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quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Considerações Sobre a Igreja e Seus Fiéis.

Iæ - Motivação do texto:
Consideremos, enfim, a Igreja como uma grande família. E na família, sempre há divergências entre os filhos (cousa que não é mistério), tampouco velado; mas tal qual uma família, por vezes e vezes antes e após a briga, ela se reúne e se fixa no seio materno - no caso a figura da Santa Madre Igreja. O que assusta o escriba que vos escreve esse texto é apenas a condição na qual a Igreja se encontra, como se fôssemos filhos vilanescos que apenas a procuramos, tomamos o que é necessário para a cura ou prolonga de nossos vícios, e logo a deixamos a revelia de qualquer maneira.

IIæ - Genealogia e situação atual:
Somos 24 irmãos (e seus desdobramentos) da mesma Mãe, obedientes a um Pastor. Porém vejo que no fundo, infelizmente me dói as têmporas em saber que a Igreja também foi corroída com o ego do homem - isso se esse ego não esteve incutido a todo o momento de sua história, e apenas agora está dando mais sua face a mostra; nessas horas eu entendo os católicos de IBGE e todas as militâncias que se incubem de apenas chatear o fiel "comum" que apenas quer assistir a missa, tomar a eucaristia e ficar tranquilinho. Criou-se uma falsa conduta na fé e política nos ritos (com erro, falamos tanto dos irmãos protestantes que falam tanto de política e dinheiro em seus cultos, mas não temos tanta diferença).
Logo tudo aqui que vos escrevo, funda-se apenas em minha experiência pessoal, e exprimo em débeis palavras com a chance que alcance o coração endurecido ou que ainda não entendeu a situação. Não nascemos para viver travados ou prezos em contextos, e sim para viver e sentir aquilo que abrasa nossos corações e nossas vidas, por isso, devemos urgentemente abrir a nossa boca e louvar o que nos faz e mantém vivos - sem a amarra de achar que nosso próprio parente reza ou age errado dentro do credo católico.

IIIæ - Acontecimentos recentes:
Se vejo um Frade apenas conversar com quem é o benfeitor de sua paróquia, mas sai corrido e apressado para não dar a benção na água de uma garrafa de uma senhora, vejo aí que há uma falha no caráter e na moral do carisma referido, da Igreja e do ser que quer encontrar a Deus. Se a memória de quem diz perpetuar e manter eterno os "memoriais da caridade" (sic) é tão curta a ponto de esquecer a questão simples e direta do Evangelho; então como Igreja todos os 24 ritos falharam desgraçadamente perante o pedido do Senhor. Fiéis que não ouvem o grito do que padece, padres que se acham acima de bispos, e pessoas que por imprudência acham apenas que um ou outro ponto da Igreja é errado, mas "eu penso o que a Igreja pensa" (sic), logo, se pensas como a Igreja pensa, deve-se amá-la e acatar seus feitos e seu governante - que quer queira você ou não, é o Vigário de Cristo na terra.
De fato, amar apenas as coisas que são fáceis e de nosso gosto, é mui fácil. Mas engolir o sal é o que a maioria desses neo-vecchio-catolicos não vem. Não basta defender o tradicionalismo a partir da escolástica e de Pio V, antes desses homens houve a Patrística e Leão Magno, e após eles houveram João XXIII e o Concílio Vaticano II - e assim cria-se o mundo, do começo pro fim; podemos sim ter um período da vida em que seja perfeito e querido, mas não podemos de jeito maneira achar que a vida vai ser apenas este momento - haverão dias bons e ruins, mas ainda sim haverá a vida. E a vida se completa quando em família, em união e em paz; pois por mais que briguemos um tempo todo, a família sempre dá um jeito de se tolerar e se amar; porém não se pode amar uma parte e odiar a outra.
Viver a vida destilando a discórdia, não é e nunca foi católico. Nenhum doutor da Igreja preza ou prega por essa situação; tampouco exorta a isso - e indo mais na situação - Nosso Deus prega a reconciliação, a ajuda ao que sofre, e que o mantenha ao Bom Caminho. Devemos sempre ter em conta o que se passa, e entender aquilo que é de natureza humana inserido na Morada do Senhor, pois, se colocamos nosso parecer junto ao que pertence a Deus, não mais a Deus parece, e sim vira uma doutrina ou seita nossa. E se estamos juntos a louvar e ver a Deus, que seja apenas Deus.

IVæ - Evangelizar nos dias atuais e suas consequências:
Com o advento das comunicações, temos o advento do Evangelho ainda em terrenos desconhecidos. Existem agora, bandeirantes que desbravam as fibra-opticas a falar de um Cristo Justo, Piedoso e Misericordioso; mas assim como os antigos, devemos tomar cuidado com as armadilhas que nos esperam nos caminhos, pois, nos últimos tempos tenho apenas visto que a própria Igreja atrapalha seu caminhar: enquanto a Igreja criticar a Igreja, não faz sentido da Obra de Cristo existir; o momento, mais do que nunca, é de união e de alegria entre os povos. Enquanto houver um ser que critica o Papa, ou algum fiscal de missa, um padre que se ache dono da Igreja, ou um fiel que acha que é zelador da casa de Deus, a máquina estará veemente fadada a ruína. A distinção - coisa que Jesus o Cristo sempre lutou contra em todo seu ministério terrestre - volta a tona e com violência por nossas mãos; e a ser franco, deve ser por isso que recai este inferno sobre nós, pois não fomos nem capazes de cumprir as ordens de nosso Mestre.

Væ - Igreja Católica Fashion Week:
E aí pessoa, qual é o santo da moda? Ainda estamos na coleção Josemaría Escrivá, ou as baby-looks de Padre Pio vão voltar com tudo? Será que já esgotaram os adesivos de São Bento? E o terço da misericórdia de São Miguel, será que você consegue acordar as 3 para depois levantar as 5:30 para ir trabalhar? 
Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, é tudo vaidade.
Moda, apenas moda. Ainda cabe a nós aprendermos a Ave-Maria bem feita, e sabendo o que cada parte significa do que desfiarmos orações tão inócuas a nosso conhecimento, que corremos grã risco de fazer errado e sem entendimento - rezar por rezar - causando assim uma fissura na fé, e no ato de orar. Há uma diferença muito grande em ter devoção/apego em algum santo, e você seguir correntes devocionais temporãs; mais ainda: Há uma diferença totalmente exorbitante em viver o que a sua fé abrange, e o que tentam incutir na sua fé. Talvez seja esse o maior desafio do católico na atualidade: viver a sua fé sem que os outros coloquem devoções internas - eu, por exemplo, sou devoto e ávido pelo Ofício da Imaculada Conceição, mas nem por isso digo a todos os católicos que conheço que deve-se fazer isso, ou se recomenda. A fé, por fim, é pessoal e intransferível, e apenas o Senhor Nosso Deus é capaz de sondar o coração de um justo neste aspecto.

VIæ - Obras Geraes:
Quão aos tradicionalistas, aonde estão suas obras de caridade? Quão aos modernos, aonde estão suas formações? Ambos, parados em seu próprio tempo e espaço, ecoam num vácuo teológico, de onde não surge uma resposta sequer de alegria ou de vida. Padecem em seu próprio erro sem chance de volta. É preciso por muitas vezes transitar na casa toda para ter ciência do tamanho do espaço em que te encerra. Aprender a ouvir, e aprender a falar - e a verdade geral, nem sempre é a verdade de Deus, e nem sempre a verdade de Deus é aceita aonde habita a verdade geral. 
Vejo homens que tentam a todo modo se disfarçar e se habituar em maneiras e atitudes, mas nada do que eles fazem faz algum sentido ou razão. Logo, tudo o que vejo ou sinto em relação a isso ou ao mundo não passa de uma breve falácia. Se você transmuta as coisas ao seu prazer para comodidade, não há sacrifício, e logo, não te exerce força. portanto, és inapto para seguir uma religião fundada em renúncia. Saber ouvir para conhecer, saber falar para ser ouvido, e pensar para não se enganar. 

VIIæ - Questão de Ordem: 
Tudo, no fundo, que escrevo, é apenas por uma questão de ordem (no caso, religiosamente). São apenas arestas que precisam aparar para dar forma ao novo, ao definitivo. Não sou guardião de nenhuma verdade e tampouco militante de alguma tribuna, mas, sou um observador detalhista de meu tempo, e com o meu tempo, vejo as coisas como são, e espero que elas definitivamente estejam em par de melhoria. 

VIIIæ - A dita santidade:
Ser santo é por o lixo pra fora antes que sua mãe peça. Saber cozinhar um arroz gostoso. Ouvir inúmeras coisas e não levar para o coração e não deixar que tomem por completo seu pensar após ponderar. Ser santo é entender a mística da Igreja como se deve: simples, e altamente complexo. Ler e buscar na fonte o que se diz e o que se sabe. Não ter tempo para ouvir coisas que possam difamar ou sujar você, e seguir o caminho da paz como sugere São Pedro (I Pe III; XI-XII). A santidade reside em encontrar Deus, e não soltar dele, e a cada tropeço, ter a certeza infidável que dado o arrependimento e o medo, está lá o Justo Juíz soberano, sentado ao seu lado, lhe ajudando a seguir - admirável mestre, que mesmo pedindo para tomar minha cruz e seguir, muitas vezes me ajuda a seguir com a minha cruz, carregando-a comigo. É deste Amor que amo, e desta doçura que destilo.

