quarta-feira, 31 de agosto de 2022

II Carta a André.

 1 - Prefácio e Saudação;
Marcvs, escriba para André. Filhinho, que toda sorte recaia sobre você, e ao ler os textos de crônicas de um passado, saiba de um bom tempo que houve. Como gosto de parafrasear Tio Fungo: "Havia um tempo antes do tempo." Cabe a nós abrirmos e fecharmos a porta, o canto, a lágrima, e aceitarmos o fim iminente.

2 - Considerações gerais;
Considera a maldade. A solidão. Os corações endurecidos. O orgulho. De todos esses, moí como bagaço de cana e bebi o sumo. Fiz de dor alegria, fui príncipe, rei, amigo, irmão, consorte, pretor e altivo. Desci até uma mina d'água e lavei os pés e joguei uma concha-forma-mão de água em meu rosto, e pude seguir a estrada. Mas, trago-vos o perguntar: E a estrada? Que forma tem e aonde dá? Quando não sabemos, e não temos mais o ímpeto juvenil da coragem e da sapiência, não queremos mais aventuras, queremos apenas descanso. E isso, filho meu, é o que mais anseio. Aposento a lança e deixo-vos a pena e a lira. 

3 - Preparação para a morte;
Não tenho medo. Fui desde cedo posto em pé de igualdade com a morte e coube a minha parte o entendimento, então sei de mim. Choro apenas pelas lágrimas que irão derramar por mim, por latência, de forma retardante e demorada. Vazio estando o ninho, mantenho-me de olhos fixos ao Céu, e pelo Deus que rege o firmamento, pago o preço do fim que irei acometer: O frio, o chão, a dor, a solidão, a fome, o cansaço, a claudicância e o não querer viver mais.

4 - Das crenças;
Creio em Deus, e isso me bastou em trinta anos. Deve me bastar mais uma eternidade. Deve me valer uma eternidade. De fato, o que se consiste senão ter a força de Deus para caminhar, olhar, ver, viver, ter e sentir? Deus me sustentou até aqui, e agora, no ponto mais calamitoso, me sinto só. Sei que por mais que não O veja ou O sinta, Ele ainda está, mas, atordoado em demasia com o silêncio que ricocheteia em minha mente, não consigo dizer e tampouco fazer muito. Minha crença diminui - e analogamente - aumenta em minhas veias, tal qual aquilo que mina minhas forças e esperanças. A morte pode me ter, mas, ao menos uma vez há de ser em minha maneira.

5 - Da tristeza;
Acolhe o triste, e lida com a lamúria dele com paciência e amor. Sê amigo, pois um dia hão de enxugar teu pranto, pois quem é da lira e da pena tem um coração grande, daqueles que chora, ama, vive e sente. Então, vê lá tu e segue em harmonia, pedindo sempre a Deus pelo melhor jeito de consolar o povo que sofre, perece e padece. E todo bem que fizer ao sofredor, é bem que volve a ti por mérito, ordem de Deus, ou da vida.

6 - Das tradições;
Devemos sempre manter costumes e tradições, de tal forma que quando estivermos sempre a ponto de entender, ver, viver e sentir, sintamo-nos também perto de um costume e tradição. Olhemos também para dentro de nós, e dado a alegria da vida, consigamos nos entender, se fazer entender e dar a vida aquilo que não se enumera, que não se sente, não se vê ou tampouco se tange. Que pelos costumes de uma corrente de pessoas, sejamos nós brindados pela alegria de viver, 'inda que tardia. E que pela tradição, façamos e sejamos lembrança. 

7 - Do oculto;
Existem segredos, dentro de cada recôncavo e rincão de uma alma que nos tomam de forma imperfeita e imprecisa. Não temos acesso a acessa parte - aqui ficamos. Mas, quando alguém nos der por dieito um acesso ao nosso oculto, ou até mesmo ao nosso Jardim Secreto, aonde compartilhamos o nascer e gerir de nossas esperanças e fomentos, devemos sempre honrar o compromisso do oculto, respeitando-o, e dando seu tempo para que se abra: tal qual a flor, que em loucura de primavera se abre, faz-se faceira e manda a vida subir até vós.

8 - Da raiva;
E nos rincões, da raiva que nos trará, exortaremos ao Bom Deus que a elimine, pois somos de lira e pena, e só usaremos a raiva quando profanarem a nós e os nossos - na condição de pretores, seremos a guarda de quem amamos, e na condição de escribas, usaremos a raiva para exortar o que é desnivelado ante ao universo. E, dentro de nós, usaremos nossa raiva e ódio apenas contra uma pessoa: Nós mesmos. E isso nos elevará em magistério pelo desvelo da vida, cuja perdemos, e logo a Encontramos.

