Dance conforme a música do teu rádio, que bombardeia sonoramente cada vestígio de buraco do teu ouvido, e faz seus músculos se contorcerem, seus olhos fecharem, e suas mãos soarem friamente e serenamente - cálidas. Dance enquanto é possível, enquanto o medo ainda é mínimo e a vontade e a força fingem que dormem para manter o alicérce do ser que finge que está tudo bem. Está tudo bem, ele lhe disse, está tudo bem, eles pressentem, ele nunca dorme, ele está aqui, ele está atrás de mim, ele está comigo. Ele me amou primeiro.
Desça todos os lances de escada, e procure na rua uma verdade tão crua quanto o miojo que você come antes de cozinhar, e antes do sorriso que você disparar, que não demonstra que sua cara anda tão fria, tão sozinha, tão sem o presente-ausente; E vede que tudo aquilo que lhe foi planejado não foi nada sequer verdades cruas, e o sorriso vai brotar ao se lembrar de tempos bons, tempos idos, e você será remetida a tudo aquilo que se encontra enclausurado neste turbilhão de emoções que foi projetado agora, tão só e somente por você, e pra você.
Não há porque da cama estar sempre vazia, mas mesmo assim ela fica, e você, ocupa toda ela na diagonal, nos sorrisos motivados por sonhos, e por tudo aquilo que se perpetua no subconsciente de tua mente, aonde talvez nem caiba espaço pro presente-ausente. Talvez o amor irá te dilacerar. Talvez tudo aquilo não passe de uma baboseira, talvez o amor não exista, e talvez ele nem seja o amor da sua vida, talvez ele só te trate bem por algum motivo aparente, e todas as vezes que ele tentou te ensinar as coisas que ele sabia - um tolo, eu sei, Um completo idiota - R E T A R D A D O !
...Mas, se te interessa saber, ele fez com o peito por você. Pra te ensinar o que nunca ninguém o ensinou, e ele se matou e deu a cara a tapa e lama para poder saber. E hoje tem tudo numa bandeja de prata, mesmo que não valha nada e você nem queira saber, mas o mundo anda tão complicado e é tão necessário saber de tudo um pouco pra viver bem neste mundo tão caótico e feo...Ele só tentou ser presente-ausente.
Olha pros olhos e sente nada parecido com isto, tudo irá se renovar no instante em que isto acabar. Vai ser um riso e uma vontade sem fim de curtir a cama nestes dias tão frios, vai ser só a vontade, vai ser só o dia, a manhã dos senhores e o frio serrado que nos encrostra e encurrala contra os blocos de concreto pré-armado. É só mais um dia.