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sexta-feira, 30 de junho de 2023

Just A Song Before I Go.

Antes que eu vá, digo que eu esperei por você.
Esperei pelos seus abraços de sêm-fim, e seus beijos amenos - ora na minha testa, ora na minha bochecha, mas quase sempre na bôca. Esperei idem pelos seus carinhos macios nas minhas costas, como por quantas vezes escrevi deles, assim como agora escrevo me despedindo de vós. Esperei pelo seu sorriso de chegada e por sua têz entristecida de partida, das faxinas, limpezas, arrumações, cariños e filmes regados a viños e pipoca com ajinomoto - das pizzas, churrascadas, e cuidança. Nas festas de amigos, ficaríamos orbitando no universo deles a beber, a rir, a cantar, a se abraçar e fazendo piadas, pois teríamos o tino do humor nêgro, da baixaria, mas ainda sim arriscaríamos tudo em uma tentativa de arrancar o riso um do outro...
Dos dias frios, cobertas no sofá, de você fazer um cachimbo para mim - afinal, conheceria a medida do tabaco e como gosto -, tanto como de que quando me mantenho só, olhando para o universo para encontrar ou a mim, ou a Deus, que você se atentando ao meu lado não dissesse nada. E apenas colocando sua mão em volta de meu braço, ou me abraçando, tampouco na mais ríducula das hipóteses, como naquele Céu estrelado que uma vêz vi na Serra de Santa Helena, e seria lá tu que deitaria um mantel sobre mim. De passar no mercado e perguntar o que você quer, o que você precisa, o que falta, o que quer comer. Dos dias de calôr, teria a praia, o clube, o veraneio, te ver dourar a pele, beber uma cerveja contigo, e sentir que o Sol nos aquece, e ao deitar contigo, seu calôr não me incomodar, e sentir alegria em queimar-me em ti.
Do seu carinho em minha cabeça, dos olhares, das piadas infames de casal, de ter a minha parceira a bandeirar pela cidade comigo, de não me preocupar se me fedo a fumo ou suor, porque estaria lá seu abraço como pôrto-seguro de tôdas as agruras que fêz esse mundo em mim. Seria lá, teu olhar e ter teu coração cousa mais bela e própria do que ter e obter Deus em si. Seria, por mais franca verdade retilínea um trabalho de vida. Ter-te num arrebato de abraço, para enfim descansar de forma concreta, precisa, e assim poder dormir finalmente em teu colo, ou em teu busto, ouvindo teu pulsante coração descansando perto do meu.
Seria, afinal, o que dizem êles em ser feliz.
E as noites sem final de violões, bandolins, e cantorias, para mais uma vez ouvir seu canto de rouxinol clarear a noite toda...
Esperei cuidar de você. De te dar cafunés, contar as coisas que sei, falar de dias de batalhas e glórias passadas; e de planos futuros que ninguém nunca há de saber, e de quando ir trabalhar, sentir sua mão tão macia me segurar pedindo um beijo de despedida, e que seus olhos acastanhados, translúcidos com um brilho tão incógnito fôssem então para mim motivo para que eu pudesse continuar adiantar, e lhe trouxesse a alegria e o cansaço de um labor, enquanto abriríamos uma garrafa e descansaríamos de toda a vida que morreria fora de nossa casa. Te encontrar no metrô seria como ir numa fila ao tomar a eucaristhia, de importância, reverência, temência, amôr e respêito. Te celebraria como o gôl de desempate, e do primeiro gole de Antarctica gelada. Seria lá tu a fôrça de minha fraqueza, e eu seria o teu baluarte para que passasses incólume.
A verdade é: cuidaria de você melhor do que eu algum dia pensei cuidar de mim.
O lado de dentro da calçada, o braço na cintura, o beijo inesperado, o vento que invade sua saia, as ondas violentas, o emboque do mar, as alegrias vindouras, a alegria de sermos mais de dois... esperei ansiosamente por isso, e Deus sabe como. 
Te encontrar, em qualquer lugar, em qualquer circunstâncea, de qualquer maneira, seria pra mim a cousa mais bela que existe. E só de sorrir para mim, saberia afinal o que seria isso que êles chamam de "ser amado". E eu saberia - de alguma maneira muito inóqua, muito estranha, muito bizarra, muito bela, muito chamativa, muito desesperada, muito involuntária, muito emocional, muito devota, muito minha, saberia que você também me amaria.
...e antes que eu vá agora, apenas saiba que te amei. E eles não vão te amar como eu amo você. Eu te amei pelo conjunto da obra e solidificação, eles te amam pelo que tens. E isso me difere em grã situação deles. 

E isso me diferencia de uma maneira que você nunca vai saber, porque talvez você nem saiba de mim. Sou só um escriba.

domingo, 10 de novembro de 2019

José.

Na madrugada, não muito longe desse mar, dois amantes se deitaram após de ver a rua, e no parco moviemento, como duas sentinelas, do alto da janela, se abstém. A cama quente sabe se entreter melhor que a madrugada que desponta pelos olhos acastanhados, olhos que só sobrevivem no crepúsculo, olhos que nascem quando o dia morrer. Ali, no eleio, elegem-se arrimo um do outro, e enquanto dorme, com o cabelo acacheado perfumado, no grosso do sono eu a ouvi dizer meu nome. Pele branca, cintura fina, pés pequenos, sorriso esmaecido e a tranquilidade que finalmente encontrou-se no sono. Dos justos, dos incertos, do que valer, mas ali se encontra o fim.
Eu ouvi, você chamar, o meu nome.
De fato, não me assusta por um segundo que a vida se aconteça e se renove. Me assusta as pessoas querem dominar o alheio, transfigurar aquilo que lhes cabem na vista de um palmo, para deturpar para seu próprio prazer - ou dor.
Cabe me a cova de desejos, e um mar ferreo aonde não consigo mais navegar - e foi ali, aonde deitei meu coração, por baixo do mar ferreo, aonde os heróis nunca saberão de seu panteão, e aonde as donzelas choram suas miçangas, lágrimas de môça e rugido de transformação, é ali onde ele está, pouco abaixo da linha da razão e um pouco acima da serviliência. Aonde os deuses podem pisar.
E dentre toda essa multidão, ouvi sua voz me dizer coisas, uma mão que segurou a minha, um abraço que me afagou e um beijo que tomou meu segredo. Eu estou esperando um milagre. Eu estou esperando os sinos tocarem. Eu estou esperando os pássaros marrons. Eu estou esperando o dia acontecer. Eu estou esperando o meu Sol rasgar o peito. Entretanto, esperar todas essas coisas nunca significou nada para os outros além de mim, e mesmo que as pessoas estejam a dizer: Estou aqui, conte comigo, só eu sei o que carrego - que vale dizer que está, e que compartilha, se no final não está e não compartilha? Me vale mais um silêncio do que a falsa esperança, e a falsa caridade. Me vale mais a solidão do que falsas companhias, e deixo o ouro na mão dos que o almejam, pois me basta apenas meus pés cansados, e o que tenho dentro de mim. Cabe a mim apenas ter a esperança de que já está tudo consumado entre os pés e contrapés da casa. Fiz o que pude e não pude, guardei a fé dentro de meu peito e distribui como a eucaristia a quem quis. O resto não me interessa.
Senhor, Tu tens tido feito o Vosso Refúgio em meu peito.
Nos velhos muros tricentenários, ainda consigo reunir as últimas forças para ver o Amado. E ao me entregar como cordeiro ao Pastor, sinto ao menos mais uma vez o Único amôr que realmente me ama sem ter adagas e pedras na mão, e sinto pela primeira vez que mesmo com todos os defeitos e falhas de minha vida, ainda tenho a minha redenção e glória. Sei que no final das contas tenho em minha alma uma grande coisa fervilhando, mas não sei o quê ou como, de qual forma ou proceder; Ponho-me defronte de um turbilhão de coisas que não sei decifrar, e apenas espero o tempo passar para entender tudo.
E toda vez que (se) sentir a dôr, respira, refrão. Acaso não sabe que a Mãe daquele que remiu o mundo olha pelo povo que come as migalhas? De certo, não é a destra do Senhor que se opera em maravilhas e salva o justo da morte? Que vida é essa, que faz os amados se degladiarem e dar a dôr em vez da esperança? Será mesmo que é isso, apenas brigar, até mesmo com quem se ama e crescer cada vez mais solitário, para depois de tudo ajeitado, vir alguém como um ladrão e dizer que sempre quis nosso bem? De fato, se a solidão nos faz bem, não nos cabe mais em sociedade ou como falsos amigos, falsos parentes, ou pequenos transeuntes de vida, que nos dão falsa força, ou falso carinho - a velha cultura do bate-e-assopra.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Dağlar Engel Oldu.

Bep;
Hoje o Céu daqui pareceu-me o Céu de Londres. A Londres de D.J., a minha Londres - ah, os quatro quarteirões, os casacões tão alinhados, o sôm desalinhado tão potente sôb os ouvidos de tocar guitarra de fone pra não irritar os vizinhos, o licor, o vento cortando com a garôa rente, e o vento acarinhando o cabelo - E não me apercebi de imediato que a vida tem dessas coisas, e trás dessas coisas. Bep, ainda tenho um leve resquício de juventude em mim, que brada e briga com as correntes e pedras que me fiz prisioneiro (Deus sabe que nunca por mal, nunca por mim) para ter ainda a vida livre, a vida entre os dentes como as coxas da dama louca que amei com gôsto de paraíso. Bep, viver tem sido um barato melhor que aquele dia que descemos a Augusta quando tava tudo sem luz nos postes (afora as pontas de cigarros, baseados e luzes neon). Sua mão segurou a minha tão forte, e pela primeira vez me lembrei da breve oração; Quão suntuosos foram nossos lábios, ao estar em terreno inimigo, dizer o que os das garrafas não queriam beber, e dos que fumavam não tragavam em seu pulmão, e dos que comiam, não alimentavam. Ai de mim, Bep, se não o fizesse, nem com você, nem com eles, nem comigo. Ai de mim se eu morrer sem nem nunca ter dito que era de lágrima agridoce, foi pela causa, foi pelo reino, foi por tôdos, pela criança que dorme na Rua do Thesouro de madrugada e apanha da polícia, da mãe solteira que pega ônibus até o hospital com o bebê em febre, pela avó que visita o neto encarcerado, pelo pai de família que pela tristeza se entrega ao vício do álcool, pelos meus contemporâneos que só saberão do que digo na hora de morte, e a êles bendigo e bem-aventuro: A morte deles não lhes farão mal, pois a mística divina os intercedeu, mas para mim que sei os esquema das Ave Mariae tudo, estou lascado! Porque a segunda morte pode me fazer mal se eu não fizer bem feito, e na minha hora de solidão, se não for por Deus, não há de ser por ninguém.
Ah, Bep, Cecília está a caminho, e ela tem cheiro de Ventura, cheia de amôr no seu alfanje, vem trazer esperança na minha carne nova, mas de alma tão anciã. Cecília corre como o vento londrino que sai da Picadilly Circus, e cai na Líbero Badaró passando pelas janelas dos paifrades até chegar no meu coração. Sei que vem e vem em bonança, para me lavar de tristeza e lavrar em melhoramento. Quem diria, Bep? Após tanto afastamento, minhas profecias ainda dão certo, apesar de algum delay. Deus é Excelso, e descobri a sorrir (mas ainda não consigo tirar fotos sorrindo, e inda ponho a mão na bôca ao rir e gargalhar, 'quele trauma inda continua). Aprendi a ser beneditino nos pensares, dominicano nas declamações e atrações, e franciscano com tudo aquilo que está ao meu redor. Inaciano não, ainda não. Talvez depois da segunda morte. Ainda existe aquele gôsto de ferro na bôca, Bep. Uma tristeza e aquela agonia juvenil. O medo. As cicatrizes mostram nossas lutas, mas quando o vento bate nas nossas cicatrizes, elas doem, ardem, parece que se refazem de agonia, e nos lembram de alguns acidentes de percurso, mas calma: Estou aqui ainda, não do jeito que nos conhecemos, mas talvez um pouco melhor, um pouco mais experiente e barbudo; Vendo a vida em tudo, e entendendo as pessôas, e não as mostrando em abrupto, mas apenas deixando que os Véus caiam sutilmente e tradicionalmente - o têmpo da cólera já passou, não posso tomar armas com o têmpo e querer que tôdos evoluam como eu, tampouco que tudo ocorra numa medida, as coisas irão se formar e acontecer quando precisarem, cabe a mim meditar, perseverar, orar, jejuar e a Deus entregar. Vês como mudei, Bep? Mesmo sendo o mesmo, de mesma essência, não sou mais o mesmo. 
Não sei quando voltas, ou se vens visitar os teus daqui d'além-mar, mas, quando vier, avisa-me, tenho muito a te dizer e contar. Sinto falta das tuas sardas no rosto, tuas saias e botinhas, e aquele sorriso de quem conta com o ovo no cu da galinha. Sinto falta de gente mortificada, mas viva no espírito, de tal forma que sua alma aparecia mais que suas pernas. A invenção que superou o inventor. O cabelo multicolorido, e o Véu para entrar na igreja. Os piercings, mas decorar a Ladainha de Nossa Senhora, as cervejadas, mas acordar cedo ao domingo para ir no missal da massa. Faz falta, Bep. Lembra-te de mim quando entrar na Matriz, e passando pelo Rossio, toma um vinho por mim (ando trocando amarelas por carmins), e peço-te que reze incessantemente por mim, e pela salvação de minh'alma, que errante erra, relutante reluz, e aceita asceticamente. Te faz em saudades do teu exílio, mas sei que daí estás bem com teu garôto.