9 - Da morte;
E no silêncio, oculto, de fim-de-feira e fim de bandeira, aonde o frade eterno repousa, estaremos pois, nós. E na morte, após lágrima sincera, e não copiosa, entregaremo-nos, a parte certa e devida da vida que foi vivida: Bem pesado e bem medido, seremos condecorados com o que nos aprouve, e após isso, apenas Deus bastará.

10 - Benção e despedida;
Abençoo-te diante dos Santos, e peço a Padre Deus que te dê boa vida, e bons frutos. Que você seja frutífero, solícito e amigo de todos os momentos que a vida lhe ofertar. Viva, e siga sempre o Sol, pois tudo foi feito pelo Sol. E tudo que você pensar, será.

sábado, 27 de agosto de 2022

Carta a Mariana.

 1 - Prefácio e Saudação;

Marcvs, escriba e reflexivo, para Mariana. Que o Deus Triuno de Boa Fé desça e acampe aonde vos fizer teu ninho!

2 - Considerações gerais;
A despeito de nossa longa conversa de ontem, gostaria novamente de vos agradecer pela paciência, escuta, bons conselhos, risos e boas palavras - pois to sabes bem mais e melhor que eu que num mundo aonde nem todos tem tempo para todos e tampouco boas palavras para todos, cada boa palavra e atenção é sinal de cristianismo verdadeiro (conforme a ditosa que falávamos ontem)

3 - Preparação para a morte;
Vivi duas vidas em uma. Vivi, pois, bem. Como meus avós, meus pais, e quiçá meus rebentos. Pude conhecer todos os lugares que quis ir, bebi mais do que devia, ouvi a doce música em meus ouvidos e amei a mais bela dentre todas, a mulher. Então, caso me ocorra de susto ou de ida, a morte não me pega em arrependimento, pois vivi bem, e pude no clarão do dia sentir uma felicidade que não se cabe no peito. E se eu viver, oxalá possa eu conhecer novamente a Fonte primal de toda vida, e que nessa Vida, eu seja e eu esteja. E que como nos diz Zózimo: "O que nos for por direito, estará conosco pela primazia de Deus".

4 - Do serviço;
Sou escriba. Escrevo. E dano a escrever. Essa é minha missão, e de forma análoga, meu legado. E o teu, quando inspira e infla as pessoas a se cuidarem e terem bom juízo de si, é mais que belo, único e preciso, grã amiga. De fato, quando a Censora me mostrou suas íconas palavras a fato de alertar ao povo do mau comum e siilencioso, fiquei-me afã de vós, e de certo crédito tens em minha melhora (dijunto a Censora) e minha busca (mesmo que sinuosa) pela melhora. Te tens em máximo respeito pelos bons conselhos, boas palavras e boa índole. Quando nós descemos até uma pessoa e guiamos ela para um camunho bom, de fato temos em nós avivado um Espírito Paráclito de vida que não se cabe dizer de quã glória é. E vós, ditosa Mariana, é sacrário dessa Magna e Divina Beleza.

5 - Do pastoreio;
Se cá eu como escriba cuido de minhas ovelhas leitoras, lá tu cuida, amiga, de tuas ovelhas que perguntam sobre a saúde. Parafraseando Santa Clara, o barravento do Senhor (TM), digo-lhe: Nunca perca de vista o seu ponto de partida. Tem sempre bom propósito, e não se esquece da gênese - seja a familiar, a dos princípios, a das boas cousas, ou de Padre Deus, início eterno sem fim. Tens o mesmo tanto de responsabilidade e benção nas pessoas, guiando-as e instruindo-as, e por isso peço a Deus por vosmecê que nunca perca o fôlego e te mantenhas em passo continuo, brindando-nos com boas palavras.

6 - Da vida;
Quero, amiga, a nível de sinceridade: a cura, a mulher, e a calma - mesmo sabendo que tais feitos estão fora de minha alçada. Quero também, a felicidade, que se extenda como o Céu sob nossas cucas esvoaçantes. Quero uma boa vida a todos que buscam o descanso do passo mantido, e vejo em vós que de forma análoga também estima isso para seu pastoreiro - e não te sabes como isso me exulta! Mais nos vale querer o bem do que fazer uma maldade ou um esquecimento casual. E por isso, ditosa Mariana, desejo-te a vida (em forma de Londrina, em forma de Torresmo, em forma de higiene do sono) da melhor forma que te aprouver! Rogo por vós!

7 - Despedida e benção:
Oro por vós, e agradeço por teu zêlo e cuidado para comigo. Peço ao Santíssimo Sacramento do Altar que esteja sempre contigo e abençoe teus planos e teus passos, e que te nunca percas da tua essência, e posto em teus olhos os veros mirares de verdade, que seja tu sempre assim. Que Deus te abençoe e te ponha entre os Santos, Únicos, Justos, Mártires, Patricarcas, Primeiros, Virgens e Mártires. E que Deus nunca esqueça de vós.

