A cidade desce, e no acinzentado padrão do mar-de-côres que o horizonte entrega, em cada ninho vertical que há na cidade, reside eu, tu, e tantas outras pessôas... acendo um cachimbo, e enquanto esfumaceio o meu cômodo, lembro de teu sorriso, e de alguma forma isso me trás uma nostalgia benéfica, de forma que só de lembrar seus olhos e seu sorriso, seu charme e seus trejeitos, me encabulo sem estar aqui.
Escrevo sem escrever, mais em tom de desabafo, estando a casas de distâncias, ruas talvez, até. Tudo é questão de logística pelo visto.
Enquanto o vento desce, encho minha taça para mais um tanto, e vejo os poucos carros na avenida movimentada. Assim, logo percebo como a vida, tão agitada também é - e pede - calma; assim como implicitamente pedi (e agora por telepatia) peço seus beijos; e antes que diga algo, você sabe que é para você esse pensamento, e mesmo não entendendo, sei que você compreende de alguma forma o meu jeito reservado, quieto, sereno, pensativo, teólogo-amadorístico, quixotesco, beberrão e principalmente travado em relação de você.
Você acreditaria nas coisas que tenho a dizer? Em todas as que enchem minha alma e pesam em meu coração? Ouviria o resto de minhas histórias para desvendar e ver quem eu sou dentro desta carapaça? Você acreditaria no que falaria das coisas que sei, ou tentaria interrogar para que visse algo que nem a minha face se mostra? Se, no calor de hipoteticamente vos dizer algo já me escuso; sem que você saiba já me declaro e me deito ao vosso pé. E assim sou - imediatista, romântico, dos versos, dos sentimentos, das flôres e das liras. E esse sou e serei ao visto da minha vida; e no fundo nem acho de tanto ruim. Até gosto, a ser franco.
A chuva cai. Mui provavelmente dormes, ou assistes algo, ou preparas algo para beber. A têz da noite começa a abraçar o Céu cinza dando seus prenúncios, e você nem diz nada, tampouco me aborda para falar do que é, ou não é. E o oculto de meu peito, apenas espera a Dulcinéia. A vida, por mais incrível que seja também espera - ao atingirmos um patamar descobrimos que ela espera, e nesse sábio esperar para ter com quê, vemos finalmente a vida acontecer e ser real. E que é então a vida? Habita em seu sorriso, cabelos, olhos apertados, coxas grossas e voz macia e toque-de-mão. E qualquer coisa além disso, definitivamente Deus guardou para Ele.
Epitáfio do Marcus Queiroz. Apoia esse blog, faz um pix pra nózes: marcusvini15@hotmail.com
sábado, 30 de dezembro de 2023
Still Waters Run Deep.
terça-feira, 26 de dezembro de 2023
A Pair Of Brown Eyes.
Sinceramente, não creio na certeza do que cresce e floresce.
Cada vez mais creio no que minha mãe me nutriu desde cedo a crer: que eu não teria amôr, que não saberia o que isso seria (ou como seria/funcionaria), e como relógio com deficiência psicomotora, estaria eu fadado a chegar cedo demais ou tarde demais em toda história que me acochasse, sobrando pra mim a dita migalha. Como fadado a ruína e crescido na pobreza, guardei no âmago de meu coração os maiores desejos de um homem enforcado, e nele fiz meu trapiche e caserna. Nos dias frios, as estrêlas eram as confidentes, e a Lua, quando aparecia em formas cuniformes, era a musa de minhas trovas e serestas. E quando havia frio, os cobertores eram o abraço; e no calor, o vapor quente da natureza era o clima que nos excitava.
Hoje, mais uma vez, é de solidão. E apenas isso.
Aliás, como se percebe que se chegou tarde demais? (não há relógio que determina, e é isso que atordoa e dói)
Apenas quando algo se consuma? Ou quando seu peito se arde em ais e vendo a oculta efíge daquilo que os olhos velam, você simplesmente esquece quem é, o que veio fazer, e porque está ali?
E aqueles pares de olhos, que almejei minha vida toda, de repente não estão mais lá - e sendo franco, nem sei se eles alguma vez estiveram, e talvez tenha sido uma busca vã e fadigosa por nada. E como diria Dona Márcia: mais uma vez construí minha casa na areia. E tôda a busca, tôda a verdade, tôdo o sonho, tôda a esperança, tôda a fé, tenha sido tardia demais; logo não me resta nada mais e nem nada além de sentar no meio dessa estrada.
