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terça-feira, 14 de janeiro de 2025

If I Can Dream.

 É notável o quão triste nos tornamos ao longo do caminho, e nossas lágrimas, assim misturadas com a poeira, a barba, fundem-se no espaço tempo: torna-se então o tudo e o nada; e deste âmago - agridoce veneno amêndoado que destoa de nossas entranhas - por ora tiramos a esperança.
...mas, esperança de quê? A ser franco, também não sei.
Meu côrpo, tão místicamente fundido a sujeira da estrada e ao mau-trato da bagagem, nada anseia do que o descanso, e além do descanso, o desejo. Nada me apetece o palato, tange a bôca, brilha os olhos, e exulta minh'alma do que pôder têr, enfim, o atracar do pôrto - e meu côrpo, agora saveiro, desgastado e cansado da viagem, parar.
Dos momentos tristes, de chegadas e partidas, dos idos, das acinzentadas coisas, dos talvezes, e dos esquecimentos, revelias em que fui pôsto e dos sopé-de-morte, eu escrevia, como o faço agora, mas antes do escriba, havia o que via, e era quem mirava. Eu era um mirante antes do tempo da pena e letra. E por vezes olhar me salvou da destruição, antes que eu aprendesse a escrever.
E das passagens, paragens, pradarias, ruetas, bosques, brônquios, e pontas-de-praias, guardo lindas vistas, das quaes sei de onde são e para cada lugar as pertence. Mas eu, transeunte transitório, levei em meu peito um pouco de tudo, e espichei um tiquinho de mim em todas estas quadras pintadas por Deus, e nelas, permaneço. 
Da mágoa, retorço, faço fundição e olho o universo como antes, e finalmente, cansado, me ponho a não pelejar, mas apenas levantar e seguir, deixando o silêncio como crônica ou testamento que faço agora denunciando o descaso, ocaso, e despeito, mas principalmente, o quão fascínora são as pessoas que habitam nesse mundo.
Quando me falta a atenção, o abraço, a mão estendida, o beijo, e quem me ouve; dedico-me piamente a encontrar dentro de mim a vista daquelas pedras na praia, ou aquele cheiro de mato molhado depois da chuva na chácara, tanto como as fôlhas que caiam na floresta anseiando por um nôvo renascer. Quando me falta algo, transmuto, elevo, torno a ser, e esqueço do que dói e me ponho em outro local, outra estrada, outro som, outro minuto - e desde lá, meus tempos tão pequenos, onde nem me era explícito a dimensão e profundidade de ser, eu sempre me refugiei nas paragens e cercanias, para que assim eu pudesse ser. E antes de ser escriba, eu era espectador. Eu via. E no que via, por poucas vezes me fundia ao quadro. E pela janela do quarto, pela janela do carro, pela janela do claustro, pela janela do carmo, pela janela do alto, eu via. E via muito. Longe. Longe de tudo isso, e por vezes (ainda pequeno e inocente) rezava para Deus que queria ser um pássaro para sair dali fugindo rápido e ligeiro, como que brincando no ar, e deslizando entre vôos e giros, estar livre e ganhar, enfim, a paisagem que me libertava a vista e a alma retorcida. 
E ali, e agora aqui, me mantenho. Cada vez mais longe de você.

sábado, 13 de maio de 2023

Crônica Desinteressante.

 N. Do E.: Crônica dedicado ao mecenas que contribuiu com o café do escriba. Benedictvs si!

Se vale o comentário, vale uma história. E se vale o interesse, não há motivo de rotular como desinteressante, não é mesmo?
É só um comentário - ou ao menos era pra ser, e de fato não deveria ser tratado menos que isso. Pra quê tanto escarcéu? N'um dado momento aonde as palavras se tornam mais ajuízadoras do que conciliatórias, para quê eu iria compôr uma tribuna da qual rejeito? Então, te tomas pela certeza que é só um argumento; e mais além: A sintonia ajuda, tal qual a música, as luzes inebriantes como um velho cabaré afrâncezado, e as estrelas, perdidas no Céu escuro, aparado por copas de árvores, dão a sorte de um querer bem.
Pra quê a noite, se existe companhia? 
E falemos de música, e falemos de sons, e falemos da Anima, mais ainda; falemos de nós, das piadas de fundo verdade, de humor tão cínico, besta, inerente, juvenil, sexualmente apelativo, mas de forma tão nascente, nosso. Falemos dos velhos senhores, do show, da vida em si, das apreensões e dos fumos e das cervejas, pois isso é o que basta ao momento.
E olha, há quanto tempo as coisas não acontecem de forma natural, por um acaso ou planejamento divino, e põem-se em marcha para dar certo e assim contribuir para uma alegria que reina perfeitamente no nosso peito? E falando em coisas do peito, Meu Deus, como se odeiam os prédios espelhados e como se odeiam os pulmões masoquistas de fumantes!
Procura no campo a paz que reside em teu peito, prepara um jantar, acende um cigarro, e passa a mão entre os cabelos: Que doida coincidência é a vida. Abre uma cerveja, e suspende-se num ato: estando inerte ao ar, sente novamente aquele coração pulsar, a barriga florear farfalar de velhas borboletas imortais, e como jovem sonham com um beijo - o velho rolê juvenil que a gente esconde em sete chaves num baú dentro de nossa alma para não se quebrar de novo: O eleio. Conversas bacanas e produtivas. O abraço. A música do pé-a-ouvido. O amasso. Amor travestido de sexo com suas ancas habilidosas maestramente levantadas enquanto se pesa o corpo do amado. O carinho travestido de qualquer coisa que você queira. A música tocando alta e a fumaça oriunda do cinzeiro incensando o lugar. Acaba o cigarro que se fuma sozinho - dois corpos estão ocupados. Os beijos de fim de noite enrolados em braços tão unidos que nos fazem perder a letra em dizer. E o acordar? Um café, forte e sem açúcar, junto com um misto, ou até mesmo apenas um pão com manteiga, mas feito com a energia e o sentimento que não se cabe em letras, mas é explicativo de quem o sente.
Conversa mais um pouco, fala mais um pouco, stalkeia mais que tá pouco. Abre a foto. Vê, olha e pensa: projeta um cenário e todas as roupas possíveis para usar e impressionar, além de poder dizer coisas que sejam alheias e verdadeiras, mas que não a afastem, olha para ela e pensa como o universo tem sido legal. Diz uma asneira gratuita para desbaratinar, e pensa além de tudo, no futuro, mesmo não tentando fazer planos. No dia do encontro, como será? Seria ela maior ou menor que eu? Ela gostaria de caras mais novos ou mais velhos? Será que rola um beijo no fim do encontro?
Perguntas, sem resposta, que ainda precisam de um desenrolar do tempo para se crismar.
Dado o dia, levanto, e ao ler tua mensagem, o coração traqueja um palpitar. "Ontem foi real", e isso alucina a vida, faz a vida ficar mais interessante, e dá mais gosto ao café. E ao ver novamente a foto, retorno ao turbilhão de sentimentos dados ao flerte da mulher que vi. E ela, me atordoando, permanece atenta como a sibila que profetiza entre os lábios voluptuosos a denúncia: Quero.

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Summer.