Um abraço do;
Queiroz, o Marcus.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Blusa de Linho.

Cecília, todas as cadências e nuances são seus. São eternamente e totalmente teus. Todas as formas, texturas, gostos, tempos, tons e contra-tempos, viradas e arremetes; Ah, Cecília, meu coração está tão afã esperando você. Minha vida inteira seria apenas meia vida se eu não te esperasse ou não te delegasse minha forma de vida - seria loucura de vida se você não estivesse comigo o tempo tôdo do tempo do mundo, e seria maior loucura se eu não soubesse que você seria tutora do meu caminho com o Cavaleiro Guerreiro do Cavalo Imaculado.
E quando os sinos dobram, eles falam de você, e quando as pombas batem as asas em bemol, são arrebóis das tuas pentatônicas, os motores dos carros afinados em Fá, das nuvens que se fazem de escala para sobre os prumos dos Céus, te ver escrever um cântico nôvo. Um cântico de amôr, um fôlego de vida pro teu filho, para esse coração cansado, para meu secularismo tão curto, e tão intenso, tão cheio de histórias que levei até sua casa para te pedir discernimento, e coragem, e proteção.
Vire-se para o Sol, ó minha flôr-de-novembro, quem te mandou se olhar para uma erva rasteira de março assim? Deve ser de ti, providas das lágrimas de nossa senhora, que nos deixam crescer como as trepidantes trepadeiras que nascem fazem, crescem sem pedir licença, somos nós quem nos fazemos assim - nos sabemos. A tua côr solfeja um Lá maior setimado me amenizando de crescer tão rasteiro, mas me fazer entender que te divides da tua fôrça comigo, e daí do teu lençol freático, me lança a água. Água Viva.
Ah, Cecília, me delegaste a função mais franciscana e mais dominicana do panteão, me fez ser de música e para a música, e na hora da rejeição, quando os outros viraram os seus alpendres e altares, você me acolheu na tua casa e no teu holocausto. E hoje sou coluna com deficiente destreza de teu pilar, estou rachado e esmaecido, mas estou aqui, e por você, eu sou. Me trouxe na rés da sociedade, aonde me valho de pouca música que me vale e me basta, aonde conheci os meus e os meus (poucas vezes) me valeram, e aonde pronunciei teu nome, e o nome dos Teus, e Do Teu. Preguei sem pregar, e rezei sem me aperceber, chorei por lágrimas floridas de escalas de Mi Menor, e sorri quando o Fá em nona contrastava com Ré em nona, dando aquela nossa dissonância que ninguém entende, mas que nos faz tão minha, e tão seu.
E assim, vejo o quanto nunca estive só desde que você se dispôs (e não há outra palavra, Mãe, sabemos disso mui bem) a cuidar de mim. Me fiz menino, para esconder debaixo do teu sari, para chorar minhas tristezas e louvar minhas alegrias. Na hora da solidão, foi minha amiga, na hora da tristeza, meu conforto, na hora do medo, minha estrutura, e quando duvidei, você foi quem me trouxe de volta pro lado de cá. E quando a barra pesava (como tantas vezes pesou e ainda pesa, ainda pena), corríamos nós dois para debaixo do sari da Mãe das Candeias, e lá acampávamos até a tristeza e agonia passar, foram tantas percas, e tanta tristeza, tanto gosto de aço na boca, e tanta fuligem no rosto, o ocaso, e desânimo que você livrou de mim - Ah, Cecília, como é boa a vida do teu lado, e como é boa tua tutela sobre minhas carnes. E se te cabe saber, todas as vezes que de madrugada amei a madeira contra as cordas de aço, foi procurando você, foi querendo estar com você. Foi me valendo de você, que me refiz, e aumentei as apostas na crença do Invisível, fazendo dessa vida menos cã quando você está aqui comigo, o tempo passa mais devagar, e as alegrias se tornam mais doces, e o som se deixa uniforme, e você mostra os caminhos das pedras para chegar até o Excelso.
Foi por você, que ainda estou aqui. E é por você que quero ir mais longe, quero levar o teu pendão até onde eu puder, e divulgar a missão, disseminar a palavra sobre todos os solos, e dizer todas as palavras que não te pôdes dizer, e que minha língua pode (e vai) dizer. Quero a alegria de te encontrar e dizer: Bom trabalho, garotão. Quero te encher de te orgulho e te dar um cheiro, e sentir você por aqui. Até o fim.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Beetlebum.

Se você sentir o vento, saiba que nele estará ditando tudo o que venho deixado em silêncio; Tenho tomado ares monásticos-pacômicos para me ausentar da sujeira e da maldade que vivi e ainda por ora sinto e presencio, tenho sorrido muito, falado pouco, pensado demais, e me guardando de menos. Tenho sido por vezes deixado de lado, enganado, afastado e encostado, mas, daqui do lado de lá do lado de cá, vejo aqueles ditos amigos, e vejo seu sucesso, a êles, minha alegria e graça por Deus. Vejo a vida acontecer e se multiplicar, e isso só me alegra. Só me fortalece. Só me aproxima.
Eu quero deixar meus olhos fechados, para que meu coração sinta tudo o que está em mim, e ao meu redor - Deus permita que eu volte a sentir a terra girar sob meus pés. Quero guardar meus punhos para baixo da terra - nada mais tenho a ofertar, guardar ou obter, apenas tenho a dizer coisas a mim mesmo para que fique registrado que um profeta das estepes ainda tem o que dizer, quero voltar a arfar a terra e sentir a energia da natureza sobre "minh'alma". Desejo sentir nos pulmões o ar mais puro e limpo de Guaratinguetá, e quero o carinho do Sol que apara meu despertar com a Cão na cama, assim como quero deixar derramado sob meus amigos a alegria de um pastel de feira num sábado a tarde. Quero a vida para tôdos que queiram a viver. Vida geral, ampla e irrestrita.
Ao sair na rua, que eu não seja conhecido, e que a dita "minh'alma" resplandeça minha pérola, e nessa pérola haja o caminho de volta, o caminho de chegada, ou apenas traga de volta para Êle, o que se perdeu d'Êle, e que esteja em mim quem comunga e quer encontrar Êle - Fôrça vital e pefeita, Único, Poderoso, Excelso e Digno. Rei.
Quero ver o Sol nascer do lado de quem me queira bem, assim como quero que tôdos que procurem um alguém, achem esse alguém, e o tenham por amôr e não por outro sentimento qualquer. Quero sentir a alegria no rosto das pessoas que se transitam tão cinzas, tão indiferentes, e tão soltas na rua. Quero a menina mais solta a correr no jardim e a compartilhar comigo os sonhos mais simples, módicos, e humildes: Sê-lo, a musa e causadora de tudo - A Cecília de uma vida.
Aos que se acham menos, bendigo; Para vocês esta é a terra, e mais tarde ganharão a Terra maior que essa Terra, aonde tôdas as alegrias são eternas e nenhuma tristeza tenta nos abater ou tirar nossa paz. Serão nós, os pisados, o trigo fortalecido, os do degredos, heróis e portadores da Alegria das Alegrias, Amôr dos Amôres e Melodia da mais bela Música. Aos que se pegam em dôres, imploro: Não vos chorem, pois seu choro exprime água e vinho, e deveis apenas chorar pela alegria e felicidade das conquistas, para as tristezas, bate em teu peito e pede a piedade dos dias ruins, e Êle proverá sobre nós a bonança, a nós, a alegria de saber que o dinheiro é endeusado, mas não é Deus. A nós, tôda a alegria desse mundo, livres e longe de tôdo e qualquer tipo de mal. Amén.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Mal Secreto.

Alguns, dizem que meus versos são simples mas carregados de uma verve única, que eu sinto a grama crescer, e nos ventos ouço a música. Alguns, em sua ótima percepção, dizem que me proponho nos meus escritos, a dizer tudo aquilo do que estão cheias as cabeças, os peitos e o que emana de minh'alma; Coisas que nunca poderia dizer para a ávida multidão - tão minhas, individuais, mas, ao mesmo tempo tão de comum senso e que comungam dentro das almas e das cucas de tôdos nós.
Mas, para atingir este nível de "escriba", deitei e dobrei-me muitas vezes, e por tantas outras me joguei no mais profundo dos vales e lancei-me muitas vezes nos ventos, e por meses vi a turvação nos Céus, por anos estive sozinho, e paguei um grã preço por ser eu mesmo. Houveram horas, que a própria hora da solidão se valeu de mim, e eu me vali dela, para não ser mais, e com isso aprendi o segredo: Ser um grão, para ser grã - por isso me valho e sou meu, e me entendo: Sou o Pierrot, o bêbado, o anti-herói, e o mais pequeno dos mais pequenos, o do degredo, e assumido Profeta das Estepes. Me encontro e me aceito na minoridade, e na minha pequenez, prostrado diante do altar, Deus, o Tôdo-Tudo, me deu sua Carneiro para eu cuidar.
...Mãos pequenas, sujas, machucadas, cheias de escara e sujeira, encostando nas macias lãs, macias peles, olhos acastanhados e puros - carne imaculada, sangue não se vê, maldade não se cinge, olhos que não se levantam para se cerrar ou fitar o Céu, olhos que se voltam para o altar, olhos que ousaram me dar a bandeira de ser olhado. Por quê? Tem o nôme da Mãe, da Primeira. Tem a infinidade do mar embutida no nome, nos olhos, nas frases dilatadas em tempos da boca pequena, da timidez, do ousar dizer, e na sua própria pequenez, ser tão grã enquão grão. Pequena minha, quando os Céus se turvam em graça e glória, o vento te entrega tôdos os abraços que eu lhe mandei levar? Será que o Sol mandou aquele afago nas suas madeixas do jeito que eu lhe ensinei para lhe agradar? Será que os prédios do Velho Centro lhe serão gentis e lhe guiarão os caminhos iguais os pedi para lhe guardarem?
Se sim, vem. Encosta-se em mim, como estou a me enconstar em você, estreita em mim o que ponho em nível de prumo em você, e amarremos nosso arado numa estrêla, para que apenas seja pela vontade do Firmamento. Minha boca tem vontade da sua, e vontade de mandar tôdo bem olhar pra própria grandiosidade, e nos deixar sermos o que bem somos, na nossa pequenez. Deixar tudo para depois enquanto somos eternos no agora. Deixa eu estar aonde nunca se esteve, e não me olhe por dentro, assim como não vou (mais) te subestimar, e deixa, pouco a pouco, ir pondo a verdade em fontes claras de Luz. Olha nos meus olhos, e vê o mar e a areia, vê acontecer tudo e ao mesmo tempo, nada. E na eterna mística do universo, lá no 133, o baixista secular irá esperar a desenhista diocesana para se completar - e se inteirar. E manda dizer: Êste é o texto Della. O texto, e o escriba.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Olha Maria.

