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quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Wild Blue.

Enquanto escrevo, eternizo
Enquanto escrevo, deixa de existir.
E enquanto deixo as letras gravadas, atesto.
Talvez você ainda venha ler e reler para achar um senso, mas não o dou, não o entrego, tampouco vou te dar o oculto de mão beijada. Não, te avanças se abaixar, e se ao renegar a prata você olhar o Céu. O verdadeiro Brilho é Aquele que cobre nossas cabeças. Eu deixo gravado aqui o brilho de seus olhos, o brilho das luminosas de teu cabelo e do branco de seus dentes.
E mais ainda: Deixo também atestado que não quero dizer nada, apenas que quero sair, viajar, dar um rolê, ver o Sol, passar um final de semana no campo, e depois descer a serrania e ver meus pés cansados descansarem na areia comendo um camarão na praia ouvindo Evinha - êste guerreiro (se é que assim chama os que pelejam de côrpo a côrpo com a vida) - precisa de repouso urgente, de uma benção, e respirar um pouco sem os quilos da vida lhe darem os tinos de vivaz na alma. Digo urgentemente que procuro quem vá comigo pra Aparecida, ou quem leia livros como eu, quem toque sons, ouça sons, faça sons e sinta o som; espero ansiosamente, ó Juíz, pela(s) pessoa(s) que sentem também a terra girar e que saibam que a vida em si não é grande cousa ou negócio, e que no desprêzo de si encontre o mais belo thesouro, pois ali também estará o coração.
Vejo o lado, abro a mão, mas a bôca (o porto), não.
Trago a fumaça, mas respiro. E sinto que o tabaco não me roubou o folêgo de tantos anos de respiração profunda antes de sentir, de enfrentar ou até mesmo de ir lá ver eu. Sinto em mim tôdos os sentidos do mundo, e atrelado a isso, nada de nôvo tenho a acrescentar ou dizer - apenas que a vida, essa sim, quando vivida aos poucos, mansamente, cadenciadamente, e com humildade e bondade pode fazer o mundo ser melhor, apesar de tudo...
Mas, afinal, de que falo? Sou apenas uma lontra (outrora piraña) franciscana. Guardei em meu bolso, perto de meu terço e isqueiro um tanto de alegrias emergenciais; cousas tão minhas que se compartilhadas as alegrias minhas, quem não sente a terra girar não entenderia. Aqui, baby, é made in degrêdo, filho de Eva, e que a Itaquera nunca saia de mim, porque eu nunca me apartarei de quem me ligou a entender as pessoas, amá-las com suas imperfeicções e cuidar de tudo para que tenha seu fluxo de vida ininterrupto. Sou o garôto (agora homem) de barba expessa, olhos verdes e esmeraldinos, que reservo meu silêncio para a grã maioria, mas me revelo aos meus, pois dos que me deste, dêstes eu não perdi nenhum. Sou o do Largo, dos sinos, dos sons ensurdecedores, da Antarctica gelada, do cachimbo, e dos dias sem-fim. Sou amigo de São Brayan, São Albertino, São Robson e sobrinho do amável Tio Fungo, que hoje repousa entre os justos. Neto da Dôce Dona Antônia. E pela junção de tudo isso (e mais um tanto), sou hoje a junção de tudo num tôdo. Assim como você é.

A benção, Véa. Tamos aí, e vamos adiante!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

MMXXII

 Mas gente do Céu, que aninho treta...

Este ano de fato foi o ano onde mais a porca franciscana torceu o rabo. Ao meu parecer, vi que esse ano não foi revelador, mas sim temerário, de grã vileza e de fôrça rude. Esse ano mostrou tanta coisa que, vemos face a face. 

(DISCLAIMER: Não venha até aqui com seus olhos positivistas tentar ler o que escrevo com alguma "aura" linkediniana. Aqui é mato - raw franciscan way of life, and such a well respected workin' class mate - e pretendo continuar assim por mais um tanto. Me vale a alegria de ser o que vivo e professo do quê viver uma ilusão ou flertar com estilo de vida incompatível, ou também como dizemos no populesco: "arrotamos caviar comendo mortadela.")

A vida nos ensina a ser francos, ter noção de justiça, re-considerarmos, e termos o entendimento que nem toda teoria é certa, e todo livro também possui seu inutilismo. Tenho receio daqueles que se escondem atrás de livros, alpendres, pórticos e arietes, e no alto de sua douta vida e grã sabedoria não descem para a arena para viver com gosto e agarrando sua própria alma com fôrça e altivez. Ah, que pena. Pena que seus livros te ensinem tanto sobre amor, e não ame; te doutrinam sobre misericórdia, e não faça; te fale sobre ter sensatez, e você tem falácias descontinuadas.

É mais fácil ser superior, né? Mas mais difícil é 'guentar o tranco da vida com todas as suas porradas e imperfeições e ter a cabeça tranquila no travesseiro que fez tudo o que podia, sem hesitar, sem pensar, sem murmurar e sem se conter por quaisquer barreiras que te façam humano e vivo/atento a todos os sinais de vida que o Criador te imputa ao redor de tua carne - fez com desespero e alegria aquilo que se prega em um evangelho vivo e imutável.

