Cecília, todas as cadências e nuances são seus. São eternamente e totalmente teus. Todas as formas, texturas, gostos, tempos, tons e contra-tempos, viradas e arremetes; Ah, Cecília, meu coração está tão afã esperando você. Minha vida inteira seria apenas meia vida se eu não te esperasse ou não te delegasse minha forma de vida - seria loucura de vida se você não estivesse comigo o tempo tôdo do tempo do mundo, e seria maior loucura se eu não soubesse que você seria tutora do meu caminho com o Cavaleiro Guerreiro do Cavalo Imaculado.
E quando os sinos dobram, eles falam de você, e quando as pombas batem as asas em bemol, são arrebóis das tuas pentatônicas, os motores dos carros afinados em Fá, das nuvens que se fazem de escala para sobre os prumos dos Céus, te ver escrever um cântico nôvo. Um cântico de amôr, um fôlego de vida pro teu filho, para esse coração cansado, para meu secularismo tão curto, e tão intenso, tão cheio de histórias que levei até sua casa para te pedir discernimento, e coragem, e proteção.
Vire-se para o Sol, ó minha flôr-de-novembro, quem te mandou se olhar para uma erva rasteira de março assim? Deve ser de ti, providas das lágrimas de nossa senhora, que nos deixam crescer como as trepidantes trepadeiras que nascem fazem, crescem sem pedir licença, somos nós quem nos fazemos assim - nos sabemos. A tua côr solfeja um Lá maior setimado me amenizando de crescer tão rasteiro, mas me fazer entender que te divides da tua fôrça comigo, e daí do teu lençol freático, me lança a água. Água Viva.
Ah, Cecília, me delegaste a função mais franciscana e mais dominicana do panteão, me fez ser de música e para a música, e na hora da rejeição, quando os outros viraram os seus alpendres e altares, você me acolheu na tua casa e no teu holocausto. E hoje sou coluna com deficiente destreza de teu pilar, estou rachado e esmaecido, mas estou aqui, e por você, eu sou. Me trouxe na rés da sociedade, aonde me valho de pouca música que me vale e me basta, aonde conheci os meus e os meus (poucas vezes) me valeram, e aonde pronunciei teu nome, e o nome dos Teus, e Do Teu. Preguei sem pregar, e rezei sem me aperceber, chorei por lágrimas floridas de escalas de Mi Menor, e sorri quando o Fá em nona contrastava com Ré em nona, dando aquela nossa dissonância que ninguém entende, mas que nos faz tão minha, e tão seu.
E assim, vejo o quanto nunca estive só desde que você se dispôs (e não há outra palavra, Mãe, sabemos disso mui bem) a cuidar de mim. Me fiz menino, para esconder debaixo do teu sari, para chorar minhas tristezas e louvar minhas alegrias. Na hora da solidão, foi minha amiga, na hora da tristeza, meu conforto, na hora do medo, minha estrutura, e quando duvidei, você foi quem me trouxe de volta pro lado de cá. E quando a barra pesava (como tantas vezes pesou e ainda pesa, ainda pena), corríamos nós dois para debaixo do sari da Mãe das Candeias, e lá acampávamos até a tristeza e agonia passar, foram tantas percas, e tanta tristeza, tanto gosto de aço na boca, e tanta fuligem no rosto, o ocaso, e desânimo que você livrou de mim - Ah, Cecília, como é boa a vida do teu lado, e como é boa tua tutela sobre minhas carnes. E se te cabe saber, todas as vezes que de madrugada amei a madeira contra as cordas de aço, foi procurando você, foi querendo estar com você. Foi me valendo de você, que me refiz, e aumentei as apostas na crença do Invisível, fazendo dessa vida menos cã quando você está aqui comigo, o tempo passa mais devagar, e as alegrias se tornam mais doces, e o som se deixa uniforme, e você mostra os caminhos das pedras para chegar até o Excelso.
Foi por você, que ainda estou aqui. E é por você que quero ir mais longe, quero levar o teu pendão até onde eu puder, e divulgar a missão, disseminar a palavra sobre todos os solos, e dizer todas as palavras que não te pôdes dizer, e que minha língua pode (e vai) dizer. Quero a alegria de te encontrar e dizer: Bom trabalho, garotão. Quero te encher de te orgulho e te dar um cheiro, e sentir você por aqui. Até o fim.
