Mostrando postagens com marcador Lore. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lore. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Carta aos Dispersos.

São Paulo, ano do Senhor de 2020, ao 29º dia do Mês de Maio.

I - Prefácio, e saudação.

Marcus, o Queiroz; Filho de Fábio, de Márcia, amado por Antônia, de coração Franciscano, mente Dominicana e bôca Beneditina, aos dispersos pela pandêmia: Paz e Bem! Glória imortal ao Sangue vertido da Cruz, pois Ele é a melhor forma de viver.
A filha, no ventre da amada, ao Sol que ainda aquece no frio, ao Marçal, Bezerra, Leão, Cunha, Leme, Arcanjo, Miriani e aos que me circundam: Graça e Paz! Fartura para os que dividem, e misericórdia aos que acumulam.
Em tempos de crise, ticoliro (lhe chamo assim desde que soubemos de vossa alegre e bem-vinda  chegança), nós andamos dispersos, mas o fundamento, côrpo e essência para se manter são é você. Então, o tôm, contracrônica e palavra dessa epístola é para você. Os acima citados são meus, e me tem carinho como os tive, logo, se são pessoas de meu viver, pode os considerar teus amigos e próximos.
28 anos, sem a amada, com a barba extensa, e a todo dia orando por você, e desejando ardentemente segurar-te em meus braços ao menos uma vez e te amar gloriosamente - filha, és de fato a concretização de um sonho, e a alegria que fulgura em meu peito, faz-me bem e dá-me ânimo e esperança. Não há um dia que eu não imagine sua mãe, e não pense nela, tampouco cá vós, e oro para que o dia da festa esteja pronto e digno para sua entrada. Em ti vejo a calma que tanto busquei, e o motivo de continuar a terra. Em paz e ainda em paz, desejo ser para ti o pai que nunca tive, e ser presente como o meu nunca foi, amar-te e apoiar-te e dar-te o que conheço, tenho e sei. Te ensinar o amôr, a verdade, e o que realmente é o mundo. Não te quero santa, mas não te desejo comungando com falso moralismo, quero-te livre, verdadeira, e fiel a seus princípios - e mesmo que os teus princípios possam me magoar, serei fiel a teu amôr, pois é por você que dobro meus joelhos a cada dia desde que soube que seria o melhor presente que tua (incrível) mãe poderia me dar.

II - Passar dos dias, admoestação, cuidar e conhecer:

E aqui eu fico, isolado, longe, arrumando a casa para sua chegada, e imaginando você; Desejo que não seja nem igual a mim, tampouco a sua mãe, mas que tenha seu brilho próprio e que ache seu lugar ao mundo, que eu e ela possamos lhe dar com o tempo e com a experiência, você é a primogênita, e cheia de amôr. Permita Deus que nós sejamos exímios em sua criação e possamos lhe passar o que julgamos ser a verdade. Filha, agora me acho aparte de vocês, mas nunca em momento algum deixei de amar ou sequer pensar em vocês, digo com a certeza dos Patrísticos que estou vivendo um sonho acordado, mas o maior sonho de minha vida, não estou vendo. Apenas sentindo. Deus é bom, justo e maravilhoso, e a tôdo momento cabe a Êle render glórias, pois em respostas de minha oração, Êle me entregou sua mãe como mulher, mãe, amiga, namorada, amante, rainha, consorte, e esposa. Ter sua mãe não foi apenas amar uma mulher, mas ela fez mais por mim como qualquer outra. Sua mãe encontra-se num patamar igualado e nivelado de sua Avó Márcia, e de sua antecessora, Dona Antônia - A Véa.
Porquanto você estiver com ela, diga que a ame, cuide e ampare dela, faça-a bem, respeite e ouça as decisões e conselhos dela com sabedoria. Abrace-a forte, e beije o rôsto mais macio que há. Tenho mais certeza ainda que não poderia haver mãe melhor para você do que ela. Afora sua mãe na terra, há Maria, a Virgem Sempre Bem-Aventurada, que ouve minhas preces e há de sempre lhe acompanhar por onde for, porque a amada Rainha Celeste, mãe nossa, me disse que cuidaria dos teus passos e te daria a alegria. A Mãe, minha filha, sempre quer nosso bem. Sempre.
Ame seus avós, e não esqueça de sua avó Márcia, que muitas vezes lhe ora e pede sua vinda com saúde, e ânimo. Cookie, a cachorra mais desordeira do mundo te espera ansiosa para lamber sua cara e roubar sua comida. Todos nós, deste lado da história estamos muito ansiosos por você e fazemos votos de lhe amar muito, e em paz, e contemplar você.

