quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Viajante.

Eu me lembro muito antes de tudo isso, do gosto, da textura e das palavras proferidas, e eu me lembro de cada uma delas. Eu me lembro do beijo, dito, e do segredo que cabe apenas a mim e aquela que tanto estimo, tanto crio planos. Sim, eu me lembro, eu estava lá, meus olhos foram testemunhas.
E se te cabe saber, me lembro das cores - mesmo que erradas, das serras, montanhas, casas e casernas, pessoas e caronas, boléias de caminhão, vagão de trem ou caminho de água fresca e límpida. Banho frio de ribeirão, mas nenhuma dessas belezas se compara a tua. E nem há de se comprar. E dos sons que conheci, o tema ainda tem mais tonalidades e virtuose, e a tua voz é a melhor do que as cadências que eu ouvir por aí. O raio desenha as linhas do teu corpo no Céu, e o trovão me lembra o sôm de quando você desagou seu corpo em meus braços, e quando chove, lembro daquela noite. Chove Lá Fora.
Eu me lembro das dores, e de me refugiar no sacrário, nos copos e garrafas, nas cordas de aço, e de me magoar, me machucar com coisa tão besta e achar que todas as pessoas seriam boas por excelência. Me lembro de me tremer de medo e muitas vezes calar a voz por achar a coragem tão intransigente, tão fora de mim, e por muitas vezez que silenciei para evitar brigas, para evitar mágoas, e quantas vezes o reio da mochila me pediu para correr e eu fiquei.
Lembro também da estadia em tua casa, da parada, e ter me austerado, e só me ter presença onde você estava, e só pousar onde você estivesse, como a água que cai, cai veêmente sob a árvore. Lembro de só querer de ti, e nunca em má, só em paz, e conhecer mais de ti, e (re)conhecer a mim em ti; Meus nervos me lembram de verificar sempre teu retrato, na esperança que você - via telepatia - saiba tudo o que sinto. Eu não arruaço ninguém, nem corto as ondas, nem choro mais. Apenas estou por aí, com a mochila em algum lugar do mundo, e pensando.

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