IXæ - Harmonia:
Ao entender que a harmonia é necessária para a construção da vida, unidade humana e base da fé, compreendemos o que nos é dito e refletido inúmeras vezes: a vida não é apenas o que vemos ou o que nos circundeia, pois Deus criou um universo de situações aonde tudo pode viver com harmonia, e aonde faltar entendimento ou reinar a ignorância, que haja diálogo e perdão para resolver tais coisas. 
Não nos adianta, de jeito-maneira, achar que apenas o olho de nosso cabresto é o certo. E tampouco buscar uma verdade que por n vezes se torna inacessível se nos tornamos obcecados apenas por resolver x ou y. Devemos antes de encontrar a verdade, nos encontrarmos, e ao achar, cuidarmos. E ao nos cuidarmos, assim com o próximo, e apenas assim, a verdade pousará em nós como uma borboleta que nos circundeia quando menos percebemos. Achar o equilíbrio da vida é o ponto mais inflexível e difícil de um ser, mas quando aberto a alma para a compreensão da vida, logo percebemos que a Verdade nos habita, e logo assim, a sua verdade se torna fácil como água.

Xæ - Conclusão:
Termino, pois, ao escrever tão pesado texto, em tentar soltar meu eco ao universo das coisas que vejo e sinto, e peço e oro pela unidade de uma igreja que parece cada vez mais se constranger em brigas e falácias em vez de se unir e ficar em paz consigo mesma. 
E o que escrevi até aqui em paz, está completo.

São Paulo, solenidade de São Benedito de Palermo de MMXXIII.
Queiroz: Marcus. OFS(A)

domingo, 11 de dezembro de 2022

Tabacaria.

Uma tabacaria, sobrado, casa.

No bairro do grito, aninhado a árvore daninha,
ao lado do boteco de decanos senhores,
um bandeira, plantas, santos franciscanos e pretos velhos.
Tem uma família lá me esperando.
A mãe escreve no portão o preço, as filhas desenham retratos de infância.

Esse não é qualquer lugar. Eu juro por Padre Deus.
Ali tem gente que gosta de graça.
Ali tem verdade.
Ali mora Deus.

Tem grama no chão. Chão que a gente pisa com respeito e carinho, sabe?
Tem bandeiras, fumos, cangalhas, tererés, músicas,
conversas e dissertações da vida e uma chegança:
A chegança mais bela dos amigos,
que após sentir o peso da vida, apenas se reúnem,
e falam do riso para guardar a lágrima para depois.
"Robson, mais uma cerveja por favor?"

Tem tabaco. Tem conversa,
riso, confidência, verdade e esperança.
Flôres, incenso e azuis, a harmonia mais bela da vida comum.
O lugar mais franciscano na vida anti-franciscana.
Concorda-se entre os anjos que:
o n° 126 é a casa aonde se une a família de sangue com a família que escolhemos.]

Frades, presbíteros, diaconatos, militares, ferreiros,
aposentados, engenheiros, advogados, vendedores, alfaiates
reis, rainhas, pessoas comuns, pessoas extraordinárias,
pais, filhos, nóias, e cabeças de meia-lua.
Somos uma gama de pessoas que se auxiliam, se gostam, e se velam.

É sábado, tabaco, cerveja e lanches da Loanna com um Benício que descansa no ventre.
Valentine e Aurora trazendo a felicidade de crianças aos velhos corações cansados que lembram de sua infância e do evangelho do Senhor.
Robson, velho novo timoneiro, Anhangværa moderno, de conversa e sábios conselhos. De riso e de verdade cortante.

O dia nasce, o dia corre, o dia desce.
E morre mais uma semana.
E no sábado, comprar mais um fumo pro tabaco,
é que esse aqui do meu bornal já acabou.

Deus Vos Salve Essa Casa Santa.

terça-feira, 19 de julho de 2022

Preparação para a Morte.

 Alguns leitores tem lido as minhas últimas cartas (públicas) a amigos próximos, a quem os estimo. E me perguntam o motivo de no esqueleto armado das proposições das cartas haver sempre de ter na terça parte um capítulo chamado "Preparação para a Morte".
Bem, explico-vos nesta minuta:

É de fator humano que a morte é irremediável, e eu na condição de católico e afiliado ao carisma franciscano não tenha medo da morte, pois como nos diz Frei Francisco: "Louvado sejas Meu Bôm Senhôr, pela nossa Irmã, a Morte corporal, da qual nenhum homem pode escapar!", logo, me preparo para minha morte diariamente como todo católico deve(ria) fazer.
Monges, padres, santos, todos fazem disso um grã costume tradicional e costumeiro, isso não começou com Afonso de Ligório e tampouco se resume a memento mori. - expressão latina que evito ao máximo usar para não ser confundido com os ridículos da tribuna. Sou escriba.
Medito sobre meu fim, se fui frutífero ou de boa estima, e se eu também deixei frutos, se apresentei bons atos de fé para os meus e a Deus. E entendo, que iminentemente eu vou morrer, seja pela moléstia que me aflige agora, ou depois de qualquer outra forma, mas, dado o atual cenário, me preparo para poder dizer e fazer da melhor forma; não quero ser ou soar dramático, pois, a ideia é justamente aprender a lidar com o fato da morte, e saber que uma hora me chamarei saudade - por isso, dado a exemplos que vivi, escrevi (e ainda estou a escrever) cartas e ensaios dos meus pensamentos e opiniões sobre a vida, das pessoas, e as minhas impressões da terra - não gostaria de ser mal-interpretado e tampouco que pensem "o que será que ele pensaria disso?" Por isso, em formas de escritos, deixo para trás meus textos, conselhos, admoestações e forma de vida geral para compreensão. 
E isso de forma certa não é para me por em condição de mártir, mas apenas para aqueles que buscarem a saber os meus últimos passos, saibam o que fiz e vivi pela melhor pessoa: O cronista, Marcvs. 

Grato por tua leitura. :)

quarta-feira, 2 de março de 2022

Reminiscências.

Lembro da terra seca, e lembro da senhora de ventre seco. Olho os Céus, e lembro das turvações, dos gostos, texturas, e de quem eu era.
Lembro do avencão pendurado na parede, e das plantas que estavam sempre nos beirais da janela, os pássaros que cantavam,  e do canto do assum preto que minha avó tinha. Lembro da tapioca com manteiga de garrafa, da tubaína gelada, de puxar capuxeta no Céu e cortar os dedos com cerol, e lembro mais ainda de quem eu era.
Mas, quem eu era? Quem eu sou? O que eu quero ser?
Lembro-me do que era na medida que lembro do que fui em algum tempo, e sei o que sou pelo que vivo e projeto na minha mão, e serei aquilo que preciso ser para mim, e no máximo, para os que me pedem algo e os levo em conta.
Sou de gostos simples, e de coisas pequenas, humildes. Gosto de tubaína, misto-quente, corinthians, antarctica, tatuagens, livros católicos do cristianismo primitivo e franciscanismo, gosto de andar, caminhar, de beijar meu amor indecorosamente e poder andar de mãos dadas com ela, gosto de ter meu tempo e me organizar, ter sempre um passo a frente dos fatos e situações, gosto de The Who, de música, instrumentos de corda, de discos de vinis, e do centro da cidade. Gosto também de sorrir de uma piada indecente e de humor negro, assim como gosto de ver as estrelas no Céu e de ver o Sol nascer. Gosto de sentar na beira da praia, comer camarão e ouvir Evinha tomando uma cerveja, com minha nega do lado, toda gostosa de maiô indo tomar banho na calunga grande. Gosto de escrever na reforma ortographica de 1921. Gosto de sorrir de volta para uma criança, e abençoar os irmãos cãos de rua, e gosto de ser abraçado. Gosto também de quando consigo tirar a pressão de mim mesmo - o que anda difícil agora que ando sóbrio, e gosto (as vezes) de receber massagem na minha perna machucada. Gosto de dias frios, com vento, e garôa. Gosto de surpresas, e principalmente de dar presente para as pessoas que estimo, e sempre quando dou presentes é algo que faça a pessoa lembrar de mim, ou algo que ela queira muito. Gosto do clima de sentar numa mesa e jogar conversa fora, falar abobrinhas, fazer caretas, e peidar discretamente quando saio pra fumar e fingir que alguém no fumódromo pisou no cocô. Gosto quando me agradam, e quando já sabem do que gosto e deixam fazer o que gosto. Gosto do Largo São Francisco, e gosto de como ali eu vejo Deus na Eucaristhia. Gosto de quando ela sorri pra mim, e quando deixa eu ser ousado, e quando ela é minha amiga e me tira o peso de existir. Gosto de como a presença dela me faz sentir alguém importante, e gosto do jeito que ela deixa eu a ter. Gosto do gôsto dela, e gosto da gesta, e gosto mais ainda, de todas essas coisas que gosto.

E gosto, de escrever.

sábado, 8 de maio de 2021

Snowdance.

 Será que você pensa em mim, talvez como eu penso em você? Que eu entre os marronzinhos penso num carmelo, e de lá do lado do morrete do carmo, você pensa num marronzinho? 

