Mostrando postagens com marcador Realidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Realidade. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Dedicada a Ela.

Alarme apita. Tem que levantar mesmo? 
Quanto desterro cabe na vida de um homem?
O Sol se levanta frio, ao se olhar da janela, tímido entre as nuvens pesadas que teimam uma garôa tipicamente paulistana. 
Um livro está aberto na mesa. Página 88. Uma garrafa de vinho está posta na pia, vazia. O cobertor da cama bagunçando, e da janela entreaberta, uma vontade de mais cinco minutos na cama. O dia insiste em nascer apesar de tanta preguiça, de tanto sono, de tanta falta de não querer ser. Ah morena, tua cama vai sentir falta de ti e do teu cheiro de dormida. 
Arruma-se, troca-se, abre-se e fecha.
Deita a água sobre o seu corpo pequeno, e a fumaça da água quente alivia a respiração em seus pulmões. Faz do banheiro um pequeno incælensa, aonde o templo de seu corpo não é pilhado, saqueado ou roubado. Encontra-se só entre o mar de si, e na sua oceanidade, nem assim ousa pensar. Se diz forte, mas é mais frágil que uma candeia.
Se armar e se cobrir de côta não te isenta de se quebrar. Na verdade, quem mais resguarda o peito é mais propenso a se machucar, se quebrar e se ferir. A fachada dura e bruta é fina. E só quem é digno de descer na gália arena de peito nu e vontade nobre, é que entre os escapamentos fumegantes e as crianças de guarda-chuvas digno de vencer. 
A chuva prenuncia-se em nuvens cada vez mais pesadas, e nos ônibus lentos, tão pesarosos com os  seus passageiros querendo sobreviver mais um dia, nas plataformas ferroviárias cheias de seres com sonhos moribundos, nos transeuntes que passam pelas ruas apressados em seus infinitos-particulares, nos sinos das igrejas, leitos de hospitais... todas as coisas ressonam, colidem, transpassam e mantém. E ai de mim se com a mão aberta em espreito não sentir com débil beleza e afã cada ressonar do mundo naquilo que me completa, desconcerta e tange. 
E ainda sim, após tudo e tanto, teu ressonar ainda me tange. E sei lá eu Deus porquê... sei lá Deus porque ainda me pego pensando em tolices, vãs loucuras e pobres natimortas esperanças. E sei lá eu porquê quando ouço a fonética de teu nome ainda me dá um frio na barriga como se fosse lá eu o mesmo rapaz que foi lá te ver n’aquele dia de Abril. E ainda sim, sei lá eu porque escrevo ao saber que não lê. Como sempre, esse celeiro de palavras e missivas, torna-se meu rincão aonde despejo de mim toda a glória, mágoa, amôr, sentimento e precisão que tive ao longo desse passo mantido - e não falar de você, é como não dizer as benesses que o Bôm Senhor me fez desde minha queda, até minha reagrupação.
De fato, as minhas promessas foram verdadeiras. E a minha mão ainda está aberta...

E modéstia a parte; eu sou do Largo. E eu gosto de escrever. E eu só escrevo coisas que me pesam a pena.

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Una Vuelta Más.

Queria falar do Céu, e da têz da noite que envolve. E, dizendo assim do Céu, da noite, do vento e dos uivos, queria era falar de mim, de você, de nós. Queria falar de mais uma volta, um compasso que desce e sobe no contratempo desse segundo chamado vida - e mais do que falar de mais uma volta, queria ter a sapiência de realmente saber de mim, e das coisas que se passam em meu coração.
Crônica de ordem social - essa é a minha forma de letra; mas atualmente elas todas parecem recortes de jornal que contam coisas que vi, vivi e senti. Um caderno de viagem que evoca pessoas, dias, glórias, saudades, e decisões que pesam na alma. De todos os cânceres, a saudade é a maior e mais desleal metástase.
Queria viajar uma última vez, descer até a praia e molhar os pés cansados na água salgada. Comer um camarão na praia tomando cerveja ouvindo Evinha, e com uma (tua) companhia do lado - um sorriso para casar com o sorriso, um corpo para dividir a cama, uma mão que alcança a mão. Queria talvez passar as serranias e ir para as interiorâneas, cidadelas pequenas, distintas, de café moído na hora e aonde pudéssemos entrar naquelas igrejas clássicas e centenárias, com uma praça na frente, e o Sol ornaria em teu vestido, e teu riso seria uma verdade a ser prenunciada a quem lhe visse. Gostaria das noites de vinhos e rosas com minha jaqueta em seus ombros após o jantar, teu braço dado ao meu enquanto a noite faz força para danar as luzes elétricas que incandeiam teu sorriso - e para me ajudar a andar, dos corações que derramados depois de um rango e caminhar, se incubem de se cuidar e se amar, e que talvez fosse essa a minha viagem favorita - a amiga, a moça, a mulher, a amante, a rainha, a irmã, a musa, a juíza, a conselheira, a amada; a você.
Fecho os olhos, e a minha mente traiçoeira desenha tua silhueta na minha escuridão. Abro os olhos e perco o sonho que estava tão perto de mim do qual senti até o perfume; como disse o escriba naquela música tão bem-elaborada para a musa: "Foi tão triste o dia em que eu vi você ir embora". E de fato, ainda o é. E ainda q'o eia os olhos, a perspectiva não é e nem se torna tão boa - é só mais uma música, mística forma, aonde se dança o corpo para frente e para trás, e que os dedos entrelaçam com a madeira e as cordas, que solfejam um arfejar com a lágrima que cai na madeira ressonante.
É noite. É dia. É tempo todo tempo.
Dá a mão e vem comigo, mulher. Dá mais uma volta comigo antes que eu durma, antes que a cidade acorde. Segura meus olhos no seu corpo, e amplifica minha surdez com tua voz. Deixa ao menos nessa última corrida llèguera eu descansar meu corpo tão cansado e demasiado por essa peleja no teu rincão, e que no silêncio de minha voz, meus olhos ao te fitarem, denunciem tudo o que tenho passado e planejado. Me entrega um sorriso no teu Céu, e afaga com tuas mãos minha barba, e olhando-me, encontre-me. E achando-me, eternize-me; dá certeza e razão. E eleva.
E de fato, que sua alegria seja a minha, e que o mundo em que eu vivo e habito seja aquele em que você está. Tem um local vago no ônibus em que estou. É só chegar.

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Disco Eterno.

Achei uma foto tua na minha carteira. 
Enquanto eu olhava os documentos geraes, achei uma 3x4 tua. Vi seus olhos, sua boca, e seu cabelo. Foi inevitável sentir um tipo de arrepio pela espinha, e mais ainda foi difícil sentir algo que fugia a realidade terrena de um momento. Um momento incrível, clichê do clichê.
Que que se há de fazer, afinal? Apenas suspirei e ri por um momento, e me amarguei. Lembrei do Bôm Tempo. 
Assusto-me (de fato) com a distância e paradoxalmente a presença, e estando tão longe me encontro aqui, agindo então entre o silêncio e o oculto da mão, abro os dedos então para tocar um canto novo nas cordas de meu violão; e os pássaros, pousando no beiral da minha janela, cantam comigo um solfejo e brincam com as migalhinhas que deixei para eles se fartarem; faço então o mirar pela janela enquanto dedilho uma nota menor, e dou uma risada enquanto o bemol das cordas me seduz. A vida, enfim, se faz presente em cada recôncavo; e olhando para mim, ainda eu com o oldre vazio - e com uma pequena dor - deixo o meridiano para depois para enfim (fingir) sorrir. Entre nossas vidas, cruzam-se linhas, algumas se acertam, e outras se delimitam. Umas se tangem, outras são paralelas. 
A vida torna se oca, vazia, ainda com tonturas, ainda com tristeza, mas ainda sim é a vida. Sigo, mas não sigo por mim. Sigo pelos meus, e aos que amo e estimo como se fossem meus; ainda que por pouco tempo. Por mim, não seguiria e ouso no tanger não querer mais, e de fato, mantenho-me pelos peixes, pelos olhos, mãos, Cecília, flores, incenso e azuis. E qualquer coisa além do que eu digito aqui é mentira; assim como a saudade que sinto aqui expressada é a pura verdade. O prazer que tenho em viver é vão e inútil, pois quando perde-se uma parte grã e vital do querer, não se pode ser reposto ou transposto em outro qualquer. E quando se perde a esperança, desmorona-se. E por isso decidi parar de me tratar ou cuidar. Quero deixar de ver o Sol nascer, pois apesar dos motivos de ir, me cabem mais os motivos de ficar.
Quero aquela velha praia nublada, a chuva, os trovões, e os gritos no saveiros ornados com porres homéricos de coca-cola com rum montilla. Quero a lira, a pena, a glosa e o pendão. Quero, finalmente, deixar as lindas garôtas ouvirem, e deixar os Céus turvarem. Espero a vida depois da vida como quem aguarda com esperança a batida de maracujá antes da feijoada dos heróis. 
Dada a mão aberta contra a brisa suave do tempo, no estio das passagens do ar corrente entre os dedos, seguro o tempo e a razão, e o peito, não - deságuo como herói, já sei ser verdadeiro como o que Habita em meu peito ensinou - e não troco ou denuncio aquilo que meu peito guarda em Glória e Excelsa verdade, pois antes de mim O era, e antes de O ser, Se fez. E aos que se dizem reis, a estes cabem a terra temporã, pois quem carrega um Verdadeiro tesouro, divide; e estes, tão donos da verdade e de razões, se perdem. Graças a Deus, eu vou morrer, e eles, infelizmente vão morrer. 
Se realizo minha sorte, faço de mim casa e estrela. E estando em mim, permaneço de copo e cruz. Abro os braços em riste, enquão funde-se em mim as chagas e os bálsamos e a vida. Abro os braços em forma de rendição e deixo o Sol queimar a pele alva que me faz casca, e quando vejo os primeiros goteijos da chuva, me sinto vivo, ou talvez safo - principalmente esguio. Lírios na mão, estrêlas no Céu, e descalço, vejo a imensidão de uma cidade que desce e sobe aos olhos pela sua imensidão.
E chove pela madrugada. A dor não me deixa dormir.