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Prosa de Hospital #1

Escrevo, pois,
pelo simples fato de viver,
e minhas crônicas falam assim de tudo um pouco:
Da vida, da morte, dos dias, dos minutos, de tanta coisa...
Mas, hoje, ela fala da desesperança, e da falta de fé.
(cousa incomum atrás das letras que transcrevo)
Creio sim em um Padre Deus que tanto falo,
mas sei que hoje ele parece distante, longuíquo,
de forma inacessível,
e na minha atual forma estou a procurá-lo.
Você viu Deus por aí?

Sinto que quando me falta a fé é como se parte de mim morresse
[já estando eu ao sopé da morte, não sinto em difuso]
e errante, tento reavivar a alma minha que não cessa em ais,
entregando cada rincão de mim ao ser mais, ser menos, ser ser.
Tento entender o que se passa em mim eliminando cada ponto,
cada vestígio de tristeza,
e peço por vezes que alguns estejam comigo para eu ter força,
ora eles estão,
ora não, 
e isso me deixa triste e pensativo por demais.
E me recolho e me volvo a Deus.
e chorando, deixo Deus cuidar de mim, e elevo a Ele minhas mazelas, assim:

Deus, se podes me ouvir,
do trato que temos, daquele oculto em meu coração,
o nosso jardim secreto, vos rogo: 
deixa que apenas eu e você saibamos, e que apenas eu e você fiquemos,
cuida, daquela que amo, e ajuda-me a ir em frente,
e dá-me animo, os abraços, os beijos, os carinhos e a exultação,
salva-me do inimigo, e principalmente de mim mesmo.
Deixa no chão meus passos para que os que me procurarem possam ver
Segui, mesmo sem nada a entender, e com pouco a perder.
E abri a mão como abro mão da vida.

Agradeço, Bom Deus,
tudo até aqui,
mas penso comigo mesmo,
que já é bem mais hora,
de me reunir com você,
então me leva pra sua destra,
pois deste mundo já deu tudo o que deu,
e meu pranto minguou.

Mas imploro, Bom Deus,
que se houver ainda uma chance,
aquela mesma chance que te peço com os pássaros e peixes,
então me deixe viver,
e põe em mim nova vida, novo sentido, e força,
e que a dor não doa, e que o fogo não forje,
e eu imune a toda dor que me encerra
possa ser mais forte e quiçá feliz,
com a mulher que amo, 
com saúde restaurada,
com a vida posta em ordem,
com Você em minha vida
por Tua santa vontade imperativa,
amen.

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Dancin's Alright.

Ressona.
CAXAPOU!
Como uma granada no ouvido.
Lembra?
Como um som que bate turvado e agudo, progressivamente trazendo no bojo a camada grossa de um grave arreboado, que sorri como aquelas caixas tão fortes e grãs de quando a gente dançava todo galante e forte e glorioso e dono do mundo.
Ressona forte, miraculoso, belo, transfigurado e misticamente perfeito. E me lembra algo, me lembra alguém, me lembra uma outra vida, um outro tempo. E me lembra você, também.
A gente era é muito danado, é.
A gente não era? Lá, quando a gente era jovem era.
Nem tinha muito o que fazer - dançávamos para rir, para celebrar, para guardar a tristeza, e para tirar uma onda. E éramos bons, deixávamos os ditos "bons" - vulgares estrelas que não constelavam em nosso céu - fazerem seu ato de pavão, e depois, quando nosso som rolava, danávamos a ser, ter, fazer e viver.
Nós éramos de uma felicidade tão forte, bela e suntuosa, que quando ouvíamos o som junto, éramos o tipo de irmãos que nos abraçávamos e danávamos a cantar, rir, brincar e ser felizes. E quando eu ouvia o som com você, eu só queria te pegar pela cintura e dançar com você. Era o que eu mais queria, mulher...
E durante a semana, descíamos até nossa base para falar de música, beber, rir, e falar da vida - e sempre regado a música, doce música. Era música, não era? Sempre foi. Os gritos diziam, e os acordes tocavam, e nós, de olhos fechados, uma mão na fivela do cinto e outra com o copo levantado ao Céu, brindando a Deus pela vida, cantávamos altivamente, como se nossa voz quisesse vencer os decibéis da caixa de som que amorosamente nos ensurdecia.
E quando desligávamos o som, era o nosso som que ficava sendo feito no ranger dos dentes, dos ossos, dos corpos, da cama...
Ah, e é mesmo! Quando não ouvíamos o som, fazíamos o som! Descíamos com pau e corda até a casa santa e ligávamos na energia e dávamos energia. Eramos vivos e safos. Queríamos ganhar o mundo, e depois o palco aonde ressonávamos violentamente contra as paredes, os ouvidos, e os corpos de quem nos ouvia; e foi ali que soube, após a sessão, quando Che me ergueu pelos braços, que fui profeta: vivi pelo som, amei o som, aguentei o som e bradei violentamente como trovão na terra seca, e fiz alegria, fui alegria e sorvi alegria, e enquanto rodavam as trinta e três rotações do disco eterno, ouvi em mim todas as músicas da alma - das que tangiam, das que ficavam e das que partiam - e pude assim ouvir o Límpido Brilho Agudo Musical Translúcido.

