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quinta-feira, 16 de junho de 2022

Carta a Tito.

 1 - Prefácio e Saudação;

Marcvs, escriba e profeta das estepes para Tito Thetassalikis, pai de Irene, filho da República Helênica e dos mundos antes do mundo. Que a sorte do seu caminho seja de bons ventos, bons azeites, mulheres e peixes frescos nas suas pescas.

2 - Amenizar tua preocupação, amizade eterna;
Sei que está a imaginar o que se passa, pela escrita que vos entrego, o trejeito, manejo e tato: sim, Theta, a hora chegou, desvela teu hábio: telegrâma-de-vêm-me-vêr. As coisas andam bem, mas ao mesmo tempo vejo três cousas me esvanecerem de minhas mãos, por isso, antes que a cidade durma e eu vá para a festa do lugar, peço que atenda o telegrama; corre em minha foz e me vê desaguar os últimos rios, pois, quando me chamar saudade, me torno apenas o herói de Fred Perry que levou um tiro de borracha por você nas manifestações de 2013. Corre e vem ver teu amigo antes que ele deixe de ser teu amigo. Corre e vem abraçar a carne que esmaece. Corre e vem rir, antes que o riso se torne lágrima.

3 - Preparação para a morte;
De saudades em saudades, rogo a Deus que Gil esteja lá sendo meu caronte, e estando eu a ponto de vê-lo, mando lembranças tuas; e rogando a Deus por tua empresa, rezo por vós o tanto quanto to me pedes. Hoje Ivan veio me visitar, me trouxe livros, alegrias, e preces que acalmam o coração. Quando eu me chamar saudade, não carregue meu caixão pois perdi nossa aposta: Até mesmo os unicórnios místicos tem prazo de validade, logo, peço que você vá até mim e me conte pela última vez a minha carne a história de Santo Antão do Deserto e o diabo. E tenha paciência, pois dessa vez não irei lhe responder mais. Estou a preparar minha carta com meus últimos desejos e pedidos, e tenho coisas a deixar a vós. Aceita-as, pois hão de ser tão tuas como minhas, e hás de zelar tanto quanto eu zelaria.

4 - Evocação a juventude;

Se lembre de nossa juventude, Theta. Se lembre de nossos risos, nossas brigas, e nosso amadurecimento perante a vida, e do cachecol na cintura. Se puder, se lembre de mim, e reze pela minha pequenina, a quem amo e estimo. Lembre da Theotokos que Gil deu a mim e a ti, e abençoa a dona da Theotokos, assim como eu abençoo teus rebentos, e extenso a benção para a Dona da barriga que gerou teus rebentos. Graça e Paz a vós!

5 - Admoestações;
Passada toda a tristeza, espero terminantemente que você tenha acalmado os ânimos com tua irmã, e que a unidade entre vocês seja conservada, e que se ainda não o fizeste, mando-te pela santa obediência que o faça e logo: seja bom para ter bondade, tenha misericórdia para ganhar misericórdia e ame para ser amado, nosso Deus não É e nem nunca há de ser mercenário, e Ele se agracia a cada benção que se deita por nós. Sejamos bons para que Ele conceda-nos a bondade. E sei que adormecido em vós há uma bondade corroída por mais de anos de autopreservação que não se justifica: Trocaste teu coração por regras malditas, e hoje pelas tuas ĺeis não se entrega ao amor, a paz, e a misericórdia sei lá Deus porquê. Que Deus te desendureça teu caminho e te ache teu caminho para casa. Rezo por vós até meu último suspiro.

6 - Benção final;
Que Deus te abençoe e te ponha entre os Santos, Únicos, Primeiros, Justos e Mártires. Que Deus te guarde e te livre de todo o mal. Que Deus te dê fartura e peixes frescos.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Conversando no Bar.