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Prosa de Hospital #1

Escrevo, pois,
pelo simples fato de viver,
e minhas crônicas falam assim de tudo um pouco:
Da vida, da morte, dos dias, dos minutos, de tanta coisa...
Mas, hoje, ela fala da desesperança, e da falta de fé.
(cousa incomum atrás das letras que transcrevo)
Creio sim em um Padre Deus que tanto falo,
mas sei que hoje ele parece distante, longuíquo,
de forma inacessível,
e na minha atual forma estou a procurá-lo.
Você viu Deus por aí?

Sinto que quando me falta a fé é como se parte de mim morresse
[já estando eu ao sopé da morte, não sinto em difuso]
e errante, tento reavivar a alma minha que não cessa em ais,
entregando cada rincão de mim ao ser mais, ser menos, ser ser.
Tento entender o que se passa em mim eliminando cada ponto,
cada vestígio de tristeza,
e peço por vezes que alguns estejam comigo para eu ter força,
ora eles estão,
ora não, 
e isso me deixa triste e pensativo por demais.
E me recolho e me volvo a Deus.
e chorando, deixo Deus cuidar de mim, e elevo a Ele minhas mazelas, assim:

Deus, se podes me ouvir,
do trato que temos, daquele oculto em meu coração,
o nosso jardim secreto, vos rogo: 
deixa que apenas eu e você saibamos, e que apenas eu e você fiquemos,
cuida, daquela que amo, e ajuda-me a ir em frente,
e dá-me animo, os abraços, os beijos, os carinhos e a exultação,
salva-me do inimigo, e principalmente de mim mesmo.
Deixa no chão meus passos para que os que me procurarem possam ver
Segui, mesmo sem nada a entender, e com pouco a perder.
E abri a mão como abro mão da vida.

Agradeço, Bom Deus,
tudo até aqui,
mas penso comigo mesmo,
que já é bem mais hora,
de me reunir com você,
então me leva pra sua destra,
pois deste mundo já deu tudo o que deu,
e meu pranto minguou.

Mas imploro, Bom Deus,
que se houver ainda uma chance,
aquela mesma chance que te peço com os pássaros e peixes,
então me deixe viver,
e põe em mim nova vida, novo sentido, e força,
e que a dor não doa, e que o fogo não forje,
e eu imune a toda dor que me encerra
possa ser mais forte e quiçá feliz,
com a mulher que amo, 
com saúde restaurada,
com a vida posta em ordem,
com Você em minha vida
por Tua santa vontade imperativa,
amen.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Carta a André.

 1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba a André, escriba ad ibdem. Que eu, ao jogar meu manto sobre você, seja como meu Eliseu, e vá até onde eu não consiga ir, veja o que não pude ver e entenda o que não entendo. Seja melhor e mais do que eu já fui. 

2 - Amenidades;
Bendito seja Deus! Teu presente, além do material, é subilme em me dar de volta teu convívio em minha vida! Exulto em ais pela dor e pela glória de te ver homem feito, forte, e crescido e acrescido por uma majestade incorrputível, da qual vejo tua letra forte e precisa, tua justiça impecável e teu zêlo pelos teus - qual inclui este velho escriba de fim-de-feira. Leva sempre esse teu coração assim: forte, justo, belo e miraculoso sem ser manchado, e defende teus ideaes com a força que ergues, pois vejo em teu camiño coisas tão magnânimas que me alegro de ter visto quem eras, é, e Oxalá há de ser. Que o Bom Santo Antônio te valha!

3 - Preparação para a morte;
Te tomei como filho-de-lêtra mesmo sem saber se tens pae-de-letra, e te dei meu bastão, e não há necessidade de o honrar. Vi em tu (além do signo) cousas de minha juventude e enxergo em ti cousas que eu sinto, por isso lhe tomei ao modo de Isaías "Nada temas, pois eu te resgato, eu te chamo pelo nome, és meu. Se tiveres que atravessar a água, estarei contigo. E os rios não te afogarão; se caminhardes pelo fogo, não te queimarás. Porque és precioso a meus olhos, porque eu te aprecio e te amo, dou reinos por ti, entrego nações por ti. (Is 43; 1-2;4)" e fiz uma glória literária em ti. E meu acerto estava vero. Assim sempre soube, e hoje to confirmo; quando me chamar saudade, minha cadeira vazia não precisa ter assento esfriado pois a herda segundo minha vontade, e toma minhas leis pessoais para ti em forma de conselho, e diz verdade ao juíz, consola os aflitos, entretenha os angustiados com histórias, e aos que necessitam de camiños, dá-os exemplos - assim vos peço para que eu me satisfaça. 

4 - A Doutrina do Escriba;
Filhinho, o escriba tem como função principal ser um narrador sério (caso teu), ou debochado (caso meu) perante a história. Nos cabe a história em três pontos: parcial, imparcial ou em forma de fantasia. Eu escolhi o caminho mais perigoso que seria o imparcial, na qual não extinguo nada e nem ninguém de culpas, porém, sabemos bem que esse fator é um dos mais difíceis de ser elaborado. Nosso dever é guardar a história, ou inventar a história para que as pessoas esqueçam a penúria de sua própria história. Por mais que não sejamos postos em régua de igualdade diante do tempo, estamos aqui; sendo fortes e relatando tudo num breve tempo histórico - e quando nosso tempo passar, aí teremos valor diante do tempo. 

5 - Admoestações Geraes;
Seja feliz. E escreva de tudo um bocado. Sente-se na grama e veja as folhas das árvores dançarem com o vento, e se houver um lago ou rio perto, vê a água translúcida. Olha o Sol se deitando em cada coisa da terra, sorri, brinca e fica em paz. Cuida dos teus - como já tens feito - e faz mais por eles do que eles por você; nessa vida, o servo é maior que o Derr Konkistörr. Ser humilde, manso, e prestativo não é sinal de fraqueza e submissão - muito pelo contrário: é a maior prova de amor que se dá a uma pessoa e o maior exemplo de cristianismo e fidelidade a Nosso Senhor. Quem abusar, nos ridicularizar ou nos fizer de bobos é quem perde: nosso coração é imaculado, e nos fizemos prontos para amar, perdoar, cuidar e reconciliar como o próprio Bom Jesus nos pede. E é aqui que nos diferenciamos deles.

6 - Brevidade da vida;
Pensemos, pois na vida após o que vos escrevo, filhinho. Ela, tão breve e efêmera escorre de nossas mãos; logo, devemos ter felicidade, e lutarmos de forma pacífica pela paz de espírito que almejamos, devendo também não deixar nada para trás, tampouco o que sentimos, pois nosso sentimento é a extensão de nossa alma. E dado este logos a ti, te rogo que sempre seja claro, diga as coisas precisamente tendo as ventas, e após ter dito, tenha a paz e a certeza de que fez o melhor - e o que for de direito, pura e simplesmente teu, volverá a tua mão. Sorria, abrace demasiadamente e faça do amor cousa frutífera que extensa até ti e os seus, e eleve o cariño a forma de vida. E assim, seus dias serão extensos, fortes, belos, dignos e miraculosos.

7 - O Ato de escrever;
Escrever, pois, ser um escriba, é a fatoração de uma situação, e deve ser feita com muita prudência, seja a de forma realista ou de proforma fantasiosa. Lembra-te, que temos inúmeras histórias a contar: de caso vero e de caso pensado de nossas máquinas encefálicas, por isso, pontua a letra na tua pena, e dana-te a escrever, escriba! Faz tua forma, e divulga a cada rincão da terra das notícias e dos contos que permeiam o teu universo (público e particular).

8 - Sobre a solidão;
Sim, filhinho, lhe digo que nosso camiño é tortuoso e por vezes mui solitário. Digo isso de minha própria experiência, por vezes, me sinto só e tenho passado por muitos momentos sozinhos em nível de carne. Tenho passado por vezes dificuldades, ora materiais, ora sobre-humanas, mas mantenho-me, pois me disseram que o que hei de receber é maior do que pela purificação que passo. E sinto, a cada segundo, que por momentos, uma Potestade cuida de mim, e a Ele entrego nas minhas preces o alívio das dôres, o ter do que comer, o aliviar da dôr de dormir no chão, e de poder novamente ter com quem estimar e se entregar o côrpo cansado nessa solidão. Esta época, é minha época mais frutífera em escrever, e desfio textos, crônicas, contos e frases, pois na solidão, o escriba registra o momento, e, quando em perigo de morte, ele registra com mais afinco. E é isso que nos torna testemunhos do tempo presente para de certa forma sermos também ferramentas do futuro para entender e (re)viver o passado.

