Eu queria começar esse texto ridículo falando da desesperança.
Das tristezas, das lágrimas. E sei bem delas - sei melhor que tu...
Mas, algo no meu peito (idiotice ou esperança) me diz que tudo vai melhorar. Me dizem ao sopé do ouvido que os abraços vão chegar, os beijos serão entregues, os olhares serão cruzados, as cervejas descerão macias pela garganta, e pra agradar o namorado ela vai estar usando aquela lingerie de renda, e dormirão abraçados na noite quente, e o hot-dog se serve sem ervilha, e tudo vai se ajeitar.
Não fale nada agora, um milagre está acontecendo.
Meu coração se aperta, e me sinto agoniado.
As senhorinhas descendo a rua íngreme com o guarda-chuva e cuidado, as crianças encapetadas pulando nas pôças d'água, e num canto, isolado, um monge reza seu tropário, e um outro rapaz, triste e em paz, deita-se no sofá arroseado e toma seu chá. E chove lá fora. O tempo no começo dos anos costuma ser traiçoeiro e deveras suspeito, pois a cada viração, perdemos o toque e sentido. Sabe lá da vida, ou coisa assim, mas esquecemos do que fazemos um com o outro, pelo outro. Não beijamos mais, não há abraços, nem tempo e espaço, a qualidade diminui, e a cobrança repassa. Amamos muito, e não demonstramos nosso amôr, e com isso morrêmos com os santos peixes na garganta, e quando nos ousamos, na flêuma, dizer aquillo que nos impele em exultar ou admoestar, somos e estamos convidados a tristeza, briga, ócio, ódio e raiva.
Que falta faz um ombro para se conversar e recostar.
Queria dizer que o têmpo é têmpo propício de mudar não só para um, mas para tôdos, assim como a tribuna, a geral, e a comunhão é para tôdos - quem há de entender, que não se faça de rogado, besta, ou leve pro pessoal. Eu vejo peixes e pássaros, e os primeiros me falam coisas tão belas que me desconcertam, e me perdoe se não professo minha fé em voz e atos, mas, os meus sabem de meu meio e método, forma e gramatura - vêm não, só se fala do que se conhece. O Céu abre, turva e mistura as côres.
Dói meu coração. E não há quem se importe.
As nuvens hoje cantarão uma canção, e eu gostaria que você tivesse os ouvidos para ouvir, e coração para reproduzir, mas, se não o tiver, apenas seja você mesma(o). O não agir com propriedade é o vero camiño da sabedôria, e da paz. Pois a verdadeira paz reside nos sorrisos, nos abraços, nos olhos, e nas ondas do mar que quebram. Se a paz se constitui n'uma verdade, seja ela universal ou solidada, então ela é manipulada ou truncada. E se o sorriso perde para um argumento, bem, então algo está errado. A união nunca deve ser dissipante.
Oremos;
Vejamos quem precisa de nós, e estejamo-nos lá; sem que nos seja convocado, pedido - sejamos então solícitos, precisos, corretos e entregues verdadeiramente. E veramente nos daremos, e sabiamente nos exortemos a ser melhores, e precisamente guardemo-nos para que assumamos nossos erros e possamos fazer nosso melhor, e ser aqueles a quem se sonha antes de dormir,
Epitáfio do Marcus Queiroz. Apoia esse blog, faz um pix pra nózes: marcusvini15@hotmail.com
sexta-feira, 28 de janeiro de 2022
Big Sky.
terça-feira, 25 de janeiro de 2022
Mambembe.
Boi não voa, my baby, é proibido por lei.
Disseram-me dessa negativa nesta bandeira passada, enquanto eu descia os montes
e circundava as serras, mais sinuosas que o corpo da nêgra deusa de cabêlos
nêgros, que era inviável: Boi voador não podia. Desci mais um tanto, e vi as
pessoas me olhando de tôrto e direito, e vi que meu canto ainda estava só.
Minha escrita, ad ibdem.
Mas, se boi voador não podia, porque então o canto não era livre? E tudo o que
era contrário ao livre, era associado ao Boi Voador?
Que nos dizem, pois, os profetas então sobre isso?
Acaso pois, os profetas, também não estavam a sós e viviam sós? Aguardando a
hora da morte, ou da santidade, e quando se perdiam em explicar ou expiar as situações,
não levavam chumbo da ávida multidão, e não eram ouvidos, tampouco lidos?
Que nos diz, pois, o mundo?
Nada de novo contra o Sol, de fato. Ainda tento numa vã motivação por em letras
o vaticínio de escrever, mas não me importa, pois letra dada não é letra lida,
e os que dizem estar ao lado não sabem – disse-me êntre os brônquios, em
segrêdo, que só é lido quão môrto, heróe ou dado de insensatêz. De fato, o
estava certo. Talvez, no post-mortem meus dados textos, crônicas de ordem social,
admoestações e garrafas-ao-além-mar façam sentido.
O santo, o profeta, o homem, só se torna depois de môrto. Devia de ter notado
antes que a desventura da torrente de lêtras pegasse-me pelas ventas e deitasse-me no colo da mãe preta de côxas grossas, seios fartos e orbitantes, e olhos suntuosos
que emanam prazer e raiva, como se necessitasse de minhas carnes para agora, adjunto meu suor, penar, e reter.
Ai de mim, Piratininga, só sou teu príncipe.
Deus vos Salve, Kali Durga, deusa selvagem de seios que pesam em minha fronte,
enquão faço de tuas coxas meu travesseiro, e o teu cheiro de cinamomo sexual me
confunde entre o sim e o não, mas não me permite o talvez. Deus vos Salve, deusa
da morte e do sexo, que no confronto entre o conforto, me rouba o arfar e o gozo,
e estando eu no sopé da morte, urjo vida, e quando me sinto vivo, me enfeitiça
com a campa funda. Kali Durga, se me lancina com a morte, que eu vos pegue
como uma cadelinha pela última vez, pois se for de morte, ao menos te carregarei
comigo num último segrêdo – que todos sabem. Mandei escrêver no mural, mulher.
Carrego minha bolsa e meus pensamentos na mesma forma e maneira, mas não
entrego a ninguém aquilo que coube a mim. O pendão que hasteio, faço de
maestria que ninguém haveria de ter ou ver igual; admito entre o riso de
orgulho e triste que sou único, mas sei dentro de meu pequeno e pobre coração
que sou altamente passível de substituição – e os que me amam, podem amar
outros, e os que me confiam, podem confiar em outros, e os que me olham, podem
olhar para outros lados.
Sei, que sou inútil em termos eternos, e Kali me lembra disso a cada beijo,
sussurro, beijo na nuca, olho no olho, ou quando move seu quadril para frente
enquão empurro com força; tua cara rejante me mostra a dor e o prazer, e na morte se faz foz da vida, não é mesmo, deflorada senhorinha? Sei que quando esse enlace acabar, não há o que me
segure ou prenda, e por mais que eu tenha posto muitas âncoras e raízes, elas
são içadas e arrancadas.
Sei, que no fundo no fundo, como todo bôm coração ruim, não faço diferente/diferença
para nada e ninguém. E talvez – com a benção do Bôm Senhor – depois de morto, alguém
lembre que eu tentei ser alguém.
Um carinha. Maneirinho.