III - Consolação, virtudes, apoio:

Não há culpa, não há magoa, não há dôr. Há um vazio que vocês duas deixaram, e que nunca se preenche. Nos primeiros dias, pedi tanto a Deus pela morte, e ele nunca me respondeu. Talvez eu deva lhe segurar nos braços para entender o que é a perfeição, para depois partir. Filha, dou-te como lição ser sempre leve, aceitar tudo o que Deus lhe manda, e amar as pessoas com cada tino e certeza de seu coração, confie em tua intuição, e acredite sempre em seu potêncial - se hoje sou pai, e estou vivo, é porque ao longo do caminho sempre tive o sonho de um dia poder constituir minha família, e mais além: Sabia de que minha vida seria perfeita com tua chegada. Não houve um dia que não esperei por hoje, e digo que você desde que revelada já foi muito amada, tôdas as minhas alegrias hoje são você.
Se eu não estiver por perto, saiba que lhe amo, e lhe tenho confiança em tudo o que fizer, e mais além: Tudo o que desejar, que for sincero e puro, de teu merecimento, Deus lhe dará e te recompensará pelo que dividir com teus irmãos. Ama a vida, e despreza o gôsto de ocre na bôca, renega a casa, flôrete e jardim, e ama a perfeição, entende que tudo que vive é irmão, e que há uma Fôrça soberana que rege, guarda e ilumina teus passos nessa terra. Sê feliz, pois quem tem sorriso na boca não tem tempo para chorar; Entrega-te só para quem te merecer, pois tem seu pêso posto em ouro, vale muito e é estimada, preciosa e querida. Ame apenas quem for digno de seu amôr, sê caridosa com todos e louva a Deus por tudo, pois em Tudo Êle estará contigo e te livrará do mal por onde você for, carregas o sangue franciscano, sê humilde, grata e em paz.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

19/02 (Sob o Sol)

Desde a primeira vez que meus olhos repousaram,
em seus cabelos,
em seus olhos,
no seu desterro,
bochechas tão coradas,
na cáucasa pele;
Eu sabia que ali estaria um sacrário,
foi pequeno o espaço da calçada,
grande tempo de segundos,
pouco tempo para muita cerveja,
Vitorino cantando vantagem,
nome ridículo de um primo,
Arce contando cerveja,
Arcanjo doando cigarros,
Jesus estava na sua frente, você lembra?
Jesus te serviu, e você disse não.
o all-star, o andar, um falar, a legião de calouros andando pela tiradentes
um mural]
E aquele mesmo bar foi aquele que demos calote no final do semestre,
lembra?
o Mosteiro,
o Frade Menor enterrado,
a vida acontecendo e se fazendo acontecer,
risos que turvaram a noite,
que vontade de te puxar num assunto,
a Irmã Tesoura.
Está tudo ainda ali
E, será que você é você, carinha?
um motivo torpe, qualquer coisa para qualquer resposta
(desde que fosse a tua)
mas, ela veio.
naquele dia, os dedos de Deus riscaram os Céus,
e subitamente
soube eu
que aquele sorriso
é o sorriso mais lindo que já vi em minha vida toda.
365, 1, 525600, não importa a nomeclatura, se,
ainda continua tudo aqui,
da mesma forma
do mesmo jeito,
aqui.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Swinging Along.