9 - Conselhos finaes e benção;
Agrado-me em vós, e tenho estima por suas formas literárias e suas visões sobre o mundo, e sei que mesmo quando aceitas de mim o bastão e o manto, tomas nova forma e incrementa em teu ser uma nova face - como toda carga que chega e se agrega em valor na nossa vida - seja literária ou pessoal. Deixo-vos no Sagrado Coração, e peço a Padre Deus que sempre guie teus passos, e lembra-te sempre de voltar ao começo; Deus te abençoe, Deus te faça um bom homem, Deus te faça feliz! Laudos do teu pae escriba.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Carta a Lilian.

 1 - Prefácio e Saudação;
Marcvs, escriba, para Lilian. Que Deus te acolha, ouça teus rogos e salve-te de ti mesma. Que nesta carta que discorro a vós possa eu mostrar por exposição histórica e teológica os motivos prudentes e perenes para mudar sua mente antes que você se arrependa dos atos que hão de se seguir. Tua carta me tomou três dias pelas idas ao hospital a noite, e por achar palavras precisas em te demover. Espero que leias com o coração aberto:

2 - Considerações geraes;
Devo admitir que mo encheram os olhos de cólera o que li de vós, e o caminho que te tomas. E o sorriso que nutria de ti, ó amiga, caiu e esvaneceu como areia em ampulheta. O engôdo que tenho do sangue sujo, junto com tuas novas formas de querer viver libertinosamente, e me dão mais nôjo e raiva. Aparta-te de mim, e do meu rincão se te for melhor tomar esse caminho que adiantas o passo agora. E abstenho-me de rir, mas sim me ponho na risca de levantar meu calcanhar contra vós, pois me lembro das antes de ti - das quaes alguma tu conheceste pois era também amigas de teu irmão: Rachæl, Luíza, Conceição, Ana, Mariana, Bep, e as justas que se perderam no caminho. Te rogo, enquão não te maculas: aparta-te de mim. É o demônio que te aconselhas, messalina! 

3  -  Preparação para a morte;
Tenho meus pecados, tristezas, e todo o restante. Mas, sei bem que eu na batalha para cuidar de meu fim, adianto-o. Gostaria que você também pensasse assim, ao menos não tomaria tanta rota errada como acerto e se arrependeria futuramente. Espero a morte como quem esperava a coragem da boa briga, ou de dobrar o sino no linguote. Espero a morte como quem espera a pena capital, e vivo enquão posso, e peço a Padre Deus que minha ida não afete o ecossistema que me arrodeia, mas, que se faça em expiação de meus pecados e pela piedade dos meus. Que seja eu sopé da porta para que Meu Bom Senhor passe. Se sofro, e Deus o permite, foi porque eu mesmo pedi que minha vida fosse uma forma de evangælho aonde pudesse perseverar na fé e que por minha luta, pudesse levar pessoas novas para conhecer Meu Senhor. E se a tudo passo em necessidade, aflição, dor e solidão, tenho Meu Bom Senhor a meu lado, e Ele me provém e restaura tudo em Seu tempo e de acordo com minha necessidade. 

4  - Perca de fé;
A Fé se faz necessária, mas a perca dela é fator comum. Nós, de gênero humano somos fadados pelas tentações demôníacas (tal qual as de seus futuros atos) a termos um afastamento de Deus. Mas devemos a todo instante e momento volvermos nossa carne e nossa cabeça a Padre Deus, e dando-nos este tratamento, logo estaremos propícios a estar com e em Deus - seja por costume ou por aprofundamento da fé. Comece com uma breve prece. Depois reze uma oração, e após isso volte a rotina. Ao menos, tente; talvez isso faça você voltar ao seu eixo de prumo. E talvez no orago, você possa ter assim ter finalmente consolação e sair dessa vida vazia e não cair no poço errôneo que d'agora queres a água amarga. LEMBRA-TE DE RACHÆL!

5 - Loucura da Santidade;
Todo santo ou propenso a santidade é louco, degenerado e renegado - e isso nos mostra a história e o tempo hagiográfico. A inquietação, o amor irracional pelas cousas do Céu, e principalmente a vontade de melhorar o mundo. De vera, ainda qu'o defenda o laicismo do estado, me vejo a crer que a melhor infraestrutura para uma sociedade é a pauta cristã; e não porque nós somos melhores, mas porque agimos de perdão, amor, justiça e misericórdia. E quando fazemos esses quatro feitos de verdade, abrimos nossa alma verdadeiramente, e O Justo Pai das Luzes, vai nos guiar e nos dar enfim, a paz que só Ele tem e é capaz de nos dar. 

6 - Medo de sofrer;
To me dizes do medo de sofrer. E vens dizer isso a mim, que jorrei lágrimas de dor fronte a musa? Vens dizer a mim que durmo no chão frio enquão minhas carnes vibram de dor e por vezes derramo sangue de meus ouvidos? Vens dizer a mim, que acordo todo dia a vomitar? Vens dizer isso a mim que me encontro só em gênero de carne? Vens dizer isso a mim que perdi o pouco valor financeiro que tinha guardado? Vens dizer isso a mim que passei duas noites no hospital após a dose da radio ter dobrado? Vens dizer isso a mim que estou sem força de batear roupa na mão? Eu sei o que é sofrer, e carrego no oculto de meu coração e elevo esse meu sofrer ao Bom Senhor que mais sofreu por mim. E não digo metade do meu sofrer, pois estamos em época temporã de criar mártires e fazer teatro do afã alheio. Você não sabe o que é sofrer, Lila. Louva cada pedaço, recôncavo, cama, fogão, geladeira, tv, dinheiro, roupas e amigos que tem. A vida ainda não te deu o vero sofrer, então roga a Padre Deus nessa piedade.

7 - Consolação;
Se eu puder me glorificar, que me glorifique no Senhor, e se for para exaltar, que sejam as virtudes dos meus, tão melhores a mim. O sorriso me consola, o abraço me alivia o fardo, a eucaristia me cura, e o terço me faz sentir forte. A minha consolação baseia-se n'Um Deus Misericordioso que desce até mim através de um afago, uma hospitalidade, um beijo, um almoço, um lavar de roupas, uma carona, uma ajuda, e nos milagres tão inexplicáveis que fogem de minha língua explicar. Minha consolação se baseia na minha fé e na minha crença, e agindo-as com mutua respeito, formam-se numa coisa só. E ter a consolação verdadeira, é saber que Deus dá, Deus tira, Deus restitui, Manda buscar, conserva e melhora. 

8 - Considerações finaes;
Deixo-te com Deus e o Bom Santo Antônio. Peço a Eles que mude tua cabeça e tão muito e tão logo você possa mudar sua vida e mudar seu jeito de ser, começando por sua nova escolha de vida. Ouve. Para. Pensa. Muda. E para melhor. Minhas preces e bençãos se extensam até seu filho, e rogo a Virgem Maria por vocês. 

terça-feira, 19 de julho de 2022

Preparação para a Morte.

 Alguns leitores tem lido as minhas últimas cartas (públicas) a amigos próximos, a quem os estimo. E me perguntam o motivo de no esqueleto armado das proposições das cartas haver sempre de ter na terça parte um capítulo chamado "Preparação para a Morte".
Bem, explico-vos nesta minuta:

É de fator humano que a morte é irremediável, e eu na condição de católico e afiliado ao carisma franciscano não tenha medo da morte, pois como nos diz Frei Francisco: "Louvado sejas Meu Bôm Senhôr, pela nossa Irmã, a Morte corporal, da qual nenhum homem pode escapar!", logo, me preparo para minha morte diariamente como todo católico deve(ria) fazer.
Monges, padres, santos, todos fazem disso um grã costume tradicional e costumeiro, isso não começou com Afonso de Ligório e tampouco se resume a memento mori. - expressão latina que evito ao máximo usar para não ser confundido com os ridículos da tribuna. Sou escriba.
Medito sobre meu fim, se fui frutífero ou de boa estima, e se eu também deixei frutos, se apresentei bons atos de fé para os meus e a Deus. E entendo, que iminentemente eu vou morrer, seja pela moléstia que me aflige agora, ou depois de qualquer outra forma, mas, dado o atual cenário, me preparo para poder dizer e fazer da melhor forma; não quero ser ou soar dramático, pois, a ideia é justamente aprender a lidar com o fato da morte, e saber que uma hora me chamarei saudade - por isso, dado a exemplos que vivi, escrevi (e ainda estou a escrever) cartas e ensaios dos meus pensamentos e opiniões sobre a vida, das pessoas, e as minhas impressões da terra - não gostaria de ser mal-interpretado e tampouco que pensem "o que será que ele pensaria disso?" Por isso, em formas de escritos, deixo para trás meus textos, conselhos, admoestações e forma de vida geral para compreensão. 
E isso de forma certa não é para me por em condição de mártir, mas apenas para aqueles que buscarem a saber os meus últimos passos, saibam o que fiz e vivi pela melhor pessoa: O cronista, Marcvs. 

Grato por tua leitura. :)

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Carta a Giuliano.

1- Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba e escritor, para o terceiro Giuliano que agora vaga em águas internacionaes. Que Deus te guarde, e te esqueça aonde. Alegro-me por tuas palavras, e entronizo as minhas, como em via de resposta as tuas, para poder dar-te a alegria de saber de mim - cousa que acho repulsiva pois n'um telephonema resolveríamos isso de forma amistosa. 

2- Admoestações, perca da fé;
Ainda me chamas de Pedro, mas, peço que me chame de Marcus. Marcus, filho de Fabio e Neto de Fabio Magno. Não sou quem vêes, e a cada dia apago mais minha fé, e tenho veramente abandonando-a com constança, tenho não mais acreditado no que o vento diz, pássaros cantam e peixes falam; tenho não mais rezado o Ofício, e tampouco desfiado terço, e tenho posto em régua a crença minha em Padre Deus - E considero veemente que andei errado todo esse tempo, de forma que só fiz charitas, mas ainda sim apagou-se em mim a chama do viver e a alegria de servir ao Divino, cuja fé agora não sei se o tenho. Tenho cá estado muito comigo, e afastando-me de escopo religioso, creio que talvez desperdicei meu tempo e meu momento. Fui Luís e Fui Pedro, mas, Sou Marcus. Marcus dos Queiroz.

3 - Preparação para a morte;
Por mais que tenhas um arsenal de argumentos, guarda-os. Tenho cuspido e vertido sangue, e além disso, tenho as carnes ora fortes como jovens, e ora fracas, e elas vibram de tremer, como se eu fosse claudicante; como pouco, pela falta de apetite e tanto como não ter como comer, ainda passo por algumas privações, mas sigo firme como sempre o fui. De fato, como vos disse, não penso e nem pretenso atentar contra minha vida, mas, começo a cada vez mais querer desistir de algo que tantos me pedem, e percebo que a cura é mais maléfica do que a ida. Talvez, só uma vez, eu não queira nada mais do que a pura vaidade carnal de me sentir querido, amado, e de após quase quatro meses, tomar uma cerveja. Queria um churrasco, queria um afago, e poder ouvir minhas músicas sem me preocupar se alguém vai ou não gostar. E talvez, estando eu do lado de fora, não tendo essas preocupações, possa ser e estar feliz, e calando as coisas que ainda doem em meu peito, eu consiga ser e estar feliz. Entenda-me, e lê-me com prudência, morrer não me afeta, e possivelmente seria até bom para com quem diz estar comigo, não anseio a vida, e desejo a partir de agora voltar a fazer tudo como antes, apenas para ter um fim ao meu gosto. 

4 - Último peixe, e consideração sobre a ida;
Escrevo-vos pela obediência que consome, sobre o que vi, e espero teu chrisma sobre, de fato que temos ainda fatos a adconjunturar quão voltardes do Vaticano:
Ele se assentou ao meu lado no sopé da escada sem que mo percebesse, e desvelando a capa, tirou o capucho com as duas mãos aonde pude ver seu rosto pacificador, e abrindo o lado da capa, tirou o braço e pôs sua mão sob a minha; e eu, já acostumado, sorri de volta sem precisar de maiores explicações - fez ele me olhar as pessoas, os sorrisos em suas faces, e a tôrre da igrêja; me tomou pela mão como sempre o faz, e andamos entre o mar de gentes, e sorrindo brotava entre crianças, flôres, côres, incælensa e azul, vi o sorriso que me cativa, e sorri de volta - e aquele que me guiava sorria porque sentia o meu pulsar de vida diante de tanta tristeza e solidão. Quando senti a dor de sangue sujo, ele me acomodou entre seu abraço, e deixou que me mantivesse inerte por um momento. Por sua ordem, deitei a dobra de minha mão contra a musculatura que doía, e não senti dor, e mesmo sem saber, deixava que eu pudesse ser mantido e segurado. E por onde andávamos, tinha peixes ao nosso redor, de tal forma que pareciam que se faziam em tapetes para andarmos sobre. Nós estávamos simplórios, e estando eu sob a tutela dele, não senti medo algum - nem de vergonha, nem de medo, nem de morte. Quando ele me deu a ínsigne, me disse: Toma, é pequenina, mas valor tem maior que tôdo, guarda-a e mantém-a; e envolvi-a de tal forma que mesmo se meu coração não quisesse, senti ali que era de valia, e tudo isso, de uma forma geral, me fazia sentir vivo, íntegro e inteiro. E não animava-me a ser quem sou, viver e ter fôlego para ir adiante, por considerar querer ter a morte, mas considerava que até chegar na minha hora de morrer, ele me dizia coisas pertinentes sobre o Sol e o Céu. E eu, repelindo tais palavras e sortes, sentia dor a cada renegar em minha carne. Que, de maneira eu poderia fazer apenas consentir mesmo que meu coração não fosse ofertado nesta forma e maneira. Ainda em mim arde o ir embora, de forma como ele mesmo queria quando era tão carnal como eu. Ele sorriu, abraçou-me, e ao olhar para mim, o disse: Teu peito é semelhante ao Peito que buscas; que apesar de maltratado e amado tardiamente, tens a gana de sempre amar de forma abundante. És agradável aos olhos do Senhor, e por isso to vives!; e obviamente, amei com ódio o vaticínio que me foi dado via peixes/embratel. Mas agradeci e pedi a tutela ao pai dos peixes para que eu pudesse apenas fazer uma última bandeira a meu modo, de minha maneira. Queria eu sorrir. Queria estar vivo para 'queles que estimo, mas sei que estou morto. E por isso atentei e atento com desejo afã de morte contra minha carne, para não ter mais ou obter mais contra o que me mantém. Ainda me sinto só, e mantenho o passo diante da situação, e só levanto meu calcanhar contra os meus desafetos, abrindo a boca apenas para bendizer Meu Bom Senhor e desejar a morte para estar co'Ele na festa do lugar - me vale bem mais do que o vale de lágrimas que me foi ofertado, e apesar da Boa Consolação, meu peito se arrebenta, e sinceramente choro. 

5 - Desejos e vontades;
Diz-me de teu sonho, e me sinto honrado pela confiança em saber de tais coisas. Mas, rogo-vos que pense, pois é de fato mui arriscado perder uma vida por um sonho onde não haja a satisfação de ser feliz e estar feliz. Se a mulher não te eleia a beijar, abraçar e ter em paz, não te mereces, e se o Sol não esquenta as carnes, inútil o É. Viver, de um modo geral, se torna inútil. Infelizmente, me pedes conselhos de coisas que não posso dizer sobre, e só poderia me debruçar em cima de meus alfarrábios, ou consultar meus decanos para lhe dar um aviso pertinente, mas ainda sim, saiba que podes desejar o mundo, mas nem todo o mundo será prudente para você. 

6 - Leituras;
Pare de ler apenas uma escola literária, e adentre em todas. Abomino e disconjuro-te ao fôgo do inferno por terdes tantos livros e apenas usá-los como aparência, e rogo-te que sempre volte a tua gênese literária, para que o seu princípio sempre se mantenha vivo. Leia da patrística com o mesmo fulgor os catedráticos, e leia com zêlo os apologetas de mesma forma os doutos. Ter um favoritismo não significa fanatismo, e na tua condição, ampliar os horizontes para ter mais meios do que falar me parece ser mais prudente. E lê meu livro, necessito de tua informação acerca de minha letra.

7 - Sobre a morte;
Diz me de uma importância, mas, qual? O local que me encontro, a direção, nada disso importa. No fim, isso só foi um momento efêmero e agora, me entregando a hora certa e irremediável do fim, espero que nele obtenha tudo o que não obtive quão em vida, e que eu, morto, não seja alvo de lágrimas falsas e tardias, pois a esses amaldiçoo e renego, e bato meu falar contra eles.

8 - Consideração final e despedida;
Seja feliz. Não leve desaforo para casa. Saia na mão. Brigue. Grite. Laudeje violentamente contra tudo e todos. Exponha seu ponto de vista, mesmo que na base da agressividade. E não tenha medo de errar. E que sejas bem feliz.

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Es Nuestra la Libertad.

 Enquão cruzo a rua para tomar o coletivo, vejo os carros que trafegam entre o andar-parar. E eu ouço uma voz nova, que me conta de sonhos e colonizações, que me eleva o riso e desafrouxa o nó - e tenho visto e vivido muito tanto.