Em algum dado momento dessa história, seu coração vai desaguar tudo isso, e largando de lado essas coisas tão banais, separatistas e desnecessárias, e será que ao abnegar disso tudo você vai se render nos meus braços? Será que no meu cativeiro, seria você que me desataria a cadeia e diria: Toma a capa, veste e vêm? É você por quem eu esperei há tanto, há muito, há dentro, ou devo ainda deixar meu coração preso no baú dentro do mar férreo? Diz-me que é a mulher que anda pela rua sem mêdo, bebe da fonte, e deságua na foz de minha bôca.
Jorra-se água e vinho. E é a vida.
Não sei não fazer planos, e não sei me apaixonar sem desaguar em mim tôdas as alegrias de ter alguém, tanto como dentro de meu lado oculto sei de minhas inseguranças, de meu mêdo, e de tôda a mágoa que cabe naquele grito dos 15 últimos segundos da canção grafada. Eu, sabendo de mim, sei de tudo ao meu redor, e eu me conhecendo, sei das texturas, gestos, côres, e das coisas que os profetas, anjos, primeiros e menores falaram. E antes deles, sei de mim. Me ponho como um na multidão, esperando que você me note, mas pelo visto há de demorar, ou talvez seja apenas um paliativo enquanto o seu homem não vem.
E não tem nada não, está tudo bem assim mesmo, apenas deixe a regra do jôgo clara, e eu me declino do que me pede. Me vale a paz do que esse entôjo, me vale o amôr do que essa amargura, e me vale o êxtase do que esse destêrro. Lágrima jorra, coração sabe porque, mente arquiteta pensar, e o carrasco de si mesmo o acusa com régua, para que a régua o meça. Não há nada de decente ou justo, é só a vida ocorrendo, e é normal, talvez até comum.
"Você se lembra daquele dia, no Rossio, tomando as mãos de gesso na tua, aquêle pedido? Você pediu, e talvez não tenha pedido direito. Nem tudo que nos transborda faz bem, alguns transbordes são para nos afogar - matar, sabe? Distingua a água do vinho e não tenha mêdo: Tôdos morremos e tôdos sabemos de si. Mas Deus, nessa hora se faz o Juiz, testifica e setencia quem é diferente."
Faz frio, um cachorro ronca, e os instrumentos se calam. Gostasse eu que minha mente se calasse, que meus pensamentos não me traísse, e que meu coração fôsse ao meu favôr. Gostasse eu que não fôsse meu primeiro juíz e carrasco, e que o pêso da história (constatação do fato) não penasse contra mim.
O têmpo, implacável perfeição advinda de Deus, sabe de mim, de meu coração imperfeito, e dá a razão e a lágrima. Andando contra o vento, sozinho, o vento não fala - carinha, o vento não corta - abraça, e o vento não desarruma - conta um segrêdo-de-pé-de-ouvido. A lágrima cai, e independente do que se há, é de lágrima, e nada mais, é apenas o desabrochar do mêdo. Saber de mim e saber de minha ferida e imperfeição: Vêde êles; tão lindos, belos, beberrões, saudáveis, com suas posses e empregados, e presentes...
...E eu esguio, de pés cansados, feio, desarranjado, sem posses, sem empregados e ausente.
In vera veritas; Não sei falar de amôr mais, perdi a mão dos versos, mas ainda deságuo minha dôr e mêdo por linhas como ninguém, e sei de mim e minha condição, aceito-a, e considero-a. De fato, as vezes também me sento com os da tribuna e rio de mim mesmo co'eles, afinal, é engraçado: Não há quem me ame, ampare, ou console, e tampouco sei que não sou aprazível para mulher alguma, tampouco sei que sou de boa companhia e trato, que tenho muitos defeitos (físicos também) que não são os que mais podem me ajudar neste quesito.
Eu lembro da vida, de quem amo e estimo, e choro.
Não há quem se arrume pra mim, tampouco há quem se adorne pra mim, e está tudo bem. Há quem se adorne pros outros, e infelizmente está tudo bem. E infelizmente, meu coração mais uma vez pena, geme, chora e tange.

E não há nada, absolutamente nada nessa vida, que eu não quisesse mais do que a morte.

domingo, 17 de novembro de 2019

Gente Humilde.

Seo Fabio é a transição do têmpo e espaço, e nessa tentativa inútil de viver entre o saber e o descobrir, abri a fenda do tempo de imortalizar meu avô em palavras.
Nascido na fenda da pedra dura (chamada Itaquera), nasceu o homem de poucas palavras, ironia extrema, franqueza, e batedor-de-dedo-indicador na mesa quando bebe cerveja e come azeitona de tira-gosto.
Seo Fabio foi o homem (cujas profecias, pois homens desse calibre não estão na história, fazem), de bairro, futebol, de namoro-de-portão, de trabalho duro, e salário muito baixo, pouca comida e um omelete para quatro filhos. Uma esposa que lhe ajudava onde podia, e muitas vezes só aliviava o peso do mundo no bar, tomando a cana mansa-couro, ou o futebol onde se quebra ou é quebrado. O peito de meu avô é o lugar mais inacessível do mundo, e louvado seja quem o adentrou. Creio que se eu tivesse tantos dinheiros quanto bolsos em minha calça, deixaria todo isso guardado no peito de meu avô, nunca soube eu que alguém passou ali - e se passou, não voltou para contar a história.
De todo, meu avô sempre foi racional em tudo o que fez, agiu e constituiu ao longo de sua existência, claramente, nunca deixou muito o sentimento ir em sua frente, mas ao mesmo tempo, com sua forma, deixou o sentimento aguar parcas vezes - mas dessas parcas vezes, cada vez que me recordo, sei que vale mais do que uma vida sendo amado e amando. O altar que ponho Seo Fábio, o Velho, é digno por saber que foi um homem comum, que acordou cedo, labutou, jogou bola, bebeu, falou palavrão, brigou, riu, falou da política, ajudou quem pôde e como pôde, e se dedicou a família como pôde, em todas suas instâncias. Se meu pai foi omisso, nas raras vezes que pude estar pareado com meu avô, ele foi mais que avô, foi pai, mestre, profeta e amigo. Meu avô, por mais que não saiba, é um de meus melhores amigos.
É a prova cabal de que a vida não precisa de muito, mas o pouco tem que ser bem-feito, e feito com carinho e lucidez. E que na dificuldade proliferam coisas boas sim. Me ensinou tantas coisas, e mesmo sem saber, me incentivou em tantas outras, e indiretamente, me ensinou por tantas outras. Seo Fábio ainda hoje acorda, pega a bicicleta, vai até a banca, pega um jornal, passa um café, e lê o jornal ouvindo as notícias no rádio, e sempre que pode acompanha seu time jogando. Sempre que estou por lá, ouvimos uns discos, ou quando não estou lá, ele mesmo ouve os discos dele.
Seo Fábio não sabe, mas ele é uma das pessoas que mais sinto saudades.
Seo Fábio não pode morrer, e quando (infelizmente) a Irmã Morte o abraçar, rogo ao Santo dos Santos que mandem anjos em seu encontro, e que na presença da Virgem, sua alma seja amparada e consolada pelos serafins. Peço que ele, muro de arrimo e casa-forte de tanta gente dessa família, esteja em paz, pois não houve e nem haverá um espelho tão belo e límpido como esse homem. Espero ainda que segure meu rebento no seu colo. Espero poder curti-lo mais um tanto, e mais além: Espero poder abraçar aquele velho mais um tanto, mesmo nunca tendo a coragem de o fazer, e que no derradeiro momento, ele saiba que apesar de minha ausência, sempre se faz lembrado por palavras, atitudes, carinhos e prece.
E por último, mas como cimento, digo que meu avô, mesmo com sua agnosticidade, ou ateísmo, foi quem mais me ensinou de Deus, pois ao afirmar sua dúvida, me ensinou a entender o credo e correr atrás das Potências Celestes em meu caminho.

A benção, Seo Fábio!

"E eu que não creio, peço a Deus por minha gente; É gente humilde - que vontade de chorar"

domingo, 10 de novembro de 2019

José.