Minha barba não é modismo. É voto.
É meu vaticínio a vida que escolhi, e o que quero para minha vida - escolha que pelo visto nunca mais me poderer desvincilhar, sequer cogitar não ser; Noto hoje que o têmpo me trouxe experiência para aprender a ficar quieto, não chorar na frente dos outros, e aprender a sorrir, mesmo quando tudo vai mal. Mais além, o têmpo me ensinou a pensar na frente, o que me dá tino necessário para ir ou ficar. Sentir ou absortar. Viver ou morrer.
Deitado, ouvi a notícia que atordoa, e caminhando, não sentindo o respirar, ouvi os outros pordizeres, até não entender mais nada, e apenas ratificar a verdade que sabia deste pôvo, tão estranho, pequeno, vazio e sem ter nem porquê de ser. No mesmo instante que a bomba caiu em meus ouvidos, lembrei da vida no interior, dos sinos tinando, e das Laudes. Lembrei da vida depois da morte, a 2ª vida. Lembrei dos amigos, e suas caminhadas, e de mim, tão pequeno, sempre se reduzindo nos mesmos de ser, ter, e viver. Até hoje não sei meu erro, mas, de facto deve de ser algo grave, pois não é possível.
No alto da madrugada, após a conversa com o Herói das Estepes, percebo que eu necessitei viver idosamente enquanto alguns outros modernos e contemporâneos necessitam dessa rapidez e fluidez na vida, nas coisas, no universo que orbita ao seu redor - nunca fiz ou quis ter parte nesse batalhão, ainda me pertenço e sei de mim.
Ainda com o peito em sangue, noto que ainda estou cansado e despreparado para muitas coisas, pessoas, e seus golpes; Melhor dizendo: Suas reações. Eu sou apenas mais um dos inúmeros rapazes burros, feios e bobos que trafegam na rua, nunca pude - e hoje mais ainda - e nem posso acreditar que exista a pureza que busco, ou a clareza retilínea dos factos que vivo, a pureza que eu busco, talvez esteja apenas na 2ª morte, indubitávelmente, e quanto as minhas decepções, já se fazem num saco grande, arrobatado e pesado, penoso. 
No mais, para acabar essa infeliz contra-crônica de ordem sentimental: Triste de mim por achar que as coisas iriam dar 100% certo, ou que eu iria ser feliz de primeira, ou do dias corridos, pensamentos e atos, mais ainda: Das coisas que foram ditas pela felicidade, pelo carinho, menos além, do sentimento de tristeza, por reviver a história e remoçar a dor do passado, ou por saber o final de uma história que poderia ter sido a mais linda de uma vida: Uma Torre Eifel que tornou-se Taj Mahal, um silêncio que quebrei achando que era recíproco, ou que pude me igualar a Thomas de Aquino, achando que eu poderia ter o Sol no peito. Ledo engano.

...O Sol só brilha para quem tem tempo de se queimar por Êle, não é?

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Dağlar Engel Oldu.