Meu médico me diz tanta coisa sobre viver e estar vivo; e também me acompanha na caminhada - não sei dizer nada sobre isso, mas sei dizer que ando mais calmo, mais perceptivo, menos labrador e com esperanças; e infelizmente (verdade seja dita), a minha paz de espírito aumentou muito após meu exílio.
Não ando nem feliz e nem triste. Ando apenas com saudade. Ando apenas com minhas pernas. Ando rezando muito. Ando meio desligado.
E é só uma questão de tempo - creio eu - para que o rajar do vento nos reúna no mesmo lugar; se deixarão armas, cores, nomeclaturas titulares e assim as cartas chegarão, os amores reinarão, os beijos serão dados e os abraços consumidos. Da foto, refulga o brilho dos olhos da amada amiga/amante/irmã/batalhadora/musa/nêga, que estando em riste, dizem o que palavras não fazem, e no segundo que se pensa, a saudade anseia dos dois lados - é ignorância achar que só um sente falta, ou só um pena. E dos lados, se anseia uma volta - o corpo deseja, e a alma anseia.
Ah, o Sol frio; melhor e mais prudente que o Sol quente, apenas dá o contra-tom das cores que lutam contra os cinza-queimados dos prédios e edifícios, e esquenta a população que faz essa cidade andar; e eu, como filho e engrenagem dessa máquina mercante, também tenho meu lugar ao Sol (frio). Mas sei que teu lugar é em meu coração :P
Um céu limpo, sem estrelas, timidamente azul se transfigura e se refaz. E se faz novas todas as coisas. Pessoas entram e descem do ônibus, e assim segue mais um dia que se inicia - e espero desse dia, o que espero todos os dias: tua volta para terminar de culminar toda a felicidade que tem acontecido.
Sei bem que me lê. E isso de certa forma me alegra, e me motiva a escrever; o tanto que rezo por você deve de ser o tanto que vens a ter e ler aqui; é amor, mas n'uma de suas formas plurais - e nem adianta dizer que não, pois você bem sabe que é; tanto como eu. E anseio, poder ver o quão mais logo possível, teu sorriso e tua mão no meu ombro como no domingo passado. E o resto, faço valer a pena como você nunca viu ou sentiu antes; pois dessa vez as estrelas estão ao meu/nosso favor.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Feira Moderna.

 Hoje estou em vigília, enquanto velo o sono de meu terceiro pai. 

Seu sono ressona em toda sua casa assim como o som oriundo das ruas, e como parafraseio a banda: "enquanto os gritos dizem, os acordes tocam, estão dançando nas ruas"; e eu, por um leve momento pensei ouvir Yes tocar. 

E as pombas, se aninham em conjuntos nos parapeitos das janelas, e eu as vejo daqui. Elas me fitam esperando um sonoro alguma coisa de mim, e eu, apenas as fito em união, espiando-as num ninho improvisado de concreto e união, enquão a mãe pomba adula seus filhotes embaixo das asas e os pombos maiores cercam os filhotinhos de rato voador.

A noite cai na cidade velha, e agora são poucos carros que tocam a passar nos viadutos e ruas - estradas nuas aonde se pode ver no sossego do crepúsculo o asfalto e dar-lhe um descanso. Eu rezo um terço, e olho a janela, que brilha e incandeia uma cidade que incandeia o meu peito e que me dá a esperança de dias melhores e nunca me decepcionou; fundada pela conversão de São Paulo, a Vila da Piratininga sempre se mostrou em constante progresso, conversão, mudança e acompanhamento. 

E a janela, de meu coração, está com as luzes apagadas e entreaberta para a luz invadir o quarto e matar os ácaros. Luzes acendem, apagam, e transmutam, como lâmpadosas verticais e estrêlas postas em vértice na terra - mas ainda sim a luz não se ousa extinguir, ou se por embaixo de um alqueire.

Vejo os livros da estante - teologias maçantes, pesadas, dignas, edificantes e sérias, vejo as estrelas do Céu, e vejo vivendo a mesma situação em novo cenário, perspectiva e prisma. Fico sentado na cama e vejo a noite envolver tudo e todos, e notando as voltas do ponteiro, meu pensamento se desloca em mil lugares, pessoas, coisas, e temporãs; troco a resposta pelo silêncio, e repouso. 

Abre teus braços, amor, que eu 'inda tenho um pedaço de Deus (eu adoro essa citação d'O Terço!), e guardado em teus braços, olho para dentro de mim e vejo tanta coisa, que silencio no eleio dos teus abraços, aguardando de teus carinhos de teus dedos finos que acariciam minha pele, e de teus olhos que me tangem, e de seu canto que me refrigera. E foram mulher, tantas batalhas, tantas lutas, tantas horas da solidão, e tanto desarranjo, que quando vejo minhas obras, as cousas que edifiquei, os mortos que sepultei e os caminhos que tomei, me sinto forte e magno, de fato até mui sábio. Tristes e difíceis começos sempre terminam em finais gloriosos, como dizia-me a Velha sibila sábia enquanto engomava a calça. 

E foi um difícil começo. Agora, espero - assim como o fim dessa noite - o fim glorioso. 

Pax et in terræ. Amen.

sábado, 7 de maio de 2022

Nuvens Pesadas.

E no dia cinza, 

que as nuvens encobrem o Sol,
brinca um vento moleque que passa por mim.
Ajeito a gola e vejo a fumaça do tabaco esvanecer no ar,
e vendo as luzes da cidade amada,
me sinto calmo, 
de certa forma realizado,
mas principalmente,
me sinto bem. 
Passo na tabacaria e pego a encomenda de meu pai,
(que não esquece de seu novo velho filho e o presenteia)
E vou para minha terceira nova casa, de nova mãe e novo pai. 
E ali, me deixam e me obrigam a fazer morada,
e nisto transposto a minha vida,
creio em Deus e oro.
Pelo prato posto na mesa;
Pela confiança ofertada a mim;
Pelo ter com e saber com quem contar;
Pelas missas e ofícios e vida espiritual;
Por quem enxuga meu pranto,
e comemora minhas glórias:
e por estes, Bom Deus, trago seus nomes inscritos em meu coração na Tua presença.
E os entrego do meu pequeno e fraco ao Teu Sagrado e Belo Coração.
Toda ternura é uma forma de amor,
e todo amor se cabe e se basta no peito e na razão,
mesmo que no momento e se diga se sim ou se não,
amor verdadeiro que não se dissipa, morre, foge, mente ou traiçoeira.
Porém; 
se quiser saber, te tenho em todo zelo.
Toda atenção,
toda reza;
todo momento.
todo seu. 
Ei Senhora Atração, Action Woman de primeira;
Jack O' Diamonds está na esquina vendo as nuvens censurar as estrelas.
E elas irão brilhar a todo custo. 
Mesmo que não as vejamos.

E foram os deuses que nos escutaram, menina!

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

General Confession.

Ok, vamos lá!
A questão toda do Brasil atualmente se designa em 13 x 17. Esquecemos da cerveja pendurada no boteco, das orações que fazemos em nossa comunidade, ou se temos um trocado para comprar um pão, é tudo resumido como "O bem contra o mal", coisa que deveria ser mais simples.
Aqui do lado de fora, vejo amigos se limitando a degladiar ofensas, e até mesmo eliminar-se da vida um do outro - tudo bem um ser corinthiano e o outro palmeirense, mas votar diferente de mim, nunca! - a cabeça do brasileiro no último ano atrofiou de maneira incrivelmente assustadora.
Eu, por escolha, decidi viver o carisma franciscano, e por isso tenho sido taxado de "comunista", "amigo de vermelho" e "passível de corrupção", sendo que escolhi viver de maneira ampla, geral e irrestrita viver o evangelho do Cristo Pobre e Crucificado, mas Vivo e Rei! "A terra é bôa e rica, e nela há espaço pra tôdos".
Vivemos num Brasil plural, cheio de riquezas e coisas boas, e pessoas de índole boa, vivemos em unidade, mesmo quando desgarrados, nós somos o povo que depois da briga no futebol de rua nos sentávamos e dividíamos a tubaína no saquinho. Até onde a estrada vai dar para perceber que a tal briga por lado político não é uma briga, e sim birrinha? Independente do voto, é necessário a votar com sabedoria - não por candidatos indicados por sacerdotes, parentes, ou "arautos da verdade". E sim, pela leitura, reflexão, indagações e conhecimentos acerca do seu candidato e o plano de governo dele; Nenhuma aliança política é 100% puro-sangue, e nenhum governo tem um plano de governo 100% bom. Nem nós, enquanto seres humanos, somos 100% dotados da graça de Deus.
Vejo jovens agindo como velhos senhores, conhecedores de virtude e sabedoria (até a página 3), e pessoas velhas, que retornaram a infância e julgam uma inocência que no tempo deles houve quando eram crianças, mas, que ninguém nunca provou que realmente houve inocência, ou justiça - apenas o contrário. Profetizo (e não em tôm de profeta) em meu tempo a loucura do tempo abaixo dos Céus de Deus, aonde tudo se mostra estranhamente reverso, nascendo velho e morrendo novo, e os que detectam o torque certo da engrenagem da máquina são os loucos, irracionais, marginalizados pelo que carregam no peito. Os mesmos jovens conservadores que vão na missa de véu, fazem petição por missa tridentina e tem padre de estimação que vai contra o Santo Padre de Roma, falam de proclamar as "novas cruzadas" (sic), são as mesmas pessoas que estimam uma melhora no Brasil (como o outro lado).
Sinto, e vejo nestes meus contemporâneos que eles não aprenderam nos livros de história, e sim querem provar o amargo, para saber que não é bom. Pessoalmente (e agora sinto as pedras, a benção, Glorioso Santo Estevão), para mim, votar no 17 é ignorar todo o trabalho da Igreja Católica no Brasil, pisar na memória de Dom Paulo Cardeal Arns, e dos Frades Dominicanos (e isso, só os casos mais conhecidos), que abertamente cuidaram e estiveram de pronto a lutar contra um regime ditatorial que nos extinguiu de alguma liberdade, verdade ou senso de vera justiça. Gostaria de não votar no 13, mas, ainda sim o prefiro. Vejo famílias se destruindo, intolerâncias efervescendo, e pessoas se tornando animais peçonhentos, por um assunto que deveria ser discutido com sabedoria, e não fanatismo e loucura. Que Deus tenha misericórdia de nós, e o Glorioso Pae Francisco olhe por nós e nos dê a chance de obter a graça divina de paz nos desaventos - que as amizades retomem, que os amigos se abracem, que os sinos dobrem, que os Céus turvem, e as garotas ouçam.
Kyrie Eleison.