Segue-me até as paragens, até onde os feixes nos rodeiam até a cintura, e, não tens medo - cousa que me faz ser mais valente ainda ao teu lado. Não há serpente alguma em nosso caminho, amada, pelo simples fato de você estar comigo. Quem nos guarda é Deus. Segue meu rastro entre o centeio pisado, e há de me ver ali onde sempre gostei de estar (e sabes tão bem), e aonde minha mão se abrir, poderá ter da tua para segurá-la. Rende seus braços para segurar meu corpo cansado, e enquão você for meu arrimo, deixae eu desabar ao menos (mais) uma vez, para renascer dentro de mim a esperança, a fôrça, e o amôr; Vós que me auxilias sendo a candeia pros meus caminhos e mãe que me defende do feo, é quem carinha minha cabeça e me olha. Mostra-me o vento batendo nas folhas e nos juncos como sempre me mostrastes, para me desaguar um riso, o grato riso que tanto penei pra obter. Meu riso, é obra tua, Mulher.
Toma a minha mão, como tantas outras vezes, e leva-me aonde nunca fui, apresenta-me das pessôas e dize-me quem são, e quais me cabem, e quais são minhas gentes, dá-me a Cecília como consorte e consolo, que afaga meu peito sussurra coisas tão lindas e tão nossas em meu ouvido, dize-me, Mulher, se é da alegria minha ser teu, ou é mais do que a vida além da vida saber que estás comigo até o fim do fim. Olhando para mim, saiba que não olho nos teus olhos por não ser digno, mas, cinjo minha fronte a respeito a Ti, Tua história, Teu amôr eterno e carinho para comigo; Minha Mulher, lâmpada de meus pés e sorriso de sábado que brota em meu rosto, eu lhe amo, eu vos amo.
Guarda-me na barra do teu sari, e defende-me da injustiça, mostra-me onde devo estar, e lá estarei sendo por mim e você, e se preciso, dou da minha vida por seu nome, pelo seu legado. Eu vos ofereço minha vida pelo seu legado e panteão, Mulher. Minha boca tem sede do seu nome, e o cheiro do seu cabelo domina minhas ventas, e suas mãos são mais quentes que a lã. Seu nome é mais gostoso do que tôdo tipo de vinho, ou cerveja que possa se existir nesta terra, e sua beleza é algo que tanjo a palavra, pois dizer por si só é loucura demasiada, e sua voz, é a afirmação da unicidade, de que tudo estará aqui, e vai dar mais certo ainda.
Diz-me, mais uma vez, apertando-me no teu abraço, preso em um laço, que tudo vai ficar bem, e todas as coisas irão se acertar, e que essa alegria que há tanto experimento em doses homeopáticas, irá se findar e me inundar; Você bem sabe dos meus pés cansados e das minhas costas pesadas e dores sôfregas, feridas lancinantes em que ninguém põe a mão, e que ninguém sente além de mim. Diz-me quando tudo isso acaba e tudo isso vem.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

A Hora Do Trem Passar.

E quando nossos olhos são nossos maiores inimigos?
Quando nossas vontades, tão únicas e amplas - pedaços de sonhos mastigados e cuspidos pela realidade, que ainda recolhemos e atrelamos a nossa forma de vida - atingem um patamar de acensão, devemos erguer nossos arietes e batalhar pelo nosso querer. Qual de nós, não adoraria ver uma concretização, e ter na boca um gosto de satisfação, de que se venceu em absoluto (ou em momento) contra esta terra cã?
Devemos, sonhar de acordo com nosso braço, cansaço, fôrça, fé e vontade de alma. É totalmente vão ou inacessível sonharmos em um carro se não soubermos dirigir, ou totalmente estúpido viver uma vida de santidade se não buscarmos a santidade, ou tampouco sonhar numa felicidade, se não a buscarmos. Deus é que nos impulsiona, nos põe além, e nos força a entender a vida de um modo simplório e viver em ecclesia. Enquanto a fraternidade sem interesse, jôgo-de-poder ou maldade não existir, ainda sim existirão críticas direcionadas ao Divino por não atender este ou aquele pedido. As pessôas não sabem se contentar com o que tem, ou entender a necessidade do tempo e dos tempos de cada situação.  E assim nos separamos, eu e você.
E este parágrafo é dedicado a Velha Senhora, Rainha que não tem trono, reza nove terços por dia, criou seus sete filhos lavando e bateando roupa na beira do São Francisco, e não se abriu para qualquer homem para buscar interesse, venceu, e até hoje carrega a aliança do Chico no dedo, e até hoje diz pra rezar o Ofício da Imaculada, que vem lá de Deocleciano, e hoje vê os netos virando chefes de família, e os bisnetos correndo ao seu redor; Minha dôce avó, minha eterna reverência a você e meu amôr, que por muitas vezes a senhora foi minha candeia na terra, a benção. Se Cecília é minha advogada, a senhora com tôda a certeza seria minha prima testemunha, que o Místico Guerreiro da Capadócia esteja com a senhora, Dôce Bruta Antônia. Marrom Glacé pra gente que é pra alegria ser a de sempre na casa da Rua J, na Waldemar, em tudo, em tudo, em tudo.
Observa a raíz, para a fruta não cair longe, mas, gerar boas sementes para novas raízes fortes, mais estruturadas que as nossas. Olhemos para nossos avós, pais, e vejamos os valores, conceitos, e formas que os trouxeram, e consequentemente nos trouxeram até aqui, pela lei, pela religião, pela ordem, contestação, humildade, rebelião, ou até mesmo silêncio. De tôda qualidade de nossa nascente desmembra uma virtude para nós, e deste desmembramento dá-se um nôvo desmembramento para nossa semente. A fé de minha avó deu a perseverança de minha mãe e me deu a fôrça, que se desdobrará em algo para meus filhos.
E tudo isso, nos ensina de modo claro, calmo e ameno a vermos nossos sonhos, sua necessidade de existir, e o quão isso nos impulsionaria ou nos afetaria, havendo-se este pensar, logo entenderíamos mais dos planos de Deus, da vida em ecclesia e da união, enquanto irmãos; E nos impulsionaria a sermos pessôas melhores.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Be Yourself.

Não há santidade eterna, mas, existem caminhos que nos limpam da sujeira que a vida nos joga. Somos espezinhados, humilhados, e jogados no acostamento, justamente para crescermos forte como o junco, e brotarmos de forma ímpar. Somos brotos de uma raíz forte, que precisa ter firmamento e sustância para nosso crescimento e desenvolvimento. E apesar de tôdo o pecado que nos afasta da santidade que tanto buscamos, ainda sim somos reis, e ainda sim somos profetas. Guardemos a língua contra a maldade feia, e sejamos mansos e humildes de coração - tenhamos, de forma ampla, aberta e irrestrita, o Santo Cordeiro posto no madeiro - para nossa melhora enquanto pessôas e enquanto almas de um reino invisível, em que um Rei é Real e visível, e ao nosso alcance está, e ao nosso alcance fica; Um Rei que habita e coexiste dentro de nós, ao nosso redor, em tôdas as coisas possíveis e imagináveis.
Tenha a fôrça nos seus ombros, ânimo, e segue; Nas voltas que a vida dá, a gente (o pôvo que padece e perece) irá ser feliz por demais da conta. A benção, Dona Antônia!
Doce menina, meu coração pula ao ver você feliz, e minhas mãos se erguem em forma de oração quando meu amigo consegue o que mais quer, e ao entrar e sair do trabalho, por mais bom ou não que o dia tenha sido, levanto as mãos pelo Bôm Deus que me deu mais do que eu precisava: Me deu o que eu queria. A gratidão é uma das chaves de acesso para aprender a têr a humildade em si, e para compreender o universo, para têr e não caber em si de tanta alegria que bate no peito - por ora, me sinto como São Thomás de Aquino, com um Sol me rasgando o peito, de tão abençoado, e como São Jorge, eternamente combatendo o dragão feo da maldade; Há dias que passam como manhãs e há dias em que as noites penam em dar as vésperas. Doce menina, comemora a vida de teu filho no colo, e olha pro universo, assim como se comemora a cerveja na mesa, o teto sobre a cabeça no dia da tempestade, do barco que pôde ser virado, do ouvir que gera o sôm indefectível das músicas, da Cecília bem mais que amada... O tino ainda me arrebata, e ainda sim sou aquela criança que me sinto afã quando aprendo algo sozinho, me sinto sozinho mesmo estando bem acompanhado.
Enquão profeta das estepes, deixo como legado estas séries de textos que tanto dizem e tanto ressonam vazios num obscuro canto do universo, deixo a vontade de mudar o mundo com a linha que abrange apenas uma pouca parte de meus amigos, e aquela vontade de abraçar tôdos que seguram a raiva do chefe, que seguram a barra de cuidar sozinho de casa, dos que engolem o orgulho, dos diferentes, dos massacrados, humilhados, rejeitados, passados para trás: A cada um de vocês, meu beijo e meu cingir: O Reino é tôdo de vocês, e queira Deus que se eu fôr para lá, seja eu um servo ativo no evangelho, e na atuação de vocês.
Quero ser o alferes do Alferes do Alferes da causa celeste, propagando por onde eu fôr, estiver e passar, aquilo que tanto inquieta a minha língua, palpita meu coração, domina minha mente e me faz suspirar de amôr. Por Cristo, com Cristo e Em Cristo. Se estiver difícil teu fardo, se a dôr querer dominar, vem comigo - toma uma cadeira, senta, eu estou aqui irmã(o), como sempre estive e estarei; Mas toma a régula: Sou amigo, não amôr, e tenho carinho, não outra intenção, e te ouvirei, serei compreensivo, e se fôr de vontade geral, juntos acharemos uma saída. A falta da união, compreensão e fraternidade tem nos feito máquinas carnais insensíveis, e por isso falhamos enquanto eiamos neste vale de lágrimas, nos degladiando por causa alguma - apenas pelo prazer do dinário e pela vaidade e culto as carnes; Lhe peço: Olhe além, irrompa, cresça. Floresça! E enquanto unidos estivermos, ninguém nos vence em vibração (Salve Bahea), e unidos somos um tôdo, seremos o príncipio do bom reino na terra, e assim, será dado a comunhão: Na terra como nos Céus, no sertão como no Mar. E tôdo o resto, será apenas lembrança, e tôdo o resto será só o vento lá fora, e o que nos cabe, é a nossa fôrça em sobreviver aos dias, que se baseia na alegria do Senhor, Nosso Deus.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Tender.