Na madrugada, não muito longe desse mar, dois amantes se deitaram após de ver a rua, e no parco moviemento, como duas sentinelas, do alto da janela, se abstém. A cama quente sabe se entreter melhor que a madrugada que desponta pelos olhos acastanhados, olhos que só sobrevivem no crepúsculo, olhos que nascem quando o dia morrer. Ali, no eleio, elegem-se arrimo um do outro, e enquanto dorme, com o cabelo acacheado perfumado, no grosso do sono eu a ouvi dizer meu nome. Pele branca, cintura fina, pés pequenos, sorriso esmaecido e a tranquilidade que finalmente encontrou-se no sono. Dos justos, dos incertos, do que valer, mas ali se encontra o fim.
Eu ouvi, você chamar, o meu nome.
De fato, não me assusta por um segundo que a vida se aconteça e se renove. Me assusta as pessoas querem dominar o alheio, transfigurar aquilo que lhes cabem na vista de um palmo, para deturpar para seu próprio prazer - ou dor.
Cabe me a cova de desejos, e um mar ferreo aonde não consigo mais navegar - e foi ali, aonde deitei meu coração, por baixo do mar ferreo, aonde os heróis nunca saberão de seu panteão, e aonde as donzelas choram suas miçangas, lágrimas de môça e rugido de transformação, é ali onde ele está, pouco abaixo da linha da razão e um pouco acima da serviliência. Aonde os deuses podem pisar.
E dentre toda essa multidão, ouvi sua voz me dizer coisas, uma mão que segurou a minha, um abraço que me afagou e um beijo que tomou meu segredo. Eu estou esperando um milagre. Eu estou esperando os sinos tocarem. Eu estou esperando os pássaros marrons. Eu estou esperando o dia acontecer. Eu estou esperando o meu Sol rasgar o peito. Entretanto, esperar todas essas coisas nunca significou nada para os outros além de mim, e mesmo que as pessoas estejam a dizer: Estou aqui, conte comigo, só eu sei o que carrego - que vale dizer que está, e que compartilha, se no final não está e não compartilha? Me vale mais um silêncio do que a falsa esperança, e a falsa caridade. Me vale mais a solidão do que falsas companhias, e deixo o ouro na mão dos que o almejam, pois me basta apenas meus pés cansados, e o que tenho dentro de mim. Cabe a mim apenas ter a esperança de que já está tudo consumado entre os pés e contrapés da casa. Fiz o que pude e não pude, guardei a fé dentro de meu peito e distribui como a eucaristia a quem quis. O resto não me interessa.
Senhor, Tu tens tido feito o Vosso Refúgio em meu peito.
Nos velhos muros tricentenários, ainda consigo reunir as últimas forças para ver o Amado. E ao me entregar como cordeiro ao Pastor, sinto ao menos mais uma vez o Único amôr que realmente me ama sem ter adagas e pedras na mão, e sinto pela primeira vez que mesmo com todos os defeitos e falhas de minha vida, ainda tenho a minha redenção e glória. Sei que no final das contas tenho em minha alma uma grande coisa fervilhando, mas não sei o quê ou como, de qual forma ou proceder; Ponho-me defronte de um turbilhão de coisas que não sei decifrar, e apenas espero o tempo passar para entender tudo.
E toda vez que (se) sentir a dôr, respira, refrão. Acaso não sabe que a Mãe daquele que remiu o mundo olha pelo povo que come as migalhas? De certo, não é a destra do Senhor que se opera em maravilhas e salva o justo da morte? Que vida é essa, que faz os amados se degladiarem e dar a dôr em vez da esperança? Será mesmo que é isso, apenas brigar, até mesmo com quem se ama e crescer cada vez mais solitário, para depois de tudo ajeitado, vir alguém como um ladrão e dizer que sempre quis nosso bem? De fato, se a solidão nos faz bem, não nos cabe mais em sociedade ou como falsos amigos, falsos parentes, ou pequenos transeuntes de vida, que nos dão falsa força, ou falso carinho - a velha cultura do bate-e-assopra.

sábado, 23 de março de 2019

Apenas Um Rapaz Latino-Americano.

...E foi embora junto com a blusa, foi embora junto com o sorriso, e com a vontade de mais uma vez ir ver as flôres daquele jardim, e foi embora como muitas vezes foi embora. Foi de mim que saiu a virtude de continuar a viver. Pensando bem, saiu de mim o início para sair dali o fim.
Em cada altar do meu coração em que ergui um altar para você, eu vou o demolir, e para cada oração que fiz por nós dois, abrirei meus braços pedindo a verdade aos Céus, e para cada sorriso inocente, deixo uma Luz que incandeia na estrada, e para cada dôr, aprenderei a lidar, como sempre tive que lidar, e deixar mais um rastro de conhecimento para ninguém, mais uma gama de planos jogados ao vento, casa que foi planejada na areia fofa, e sonho que nao vou sonhar mesmo.
O sôm dos sinos é aonde guarda a minha verdade. É onde nunca deixei de ser meu.
Dona Antônia, que falta me faz. Seus 89 anos batidos nos meus (quase) 27 iriam ter a regula certa do que fazer neste momento. Sua mão, tão sôfrega e torta na minha, durante o Ofício, me diria algo que me faria pensar melhor, meditar, considerar, ou ao menos olhar ao meu redor e me desafogar daqui. Véa, a vida anda sendo pesada e dificultosa, não venho me mantendo, e sinto cada vez mais das dôres que lhe dizia. Ouvir sua voz agora seria mais que bálsamo, mas o melhor presente de aniversário. E por mais que eu saiba dos "ricos que pisam nos pobres", e os "bem-aventurados os humilhados", e "fazer seu melhor e esperar, pois tudo tem seu tempo e sua vez", mas, franciscanismos a parte, minha Véa, quando vai chegar a minha vez? Quando minha chaga irá fechar?
Percebo, mais uma, mil, vinte mil vezes, que ainda me entrego, e não me reservo, ainda sou temporão em tudo que faço, e mantenho meu melhor. Percebo mais ainda, que as pessoas nos olham como peso de prumo, e nunca como pessoas que sentem, olham, falam, e por isso nos tratam com objetificação, daí, consigo somente pautar a tristeza dessas linhas assim. Talvez Dona Jorgina estivesse certa em algunas aspectos. Alguns.
Eu só queria dizer nesta crônica de desabafo que meu peito dói, mas, que não vou seguir sorrindo. Minha fé ainda me ajuda a seguir, como a todos acontece, mas, hoje em diante me reservarei mais, voltando a ser aquela isolada, vulcão inativo, perdido no oceânico, que quase ninguém sabe que existe. E que a meta pra esse ano, não é mais chorar (lágrima última que foi derramada hoje), e sim rezar, pensar, e entender os planos de Deus para hoje - e sempre; Afinal, fui eu mesmo que pedi na oração de sempre: "E Que eu só leve alegria a tôdos os corações", não é mesmo? Então, que assim seja.
De resto, que o têmpo flua. - Que as lindas garôtas ouvirem, e que o Céus turvem ao meu favôr.

Kyrie, Eleison.

domingo, 3 de março de 2019

To Zion.

Vêde, que as coisas ao meu redor desmoronam, e como Jan Palach continuo a rir frenéticamente de tudo, pois assim me faz bem, me é melhor, e me ajuda a passar pelas trovas de dôr e dor e dôr e dor e dôr e dor. De repente, noto que as flôres daquele jardim morreram há meses, e só me importava o cheiro, hoje apenas as cultivo por qualquer motivo de menor afanismo. Algo irá acontecer, me rasgará como o Véu do Santo, e eu nem ligo. Só quero não estar aqui.
Não me importo com os dias. E sinceramente, não posso evitar de não me importar com a vida e com as coisas ao meu redor, apenas, mais uma vez, dessa vez, eu deixo os Céus caírem sem me ver, e sem me perceber, burro e bobo trafego na rua, e como o deferido Carneiro môrto no madeiro, me deixo sangrar, sem que ninguém perceba, pois no silêncio eu aprendi a viver. Aprendi tanto de tantos que esqueci de mim, e ao me esquecer, deixo-me morrer a cada esquina, a cada copo, a cada beijo, a cada sorriso distribuído, a cada Kyrie, a cada benção sôbre a terra, e pior: A cada rastro que deixo, sinto esvanecer um pouco de mim, ficando nada por nada, e deixando as lindas garôtas não mais cantando, e não mais a sentir o Céu turvar.
Sinto-me próximo do encontro do meu amado, do que me amôu primeiro, e irei de encontro a Êle sem me preoucupar com ninguém, nem nada, nem se deveria ou não, o vento bate forte contra o amôr, e eu irei deixar esta caravana. Caio do degredo na areia fofa dos têmpos, deixando-me saber quem sou. Sou dono de mim, e faço o que quiser.
Entendo da glória dos Céus, mas não entendo a glória dos homens, e sinto Deus cada vez mais perto de mim, mas não sinto o vento das fôlhas ou o lancete do inimigo, e nem a mão lançada da amada, mais uma vez, dessa vez, pela milésima vez, me apresento ao Deserto de Cemal, aonde vago ser ter quê ou por quê(m). Devo eu deixar essa caravana. Eu não quero nenhum Cadillac.
Você lembra do dia em que andamos pelo Rossio, e o frio tocou minhas mãos cortadas, e atrelado no cabelo, segui a fôlha que caiu do Céu? Lembra-te do dia na praia, com o velho genitor e a cerveja gelada? Lembra do show, aonde sozinho foi  mais que a multidão? Lembra-ti, da vida antes da vida, e do tempo montado no tempo, e de tantas coisas? Lembra de quando você tocou para todas aquelas pessoas? Ou do 1º abraço de Bep? Lembra-te de alguma glória cativa? Lembra apenas que você é homem, e como homem deve permanecer.
Pelo sôm, te dói no peito, e a cabeça quer dormir, por isso você escoa em lágrimas poucas - porém pesadas, e assim você se faz o último de Terceiros. Você sabe que o peso da sociedade lhe faz sentir coisas que você adoraria, mas, manter o mundo sendo mundo, é mais doloroso do que manter sua cabeça em ordem. E na Ordem, nem tudo está em ordem.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Conversando no Bar.