Bep;
Hoje o Céu daqui pareceu-me o Céu de Londres. A Londres de D.J., a minha Londres - ah, os quatro quarteirões, os casacões tão alinhados, o sôm desalinhado tão potente sôb os ouvidos de tocar guitarra de fone pra não irritar os vizinhos, o licor, o vento cortando com a garôa rente, e o vento acarinhando o cabelo - E não me apercebi de imediato que a vida tem dessas coisas, e trás dessas coisas. Bep, ainda tenho um leve resquício de juventude em mim, que brada e briga com as correntes e pedras que me fiz prisioneiro (Deus sabe que nunca por mal, nunca por mim) para ter ainda a vida livre, a vida entre os dentes como as coxas da dama louca que amei com gôsto de paraíso. Bep, viver tem sido um barato melhor que aquele dia que descemos a Augusta quando tava tudo sem luz nos postes (afora as pontas de cigarros, baseados e luzes neon). Sua mão segurou a minha tão forte, e pela primeira vez me lembrei da breve oração; Quão suntuosos foram nossos lábios, ao estar em terreno inimigo, dizer o que os das garrafas não queriam beber, e dos que fumavam não tragavam em seu pulmão, e dos que comiam, não alimentavam. Ai de mim, Bep, se não o fizesse, nem com você, nem com eles, nem comigo. Ai de mim se eu morrer sem nem nunca ter dito que era de lágrima agridoce, foi pela causa, foi pelo reino, foi por tôdos, pela criança que dorme na Rua do Thesouro de madrugada e apanha da polícia, da mãe solteira que pega ônibus até o hospital com o bebê em febre, pela avó que visita o neto encarcerado, pelo pai de família que pela tristeza se entrega ao vício do álcool, pelos meus contemporâneos que só saberão do que digo na hora de morte, e a êles bendigo e bem-aventuro: A morte deles não lhes farão mal, pois a mística divina os intercedeu, mas para mim que sei os esquema das Ave Mariae tudo, estou lascado! Porque a segunda morte pode me fazer mal se eu não fizer bem feito, e na minha hora de solidão, se não for por Deus, não há de ser por ninguém.
Ah, Bep, Cecília está a caminho, e ela tem cheiro de Ventura, cheia de amôr no seu alfanje, vem trazer esperança na minha carne nova, mas de alma tão anciã. Cecília corre como o vento londrino que sai da Picadilly Circus, e cai na Líbero Badaró passando pelas janelas dos paifrades até chegar no meu coração. Sei que vem e vem em bonança, para me lavar de tristeza e lavrar em melhoramento. Quem diria, Bep? Após tanto afastamento, minhas profecias ainda dão certo, apesar de algum delay. Deus é Excelso, e descobri a sorrir (mas ainda não consigo tirar fotos sorrindo, e inda ponho a mão na bôca ao rir e gargalhar, 'quele trauma inda continua). Aprendi a ser beneditino nos pensares, dominicano nas declamações e atrações, e franciscano com tudo aquilo que está ao meu redor. Inaciano não, ainda não. Talvez depois da segunda morte. Ainda existe aquele gôsto de ferro na bôca, Bep. Uma tristeza e aquela agonia juvenil. O medo. As cicatrizes mostram nossas lutas, mas quando o vento bate nas nossas cicatrizes, elas doem, ardem, parece que se refazem de agonia, e nos lembram de alguns acidentes de percurso, mas calma: Estou aqui ainda, não do jeito que nos conhecemos, mas talvez um pouco melhor, um pouco mais experiente e barbudo; Vendo a vida em tudo, e entendendo as pessôas, e não as mostrando em abrupto, mas apenas deixando que os Véus caiam sutilmente e tradicionalmente - o têmpo da cólera já passou, não posso tomar armas com o têmpo e querer que tôdos evoluam como eu, tampouco que tudo ocorra numa medida, as coisas irão se formar e acontecer quando precisarem, cabe a mim meditar, perseverar, orar, jejuar e a Deus entregar. Vês como mudei, Bep? Mesmo sendo o mesmo, de mesma essência, não sou mais o mesmo. 
Não sei quando voltas, ou se vens visitar os teus daqui d'além-mar, mas, quando vier, avisa-me, tenho muito a te dizer e contar. Sinto falta das tuas sardas no rosto, tuas saias e botinhas, e aquele sorriso de quem conta com o ovo no cu da galinha. Sinto falta de gente mortificada, mas viva no espírito, de tal forma que sua alma aparecia mais que suas pernas. A invenção que superou o inventor. O cabelo multicolorido, e o Véu para entrar na igreja. Os piercings, mas decorar a Ladainha de Nossa Senhora, as cervejadas, mas acordar cedo ao domingo para ir no missal da massa. Faz falta, Bep. Lembra-te de mim quando entrar na Matriz, e passando pelo Rossio, toma um vinho por mim (ando trocando amarelas por carmins), e peço-te que reze incessantemente por mim, e pela salvação de minh'alma, que errante erra, relutante reluz, e aceita asceticamente. Te faz em saudades do teu exílio, mas sei que daí estás bem com teu garôto.

Um abraço do;
Queiroz, o Marcus.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

So Sad.