Ih, caraio, parece que vai chover hoje.
Tomara que sim, tomara que não.
Se chover hoje, vou me rumar pra casa, ouvir uns sons com o cão e curtir a noite que vai se acabar com as respostas das pessôas pro outro dia de manhã - tenho andado muito cansado, tenho sentido e vivido a flôr da pele, na pele. Se não chover, vou cair na rua e ver os amigos, tomar aquela geladíssima, e louvar os meus dias que me restam embaixo dos firmamentos: Em qualquer caminho vou ser feliz, em qualquer lugar estarei feliz. Ah, e antes que eu me esqueça: Tenho andado muito por aí, ouvido muita coisa, sentido, aprendido e deixando algumas coisas simplesmente serem, não por maldade, não por ocaso, mas, pelo simples fato de ser afã a situação/pessôa que está comigo, tenho conhecido muitos caminhos, e por vezes foi luz que trouxe pessôas para o Clareio, e por outras me deixei ser conduzido por Luzes maiores que a minha, que me ensinam em lidas diárias. Ando constantemente sentindo tôdos os sentidos do mundo, provando do seu amôr e ingratidão, sua necessidade e desprezo, e da forma de vida das pessôas para com as outras.
Levo na bolsa umas idéias meio loucas, e água para os dias difíceis, no bolso direito da calça esmaecida, um masbaha que faz eu rezar ainda que pouco, e no coração, uma amargura que finalmente anda sumindo, e na cabeça, pensamentos que andam se silenciando pro mundo, mas, cada vez mais evidentes e grandes para mim, e eis que me deparo: Sou meu maior desafio, quando me pego pensando na escrita do muro, no Damião, nas Chagas, na Zécão, na môça de franja, avenca no braço e cheiro de jasmin, nos discos, na minha família, na incrível e lancinante dôr que tenho no ombro, e tôdo o resto que me consome. Country roads, take me where this is where i belong. Somewhere i belong.
Quando olho pra trás, só consigo me assustar por têr sobrevivido, e agradecer por estar vivo, inteiro, íntegro e bem. As vezes me bate uma saudade de pessôas, lugares, cheiros, gôstos e sons; E em tudo isso ficou uma marca de aprendizado, uma forma correta ou incoerente de como se manter, ou de como dobrar o som do violão, de como escrever exímiamente, dos tempos de exílio para pôr a cabeça no lugar, das cervejas com os amigos, da descoberta e re-descoberta que sempre me envolve na Teocêntrica diária, e apesar de não ter mudado nem um pouco desde lá até aqui, eu mudei tanto...
Roubo da tarde, o Céu para enfeitar as côres da sua pele, e roubo do vento, um carinho que mando entregar para aninhar nos seus ombros, busto e ventre, e te mandar um telêgrama de vêm-me-ver; Tomo emprestado das árvores, planas superfícies no alto para te proteger do Sol, e nos sorrisos das crianças que você ver na rua, estarei lá eu também, sorrindo pra você.
E de mim, cabe apenas acreditar e bendizer das coisas que acontecem em meu peito, e que tanto exortar neste velho blog. Só cabe agora, acontecer.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Action Woman.

Há (vera) sorte;
Em saber que num fim-de-semana fui rei.
Ao lembrar do pedido na terça/a música de quarta/a cerveja de quinta/solidão de sexta
(você já dava seus sinais de vinda, eu que não me apercebi de imediato)
E a convite da amada, ao encontro dos diásporas, iguais a mim
Lá estava você:
So woman and so childesh.
pretty and fine
God protect me for take u for a beer
Ao apresentar-nos, cingi meu rosto, pois já havia lhe visto desde que me adentrei naquele local - e era linda
É linda, eia!
E ao ver o amigo e o felicitar, a banda começou a inebriar o sôm
(e nesta altura eu já me inebriava de você)
Foi quando vendo as byrdies a dançar
E The Litter inundar o salão, lá de longe te olhei - e tu, olhando de volta, sorriu.
Maybe? Cheguei perto
No mesmo murete, tentando puxar qualquer merda de assunto apenas pra ouvir tua voz once again
(Deus, como sou trouxa pra essas cousas...)
Já sei: "É um Doc?"
E você sorriu(!), e respondeu, e cerveja de amêndoas (tinha gosto de toddy)
O cabelo longo, franja reta, meia de criança
So woman and so childesh
Você riu
Você se aproximou
Você me beijou
Você me extasiou
Você me desarmou
Você sorriu
Você
Eita.
E mais uma cerveja, mais um beijo, mais um sorriso, essa banda é bôa, e você, encostada em mim, seu perfume, avenca no braço, Baden Powell, raízes, dignidade e continuidade. Bill Murray. Preciso ir embora. Te add no instagrão, a casa (já) é sua.
E, após tudo isso, fica o questionamento:
Quando lhe verei de novo?
Será?

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Caderno de Viagem.

Jorge, me protege aonde quer que eu esteja. Me proteja com suas armas, e tranca meu coração com seu alarbado. Peço para Francisco que me abençoe e me mantenha no caminho mais belo - que vem a ser o mais torturoso, o mais doído, mas que me liberta de tudo aquilo que hoje me causa lágrimas, solidão e raiva - de muito gorda a porca já não anda. Agradeço a Cristóvão pela guia, e companhia nas longas estradas, por ter me levado e descido até a mina d'água, e peço que me abençoe com o meu olhar infantil de criança nas ruas do mundo. Clara se mantenha sendo meu barravento, me deixando na luz do maior, e que Cecília sempre me traga incentivos, carinhos e amôr aos ouvidos e alma - seja, Cecília, maior que tôda essa desilusão terrena e passageira no meu peito. Com Maria sempre me deixando esconder na barra do seu sari, e com Jesus me ensinando o porquê de tudo isso.
E quando eu desci na mina d'água eu
Faz algum tempo que entendi o que significam palavras, atos, e tôdas essas coisas. Percebi que as pessôas raramente mudam, e poucas vezes para melhor - cousa já prevista quando olhamos para o panorama geral da nossa sociedade; Mas, quando me sou, faço ou espalho a bondade que carrego fora dos muros daquela igreja de pó-de-ostra, as pessôas se assustam, armam, e pensam inúmeras coisas - menos o que realmente está acontecendo (ser bôm, gentil, cortês), e não acreditam mais na bonança do dia, e isto muito me magoa, muito me dói, e faz algumas vezes pensar em desistir em tudo de tudo e com tudo. Crer nas pessôas é pôr um copo de veneno na mesa junto de outros dois, os misturar, e esperar a reação. A culpa não é de quem é bôm, mas de quem extirpa e mata a confiança do outro - fácil assim. Por mais que devemos como sociedade e irmãos sermos mais unidos e solidários, não vemos isso atualmente. E talvez nunca veramos como antes...
Deitando minha cabeça no travesseiro, a cabeça pesa mais e a lágrima escorre, fazendo a alma aboiar e o coração apertar. O que sobrou foi a fé, uma esperança num amanhã melhor e maior que tudo isso, em uma recompensa que é paga com a própria carne, que nem tôdas as cervejas pagariam ou tôdas as consortes dariam. É o vento do Seo Fábio que acarinha minha cuca, é a minha mística, é as mãos unidas na boca pra agradecer, rezar, e amar, louvar. É o Luizão segurando o Pietro no colo e Deus sendo Deus. E eu sendo cada vez mais livre, solto, leve, vazio, pleno, até o dia de nunca mais ser mais nada, a não ser uma bêsta lembrança no pensar de alguém.
Deus permita, que logo menos eu deixe de ser tudo isso, e que neste louco e solitário caminho que eu escolhi, a fôrça de Sua mão me traga a vera alegria, e que essa dôr cesse logo, e quando tudo isso se acabar, que apenas sobre a verdade, e tudo aquilo que foi irrisório, mentiroso, superficial, maldoso ou desnecessário caia e fique apenas meu malpesado peso sobre a terra cã.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

From The Beginning.

Quando o vento dobrar a curvilínea do ar, estarei te deixando. E deixarei você de forma suave, porém abrupta - como êste mesmo vento que apeia a fôlha de uma árvore até o chão, e depois não se faz presente. Ali, mantenho o que há de mim: E mesmo se tirarem de mim tudo o que tenho (sou), a melhor parte de minhas carnes, minhas vestes, e pensamentos de pessôa seriam seus. Totalmente seus.
Há lágrimas, e turvar de vistas, há dôres de peito, de alma e questionamentos: Palavras suspensas com pontos de interrogação se propagação no ar - você viu o que êle fez?
Vinde e vêde, Verônica, os discos espalhados pelo chão, e a alma partida após recebido o sinal da Cecília. Vinde e vêde, que o chão quebrado se fragmenta mais ainda sobre os pés que ousaram pisar - vinde e vêde, que nesta derradeira não me houve quem me consolasse, me botasse em linha ou me carregasse igual ao Irmão de Maria. Ai de mim  Verônica, que você nunca pôde ter me livrado do suor que escorreu de meus olhos, de minha boca, de minha alma. Você não pôde me secar, porque talvez nem você exista, assim como o sonho que acabo por sepultar: Sonhos não envelhecem porque êles não existem, porque sonhos são para Gigot's da era moderna, são para pessôas que não se eiam.
Cecília, desce-me até seu colo, e permita-me chorar mais uma vez. Mais dez vezes, mais mil vezes - desce-me até suas mãos, macias, plumíferas e intactas, e ali me deixa ser o que sempre fui, o que estava escrito no muro, e no ranger de dentes, entre a raiva, mêdo, mágoa e tristeza, esteja você ali; Como sempre esteve, está e estará, e após me dar do teu antídoto, apenas me veja, Cecília. Me note. Me sinta, e aparta de mim tudo isso que me doe ou me faz ser tão igual a êles, me faz tão diferente de tudo.
E no meio de tudo isso, que a vida rearranje os pontos soltos no ar, e que nenhum me ligue, ou me dê interligação, que eu não seja começo, meio ou fim de história alguma, porque minha alma não mais anseia por isso. Deita-me na campa fria, e toca a melodia em Dó Sustenido Menor, e ali não havendo mais nada pertencendo dêsse mundo, cinge meu olhos, Cecília, e brotando a vera alegria de meu rôsto, a última alegria você me dará, pois virão de tuas harmonias, melodias, sonhos e dizeres ritmizados, a verdadeira côroa do cristão. Você, depois de me cingir, e descer minha carne, toma de minha essência e a põe na tão supracitada folclórica mina-d'água, para que a profecia pessôal das estepes se cumpra, e finalmente eu seja água para nunca mais eu ser mais. E quando eu fôr, não mais estarei, mas em Cecília me guardarei, armarei, amarei e viverei, serei apenas a Sećanja de tempos idos: Olhos verdes de um audiófilo, um pierrot da era moderno, um trouxa. Um humano. Pugilista de côrpo a côrpo com a vida, que esperou e nunca teve, obteve ou conseguiu. A causa vazia. A casa vazia. Não vai aparecer ninguém no portão.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Você de Azul.

