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quarta-feira, 13 de julho de 2022

Entrevista ao zine ¡Ahi Gabriel!.

 (N. do E.: Texto traduzido da entrevista ocorrida na segunda passada para Vicente Garranzón para seu zine de leitura underground argentino ¡Ahi Gabriel!, que sairá em veiculação na última semana de Julho).

Perfil: Marcus Queiroz, 30, Brasileiro, mas acha Garrincha melhor que Pelé. Escritor de mão cheia, mantendo há 15 anos um blog de crônicas de sua vida pessoal, poemas e textos de virtude e sentimentos bem precisos. Em setembro, lança seu primeiro livro: "Entre as Cidades", de trama gostosa e envolvente, de estilo eclético e bem trabalhada com palavras de acesso direto ao corpo da história, que gira em torno de cinco amigos, tomamos a frente e o entrevistamos com a exclusividade clandestina de sempre falando de seu panorama geral, perspectivas, forma de texto e amenidades, confira:

Legenda: AG (¡Ahi Gabriel!)
MQ (Marcus Queiroz)

AG: Marcus, obrigado pela disposição em falar conosco! Em primeiro lugar, gostaria de dizer que você continua sendo um dos melhores escritores underground do Brasil, e como você mesmo escreve, da Piratininga!

MQ: Obrigado, Vicente. E fico feliz em ter acompanhado este zine ter nascido lá em 2015 e tanto tempo depois estar sendo entrevistado por ele. É uma boa alegria!

AG: Diga para nós Marcus, como se deu o processo de "Entre as Cidades"? Ele se encaixa em alguma corrente literária?

MQ: Bem, é um livro de pequeno teor, creio que ele não esteja em algum tempo literário. Mescla um pouco da vida, com alguns valores alegóricos, mas nada puxado para algo absurdo ou que não possa ser sentido por qualquer um - a ideia é justamente dar ao leitor a sensação de história fácil, que pode ocorrer na vida de cada um. Eu literalmente tive um estalo e pensei "ok, vou escrever um livro". E assim nasceu num raio de seis meses.

AG: Eu admito que quando li a parte um achei muito interessante, mas na segunda parte eu perdi o chão. Você considera esse seu magnum opus? Porque para uma obra sem ambição nascida em seis meses, ela tem uma carga muito forte.

MQ: Na verdade, não Vicente. Para mim, "XXVII" ainda é meu magnum opus. Foi uma das poucas coisas autorais que consegui trazer do seminário ainda em tempo quando saí. Para mim aquele foi meu melhor trabalho. E ainda continua o sendo.

AG: E eu sei que é um assunto que você evita falar, até mesmo com o saudoso Ali do Cosmos, mas, e os outros dois livros anteriores? Você realmente não os tem? Não seria interessante podermos lermos também?

MQ: Grande Ali! Deus o tenha entre os justos! Bem, os dois livros foram um fiasco! (Risos), eu perdi muito da esperança de escritor neles, e o 1° livro ainda tem uma ligeira parte solta no blog - fragmentos para ser exato. E o 2° livro que tinha o nome de "O Segredo do Sol", para uma surpresa minha, eu achei completo numa arrumação, e fiquei até feliz de ter visto, mas não penso em publicar ele, creio que vai contra muita coisa que hoje acredito, e talvez a opinião pública também não gostaria.

AG: Tudo bem, mas depois me deixe conferir!

MQ: Claro, lhe envio! (Risos)

AG: E sabemos que infelizmente você está doente, mandamos daqui de Argentina nossos sentimentos de cura e melhoras. Pelo visto, você também deixa transparecer um pouco em seus últimos textos sobre seus sentimentos nesse quesito de sua vida pessoal. A sua escola literária também transparece muito no que você escreve. Isso é intencional?

MQ: Olha, intencionalmente nunca foi, mas não deixo de ser influenciado pelas minhas leituras. Isso é para qualquer escritor que se enquadra também num foco de leitor. Atualmente tenho lido muito sobre teologia, e depois disso me inseri num contexto de back-to-roots, aonde eu poderia transitar entre meus tempos literários.

AG: Devo admitir que as suas últimas postagens, no caso as cartas, estão de pro-forma impecável, e de uma realidade translúcida, porém desesperançosa.