Epitáfio do Marcus Queiroz. Apoia esse blog, faz um pix pra nózes: marcusvini15@hotmail.com
terça-feira, 26 de junho de 2018
Blusa de Linho.
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quinta-feira, 7 de junho de 2018
Cais.
O encontro com o amado, mesmo que com a lamparina cheia de azeite, é muito dificultoso, Abba. Tem sorte os que crêem n'Ele com força e altivez cega, e nunca por um dia n'Ele duvidaram ou questionaram seus designos - o caminho ao Excelso, de tão fácil, chega a ser tão díficil, tão pesado, tão torturante, que se faz traiçoeiro, não por Êle, nunca por Êle, mas pela conduta e pela vida que se leva depois de sentir o maná do Divino. Senhor, dai-mo de bebêr está água!
...E desesperadamente, cá nós (eu daqui, você daí) querendo se estreitar com Deus, aos trancos e barrancos, rezando por sinais, por um sonho, revelação divina, turvação nos Céus, sangue na hóstia, dinheiro no chão, promoção no emprego, beijar aquela moça, e pondo os sinais/prova/credo de Deus não na existência de Deus, mas sim em nosso benefício. Não queremos a prova de Deus por ser Deus e nos amar como filhos D'Ele, mas sim queremos que ele nos dê aquela "ajeitada", um "empurrãozinho", uma "agitada". Queremos que Deus seja Deus e nosso empregado.
Senhor Jesus Cristo, Filho de Davi, tem piedade de mim, um pobre pecador.
Disse Santo Thomaz de Aquino: "Deus não é uma medida proporcionada ou infligida, por isso não é necessário que esteja conosco em gênero de criatura". Mas, mesmo não estando em gênero, está em tudo e em tôdas as coisas podes ser encontrado, apenas nos esquecemos deste pequeno detalhe, assim como sempre perdemos as esperanças e esmorecemos, afinal, somos humanos, e errar faz parte de nossa natureza em trilha ao acerto. E como é difícil, Abba, trilhar o caminho certo, e fazer as coisas que ressonam em nosso coração serem atreladas aos deveres, e mais além, conciliar tudo nessa vida tão puta, que nos quer, nos usa, cospe e só nos torna a ter quando temos seu pagamento. Como é pesada a porta que abrimos e quase sempre se fecha após entrarmos.
No silêncio dos bancos, eu me encontrei, nos barroquinos e nos marrons de três nós. No meio dos moradores de rua com seus corotes, com a alegria dos confrades, e do Cristo pobre e crucificado, no terceirismo. E ainda sim, enquanto abro esta nova porta onde meu corpo pagão, mas já limpo passa, me cansa, como se depositasse todas as esperança num altar aonde não ocorrerá o mistério da fé. Mas uma vez sinto - como tantas outras vezes sinto - que perdi o tino.
Sinto me desajustado, atrelado, feio, ignóbil, burro e bobo. E quando ando, não sei se os olhares que pairam em mim olham pelo fato d'eu ser coisa exótica que não se vê nas ruas, ou realmente realça em mim a aura do que carrego em mim, dos meus valôres, ou se resplandece em mim. Não sei dizer ao certo se no fim das contas se mostra a excentricidade d'eu ser meu, ou se as pessôas notam a incrível paz que carrego em mim por ser quem eu sou, e a felicidade que emano em ser o que eu sou; A cada dia me sinto mais distante das pessoas, e mais distante das coisas que me trouxeram aos lugares que gosto de ir, e me sinto mais distante da idéia comum de vida que meus amigos tem, e me sinto cada vez mais distante de entender o outro, quebro a regra agora para dizer ao menos uma vida que gostaria de ser entendido, e ter quem me console na hora da solidão. Mas isso é só uma nuvem que sempre passa, e nunca se pesa sôb mim.
Peço a Deus a fiança dessa vida no desterro de meu coração, que lavado sôb sua água e vinho desague o melhor de mim sobre os meus e os que mais precisarem de mim, e que eu leve paz e bem para tôdos os corações que eu encontrar, que eu ouça a linda moça cantar, que eu veja o Céu se turvar, que os sinos dobrem como se fôssem minha vida ali tinando no metal, Te Devm, Te Devm, Te Devm, até a última balada deixar de ressonar seu último Hertz. E ao deixar a chuva deixar ser alegoria metafórica ao panorama citado, a água nos lava do mal, as coisas boas acontecem e vão rolando para o solo, a nossa alegria reaparece, e o frio nos faz querer esquentar ou querer ser esquentados, e a casa vazia se torna cheia de cobertores, cães e gatos nas camas e união. E tudo vai se dando côr até a chegada do vermelho fôgo de São João até a definitiva instalação do painel de côres da Primavera.