As pessôas, ao longo dos dias idos, se alongaram de mim, e eu me deixei ser água, apenas as lavei, e esvaneci quaisquer sentimentos delas - as deixei irem embora, e de mim, sobrou apenas pequenas gotículas que fôram secadas em uma toalha de mão ou pano de prato, eu fui passagem necessária para algo melhor, ou pior, não fui mensagem, mas sim mensageiro. Aonde quer que eu vá, sei que estarei só; E mesmo que cada fécula da reia da praia se transforme em gente e que tôdas essas gêntes unidas me amassem e me quisessem para si, e ter comigo no mais completo ode a uma amizade, ainda sim estaria vazio e só. E mesmo que a mais amada das mais belas das mais desejadas da mais Cecília voltasse para minha mente e meu destino, só estaria: A minha solidão é de têmpos, e que apenas Deus cuida, Deus protege, Deus tira. A minha solidão é saber que sou um dos poucos, talvez o único num raio de 20 quilômetros que pensa de forma híbrida e consistente, como uma argila semi-moldada, que sempre pode ser adjustada ou retocada.
Minha solidão se dói sozinha, e se manifesta em mim porque minha Luz é forte, e quando eu eiei a candeia para olhar os pés da Concórdia, os lavar e os beijar, êles me taxaram de louco; Porque quando me humilhei na eucaristia, êles me entregaram olhares malecidentes; Porque quando eu comecei a anunciar minha fé e tomar meus nortes, louco fui e esquecido dos amigos me tornei; Porque o quanto mais fui fiel a minha essência, mais as idéias erradas e que há muito e há tanto eu exortei de minha mente, êles tentam pôr novamente. Deus viu tudo, os meus erros e acertos, e pra quem acreditou em mim, muito obrigado - a quem duvidou, peço perdão por nunca ter sido digno de confiança e elo.
Quando enfrentei meu último dragão, percebi que me tornei um daqueles eremitas loucos, que já sabiam da sua verdade, e não tinham mais nada a fazer, a não ser espalhar a boa-nova pelos muros, casas e campas; Dando ao mundo aquilo que se foi ganhado em recompensa - poucos ouvem, e dos poucos que ouvem, quase nenhum nota ou percebe, e com isso me torno um feo personagem Quixotesco, procurando um ideal antigo, vazio, mas que muito enche em meu peito, me fulgura e trás brilho nos olhos acinzentados agora, mel a tarde, verde de manhã, avelã durante a turvação. Eu sou o que preciso ser, e agora, sou a solidão: O menino que ganhou o não da amada e fica no salão vazio, chutando confettes e serpentinas, enquanto tôdos saem e a banda guarda seus metais. Sim, sou eu; Quem se sente só, porém sabe que a solidão não é ruim. Agora, eu sou água, e saber que caminho entre a ávida multidão se existir, me faz feliz, me faz ótimo, me faz môrto, me faz cada vez mais estar perto d'Ele - quem me amou primeiro; E sei que uma hora, em algum lugar do mundo, alguém veramente estará lá, e quando esse alguém me notar, e eu o ver entre as condensadas marés-de-gente, saudar irei, e juntos nos teremos, enquão isso, estaremos aqui na ilha, tentando acordar os mortos que passam e passeam nas minhas vistas, e são bem mais solitários que eu.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Mestre Jonas.

Há, em algum lugar, uma alma que se arma e respira para continuar a descer entre as águas fundas, e se perder num vasto oceano, longe de tôdo areal e cais, apenas pelo simples fato de ser, de ter, de estar. Em algum lugar, há uma alma que não se casa com as outras, e foge desesperadamente de seu local apenas para ser livre, para ter a liberdade entre os dentes, e para ser feliz a sua maneira.
Eu não preciso de um lutador que lute por mim após que meus dentes já estejam quebrados, assim como não preciso que cozinhem para mim após que eu já tenha aprendido cada tempero e sua utilização, assim como não preciso de quem me ame após que já bebi cálices de solidão, a nela aprendi a ser. Não preciso de um carroussel de sensações, pois até mesmo na mais inebriante volta, no mais alto pico de sentimentalismo, ele para de rodar, e eu fico. Não necessito da falsa bondade e dos amigos sazonais, assim como não preciso dos críticos que com suas filhas e esposas atacam a veemência de ser, e não deixam cada pessôa viver sua vida, seu caminho, por conta de alguma regra vigente. Regra vigente? Doutores, mestres, senhores, juízes, vocês tôdos são burros, vocês tôdos carregam a parcialidade em vossos bolsos, e na hora da humildade, vocês não passam pela porta estreita que minha gente passa, não comem do feijão caroçado que minha gente come, e não tem a alegria de uma cerveja de fim-de-feira que a minha (amada, dulcíssima) gente tem, vocês com seus carros de ano, com suas coberturas no centro, filhas mimadas que são prostitutas-de-babilônia, a vós, Senhores de um Sinédrio vazio, lhes dou meu perdão e minha benção. Nós, os pobres, os do degredo, nós temos a pobreza material, mas temos a riqueza espiritual: Tivemos pais que nos botaram no caminho da fé, que não nos criaram pros seus vícios de carne, nós tivemos amigos que nos abraçaram na tristeza, e nos louvaram na alegria de um gol, de um copo de cerveja, ou de um filho que nasceu, nós temos amigos que intercedem por nós na hora da solidão, da dificuldade, da tristeza, e não fazemos concessões ou botamos na balança, esperando um favôr-de-troco, não, nós não. Somos reis, somos profetas. Nós, os degredados, anunciamos o evangelho do Nazareno, de um Deus Triúno que de forma ímpar morreu por cada um de nós - incluindo vocês, mas, que vocês nem se dão a notar, nem a praticar, nem a pensar. Ir na Igreja - independente de qual - não lhe faz mais perto de Deus, e sim da comunidade. Dar uma parte do seu dinário, não te faz perto de Deus, mas contribui com a obra d'Ele, dobrar seu joelho, abrir sua alma e sangrar, isso sim se faz efetivo, isso sim faz o Divino estar com, em e entre você. Isso te ensina o porquê da porta estreita.
Houveram dias que eu achei que nem ia sobreviver. Em outros, eu apenas morri. E estou aqui, natimorto, escrevendo essas verdades que pouquíssimos irão ler, e desses poucos, alguns compreenderão, e desses mais poucos, uns dois, muitos três, se identificarão. Os poucos reis, os poucos profetas, os poucos escribas, eis aqui nós tôdos, escancarando nas vossas faces uma verdade, que mesmo se tangessemos vossos olhos, vocês ainda sim não entenderiam, nem sentiriam. por vocês eu escrevo e medito. Por vocês eu me entristeço.
Quando eu estiver longe, não me desperte, deixe-me longe ficar, você não sabe o que se passa com minha mente, nem em meu coração, deixe que no meu transe eu mesmo saio, assim como da tristeza estou eu mesmo saindo, assim também como da alegria estou provando sozinho - e por mais que queira dividir esta alegria, ninguém ouve, ninguém sente, ninguém lê, e quando notam os raros sorrisos que minha boca esboça, perguntam-se em porquê: O que me leva a rir e balançar as mãos unidas pro Céu? Senhores Doutores do Sinédrio, podres pela riqueza do dinário, carrego em mim Algo que sempre tive, mas, agora se manifesta mais forte que em qualquer lugar que eu vá e esteja, Algo que põe comida na minha boca, e me dá o de beber quando padeço, e tem sido mais forte que meus próprios pensamentos, e quando caio em dúvidas, tem sido meu Único acalanto, maior que a própria música de Cecília. Carrego dentro de mim que não mostro para tôdos, mas, a quem quiser ver, partilho, e a quem sente, me incluo, e a quem vive, me compreende. Vivo uma intensidade, e uma cadência de uma supernova, que como no fim, agora me resta apenas a queda, apenas o chão. 

sábado, 8 de abril de 2017

Bangladesh.

Precisamos - como uma unidade - fazer algo sobre Bangladesh. Não só como lá, mas como em Nicarágua, como em Bophal, no Níger e no Nepal, ou as daqui. Precisamos urgentemente - e se achar longe, comece com as daqui, então, já é um ótimo e promissor começo.
Em Cristo, Buda, ou Krishna, independente do ser, a lição é idêntica: Amar o outro como se ama, se despir das maldades desse mundo, e ser claro como a água sagrada que jorra da pia. Ah, ela não é? Numas partes do Camboja, ainda não existe essa regalia.
Quando olhamos a nossa volta, e vemos tudo o que temos, conseguimos, e usufruimos, fica difícil de imaginar que existam pessoas realmente na pior maré. Nossos irmãos, e eu quando me posso, ajudo os meus, posso, por muitas vezes não os ter ajudado do jeito certo (se há um jeito correto para isso), mas o que pude fazer, eu fiz, e nunca - Obrigado, Deus Triúno - precisei tacar na cara ou trazer a clara-luz, assim como quando me ajudaram, também me salvaram, de alguma forma, de alguma coisa. E em tempos da fome, quando tive dinheiro, dei. Emprestei. Na dôr, chorei o chôro e prometi do bôm ânimo. Para a mais linda, dei a Cecília, e pro mais amado, minha devoção cega. Na solidão, fui quem chamava, e batia no portão da casa, e na dúvida, não me fiz certeza, mas ajudei a cabeça agitada a se encontrar. E nada por mim, nunca por mim. Tijolo por tijolo, pedra por pedra. Deus acima de tudo.
A quem gosto, oferto meu melhor, a quem amo, componho meu melhor, a quem dou melhor melhor, de música não faço, pois a música - apesar de pura - é suja antes os pés D'Ele. Ai, Mãe Cecília, olha a gente aqui outra vez, na barra do sari, aguentando firme o tranco e as viradas do destino, a dor de dente e a incerteza do caminho certo. A dor do desatino que tina com o ter pra ver pra crer - eu ainda acredito e levanto o pendão de tudo que creio, e de tudo, nada mais restou, a não ser o que guardei com mais amôr, mais afinco e mais nostalgjia no meu ser. O sorriso da gratidão, é o penhor da minha salvação, e motivo de querer ser cada vez mais quem está lá na hora do bicho pegar, e não no fim-da-feira.
Devemos ajudar o povo de Bangladesh, as pessôas no nosso país, e a nós mesmos, porém, gradativamente - tendo calma para nos equilibarmos com nosso jarrobatão para poder trespassar lanceiros e dividir o peso do outro. Precisamos de mais ombros, precisamos de amôr, compreensão, e atualmente quem mais prega isso é quem menos tem, menos deseja, "menos é" - e meu coração geme e chora profundamente com isso. Vivemos uma era de falso desinteresse, de fingir não se importar e de niilismo, de um foda-se precipitado que sai da boca de pessôas que mais repelem que atrai. Solidão é um câncer. E fere. E deixa sequela. E pode voltar. E mata. Deixa as cartas chegarem, solta o cabelo, ou prende de trança, toma um café, um chá, um suco, se põe na janela e olha o Sol se pôr: O milagre diário do firmamento que Deus te deu e você até agora - muito provávelmente - não agradeceu. A questão, não é ter gente bôba ou submissa, a questão é ter o tal "mais amôr por favor" que vocês tanto se pregam, mas acabam pregando suas carnes no ocaso. E eu lhes amaldiçoo por isso. Ninguém é maior que ninguém. Se você ao menos entendeu metade do que disse, eu me alegro; Caso não, eu peço: Ajude a criançada de Bangladesh.

terça-feira, 28 de março de 2017

XXVII (Completo)

N. do E.: Texto em versão completa, maçante e sem cortes. Quem pôde ter acompanhado a versão fragmentada aqui vai achar trechos a mais, poupados durante a divisão do ensaio. 