Disse-me um sábio, certa vez, que a melhor conversa é aquela que se faz e se diz com os olhos. Das mais profundas, sinceras, belas, engraçadas, tristes e magnas. Daquelas que você conversa com a alma e sente a responsa em sua própria alma, sentindo verdade no que te é ofertado. 
Bem, raramente eu tive desses contatos, mas, todas as pessoas que tive esse presente foram mui categóricas pois eram pessoas de tenacidade ímpar, daquelas que são decisivas e fazem-se valer por ser quem são, e de uma força incrível. As pessoas que conversam com os olhos verdadeiramente estão em um outro nível, patamar, e gostar...
E a nível de sinceridade, quero ver teus olhos de novo, e de preferência com os solfejos de tuas mãos, n'e que quando empunhas a caneca em tua mão, desabrocha esse riso em tua bôca como se a vida se cristalizasse n'aquele instante. E eu basicamente gemo em ais pelas pessoas que sabem eternizar o instante da forma certa, a vós, minha benção e minha estima mais ditosa e verdadeira. 
E é sobre isso, disse-me ela. E irrompeu na mesa com um riso verdadeiro, daqueles que não se vê há tempos; abriu-se e brindou a nós na mesa com um riso verdadeiro, sincero, ornado com os lábios e ornando a silhueta de seu rosto de tal forma que não o via há tempos, sendo-se verdade, e trazendo-nos genuína alegria de um riso apesar das abobrinhas demasiadas infames que dizíamos na mesa - de fato nós da mesa sentimos um tipo de êxtase, mas guardamos um pouco para mais tarde pois atualmente está raro termos momentos assim, aonde podemos ser felizes sem um peso da existência.
A noite, extensa e tão curta, denuncia a troca de olhar. Conversa-se pelo olhar. É lindo, belo, lírico, cínico e as tenazes sobrancelhas que arquejam com fechar-e-abrir de pálpebras, desfloram num riso; gargalhada, telepatia prevista - comunhão de pensamento, alinhamento cósmico, ou qualquer bobagem dessa forma. E quando ostento de mim o riso em comum com a alegria mantida de um gol, denuncio veemente com o olhar a vulgaridade que senta conosco a mesa - e iremos rir mentalmente e fazer um comentário ligeiro com os olhos; a essa altura, já íntimos e cumplices de comentários e formas de pensar.
E é afã com o cuidado e com o zêlo, tal qual ditosa mulher ou como no cristianismo primitivo, aonde as pias moças eram zelosas sem ter porquê, com o quê, como quê - permaneciam de fé em fé e de caridade em verdade para apenas existir, fazer-se ser e ter aquilo que não se Nomina; Excelsa alegria, ditoso É. É sobre um riso ligeiro entre risos, brindes e copos de água, sobre conversas e fofocas, gritos estrondosos que arruídam o ouvido em lembrar: a emoção de um pênalti, a perca de um título, a briga no fim da noite, a sabedoria em ser humilde e se resignar de uma possível contenda, o valor de ser quem é, ou até mesmo uma conversa que poderia durar por horas e horas e horas e horas...
Ou, que pode até mesmo durar mais essa noite, se o vento e a direção das estrêlas forem-nos favoráveis.

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Dancin's Alright.

Ressona.
CAXAPOU!
Como uma granada no ouvido.
Lembra?
Como um som que bate turvado e agudo, progressivamente trazendo no bojo a camada grossa de um grave arreboado, que sorri como aquelas caixas tão fortes e grãs de quando a gente dançava todo galante e forte e glorioso e dono do mundo.
Ressona forte, miraculoso, belo, transfigurado e misticamente perfeito. E me lembra algo, me lembra alguém, me lembra uma outra vida, um outro tempo. E me lembra você, também.
A gente era é muito danado, é.
A gente não era? Lá, quando a gente era jovem era.
Nem tinha muito o que fazer - dançávamos para rir, para celebrar, para guardar a tristeza, e para tirar uma onda. E éramos bons, deixávamos os ditos "bons" - vulgares estrelas que não constelavam em nosso céu - fazerem seu ato de pavão, e depois, quando nosso som rolava, danávamos a ser, ter, fazer e viver.
Nós éramos de uma felicidade tão forte, bela e suntuosa, que quando ouvíamos o som junto, éramos o tipo de irmãos que nos abraçávamos e danávamos a cantar, rir, brincar e ser felizes. E quando eu ouvia o som com você, eu só queria te pegar pela cintura e dançar com você. Era o que eu mais queria, mulher...
E durante a semana, descíamos até nossa base para falar de música, beber, rir, e falar da vida - e sempre regado a música, doce música. Era música, não era? Sempre foi. Os gritos diziam, e os acordes tocavam, e nós, de olhos fechados, uma mão na fivela do cinto e outra com o copo levantado ao Céu, brindando a Deus pela vida, cantávamos altivamente, como se nossa voz quisesse vencer os decibéis da caixa de som que amorosamente nos ensurdecia.
E quando desligávamos o som, era o nosso som que ficava sendo feito no ranger dos dentes, dos ossos, dos corpos, da cama...
Ah, e é mesmo! Quando não ouvíamos o som, fazíamos o som! Descíamos com pau e corda até a casa santa e ligávamos na energia e dávamos energia. Eramos vivos e safos. Queríamos ganhar o mundo, e depois o palco aonde ressonávamos violentamente contra as paredes, os ouvidos, e os corpos de quem nos ouvia; e foi ali que soube, após a sessão, quando Che me ergueu pelos braços, que fui profeta: vivi pelo som, amei o som, aguentei o som e bradei violentamente como trovão na terra seca, e fiz alegria, fui alegria e sorvi alegria, e enquanto rodavam as trinta e três rotações do disco eterno, ouvi em mim todas as músicas da alma - das que tangiam, das que ficavam e das que partiam - e pude assim ouvir o Límpido Brilho Agudo Musical Translúcido.

De certa forma, éramos e sempre seremos o som.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Dağlar Engel Oldu.

Bep;
Hoje o Céu daqui pareceu-me o Céu de Londres. A Londres de D.J., a minha Londres - ah, os quatro quarteirões, os casacões tão alinhados, o sôm desalinhado tão potente sôb os ouvidos de tocar guitarra de fone pra não irritar os vizinhos, o licor, o vento cortando com a garôa rente, e o vento acarinhando o cabelo - E não me apercebi de imediato que a vida tem dessas coisas, e trás dessas coisas. Bep, ainda tenho um leve resquício de juventude em mim, que brada e briga com as correntes e pedras que me fiz prisioneiro (Deus sabe que nunca por mal, nunca por mim) para ter ainda a vida livre, a vida entre os dentes como as coxas da dama louca que amei com gôsto de paraíso. Bep, viver tem sido um barato melhor que aquele dia que descemos a Augusta quando tava tudo sem luz nos postes (afora as pontas de cigarros, baseados e luzes neon). Sua mão segurou a minha tão forte, e pela primeira vez me lembrei da breve oração; Quão suntuosos foram nossos lábios, ao estar em terreno inimigo, dizer o que os das garrafas não queriam beber, e dos que fumavam não tragavam em seu pulmão, e dos que comiam, não alimentavam. Ai de mim, Bep, se não o fizesse, nem com você, nem com eles, nem comigo. Ai de mim se eu morrer sem nem nunca ter dito que era de lágrima agridoce, foi pela causa, foi pelo reino, foi por tôdos, pela criança que dorme na Rua do Thesouro de madrugada e apanha da polícia, da mãe solteira que pega ônibus até o hospital com o bebê em febre, pela avó que visita o neto encarcerado, pelo pai de família que pela tristeza se entrega ao vício do álcool, pelos meus contemporâneos que só saberão do que digo na hora de morte, e a êles bendigo e bem-aventuro: A morte deles não lhes farão mal, pois a mística divina os intercedeu, mas para mim que sei os esquema das Ave Mariae tudo, estou lascado! Porque a segunda morte pode me fazer mal se eu não fizer bem feito, e na minha hora de solidão, se não for por Deus, não há de ser por ninguém.
Ah, Bep, Cecília está a caminho, e ela tem cheiro de Ventura, cheia de amôr no seu alfanje, vem trazer esperança na minha carne nova, mas de alma tão anciã. Cecília corre como o vento londrino que sai da Picadilly Circus, e cai na Líbero Badaró passando pelas janelas dos paifrades até chegar no meu coração. Sei que vem e vem em bonança, para me lavar de tristeza e lavrar em melhoramento. Quem diria, Bep? Após tanto afastamento, minhas profecias ainda dão certo, apesar de algum delay. Deus é Excelso, e descobri a sorrir (mas ainda não consigo tirar fotos sorrindo, e inda ponho a mão na bôca ao rir e gargalhar, 'quele trauma inda continua). Aprendi a ser beneditino nos pensares, dominicano nas declamações e atrações, e franciscano com tudo aquilo que está ao meu redor. Inaciano não, ainda não. Talvez depois da segunda morte. Ainda existe aquele gôsto de ferro na bôca, Bep. Uma tristeza e aquela agonia juvenil. O medo. As cicatrizes mostram nossas lutas, mas quando o vento bate nas nossas cicatrizes, elas doem, ardem, parece que se refazem de agonia, e nos lembram de alguns acidentes de percurso, mas calma: Estou aqui ainda, não do jeito que nos conhecemos, mas talvez um pouco melhor, um pouco mais experiente e barbudo; Vendo a vida em tudo, e entendendo as pessôas, e não as mostrando em abrupto, mas apenas deixando que os Véus caiam sutilmente e tradicionalmente - o têmpo da cólera já passou, não posso tomar armas com o têmpo e querer que tôdos evoluam como eu, tampouco que tudo ocorra numa medida, as coisas irão se formar e acontecer quando precisarem, cabe a mim meditar, perseverar, orar, jejuar e a Deus entregar. Vês como mudei, Bep? Mesmo sendo o mesmo, de mesma essência, não sou mais o mesmo. 
Não sei quando voltas, ou se vens visitar os teus daqui d'além-mar, mas, quando vier, avisa-me, tenho muito a te dizer e contar. Sinto falta das tuas sardas no rosto, tuas saias e botinhas, e aquele sorriso de quem conta com o ovo no cu da galinha. Sinto falta de gente mortificada, mas viva no espírito, de tal forma que sua alma aparecia mais que suas pernas. A invenção que superou o inventor. O cabelo multicolorido, e o Véu para entrar na igreja. Os piercings, mas decorar a Ladainha de Nossa Senhora, as cervejadas, mas acordar cedo ao domingo para ir no missal da massa. Faz falta, Bep. Lembra-te de mim quando entrar na Matriz, e passando pelo Rossio, toma um vinho por mim (ando trocando amarelas por carmins), e peço-te que reze incessantemente por mim, e pela salvação de minh'alma, que errante erra, relutante reluz, e aceita asceticamente. Te faz em saudades do teu exílio, mas sei que daí estás bem com teu garôto.