Minha barba não é modismo. É voto.
É meu vaticínio a vida que escolhi, e o que quero para minha vida - escolha que pelo visto nunca mais me poderer desvincilhar, sequer cogitar não ser; Noto hoje que o têmpo me trouxe experiência para aprender a ficar quieto, não chorar na frente dos outros, e aprender a sorrir, mesmo quando tudo vai mal. Mais além, o têmpo me ensinou a pensar na frente, o que me dá tino necessário para ir ou ficar. Sentir ou absortar. Viver ou morrer.
Deitado, ouvi a notícia que atordoa, e caminhando, não sentindo o respirar, ouvi os outros pordizeres, até não entender mais nada, e apenas ratificar a verdade que sabia deste pôvo, tão estranho, pequeno, vazio e sem ter nem porquê de ser. No mesmo instante que a bomba caiu em meus ouvidos, lembrei da vida no interior, dos sinos tinando, e das Laudes. Lembrei da vida depois da morte, a 2ª vida. Lembrei dos amigos, e suas caminhadas, e de mim, tão pequeno, sempre se reduzindo nos mesmos de ser, ter, e viver. Até hoje não sei meu erro, mas, de facto deve de ser algo grave, pois não é possível.
No alto da madrugada, após a conversa com o Herói das Estepes, percebo que eu necessitei viver idosamente enquanto alguns outros modernos e contemporâneos necessitam dessa rapidez e fluidez na vida, nas coisas, no universo que orbita ao seu redor - nunca fiz ou quis ter parte nesse batalhão, ainda me pertenço e sei de mim.
Ainda com o peito em sangue, noto que ainda estou cansado e despreparado para muitas coisas, pessoas, e seus golpes; Melhor dizendo: Suas reações. Eu sou apenas mais um dos inúmeros rapazes burros, feios e bobos que trafegam na rua, nunca pude - e hoje mais ainda - e nem posso acreditar que exista a pureza que busco, ou a clareza retilínea dos factos que vivo, a pureza que eu busco, talvez esteja apenas na 2ª morte, indubitávelmente, e quanto as minhas decepções, já se fazem num saco grande, arrobatado e pesado, penoso. 
No mais, para acabar essa infeliz contra-crônica de ordem sentimental: Triste de mim por achar que as coisas iriam dar 100% certo, ou que eu iria ser feliz de primeira, ou do dias corridos, pensamentos e atos, mais ainda: Das coisas que foram ditas pela felicidade, pelo carinho, menos além, do sentimento de tristeza, por reviver a história e remoçar a dor do passado, ou por saber o final de uma história que poderia ter sido a mais linda de uma vida: Uma Torre Eifel que tornou-se Taj Mahal, um silêncio que quebrei achando que era recíproco, ou que pude me igualar a Thomas de Aquino, achando que eu poderia ter o Sol no peito. Ledo engano.

...O Sol só brilha para quem tem tempo de se queimar por Êle, não é?

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

General Confession.

Ok, vamos lá!
A questão toda do Brasil atualmente se designa em 13 x 17. Esquecemos da cerveja pendurada no boteco, das orações que fazemos em nossa comunidade, ou se temos um trocado para comprar um pão, é tudo resumido como "O bem contra o mal", coisa que deveria ser mais simples.
Aqui do lado de fora, vejo amigos se limitando a degladiar ofensas, e até mesmo eliminar-se da vida um do outro - tudo bem um ser corinthiano e o outro palmeirense, mas votar diferente de mim, nunca! - a cabeça do brasileiro no último ano atrofiou de maneira incrivelmente assustadora.
Eu, por escolha, decidi viver o carisma franciscano, e por isso tenho sido taxado de "comunista", "amigo de vermelho" e "passível de corrupção", sendo que escolhi viver de maneira ampla, geral e irrestrita viver o evangelho do Cristo Pobre e Crucificado, mas Vivo e Rei! "A terra é bôa e rica, e nela há espaço pra tôdos".
Vivemos num Brasil plural, cheio de riquezas e coisas boas, e pessoas de índole boa, vivemos em unidade, mesmo quando desgarrados, nós somos o povo que depois da briga no futebol de rua nos sentávamos e dividíamos a tubaína no saquinho. Até onde a estrada vai dar para perceber que a tal briga por lado político não é uma briga, e sim birrinha? Independente do voto, é necessário a votar com sabedoria - não por candidatos indicados por sacerdotes, parentes, ou "arautos da verdade". E sim, pela leitura, reflexão, indagações e conhecimentos acerca do seu candidato e o plano de governo dele; Nenhuma aliança política é 100% puro-sangue, e nenhum governo tem um plano de governo 100% bom. Nem nós, enquanto seres humanos, somos 100% dotados da graça de Deus.
Vejo jovens agindo como velhos senhores, conhecedores de virtude e sabedoria (até a página 3), e pessoas velhas, que retornaram a infância e julgam uma inocência que no tempo deles houve quando eram crianças, mas, que ninguém nunca provou que realmente houve inocência, ou justiça - apenas o contrário. Profetizo (e não em tôm de profeta) em meu tempo a loucura do tempo abaixo dos Céus de Deus, aonde tudo se mostra estranhamente reverso, nascendo velho e morrendo novo, e os que detectam o torque certo da engrenagem da máquina são os loucos, irracionais, marginalizados pelo que carregam no peito. Os mesmos jovens conservadores que vão na missa de véu, fazem petição por missa tridentina e tem padre de estimação que vai contra o Santo Padre de Roma, falam de proclamar as "novas cruzadas" (sic), são as mesmas pessoas que estimam uma melhora no Brasil (como o outro lado).
Sinto, e vejo nestes meus contemporâneos que eles não aprenderam nos livros de história, e sim querem provar o amargo, para saber que não é bom. Pessoalmente (e agora sinto as pedras, a benção, Glorioso Santo Estevão), para mim, votar no 17 é ignorar todo o trabalho da Igreja Católica no Brasil, pisar na memória de Dom Paulo Cardeal Arns, e dos Frades Dominicanos (e isso, só os casos mais conhecidos), que abertamente cuidaram e estiveram de pronto a lutar contra um regime ditatorial que nos extinguiu de alguma liberdade, verdade ou senso de vera justiça. Gostaria de não votar no 13, mas, ainda sim o prefiro. Vejo famílias se destruindo, intolerâncias efervescendo, e pessoas se tornando animais peçonhentos, por um assunto que deveria ser discutido com sabedoria, e não fanatismo e loucura. Que Deus tenha misericórdia de nós, e o Glorioso Pae Francisco olhe por nós e nos dê a chance de obter a graça divina de paz nos desaventos - que as amizades retomem, que os amigos se abracem, que os sinos dobrem, que os Céus turvem, e as garotas ouçam.
Kyrie Eleison.

Nm 6; 24-26.
Jo 16;33.
1 Pe 3;11

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Dağlar Engel Oldu.

Bep;
Hoje o Céu daqui pareceu-me o Céu de Londres. A Londres de D.J., a minha Londres - ah, os quatro quarteirões, os casacões tão alinhados, o sôm desalinhado tão potente sôb os ouvidos de tocar guitarra de fone pra não irritar os vizinhos, o licor, o vento cortando com a garôa rente, e o vento acarinhando o cabelo - E não me apercebi de imediato que a vida tem dessas coisas, e trás dessas coisas. Bep, ainda tenho um leve resquício de juventude em mim, que brada e briga com as correntes e pedras que me fiz prisioneiro (Deus sabe que nunca por mal, nunca por mim) para ter ainda a vida livre, a vida entre os dentes como as coxas da dama louca que amei com gôsto de paraíso. Bep, viver tem sido um barato melhor que aquele dia que descemos a Augusta quando tava tudo sem luz nos postes (afora as pontas de cigarros, baseados e luzes neon). Sua mão segurou a minha tão forte, e pela primeira vez me lembrei da breve oração; Quão suntuosos foram nossos lábios, ao estar em terreno inimigo, dizer o que os das garrafas não queriam beber, e dos que fumavam não tragavam em seu pulmão, e dos que comiam, não alimentavam. Ai de mim, Bep, se não o fizesse, nem com você, nem com eles, nem comigo. Ai de mim se eu morrer sem nem nunca ter dito que era de lágrima agridoce, foi pela causa, foi pelo reino, foi por tôdos, pela criança que dorme na Rua do Thesouro de madrugada e apanha da polícia, da mãe solteira que pega ônibus até o hospital com o bebê em febre, pela avó que visita o neto encarcerado, pelo pai de família que pela tristeza se entrega ao vício do álcool, pelos meus contemporâneos que só saberão do que digo na hora de morte, e a êles bendigo e bem-aventuro: A morte deles não lhes farão mal, pois a mística divina os intercedeu, mas para mim que sei os esquema das Ave Mariae tudo, estou lascado! Porque a segunda morte pode me fazer mal se eu não fizer bem feito, e na minha hora de solidão, se não for por Deus, não há de ser por ninguém.
Ah, Bep, Cecília está a caminho, e ela tem cheiro de Ventura, cheia de amôr no seu alfanje, vem trazer esperança na minha carne nova, mas de alma tão anciã. Cecília corre como o vento londrino que sai da Picadilly Circus, e cai na Líbero Badaró passando pelas janelas dos paifrades até chegar no meu coração. Sei que vem e vem em bonança, para me lavar de tristeza e lavrar em melhoramento. Quem diria, Bep? Após tanto afastamento, minhas profecias ainda dão certo, apesar de algum delay. Deus é Excelso, e descobri a sorrir (mas ainda não consigo tirar fotos sorrindo, e inda ponho a mão na bôca ao rir e gargalhar, 'quele trauma inda continua). Aprendi a ser beneditino nos pensares, dominicano nas declamações e atrações, e franciscano com tudo aquilo que está ao meu redor. Inaciano não, ainda não. Talvez depois da segunda morte. Ainda existe aquele gôsto de ferro na bôca, Bep. Uma tristeza e aquela agonia juvenil. O medo. As cicatrizes mostram nossas lutas, mas quando o vento bate nas nossas cicatrizes, elas doem, ardem, parece que se refazem de agonia, e nos lembram de alguns acidentes de percurso, mas calma: Estou aqui ainda, não do jeito que nos conhecemos, mas talvez um pouco melhor, um pouco mais experiente e barbudo; Vendo a vida em tudo, e entendendo as pessôas, e não as mostrando em abrupto, mas apenas deixando que os Véus caiam sutilmente e tradicionalmente - o têmpo da cólera já passou, não posso tomar armas com o têmpo e querer que tôdos evoluam como eu, tampouco que tudo ocorra numa medida, as coisas irão se formar e acontecer quando precisarem, cabe a mim meditar, perseverar, orar, jejuar e a Deus entregar. Vês como mudei, Bep? Mesmo sendo o mesmo, de mesma essência, não sou mais o mesmo. 
Não sei quando voltas, ou se vens visitar os teus daqui d'além-mar, mas, quando vier, avisa-me, tenho muito a te dizer e contar. Sinto falta das tuas sardas no rosto, tuas saias e botinhas, e aquele sorriso de quem conta com o ovo no cu da galinha. Sinto falta de gente mortificada, mas viva no espírito, de tal forma que sua alma aparecia mais que suas pernas. A invenção que superou o inventor. O cabelo multicolorido, e o Véu para entrar na igreja. Os piercings, mas decorar a Ladainha de Nossa Senhora, as cervejadas, mas acordar cedo ao domingo para ir no missal da massa. Faz falta, Bep. Lembra-te de mim quando entrar na Matriz, e passando pelo Rossio, toma um vinho por mim (ando trocando amarelas por carmins), e peço-te que reze incessantemente por mim, e pela salvação de minh'alma, que errante erra, relutante reluz, e aceita asceticamente. Te faz em saudades do teu exílio, mas sei que daí estás bem com teu garôto.