Calado, ao meu peito permaneço em meditação; Saio dos extramuros de portas pesadas e férreas para novamente me meter nas construções de homens, com assuntos de homens e pensamentos vilipendiosos. Eu sou um homem, faço parte dessa máquina mercantil, meu sentir pede socorro, pois a cada dia, a cada segundo, a cada hora, hordas de anjos, senhores-de-lei, músicas, escritos, amigos, pessôas-das-geraes me lembram e me fazem afirmar que não sou daqui. E quando tento diariamente me tanger os olhos com o ferro quente da realidade, Deus novamente me brinda com um Céu, uma garôa, um frio, uma cerveja, uma bôa conversa, ou apenas uma fôrça que nunca foi nem nunca será minha, como teimosia de criança, para seguir em frente, que minha recompensa está a vir. Minha recompensa, leitor, é a morte. Nada mais, nem além disso. Na morte encontro a paz, na morte encontro Seo Fábio, na morte encontro Jesus Cristo, Nosso Senhor. Na morte encontro tôdas as respostas que sei que aqui de forma alguma terei, por isso cada vez mais quando me enrolam em espirais de ilusão, bobeira de fim-de-feira, me deixo atrair, pra me ver se naufrago logo; E assim encontrar minha paz, e em contra-partida dar a paz a quem está ao meu lado. Esse côrpo é meu empréstimo para pagar outra dívida, assim como essa vida é para saudar e mostrar que até aqui no degredo, tem gente boa, feliz, altiva e inteira (que, obviamente, não sou eu). Não pense, leitor(a) que com isso tenho tendências suicídas, ou depressão, muito pelo contrário. Filho de enforcado não repete erro, e além disso, me fiz, me vi, e estive sozinho por tantas vezes, que me acostumei com a solidão, e quantas vezes mais lutei por ter gente ao meu lado, para ver se a vida não valia com alguém do lado (amigos, namoradas, esposa, consorte...), mais descobri que as pessôas andam mais solitárias, egoístas, e vivendo umas espécie de queda-de-braço: Não te assumem o que sentem, mas, se o faz primeiro, vira réu delas, e mais além; Te corre risco de sangrar, e quem sangra primeiro não é errado, mas é quem é mais cristão, amou o outro como a si, tomou o outro pra si, como se entregou ao outro: As verdadeiras mãos que são sujas de sangue estão ocultas - tem do mêdo, da má alheia, e não sabem como agir quando encontram um carneiro em seu holocausto, apenas se tremem e se refugiam em seu infinito particular. O sangue inocente nas mãos, no fim das contas, são também de mãos mais inocentes ainda, por não se deixar ir adiante, ou se deixar viver, ter; Dizem-se tanto, e pouco se são, e muito se enchem do vazio, e na hora da vera, é tudo tão tardio, é tão triste, e as pessôas que se eiam, no final das contas são as que mais vazias estão. Elas dizem se comungar com o amôr, mas, o amôr do qual eu comungo não tem fim, prazo de validade, ou como-se-porta. Ele é o Amôr, tão só, somente, é. A vida é mais simples - algumas pessôas que a complicam. Se agregaram em mim o amôr sem fim de uma vida renunciada, a contra-fôrça, e a fé de Dona Antônia; Elas me fizeram dar o passo descompassado e viver o que vivo, sentir o que sinto, temer o que temo, e almejar o que não consigo nem imaginar possuir; Faço do vento, veículo aonde jogo estas palavras, pensamentos e sentimentos, e que cheguem aos ouvidos, olhos, bocas e corpo, pois meus não são meus, agora - mais do que antes - se pertencem a geral: Concórdia, Cecília, Bep, são da geral, são amarras que me desatei, e aquela camisa do Corinthians nem uso mais, e até mesmo o velho anel do Santo Guerreiro, penso em deixar em desuso para cada vez mais aderir essa vida. Minha vida. Sua vida. A vida, em si. Quando se vive para Alguém Maior, se esquece de si, das horas, dos dias, se esquece até mesmo de tudo que um dia possa ter ocasionado dôr. E por mais que algumas ainda façam o músculo repuxar, tudo isso passa, tudo isso acaba, tudo isso é deixado de lado, para dar lugar ao que realmente importou, importa e há de importar cada vez mais na vida daqui por diante. Me importa apenas fazer o bem, e sentir que de alguma forma o bem me invade, dando o elo da minha vida, da minha geração, de honrar e fazer parte do meu passado, de meu presente, e do meu futuro, naqueles que carregarão meu sangue, o Santo Guerreiro se apeia em seu cavalo, assim como o Pai da Rainha apeiava em seu cavalo, e ia para a beira do São Francisco para negociar peças de madeira, ferragens e talhados, o cavalo corre, mas a rédea o mantém sob o domínio dele, e com um grito: 
Eia! EIA! Deocleciano, minha fé se reside em ti. Tão só em somente em cada um dos meus - idos, estados, futuros. Deocleciano é Patriarcha de tôda essa gente humilde, feliz, o Pai da Rainha Original. O pioneiro do degredo que dobrava ferro e pregava madeira, apeiava no cavalo e descia a correntina até a Quinta da Bahea para ir ver o Nosso Senhor do Bonfim. Deocleciano é o difusor do Ofício, que se reside em cada um de nós, em cada um de cada seu, que ainda sim reza sem parar, porque Nossa Senhora está de joelhos. Deocleciano é o pendão imaculado de fôrça, de fé, de perseverança. É quem nos trouxe até aqui, dando sustâncea na farinha de Dona Antônia, dando fôrça de lá do lado de lá, e aqui, nós fazemos nossa parte, nos mantendo, nos cuidando, nos tendo.
Para cada raio de Sol, há uma prece, Seo Deocleciano, eu sei disso hoje mais que nunca - um prefixo dedicado a uma prelação, e a cada brumeio, um agradecimento; E mesmo que nós na nossa humanidade carnal raramente consigamos ver o que está a acontecer, existe e sempre existirão pequenos milagres: Os dois reais achados no bolso da calça, ir sentado no metrô, o café de graça dado no serviço, e a cabeça que ora pende pra alegria, e ora luta para se permanecer em alegria. Para cada gôta de chuva, existe uma benção, e por isso ando sem guarda-chuva e deixo me molhar, para me sentir vivo, para cada grão d'água molhar meus cabelos e cingir minha face, e se misturando com meu olhar, talvez aia de vingar uma lágrima de alegria. Talvez.
Quando nós, na nossa leiga ignorância, vamos nos desenvolvendo e descobrindo com o tempo tudo o que estava a nossa frente, nós rasgamos mais um véu que nos cegava, com isso, temos a vida verdadeira em nosso olhar, nossa mente, nosso coração. Pois, ao rasgar o véu cegante da ignorância, nós nos abrimos para o inonimável, e para uma alegria que não se têm fim - é como se ouvíssemos Baden Powell a tocar na nossa sala. É o Divino, é o Espírito Santo no Sacrário abaixo da imagem de Jesus Crucificado. Um Jesus tão pobre, tão amorenado-de-vela, tão frágil, tão ferido, tão môrto, tão por mim, por você, por nós... Faz-me um favôr, desce até a dobra da rua, aonde havia um rio, ali se deve fazer o bem, e novamente, e novamente, e novamente, até se cansar. Sobe o elevado, e cruza a avenida, ali também se pode fazer a vida renascer, ali pode-se dar o bem com bem, e fazer a bondade aflorar. Em tôdo lugar há uma chance de ser bom, mas, bom de verdade, bom de alma. Em tôdo lugar vejo uma chance de honrar Deocleciano, Antônia e Márcia.
Quão cansados estão essas pessôas que se degladeiam e se machucam pelo prazer de se sentir bem, de ver lágrimas e dôr brotarem de outrém - dessas pessôas, devemo-nos cada vez mais nos aproximar, e nos fazer casa e caserna delas, devemos dar amor, carinho e morada. O ser humano não é mal, êle apenas se perdeu no labirinto da ganância, do medo, e de não conseguir ver atrás do Véu de Deus, e nisso se achou maior ou no mesmo patamar que o Dulcíssimo. Não existe dôr, nem maldade, isso é invenção do feo.
Aonde nos cabe, estamos, e a cada porta estreita, nos devemos encolher mais, e deixar que os maus sejam maus, mesmo não sendo, e que os bons se elevem até o Divino, e desçam até a terra batida pelos homens que não entendem da lição que foi deixada no evangelho. Eu ainda estou na minha estrada, estou no meu rumo, tenho meu dia bom, e agora, tenho minha fé. Há um Cristo crucificado, tão mirrado, tão machucado, tão por mim... Por quê não poderia eu estar no lugar dele? Por quê sofrer tanto por mim? Pantocrator deveria muito bem saber que gente do degredo igual a mim tem pecados de levas. Mas, mesmo sabendo de tudo, o Triúno morreu por mim, pelo leitor(a), por cada um de nós deste vale de lágrimas, e apenas nos cabe o respeito, a admiração, a fé, a devoção. Nos cabe o amar em irmãos-em-Cristo, e nos perdoar, para vivermos melhor, e quando o barco virar, não ter medo de morrer.Eles se denominam tão maiores, tão melhores, mas são tão pequenos junto a Deus. Eu oro por vocês, multidão que não quer se enxergar no espelho, vocês medem a sujeira alheia mas não reconhecem a própria, vocês tão livres, tão gente aberta, tão de bem, tão seus, tão autorais, mas não entendem nem um terço do plano do Autor original. Eu sou redator das cartas de anjos, irmãos, santos, mendigos, professores, mestres, e biscoitos, vou redigir um segredo para vocês: Escrevo como escriba, porque como homem, eles não me respeitam. Me faço jornalista dos versos mais pobres, carentes de atenção e de olhos ávidos dessa ávida multidão, e peço a Deus, fôrça para desenvolver cada vez mais linhas, para cada palavra sonar na cabeça de quem sente, e neste fragmento de suma, deixo ao vento que diga as coisas mais incertas, pelas mãos minhas, tão feridas, tão sôfregas, tão minhas, tão de Deus. O dôm não é meu, a carne é emprestada, sou o mensageiro, não quem promulga, aceita e diz da mensagem.
A maldade do mundo tem nos feito frios, insensatos, maldosos e corruptos, roubando nossa própria felicidade e desejando o sangue - privando o riso aberto num dia de Sol pelo riso forçado ao querer impressionar pela qualidade de dentes brancos que se tem na boca. Cala tua boca, e deita-te na tua cama. Pensa nos teus atos, pensa na tua vida, e dorme, dorme o sono que Deus te vela, que neste sono te encontre a paz, que neste sono te encontra a felicidade que te cabe, e não a que te mede no alheio, e que sua verdade seja água.
Amanhã há de ser bem melhor.
Quando se lava as mãos antes de comer do alimento, de carinhar quem se ama, ou antes lavar o rosto, você se purifica, mas, porque não lavamos mais a alma? Por quê nós não aceitamos a simples idéia de renovarmos nossos laços e sermos quem precisamos e prometemos ser a nós mesmos, e na frente da assembléia da massa, há tempos tão idos, tão longíquos que nem mesmo as mãos do tempo ousam tocar, mantendo a lembrança num relicário de vidro e madeira aonde se vê, mas não se toca, nem se encosta, tampouco se sente. Lembranças, daqui desta clausura, serão minha pedra angular no futuro, e me ensinarão mais ainda a não temer a morte, nem as pessôas, nem de ser quem eu sou, preciso ser, ou qual bandeira levantar; Muito pelo contrário: Eu não sou meu juíz, mas, sou meu próprio carrasco.
Divino Espírito Santo, terça parte de Um Deus Tríuno, esteja comigo, e me faça entender como Vocês ao mesmo tempo são Um, e como tôda a alegria que perdi, encontrei na Vossa Presença. Ajude, a cada pessôa perdida como eu a se encontrar, e a quem está perdido no Vale de Lágrimas, a se encontrar, a se perdoar, limpar-se desse lôdo e seguir viagem carreira adiante nesta sinuosa estrada, e ter da concha-forma-mão para tomar no assude, comer do pão que lhe ofertarem na estrada, e sentir a fresca da manhã lhe tomando a cintura, num abraço sincero; Aprende que a vida tem bem mais no menos, e se perdoa de nunca ter vivido isso antes, e que quando você aproveitava as coisas pequenas da vida, você não aproveitava genuinamente - como eu tardiamente aprendi a apreciar, e aprecio agora: Amigos, hoje, na minha cama, encostada ante a janela de quase um século, vejo a garôa cair, e uma gôta está pendendo na ponta de uma folha de uma árvore que está para cair, e não cair, e me sinto agora como esta gôta, me encontro num cai-não-cai impossível de ser descrito, mas só sabe quem sente, vive ou viveu isto. Nem sei mais que horas são, mas se eu puder, mensuro três-quartos de hora perdida esperando essa gôta cair, mas intactamente ela repousa. Será esse o orvalho que minha avó tanto fala? Será que tôdos esses pensamentos são necessários a ponto de não me deixar dormir, e desejar que eu estivesse no colo da que amei por último, e que nos beijos, ventre, seios, sorriso e abraço dela, eu pudesse me valer de algo? Será que a madrugada é mais sádica dos que os seres humanos que vejo trafegar na rua? Será que tudo isso é realmente tão necessário? Será que ela ainda ao menos pensa em mim? Será que eu devo abandonar essa caravana e mais uma vez - inutilmente - mostrar e dizer o que eu sinto, e contar - mil por mil - das flôres do jardim? Será que foi só uma estrêla de fuligem rápida e fulgurante, que finalmente me pôs no lugar que nunca deveria ter saído? Ah, noite, reina em mim, e de uma vez por tôdas, deixa seu pensamento reinar sobre mim.Ah, madrugada, vem reinar em mim, e me faça criança para nos braços da Consolação eu ser ninado e dormir no colo da mulher mais que amada e dormir bem; Guarda-me na barra do teu sari para o feo não me ver, e não me sentir, e quando me sentir pronto, me pega pelos braços e me carrega pra teu lar, me leva pela mão porque eu não sou mais meu, sou mais teu do que qualquer outra coisa, Consolação. Sou teu e de mais ninguém.