Quando a alma se cansa, ela busca refúgio. E do alto de seu lugar reservado e inóspito, ela por vezes até manda recados a civilização do que está acontecendo pela dada necessidade de seu exílio, ou isolamento. Algumas pessoas escrevem, outras bebem, algumas choram, e outras se devotam a Mãe Cecília.
Há muita gente que quer ajudar, e há pouca gente que quer ajudar e entende o que fazer, como fazer: Cada alma é um segredo, um verbo, uma forma - não se há generalização no que se sente, cada dor dói de um jeito e cada rasgo sangra para um lado. Do povo que perece, sofre e padece, tenha misericória, Bôm Deus. Tem misericórdia do silêncio, mas não do silêncio pacômioso-monástico, mas sim do silêncio da alma, sujos olhos mostram na Íris Esmeraldina a dôr que carregam, e ainda si ri, ergue o copo, canta, e emana de si a vibração da carne em êxtase - é esse o pôvo, Deus. É esse o rastro que ficou de Você, nós que nos choramos, mas mantemos firme a híbrida forma de se segurar ante ao que nos maltrata. Acreditamos que uma hora tudo vira lembrança, e Sua bondade nos toca de alguma forma, e logo estaremos longe dessas tristezas, dessa solidão, dos medos, e de todas as coisas que nos interrompem de seguir vendo Tua perfeição em todas as coisas que nos rodeiam e estão em nós, por nós, conosco.
Estou em um deserto, só. E ninguém está ao meu lado e adjascência. Tenho meu masbaha em mãos, e na outra carrego minha saca, meus pés doem - ninguém sabe, meus olhos lacrimejam - ninguém sabe, minhas chagas se abrem - ninguém vê, apenas me tenho com a minha oração - E até onde a estrada vai dar, para eu ser do jeito que sou? Até onde minha cabeça aguenta saber de mim, e não do que há no mundo ou Sôbre ele? Pus-me a andar para a loucura não atormentar, e pus-me a beber para a minha racionalidade não me degenerar, e pus-me a rezar para agradecer por quem não agradece. Eis-me aqui, novamente na solidão de cais e casas, e no meio do mar-de-gênte, eis-me só, e com tantos ao meu lado, nenhum sabendo estancar meu sangue, e com tanta fé, me acometendo de heresias, e sustentando Atlaicamente tantos pilares que doem minhas costas e deixam meus pés cansados. Meus pés estão cansados. Minha barba já tem cabelos agrisalhados, e minha tristeza está atrás de meu cabelo, abaixo de meu sorriso, e de tudo que esconder do mundo, pois o mundo que há de ser bom, que receba bondade para continuar bom. E para mim, cabe o que Deus decidir, e que venha para minha edificação (ou total destruição), me sinto agora como o mítico personagem da canção: "Eu deixo a onda me acertar/E o vento vai levando tudo embora."
Deixe que eu não veja nada, e ninguém, que a minha fronte vá um anjo me acompanhando, e meu masbaha indique o que pensar, como pensar e porquê pensar, afaste de mim tudo o que tenho e tôdos que estão comigo, tire de mim tudo o que tenho, e afaste de mim tudo que é vão e que possa me danificar bem mais ainda muito. Lance sobre mim sua destra, e que sua providência me cerque, e quando essa dor me doer, manda-me a botica para sobreviver, e ser cada vez mais teu (Não permitais nunca que me separem de Ti/Na hora da morte chamae e mandae-me ir para Vós), e quando a dor passar, que eu consiga levantar e seguir com estes mesmos pés cansados, mas ávidos para seguir para lugar algum, apenas se curar dessa dôr. Permita, ó Deus, que no longo desse estreito que caminho, desse deserto tão infinito, em algumas passagens, haja apenas uma clareira de água, para que eu lave meu rosto, e molhe os lábios secos de bendizer Teu nome, e de brigar contra o vento e o Sol. Permita que com sua graça, a vida continue sendo a vida sobre qualquer circunstância e aspecto, e que um dia tudo chegue ao seu destino.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Glorioso Santo Antônio.