Se você me conhecesse, saberia do motivo do brilho dos meus olhos, e não me afastaria do que me faz bem. Me colocaria em um dos nichos, e nos muros de pó-de-ostra estaria eu cohabitando entre o tempo e a história, sendo mais um dos que se passaram, a viver o que convém.
No final, a história seria apenas um pedaço no tempo, e diversos períodos de tempo contemplam uma cena na biblioteca da vida, e se não houvesse memórias a se consultar, de nada valeriam, mas sabe-se que as referência mudam completamente. O livro escrito, por mais que semelhante ao que se escreve, tem lá suas diferenças. Muda-se as pessoas, e finalmente muda-se a cena, há uma nova fase em progresso, e a música continua a mesma - apenas entrou numa suíte diferentes.
Deitaria minha cabeça no seu colo e não diria nada, e no peso de seu colo sentiria como pesa uma cabeça que tenta achar a resposta de tudo, não para si, mas para ter o causo crítico da razão para tudo e para todos, e assim, vendo-me entre o acordar e dormir, iria respirar, e somente sorriria, e nada diria. Os carinhos cessariam, e minha cabeça, finalmente podendo descansar, faria a sua pensar. Os dias correm, e frios ou quentes os pássaros ainda estão lá, e pouco importa o que possa acontecer, somente valem que os pássaros estajam brigando contra o Céu para morar no ar, e ainda bem que em alguma fase de minha vida eu vou morar no Céu - cabe mais a terra funda que me encerca do que o concreto que me causaria uma ruína.
E não muito longe de onde ela olha da janela e vê a ávida multidão, ele anda na rua vendo as gotas de chuva caírem por completo na rua, o asfalto ficando úmido e as marquises se apoderando do mar de gentes que lhes cabem por baixo. Enquanto a chuva não derrete quem não é feito-de-açúcar, ela olha as gotas molharem a janela, meias no pé, e enquanto o pão está no forno, uma coberta quente e uma cama lhe esperam para descansar, afinal, o que mais lhe valeria? O corpo pequeno e macio que repousa é também aquele que abriga o esconderijo da alegria que se sente mais ainda não vê, os olhos cuidam de cruzar o que a alma não vê, e os corações ainda se fazem encontrar numa sintonia mesmo que dissonante, e aquilo que é alegria, não se estabiliza, apenas se mantém de forma alteradas, afinal: Não é a vida que acontece?

domingo, 10 de novembro de 2019

José.

Na madrugada, não muito longe desse mar, dois amantes se deitaram após de ver a rua, e no parco moviemento, como duas sentinelas, do alto da janela, se abstém. A cama quente sabe se entreter melhor que a madrugada que desponta pelos olhos acastanhados, olhos que só sobrevivem no crepúsculo, olhos que nascem quando o dia morrer. Ali, no eleio, elegem-se arrimo um do outro, e enquanto dorme, com o cabelo acacheado perfumado, no grosso do sono eu a ouvi dizer meu nome. Pele branca, cintura fina, pés pequenos, sorriso esmaecido e a tranquilidade que finalmente encontrou-se no sono. Dos justos, dos incertos, do que valer, mas ali se encontra o fim.
Eu ouvi, você chamar, o meu nome.
De fato, não me assusta por um segundo que a vida se aconteça e se renove. Me assusta as pessoas querem dominar o alheio, transfigurar aquilo que lhes cabem na vista de um palmo, para deturpar para seu próprio prazer - ou dor.
Cabe me a cova de desejos, e um mar ferreo aonde não consigo mais navegar - e foi ali, aonde deitei meu coração, por baixo do mar ferreo, aonde os heróis nunca saberão de seu panteão, e aonde as donzelas choram suas miçangas, lágrimas de môça e rugido de transformação, é ali onde ele está, pouco abaixo da linha da razão e um pouco acima da serviliência. Aonde os deuses podem pisar.
E dentre toda essa multidão, ouvi sua voz me dizer coisas, uma mão que segurou a minha, um abraço que me afagou e um beijo que tomou meu segredo. Eu estou esperando um milagre. Eu estou esperando os sinos tocarem. Eu estou esperando os pássaros marrons. Eu estou esperando o dia acontecer. Eu estou esperando o meu Sol rasgar o peito. Entretanto, esperar todas essas coisas nunca significou nada para os outros além de mim, e mesmo que as pessoas estejam a dizer: Estou aqui, conte comigo, só eu sei o que carrego - que vale dizer que está, e que compartilha, se no final não está e não compartilha? Me vale mais um silêncio do que a falsa esperança, e a falsa caridade. Me vale mais a solidão do que falsas companhias, e deixo o ouro na mão dos que o almejam, pois me basta apenas meus pés cansados, e o que tenho dentro de mim. Cabe a mim apenas ter a esperança de que já está tudo consumado entre os pés e contrapés da casa. Fiz o que pude e não pude, guardei a fé dentro de meu peito e distribui como a eucaristia a quem quis. O resto não me interessa.
Senhor, Tu tens tido feito o Vosso Refúgio em meu peito.
Nos velhos muros tricentenários, ainda consigo reunir as últimas forças para ver o Amado. E ao me entregar como cordeiro ao Pastor, sinto ao menos mais uma vez o Único amôr que realmente me ama sem ter adagas e pedras na mão, e sinto pela primeira vez que mesmo com todos os defeitos e falhas de minha vida, ainda tenho a minha redenção e glória. Sei que no final das contas tenho em minha alma uma grande coisa fervilhando, mas não sei o quê ou como, de qual forma ou proceder; Ponho-me defronte de um turbilhão de coisas que não sei decifrar, e apenas espero o tempo passar para entender tudo.
E toda vez que (se) sentir a dôr, respira, refrão. Acaso não sabe que a Mãe daquele que remiu o mundo olha pelo povo que come as migalhas? De certo, não é a destra do Senhor que se opera em maravilhas e salva o justo da morte? Que vida é essa, que faz os amados se degladiarem e dar a dôr em vez da esperança? Será mesmo que é isso, apenas brigar, até mesmo com quem se ama e crescer cada vez mais solitário, para depois de tudo ajeitado, vir alguém como um ladrão e dizer que sempre quis nosso bem? De fato, se a solidão nos faz bem, não nos cabe mais em sociedade ou como falsos amigos, falsos parentes, ou pequenos transeuntes de vida, que nos dão falsa força, ou falso carinho - a velha cultura do bate-e-assopra.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Após o Amanhecer.