Um abraço do;
Queiroz, o Marcus.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Pois é, Seu Zé.

"A platéia só deseja ser feliz..."
Abba, sinto-me deslocado. Talvez, até egoístamente sozinho - há quem diga, maldosas línguas que deve ser o inferno astral. Quem me viu disse que era a quaresma, quem me sentiu disse que minha alma aboiava. Outras disseram que morri, mas a carne passa bem.
Sinto que meu coração, lentamente foi dissecado, e lentamente perdi os tinos e sensos de tudo, e hoje me sinto como o início de meu Salmo favorito (o 22º) desamparado de Deus, sozinho, e abandonado - mesmo sabendo que ele se encontra here, there and everywhere. Existem, ainda sim Abba, pessôas que me fazem desarmar as ventas e tornam minha vida menos triste neste mezzo-tempo. Maria continua sendo uma grande aliada minha, Bigous voltimeia faz a minha tristeza dar uns rolês, e Diana Pastôra me tomou como um dos dela, e me tratou como um dos dela. A vida, por mais triste e desesperadora que esteja sendo nestes últimos dias, não está sendo mais tão cã por conta deles tôdos - incluindo o Vossa Santidade Menor.
Deus ainda me sustenta pela destra e me guia, e talvez este medo todo seja por ser mais humano do que cristão e entender de uma vez por todas o que minha carne secular não permite: Os tempos divinos são diferentes dos nossos, e cada coisa acontece no seu devido tempo; Besta sou eu em achar que as coisas acontecem logo, e este tempo de preparação, de penitência, de contra-força, de zêlo, de contemplação me agonia tanto, me desespera, e me deixa assim, como se tivesse caído da mudança, ou como se eu fôsse o próprio Longuinho Lanceiro. Deus é quem me guarda, mas ainda preciso domar e catequizar a mim mesmo para os tempos divinos. Meu Deus, perdão pela minha intransigência enquão crente de Vossa Glória e Amôr; Dôce Coração de Maria, sêde minha salvação!
A falta do emprego ainda gera um desespero geral, mas não me deixa mais tão triste, meu maior medo é que eu não fique conformado nesta situação. Tenho um cão, mãe e avó para zelar e cuidar, afora meu futuro Terceiro para fazer, não posso me conformar. A maior virtude de um Franciscano me falta agora, que é a Irmã Alegria, e penso comigo mesmo que dos Terceiros, devo eu ser quem mais envergonho Pae Francisco, pelo fato de que não consigo cultivar e cativá-la por esses dias. Tenho sentido tôdos os sentidos do mundo, e o incerto me faz afundar os dedos na terra, enquanto me pego rezando para Deus não me deixar convencer pelo dinário do mundo, mas, me dando uma oportunidade de ganhar um dinário pra viver com dignidade - que encruzilhada, que bandeira.
Abba, ainda me cabe uma esperança cristã do amanhã, mas que parece tão longe, tão distante - assim como a alma de meu pai carnal, mas, ela ainda tem focos em mim, que por hora não consigo fortalecer ou deixar mais forte (tanto a esperança quanto a bôa alma de meu velho). A vida ainda sim continua sendo como uma imagem do Meu Glorioso São Jorge, em que sempre se apresenta em batalha constante contra do dragão da maldade, e só acaba quando a gente descansa - triste a sina deste trovador, não? - os xablaus nunca cessam, mas Deus está aí, guiando, e de vez em quando a gente esboça um sorriso amarelo, e tudo fica legalzinho, e a vida até parece que vai (não indo).
Uma amiga disse que eu nasci no mesmo dia que São Francisco de Paula também nasceu. 27/03. Meu avô se chamava Francisco, minha avó se chama Antônia, e eu sou o filho de uma devota do Pae Francisco, batizado numa igreja dedicada ao Pae Francisco, que pediu deste que eu estava no seu ventre para que êle me cercasse e me tirasse da lama do mundo, e bem, agora estou aí pelejando pra ser um Terceiro. É tão engraçado como Pae Francisco agiu na minha vida, e me reconduziu até o Divino, Abba, é tudo muito suspenso no ar e coincidente, mas, belo, carinhoso, parecia que já era para mim viver da vida Franciscana, e se devotar pelo Crucifixo de São Damião. O Cristo venceu a Cruz, e triunfante olhou pra Francisco, e agora, Francisco me conduz de volta do caminho que não deveria ter saído nunca.
Eu acredito, que estou voltando pra casa, bem acompanhado com o Pobrezinho. E espero quando chegar lá, que essa tristeza acade ou amenize. Amanhã, bomfrade, faço 26 anos, e não me sinto feliz, nem triste, me sinto apenas mais velho e mais experiente e com mais vontade de me perdoar pelas cagadas cometidas ao longo da vida, e de perdoar quem me quis mal, e seguir uma vida cheia de Deus, e cheia de paz. Mesmo que neste atual cenário mundial me pareça impossível.
Mas, ando fazendo pequenas coisas, para logo fazer o possível, e rogo a Pae Francisco que eu logo após isto consiga fazer o impossível.

1 Pe 3; 11.
Nm 6; 24-26

T

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Menestrel do Sol.

Os dias monásticos-pacômicos de uma pessôa deveriam vir acompanhados de uma peneira filosófica, um copo de água e um disco para se ouvir durante a hora da solidão. Os dias mais monásticos de uma pessôa deveriam ser de penitência e perdão, balanço geral da vida, não digo isso num âmbito estritamente religioso, mas, de forma geral. Eu, enquão monástico, percebo o quão grato preciso ser, o quão forte me tornei, o quão solitário vivi, e o quão insensível me fiz para poder sobreviver a tôdas as contra-fôrças que me fizeram chegar até aqui - até o encerramento desses dias não sei se vivi ou sobrevivi. Apenas, com a ajuda de Deus, existi. Estou aqui.
Carece de mim uma forte vontade de vencer, aliás. Carece de minhas mãos, carnes, côrpo e espírito. Minh'alma geme e chora por ver outras almas gementes e chôrantes nêste valle de lágrimas, e peço para Deus e para os meus irmãos (mas que não me vêem como irmãos) a piedade para vivermos em fraternidade. Fraternidade não é comunismo, e a bondade não é compra de nuvem no Céu, e sim faz-se parte d'um grã exercício de conviver bêm em sociedade e nela cohabitar e sobreviver. Só posso vencer quando tôdos vencerem comigo, igualmente cruzando a malévola e suja linha-de-chegada que corrupta homens e os destrói. Estou errado?
A terra é bôa e rica, e nela há espaço para tôdos, até para a tristeza que nos ensina a crescer, evoluir, e ver a vida por mais ângulos penosos; Dado a isso, em tudo que se há espaço, gera-se mais espaço para cada um, e desse cada um, as respectivas histórias e opiniões, e assim segue a vida de forma incrível e digna, e lá fora, na garôa que tinge o alaranjado pôr-do-Sol, aquela alma caminha e se eia, se perde, se chora, se desmorona...
Enquanto a música toca, mais rápido se dança, e se usa dos acordes mais potentes e abertos para se desvincilhar da tristeza da orquestra sinfônica do dia-a-dia, se degladiando e pondo-se contra a batuta do Maestro - tentativa inútil, pois uma hora a ópera acaba. Uma hora a lágrima seca, e depois disso, resta apenas o silêncio, até recomeçar um nôvo sôm. A minha sorte é que as ressonâncias que chegaram até mim me deram até hoje a eternidade em sôm, e a imortalidade em acordes (A benção Mãe Cecília, a benção Pae Gonçalo), para não se acabar em um momento, mas de dissipar dentre a eternidade desse mundo afora.
E o que me resta, é apenas sentir tudo o que se esvanece da minha mão que nunca seria meu, e perceber que nem tudo que tenho é de meu merecimento, e nem tudo que possuo realmente é meu, e nem tudo que preciso é realmente útil, e que quando eu terminar de consolidar meu lugar no mundo,
as veras cousas virão, e terão comigo. Para sempre.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Beetlebum.