Abba, os dias têm sido mui distantes um do outro, como se a semana se dividisse e cada dia fôsse sete dias, e cada hora se acentasse sobre o calendário, acalentando as candeias, deixando o pavio longo e a língua-de-fôgo fina e eterna. Parece que o tempo não passa, parece que nada muda, e que o vento só vem brincar com aquela velha e minúscula árvore que se há na frente do 133.
A vida aqui fora do claustro continua sendo difícil, e parece ser cada vez mais - tal qual ser cristão nessa sociedade, tal qual viver um evangelho tão fácil e tão torturoso. Sortudo de ti que se confina no olho do furacão, e cercado de marronzinhos do pau ôco, do côco ôco, de gesso, madeira tricentenária e gente que quer ganhar o Céu pelos títulos. Sabe, Abba, apesar de amar o 133 me pego pensando se Pae Francisco realmente queria tudo isso, ou imaginava tudo isso - é inegável a certeza de ofertar, dar e ter o melhor para Deus, em tôdos os sentidos, mas, êste ponto em específico ainda não pude entender. Deus quis assim, e a minha preguiça também. (Necessitamos de mais Alcantarinos, e uma cerveja gelada).
Como é difícil, pae, abrir a porta e ver novos horizontes e recomeçar. Do alto da minha falsa loucura, me fiz pequeno para viver com e como os menores - mas eles me mostraram ser Grãos; Veneráveis. E dos tantos Veneráveis, da Venerável, eram pequenos, eram menores, eram tão iguais a mim nas suas imperfeições e fé. Fé cega e faca amolada, peito aberto, e água e vinho. Mais água do que vinho. Os frangões saíram de minha rotina, mas ainda guardo êles em meu imperfeito coração pois foram também instrumentos de evangelização. Me tornaram mais próximo de Deus, e me ensinaram o valôr da gratidão, tanto que até hoje, rezo pelo bôm rango, temperado pela minha dôce mãe, mesmo com pouco tempero (a mulherada daqui de casa tem problema igual a mocidade do claustro, jovens com mais 45), e me ensinou que por mais que eu tenha meus repentes e desejos "pacômicos-monásticos", ainda sim devo conviver em fraternidade com a sociedade. A terra é bôa e rica, e nela há espaço para tôdos, e até mesmo nêste espaço, vi tantas vezes o amôr nascer, em mim e nos outros.
Infelizmente, Abba, tenho feito a igreja na ecclesia, e assim encontrado nos meus irmãos (Môça Diana, a Carneirinho, Bi da Jufra, a Camila e o Dhani, Julioso, Bigous, Olivio, Pedro, tanta gente...) as virtudes que tanto estimo neles, e visto meus defeitos nos reflexos das atitudes deles - daí já tenho meu Kyrie Eleison. Devoto meus ouvidos e olhos a quem precisar de mim, reparto o muito pouco que tenho com quem mais precisa, e assim já faço a glorificação a Deus pelos meus dons, e reparto-o dando trabalho e assistência aos que mais precisam de mim, e que eu os leve a Deus. E repartindo, distorcidamente comungo e oferto; Sabe Abba, eu tenho pouco, muito pouco. Muito pouco de quase nada, mas foi Deus que me deu, e me capacitou com meus dons e virtudes para que eu conseguir esse poucoo que me é tudo - Meu Deus me capacitou para o Meu Tudo. Meu Deus e Meu Tudo. Meu Deus é o Meu Tudo.
Abba, a vida tem se tornado bôa na mesma proporção que tem se dificultado. A loucura da Cruz é um difícil desafio vitalício, mas, quando as fôlhas caem e florescem em loucura na primavera, algo na minha alma vibra dizendo que vale a pena tudo isso, e quem é dos seus não se degenera. (ainda somos reis, e ainda somos profetas).
Apesar de ter tirado "um período sabático" do 133, aos 1ºs e 3ºs domingos estarei no anexo. Traga um frangão dentro do marronzinho, bonfrade. A nossa diferença é que eu fui infeliz, meu claustro, como o Pae já mostrou a Madonna Pobreza, é tudo o que circunda minha vista. E preciso começar desde agora a limpar e arrumar aqui. A luta é difícil, mas a alegria é o que nos salva da tristeza. 1 Pe 3; 11.
Paz e Bem!
Nm 6; 24-26.

T.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

How Soon Is Now.

