terça-feira, 29 de maio de 2018

Pantocrator.

Santo fôste quem
antes de mim pisou aqui
Louvados sejam os que pavimentaram
por onde agora piso
Por, onde eu for, guardai ó Deus,
quem tenho comigo e quem no mundo esteve.

Volvei Vossa Face
para nós que andamos apressados
Nos desatinos dos dias
desaprendemos até a rezar
Perdoai, nossas faltas, ó Deus
e purifica nossas almas do mal secular.

O Sorriso mais belo
foi imolado gratuitamente
O pão repartido
Saciou tôda a congregação
E eu, tão pequeno, percebo ó Deus,
que Teus planos são minuciosos e perfeitos.

Vinde em minha ajuda
cubra-me com Tua destra
Livra meus caminhos do mal
e me mantenha em sua graça
Tenha, misericórdia de mim, ó Deus,
não deixem que nunca me separem de Vós.

Louvam-te tôdas as coisas
pois de Ti tudo provém
E em tudo que eu interagir
Sinta e veja tua perfeição
Misericórida, dos que não crêm, ó Deus
ensina Teu pôvo a amar e perdoar em paz.

Dentro de minha alma
cabe apenas Tua essência
Seu sopro divino
que me trouxe diante de Vós
Quão, sois bom comigo, ó Deus
por ter me feito um do meio dos seus.

Junto da Virgem Mãe
a graça nos chega como chuva
Torna-nos filhos diletos
das promessas que hão de ser cumpridas
Eu, confio em vós, ó Deus
e nunca me esquecerei de Vossa misericórdia.

Se a morte for o débito
pagarei com alegria
Ao saber que na vera hora
encontrarei o Redentor
Excelso, é Ti, ó Deus,
Que na eternidade há de habitar.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

So Sad.

Quando a alma se cansa, ela busca refúgio. E do alto de seu lugar reservado e inóspito, ela por vezes até manda recados a civilização do que está acontecendo pela dada necessidade de seu exílio, ou isolamento. Algumas pessoas escrevem, outras bebem, algumas choram, e outras se devotam a Mãe Cecília.
Há muita gente que quer ajudar, e há pouca gente que quer ajudar e entende o que fazer, como fazer: Cada alma é um segredo, um verbo, uma forma - não se há generalização no que se sente, cada dor dói de um jeito e cada rasgo sangra para um lado. Do povo que perece, sofre e padece, tenha misericória, Bôm Deus. Tem misericórdia do silêncio, mas não do silêncio pacômioso-monástico, mas sim do silêncio da alma, sujos olhos mostram na Íris Esmeraldina a dôr que carregam, e ainda si ri, ergue o copo, canta, e emana de si a vibração da carne em êxtase - é esse o pôvo, Deus. É esse o rastro que ficou de Você, nós que nos choramos, mas mantemos firme a híbrida forma de se segurar ante ao que nos maltrata. Acreditamos que uma hora tudo vira lembrança, e Sua bondade nos toca de alguma forma, e logo estaremos longe dessas tristezas, dessa solidão, dos medos, e de todas as coisas que nos interrompem de seguir vendo Tua perfeição em todas as coisas que nos rodeiam e estão em nós, por nós, conosco.
Estou em um deserto, só. E ninguém está ao meu lado e adjascência. Tenho meu masbaha em mãos, e na outra carrego minha saca, meus pés doem - ninguém sabe, meus olhos lacrimejam - ninguém sabe, minhas chagas se abrem - ninguém vê, apenas me tenho com a minha oração - E até onde a estrada vai dar, para eu ser do jeito que sou? Até onde minha cabeça aguenta saber de mim, e não do que há no mundo ou Sôbre ele? Pus-me a andar para a loucura não atormentar, e pus-me a beber para a minha racionalidade não me degenerar, e pus-me a rezar para agradecer por quem não agradece. Eis-me aqui, novamente na solidão de cais e casas, e no meio do mar-de-gênte, eis-me só, e com tantos ao meu lado, nenhum sabendo estancar meu sangue, e com tanta fé, me acometendo de heresias, e sustentando Atlaicamente tantos pilares que doem minhas costas e deixam meus pés cansados. Meus pés estão cansados. Minha barba já tem cabelos agrisalhados, e minha tristeza está atrás de meu cabelo, abaixo de meu sorriso, e de tudo que esconder do mundo, pois o mundo que há de ser bom, que receba bondade para continuar bom. E para mim, cabe o que Deus decidir, e que venha para minha edificação (ou total destruição), me sinto agora como o mítico personagem da canção: "Eu deixo a onda me acertar/E o vento vai levando tudo embora."
Deixe que eu não veja nada, e ninguém, que a minha fronte vá um anjo me acompanhando, e meu masbaha indique o que pensar, como pensar e porquê pensar, afaste de mim tudo o que tenho e tôdos que estão comigo, tire de mim tudo o que tenho, e afaste de mim tudo que é vão e que possa me danificar bem mais ainda muito. Lance sobre mim sua destra, e que sua providência me cerque, e quando essa dor me doer, manda-me a botica para sobreviver, e ser cada vez mais teu (Não permitais nunca que me separem de Ti/Na hora da morte chamae e mandae-me ir para Vós), e quando a dor passar, que eu consiga levantar e seguir com estes mesmos pés cansados, mas ávidos para seguir para lugar algum, apenas se curar dessa dôr. Permita, ó Deus, que no longo desse estreito que caminho, desse deserto tão infinito, em algumas passagens, haja apenas uma clareira de água, para que eu lave meu rosto, e molhe os lábios secos de bendizer Teu nome, e de brigar contra o vento e o Sol. Permita que com sua graça, a vida continue sendo a vida sobre qualquer circunstância e aspecto, e que um dia tudo chegue ao seu destino.

domingo, 13 de maio de 2018

Lá Vem o Dia.

Um dia,
virá o dia,
verá que a vida,
insistiu em passar sem parar.
e a guia
da Mãe Virgem Pia
lhe fez n'Ela moradia
para você os dias aproveitar.

Agora,
tudo lá fora,
já foi-se embora,
ficou apenas a tranquilidade do nosso lar.
Ora,
que tudo melhora,
logo a gente aprimora,
e Deus nos dá força para tocar.

Sorria,
inda que tardia,
desfaz da teimosia,
que a nossa vida é perfeita demais.
Alegria,
nosso mais-valia,
do humilde a bela ousadia,
e bendizer ao Excelso Bôm Senhor.

Que correria!
passou o dia,
e eu nem vi a flôr-de-Maria,
deixar seu cheiro pelo nosso Lar.
Nossa alforria,
e certeza bem cria,
é que a noite não nos agita,
Já podemos enfim dormir em Paz.