Se você sentir o vento, saiba que nele estará ditando tudo o que venho deixado em silêncio; Tenho tomado ares monásticos-pacômicos para me ausentar da sujeira e da maldade que vivi e ainda por ora sinto e presencio, tenho sorrido muito, falado pouco, pensado demais, e me guardando de menos. Tenho sido por vezes deixado de lado, enganado, afastado e encostado, mas, daqui do lado de lá do lado de cá, vejo aqueles ditos amigos, e vejo seu sucesso, a êles, minha alegria e graça por Deus. Vejo a vida acontecer e se multiplicar, e isso só me alegra. Só me fortalece. Só me aproxima.
Eu quero deixar meus olhos fechados, para que meu coração sinta tudo o que está em mim, e ao meu redor - Deus permita que eu volte a sentir a terra girar sob meus pés. Quero guardar meus punhos para baixo da terra - nada mais tenho a ofertar, guardar ou obter, apenas tenho a dizer coisas a mim mesmo para que fique registrado que um profeta das estepes ainda tem o que dizer, quero voltar a arfar a terra e sentir a energia da natureza sobre "minh'alma". Desejo sentir nos pulmões o ar mais puro e limpo de Guaratinguetá, e quero o carinho do Sol que apara meu despertar com a Cão na cama, assim como quero deixar derramado sob meus amigos a alegria de um pastel de feira num sábado a tarde. Quero a vida para tôdos que queiram a viver. Vida geral, ampla e irrestrita.
Ao sair na rua, que eu não seja conhecido, e que a dita "minh'alma" resplandeça minha pérola, e nessa pérola haja o caminho de volta, o caminho de chegada, ou apenas traga de volta para Êle, o que se perdeu d'Êle, e que esteja em mim quem comunga e quer encontrar Êle - Fôrça vital e pefeita, Único, Poderoso, Excelso e Digno. Rei.
Quero ver o Sol nascer do lado de quem me queira bem, assim como quero que tôdos que procurem um alguém, achem esse alguém, e o tenham por amôr e não por outro sentimento qualquer. Quero sentir a alegria no rosto das pessoas que se transitam tão cinzas, tão indiferentes, e tão soltas na rua. Quero a menina mais solta a correr no jardim e a compartilhar comigo os sonhos mais simples, módicos, e humildes: Sê-lo, a musa e causadora de tudo - A Cecília de uma vida.
Aos que se acham menos, bendigo; Para vocês esta é a terra, e mais tarde ganharão a Terra maior que essa Terra, aonde tôdas as alegrias são eternas e nenhuma tristeza tenta nos abater ou tirar nossa paz. Serão nós, os pisados, o trigo fortalecido, os do degredos, heróis e portadores da Alegria das Alegrias, Amôr dos Amôres e Melodia da mais bela Música. Aos que se pegam em dôres, imploro: Não vos chorem, pois seu choro exprime água e vinho, e deveis apenas chorar pela alegria e felicidade das conquistas, para as tristezas, bate em teu peito e pede a piedade dos dias ruins, e Êle proverá sobre nós a bonança, a nós, a alegria de saber que o dinheiro é endeusado, mas não é Deus. A nós, tôda a alegria desse mundo, livres e longe de tôdo e qualquer tipo de mal. Amén.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Mal Secreto.

Alguns, dizem que meus versos são simples mas carregados de uma verve única, que eu sinto a grama crescer, e nos ventos ouço a música. Alguns, em sua ótima percepção, dizem que me proponho nos meus escritos, a dizer tudo aquilo do que estão cheias as cabeças, os peitos e o que emana de minh'alma; Coisas que nunca poderia dizer para a ávida multidão - tão minhas, individuais, mas, ao mesmo tempo tão de comum senso e que comungam dentro das almas e das cucas de tôdos nós.
Mas, para atingir este nível de "escriba", deitei e dobrei-me muitas vezes, e por tantas outras me joguei no mais profundo dos vales e lancei-me muitas vezes nos ventos, e por meses vi a turvação nos Céus, por anos estive sozinho, e paguei um grã preço por ser eu mesmo. Houveram horas, que a própria hora da solidão se valeu de mim, e eu me vali dela, para não ser mais, e com isso aprendi o segredo: Ser um grão, para ser grã - por isso me valho e sou meu, e me entendo: Sou o Pierrot, o bêbado, o anti-herói, e o mais pequeno dos mais pequenos, o do degredo, e assumido Profeta das Estepes. Me encontro e me aceito na minoridade, e na minha pequenez, prostrado diante do altar, Deus, o Tôdo-Tudo, me deu sua Carneiro para eu cuidar.
...Mãos pequenas, sujas, machucadas, cheias de escara e sujeira, encostando nas macias lãs, macias peles, olhos acastanhados e puros - carne imaculada, sangue não se vê, maldade não se cinge, olhos que não se levantam para se cerrar ou fitar o Céu, olhos que se voltam para o altar, olhos que ousaram me dar a bandeira de ser olhado. Por quê? Tem o nôme da Mãe, da Primeira. Tem a infinidade do mar embutida no nome, nos olhos, nas frases dilatadas em tempos da boca pequena, da timidez, do ousar dizer, e na sua própria pequenez, ser tão grã enquão grão. Pequena minha, quando os Céus se turvam em graça e glória, o vento te entrega tôdos os abraços que eu lhe mandei levar? Será que o Sol mandou aquele afago nas suas madeixas do jeito que eu lhe ensinei para lhe agradar? Será que os prédios do Velho Centro lhe serão gentis e lhe guiarão os caminhos iguais os pedi para lhe guardarem?
Se sim, vem. Encosta-se em mim, como estou a me enconstar em você, estreita em mim o que ponho em nível de prumo em você, e amarremos nosso arado numa estrêla, para que apenas seja pela vontade do Firmamento. Minha boca tem vontade da sua, e vontade de mandar tôdo bem olhar pra própria grandiosidade, e nos deixar sermos o que bem somos, na nossa pequenez. Deixar tudo para depois enquanto somos eternos no agora. Deixa eu estar aonde nunca se esteve, e não me olhe por dentro, assim como não vou (mais) te subestimar, e deixa, pouco a pouco, ir pondo a verdade em fontes claras de Luz. Olha nos meus olhos, e vê o mar e a areia, vê acontecer tudo e ao mesmo tempo, nada. E na eterna mística do universo, lá no 133, o baixista secular irá esperar a desenhista diocesana para se completar - e se inteirar. E manda dizer: Êste é o texto Della. O texto, e o escriba.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Simply Shady.