De certa forma, éramos e sempre seremos o som.

Carta a Censora.

 1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba e preocupado, para a censora. Que teus olhos achem bom afã dessa letra que vos escrevo - cuja estava em parte ansioso para. [...] E me perdoe se soei rude no telefone hoje de manhã, foi apenas o desespero em ter alguém que estimo muito por perto.

2 - Jusificativa;
Sim, de fato cumpro a promessa de não escrever sobre vós, [...] E este mesmo texto, como to sabes, é a censura da censura pois não vem em público no seu integral, e caso o queira ler na íntegra, lhe envio em suma. Mas peça, ceda ao menos uma vez em vossa curiosidade, pois me sei bem que admiras a letra de teu escriba. 

3 - Preparação para a morte;
Enquão se apoias em meu ombro, diz que eu não vou morrer. Tenho cá eu minhas dúvidas. [...]  se não feito por e com amor, por e com caridade, e se não por e com caridade, pelo simples e livre exercício da pia misericórdia. Deixa, que das últimas lembranças do vale de lágrimas, sejam felizes por serem estruturadas com/em/por você.

4 - Sobre a vida;
[...] Se me dizes com forma de rudeza, lhe respondo com carinho, e se me abres o coração quando te enches de viño, me faço morada para que habites. Se de fato, precisamos ser maus, não há a necessidade de sermos cristãos, e se escondemos uma verdade no oculto de nosso peito que só denunciamos quando nos embriagamos ou quando sentimos a mão negra da morte, então somos hipócritas - cousa sabida que tanto eu quanto você odiamos. Das memórias boas entre nós dois que guardo, quero lembrar de você cantando e dançando nossa música de pijama na tua casa [...] (de fato, "evidências" poderia ser nossa música [...] ).

5 - Sobre a inconstância;
Respira. Respira mais uma vez. Agora segue. Sabe, que mesmo aquilo que mais me aflige e dói, se te fizesse feliz, o faria, e faria para ganhar teu sorriso em devolutiva. Faria para ganhar você. [...] E eles? Que são? Apenas material. Apenas material... por isso vos peço que não me ignore, ou tampouco no auge de minha fraqueza me deixe sem tua resposta, ou que mintas. Apenas me deixe descansar o que resta, pois não quero muito dessa vida, e o tempo que me resta, já escrevi acima como gostaria de gastar.

6 - Temperança;
Dizemos pois, que somos cristãos. E o somos. Mas, qual cristianismo é esse que co-criamos em paralela vida? [...] E mais além: é justo que aquele que sofre, pedindo a Deus por um pouco de bálsamo, seja posto para fora por cousas efêmeras, de jeito e sentido nenhum? Faz-nos, cada vez mais sentido voltar a raíz, censora ditosa. Ler a Santa Regra, rezar com fé. Pedir. Elevar-se diante de um Deus Altíssimo que tudo Ouve e Sente - Bom Pai, justo e misericordioso que nos toma no colo e faz-nos crianças para que possamos dormir em Sua presença e sermos protegidos do feo. Por mais que tenhamos nosso charisma, nosso objetivo está sempre pendurado no madeiro, para nossa alegria e salvação. E Ele, conhecedor de todos os corações, nos aliviará. 

7 - Sobre as expectativas;
"Telegrama-de-vêm-me-ver".

8 - Despedida e benção;
Peço a Padre Deus que te abençoe ontem, hoje e sempre. Que cuide de você e dos seus caminhos, e te faça feliz, e te dê boa saúde e boa fé. Que você viva mais, bem e melhor. Que Deus esteja com você o tanto que está comigo, e que você possa veramente Vê-lo e Senti-lo como eu vejo os peixes e pássaros, para que assim vejas quão belo É. Que Deus te abençoe e te ponha entre os Santos, Justos, Únicos, Verdadeiros, Patriarcas, Primeiros, Virgens e Mártires. Espero poder vê-la hoje a noite pois estou com medo de como ficarei hoje. De paz, e em paz; Marcvs.