MQ: Não podemos ser fantasiosos o tempo todo. Por isso aboli alguns termos do meu glossário pessoal - a Feira da Renascença, por exemplo. Era uma figura de linguagem que amava, mas abandonei.

AG: Eu adorava a temática de contraste entre a Feira e o Crepúsculo...

MQ: Idem, mas partir do momento que um texto deve ser acessível, devemos ter palavras mais cabíveis ao entendimento, tal qual as expressões e figuras.

AG: E os planos para o blog, Marcus? Quais seriam as metas para o futuro? Você conseguiria manter ele num processo de curto prazo enquanto trabalharia num próximo livro, por exemplo?

MQ: Creio que sim, sabe? Eu não estou afim de escrever mais um livro, e creio que "Entre as Cidades" não teria uma continuação ou ramificação - ao menos se Teresa (personagem do livro) fosse uma raíz que interligasse os dois. E enquão isso, eu preciso até de certa forma do blog para ir escrevendo coisas aleatórias para ir aliviando a cabeça ou praticando outras escritas; o meu gênero de escrita favorito ainda é a Crônica de Ordem Social.

AG: Marcus, não duvido que você seja capaz de fazer e manter isso. E me alegro muito em ver o blog em definitivo e em aberto. Para um leitor de primeira viagem, sua escrita é totalmente fechada, mas no seu livro pelo que percebi você usa uma linguagem acessível e dinâmica. Tem algum motivo?

MQ: Bem, na verdade o blog é mais um alfarrábio meu. Caso eu esteja com Alzheimer no futuro, ali é um lugar que eu posso entrar e sair, transitar tranquilamente sem ter como todos perceberem entre as minhas memórias. A minha sorte foi ter escrito de forma reclusa, com palavras arcaicas e expressões tão minhas que até quem acha que sabe do que digo, se engana! (Risos) E quanto ao livro, bem, livros tem que ser acessíveis, não?

AG: Com certeza.

MQ: Então é por isso que escrevo dessas duas formas.

AG: Marcus, quais os planos para o segundo semestre deste ano?

MQ: Bem, divulgar o livro, escrever o máximo que puder, e aguentar firme até a festa da Transfiguração. E agora podendo tomar uma cerveja


AG: Marcus, uma pessoa singular de humor sarcástico e de grande verdade, leitores! Uma honra ter você nessa edição de ¡Ahí Gabriel! E esperamos poder fazer uma resenha longeva de seus escritos.

MQ: Vicente, mais uma vez agradeço pela chance de falar um pouco de minha trilha literária, e espero que você possa gostar de meu livro. Assim que eu terminar as prensas, lhe envio uma cópia física.

AG: Eu agradeço, amigo. Uma última observação?

MQ: Apenas agradecer pelo carinho e o convite! ¡Paz y Bién!

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Carta a Giuliano.

1- Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba e escritor, para o terceiro Giuliano que agora vaga em águas internacionaes. Que Deus te guarde, e te esqueça aonde. Alegro-me por tuas palavras, e entronizo as minhas, como em via de resposta as tuas, para poder dar-te a alegria de saber de mim - cousa que acho repulsiva pois n'um telephonema resolveríamos isso de forma amistosa. 

2- Admoestações, perca da fé;
Ainda me chamas de Pedro, mas, peço que me chame de Marcus. Marcus, filho de Fabio e Neto de Fabio Magno. Não sou quem vêes, e a cada dia apago mais minha fé, e tenho veramente abandonando-a com constança, tenho não mais acreditado no que o vento diz, pássaros cantam e peixes falam; tenho não mais rezado o Ofício, e tampouco desfiado terço, e tenho posto em régua a crença minha em Padre Deus - E considero veemente que andei errado todo esse tempo, de forma que só fiz charitas, mas ainda sim apagou-se em mim a chama do viver e a alegria de servir ao Divino, cuja fé agora não sei se o tenho. Tenho cá estado muito comigo, e afastando-me de escopo religioso, creio que talvez desperdicei meu tempo e meu momento. Fui Luís e Fui Pedro, mas, Sou Marcus. Marcus dos Queiroz.