Pelo vidro embaçado, caía uma chuva que cobria a vista pro alto do morrinho da extensa avenida. E da estação, totalmente encharcado, o pôvo que antes almejava por uma chuva se degladeia por uma cobertura e injuria-se contra os Céus, pelo fato da chuva não se programar para o horário comercial do eixão 8-18h.
Santo Deus, como somos patéticos.
Ai de minha bôca que se abrir contra o mal e o injúrio, ai de mim se eu fôr contra tudo o que acredito e defendo, pois aí cometerei o meu pior crime, leitor: Perdi meu têmpo e o têmpo dos meus sendo pedra ângular rejeitada, aceita e renegada por não pôder edificar ao meu Construtor. Ai de mim se eu não evangelizar, nem aos meus, e nem tôdas as criaturas, mesmo que da forma que eu faça, mas se apenas um ouvir o que lhe digo, se ao menos um eu conseguir, bem-aventurado eu que fiz jus a confiança de meu Dulcíssimo.
Existimos para reclamar, e nos tornamos mestres desta tarefa; Maledizendo tudo o que nos circunda, e o que nos afeta, e quando as cousas boas nos atingem, vemos por terça parte, e ao restante do dia não bendizemos ou damos graças devidas ao têmpo bôm - viramos escravos do têmpo ruim, fadados apenas a eiar o chôro trise, e quase nunca rompando o chôro de alegria. Enquanto filhos de uma potência que rege tôdas as coisas e independentemente de nossas escolhas nos rege, ainda sim optamos pelo facilitário da maldade, causando a prolíferação das cousas ruins, e não nos deixando inundar pela paz, ou pelo amôr, ou pelo bem-comum. E quando algo mui bom nos acontece, queremos acampar no Tabor, para viver a alegria eterna; Cousa bastante compreensível, até. A alegria deve ser eterna, mas a composição da alegria leva tristeza na fórmula, para se definir o tamanho da alegria, a nossa preparação para o contentamento, e nossa fôrça em sociedade, fraternidade e até mesmo interação com a Divindade.
A chuva desaperta, e o vento que (ainda) acarinha meu cabelo me lembra de tudo de bom, de tudo de que se foe e me deixou aqui - e o que o vento trás de bôm, a chuva molha e deixa fixar na roupa e na alma, e lentamente, cada pedaço que estava suspenso no ar, se atrela no ar, e as coisas fazem mais sentido, e a água retorna para o chão. O Firmamento se faz presente, e nos brinda com a chuva que tanto pedimos e tanto odiamos, com a carne moída que nos cansa de comer mas que faz falta, com as pessoas que nos tiram do eixo, mas, nos tira mais ainda do eixo não tê-las ao lado.
"Seriam essas nuvens, talvez, porta-vozes das lágrimas dos meus amados?"
E quando um de nós, asssiste, sente, percebe, toma a régula e se torna um dos devotos da perfeita alegria, é martirizado vivo, é trigo do Cristo, moído por leões bípedes e maledicentes, claudicantes e caducos de matrizes machucadas. Carregar o pendão do Carneiro é a loucura mais gostosa, e a dôr mais lancinante, mas, como já dito na contra-crônica linhas acima, é dôr passageira, que se louva e aceita, para apreciar a próxima alegria, dure o têmpo que durar.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Menestrel do Sol.

Os dias monásticos-pacômicos de uma pessôa deveriam vir acompanhados de uma peneira filosófica, um copo de água e um disco para se ouvir durante a hora da solidão. Os dias mais monásticos de uma pessôa deveriam ser de penitência e perdão, balanço geral da vida, não digo isso num âmbito estritamente religioso, mas, de forma geral. Eu, enquão monástico, percebo o quão grato preciso ser, o quão forte me tornei, o quão solitário vivi, e o quão insensível me fiz para poder sobreviver a tôdas as contra-fôrças que me fizeram chegar até aqui - até o encerramento desses dias não sei se vivi ou sobrevivi. Apenas, com a ajuda de Deus, existi. Estou aqui.
Carece de mim uma forte vontade de vencer, aliás. Carece de minhas mãos, carnes, côrpo e espírito. Minh'alma geme e chora por ver outras almas gementes e chôrantes nêste valle de lágrimas, e peço para Deus e para os meus irmãos (mas que não me vêem como irmãos) a piedade para vivermos em fraternidade. Fraternidade não é comunismo, e a bondade não é compra de nuvem no Céu, e sim faz-se parte d'um grã exercício de conviver bêm em sociedade e nela cohabitar e sobreviver. Só posso vencer quando tôdos vencerem comigo, igualmente cruzando a malévola e suja linha-de-chegada que corrupta homens e os destrói. Estou errado?
A terra é bôa e rica, e nela há espaço para tôdos, até para a tristeza que nos ensina a crescer, evoluir, e ver a vida por mais ângulos penosos; Dado a isso, em tudo que se há espaço, gera-se mais espaço para cada um, e desse cada um, as respectivas histórias e opiniões, e assim segue a vida de forma incrível e digna, e lá fora, na garôa que tinge o alaranjado pôr-do-Sol, aquela alma caminha e se eia, se perde, se chora, se desmorona...
Enquanto a música toca, mais rápido se dança, e se usa dos acordes mais potentes e abertos para se desvincilhar da tristeza da orquestra sinfônica do dia-a-dia, se degladiando e pondo-se contra a batuta do Maestro - tentativa inútil, pois uma hora a ópera acaba. Uma hora a lágrima seca, e depois disso, resta apenas o silêncio, até recomeçar um nôvo sôm. A minha sorte é que as ressonâncias que chegaram até mim me deram até hoje a eternidade em sôm, e a imortalidade em acordes (A benção Mãe Cecília, a benção Pae Gonçalo), para não se acabar em um momento, mas de dissipar dentre a eternidade desse mundo afora.
E o que me resta, é apenas sentir tudo o que se esvanece da minha mão que nunca seria meu, e perceber que nem tudo que tenho é de meu merecimento, e nem tudo que possuo realmente é meu, e nem tudo que preciso é realmente útil, e que quando eu terminar de consolidar meu lugar no mundo,
as veras cousas virão, e terão comigo. Para sempre.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Beetlebum.