Nm 6; 24-26.
Jo 16;33.
1 Pe 3;11

terça-feira, 26 de junho de 2018

Blusa de Linho.

Cecília, todas as cadências e nuances são seus. São eternamente e totalmente teus. Todas as formas, texturas, gostos, tempos, tons e contra-tempos, viradas e arremetes; Ah, Cecília, meu coração está tão afã esperando você. Minha vida inteira seria apenas meia vida se eu não te esperasse ou não te delegasse minha forma de vida - seria loucura de vida se você não estivesse comigo o tempo tôdo do tempo do mundo, e seria maior loucura se eu não soubesse que você seria tutora do meu caminho com o Cavaleiro Guerreiro do Cavalo Imaculado.
E quando os sinos dobram, eles falam de você, e quando as pombas batem as asas em bemol, são arrebóis das tuas pentatônicas, os motores dos carros afinados em Fá, das nuvens que se fazem de escala para sobre os prumos dos Céus, te ver escrever um cântico nôvo. Um cântico de amôr, um fôlego de vida pro teu filho, para esse coração cansado, para meu secularismo tão curto, e tão intenso, tão cheio de histórias que levei até sua casa para te pedir discernimento, e coragem, e proteção.
Vire-se para o Sol, ó minha flôr-de-novembro, quem te mandou se olhar para uma erva rasteira de março assim? Deve ser de ti, providas das lágrimas de nossa senhora, que nos deixam crescer como as trepidantes trepadeiras que nascem fazem, crescem sem pedir licença, somos nós quem nos fazemos assim - nos sabemos. A tua côr solfeja um Lá maior setimado me amenizando de crescer tão rasteiro, mas me fazer entender que te divides da tua fôrça comigo, e daí do teu lençol freático, me lança a água. Água Viva.
Ah, Cecília, me delegaste a função mais franciscana e mais dominicana do panteão, me fez ser de música e para a música, e na hora da rejeição, quando os outros viraram os seus alpendres e altares, você me acolheu na tua casa e no teu holocausto. E hoje sou coluna com deficiente destreza de teu pilar, estou rachado e esmaecido, mas estou aqui, e por você, eu sou. Me trouxe na rés da sociedade, aonde me valho de pouca música que me vale e me basta, aonde conheci os meus e os meus (poucas vezes) me valeram, e aonde pronunciei teu nome, e o nome dos Teus, e Do Teu. Preguei sem pregar, e rezei sem me aperceber, chorei por lágrimas floridas de escalas de Mi Menor, e sorri quando o Fá em nona contrastava com Ré em nona, dando aquela nossa dissonância que ninguém entende, mas que nos faz tão minha, e tão seu.
E assim, vejo o quanto nunca estive só desde que você se dispôs (e não há outra palavra, Mãe, sabemos disso mui bem) a cuidar de mim. Me fiz menino, para esconder debaixo do teu sari, para chorar minhas tristezas e louvar minhas alegrias. Na hora da solidão, foi minha amiga, na hora da tristeza, meu conforto, na hora do medo, minha estrutura, e quando duvidei, você foi quem me trouxe de volta pro lado de cá. E quando a barra pesava (como tantas vezes pesou e ainda pesa, ainda pena), corríamos nós dois para debaixo do sari da Mãe das Candeias, e lá acampávamos até a tristeza e agonia passar, foram tantas percas, e tanta tristeza, tanto gosto de aço na boca, e tanta fuligem no rosto, o ocaso, e desânimo que você livrou de mim - Ah, Cecília, como é boa a vida do teu lado, e como é boa tua tutela sobre minhas carnes. E se te cabe saber, todas as vezes que de madrugada amei a madeira contra as cordas de aço, foi procurando você, foi querendo estar com você. Foi me valendo de você, que me refiz, e aumentei as apostas na crença do Invisível, fazendo dessa vida menos cã quando você está aqui comigo, o tempo passa mais devagar, e as alegrias se tornam mais doces, e o som se deixa uniforme, e você mostra os caminhos das pedras para chegar até o Excelso.
Foi por você, que ainda estou aqui. E é por você que quero ir mais longe, quero levar o teu pendão até onde eu puder, e divulgar a missão, disseminar a palavra sobre todos os solos, e dizer todas as palavras que não te pôdes dizer, e que minha língua pode (e vai) dizer. Quero a alegria de te encontrar e dizer: Bom trabalho, garotão. Quero te encher de te orgulho e te dar um cheiro, e sentir você por aqui. Até o fim.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Menestrel do Sol.

Os dias monásticos-pacômicos de uma pessôa deveriam vir acompanhados de uma peneira filosófica, um copo de água e um disco para se ouvir durante a hora da solidão. Os dias mais monásticos de uma pessôa deveriam ser de penitência e perdão, balanço geral da vida, não digo isso num âmbito estritamente religioso, mas, de forma geral. Eu, enquão monástico, percebo o quão grato preciso ser, o quão forte me tornei, o quão solitário vivi, e o quão insensível me fiz para poder sobreviver a tôdas as contra-fôrças que me fizeram chegar até aqui - até o encerramento desses dias não sei se vivi ou sobrevivi. Apenas, com a ajuda de Deus, existi. Estou aqui.
Carece de mim uma forte vontade de vencer, aliás. Carece de minhas mãos, carnes, côrpo e espírito. Minh'alma geme e chora por ver outras almas gementes e chôrantes nêste valle de lágrimas, e peço para Deus e para os meus irmãos (mas que não me vêem como irmãos) a piedade para vivermos em fraternidade. Fraternidade não é comunismo, e a bondade não é compra de nuvem no Céu, e sim faz-se parte d'um grã exercício de conviver bêm em sociedade e nela cohabitar e sobreviver. Só posso vencer quando tôdos vencerem comigo, igualmente cruzando a malévola e suja linha-de-chegada que corrupta homens e os destrói. Estou errado?
A terra é bôa e rica, e nela há espaço para tôdos, até para a tristeza que nos ensina a crescer, evoluir, e ver a vida por mais ângulos penosos; Dado a isso, em tudo que se há espaço, gera-se mais espaço para cada um, e desse cada um, as respectivas histórias e opiniões, e assim segue a vida de forma incrível e digna, e lá fora, na garôa que tinge o alaranjado pôr-do-Sol, aquela alma caminha e se eia, se perde, se chora, se desmorona...
Enquanto a música toca, mais rápido se dança, e se usa dos acordes mais potentes e abertos para se desvincilhar da tristeza da orquestra sinfônica do dia-a-dia, se degladiando e pondo-se contra a batuta do Maestro - tentativa inútil, pois uma hora a ópera acaba. Uma hora a lágrima seca, e depois disso, resta apenas o silêncio, até recomeçar um nôvo sôm. A minha sorte é que as ressonâncias que chegaram até mim me deram até hoje a eternidade em sôm, e a imortalidade em acordes (A benção Mãe Cecília, a benção Pae Gonçalo), para não se acabar em um momento, mas de dissipar dentre a eternidade desse mundo afora.
E o que me resta, é apenas sentir tudo o que se esvanece da minha mão que nunca seria meu, e perceber que nem tudo que tenho é de meu merecimento, e nem tudo que possuo realmente é meu, e nem tudo que preciso é realmente útil, e que quando eu terminar de consolidar meu lugar no mundo,
as veras cousas virão, e terão comigo. Para sempre.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Garip Gönlüm.