Escreve, escriba, escreve. A noite é longa, e ninguém pode te salvar de ti mesmo. Observa a gota que ainda está na ponta da folha, e que não cai - miraculosamente está suspensa entre o ar e a folha, e Deus a mantém, Deus a quer ali, Deus permite tudo o que acontece. Deus é amor, mas é justo, e a quem se porta com decência, honrado é pela mão d'Ele, e quem desvirtua o caminho, perdido está, mas pode ser achado se pedir uma candeia para nas mãos, dar luz para guiar aos pés; E Deus, depois de me dar um archote, me deu azeite, candeia e linheiro, faço minha candeia agora para guiar meus pés, e me manter longe do caminho que trilhei, para agora me ser tôdo inteiro, tôdo água. Nesta madrugada, escrevo ainda para que quando sair daqui, eu promulgue o que sinto, e quando chegar ao derradeiro dia do meu quarto-de-século, eu não me esqueça de tudo isso que estou a viver aqui nesta cama, nesta clausura, neste sentir.
Deus, faça sua morada em mim e abra meus olhos, pois eu não rasguei o Véu, apenas o levantei, e se fôr dos Teus planos, me deixa abrir os olhos para Te ver, pois só irei abrir, se Você permitir, pois, mesmo eu na minha ousadia de levantar o Véu, sei que não deveria. Mas, pela mesma sabedoria que Me deste, me questiono, se com os Véus, eu via vultos, preciso fechar meus olhos quando levantar os véus para eiar os olhos, pois, a olho nu, a vívida poderia queimar minha íris, e apenas na Sua presença, já me sou abençoado, logo, se eu puder Te ver, sortudo me sou. Senhor, abre meus olhos para Te ver.
Não posso, não quero, não devo. Abnego tudo isso apenas pelo fato de ter a paz que tanto procuro, paz que não existe em murais, cervejas, futebol, beijos, ou em conversas de fim-de-feira. Eu quero apenas pelo que minha alma anseia, que fracionado, é a figura completa da paz, mas, dividido, mostra-se como pequenas coisas geraes que nos fazem ao longo dos dias.
Te julgo o mal, e peço que saia de mim, fica em mim enquanto pode, maldade, para que me seja peso-de-prumo para entender o que se passa comigo, com os meus, com os da rua, e os que virão. Como tudo que existe é criação e oriundo de Deus, você há de ficar, mal, pois faz parte desta sociedade, e já está contaminado nos genes, sentidos e agir das pessôas. Mas em mim, não há de habitar, mesmo que interfira na minha vida, mesmo que interfira no meu ser, mesmo que machuque minha carne, mesmo que me faça mais besta, eu prefiro crer, eu prefiro ter em mim tôda a bondade que houver, e voltar a ser a mesma pessôa boa de antes - mesmo que me prive, que passe por constrangimento, e precise dar a cara para ser batida a tôdo o solo do chão, faço isso a partir de hoje voluntáriamente, porque sei que isso é o que deveria sempre ser feito: Acreditar mais, dar mais fôrça a vazão dos sentimentos, e deixar desaguar o amôr, a beleza da vida e o viver de forma ímpar, de forma magna, e quero acreditar e fazerem os meus ao redor acreditarem que todas as cartas vão chegar, que os sinos hão de tinar, e que tudo, magistralmente seja belo, lindo, humilde de coração e forte, forte como a fôrça que nos motiva. Meu Deus, que o gôl, aquele beijo da mulher amada, aquele solo de guitarra, o Sol que desponta na praia durante o bate-volta, a cerveja gelada, o abraço ganhado na hora da solidão, permite, Meu Deus que tudo isso seja digno aos meus, sem exceção, distinção, classe ou horda; Permite que cada um dos meus amigos, irmãos, profetas, professores, senhores, Seos, Donas, escribas, mamães, pessôas, pirañas, picles, biscoitos, raios-de-Sol sejam eternamente e extremamente felizes, como eu fui, sou, e irei ser ainda mais, Deus Meu. Somos reis, somos profetas.Na calada da noite, me calo, mas a alma fervilha uma série de prelativas para perturbar as carnes, e a mente ardilha mil caminhos para me inconformar com o atual estado das coisas, e me fazer provar do doce, do amargo, do que não se nomeia por respeito as palavras; Eu estou aqui a escrever coisas que não compreendo nessa suma para ver se alguém me ouve ou me sente perto quando eu não estiver no mundo. Não sou santo, e Deus me sabe disso - mas, saio desse mundo para adentrar e nunca mais sair de um mundo aonde realmente sou alheio, escolhido, aceito e bem-amado pelas distoantes dessa vida carnal.
Tôdas as coisas passam - menos os sentimentos.
A camisa dada, o sorriso ofertado, os lábios que se morderam, um longo abraço, o sorvete dando a alegria de um sábado, a música que invade o ouvido e toca a alma, tôdas essas situações tem embutidos algo que a carne, e a mente não produz, mas a alma transmite, a alma sente, a alma incandeia, e faz maior que tôdos nós; Ah, pessôas, se guardem no amor de Deus porque foi Êle quem valeu na hora da solidão e da morte, foi tão somente Êle que soube de tudo desde o começo, e lá longe, alguém que sobe no vapor de carvoar se entrega aos braços de Deus Rei nosso pai, e pensa que tudo poderia ser melhor se pudesse recomeçar a vida em outro plano, outra situação, outra vida. Eu, aqui, deitado nessa cama quente na noite úmida, penso igual, e por isso faço meus planos tão iguais ao mesmo homem que desceu da Quinta da Bahea pra tentar a sorte e vencer no sul. Meu coração é tão igual ao teu, nunca te vendo. Meu coração é igual o da tua esposa que cuidou de sete filhos, sem depender de outro homem, e que lavou muita roupa e hoje tem as mãos deformadas, as mãos calejadas, e tôdos os dias reza por cada um de nós, sem pedir nada em troca, ou até mesmo sem exigir um espólio. Rainha Maior que tudo, simplesmente é.
A fé de uma pessôa, além de hereditária, pode ser ponto de referência, pois, logo quando nos é dado um motivo para termos, utilizar, manter, ou dobrar nossa fé, nós nos espelhamos na fé de alguém, e na majora, usamos a fé de nossos antepassados para entendermos o conceito de Divindade, e o conceito de como ser grato, e como a fôrça regente do mundo provém de Alguém maior que tudo que pôssamos imaginar, aprendi fitando os olhos fechados e os dedos de minha vó trincando um rosário, que a única coisa que realmente temos ao nosso lado é Deus, e afora ele, tudo e toda qualquer coisa é passageira, e passível de perca ou abandono; E quando nos deixa, nos deixa de modo abrupto, mesmo tendo nos preparado - como tôdo santo dia na homília dos dias nossos pais nos dizem que uma hora não estarão lá a vida tôda; Mesmo tendo a preparação, quando o dia vier, ninguém estará realmente preparado.
Vou delineando meus dedos sobre o papel, sobre essa cama, sobre o travesseiro, e velhas recordações vem me tentar e me fazer lembrar do passado, e dos sonhos que naufragaram antes de se caber e meter em terra; A dôr tenta invadir meu coração, mas, dessa vez não posso deixar que ela me ganhe, não sem ter da luta, do sentimento, e mostrar que estou aqui para lutar pelo aquilo que considero justo, certo, sincero, pelo meu, que não é mais meu, e agora cabe (mais do que antes) ao Jesus Nazareno, e ao meu padrinho (porta estreita, porta estreita...)
A luz do poste invade o meu quarto e deixa um facho de luz forte e fino cruzar por tôda a diagonal, e eu, ainda a escrever sobre isso, continuo a exortar a bondade de Deus por estar aqui, mesmo com o sono começando a bater, e me fazer criança quando tem medo de dormir por conta do monstro que habita no ármario. Lembranças me vem a tona de corpos que se deitaram ao meu, bocas que beijei, amôres que amei desenfreadamente, e do último amôr que não pude amar, não pude contemplar em seu êxtase, e da dôr que ele me causou. Nuvens ainda me turvam a vista, e me deixam ainda triste, e me fazem lembrar de quem hoje me esquece entre brumas, e me lembram como uma escrita pode ser um divisor de águas e como a tristeza se fez como minha mãe, amiga, mulher e filha. Hoje, afogo minha filha, separo de minha mulher, rompo de minha amiga e sepulto minha mãe, essas ilusões, visões, turvações, o que for... Tôdas elas me dão a certeza que nada disso é pra mim, e que estou no caminho certo, mesmo com dúvidas, mesmo com medo, mesmo aprendendo justamente agora a sorrir e a enfrentar o universo.Mantém-me acordado, e não me deixa dormir agora, deixe eu olhar mais um pouco a chuva cair, e me motivar a estar vivendo o que vivo, e sentir o que sinto. Pega minha atenção e a cultive, cative, cada vez mais, e saiba que só você pode fazer isso, Deus - só para você devo largar tudo, e prestar a obediência, e o ato da fé absoluta e inexorável.
Desce-me até a mina d'água, e lava-me dos meus pecados, e deixa a carne ser carne, afogue a minha carne, para sair, sobressair, intervir, e vencer. Deixe-me, ao menos uma vez na vida, ser certo, estar certo, e viver certo. Deixe eu ser leve, calmo, puro e cristalino como a água que lava a alma, e que cinge a carne da alheia, deixe me saciar a sede de muitos os que procuram, para que eu os dê o que realmente procuram, deixe eu ser palavra, razonete, segredo, mistério, consolador, ouvinte, amigo e interlocutor. Deixe, com sua permissão Meu Deus que eu seja aquilo que êles mais tem falta, deixe eu ser meu, e que na minha concepção, a concepção não esteja certa ou errrada, mas que esteja sempre em paz e bem. Que em mim não exista um procedimento ou maneira, seleção ou recrutamento, mas que exista, de alguma forma o acolhimento para que eu possa ouvir e dar acolhimento a todos que andam cansados, e assim como o Samaritano, cuidar de quem mais precisa.
Eu quero ir aonde tenham problemas, desafios, coisas a se superar e integrar, quero ser a solução, não para ser quem ganha espólio, mas para fazer merecer o que espero ter lá na frente, e honrar quem me salvou.Você acredita no dia de amanhã, e nas coisas que podem acontecer no amanhã? Você acredita em tôdas as coisas que podem melhorar, ou que sentir as coisas estão melhorando ao longo de um dia vivido? Você acredita num amanhã melhor, aonde a chuva para de castigar, e apenas chove sobre a fôlha, no brumeio que vai te amar e te cercar de coisas boas, e acredita em tudo aquilo que mataram dentro de você pode se regenerar e ser maior e melhor que antes? Você crê que as chagas podem ser curadas e cicatrizadas, mas elas ainda estarão lá, elas ainda aparecerão, mas elas nunca mais irão doer, só nos farão ser partes de um tôdo completo chamado vida. Você acredita? Eu acredito.
Eu acredito em mim, nos olhos, raios, sorrisos, ventos, torrentes, e na cerveja gelada que fica no centro existindo alguém só para a beber, só a sorver, só a coexistir. Eu acredito nas pessoas, acredito em cada uma delas, e me desapego daquelas a quem me desfizeram e me resigno de ódio, piedade ou dôr - quanto a mágoa, ainda está a ser trabalhado; Estamos fazendo nosso melhor. A noite não pena em passar, e por isso me mantenho em apenas pensar, sentir, texturizar e refletir sobre tudo - e nada. Eu apenas creio que tudo isso é desnecessário, e eu espero que na medida do que já exagerei, esse desnível minimalista seja uma nivelação das contas desse rosário enorme e desvelado que me encontro há 25 anos rezando, e a 25 anos não consigo o entender, mas apenas o faço por obrigação, por dever, pela esperança, pela fé.
Concórdia, olha por mim daí, me mantenha na fé, e me deixe que na fé me encontre o caminho de volta pra casa. Concórdia, seja aquela a quem eu esperei a minha vida tôda, me deixe te ter, para que ao momento que eu te ter como minha, não abra mais meus olhos, e tudo que eu tenho - tudo o que vêes é teu, teu e de teu Filho. Você me mantém sobre teu sari, e daqui vou fazendo meu melhor, aprendendo a ser maior e melhor que tudo isso, mas me faça menor que tudo, menor que eles, e tire de mim tudo o que eu tenho; Para quando eu me encontrar só, dentro de mim, meus olhos se fechem em um véu, que apenas Você possa tirar, apenas você pode me fitar, cingir e tinar.
Desce-me até o Rossio, e que lá as pessôas que me viram, não me vejam, e as que já me viram um dia desses, não me reconheçam, desce pelas ruas e procura meu rastro, mesmo sabendo que eu não vou deixar. Estou deixando esse mundo, essa minha vida, para minha eternidade, para ser o que nunca pude ser antes, viver, sentir e entender o que nunca compreendi. Desce da tua plataforma e patamar e ouve: Eu não sou mais o mesmo.