Um abraço do;
Queiroz, o Marcus.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Cais.

O encontro com o amado, mesmo que com a lamparina cheia de azeite, é muito dificultoso, Abba. Tem sorte os que crêem n'Ele com força e altivez cega, e nunca por um dia n'Ele duvidaram ou questionaram seus designos - o caminho ao Excelso, de tão fácil, chega a ser tão díficil, tão pesado, tão torturante, que se faz traiçoeiro, não por Êle, nunca por Êle, mas pela conduta e pela vida que se leva depois de sentir o maná do Divino. Senhor, dai-mo de bebêr está água!
...E desesperadamente, cá nós (eu daqui, você daí) querendo se estreitar com Deus, aos trancos e barrancos, rezando por sinais, por um sonho, revelação divina, turvação nos Céus, sangue na hóstia, dinheiro no chão, promoção no emprego, beijar aquela moça, e pondo os sinais/prova/credo de Deus não na existência de Deus, mas sim em nosso benefício. Não queremos a prova de Deus por ser Deus e nos amar como filhos D'Ele, mas sim queremos que ele nos dê aquela "ajeitada", um "empurrãozinho", uma "agitada". Queremos que Deus seja Deus e nosso empregado.

Senhor Jesus Cristo, Filho de Davi, tem piedade de mim, um pobre pecador.

Disse Santo Thomaz de Aquino: "Deus não é uma medida proporcionada ou infligida, por isso não é necessário que esteja conosco em gênero de criatura". Mas, mesmo não estando em gênero, está em tudo e em tôdas as coisas podes ser encontrado, apenas nos esquecemos deste pequeno detalhe, assim como sempre perdemos as esperanças e esmorecemos, afinal, somos humanos, e errar faz parte de nossa natureza em trilha ao acerto. E como é difícil, Abba, trilhar o caminho certo, e fazer as coisas que ressonam em nosso coração serem atreladas aos deveres, e mais além, conciliar tudo nessa vida tão puta, que nos quer, nos usa, cospe e só nos torna a ter quando temos seu pagamento. Como é pesada a porta que abrimos e quase sempre se fecha após entrarmos.
No silêncio dos bancos, eu me encontrei, nos barroquinos e nos marrons de três nós. No meio dos moradores de rua com seus corotes, com a alegria dos confrades, e do Cristo pobre e crucificado, no terceirismo. E ainda sim, enquanto abro esta nova porta onde meu corpo pagão, mas já limpo passa, me cansa, como se depositasse todas as esperança num altar aonde não ocorrerá o mistério da fé. Mas uma vez sinto - como tantas outras vezes sinto - que perdi o tino.
Sinto me desajustado, atrelado, feio, ignóbil, burro e bobo. E quando ando, não sei se os olhares que pairam em mim olham pelo fato d'eu ser coisa exótica que não se vê nas ruas, ou realmente realça em mim a aura do que carrego em mim, dos meus valôres, ou se resplandece em mim. Não sei dizer ao certo se no fim das contas se mostra a excentricidade d'eu ser meu, ou se as pessôas notam a incrível paz que carrego em mim por ser quem eu sou, e a felicidade que emano em ser o que eu sou; A cada dia me sinto mais distante das pessoas, e mais distante das coisas que me trouxeram aos lugares que gosto de ir, e me sinto mais distante da idéia comum de vida que meus amigos tem, e me sinto cada vez mais distante de entender o outro, quebro a regra agora para dizer ao menos uma vida que gostaria de ser entendido, e ter quem me console na hora da solidão. Mas isso é só uma nuvem que sempre passa, e nunca se pesa sôb mim.
Peço a Deus a fiança dessa vida no desterro de meu coração, que lavado sôb sua água e vinho desague o melhor de mim sobre os meus e os que mais precisarem de mim, e que eu leve paz e bem para tôdos os corações que eu encontrar, que eu ouça a linda moça cantar, que eu veja o Céu se turvar, que os sinos dobrem como se fôssem minha vida ali tinando no metal, Te Devm, Te Devm, Te Devm, até a última balada deixar de ressonar seu último Hertz. E ao deixar a chuva deixar ser alegoria metafórica ao panorama citado, a água nos lava do mal, as coisas boas acontecem e vão rolando para o solo, a nossa alegria reaparece, e o frio nos faz querer esquentar ou querer ser esquentados, e a casa vazia se torna cheia de cobertores, cães e gatos nas camas e união. E tudo vai se dando côr até a chegada do vermelho fôgo de São João até a definitiva instalação do painel de côres da Primavera.

domingo, 13 de maio de 2018

Lá Vem o Dia.

Um dia,
virá o dia,
verá que a vida,
insistiu em passar sem parar.
e a guia
da Mãe Virgem Pia
lhe fez n'Ela moradia
para você os dias aproveitar.

Agora,
tudo lá fora,
já foi-se embora,
ficou apenas a tranquilidade do nosso lar.
Ora,
que tudo melhora,
logo a gente aprimora,
e Deus nos dá força para tocar.

Sorria,
inda que tardia,
desfaz da teimosia,
que a nossa vida é perfeita demais.
Alegria,
nosso mais-valia,
do humilde a bela ousadia,
e bendizer ao Excelso Bôm Senhor.

Que correria!
passou o dia,
e eu nem vi a flôr-de-Maria,
deixar seu cheiro pelo nosso Lar.
Nossa alforria,
e certeza bem cria,
é que a noite não nos agita,
Já podemos enfim dormir em Paz.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Luz Dos Olhos.

Abba, não sei se tens lido essas pequenas cartas virtuaes que mando daqui do degredo para Vossa Santidade, mas, como Pai (forçado) Espiritual, sinto-me obrigado a escrever para vosmecê. Não numa obrigatoriedade paternal, eclesiástica ou espiritual, mas pelo Frade Eterno que nos ensinou a fraternidade extra-ordens e pela amizade que temos - e numa tentativa de esvanecer minha cabeça. Deus o abençoe pelo seu tempo e Deus me abençoe pelas minhas inúmeras tentativas de me re-erguer.
Tenho tido muita saudade de minha avó, e tenho a matado da melhor maneira possível: Ouvindo Gonzagão a tôrto e direito. Ao menos assim a sinto perto de mim, e consigo ter em mim um pouco da fé e vontade de batalhar pelo direito-temente de vida que a minha Rainha tem. Minha avó, por um pequeno imperfeito-perfeito de Deus não irá durar para sempre, e isso me atordoa, mas tenho a completa ciência que a missão dela está se cumprindo: Criou os filhos, aguentou os pesos da vida, viu os netos vingarem, Deus me deu a maior alegria da minha vida que foi ser criado por ela e ser instruído na fé Cristã, e aprender melhor as coisas (simples) da vida. Enquanto minha mãe tomou tôdas as rédeas de casa, provendo sobre nós três, minha avó foi minha mãe, e minha mãe foi meu pai, não deixando nada em absoluto me faltar.
E considero engraçado que mesmo com tantos (des)amores, os únicos amores que me valeram foi o da Mãe das Candeias, Mãe Cecília, Antônia e Dona Márcia. O tão óbvio nos pega pelas ventas e nos faz sentir tão bobos, não? Só me sinto cada vez mais feliz e jubilante ao Senhor por ter descoberto isso em têmpo e poder devolver tôda essa doação de vida e amôr que deram para mim ao longo de suas vidas - eu faço bem menos da metade da metade, mas luto para fazer o possível e quando menos imaginar, fazer o impossível.
Quero tôdo tempo que eu puder, e tôdo tempo quanto houver pra mim é pouco pra dançar com minha véa numa sala de reboco. Minha vó me ensinou a me recolher na oração durante as fases difíceis da vida, e louvar a Deus nas horas bôas, assim como a ensinou aos seus filhos. E não existe honra maior que eu ter ficado embaixo do mesmo teto que ela.
Se eu pudesse, longe e livre de meus pecados, pedir algo a Deus, seria que ela durasse o máximo de tempo. Poder curtir com ela, ouvir a voz da minha rainha, dizer a ela que estou me cuidando, que a Cookie vae bem, e tudo se mantém firme, e continuo rezando, que os frades vão bem, e tudo continua legal - e com as contas em dia. Quero que a estrêla maior do meu Céu nunca se apague, mas sei que o brilho eterno dela irá me guiar e alumiar para onde eu for. Mas, como esse dia (graças a Deus) irá demorar a chegar, até lá vamos curtindo.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Gurbet.