3 - Preparação para a morte;
Por mais que tenhas um arsenal de argumentos, guarda-os. Tenho cuspido e vertido sangue, e além disso, tenho as carnes ora fortes como jovens, e ora fracas, e elas vibram de tremer, como se eu fosse claudicante; como pouco, pela falta de apetite e tanto como não ter como comer, ainda passo por algumas privações, mas sigo firme como sempre o fui. De fato, como vos disse, não penso e nem pretenso atentar contra minha vida, mas, começo a cada vez mais querer desistir de algo que tantos me pedem, e percebo que a cura é mais maléfica do que a ida. Talvez, só uma vez, eu não queira nada mais do que a pura vaidade carnal de me sentir querido, amado, e de após quase quatro meses, tomar uma cerveja. Queria um churrasco, queria um afago, e poder ouvir minhas músicas sem me preocupar se alguém vai ou não gostar. E talvez, estando eu do lado de fora, não tendo essas preocupações, possa ser e estar feliz, e calando as coisas que ainda doem em meu peito, eu consiga ser e estar feliz. Entenda-me, e lê-me com prudência, morrer não me afeta, e possivelmente seria até bom para com quem diz estar comigo, não anseio a vida, e desejo a partir de agora voltar a fazer tudo como antes, apenas para ter um fim ao meu gosto. 

4 - Último peixe, e consideração sobre a ida;
Escrevo-vos pela obediência que consome, sobre o que vi, e espero teu chrisma sobre, de fato que temos ainda fatos a adconjunturar quão voltardes do Vaticano:
Ele se assentou ao meu lado no sopé da escada sem que mo percebesse, e desvelando a capa, tirou o capucho com as duas mãos aonde pude ver seu rosto pacificador, e abrindo o lado da capa, tirou o braço e pôs sua mão sob a minha; e eu, já acostumado, sorri de volta sem precisar de maiores explicações - fez ele me olhar as pessoas, os sorrisos em suas faces, e a tôrre da igrêja; me tomou pela mão como sempre o faz, e andamos entre o mar de gentes, e sorrindo brotava entre crianças, flôres, côres, incælensa e azul, vi o sorriso que me cativa, e sorri de volta - e aquele que me guiava sorria porque sentia o meu pulsar de vida diante de tanta tristeza e solidão. Quando senti a dor de sangue sujo, ele me acomodou entre seu abraço, e deixou que me mantivesse inerte por um momento. Por sua ordem, deitei a dobra de minha mão contra a musculatura que doía, e não senti dor, e mesmo sem saber, deixava que eu pudesse ser mantido e segurado. E por onde andávamos, tinha peixes ao nosso redor, de tal forma que pareciam que se faziam em tapetes para andarmos sobre. Nós estávamos simplórios, e estando eu sob a tutela dele, não senti medo algum - nem de vergonha, nem de medo, nem de morte. Quando ele me deu a ínsigne, me disse: Toma, é pequenina, mas valor tem maior que tôdo, guarda-a e mantém-a; e envolvi-a de tal forma que mesmo se meu coração não quisesse, senti ali que era de valia, e tudo isso, de uma forma geral, me fazia sentir vivo, íntegro e inteiro. E não animava-me a ser quem sou, viver e ter fôlego para ir adiante, por considerar querer ter a morte, mas considerava que até chegar na minha hora de morrer, ele me dizia coisas pertinentes sobre o Sol e o Céu. E eu, repelindo tais palavras e sortes, sentia dor a cada renegar em minha carne. Que, de maneira eu poderia fazer apenas consentir mesmo que meu coração não fosse ofertado nesta forma e maneira. Ainda em mim arde o ir embora, de forma como ele mesmo queria quando era tão carnal como eu. Ele sorriu, abraçou-me, e ao olhar para mim, o disse: Teu peito é semelhante ao Peito que buscas; que apesar de maltratado e amado tardiamente, tens a gana de sempre amar de forma abundante. És agradável aos olhos do Senhor, e por isso to vives!; e obviamente, amei com ódio o vaticínio que me foi dado via peixes/embratel. Mas agradeci e pedi a tutela ao pai dos peixes para que eu pudesse apenas fazer uma última bandeira a meu modo, de minha maneira. Queria eu sorrir. Queria estar vivo para 'queles que estimo, mas sei que estou morto. E por isso atentei e atento com desejo afã de morte contra minha carne, para não ter mais ou obter mais contra o que me mantém. Ainda me sinto só, e mantenho o passo diante da situação, e só levanto meu calcanhar contra os meus desafetos, abrindo a boca apenas para bendizer Meu Bom Senhor e desejar a morte para estar co'Ele na festa do lugar - me vale bem mais do que o vale de lágrimas que me foi ofertado, e apesar da Boa Consolação, meu peito se arrebenta, e sinceramente choro. 