Sim, sentar. Parar. Fim. Corte abrupto.
Sacudir o pó das sandálias aonde não se é benvindo, e seguir para algum lugar só meu, aonde eu possa cegar esses olhos, tanger em tenaz viva de fôgo meu coração, e calar aquilo que pulsa jorrante ao peito, a mente anseia e o corpo clama. Matar o homem novo e renascer o velho. Não mais pulsar água e viño, mas apenas entender a vida como é e segui-la de maneira cada vez nenhuma. Não havendo vida, não há o que doer.
Os discos, os livros, estão todos aqui, tôdos eles me dizem aquilo que me cabe. Tudo isso ainda (por curto espaço de tempo me pertence). Que se te procura conforto, ombro amigo, ou descanso, mais fácil contar com o vazio do que com quem você está amplo e apto a entender e viver. Não se preocupar e deixar aquilo que mais dói e tange do que faz bem, e parar de pensar tudo por aquém não pensa tanto - sem escusa, sem justificativa, sem entrega e sem pensamento.
Entre a água e viño, escolho o copo que me anestesia e me deixa sair de mim, para num momento, trancado em meu apartamento, eu possa me sentir vivo, inteiro, e soltar um ris genuíno de alegria em meu peito desfigurado e em meu rôsto transfigurado, judiado da viagem até aqui.
Sigo, não por opção.
Eu, sinceramente, termino e encerro aqui.
Um afago nos Santos Cães da Rua, e meu amôr a tôdos os Irmãos Profetas da Rua que em seus abrigos, são mais sábios do que eu, e nas igrejas que fui, um pedaço de mim - meu coração, no Largo. E aos que se exilam, meu venerável e ditoso respeito cego de armas.
No mais, adeus.
quinta-feira, 21 de dezembro de 2023
Hand In Glove.
Mais um pesadelo, mais uma cama encharcada de suor, mais um dia. menos um dia. Mais um cansaço e mais um amargor para o coração já pesado.
E eram mãos que não se tocam mesmo em contato, beijos que se trespassam violentamente mais aprazerados do que afetivos, e sentidos que sentem outras coisas em vez daquilo que ousa sentir - ao canto, um corpo jazia, com sangue escorrendo do lençol. Esvanece e transfigura diante de mim aquilo que meu coração novamente se ousa derramar. Dizem os especialistas que é normal perder o coração... mas perder a alma e o anseio, do vívido estar e do viver e do falar, é totalmente perigoso e nocivo.
É sobre a demora, sobre o atraso, o caos, e jogar a bomba e sair correndo. É sobre ver o lance feito e sair andando e não pensar em um segundo em assumir a situação - demolir todas as crenças e todas as perspectivas e ainda achar que não se há problema, abrir fôgo "sem querer" e não cogitar ao menos se deve socorrer.
A omissão, é mãe de males inconvenientes gerados por uma ridicularização do ser.
Dói, transluze e passa, eles dizem. Mas eu não sei, eu não concordo. E pela enésima vez me paro distante, e vejo os cacos no chão, me preparando para pacientemente os resgatar e os pôr em ordem, mesmo que ninguém me pergunte, mesmo que ninguém me entenda, mesmo que ninguém me ponha em dedicação, mesmo que ninguém suporte, mesmo que de novo, entre os mares de gente seja apenas eu.
Outro dia vi um cara chorando na rua. Suas lágrimas pareciam lâmpeijos de cristais que desciam contra sua vontade. Havia um papel em sua mão - foto, letra, e algo mais que não pude ler. Mesmo de fone, pude ver que ele dizia algo, sua bôca denunciava algumas palavras que se misturavam com os cândidos cristais que jorravam de sua face. Hoje, ao caminho do correio, disse o fiscal do terminal que ele foi três vezes no mesmo ônibus, e apenas olhava a paisagem, como se aquilo o acalmasse de alguma forma.
Não ouvi os sinos, e vi cada pessoa estendida no chão. Olhei cada face opaca e me vi em cada um. Pensei em cada pensar e não encontrei nenhuma solução a não ser daquela que minha cabeça ecoa há anos. E no silêncio da vida, os passos começam a ser duvidosos, incertos, impacientes, e vacilantes - não que seja lá coisa boa ou ruim, mas apenas coisa comum ou qualquer, de uma verdade que tange como um ferro quente e atordoa, e você percebe que aos outros sim, e a você não; e dada qual a censura da vida, a indagação gera um buraco que toma a alma e a consterna e a fazer gemer. Torce. Cidade ambígua. Desilusão. Os solos de guitarra no ouvido apenas lhe farão sentir anestesiados por minutos. O sorriso de receptividade parece mais vazio que nunca.