...E desesperadamente, cá nós (eu daqui, você daí) querendo se estreitar com Deus, aos trancos e barrancos, rezando por sinais, por um sonho, revelação divina, turvação nos Céus, sangue na hóstia, dinheiro no chão, promoção no emprego, beijar aquela moça, e pondo os sinais/prova/credo de Deus não na existência de Deus, mas sim em nosso benefício. Não queremos a prova de Deus por ser Deus e nos amar como filhos D'Ele, mas sim queremos que ele nos dê aquela "ajeitada", um "empurrãozinho", uma "agitada". Queremos que Deus seja Deus e nosso empregado.
Senhor Jesus Cristo, Filho de Davi, tem piedade de mim, um pobre pecador.
Disse Santo Thomaz de Aquino: "Deus não é uma medida proporcionada ou infligida, por isso não é necessário que esteja conosco em gênero de criatura". Mas, mesmo não estando em gênero, está em tudo e em tôdas as coisas podes ser encontrado, apenas nos esquecemos deste pequeno detalhe, assim como sempre perdemos as esperanças e esmorecemos, afinal, somos humanos, e errar faz parte de nossa natureza em trilha ao acerto. E como é difícil, Abba, trilhar o caminho certo, e fazer as coisas que ressonam em nosso coração serem atreladas aos deveres, e mais além, conciliar tudo nessa vida tão puta, que nos quer, nos usa, cospe e só nos torna a ter quando temos seu pagamento. Como é pesada a porta que abrimos e quase sempre se fecha após entrarmos.
No silêncio dos bancos, eu me encontrei, nos barroquinos e nos marrons de três nós. No meio dos moradores de rua com seus corotes, com a alegria dos confrades, e do Cristo pobre e crucificado, no terceirismo. E ainda sim, enquanto abro esta nova porta onde meu corpo pagão, mas já limpo passa, me cansa, como se depositasse todas as esperança num altar aonde não ocorrerá o mistério da fé. Mas uma vez sinto - como tantas outras vezes sinto - que perdi o tino.
Sinto me desajustado, atrelado, feio, ignóbil, burro e bobo. E quando ando, não sei se os olhares que pairam em mim olham pelo fato d'eu ser coisa exótica que não se vê nas ruas, ou realmente realça em mim a aura do que carrego em mim, dos meus valôres, ou se resplandece em mim. Não sei dizer ao certo se no fim das contas se mostra a excentricidade d'eu ser meu, ou se as pessôas notam a incrível paz que carrego em mim por ser quem eu sou, e a felicidade que emano em ser o que eu sou; A cada dia me sinto mais distante das pessoas, e mais distante das coisas que me trouxeram aos lugares que gosto de ir, e me sinto mais distante da idéia comum de vida que meus amigos tem, e me sinto cada vez mais distante de entender o outro, quebro a regra agora para dizer ao menos uma vida que gostaria de ser entendido, e ter quem me console na hora da solidão. Mas isso é só uma nuvem que sempre passa, e nunca se pesa sôb mim.
Peço a Deus a fiança dessa vida no desterro de meu coração, que lavado sôb sua água e vinho desague o melhor de mim sobre os meus e os que mais precisarem de mim, e que eu leve paz e bem para tôdos os corações que eu encontrar, que eu ouça a linda moça cantar, que eu veja o Céu se turvar, que os sinos dobrem como se fôssem minha vida ali tinando no metal, Te Devm, Te Devm, Te Devm, até a última balada deixar de ressonar seu último Hertz. E ao deixar a chuva deixar ser alegoria metafórica ao panorama citado, a água nos lava do mal, as coisas boas acontecem e vão rolando para o solo, a nossa alegria reaparece, e o frio nos faz querer esquentar ou querer ser esquentados, e a casa vazia se torna cheia de cobertores, cães e gatos nas camas e união. E tudo vai se dando côr até a chegada do vermelho fôgo de São João até a definitiva instalação do painel de côres da Primavera.
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