Não deixa ninguém saber daquilo que ficou dito entre nossas palavras. E nem diga nada além do silêncio, os atos irão comprovar, o tempo dirá, e se for fácil, será de riso, espontâneo, como seu sorriso e minha austeridade. O frio queima as juntas de dedos mais sensíveis.
Na espera, achei tanta coisa que nunca pude evidenciar o que realmente pus na libra para acreditar, apenas segui, e ergui no patamar geral da coisa toda alguma projeção que me guiasse aos turnos antes de te conhecer. Não que houvesse mudado alguma coisa, mas, não deixou nada no lugar, e no pouco, pesa-se o intenso, e no sorriso, o arrebatamento, e na fala, o lancinar, e o beijo, o querer. A cerveja me pareceu tão deliciosa esses dias, que mentalmente algumas dediquei a você. O vento parecia os ventos da minha infância, que corriam e carinhavam meu cabelo na Marina do porto, velho daquele mar parado, natimorto, criando o cinza que tanto amo, criando a forma de texto que transcrevo tão desconexamente mas sei que irás entender de forma precisa.
Marinando a panela com a manteiga, antes de fritar os bifes, lembrei que você não comia carne. Trágico. Cômico. Saudável. Único. Você.
Vae, e vê, fica e sente. Olha os sorrisos ao redor e vê que nenhum é mais lindo que o teu, é riso de quem aprendeu a sorrir, e a quem achou a pérola perdida dentro de si, e hoje a segura como se fôsse de alma, de verdade, de tôdo e sumo. E nos espelhos, metralhados por luzes, pincéis e mattes, esconde-se você, que do alto da mais linda vista que pôdes me proporcionar, guarda uma menina tão linda dentro de uma mulher, uma pessôa que em alguns pontos é tão igual a mim, que nem parece senso dizer, parece cantada, parece até bobeira, coisa de quem quer propôr ou até mesmo juntar pontos para provar teorias, e a única teoria que provo agora, é que Deus é misericordioso - tão misericordioso que me deixou conhecer você e segurar da tua mão.
Lá, no 133, a gente fica marujando depois duns vinhos, e de lá não dá pra ver a São João, e tudo fica meio estranho e alegre, e eu fiquei pensando se fiz algo de errado, e de repente eu fiquei meio bad mas ficou tudo bem, e eu achei que nunca mais ia ter com você de novo, e eu achei que tinha cagado tudo, e você me chegou e me mandou um, e eu uau, e eu fiquei, e você disse coisas tão, e eu ainda estou assim, fazendo nascer esse texto teu.
De mim, cabem poucas coisas, e nas poucas coisas, te poderias saber mais de mim, mas, já lhe cabe o essencial, e o resto é complemento. O complemento que cabe nas nossas qualidades que brindamos, no abraço, no perfume que circunda seu pescoço, e na cor do seu cabelo que nunca ousarei dizer pois tenho uma reputação a manter (mesmo você sabendo que foi a quebra do paradigma secular).
The first thing that i do
Is throw my arms around you
And never let go
And never let go...

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Bread.

Dado os dias em que eu me encontro
Tudo eu sinto, tudo eu tenho
minha carne será a fiança do meu querer
Teus olhos serão farol de minha guia
e teus abraços, infante da vontade
de correr para me perder em sua existência

Minha rainha, minha guarda,
minha querida, ó meu amor,
abençoados sejam os braços teus
venho de uma guerra que me desnorteia
e até os vermes comerão meu pão]
neste longo e extenso caminho.

Estes são os dias de minha vida
aonde o pouco se torna muito
e a vida, se vivencia suas estranhas
e o têmpo, corre para se tinar
E o mistério se desvencilha do segredo

Sonho pelo teu carinho, rainha minha, ó meu amôr
E dos mais belos dias em tua presença
quão perdido me encontrar
ao teu retrato, cairá o meu mirar
e me acharei, e serei, e viverei.

sábado, 15 de abril de 2017

A Chuva.

Olha, ninguém é melhor e nem maior que ninguém, então não nos devemos usar como parâmetro ou diretriz, cada um diferente é, e dentro de si cabe um, dois, dez, quatro universos individuais que permeiam nosso ser e nosso fazer, como ser, o entender e como viver; Se te cabe saber, está tudo errado, a vida tá tôda muito errada, e tudo isso tá muito errado, incluindo as pessôas que nos rodeiam. Não existem mais pessôas-de-bem, e as que mais se auto-entitulam assim, e as que os outros assim chamam, devem ser as mais temidas e mais reprimidas - pelo fato da bondade hoje difícilmente ser apenas bondade, deve dar-se da dúvida a todas as pessôas, principalmente para aquelas metidas a valente, valentes em ser bôas, que carregam bondade. Quem carrega bondade é sacrário, não ostenta o que tem e passa batido, mas, quem escancara o peito e mira nos queixos do outro uma vontade de mostrar o que carrega, dessa pessôa se deve manter distante - este é o Fariseu moderno.
Mantém-me acordado, e não me deixa dormir agora, deixe eu olhar mais um pouco a chuva cair, e me motivar a estar vivendo o que vivo, e sentir o que sinto; Deixa que a chuva que caia leve consigo a tristeza de cada coração, e que cada cabeça que dói, pare de doer quando encontrar o travesseiro, ou o colo da amada, e quando a cabeça esvaziar, esvazie se também tudo aquilo que o coração não diz e a mente não propaga, tudo aquilo que os juízes julgam mas fazem, condenam, mas acionam, e que só o réu paga, por ser da solidão, e por não saber da legislação tão bem.
Pega minha atenção e a cultive, cative, cada vez mais, e saiba que só você pode fazer isso, Deus - só para você devo largar tudo, e prestar a obediência, e o ato da fé absoluta e inexorável. Mantém-me longe desses homens e dessa lama, e deixa que tudo isso seja apenas uma história, um florete que contam por aí para enunciar algo maior ou melhor que o tempo da carne, ou de suas vaidades tão mentirosas que não se cabem, nem se acertam, tapouco convém.
Desce-me até a mina d'água, e lava-me dos meus pecados, e deixa a carne ser carne, afogue a minha carne, para sair, sobressair, intervir, e vencer. Deixe-me, ao menos uma vez na vida, ser certo, estar certo, e viver certo. Deixe-me ser o que nasci para ser, e que os homens fiquem com os homens, pois eu nunca fui, nunca sou, e não hei de ser daqui.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Stop Pulling and Pushing Me.

Pra quê conhecer tanta música assim? Isso não vai ajudar nada, nem aliviar nada, tampouco mudar alguma coisa. Talvez, só ateste a sua solidão e seu vaticínio: Estrêla cadente, de fuligem vertiginosa que nasce, apeia, cresce e morre sozinha. Colide contra o solo, sem pôder dizer tudo, tampouco falar, mas sentindo com intensidade todas as coisas que se põem no caminho - a cada dia que passa, a rota de colisão aumenta, o brilho diminui, e não sei dizer ao certo quando caio, sei que a queda é iminente, e cada vez me sinto mais próximo do solo.
Pra quê insistir nessa história besta e medíocre de ser feliz? Você sabe teu vatícinio, e quando deram a ordem dos dias a se cumprir você sorriu, pensou até que alguém chamou teu nome; Ledo engano. Teu nome é curso que rio não corre, tua cabeça é que não há de pesar em colo algum, e quando te meter na casa, não há quem lhe traga um abraço, um beijo, um sorriso ou uma afã, você é feliz quando pode, você é feliz quando deixam.
Esperar das pessôas o zelo que te tem é inútil, assim como se faz inútil achar que há uma Concórdia: Balela, a Concórdia não existe, nunca existiu e não há nunca de pisar no solo quebrado. A luta eterna o dar-se-á do côrpo a côrpo com os dias, só vai rasgando mais e mais, e as cicatrizes que teimam em ficar, me lembrar do passado, e me doem, por saber de quantas vezes me dei, e fui ponto fora da curva, fui abrigo, mas não me coube ser abrigado, e quando meu carro capotou, o cinto se rompeu fácilmente - e as cicatrizes que se vem agora, não as sinto. Apenas as coso e fecho, e sigo; Não tenho mais tempo para tristeza, e tampouco pra agonia, o coração, lá no fundo do Mar Férreo está, e lá devo eu deixar a essência também, porque não me cabe sorrir, nem chorar, nem nada. E mesmo se a vida me entregar esse amôr em forma de mel, não quero mais, me renuncio e anuncio a verdade única e absoluta: Gente do degredo não tem o direito da felicidade, nem de ser feliz. A felicidade é estar bem, vivo, dar a massa osséa a máquina mercantil, e pôder (Com a graça de Deus Pai) ter como tomar uma no final de semana.
Dias desse, um amigo me disse que sou aquele tipo de pessôa que só vou ter o peso e valor reconhecida após o meu desencarne, fiquei feliz. Ao menos me reconhecerão em alguma hora. Se até lá eu puder escrever, deixo como testamento e legal tôdos estes amontoados de palavras que lavam minha alma com a Água Corrente, e nela livre eu estou.
Deus Vos Salve, Senhor Jesus Cristo, que crucificado fôi entre dois homens do degredo tão iguais a mim, e que quando desceu da Mansão dos Mortos, lembrou de mim, e desde o ventre da madre, da maldade (pior da que convivo e vivencio) me livrou. Deus Vos Salve, Senhor Jesus Cristo, que muitas vezes aí de cima me olhou, guiou, abençoou, livrou, e amou primeiro. A Êle toda a Glória, porque na Hora da Solidão, quando a cerveja bateu, perna cruzou, lágrima caiu, mêdo aflorou e a fea fez morada, foi Êle quem me valeu. Deus Vos Salve Essa Casa Santa, que me valeu na hora de minha vida, e na hora de minha ida me livrará do injusto, me dando o veredicto do juízo no fim.
Mulher, não chora teu morto, porque teu morto não chorou o dele, e lágrimas não bastam pra ressucitar. Eu estarei nos bons lugares e nas chagas de quem teve comigo, e principalmente abaixo daquela noite, com poucas estrêlas, quando com meu dedo risquei o Cruzeiro do Sul, pude saber que ali eu fiquei, e soube do vaticínio. Eu sou o Oceano.