5 - Desejos e vontades;
Diz-me de teu sonho, e me sinto honrado pela confiança em saber de tais coisas. Mas, rogo-vos que pense, pois é de fato mui arriscado perder uma vida por um sonho onde não haja a satisfação de ser feliz e estar feliz. Se a mulher não te eleia a beijar, abraçar e ter em paz, não te mereces, e se o Sol não esquenta as carnes, inútil o É. Viver, de um modo geral, se torna inútil. Infelizmente, me pedes conselhos de coisas que não posso dizer sobre, e só poderia me debruçar em cima de meus alfarrábios, ou consultar meus decanos para lhe dar um aviso pertinente, mas ainda sim, saiba que podes desejar o mundo, mas nem todo o mundo será prudente para você. 

6 - Leituras;
Pare de ler apenas uma escola literária, e adentre em todas. Abomino e disconjuro-te ao fôgo do inferno por terdes tantos livros e apenas usá-los como aparência, e rogo-te que sempre volte a tua gênese literária, para que o seu princípio sempre se mantenha vivo. Leia da patrística com o mesmo fulgor os catedráticos, e leia com zêlo os apologetas de mesma forma os doutos. Ter um favoritismo não significa fanatismo, e na tua condição, ampliar os horizontes para ter mais meios do que falar me parece ser mais prudente. E lê meu livro, necessito de tua informação acerca de minha letra.

7 - Sobre a morte;
Diz me de uma importância, mas, qual? O local que me encontro, a direção, nada disso importa. No fim, isso só foi um momento efêmero e agora, me entregando a hora certa e irremediável do fim, espero que nele obtenha tudo o que não obtive quão em vida, e que eu, morto, não seja alvo de lágrimas falsas e tardias, pois a esses amaldiçoo e renego, e bato meu falar contra eles.

8 - Consideração final e despedida;
Seja feliz. Não leve desaforo para casa. Saia na mão. Brigue. Grite. Laudeje violentamente contra tudo e todos. Exponha seu ponto de vista, mesmo que na base da agressividade. E não tenha medo de errar. E que sejas bem feliz.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Epístola Aos Escritureiros.

Texto dedicado aos meus amigos; Escritureiros.

São Paulo; 22º dia do Alto de Julho de 2014.
A vida é um desafio. A cada dia suprir as necessidades, e arrumar as bagunças deixadas, esquecer nossa fadiga e fazer da dor alegria. A vida é trazer o impossível as mãos, olhos, bocas e alma de quem precisa de um motivo para viver, de um amigo para conversar, de uma muleta para se manter firme, ou até mesmo de algo para encaminhar na vida, ou sair de sua atual situação.
"Lá do escuro;
De onde eu vim;
Da terra - vida arrancada;
Nada valeu sue lamento;
E o vento mesmo assim:
Soprou igual, e o sal secou..."
Não posso dizer que sou um de vocês. Porque não me vejo entre vocês, o brilho de vocês em coletivo, é o brilho de cada um em individual, que quão soma aos demais, torna-se um candeeiro que incandeia até aquele que não vê. Eu - como toda pessoa no universo - tenho minha luz, mas, ainda não estou no mesmo patamar que vocês, então, apenas contento em valetear vocês, e suprir as raríssimas (quase nulas) faltas que vocês tem. Vossas cabeças são boas, seus sorrisos são cânfora e bálsamo, seus abraços tem a calma do Anjo Mineiro de 29, e suas vozes - individualmente - soam bem; Mas, me agradam idôneamente, quando lhes ouço em coro.
Suas ações são necessárias, e seus meios são efetivos, porque vocês fazem pelas pessoas, o que um dia também fizeram comigo há muito, muito, muito tempo atrás (não do mesmo jeito, mas, com a mesma essência, toda vez que assisto o cortejo, ou vou a BCCL, me sinto um flash-back), e, o que vocês fazem, pode não $er tão bem reconhecido, $abe? Mas, peço agora o lado humano de vocês, e peço também o melhor de vocês, que sei que bem tens em cada um de vós. Vinde até onde estou, e vede junto a mim: Vocês estão transformando, renovando, mudando e gerundiando comigo. Aqui, do E&Cc; A escrita é outra. Estão vocês a tirar pessoas de caminhos errados, opostos e avessos, e pondo pessoas a exercitar a mais maravilhosa máquina anti-mercantil: A mente. E pondo ela a vapor, como o Benjamin Guimarães; Nada pode se deter; Vinde até onde estou, e vede comigo, amigos: Vocês estão dando asas a pássaros coxos, olhos a cegos, muletas a amputados, e pão a quem tem fome. E$queçam algun$ fatore$, e lembrem-se, como disse São Francisco: "O reino de Deus é aonde a alma de exalta, e não o bolso farto de dinário". ...Mas, sim. Alguma ajuda é $empre bem-vinda.
Louvados sejam vocês a cada segundo e lembrados e reconhecidos por vossos atos. Estóicamente, re-escreverei quantas vezes puder sobre vocês, povo bonito. Não porque Agnish é uma dentre vocês, ou porque vocês me deixaram estar entre vós, ou porque a Sidinéia é uma pessoa maravilhosa, porque eu amo o humor do Rodrigo de Carvalho, tampouco bagunçar a mente do Bruninho, ou das idéias humildes e consisas do Rafael, ou das danças cheias de "rebolagem" do Eduardo, ou da risada da Silvani e da Ketlin. Quantas letras Deus me der, o dobro estenderei elas para vocês. Em mim tens um amigo, um aliado..."Irmão de Sol", como se dizia antigamente.