Seus diplomas serão papéis amarelados, sua ciência pode e será refutada, e seus momentos de "bom-vivant" serão mal-ditos pela suas costas. Te restará apenas o (parco) bem que você faz de coração aberto; você tão em pressa de viver esqueceu principalmente de viver. Que bandeira... 

Esse ano foi o ano que escrevi meu livro e o publiquei. Se der certo, a primeira meta do ano que vem é fazer uma tarde de autógrafos num lugar que gosto muito. Oro a Padre Deus que dê certo. Espero os rostos e as auras que tanto me fizeram bem esse ano para celebrar no ano que vem este momento tão belo em minha vida.

Ah! E me mudei. Agora o garôto da zona leste tá no Centro da Cidade!

Tenho medo da riqueza material e o que ela faz com a cabeça das pessôas; e dos que vi, meu coração até hoje dói por eles terem tão fascínoramente "virado a cabeça", tenho ojeriza das famílias de "comercial de margarina", tenho surtos coléricos ao ver pessôas tão felizes que batem palma pro Sol - a alegria de viver reina e se estabelece em meu pêito, e se a engrandeço de maneira exacerbada, me torno inimigo daquilo que carrego em meu ser; Deus que se manifesta no silêncio e vem em meu auxílio nas horas mais tristes aonde ninguém segurou minha lágrima ou me fez ombro amigo.

Houveram dias que houve silêncio. E quando apertava, rezava. E quando a reza não dava, chorava. E quando a lágrima secava, recorria como um desesperado aos pés da Cruz. E inexplicavelmente tudo dava um pouquinho certo - certo o suficiente para que eu ainda sentisse vida em mim, e no meu coração. 

Este ano perdi amigos, referências musicais, perdi família, perdi o amor, quase me perdi, trabalhei em lugares e profissões que nunca achei que faria, e mesmo longe eu estive perto - fui agraciado e reconhecido pelos trampos que fiz e pela força que exerci. E aonde fui, levei meu velho crucifixo de bolso com um Santo Antônio, e repetindo a fórmula que minha avó rezava, dizia ao me sentar na mesa: "Alto! O Sagrado Coração está comigo!". E quiçá por Deus, ou pelo meu merecimento, hoje estou num cargo bom, numa empresa boa, num lugar bom, com uma vida que ainda bagunçada, mas bem.

Esse ano foi um porre. E a garantia é não saber o que vem no ano que vem. A garantia é mais trabalho, mais cervejas, mais exames, mais leituras, mais sons, e mais silêncio; se retirar e aprender a morrer é uma questão de ordem.

Feliz ano nôvo, tilápios. Paz e Bem!

Do;
Queiroz, Marcus.

domingo, 11 de dezembro de 2022

Tabacaria.

Uma tabacaria, sobrado, casa.

No bairro do grito, aninhado a árvore daninha,
ao lado do boteco de decanos senhores,
um bandeira, plantas, santos franciscanos e pretos velhos.
Tem uma família lá me esperando.
A mãe escreve no portão o preço, as filhas desenham retratos de infância.

Esse não é qualquer lugar. Eu juro por Padre Deus.
Ali tem gente que gosta de graça.
Ali tem verdade.
Ali mora Deus.

Tem grama no chão. Chão que a gente pisa com respeito e carinho, sabe?
Tem bandeiras, fumos, cangalhas, tererés, músicas,
conversas e dissertações da vida e uma chegança:
A chegança mais bela dos amigos,
que após sentir o peso da vida, apenas se reúnem,
e falam do riso para guardar a lágrima para depois.
"Robson, mais uma cerveja por favor?"

Tem tabaco. Tem conversa,
riso, confidência, verdade e esperança.
Flôres, incenso e azuis, a harmonia mais bela da vida comum.
O lugar mais franciscano na vida anti-franciscana.
Concorda-se entre os anjos que:
o n° 126 é a casa aonde se une a família de sangue com a família que escolhemos.]

Frades, presbíteros, diaconatos, militares, ferreiros,
aposentados, engenheiros, advogados, vendedores, alfaiates
reis, rainhas, pessoas comuns, pessoas extraordinárias,
pais, filhos, nóias, e cabeças de meia-lua.
Somos uma gama de pessoas que se auxiliam, se gostam, e se velam.

É sábado, tabaco, cerveja e lanches da Loanna com um Benício que descansa no ventre.
Valentine e Aurora trazendo a felicidade de crianças aos velhos corações cansados que lembram de sua infância e do evangelho do Senhor.
Robson, velho novo timoneiro, Anhangværa moderno, de conversa e sábios conselhos. De riso e de verdade cortante.

O dia nasce, o dia corre, o dia desce.
E morre mais uma semana.
E no sábado, comprar mais um fumo pro tabaco,
é que esse aqui do meu bornal já acabou.

Deus Vos Salve Essa Casa Santa.