domingo, 2 de outubro de 2016

Lotus (II)

Lotus, obrigado.
Obrigado por - mais uma vez - ter me ofertado a morada dos teus braços, por um segundo eu ter sido imortal mais um dia, diante de todos os dias ainda permanecentes de minha vida. Obrigado por me dar um sorriso tão sincero - desajeitado, desalentado - mas tão vívido, tão supernova, tão tua culpa.
Obrigado, pelo quê?
Por tua culpa, eu me senti com meus 16, 17 anos de novo. Com você eu posso ter o prazer indescrítivel de ser eu mesmo, de ser e estar agindo naturalmente, de não me preocupar com roupa, cabelo, papo, perfume, se chove lá fora, se tem que ser em um lugar com nível, ou apenas um lugar simples: Tempo bom, tempo (não é) ruim.
Obrigado por vir do Degredo, e daqui do mesmo lado qu'eu, e assim entender (mais que superficialmente), o sentido da vida, e a definição da vida (ao menos, pra este humilde contra-crônista), e por retomar um velho fôgo, e dar essa sensação de imortalidade nos lábios deste em que encostou, nas mãos em que se sente um calor, num abraço que se cabe, e se encontra, em um desejo que não se encontra, nem se finda, nem se esgota, e que a cada mais um, e de novo, e de novo, e faz mais uma vez, se perca a conta, se perca tudo entre eu e você.
E a cada beijo, me sinto mais forte, mais teu, devotadamente; E no sofá que me sento pouco me importo co'as horas, desde que tenha você nos meus braços, no meu colo, no meu coração; Olhos que sentem, boca que vela, sorriso de canto de boca, voz aberta que fica muda, arranha, morde, geme. Silêncio, meu amor. Desabrocha a flôr bruta, pêlo-em-pele, abre, o gosto bom da seiva, mel cálido, se rende, impulso, sorri, morde de novo, tem gente vindo, tem algo passando na TV, sei lá - assim.
Fica ao meu lado, e não diz nada: O silêncio já diz tudo, já sabem de nós dois, e mais ainda: Sabem da nossa felicidade, da nossa eternidade, de tudo. Fica, e observa, daqui da tua cabeça em ninhas pernas, o movimento dos barcos, os saveiros perdidos, vapores que penteiam as águas, as barcas indo pros seus rumos, e eu indo pra ti, pra atracar meu escaler, e eu, tão meu, tão seu. Não faz mal que se deixe, eu estou aqui. Fica, e sente o coração disparado, o sorriso besta, o encontro, o encaixar dos braços em abraços, okhares, que denunciam frases, atos e prenumerações. Eis seu cordeiro em seu altar.
Usa.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Respeito.

Eu creio vêemente no sorriso da criança. Me foi dado o ensinamento da matriarca - anciã cheia de rugas, sorriso sem dente e olhar claro e longe, como quem buscasse uma secanja qualquer. Ela me diss que até determinada idade as crianças se mantém em inocência velada, de Deus e dos homens, para logo depois virar um de nós.
Nós, homens do degredo, da classe trabalhadora que choramos de alegria pelo aumento salarial obrigatório, pela mulher bonita que passa na rua, quando nosso chefe falta, ou quando achamos cinco reais perdido em nossos bolsos. Um dia fomos inocentes da maldade, da separação, da política, da religião e do bem e do mal. Depois, nos foi ensinado o dissernimento ao longo do que nossa família vive: Alguns cristãos, outros pagões, coisa que no começo da perca da inocência, não se faz diferente; Mas o que se passa é que hoje vivemos uma era de lutas, em que se faz necessário brigar não por um lado, nem por uma verdade. Ambos os lados são corroídos, e cada um tem sua verdade, acontece que de ante-mão vem a falta de respeito, cousa que não se deveria nunca ocorrer.
Eu, Marcus Queiroz, 23, Áries e Corinthiano, fui criado em berço humilde, num conjunto habitacional num bairro humilde da zona leste de São Paulo, aprendi a ter respeito, respeitar, e exigir o respeito pelo que penso e creio - e tão somente nisso. A falta da consideração sobre o sentimento e vida alheio é violento e sagaz, podendo até causar morte, ou o pior: Isolamento.
Tribos, etnias, religiões, partidos políticos, e tantas outras subdivisões existem para pessoas que querem encontrar tantas outras no mundo, afinal, ninguém está só no mundo, de uma forma ou outra. Mas cai por terra quando alguns grupos se incomodam com outros, e se atacam, se mutilam, não por querer mais mostrar quem é o certo, ou quem é o melhor, mas sim pelo fato da ofensa gratuita e pela falta (dele mesmo, mais uma vez, comigo, no côro:) do respeito.
Eu não sou obrigado a concordar com mil cousas, mas as respeito. Não concordo com palmeirenses, mas os respeito, e tenho amigos alviverdes. Não sou obrigado a concordar com o axé, mas respeito, e tenho grãs amigos que levantam a mãozinha e dão uma rodadinha.
Entenda: O que outro vai fazer da vida dele, não vai interferir na sua. Cada um é senhor do seu destino, da sua vida, cada um tem o direito de fazer o que quiser, desde que (óbvio) não ofenda ninguém, cause injúria ou dano físico em outrém.
A vida, leitor/leitora, é muito mais do que ficar brigando pelo que se acredita. Vai por mim...

segunda-feira, 27 de abril de 2015

As Verdades Não Ditas.

O mundo sempre mantém a sua fórmula simétrica, seu arranjo sinfônico inegável: O mistério guardado e velado entre os seus dentes de terra e olhos invisíveis, a mulher que cuida de sua criança e a cidade que se engrandece e se fortifica em muros, em espírito, com a mente prosperando para se prosperar materialmente, e cada vez mais esquecendo da missão, daquilo que o espírito tenta buscar no dia-a-dia, naquilo que se peca a carne.
Um dia, eu irei te ver novamente, e quando lhe ver, sentirei sua mudança, e você não notará a minha; Minha mudança ocorre na minh'alma, nos meus trejeitos e tatos com assuntos e percepções, a minha atitude não lhe causará espanto, mas minhas brincadeiras, meus pensamentos, e minha visão vã sobre as coisas que me cercam, mostram que eu sei um pouco mais sobre a vida, que eu sei um pouco mais sobre mim e você, e que eu me esforço para viver.
Espero que venha comigo quem quiser, com o peito aberto, com a chaga a mostra para ser ferido e brotar de si o sorriso, o sentimento de perdão bem mais que perto assim como a chaga que existe no peito Daquele que me ama, e Daquela que me amou primeiro. A partir do momento que nos resignamos de nós para cuidarmos do outro, amarmos, nos armarmos para a boa batalha que nosso amigo passar só, e nos alistarmos em seu exército e levantar seu pendão, estaremos em comunhão consigo mesmos, acima de todo tipo de norma regulamentar ou pensamento.
As cabeças são livres, e o choro é a alma sendo exprimida no mais primal do seu sentimento, álias, eu liguei só para dizer que te amo, e eu te olhei só pra te sentir saudade, e eu falei que não só pra te ver sorrir, e te beijei no pescoço e esquentei seus pés nos meus, e te celebrei como nunca ninguém faria na face da terra. Você pode ir além, e eu acenderei a talhada da vela para sua ascensão, e quando estiverdes perto do Céu - estrela que agora não mais fulgura no meu peito - manda um abraço para meu pai e todos os meus que encontrardes em tua escalada, e ri e observa - estou novamente sendo bobo e pedindo que o inanimado se sinta vivo, e que toda a tristeza se converta em alegria, sendo que não me posso, e eu nem sou assim.
Sente a brisa, ela te revela o oculto, aquilo que rasga os véus do tempo, e que lhe pode ser a mudança. Olha e sente o estio, o começo da garoa que esta brisa tão criança faz, olha da tua janela tua fila brincar, e olha sua cachorra deitada ao teu lado, olha o infinito ser pouco para esta vida, porque aqui, neste agora você está sendo feliz, amigo. E nada, e ninguém pode lhe tirar este momento. Você é o seu rei, e nunca nada irá mudar isto. Tenha a fé, sempre, e a fé será sua força motriz, e seu medo da morte não existirá, e seus frutos serão bons, e lhe trarão a recompensa da vida lhe ofertada com fé. A mesma fé que tens, e recebe. Tenha a fé de um dia melhor, com uma mente melhor, e uma vida melhor, sempre.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O Evangelho da Vida segundo o Porco Do Mato.