Enquanto ela dorme, acordo para fitar o milagre miraculoso do amôr, e a mulher que repousa em meu peito, e sinto sua respiração suave, e seu sono me segura num aceso de preguiça, pedindo um pouco mais de nós dois na cama do que a luz do Sol lá fora.
A maneira dela quando fala só é boa quando fala comigo, e o sorriso dela só brilha quando o Sol reitera-se na glória, e todos as potências celestes se inclinam para ouvir uma oratória tão forte de uma mulher tão pequena, disse Basílio de Cesaréia para Lourenço de Brindisi: "Mas quem é essa moça que dizendo pouco e desconexo, diz com a mesma força dos Hierarcas?". Dizem que o amôr é a forma mais linda de oração, e quando um amôr se sente com tôdas as máculas do côrpo, até os Santos param para ver a dedicação de um casal. De seus olhos descem lágrimas, de meu peito jorra água e vinho, de nossas bocas, nossos nomes.
Seu corpo é uma escultura, que nunca se corrompe ou suja, e seus olhos mudam de côr quando acometidos de sentimentos: Seus beijos são desencontrados, mas sincopados, e seu amôr é desenfreado, mas meu.
E isso não é comigo, ela tem todo o débito da situação, pois bem sabe ela que a doçura do mundo reside nela, e em sua loucura, por mais que se sobreponham os sentimentos, ainda sim ela fala desordenada e sem ordem do que se passa em seu coração - e mesmo que sejam três palavras, ela se basta nisso, como se aprendesse que o básico, a nível de simples e de silêncio fôsse apenas o necessário, se vale de dizer pouco ou nada para externar do mundo que se diz no coração, na mente, na alma - solta o brilho agudo musical.
O corpo nu na cama, os braços atados ao travesseiro, o busto colado ao meu, as ancas se realçando pelo contraste do Sol e o rosto sereno, de quem dorme com toda a paz do universo. Aqui dorme uma rainha. O sôm nenhum que se propaga no quarto trás a experiência da contemplação, e dado o sentido de acordar, ao se estirar na cama, o milagre da vida toma cena: Os braços que se arqueijam, os olhos que se abrem, os pés que tocam o chão, a janela que se abre, e a São Paulo nebulosa e fria.
As marcas de beijo e mordida, as lembranças boas, os segredos, a vida, os dias e as noites, os carinhos e tudo o mais que há, tudo isso, sem exceção, cabe na glória de nos sermos, nos termos, e nos vivermos. E qualquer coisa além disso soaria total loucura e diáspora se não fôsse, houvesse, ou tivesse como ser.
E de uma janela semi-secular, de um apartamento no ponto mais estimado da Nova Cidade Velha, o amôr inflamou o chão de taco de uma casa. A janta vira café da manhã, e os amantes se isolam do mundo no eleio de um abraço.

domingo, 24 de março de 2019

Waiting In Vain.

