com um riso verdadeiro, daqueles que não se vê há tempos; abriu-se e brindou a nós na mesa com um riso verdadeiro, sincero, ornado com os lábios e ornando a silhueta de seu rosto de tal forma que não o via há tempos, sendo-se verdade, e trazendo-nos genuína alegria de um riso apesar das abobrinhas demasiadas infames que dizíamos na mesa - de fato nós da mesa sentimos um tipo de êxtase, mas guardamos um pouco para mais tarde pois atualmente está raro termos momentos assim, aonde podemos ser felizes sem um peso da existência.
A noite, extensa e tão curta, denuncia a troca de olhar. Conversa-se pelo olhar. É lindo, belo, lírico, cínico e as tenazes sobrancelhas que arquejam com fechar-e-abrir de pálpebras, desfloram num riso; gargalhada, telepatia prevista - comunhão de pensamento, alinhamento cósmico, ou qualquer bobagem dessa forma. E quando ostento de mim o riso em comum com a alegria mantida de um gol, denuncio veemente com o olhar a vulgaridade que senta conosco a mesa - e iremos rir mentalmente e fazer um comentário ligeiro com os olhos; a essa altura, já íntimos e cumplices de comentários e formas de pensar.
E é afã com o cuidado e com o zêlo, tal qual ditosa mulher ou como no cristianismo primitivo, aonde as pias moças eram zelosas sem ter porquê, com o quê, como quê - permaneciam de fé em fé e de caridade em verdade para apenas existir, fazer-se ser e ter aquilo que não se Nomina; Excelsa alegria, ditoso É. É sobre um riso ligeiro entre risos, brindes e copos de água, sobre conversas e fofocas, gritos estrondosos que arruídam o ouvido em lembrar: a emoção de um pênalti, a perca de um título, a briga no fim da noite, a sabedoria em ser humilde e se resignar de uma possível contenda, o valor de ser quem é, ou até mesmo uma conversa que poderia durar por horas e horas e horas e horas...
Ou, que pode até mesmo durar mais essa noite, se o vento e a direção das estrêlas forem-nos favoráveis.

quinta-feira, 30 de junho de 2022

Carta a Fillipi.

 1 - Prefácio e saudação;

Marcvs, escriba, para Fillipi, seus dois rebentos e adjacentes. Que a alegria de sua vida seja sempre esse combustível que queima em nossa alma. Evoé!

2 - Avisos geraes;
Escrevo em saudades. De um amigo, de um irmão, de um amigo que empresava comigo desde as idéias e piadas bestas até o mais sério dos assuntos e os guarda em seu coração como um cibório. Escrevo com a pressa de um churrasco do Gabriel(TM) com direito a cachorro de polo. Escrevo pelo anseio de sentar com vós e lhe dizer tudo e o tanto até aqui - deixa-me, irmão, rir mais uma vez, brincar mais uma vez, ser feliz, e debochar com os meus que amo. E nas nossas brimcadeiras juvenílicas, ao menos uma vez, eu possa me sentir imortal de alguma forma.

3 - Preparação para a morte;
Estou indo hoje para Alvim. Na verdade, enquanto lêes, já devo estar a caminho da volta para minha nova morada. E espero que o tempo seja bom comigo e com você. Espero que sejamos carinhosos com o tempo, e mais além: que a escrita seja a sua única arma, e que o seu sorriso em sair do degrêdo seja validado por suas meninas que lhe amam, e por quem te acompanhar do lado - e faço votos, pela Santa Madre d'Deus, que tenhas quem te ame, e te faça bem. E conta pra eles que eu também escrevia, mas não tão bem como você, e muitas vezes eu queria ter escrito com você, pois sinto falta dos amigos que me escrevem e aos quais escrevo. Tens músculos, mas tens cérebro e tem a lira e a pena. Usa-as!

4 - Admoestações geraes;
Guarda tuas filhas? Como lhe diria isso! Pai honroso e ditoso, tal qual o Bom José é tu, menino meu, e se ensinas tuas meninas de modo como pensas, o mundo lhas serão de fácil entendido e não serão confundidas. Pensei pois em lhe admoestar algo, mas não posso, pois sermos de mesma raíz e foz, temos o mesmo modo de pensar, por isso vos rogo, antes que o tempo não dê, guarda todos os nossos sorrisos num baú de prata, e sorri para mim. Prometo lhe sorrir de volta. Ria. Brinque. Deboche. Ouça um som. Ame. Chore. E principalmente nunca se renda e se entregue a cada causa, pois tudo aquilo que nos é feito de peito aberto e mente incisa, não nos será objeto de repulsa ou raiva posterior.

5 - Solidão;
Se me perguntas, digo que estou bem. Mas no oculto sabes que não estou. E isso me entristece. Mantenho-me de olhos abertos, e no meu oculto dilacero e dilato aquilo que nem as paredes confesso e me corrói a todo dia. E minhas lágrimas jorram molhando todas as langes. Me encontro na caravana de um beduíno. E o Sol é forte. Quem me oferta água?