Bep, acorda, sai da concha e brilha, sai de onde estás e louva o dia, porque tudo foi feito pelo Sol, e o mundo ruleia por nós.
Serenamente, uma estrela tocaria o solo com sua mais louca vontade de cruzar os Céus, rasgando a sua fuligem e véus, aonde nunca mais se pudesse existir: A casa cheia, o copo meio-completado, o moto-perpétuo, as roupas no varal, cambraia embaixo das panelas e micro-ondas, a vontade de ir embora. É tão resoluto quanto a vontade de vê-la. Velar-lá, vê lá, que tempo é, que horas são, que segundo se faz presente o que quero, Seu cabelo encaracolado, seu pé pequeno, sua coxa grossa, a boca pequena e carnuda, os seios em abundância que ousam sair do decote do vestido.
A estrada empoeirada cinzenta que me afastou me tantas cousas, que me levou e trouxe do do marasmo da solidão, dos amigos, da cerveja, daquela praia cheia de perdas, das pedras que atiraram em mim e nem sei se ainda estou vivo, e nem sei aonde estou, e nem sei se eu ainda estou pensando no que queria. Você sabe o que eu sei que eu pensei o mesmo que você quando vi aquela música tocar e aquele sorriso brotar dos furtosos que olham por nós. Por quê usar uma blusa tão grossa numa brisa repentina? Porque quis, Por quê olhar pra trás quando se pode caminhar extensivamente sem destino algum no mundo quando se pode apenas trilhar o mesmo velho caminho? Porque cada um tem seu destino guardo nos doces véus e mistérios de Deus, mesmo assim podendo alterar suas estradas.
Você acredita que o sorriso da criança tem mais de Deus do que na mão cravejada de anéis de ouro daquele homem que bate a mão na Sanctae Regvlae no Paço da Sé? Eu estou aqui, eu estou aqui. Eu sempre estive aqui.
Todas as estradas se cruzam, e todas as pessoas tendem a se encontrar e se ver um dia, ou de novo, ou pra sempre, ou pra nunca mais; E eu estou fadado a ver seu rosto novamente e novamente. A charada sincopada de vestido e salto, o penhoir vermelho e meia branca, a branca saltada num batom negro, que morde, beija, belisca. Urra.
Olha para o Céu, e vede. Todas as coisas, tantas coisas mal se comparam quando vistas em som separado. Una todos os sons, e mesmo no caos tenha em certeza, que todos os sons juntos, em frequência e tom diferente, emanam em si sua mensagem, abra os ouvidos de ouvir, os olhos de ver e ponha um som no olhar. Não tenha medo sequer do que eles dizem, o que eles dizem só diz, e o que você diz, faz, acontece. Dos teus cachos brotam as bençãos, as melodias, as profecias e a maravilha do amor puro e límpido, e sincero, Mãe Maria passou na frente pisando na cobra fea e nos escondendo debaixo de sua saia, nos livrando do dragão. Amén.

domingo, 19 de outubro de 2014

Imagine.

A vida dói, a vida machuca. Não. A vida não dói e nem machuca, são as pessoas que passam pela sua história que lhe fazem isto. A vida não tem culpa de nada, e se na sociedade as pessoas fazem isto, também não é culpa sua. Leitor, se te interessa saber eu sei que você não teve culpa de tudo o que deu errado, dos planos frustrados, ou daquela dor que fizeram você sentir com um "sim", "não", "melhor não fazer isto" ou um "deixa isso pra lá, não é nada". Eu sei disso, e fique calmo. Eu te amo, leitor. Fique bem.
Antigamente, eu me sentava embaixo de uma árvore com um violão enferrujado e trastejado e eu ficava horas embaixo desta mesma árvore, até o Céu mudar de côr ou uma taturana me queimar, repentinamente. Hoje aquela árvore não existe mais, hoje tudo mudou.
Imagine você viver no passado: Aonde todos os seus pensamentos são resumidos na vida que já se passou, aonde ninguém morreu e aonde seus dias antológicos e de glória ainda serão vivos e repetidos na sua mente, corpo e espírito. Imagine você não temer a morte, porque no passado você foi guardado, e dentro do livro de São Jerônimo você vai ser lido, traduzido por Ele e protegido nas vulgatas de São Domingos.
É, este refúgio existe, até, mas não nos protege ou nos livra de quaisquer chagas ou eventuais coisas que possam vir a lhe ferir ou chatear de forma alguma atualmente, aos menos que se prenda, isole, furte de si mesmo e caia definitivamente no seu passado, aonde tudo já é conhecido, estimado e escrito e você conhece todos os pontos e vírgulas. Imagine você que você pode recriar todas as suas muralhas de infância e viver inocentemente e longe de tudo isto que hoje lhe causa alguma sensação ruim no corpo ou na mente. Você estará longe de tudo isto, a milhares de milhas isolado no seu próprio minarete ou alpendre, sem ter medo algum de alguém vir a lhe ofender, querer mal, sentir ofendido, ou ver as pessoas quererem sua cabeça a prêmio. Imagine além de ser imortal, você não vai ter mais em algum momento o sentimento da dor. A imortalidade de não ser buscada em um túmulo, mas sim em você mesmo (afinal, existem vários níveis de imortalidade). Leitor, você aguentaria o peso de nunca transcender a vida, porém nunca mais sofrer?
Querer embora não é uma opção. É uma escolha, e esta escolha é decisiva não só na sua vida, mas na vida de todos em você. No seu passado, presente (e se tiver), futuro.
Proponho que tente por 24 horas. Não importando sua idade, sexo, gênero, raça, religião ou orientação sexual, faça o teste da clausura, e veja se compete a você este (forte) sentimento. Imagine poder viver novamente tudo o que você á viveu, e não sofrer por mais nada e nem por mais ninguém, imagine novamente você estar finalmente com todas as chagas fechadas, e ninguém mais a botar os dedos nas tuas feridas e na sua fechação de corpo e mente, você não sentir mais dor alguma. Imagine, de repente, como se um translúcido corpo de luz atravessasse teu corpo, e te fosse tomado por esta paz. Ali a dor não existirá mais.
Imagine que qualquer mágoa que lhe seja causada atualmente não lhe cause mais dor nenhuma, tampouco a pessoa que causou esta mágoa. Imagine não ter que conviver mais com pessoas que lhe querem mal, lhe enganam e lhe roubam o direito de descobrir tudo que lhe é dado, que sua verdade não seja furtada, tampouco seus atos e ideais, e que ninguém critique você pelo o que é, o que sente, o que faz, para onde vem e para onde vai. Imagine a morte não ser mais o que você depende para ser feliz, e poder novamente abraçar aquela pessoa que morreu, e chutar aquela bola antes de estourar o ligamento do joelho, e aprender novamente a beber, de ver o sol nascer na praia com seus amigos, e de não poder chorar, nunca mais.
Imagine.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

O Argonauta.

