quarta-feira, 25 de maio de 2022

Negro y Blanco.

 Eu não sei falar de amôr. E espero nunca saber pôder falar. O falar de amôr é língua celeste da qual que por mais me empenho, me é difícil - falar um turco arranhado me parece ser mais fácil que dizer de amôr.

O amôr, como Minas das Geraes, me faz saber que existe, mas me é distante, e por vezes é inacessível, e quando vou a Minas me emociono e choro, canto e brinco, me dá sudorese e mêdo que eu cometa algo de errado na qual não possa ir para a Terra Santa no Brésil. O amôr, como Minas, tem curvas, môrretes e destêrros, lindas imagens, fé, e paz. Em parcos momentos, agitos, mas é amôr de paz, de cadeirinha na calçada, violão e riso aberto, sem medo. O amôr, assim como Minas, é poesia, é declamação, é música tão sacra, lírica, psicodélica e progressiva. Minas é a morena de cintura e sorriso tímido, de voz mansa e brado. Meu coração repousa em Minas, e eu não sei falar de amôr. 

E Minas, de minhas lembranças de garôto, de meu passado, tão distante, que nem lembro como chegar, como ficar, como falar, e me pego em gagueijos ao dizer o nome de Minas Geraes, quando olho o Céu. Amar é descer o São Francisco de canoêiro com tarrafa amarrada, e só sabe disso quem alguma vez já foi a Minas. É a beleza de sua arte sacra, seus sons, texturas, gôstos e pôvo trigüeiro. Só sabe disso quem foi até Minas e sobreviveu. É de ter mãos suadas ao vêr a minæira, e a cachaça deixar de ser proletariada para ser bêm comum. Minas é análogo ao amôr, e nem se sabe bem porquê. Mas quêm têm paz e quêm quer paz, volve a Minas. Eu deixei um belo tanto de minha paz em Minas das Geraes, na promessa d'eu ir a essa terra bendita, ou dela me dar sua filha dileta pra mim. 

Bem, eu fui a Minas algumas vezes, e senti sempre a mêsma cousa. Mas eu não sei falar de amôr. E não sei falar de Minas... e eu não sei se nem um suspiro da morena eu arranjo. Minas, e suas mulheres cercados de austeridade, me apaixonam e desarranjam.

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