Entendo que cada vez mais tudo se transmuta, e as coisas tomam novas dimensões e tipos de agir, pensar e falar - mesmo não entendo como isso altera uma essência de uma pessôa, e se há a vera necessidade disso. Vejo minhas vitórias, uma por uma, e apenas penso na melhor maneira de expressá-las, e encontro neste velho e querido blog. Sei que poucos aqui realmente lê estas mal-fadadas linhas, e muitas pessôas que quis compartilhar estes textos nunca os viram, mas, cumpre-se aqui o desejo do cronista, e nunca o do ser. Aqui se postam textos para compreensão e legado de um anônimo, e não Odes a lírica das carnes. Aqui, a escrita continua sendo outra.
Olhando para trás, me sinto satisfeito com minha vida - tive tudo o que quis, como quis, e da forma, nada houve que pedi a Deus que Êle nunca tivesse me dado. E por vezes, me deu mais do que precisava, dando me o que eu veramente queria.
Logo, não anseio mais por nada, por mais que existam sim alegrias a ainda ter, viver e sentir. Ainda se faz necessário a Cecília diária ad aeternum da Anatólia (Teşekkürler, Aretha!), como se faz necessário beber da alma do Lgo Nº 133, como se faz necessário crer cada vez mais que estou na melhor fase de minha vida. Mesmo que tudo isso exista, e faça parte de meu presente, e próximo futuro, não anseio por algo fundamentamente que exija demandas físicas ou mentais de mim, deixei a nau a deriva de minha vida a Deus, e por isso mêdo ou desconfiança não sinto, e se estiver com mêdo, estarei com (São) Pedro. Não temo mais a morte (que a muito custo, Vaniltêra, Dellandrea, Mello, Diegão, Alvaça, Zé, Hollmann, Gustavão, Albino e tantos outros me ensinaram a chamar de Irmã), porque se ela mesma velada, de rosto alvo e cingido me encontrasse, me venceria sua frígia contra minha carne quente, e bendigaria o Senhor Deus acima de tudo quando me fôsse, pois assim O viria em sua Luz e Glória. Mas não anseio o Céu porque sei de mim, sei das minhas mãos sujas. A misericórida de Deus me caberia se ao invés do Céu; Deixasse-me Êle em algum lugar da espera do Juízo aonde eu o louvasse incessantemente, em nôme de Sua Perfeita, Absoluta e Infinita misericórdia para comigo, e com tôdos os do degredo - meus ou não. Meu Deus atendeu meu pedido, e me deu minha pérola. Ele me desceu até a mina d'água, e me levou, lavou, cingiu, abençoou e sorriu. Me sou meu, e sou o mesmo, mas, diferente. Ainda vivo da mesma forma, mas nas cucas e na (futura) longa barba, extensam-se novos planos muito bons.
E me alegra isso: Saber que a pérola que encontrei dentro de mim, finalmente foi tão útil a alguém, e que eu ao menos uma vez nesta vida fui utilidade para a eterna bondade, compaixão, amizade, esperança e renovação de fé o Amôr que faço ser re-Amado. Admirado seja Vós, Sacro Sacramento Sacramentado no Sacrário, com tua Luz, abre o peito de quem se sente triste em trevas e lama, Santa Clara, barravento do Senhor, olha por nós aqui no N º 133. Jo 16:33. Lembra?
Guarda esta carta, não como tôm de amizade, nem como tôm de bôm conselho, tampouco como sermão ou forma de vida, testamento ou epíteto, mas, guarda como o legado de quem venceu na vida dividindo o pouco que tem, e neste muito pequeno tanto pouco de quase nada saciar a mim e minha horda, e para se dignifique a bondade: A bondade existe e é vigente acima do feo, mas, ela não é divulgada - logo, se faz a bôa bondade. Apenas a má-bondade é divulgada, confrontando o Evangelho de Nosso Senhor (Mt 6:3), e criando falsos bôns, e fazendo a caridade ser moeda de troca entre os homens, e casa de interesse. Que se abram os olhos, e as portas das casas, que as lindas mulheres estedendo suas roupas nos varais de quintal ouçam, e que o Céu turve-se na chuva mais linda de primavera: Deus existe, e sua misericórdia e amôr se bastam e reinam, Deus a tôdos amam, e a tôdos que se amam, amam o Senhor, e se o bendizerem, assim cumprem-se para Deus, e cumprem a regra da salvação da alma: Amar.
Enquão a mim, Profeta das Estepes, cabe-me apenas o que tanto amo, escrever: Mas, atrelado com uma necessidade agora, de dizer nas mesas dos bares, na vida, no parque, nas ruas, nos picos, e em tôdos os lugares aonde procurei, devo dizer: Existe. E é Bôm.

"Nós Vos adoramos, Meu Bôm Senhor, e Vos bendizemos, porque pela Tua Santa Cruz (Tu) remistes o mundo."

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Você de Azul.

As pessôas, ao longo dos dias idos, se alongaram de mim, e eu me deixei ser água, apenas as lavei, e esvaneci quaisquer sentimentos delas - as deixei irem embora, e de mim, sobrou apenas pequenas gotículas que fôram secadas em uma toalha de mão ou pano de prato, eu fui passagem necessária para algo melhor, ou pior, não fui mensagem, mas sim mensageiro. Aonde quer que eu vá, sei que estarei só; E mesmo que cada fécula da reia da praia se transforme em gente e que tôdas essas gêntes unidas me amassem e me quisessem para si, e ter comigo no mais completo ode a uma amizade, ainda sim estaria vazio e só. E mesmo que a mais amada das mais belas das mais desejadas da mais Cecília voltasse para minha mente e meu destino, só estaria: A minha solidão é de têmpos, e que apenas Deus cuida, Deus protege, Deus tira. A minha solidão é saber que sou um dos poucos, talvez o único num raio de 20 quilômetros que pensa de forma híbrida e consistente, como uma argila semi-moldada, que sempre pode ser adjustada ou retocada.
Minha solidão se dói sozinha, e se manifesta em mim porque minha Luz é forte, e quando eu eiei a candeia para olhar os pés da Concórdia, os lavar e os beijar, êles me taxaram de louco; Porque quando me humilhei na eucaristia, êles me entregaram olhares malecidentes; Porque quando eu comecei a anunciar minha fé e tomar meus nortes, louco fui e esquecido dos amigos me tornei; Porque o quanto mais fui fiel a minha essência, mais as idéias erradas e que há muito e há tanto eu exortei de minha mente, êles tentam pôr novamente. Deus viu tudo, os meus erros e acertos, e pra quem acreditou em mim, muito obrigado - a quem duvidou, peço perdão por nunca ter sido digno de confiança e elo.
Quando enfrentei meu último dragão, percebi que me tornei um daqueles eremitas loucos, que já sabiam da sua verdade, e não tinham mais nada a fazer, a não ser espalhar a boa-nova pelos muros, casas e campas; Dando ao mundo aquilo que se foi ganhado em recompensa - poucos ouvem, e dos poucos que ouvem, quase nenhum nota ou percebe, e com isso me torno um feo personagem Quixotesco, procurando um ideal antigo, vazio, mas que muito enche em meu peito, me fulgura e trás brilho nos olhos acinzentados agora, mel a tarde, verde de manhã, avelã durante a turvação. Eu sou o que preciso ser, e agora, sou a solidão: O menino que ganhou o não da amada e fica no salão vazio, chutando confettes e serpentinas, enquanto tôdos saem e a banda guarda seus metais. Sim, sou eu; Quem se sente só, porém sabe que a solidão não é ruim. Agora, eu sou água, e saber que caminho entre a ávida multidão se existir, me faz feliz, me faz ótimo, me faz môrto, me faz cada vez mais estar perto d'Ele - quem me amou primeiro; E sei que uma hora, em algum lugar do mundo, alguém veramente estará lá, e quando esse alguém me notar, e eu o ver entre as condensadas marés-de-gente, saudar irei, e juntos nos teremos, enquão isso, estaremos aqui na ilha, tentando acordar os mortos que passam e passeam nas minhas vistas, e são bem mais solitários que eu.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Interstate Love Song.

Tenho um sentimento híbrido por tôdas essas pessôas que vejo - a tal ávida multidão, que há tanto e muito discorro sôbre. Tenho visto pessôas disconexas, que não se conhecem ou que se põem em maior valôr, tenho visto falsos humildes e orgulhosos reclusos em seu castelo, vejo gente que diz abraçar a pobreza mas louva as suas últimas viagens internacionais, vejo a busca pelo amôr, mas, quando o amôr é chegado na porta do alheio, não é atendido, mas, quando o vão sentimento apenas aborda na porta, ele logo entra. Vejo pilhas de contradições, criando certezas supérfulas, e meu coração dóe por isso, e minha voz - já muda, emudece mais, apenas para não professar, mas, para sentir. Sinto o medo, a desigualdade, a maldade e o vil, sinto o cheiro do dinário que lhes são sangue, alma, carne e comida.
Não me importa sua viagem a Machu Pichu, ou ao Taj Mahal, tampouco ver London's Eye, ou se a Praia da Joaquina te amorenou, vêde, eu não ligo; Cabe a mim apenas sua alma, sua carne, sua essência, sua vida, minha vida, nossas vidas. Olho para vocês, e me entristeço, pois não entendo qual é a humildade que vos pregam e sufragam em seus ditos por redes sociais, sendo que vós mesmos postam fotos de seus idos, carimbos de passaportes, carros novos, praias e taças de cristal, e de roupas e danceterias tão longe e tão ostentantes, e esse feminismo tã hiperssexualizado, e esse cristianismo tão exibicionista, e essa ostentação que no fim das contas não adianta e nem interessa nada, e esse amôr desenfreado que procuram mas não deixam êle vir? Quem são vocês, realmente? Cada um sabe de si, mas a humildade que vocês há tanto pregam e tanto querem, eu não conheço, e se faz tanto diferente da minha. E isso me fere mais.
Vocês se guardem, e se amem no amôr dos homens, e peçam a Deus que amem vosso amôr - de vocês não me adianto em bom dias, e em bôns conselhos, vocês a tudo tem, mas a minha lama, minhas mãos sujas e meu viver de Itaquera e República nunca terão, e a precisão do mirar do meu olho nunca comprarão, igual aos meus dizeres, orações e advérbios - eu não serei um de vós, mas, se vocês quiserem, eu só posso adiantar o que sei. Coisa que momento algum dirá, dito que ecoa nas cabeças vazias e abre a semente: A vida é bem mais, no menos que isso - que alegria tem seu peito? Vocês não me compram, porque no seu dinário, o suor não é glorificado, vocês não zelam pelo bem, apenas se gananciam e são cães qu se degladiam pelo bife dado. A vós, minhas orações, a vós, meu respeito, a vós minha distância.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Sïs.