Vos me são incríveis; Me fascinam. Captam a minha íris esmeraldina. Louvados vos sejam em todoso seus afazeres. Perseverança, amor, e paz. Continuem o bom combate, e Mantenham a Fé; Sempre.

Do Vosso Irmão-de-Sol;
Marcus Queiroz.

domingo, 25 de maio de 2014

Caridade.

Atenção: Esse post é fatídico. Só o leia se for compreensível a palavras e jogos de frases.

A caridade, é como um bumerangue: Você a atira ao universo, e em um determinado tempo (sabe se lá qual tempo), ela volta pra você, na mesma ou numa escala ampliada. Por isso peço humildemente para quem lê esse texto agora para dar fim a maldade nossa de cada dia e se cubra com a bondade, como s'ela fosse um doce véu como é o véu da Mãe Das Candeias, e nele ficasse, até a morte.
Quero o bem de você que lê este entrevero de sentimento. Não quero lhe amansar, nem tampouco ir contra tudo o que lhe proponho escrevendo, mas, quero que lhe seja ao todo de bom, e de nada de maldade; Afinal, ser justo não é ser maldoso! E ser maldoso não compete no rastro da justa causa. Estou aqui, lhe ensinando o que pode ser seu lugar-temente, e neste lugar (ou em todo o lugar que aonde você for), que você seja bom, justo, e caridoso.
Fui convidado por Agnish, a ir ajudar pessoas maravilhosas, com iniciativa boa, e um coração mais grande a acolhedor que o de Bep, e, indo para lá, faria a mim mesmo feliz, por ajudar alguém,  por fazer minha musa feliz, e óbvio, por estar com ela. Simples.
Não, não é.
Pessoas maravilhosas. Todas elas. Pessoas que lutam contra uma corja de porcos (porcos sim, pois apenas porcos se fecham na sujeira de seu chiqueiro e não querem ter acesso ao conhecimento, ao imaginário, a boa cabeça pensante, assim como eles...), pessoas que querem o melhor dos outros, e por isso doam o seu melhor, pessoas tão lindas com uma alma cintilante, que nem um vidro estilhaçado perfura, tampouco a lama consegue sujar. Cada um no seu cada um, cada qual no seu cada qual, fazendo o seu trabalho de formiguinhas para poder concluir um desejo da geral: Dar um benefício a porcos (perdoe o termo, mas, é disso pra baixo), que no ponto de vista deste crônista, nem sequer mereciam.
Tá, mas, e a insistência? E a minoria que quer que isto aconteça?
Eu, apesar de ter crises de "baratatontismo" por todo aquele dia, consegui fazer uma ou duas coisas, e fui cada vez mais pensando, e abrindo meus olhos: Estava ali por mim, fazendo um bem a minha alma, pagando uma dívida com minha mãe, dando a alguém a chance de ler e imaginar como um dia ela me deu este dom, e pensando em pessoas como minha Rainha Antônia, que ainda querem ler, ainda querem escrever, ainda se surpreendem quando escrevem e acertam o prumo da letra. Dado um ponto, após me roubar um beijo - e se arrobachar de lama comigo - Minha Agnish me tomou pela mão, abraçou e disse: Obrigado. Mas, obrigado por quê? Era um dívida minha, e uma vontade de ver alguém ser feliz com as letras, letras essas que eu até hoje domino medianamente. Disse-lhe, em segredo:
-Obrigado por quê? Eu só estou fazendo por alguém que eu não conheço, o que eu gostaria que pudessem fazer por mim. (Soou meio bruto, mas, explicada a situação, ela entendeu).
Depois, quando fomos embora, pegamos uma carona (caridade fazendo efeito), e esperando o ônibus no ponto, quando o pegamos, Agnish não tinha o dinheiro para condução, eu o tinha, mas, antes mesmo dela entregar ao motorista/condutor, ele disse: "Não precisa, fica aí e tu desce no terminal". (Caridade strikes again). Chegando em casa, um banho e uma massagem, e a sensação não de dever cumprido, mas, que a lama lavou minha alma. A semente do bem que minha mãe plantou, hoje desabrochou em peso.