Na esquina do Velho Centro, perto do 133 se tem a cerveja gelada aonde o pensamento se emudece e a vida parece acontecer na porta de fora do bar, e de repente bate uma alegria no peito, porque aqui no Brasil é carnaval no Céu Azul Anil, dia de Santo Domingo de Gusmão, dia de voar com os pés no chão, e tudo se toma um ar diferente quando qualquer coisa pequena transforma o dia. Para alguns, o amôr, para outros, o frio, para mim, a vida nas suas minúcias. Me vale mais o copo cheio do líquido do que posições de status, ou quanta gente importante eu conheça. E dessas pessôas que não entendem a vida ou seus sentimentos, tem misericórdia, Senhor.
Deus de misericórdia, Deus que se faz presente na mão dos sacerdotes, tende misericórdia de nós, e misericórdia dobrada dos mentirosos, que ao se viverem na solidão criaram um imaginário mal-sustentado que lhes fazem achar que alguém os aproxima. Tende piedade. Olha, Dulcíssimo, pelos que padecem de dôr na alma, dôr de orgulho, de farisianismo, de alguma forma híbrida de solidão e isolamento. Olha pelos idosos que muitas vezes se encontram sós, e pelos Irmãos Gentes e Irmãos Cães de rua. Do mesmo modo que tiraste Teu manto ao se cingir co'a toalha e lavar os pés de seus Santos Apóstolos, imploro que tire seu manto e jogue pros que estarão no frio, e pior que o Irmão Frio, é o Frio das almas dos Irmãos que não os vêem, ou pré-julgam, ainda falhamos grandiosamente com sua Santa Regra, Dulcíssimo. Tende misericórdia. Kyrie Eleison. Mercy mercy us. 
Olha por nós, pequenas formigas operárias dando cabeçadas aqui embaixo e nos abençoa dando-nos as novas chances e novas esperanças para aguentar firme; Evitar as mesmas velhas coisas de sempre, e nos dar caminho manso e de retidão aos que se maltratam em eterna rota de colisão. Eis-me aqui Meu Deus, profeta das estepes e menor dos outros, que leva Teu nome em bares cheios de gente risonha, bêbada e perfumada; Eis-me aqui, Meu Deus, o que te encontra a cada acorde, a cada sôm, a cada órgão tocado e sino dobrado; Eis-me aqui, Meu Deus, o que te quer mais que tudo, e estima morrer na Sua graça e Concórdia, e que por mais que não consiga entender, aceita Teus planos, pois na hora do desterro, foi sôb Tua destra que me valeu da perdição - adiante com você na estrada, que maldade me espera? Nenhuma, minha sina é ser ovelha do Teu rebanho, sentimento do Teu rebento.
Adiante, que a menina de pele branca e pés pequenos tenha os mesmos pés firmes para ir mais e mais em frente e sentir o vento assanhar os cabelos. E abençoados os casacos dela que escondem a cintura de seu corpo, e sua grandeza dentro de sua pequenez - na sorte de ter a conhecido, e ter tido, me bastou sua companhia, e aonde o vento a tocar, é o meu carinho por ela.
E que o Irmão Vento dê um abraço no Codó e em tôdos os meus, que estão aqui e os que estão lá do lado de lá, e que a vida continue sendo simples, e nós menos complexos em relação a ela, e exigindo menos de nós mesmos de esperando menos dela, e quando acharmos o milagre da queda das fôlhas no firmamento, entederemos o mistério velado dentro de cada um de nós.

domingo, 8 de abril de 2018

Silently Falling.

Abba, sinto-me a cada instante perto do que tanto procuro, e contabilizando tôdas as alegrias dessa vida, vejo que ando mui bem, e por ora Deus provê e tudo vai se encaixando, fazendo seu papel no universo. As cervejas inda estão geladas, a alegria ainda brota num momento bôm, os vento frios estão chegando, e o nublado está começando a dar suas caras - finalmente. A vida está começando a ser vida. E tudo tá começando a ser melhor. Bem melhor. A libra está se equiparando.
Os olhos ainda vêem mais do que enxergam e as bôcas dizem mais do que as línguas se tensionam, a vida em si ainda é vida e não é mais tão mal assim a idéia de se viver. Meus recém 26 anos me mostram que minhas prosperidades foram guiadas pela Mão Direita do Senhor, e que meus amigos são um barato. Tôdos eles. Mostram que apesar de eu não ser pai, este sonho não se morreu totalmente (aguente firme, Cecília, só mais alguns anos), que estou finalmente dominando a bebida, que meus discos estão ficando apertados na armarinha, e que Deus olha por mim. E há um carneirinho pulando no descampado do meu coração.
E tudo aquilo que estava quebrando ao redor de mim, aos meus pés, reuni e joguei fora, salvei o que pude e conservei o que não se alterou, e após a limpeza, ao ver o chão límpido e livre, pude ver que depois de me livrar de tôda a sujeira que me fazia perder as trilhas, agora tenho tôdos os caminhos livres, e se eu voar, Deus não me dará asas, mas, me fará riscar o Céu com as mãos.
Espero agora, apenas a derradeira, e de sempre, espero a eterna fôrça, a eterna coragem, a eterna humildade e a complacência de esperar em Deus e ter a fé para suportar tôdas as máoas e tristezas e deixar Deus agir em mim, por mim, e comigo; Vendo assim, a confirmação diária de algo que aprendi recentemente: Agradecer por cada coisa, por mais adversa que seja, pois esta situação também será fruto divino para minha colheita para minha sabedoria futura. De tudo o que quero, são meus amigos mais leais e dignos ao meu lado, a mão com um copo sempre cheio, um pouquinho de grana no bolso e uma excelsa alegria que abrasa meu peito e faz eu a dividir com tôdo o restante dos meus.
No mais, tento manter a esperança, confiança, fé e humildade aliadas, entrelaçadas e dijuntas a mim, não que isso seja para garantir minha vaga no paraíso, mas sim para fazer minha parte nesta existência conjunta ser válida e produtiva, para cuidar de meus irmãos, e para praticar o evangelho de Meu Deus e Meu Tudo. No mais, estou começando a colher o que plantei, e começo, a sorver o gôsto da espera perfeita.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Pois é, Seu Zé.

"A platéia só deseja ser feliz..."
Abba, sinto-me deslocado. Talvez, até egoístamente sozinho - há quem diga, maldosas línguas que deve ser o inferno astral. Quem me viu disse que era a quaresma, quem me sentiu disse que minha alma aboiava. Outras disseram que morri, mas a carne passa bem.
Sinto que meu coração, lentamente foi dissecado, e lentamente perdi os tinos e sensos de tudo, e hoje me sinto como o início de meu Salmo favorito (o 22º) desamparado de Deus, sozinho, e abandonado - mesmo sabendo que ele se encontra here, there and everywhere. Existem, ainda sim Abba, pessôas que me fazem desarmar as ventas e tornam minha vida menos triste neste mezzo-tempo. Maria continua sendo uma grande aliada minha, Bigous voltimeia faz a minha tristeza dar uns rolês, e Diana Pastôra me tomou como um dos dela, e me tratou como um dos dela. A vida, por mais triste e desesperadora que esteja sendo nestes últimos dias, não está sendo mais tão cã por conta deles tôdos - incluindo o Vossa Santidade Menor.
Deus ainda me sustenta pela destra e me guia, e talvez este medo todo seja por ser mais humano do que cristão e entender de uma vez por todas o que minha carne secular não permite: Os tempos divinos são diferentes dos nossos, e cada coisa acontece no seu devido tempo; Besta sou eu em achar que as coisas acontecem logo, e este tempo de preparação, de penitência, de contra-força, de zêlo, de contemplação me agonia tanto, me desespera, e me deixa assim, como se tivesse caído da mudança, ou como se eu fôsse o próprio Longuinho Lanceiro. Deus é quem me guarda, mas ainda preciso domar e catequizar a mim mesmo para os tempos divinos. Meu Deus, perdão pela minha intransigência enquão crente de Vossa Glória e Amôr; Dôce Coração de Maria, sêde minha salvação!
A falta do emprego ainda gera um desespero geral, mas não me deixa mais tão triste, meu maior medo é que eu não fique conformado nesta situação. Tenho um cão, mãe e avó para zelar e cuidar, afora meu futuro Terceiro para fazer, não posso me conformar. A maior virtude de um Franciscano me falta agora, que é a Irmã Alegria, e penso comigo mesmo que dos Terceiros, devo eu ser quem mais envergonho Pae Francisco, pelo fato de que não consigo cultivar e cativá-la por esses dias. Tenho sentido tôdos os sentidos do mundo, e o incerto me faz afundar os dedos na terra, enquanto me pego rezando para Deus não me deixar convencer pelo dinário do mundo, mas, me dando uma oportunidade de ganhar um dinário pra viver com dignidade - que encruzilhada, que bandeira.
Abba, ainda me cabe uma esperança cristã do amanhã, mas que parece tão longe, tão distante - assim como a alma de meu pai carnal, mas, ela ainda tem focos em mim, que por hora não consigo fortalecer ou deixar mais forte (tanto a esperança quanto a bôa alma de meu velho). A vida ainda sim continua sendo como uma imagem do Meu Glorioso São Jorge, em que sempre se apresenta em batalha constante contra do dragão da maldade, e só acaba quando a gente descansa - triste a sina deste trovador, não? - os xablaus nunca cessam, mas Deus está aí, guiando, e de vez em quando a gente esboça um sorriso amarelo, e tudo fica legalzinho, e a vida até parece que vai (não indo).
Uma amiga disse que eu nasci no mesmo dia que São Francisco de Paula também nasceu. 27/03. Meu avô se chamava Francisco, minha avó se chama Antônia, e eu sou o filho de uma devota do Pae Francisco, batizado numa igreja dedicada ao Pae Francisco, que pediu deste que eu estava no seu ventre para que êle me cercasse e me tirasse da lama do mundo, e bem, agora estou aí pelejando pra ser um Terceiro. É tão engraçado como Pae Francisco agiu na minha vida, e me reconduziu até o Divino, Abba, é tudo muito suspenso no ar e coincidente, mas, belo, carinhoso, parecia que já era para mim viver da vida Franciscana, e se devotar pelo Crucifixo de São Damião. O Cristo venceu a Cruz, e triunfante olhou pra Francisco, e agora, Francisco me conduz de volta do caminho que não deveria ter saído nunca.
Eu acredito, que estou voltando pra casa, bem acompanhado com o Pobrezinho. E espero quando chegar lá, que essa tristeza acade ou amenize. Amanhã, bomfrade, faço 26 anos, e não me sinto feliz, nem triste, me sinto apenas mais velho e mais experiente e com mais vontade de me perdoar pelas cagadas cometidas ao longo da vida, e de perdoar quem me quis mal, e seguir uma vida cheia de Deus, e cheia de paz. Mesmo que neste atual cenário mundial me pareça impossível.
Mas, ando fazendo pequenas coisas, para logo fazer o possível, e rogo a Pae Francisco que eu logo após isto consiga fazer o impossível.