Os filmes de hollywood só servem pra mostrar pras mulheres que elas precisam ser magras, peitudas, e putas devassas, e que tôdo homem tem pau pequeno, precisa ser atlético e viver insanamente - e é por isso que eu vivo no passado: Eu não quero me dar ou aceitar forçada e repetidamente uma realidade que não faz parte de mim. Eu, tôdos os dias, tento exercitar a minha sinceridade, logo após que deixei os véus caírem, e foi a melhor coisa que eu já fiz, pois, quando me aceitei, vi que minhas realidade e meus sonhos não são iguais aos de muita gente, mas, com algumas pessôas comuto do mesmo sonho, e com outras, vivo a mesma fantasia que fulgura minha mente.
Mulher de verdade bebe, vinho, cerveja, vodka, tem estria, na tpm fica a flôr-da-pele, gosta de um chocolate, é linda quando acorda de manhã (inda mais quando tem o cheiro de dormida e tem o corpo quente), usa aquela calcinha velha, surrada, confortável, tôda mulher quer ser feliz, e tirar o sutiã/soutien (é assim que escreve, mamãe?) quando chega em casa, e algumas delas entram na vibe de achar que um peito é maior que o outro, ou que a auréola é grande demais, ou menor demais...
Mulher, não! Quisera eu e o Bôm Deus que desfiassemos um rosário para dizer de ti, tudo o que nos cabe em palavras, trejeitos e gestos. Você é linda da maneira que é, e te ama verdadeiramente (sim, ainda existe o vero amor) quem te aceita, em corpo, mente e alma - mais além: Não ama de carne, ama de essência. Aceita suas pernas sem depilar por dois, três dias, ri quando você arrota, e simplesmente quando te dá a cólica, pisa em ovos, trás chocolate, oferece colo, carinha teus cabelos, e canta no teu ouvido pra dormir, faz oral sem cerimônia, sem medo, sem nojo, chega junto (Povo do degrego) e simplesmente vive os dias idos ao seu lado. Mulher, você é muro de arrimo, pedra ângular, fundamento, casa-forte e alicerce.
Quando nós, católicos, rezamos da Ave Maria ou Salve Rainha, pedimos a proteção de uma das fôrças femininas mais fortes, potentes, amadas, cheias de amôr, poder, e graça para nos perdoar, e nos livrar da hora da solidão, da hora fea, do medo da morte - pedimos a Dulcíssma Mãe das Candeias para que Ela nos interceda ao Deus Triúno. Uma mulher que convence um homem. Quantos de nós, homens, não fômos convencidos pela amiga, pela irmã, pela mãe, avó, esposa, namorada, quantos? A mulher é peça vital da vida, e isto é difundido, só faz necessário ser aceito e compreendido. A mulher real, que existe por aí, não quer do privilégio. Quer da igualdade.
Deus, em sua Infinita sabedoria, nos deu da mãe para gerar e cuidar, da avó para mimar, da môça para amar, da Concórdia para rezar, e da Irmã Morte para amenizar o medo e trauma causado pela ida daqui para outro terral, óbviamente, pela cultura e individualismo, os nomes e cenários mudam, mas, a essência mantém-se da mesma forma, do mesmo jeito. Igualmente.
Os filmes de hollywood não mostram a mulher que foi largada pelo marido com o filho, e labuta para sobreviver e cuidar e proteger da prole, educar um filho pra ser um moleque a menos no mundo, e sim um homem. Os filmes de hollywood não mostram a mãe-chefe-Rainha que lavando roupa pra porra toda da Vila Miriam, cuidou de sete filhos, e ajudou cada seu, sem a ajuda de homem algum, incluindo seu filho, o dito "varão" - quem assumiu o pendão foi uma Mulher; Outra Rainha - Outra Maria. Os filmes de hollywood não mostram a môça que tenta conciliar tudo, e chora durante a noite, achando que nada vai dar certo (minha irmã, eu me lembro de ti, e rezo), e o pior de tudo: Os filmes de hollywood não mostram nunca as mulheres de verdade, e pessoalmente, nunca mostraram sequer um arquetipo de mulher que eu amei ou que me deu a honra de ser minha. E nem hão, o jôgo deles é outro, é vil, não é puro como aqui no degredo. Por isso eu vivo no passado, para não dar olhos e ouvidos aos ditos idos de hoje, de agora, dessa lama.

terça-feira, 7 de março de 2017

Learning How To Love You.

Todos os dias, há de se ver o Sol tanger o horizonte sobre as brumas, formando o cinzado trastejado com tons laranjas, desmitificando o uso de côres distintas, ministrando que até a altura do firmamento nada é impossível.
Mas, nada é realmente impossível?
Faltam 20 dias pra um dos dias mais significantes do ano pra mim, e atualmente perdeu sua importância, sua veemência, porque não me sinto hábil, sequer preparado para fazer coisa alguma, nem preparar a semana de folguedos que há tanto havia pensado. Sinto que no panorama geral da minha vida, não há motivo, vontade ou necessidade de algum festejo para marcar esse um quarto de século sobre a terra, pois são vinte e cinco anos batendo o queixo contra esse asfalto quente e levando nas costas cousas geraes, que não cabem dizer.
Sinto, que talvez tôdos nós que chegamos até essa fase da vida, tenha essa forma de pensar, ou de agir, mas eu só posso falar por mim, e não pelos outros, e menos ainda pelos meus. E nisso me cabe.
As pessôas místicas, de alguma horda, dizem que é preciso se amar, se conhecer, ter prazer em sua própria companhia; Mas como se tem a ousadia de dizer isso a quem viveu a vida inteira sozinho? O degredo é lugar santo, mas também cria ovelhas ruins, e se você eiar a candeia mais alto ainda, verá que além da linguagem pobre, nada resta, além das pessôas que estão a sós aprendendo a se amar, mas esquecem de amar quem as amam, e de amar o próximo a ti mesmo - quando se ama a vera quem se quer bem, reflexa em você. É tudo Luz, é tudo água cristalina que jorra da mina, você pode não entender esse escrito, mas sabe do que eu estou falando.
Deitado, sozinho, com a cara no chão, percebo que a vida é isso, e entendo cada segundo daquilo, e percebo cada vez mais das coisas que sinto (e não gostaria de ter sentido, provas de amar e gostar que deixei dispersas no ar e não valeram nada, a domação de mêdo e de ego, humildade, coragem e fôrça, para abrir e deixar desaguar tudo aquilo que estava guardado pra mais tarde. Mais tarde não, eu posso morrer...
Meus olhos cingiram pela última vez, assim como minha vida tangeu a última linha, como meu peito remoçou a última palavra dita pela última vez balbuciada. O primeiro amôr é o último, disseram; Será?
O cão deitou na capa do disco, e tampou a cara do favorito, e talvez seja isso o que eu queira dizer: Não tem nada não, nunca teve nem vai ter, porque se ninguém se importa com o alheio, só com o dito "auto-amôr, auto-conhecimento", então não existe jornada através do amôr, e sim apenas incógnitas.

Fôrça, até de onde não se têm.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Báb (II)

Quando eu soltar dos teus braços hoje, eu nunca mais irei ter eles, e quando eu não tiver mais deles, não me farei de rogado, mas sentirei uma falta. Um vazio que foi preenchido com e por você - matarei cada lágrima que ousar cair, e manterei cada segredo dentro de minha boca, e mesmo agora que já passado a alegoria de uma fulgurosa virtuose de afetuosidade, guardo-as mais ainda. No carnaval, eu sou o pierrot.
Quando minha bôca encarcerada dilacerar cânticos, que duelam contra os versos marcados do violão, eu não direi mais nada, e me machucarei mais ainda por lembrar de você em qualquer acorde. Por Deus, eu não. Já se foi meu tempo de puxar um pendão, de exigir de mim mesmo, de ser feliz; Agora eu só sento no banco da avenida e vejo tudo acontecer, e quando findado o dia, me levanto, entro em casa, tomo um porre, e morro: Como é difícil, pai, abrir a porta! E aqueles que me esperam não estão lá, e a mim mesmo digo que não há nada, que não tem nada, e quando eu espero pela horar de brigar contra o Rei, percebo cada vez mais que não soi daqui, e as pessôas que me encontram na rua, mal sabem daquilo que guardo no peito, nem do que penso e almeijo; Já tentei dizer, já gritei e anunciei pelas estepes, casas e casernas. Não me ouviram, e quem me ouviu, de louco me taxou.
Tudo bem, assim prossigo.
Não busco mais a felicidade, nem o amor, nem a porra tôda, porque nada disso existe. É tudo uma grande ilusão comercial, e isso me entristece veemente, porque quanto mais achei que tivesse chance, mais percebi que é tudo uma grã ilusão. O amôr é uma velha moribunda falecendo num leito de hospital, que foi muito maltratada ao longo de sua vida; Tal como a felicidade é a nova criança desaparecida que rende correntes de oração, união entre países, e ninguém acha, nem sente, nem vê: Só sentem quando se lembram de um sorriso, uma mecha de cabelo que o vento ondeia, e por aí vai. Eu não creio em mais nada, a não ser nos meus discos, e em Deus. Afora isso, descubro enquanto risco essa areia que tudo isso é ilusório, passageiro, e ineficaz.