Dado o momento, é domingo, próximo da 23ª hora, e penso que: Deus é de uma bondade infinita. Por isso, peço (como pedi tantas outras coisas antes) que você amigo/amiga, tente da caridade, e deixe ela fluir em ti, e que ela habite em seu ser, não pela recompensa, mas, pela harmonia que reina tanto em ti como no universo.

Try it.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Quando eu estiver só.

Quando eu estiver só;
Eu estarei meditando em tudo.
No Céu, na música, no trânsito, na música
nas coisas pequenas e belas da vida,
nas sombras daquilo que eles chamam de nós.
Eu estarei no pé-direito do universo,
esperando inúmeras coisas,
menos quem me tire da solidão,
pois, eu sou o sinônimo da mesma, mesmo tendo meu amor.

Quando eu estiver só;
Carregarei o mundo nas costas,
farei conversas salvarem os meus da maldade fea,
não por obrigação, mas, porque é válido o fazer,
assim, serei de novo o ordinário homem comum,
E morrerei entre esquinas, beijos, e copos;
Eu serei o homem da sucursal, do Mar de Syracrusa.

Quando eu estiver só;
Farei minha oração para você, nega;
Esperarei a tábula de preços da Trindade;
Escreverei e revisarei com Filipe;
Tocarei com Victtor;
Ouvirei com Wendel;
Colecionarei e honrarei a raíz como André,
Irei ler como Karoline;
Discordarei veemente como Armando;
Farei o negócinho como o Robson;
Terei saudades como o Leandro;
E rezarei por mim e meus erros como Antônia.

Quando eu estiver só;
Mesmo assim, estarei atrelado a tudo,
Pois eu me desligo de tudo e todos quando me retiro,
mais, mantenho a antena ligada a qualquer chamado,
quando quiser, me chame. Venha prosear,
abrirei a porta da vida,
e com você por ela eu irei andar, e dialogar,
e o resto, será silêncio do zero adiante.

sábado, 8 de maio de 2010

Ontem...

Inerte - Sensação da qual eu fico quando não sinto meu coração bater. Sinto-me morto por um instante, reúno meus impulsos para uma batida forte e seca no meu tórax, tudo volta ao local ? Melhor assim. E assim eu vivo mais uns 10 segundos.
O Sol teima em se pôr. E eu tenho um segredo para revelar: Eu não faço a diferença, nem como um número/gênero/índole ou cor. Eu morro a cada segundo, a cada gota que cai, e a cada lágrima que se esvai do olho negro que se encontra defronte a mim.
Assim como meu velho sente, a cada segundo uma sombra correr-lhe o corpo em frisson, eu sinto a vida me corroer, deixando em meus poros um beijo da Asa-Veloz.
Hoje eu estou indo levar um presente Pra Rae...