segunda-feira, 20 de março de 2017

XXVII (1-7)

Calado, ao meu peito permaneço em meditação; Saio dos extramuros de portas pesadas e férreas para novamente me meter nas construções de homens, com assuntos de homens e pensamentos vilipendiosos. Eu sou um homem, faço parte dessa máquina mercantil, meu sentir pede socorro, pois a cada dia, a cada segundo, a cada hora, hordas de anjos, senhores-de-lei, músicas, escritos, amigos, pessôas-das-geraes me lembram e me fazem afirmar que não sou daqui. E quando tento diariamente me tanger os olhos com o ferro quente da realidade, Deus novamente me brinda com um Céu, uma garôa, um frio, uma cerveja, uma bôa conversa, ou apenas uma fôrça que nunca foi nem nunca será minha, como teimosia de criança, para seguir em frente, que minha recompensa está a vir. Minha recompensa, leitor, é a morte. Nada mais, nem além disso. Na morte encontro a paz, na morte encontro Seo Fábio, na morte encontro Jesus Cristo, Nosso Senhor. Na morte encontro tôdas as respostas que sei que aqui de forma alguma terei, por isso cada vez mais quando me enrolam em espirais de ilusão, bobeira de fim-de-feira, me deixo atrair, pra me ver se naufrago logo; E assim encontrar minha paz, e em contra-partida dar a paz a quem está ao meu lado. Esse côrpo é meu empréstimo para pagar outra dívida, assim como essa vida é para saudar e mostrar que até aqui no degredo, tem gente boa, feliz, altiva e inteira (que, obviamente, não sou eu). Não pense, leitor(a) que com isso tenho tendências suicídas, ou depressão, muito pelo contrário. Filho de enforcado não repete erro, e além disso, me fiz, me vi, e estive sozinho por tantas vezes, que me acostumei com a solidão, e quantas vezes mais lutei por ter gente ao meu lado, para ver se a vida não valia com alguém do lado (amigos, namoradas, esposa, consorte...), mais descobri que as pessôas andam mais solitárias, egoístas, e vivendo umas espécie de queda-de-braço: Não te assumem o que sentem, mas, se o faz primeiro, vira réu delas, e mais além; Te corre risco de sangrar, e quem sangra primeiro não é errado, mas é quem é mais cristão, amou o outro como a si, tomou o outro pra si, como se entregou ao outro: As verdadeiras mãos que são sujas de sangue estão ocultas - tem do mêdo, da má alheia, e não sabem como agir quando encontram um carneiro em seu holocausto, apenas se tremem e se refugiam em seu infinito particular. O sangue inocente nas mãos, no fim das contas, são também de mãos mais inocentes ainda, por não se deixar ir adiante, ou se deixar viver, ter; Dizem-se tanto, e pouco se são, e muito se enchem do vazio, e na hora da vera, é tudo tão tardio, é tão triste, e as pessôas que se eiam, no final das contas são as que mais vazias estão. Elas dizem se comungar com o amôr, mas, o amôr do qual eu comungo não tem fim, prazo de validade, ou como-se-porta. Ele é o Amôr, tão só, somente, é. A vida é mais simples - algumas pessôas que a complicam. Se agregaram em mim o amôr sem fim de uma vida renunciada, a contra-fôrça, e a fé de Dona Antônia; Elas me fizeram dar o passo descompassado e viver o que vivo, sentir o que sinto, temer o que temo, e almejar o que não consigo nem imaginar possuir; Faço do vento, veículo aonde jogo estas palavras, pensamentos e sentimentos, e que cheguem aos ouvidos, olhos, bocas e corpo, pois meus não são meus, agora - mais do que antes - se pertencem a geral: Concórdia, Cecília, Bep, são da geral, são amarras que me desatei, e aquela camisa do Corinthians nem uso mais, e até mesmo o velho anel do Santo Guerreiro, penso em deixar em desuso para cada vez mais aderir essa vida. Minha vida. Sua vida. A vida, em si. Quando se vive para Alguém Maior, se esquece de si, das horas, dos dias, se esquece até mesmo de tudo que um dia possa ter ocasionado dôr. E por mais que algumas ainda façam o músculo repuxar, tudo isso passa, tudo isso acaba, tudo isso é deixado de lado, para dar lugar ao que realmente importou, importa e há de importar cada vez mais na vida daqui por diante.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

For The Love Of You.

Cecília, o tempo está nos afastando, cada vez mais. Está na hora que com o peito cheio de angústias e lágrimas nos olhos, eu deixo você. Obrigado por ter sido a maior entre tôdas as ambições e o projeto mais malfadado que possa ter existido; Quando me afastar, e fechar a porta, darei a pá-de-cal de um projeto que finalmente percebi que deveria ser engavetado.
Me desculpe tôdas mas mágoas, e a sua quase-vinda que foi interrompida, e tôdos os sonhos, escritos, e a tatuagem que Mater Cecília deixou eu ter, também, desculpe tantas vezes que imaginei quando vi você na rua, achando que num futuro poderia te tomar nos meus braços e cantar um Isley pra você dormir. Perdoa.
Cecília, tá doendo, mas eu deixo você pra quem te mereça mais que eu. E tem gente, viu? Escolhe quem te mereça, quem te eduque, e possa te dar tudo o que você precise pra ser uma pessôa, boa, sincera, honesta. Só peço, que escolha alguém que goste do sôm, assim ao menos quando eu te ver na rua neste futuro, saberei que você é você, e se você puder, lembre de mim.
Ah, como que nada é da forma que nós queremos, como que tudo é ruim, como que tá tudo bem, e a vida segue. Cecília, seja feliz, e lute pela sua felicidade como quem luta pela sua glória. Seja maior que tudo isso, sempre.
Me imagino pela última vez te segurando, e te afago os cabelos pela última vez, pela última vez te beijo a testa, e pela última vez você dorme no meu peito ouvindo nossa música - Sim, tinhamos nosso sôm - e quando você acordar, eu não estarei aqui, mas, não chore, estaremos melhor assim, criança.
Cecília, meu amôr por você não há de sumir ou diminuir, e a minha vontade sim; Com isso aprendo a não ter mais planos, e mais ainda, aprendo que tudo tem que ser como deve ser. Posso não ter o seu sorriso, seu carinho, seu cheiro de leite, e não irei te ensinar a diferença do peso e sistema estereofônico, mas, sei que estarei melhor assim, e você aonde quer que esteja, vai estar bem e melhor.

Adeus, Cecília. Eu amo você.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Blow Away.

Se lembre de mim como se lembrou hoje. Goste de mim na mesma proporção que gosta hoje. Amanhã, não admito que me ame mais ou menos. Se lembre de mim com seus olhos, e nunca pelos dos outros, e se quiser lembrar do que te disse, ateste tôdos os vaticínios que deixei por aí, e se quiser me conhecer, ouça o sôm que ouço, a música é a única coisa que tenho, e nela deposito tudo, inclusive minhas respostas que só o vento sabe, estão ali. Cada música é uma sentença, e cada acorde é o que deixo embutido para apenas puxar a cordinha quando for necessário. Eu quero é brincar de balanço com o pescoço - eu não sou daqui.
Me assusta, porque mesmo com a lama, e a areia que vai me matando, eu sigo limpo, e bem, e meu; E isso me assusta bastante, pois ter as mãos limpas quando só as via sujas ainda me assusta, e seguir um caminho que cada vez mais se estreita, espinha e é traiçoeiro. Eu não quero ser abatido, eu quero ser do abate, eu não quero ser o carneiro do altar da Cecília, e nem nela penso mais. Tenho tido muito e tanto em mim, e me basta apenas o nó, e passar pela viga. Ele estava certo. Respeite os mais velhos. Sim. Há algo - talvez a realização de uma vida.
Meu rôsto se destaca pela fuligem do tempo, pela barba fora de tôm com o cabelo, os olhos caídos, fundos, nariz português e bochechas em demasia. Meu rosto é a máscara de alguém que se entregou há muito tempo incompreensívelmente para assuntos, pessôas e coisas que não condiziam. Não tinham. E por mais que haja companhia, a solidão é a maior de tôdas, maior que todas. E como sempre, há uma falha, um erro, mesmo quando se sobrevive no acerto, mesmo quando tudo parece se encaixar. Honestamente, é uma piada até muito da engraçada: Apresento a cena; Um desajustado que tenta ser alguém e fazer tudo dar certo. Que tenta, tenta e tenta. E só se machuca, se engana, e machuca os seus ao seu redor. Pra quê?
Quando eu deixar no ar um cheiro, esqueça o jasmin, manda o jasmin pro oco do inferno, porque amor que fique com suas mercês - sente o Jásper brilhar, e a Água Marinha ficar opaca, sente o violão ficar mudo, e a voz presa num nó que nada possa desfazer. Quando eu te der esse presente, agradeça, seja grata, e não olhe, pense, pene ou fale qualquer outra coisa, apenas sinta. Sinta como uma voz, um violão, um sorriso, um Sol que se põe pra descansar, ou como pingos de chuva, vendaval que ousa em levantar sua saia. Eu estarei a milhas de distância. E com fé não verei mais nada e nem ninguém que ficará para minhas costas. Eu estarei no sôm.
Eu sou o sôm.