1 Pe 3; 11.
Nm 6; 24-26

T

quinta-feira, 15 de março de 2018

Glorioso Santo Antônio.

Abba, os dias têm sido mui distantes um do outro, como se a semana se dividisse e cada dia fôsse sete dias, e cada hora se acentasse sobre o calendário, acalentando as candeias, deixando o pavio longo e a língua-de-fôgo fina e eterna. Parece que o tempo não passa, parece que nada muda, e que o vento só vem brincar com aquela velha e minúscula árvore que se há na frente do 133.
A vida aqui fora do claustro continua sendo difícil, e parece ser cada vez mais - tal qual ser cristão nessa sociedade, tal qual viver um evangelho tão fácil e tão torturoso. Sortudo de ti que se confina no olho do furacão, e cercado de marronzinhos do pau ôco, do côco ôco, de gesso, madeira tricentenária e gente que quer ganhar o Céu pelos títulos. Sabe, Abba, apesar de amar o 133 me pego pensando se Pae Francisco realmente queria tudo isso, ou imaginava tudo isso - é inegável a certeza de ofertar, dar e ter o melhor para Deus, em tôdos os sentidos, mas, êste ponto em específico ainda não pude entender. Deus quis assim, e a minha preguiça também. (Necessitamos de mais Alcantarinos, e uma cerveja gelada).
Como é difícil, pae, abrir a porta e ver novos horizontes e recomeçar. Do alto da minha falsa loucura, me fiz pequeno para viver com e como os menores - mas eles me mostraram ser Grãos; Veneráveis. E dos tantos Veneráveis, da Venerável, eram pequenos, eram menores, eram tão iguais a mim nas suas imperfeições e fé. Fé cega e faca amolada, peito aberto, e água e vinho. Mais água do que vinho. Os frangões saíram de minha rotina, mas ainda guardo êles em meu imperfeito coração pois foram também instrumentos de evangelização. Me tornaram mais próximo de Deus, e me ensinaram o valôr da gratidão, tanto que até hoje, rezo pelo bôm rango, temperado pela minha dôce mãe, mesmo com pouco tempero (a mulherada daqui de casa tem problema igual a mocidade do claustro, jovens com mais 45), e me ensinou que por mais que eu tenha meus repentes e desejos "pacômicos-monásticos", ainda sim devo conviver em fraternidade com a sociedade. A terra é bôa e rica, e nela há espaço para tôdos, e até mesmo nêste espaço, vi tantas vezes o amôr nascer, em mim e nos outros.
Infelizmente, Abba, tenho feito a igreja na ecclesia, e assim encontrado nos meus irmãos (Môça Diana, a Carneirinho, Bi da Jufra, a Camila e o Dhani, Julioso, Bigous, Olivio, Pedro, tanta gente...) as virtudes que tanto estimo neles, e visto meus defeitos nos reflexos das atitudes deles - daí já tenho meu Kyrie Eleison. Devoto meus ouvidos e olhos a quem precisar de mim, reparto o muito pouco que tenho com quem mais precisa, e assim já faço a glorificação a Deus pelos meus dons, e reparto-o dando trabalho e assistência aos que mais precisam de mim, e que eu os leve a Deus. E repartindo, distorcidamente comungo e oferto; Sabe Abba, eu tenho pouco, muito pouco. Muito pouco de quase nada, mas foi Deus que me deu, e me capacitou com meus dons e virtudes para que eu conseguir esse poucoo que me é tudo - Meu Deus me capacitou para o Meu Tudo. Meu Deus e Meu Tudo. Meu Deus é o Meu Tudo.
Abba, a vida tem se tornado bôa na mesma proporção que tem se dificultado. A loucura da Cruz é um difícil desafio vitalício, mas, quando as fôlhas caem e florescem em loucura na primavera, algo na minha alma vibra dizendo que vale a pena tudo isso, e quem é dos seus não se degenera. (ainda somos reis, e ainda somos profetas).
Apesar de ter tirado "um período sabático" do 133, aos 1ºs e 3ºs domingos estarei no anexo. Traga um frangão dentro do marronzinho, bonfrade. A nossa diferença é que eu fui infeliz, meu claustro, como o Pae já mostrou a Madonna Pobreza, é tudo o que circunda minha vista. E preciso começar desde agora a limpar e arrumar aqui. A luta é difícil, mas a alegria é o que nos salva da tristeza. 1 Pe 3; 11.
Paz e Bem!
Nm 6; 24-26.

T.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

How Soon Is Now.

Pelo vidro embaçado, caía uma chuva que cobria a vista pro alto do morrinho da extensa avenida. E da estação, totalmente encharcado, o pôvo que antes almejava por uma chuva se degladeia por uma cobertura e injuria-se contra os Céus, pelo fato da chuva não se programar para o horário comercial do eixão 8-18h.
Santo Deus, como somos patéticos.
Ai de minha bôca que se abrir contra o mal e o injúrio, ai de mim se eu fôr contra tudo o que acredito e defendo, pois aí cometerei o meu pior crime, leitor: Perdi meu têmpo e o têmpo dos meus sendo pedra ângular rejeitada, aceita e renegada por não pôder edificar ao meu Construtor. Ai de mim se eu não evangelizar, nem aos meus, e nem tôdas as criaturas, mesmo que da forma que eu faça, mas se apenas um ouvir o que lhe digo, se ao menos um eu conseguir, bem-aventurado eu que fiz jus a confiança de meu Dulcíssimo.
Existimos para reclamar, e nos tornamos mestres desta tarefa; Maledizendo tudo o que nos circunda, e o que nos afeta, e quando as cousas boas nos atingem, vemos por terça parte, e ao restante do dia não bendizemos ou damos graças devidas ao têmpo bôm - viramos escravos do têmpo ruim, fadados apenas a eiar o chôro trise, e quase nunca rompando o chôro de alegria. Enquanto filhos de uma potência que rege tôdas as coisas e independentemente de nossas escolhas nos rege, ainda sim optamos pelo facilitário da maldade, causando a prolíferação das cousas ruins, e não nos deixando inundar pela paz, ou pelo amôr, ou pelo bem-comum. E quando algo mui bom nos acontece, queremos acampar no Tabor, para viver a alegria eterna; Cousa bastante compreensível, até. A alegria deve ser eterna, mas a composição da alegria leva tristeza na fórmula, para se definir o tamanho da alegria, a nossa preparação para o contentamento, e nossa fôrça em sociedade, fraternidade e até mesmo interação com a Divindade.
A chuva desaperta, e o vento que (ainda) acarinha meu cabelo me lembra de tudo de bom, de tudo de que se foe e me deixou aqui - e o que o vento trás de bôm, a chuva molha e deixa fixar na roupa e na alma, e lentamente, cada pedaço que estava suspenso no ar, se atrela no ar, e as coisas fazem mais sentido, e a água retorna para o chão. O Firmamento se faz presente, e nos brinda com a chuva que tanto pedimos e tanto odiamos, com a carne moída que nos cansa de comer mas que faz falta, com as pessoas que nos tiram do eixo, mas, nos tira mais ainda do eixo não tê-las ao lado.
"Seriam essas nuvens, talvez, porta-vozes das lágrimas dos meus amados?"
E quando um de nós, asssiste, sente, percebe, toma a régula e se torna um dos devotos da perfeita alegria, é martirizado vivo, é trigo do Cristo, moído por leões bípedes e maledicentes, claudicantes e caducos de matrizes machucadas. Carregar o pendão do Carneiro é a loucura mais gostosa, e a dôr mais lancinante, mas, como já dito na contra-crônica linhas acima, é dôr passageira, que se louva e aceita, para apreciar a próxima alegria, dure o têmpo que durar.