Ela tinha um cheiro incrível, Deus sabe mais que eu. Descia-se de sua cabeça fios enrolados, de mística e vera sorte que podiam ser chamados de cabelo - juba de um leão suntuoso, e apregoavam de suas orelhas um par de brincos, que realçavam das sardas em seu rôsto, boca pequena, riso riste, número dela. Era de tôdo pequena, cintura fina, e gestos módicos, mas como um cais, parecia grande para que houvesse em si sentimento. Tinha gestos de quem vivia só, mas que se soltava a conversar se você estivesse disposto.
Talvez fôsse ela a maior definição de estar só no mar de gente, e talvez fôsse por isso que tudo aconteceu; Foi ali que os Céus tôdos caíram: Ao sentir o cheiro da pele, um leve aroma de infância, e quando dijunto a pele, não pude raciocinar muito e efetuei o disparo contido na boca que procurou a sua - definitivamente estava lá (eu) de coração e chaga aberta; E de fato, como nunca pude ser meio, fui tôdo para ela, e deixei as demais coisas suspensas no ar.
Sinceramente, não me importei da Quaresma, nem do carnaval, nem da chuva, nem de nada, era apenas necessário ter você nos meus braços, e sentir seu corpo contra o meu, e era mais do que importante você ter percebido todas as coisas que foram incluídas em silêncio no pacote, que só sabe quem ama: Dos sacrifícios, cabe apenas quem faz e quem sente, senão, não tem porquê. De tudo, quero guardar apenas o sôm dos sinos, o turvar feliz, o gôsto bôm na bôca, e de sorrisos, apenas. De todo o resto me esvaneço e caio de novo na ávida multidão, e no primeiro eu paro, no segundo eu fico, e no terceiro eu caio. Não penso mais no que há de acontecer, só penso que no final isso tem que valer muito a pena. No final, só quero levar alegria a todos os corações - de tiro, riso ou morte.
Kyrie, Elesion.
Não devo dizer que estou bem, os meus pilares já estão sabendo, e os amigos próximos estão me dando um Hovercraft(TM) maravilhoso, mas, o rebento do meu peito ainda é maior, e por hora, não me sinto afã em olhar a janela, e nem ver o Sol no frio. Zécão está aí, fazendo seu papel, e a vida vai se encaminhando, mas, não consigo deixar algumas coisas passarem tão rápido; A peneira mental me força lembrar a cada cinco minutos do que mais queria esquecer agora: Cada sorriso, abraço, beijo, turvor, suspiro, mordida, palavra, segredo, mão-a-mão, afago, cada cena dessas vem a minha mente agora, contrastado com o que não faz sentido, e me deixa atordoado, tentando entender o que não entendo, e estando a dizer o que não consigo conjugar, e a esperar uma resposta que possívelmente não terei. Hoje não teve música para dormir porque nem dormir se dormiu.
Kyrie, Eleison.
Eu espero que o vento não se importe se eu disseminar umas palavras tortas aqui, que se doam os ouvidos, mas que lavam a alma, mas eu só sei dizer que tôda tristeza padece de um momento, e tôdo momento dura uma parte, e depois não há de doer mais, fica apenas a cicatriz, apenas um sorriso disseminado no ar, trastejado com a lágrima que eu não quis te dar o prazer de ver, e quanto as flôres do jardim que eu queria que você visse, irei arrancar uma-por-uma, pois nenhuma delas se equiparou a sua beleza -  mais além - as flôres crescem e se desenvolvem, a terra se realoca, e fica o sentimento, e a mim na ventania. E nada realmente importa, não é mesmo? As coisas já estão arrumadas, e meu coração pesa. Meu sorriso não tange a aparecer, porque realmente rir agora seria desrespeitoso e inútil: A minha definição de alegria se atristejou, e agora está indo embora por aquela porta...
Kyrie, Eleison.
Quanto a mim, não se cabe em dias, ou medida de têmpo, cabe apenas orar, meditar, e esperar, fazer as coisas como sempre fiz, e com o têmpo esperar o plano de Deus se acertar, ver as coisas se encaminhar, e fazer o bêm, olhar para os meus, e esperar por aquilo que desconheço. Cabe a mim, apenas lembrar sem tristeza, mas com o amôr natimorto, amôr esse que foi todo guardado para você. E estará.
Deixo os meus discos falarem por mim, e as músicas sonarem por mim, as pessoas próximas agirem, nos Céus deixo o meu sentimento, e para os que cingirem meu rosto, não verão minhas lágrimas, e nem meu riso, me verão como sempre viram. Minha alma ainda aboia em momentos do dia, e meus olhos transporão para as minhas mãos os sentidos de ver a alma de cada um, e quando eu deitar minha cabeça na campa fria, sentirei em mim todos os sentidos do mundo, sem medo de saber o que há por vir, ter, ou fazer. Quando a vida estiver pronta, arrumarei minhas malas e pegarei o primeiro trem para as terras da Correntina, e lá, haverá um aboio para fazer, uma maia pra deitar, um gai pra acender. Em algum lugar, o seu sorriso ainda será o meu maior prazer, mas em algum lugar, sentirei sua falta mais do que agora.

sexta-feira, 1 de março de 2019

A Fôrça do Vento.