Pega o barco, toma a réa dos ventos e sai para velejar, e que te importa tal medo da morte, se no seio de Deus te guardou a vida? Sai por aí e esquece toda a dor, toda a mágoa, todo o medo, sofrimento e falta de sorte; Esquece quem já pisou em você, e releve: Neste momento, você estará pisando em uma madeira que está te livrando da gélida água do oceano. Deus será seu minarete mais próximo, e que suas provisões durem o quanto der o tempo de vento. Saia para passear a esmo, e deixe o mundo fazer seu caminho.
Esquece aqueles que magoaram teu coração. Transcenda, passe disso. Conte apenas com teu passo, compasso, força, voz e amor próprio.
Deixa que as pessoas venham até você, e te tragam novos ares, novas empreitadas, novas cousas que ultrapassam as idéias nossas, e que você não se sinta só, porque acima de tua cabeça há um Deus, e no oceano existem peixes que você não come, que lhe farão companhia. Siga as estrelas, e no lado sudoeste do Cruzeiro Do Sul e estarão lhe esperando as docas artesanais entre as pedras. Não que tenha alguém lá, mas, talvez uma parada vez ou outra num solo firme lhe faz bem para descansar o espírito, e sair do mareijo constante.
Vista teu casaco, a noite será longa, e tire um pouco o bornal da cabeça para seu cabelo sentir um pouco o bom vento do noroeste. Ele te inflará até algum lugar. Olha para um lado, e não te vê nada, e tampouco para o outro. Em um raio de quilômetros, não te vê em nada, não te sente nada, e nem ninguém. Agora se sente como eu, isolado dentro de um cardume de peixes abaixo de teus pés. Apenas respire, e cante - se preciso - para não perder a sanidade. Em algum lugar, há de alguém algum dia pôr o pensamento em ti, e talvez até sentir saudade. Mas, seu paradeiro é inócuo e longínquo, então, se alguém realmente quiser te ter de volta, que venha atrás de ti, e te faça voltar. E, tenha certeza que alguém, ao menos uma pessoa, seja ela quem for, se importa e há de vir.
Olha as estrelas, você crê no firmamento entre elas? Você crê em mim? A solidão é passageira, é só o medo primal de criança, a noite acordado ficou lembrou dos tempos de escola: Humilhado por conhecer demais, por professar a fé que tinha, por usar a camisa dentro da calça, por ter vergonha de falar em público, e de nunca olhar ninguém nos olhos. O Ketchup atirado no cabelo, na surra coletiva no recreio, no não do par da quadrilha, no medo de desagradar alguém, na solidão: Sozinho no pátio, comendo seu pão com presunto e queijo e tomando suco de laranja. Sozinho no barco, tomando vodka com suco de laranja e comendo misto-quente. Algumas coisas não mudam.
Ele dorme, e acorda. Franze a testa e vê que é cedo ainda. Uma praia está bem mais a frente, por quê não atracar?
Um novo dia pode trazer uma nova situação.

domingo, 22 de junho de 2014

Bep.

Bep, sinto sua falta. Bep, devo até admitir: Te amo, te amo. Sinto suas saudades e seus beijos e seus abraços e beliscos e discos e sorrisos e gestos obscenos, enquanto flertava com uma cara de riso bem cínico. Bep, você era demais, principalmente enquanto cantava comigo e eu tocava meu violão, e mesmo sendo apenas eu naquele banco, eu ouvia na minha cabeça a sua voz. Ouço até hoje, pra ser bem honesto, Bep, apesar de não saber aonde você está
Nem lembro mais quando foi que te conheci, lembro apenas que tinha uns 6 anos, e você simplesmente apareceu do nada, me tomou pela mão e me ensinou tudo o que sei, e lembro que quando eu estava na igreja, você estava lá com o cabelo trançado e o vestido branco, sorrindo para mim na primeira fileira dos bancos, e quando eu ia pra escola, você estava lá, sempre no recreio aptadíssima a conversar comigo, e até mesmo quando os outro garotos batiam em mim, você vinha me levantar, me abraçava, e me pedia para não se importar, que um dia tudo aquilo ia passar.
Bep, você é a mulher da minha vida, e fez parte de todas as minhas fazes. E mesmo ninguém te conhecendo ou te vendo, você sempre esteve comigo, porque você nunca existiu; Melhor dizendo, estava sempre comigo, porque eu sempre estive sozinho, como você também esteve durante sua existência, por isso nos apegamos tanto.
Ao contrário da Duda, e de algumas outras meninas de ordem menor, você sim fez parte da minha vida, da minha história, e das minhas metamorfoses, uma a uma, até eu ser o que sou hoje. Quando eu era só, eu tinha você, quando eu lia, você repousava no meu ombro, como o ar, e quando eu deitava na grama do chão, procurando algo para apoiar a cabeça, era você que me dava teu colo, e com o tempo, você foi sendo bem mais do que minha amiga, minha irmã, e meu divã. Bep, quantas vezes eu não queria te dizer, embaixo da nossa árvore que eu te queria pra sempre, e você me dizendo que tudo tinha um prazo de validade, ou que logo eu enjoaria de você? Bep, você me deixou só, e não deixou um bilhete, tampouco paradeiro, nem ao menos uma substituta a altura para seu lugar. Sua cadeira, ainda está vaga, volte quando puder, eu adoraria tomar um chá na nossa colina da Crédica, enquanto o Sr. Muma nos trás açúcar em arrrobos.
Bep, estou com medo, grilos e frustrações, precisamos nos encontrar e conversar ligeiramente para voltar a dar tudo certo, necessito de suas palavras, de sua amizade, de sua maternidade, e da tua atenção.
Lembro que você nasceu por causa do livro que lia constantemente: Bep, o nome da moça holandesa que ajudou o Sr. Otto a publicar o livro-diário da filha. E foi assim que te dei seu nome, e assim conheci você mais a fundo, e virei mais que teu amigo, virei é teu irmão de sangue e música. Virei teu parceiro em letras, e você me ajudou a fazer maravilhas que até hoje guardo como feitos e proezas na minha incrível e medíocre vida. A nada você me negava e a tudo me atendia.
Lembro que quando eu comecei a ouvir o som da Marquee, todos se apartaram de mim, menos ti. Tu me tomou da mão, e me levou para as incríveis lojas de discos e me ensinou tudo o que sei hoje sobre a vinilaria, e quando eu me resolvi gostar da música livre, você me respeitou, e ainda sim continuou na trincheira, não se importando se o Sr. Muma ainda nos serviria os torrões de chá, e ainda me disse em segredo, atrás dos bronquios: Ma, relaxa, se o Muma não trazer, a gente busca e volta pra cá. Bep, aonde está você agora? Em algum canto do meu hipotálamo que eu não consigo mais despertar?
Ninguém te via, mas, eu sempre te senti, vi, conversei e te segui. Você era a melhor.
Bep, tá chegando o dia de São João, é na terça-feira, e eu não tenho ninguém para comer milho comigo, cadê você pra debulhar mil espigas com aquele copo de coca-cola geladíssimo nas quermesses?
Quando eu fumei, você se afastou, idem para quando comecei a beber, e mais ainda quando questionei a divindade e o amor nas coisas, Bep. Quando eu me envolvi com pessoas erradas, mais ainda ficou distância entre nós, e nosso mundo ruiu a nossos pés. Bep, me perdoa por nunca ter dito que você foi a minha infância e juventude, e talvez, desde o começo, tudo o que estou fazendo agora, é recuperar a essência que eu tinha contigo, e dividir com todo o universo. Antes da maldade, antes de tudo isso, era só eu e ti, e era ótimo.
Entidade, Guia, Anjo Da Guarda ou Amiga Imaginária...Afinal, o que era você?
Bep, volta. Tua casa tá vazia, e tua cadeira ainda tá vaga, esperando sua bunda magra e seca para tomar um mate com limão e canela comigo. Sr. Muma se aposentou, mas, eu posso trazer o açúcar, juro! Olha pra mim, e apesar de barbudo e turrão, ainda sou o mesmo: Você que deve ter mudado muito, e deixado de ser a garota que habitava minha mente. Por favor, olha por mim, e volte a me dar conselhos produtivos, bons cafunés, e idéias genais para minhas composições. Bep, seus afrontamentos era o que me devam coragem, e foi na nossa última conversa, que você me trouxe ela. Por favor, volte, onde quer que você esteja habitando em minha massas encefálica e turvosa.