6 - Resposta;
Pedes para que lhe peça algo? Que coisa pediria? Apenas uma, que seria a mais dificultosa: Constrói-me uma mulher. Menor que eu, de cabelos pretos, olhos castanhos, boca carnuda e de mil tatuagens. Constrói-me uma mulher que ria, brinque, fale asneiras e releve os meus erros como relevarei as falhas de construção dela. Constrói-me a mulher de coxas almofadadas aonde descanso o peso do mundo em suas pernas, e que pelo afago dela em minha barba eu não sinta por um segundo dor no corpo, doença, raiva, cansaço, tontura ou náusea. Constrói-me uma mulher que lute para me erguer como eu a farei ser meu hasteio e pendão - pois eu a farei. Constrói-me uma mulher que canta como um rouxinol da manhã aonde eu possa dedilhar minha viola, que ornada com a voz dela, fará o mundo ser melhor. Constrói-me a mulher de mãos boas para cozinhar, que prepare o frugal, trivial e o inovador, e que sem me por em pé de surpresa, consegue me fazer evoluir nas pequenas coisas - das quais amo tanto. Constrói-me uma mulher, do mesmo credo que o meu, que venha a missa comigo, e que comigo, seja mais do que nenhuma outra poderia ter sido; e se tu, ó ditoso amigo, puderdes fazer isso, vos louvo e digo que realiza o que ainda tenho desejo no oculto do meu coração.

7 - Sobre a felicidade;

E tu, mantém a felicidade como meta, e atinge-a; Obrigo-vos. Que teus olhos não se fechem até estar em paz e em graça com a paz e o amor de Deus e os teus desejos e sonhos;  Luta até o fim contra tudo que te fizer ou parecer inimigo, e mantém-se firme. Mantém-se com fé. Obra a esperança dentro de ti, e não deixa de jeito maneira que ela seja roubbada de ti. Guarda ela como tua terça filha! E assim, dessa maneira, somados aos teus dons, boa e justa vida sei que há de ter.

8 - Despedida e benção;
Te abraço e te guardo em comunhão. O meu abraço se extensa até Gabriel, Aninha, Nath, Migvæl, Tufão, Maiqvis, Wagner e os nossos. E diz que os guardo em mui carinho e mui saudade - Que Deus os abençoe e os ponha todos entre os Santos, Únicos, Justos, Profetas, Primeiros, Virgens e Mártires. A você, que a benção que lhe dou extensa até tuas meninas e to dou a prosperidade de uma vida boa, longe e livre de todo o mal. Te amo, estimado irmão. Guardo-te até a vista.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

19/02 (Sob o Sol)

Desde a primeira vez que meus olhos repousaram,
em seus cabelos,
em seus olhos,
no seu desterro,
bochechas tão coradas,
na cáucasa pele;
Eu sabia que ali estaria um sacrário,
foi pequeno o espaço da calçada,
grande tempo de segundos,
pouco tempo para muita cerveja,
Vitorino cantando vantagem,
nome ridículo de um primo,
Arce contando cerveja,
Arcanjo doando cigarros,
Jesus estava na sua frente, você lembra?
Jesus te serviu, e você disse não.
o all-star, o andar, um falar, a legião de calouros andando pela tiradentes
um mural]
E aquele mesmo bar foi aquele que demos calote no final do semestre,
lembra?
o Mosteiro,
o Frade Menor enterrado,
a vida acontecendo e se fazendo acontecer,
risos que turvaram a noite,
que vontade de te puxar num assunto,
a Irmã Tesoura.
Está tudo ainda ali
E, será que você é você, carinha?
um motivo torpe, qualquer coisa para qualquer resposta
(desde que fosse a tua)
mas, ela veio.
naquele dia, os dedos de Deus riscaram os Céus,
e subitamente
soube eu
que aquele sorriso
é o sorriso mais lindo que já vi em minha vida toda.
365, 1, 525600, não importa a nomeclatura, se,
ainda continua tudo aqui,
da mesma forma
do mesmo jeito,
aqui.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Swinging Along.

Se você me conhecesse, saberia do motivo do brilho dos meus olhos, e não me afastaria do que me faz bem. Me colocaria em um dos nichos, e nos muros de pó-de-ostra estaria eu cohabitando entre o tempo e a história, sendo mais um dos que se passaram, a viver o que convém.
No final, a história seria apenas um pedaço no tempo, e diversos períodos de tempo contemplam uma cena na biblioteca da vida, e se não houvesse memórias a se consultar, de nada valeriam, mas sabe-se que as referência mudam completamente. O livro escrito, por mais que semelhante ao que se escreve, tem lá suas diferenças. Muda-se as pessoas, e finalmente muda-se a cena, há uma nova fase em progresso, e a música continua a mesma - apenas entrou numa suíte diferentes.
Deitaria minha cabeça no seu colo e não diria nada, e no peso de seu colo sentiria como pesa uma cabeça que tenta achar a resposta de tudo, não para si, mas para ter o causo crítico da razão para tudo e para todos, e assim, vendo-me entre o acordar e dormir, iria respirar, e somente sorriria, e nada diria. Os carinhos cessariam, e minha cabeça, finalmente podendo descansar, faria a sua pensar. Os dias correm, e frios ou quentes os pássaros ainda estão lá, e pouco importa o que possa acontecer, somente valem que os pássaros estajam brigando contra o Céu para morar no ar, e ainda bem que em alguma fase de minha vida eu vou morar no Céu - cabe mais a terra funda que me encerca do que o concreto que me causaria uma ruína.
E não muito longe de onde ela olha da janela e vê a ávida multidão, ele anda na rua vendo as gotas de chuva caírem por completo na rua, o asfalto ficando úmido e as marquises se apoderando do mar de gentes que lhes cabem por baixo. Enquanto a chuva não derrete quem não é feito-de-açúcar, ela olha as gotas molharem a janela, meias no pé, e enquanto o pão está no forno, uma coberta quente e uma cama lhe esperam para descansar, afinal, o que mais lhe valeria? O corpo pequeno e macio que repousa é também aquele que abriga o esconderijo da alegria que se sente mais ainda não vê, os olhos cuidam de cruzar o que a alma não vê, e os corações ainda se fazem encontrar numa sintonia mesmo que dissonante, e aquilo que é alegria, não se estabiliza, apenas se mantém de forma alteradas, afinal: Não é a vida que acontece?