No eleio, deleitado com o beijo da mais amada, calado faz-se um voto. Uma jura. O silêncio que no seu bôjo carrega a denúncia do que nem êles sabem, mas fazem.
Na escada, as pernas lhe dão de travesseiro, e sua mão lutando contra a gravidade de um tempo inerte, tange o pálido rosto, está ali, nasceu ali: Foi ali que o amôr nasceu. Ela tange os dedos com outros dedos e o sorriso bobo não é, sendo, justificado. Dando-se a entender que a coisa mais simples do mundo convém de grande peso e confiabilidade. Eis a marca do amôr, o mundo ruindo em desprezo, egoísmo, solidão, e dois seres desprezam o universo e dentro do seu verso, imaginam-se sendo o universo. E são. Ele se põe por ela, e ela dá-se a suporte d'ele.
E no final, quando a chuva toca o asfalto, nada realmente importa, porque nada nunca realmente importa quando alguém lhe põe o Sol no peito. Estrêla da manhã, Deus Vos salve, cheia de graça divina, formosa e louçã. E se meu chefe me ligar, nada realmente importaria agora, porque seu perfume não vale minhas contas pagas, mas paga toda a agitação da minha alma, e ela fitando o amado, sente-se completa pelos dias de solidão,  por não achar ter, não merecer ser. Nada além de você, nada além de você, por favor, deixa eu te amar mais uma vez depois desses últimos 30 segundos amando você. Despreparadamente, mesmo vivendo isso tantas outras vezes, noto que o amor dos tantos dois únicos unidos ao grupo de milhões dois únicos unidos é tão igual, mesmo sendo tão diferente. E isso não importa a ninguém, e isso não vale a ninguém. O sorriso dispara o peito, o beijo eleva o sangue, o abraço contrai a lágrima, e o perfume relaxa a mente, e a presença aflora algo de total débil verdade, que nem os escribas mais qualificados conseguiriam dizer. Faz-se tão presente o amôr, que de tão forte passa desapercebido, e quem está ao redor acha loucura a vida assim, dá-se a julgar loucura o amôr quem nunca amou - e digo o vero amor, e não esses amôres de hora comercial, ou de obrigação contratual.
Ela põe a blusa dele, ele a abraça por trás, ela sussura, ele ri, eles sorriem. Nada realmente importa. Ele levanta, ela pega a bolsa, ele estende a mão, ela aceita, ele a puxa para um beijo, ela sorri beijando, êle tem o Sol no peito, nada realmente importa. O Céu cai dentre as lindas nuvens que desabam água dos Céus, Jesus mandou lavar o casal para um começo purificado, a água mísitica científicamente comprovada pelo ciclo de evaporação cinge a luz do semáforo, ele anda de mãos dadas, ela pensa em até o fim do dia, ele planeja a semana, ela imagina o mês, ele ora por um semestre, ela não cria expectativas mas imagina os filhos, ele nem quer nada de tão ângular, mas pensa se ela vai amar ele até o fim da 2ª morte.
Fazem um sorriso, na escada rolante, outro beijo, ela cheira a avenca. Ele tem ótimas recordações de avenca, planta de infância. Ele pensa em amenar a barba, ela nunca cogita isso. Há uma alinhada de certezas no Céu que fazem as noites do centro serem bonitas e mágicas. Ele é recluso e evita multidões, ela sociabiliza e quer o movimento das ruas. Ele contempla e fita, ela sente e quer tanger, ele quer a casa, ela a caserna. Ele não quer, mas ela quer. Eles querem apenas o amôr. E tão só e somente.
Eles se despedem. Ele volta pra casa como um herói incerto, que poderia ter sido mais, e foi o comum, e se sente triste por não ser tôdo em expectativas. Ela volta, sorri, dança e turva, e ela manda mil mensagens se ele chegou bem. E o amôr assim se renasce, pela 27ª vez só naquele dia, pra esse casal.

E nada realmente importa.