Se você sentir o vento, saiba que nele estará ditando tudo o que venho deixado em silêncio; Tenho tomado ares monásticos-pacômicos para me ausentar da sujeira e da maldade que vivi e ainda por ora sinto e presencio, tenho sorrido muito, falado pouco, pensado demais, e me guardando de menos. Tenho sido por vezes deixado de lado, enganado, afastado e encostado, mas, daqui do lado de lá do lado de cá, vejo aqueles ditos amigos, e vejo seu sucesso, a êles, minha alegria e graça por Deus. Vejo a vida acontecer e se multiplicar, e isso só me alegra. Só me fortalece. Só me aproxima.
Eu quero deixar meus olhos fechados, para que meu coração sinta tudo o que está em mim, e ao meu redor - Deus permita que eu volte a sentir a terra girar sob meus pés. Quero guardar meus punhos para baixo da terra - nada mais tenho a ofertar, guardar ou obter, apenas tenho a dizer coisas a mim mesmo para que fique registrado que um profeta das estepes ainda tem o que dizer, quero voltar a arfar a terra e sentir a energia da natureza sobre "minh'alma". Desejo sentir nos pulmões o ar mais puro e limpo de Guaratinguetá, e quero o carinho do Sol que apara meu despertar com a Cão na cama, assim como quero deixar derramado sob meus amigos a alegria de um pastel de feira num sábado a tarde. Quero a vida para tôdos que queiram a viver. Vida geral, ampla e irrestrita.
Ao sair na rua, que eu não seja conhecido, e que a dita "minh'alma" resplandeça minha pérola, e nessa pérola haja o caminho de volta, o caminho de chegada, ou apenas traga de volta para Êle, o que se perdeu d'Êle, e que esteja em mim quem comunga e quer encontrar Êle - Fôrça vital e pefeita, Único, Poderoso, Excelso e Digno. Rei.
Quero ver o Sol nascer do lado de quem me queira bem, assim como quero que tôdos que procurem um alguém, achem esse alguém, e o tenham por amôr e não por outro sentimento qualquer. Quero sentir a alegria no rosto das pessoas que se transitam tão cinzas, tão indiferentes, e tão soltas na rua. Quero a menina mais solta a correr no jardim e a compartilhar comigo os sonhos mais simples, módicos, e humildes: Sê-lo, a musa e causadora de tudo - A Cecília de uma vida.
Aos que se acham menos, bendigo; Para vocês esta é a terra, e mais tarde ganharão a Terra maior que essa Terra, aonde tôdas as alegrias são eternas e nenhuma tristeza tenta nos abater ou tirar nossa paz. Serão nós, os pisados, o trigo fortalecido, os do degredos, heróis e portadores da Alegria das Alegrias, Amôr dos Amôres e Melodia da mais bela Música. Aos que se pegam em dôres, imploro: Não vos chorem, pois seu choro exprime água e vinho, e deveis apenas chorar pela alegria e felicidade das conquistas, para as tristezas, bate em teu peito e pede a piedade dos dias ruins, e Êle proverá sobre nós a bonança, a nós, a alegria de saber que o dinheiro é endeusado, mas não é Deus. A nós, tôda a alegria desse mundo, livres e longe de tôdo e qualquer tipo de mal. Amén.