As memórias, os ditos, e os sangues que marcam a parede trazem histórias de durante e agora, mas não significam nada - e isso me atordoa. Assusta-me veemente (como sempre me assustou) que de uma certa maneira nada signifique e nada tenha um porque de ser, ter e viver. Poderia até dizer que sigo bem como sempre segui e vivo como sempre vivi, mas sei que seria uma grã mentira contra mim e contra a verdade em que me encerro; pois deixei um tanto de mim em quem encontrei, e levei uma parte dos que conheci - e entre as cicatrizes, não vivo. Existo.
Então me diga como eu devo "bater de frente" diante do colpaso, ver a vida com olhos cegos e entender que tudo de repente não passa de um eterno teatro de fingimentos - ah, a bôa-vida que quer se ter de alguma forma, e outrora repousavam em olhos de uma mulher chamosa que conhece as regras muito bem. Não existe fórmula, lhe adianto, mas há caminhos; e que nesses caminhos resultam em cheganças e partidas. E isso mantém-se imutável.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2023
California.
A vida é tão bonita que parece o arquejo dos seus pés quando eles se contraem para você se espreguiçar, e a janela entreaberta faz um degradê em sua pele que marca cada pedaço de paraíso e pecado, e na alfândega, o sorriso teu é a chancela e teus cabelos negros, o pedágio. Eu estou voltando pra casa.
Minha avó sorria sem dentes, tampando gentilmente a bôca, e depois se curvando, elevando as mãos ao Céu, como se a alegria fôsse - como o é - dom de Deus. E tem muita gente por aí que sorri sem ser humilde e não eleva os dons para Deus. E eu, quando me lembro de minhas raízes, volto para onde nunca saí - para a seiva da gênese; eis-me aqui...
...eterno garôto encreiqueiro, trigueiro príncipe do degrêdo, filho ordinário de Itaquera, de sôco inglêz na mão e terço na outra, pude ser tudo o que a vida me deu e me fez caber ser - amei e odiei na mesma proporção, turbulento com a mãe e desastroso em achar o amôr; e nas ruas cheias de estranhos, me disfarçava como mais um; por mais que eu não possa mais, ainda dobro o triângulo, e desço tôda a Brigadeiro Luís Antônio tomando um latão ouvindo The Who. Eu me tomo como sou, e me aceito na medida que me faço, sendo sob-medida para mim, sem ser algo que não sou, e tampouco ser pouco para o raso. Transbordo quando devo, e irrito os que não entendem ainda. Sou eterno transgressor, como tôdo degredado é.
Aquela árvore, apesar de podada ainda está lá. E firme, e forte, sem vermes ou doença. Suas folhas ainda caem na calçada e fazem um farfalhar agradável durante o vendaval, e quando chove, estranha e misticamente a sua copa consegue nos proteger; descendo um tanto a rua tem a banca de pastel do Birebadim, a tenda de ervas do seu Sinval, e o cara que arrumava panelas - e minha avó sempre comprava a borracha de panela de pressão nele. O barbeiro que cortava meu cabelo morreu, mas seu filho tomou conta do lugar, e assim o negócio da família continua em boas mãos. Meus amigos ainda estão espalhados - talvez cada vez mais - em todos os recôncavos. E ali na rampa, Toninho não está mais. E Tio Fungo, infelizmente falecido de morte trágica não pode ver como o Sol descia vermelho do lado dos novos prédios que subiram no lado esquerdo da praça aonde eu e os meninos bebíamos vinho quando cabulávamos aula.
Os trens ainda fazem o mesmo som quando batem a curva férrea, e a cidade ainda tem o mesmo cheiro de cinza, fumaça, urina e café. Os olhos descompromissados de edifícios clássicos com igrejas barrocas se transfiguram quando passas com seu vestido e all-star. Ao te ver, o tempo se reduz para ver qual livro escolhe da estante; põe um óculos escuro, tá é Sol lá fora.
Ah, o Sol quando desce e faz sombras, é tão lindo. E a cerveja posta na mesa de madeira na calçada, o cachimbo aceso e a conversa a rodar sem fim, a miséria e a alegria com os livros postos num cantinho pra não esquecer enquanto ainda se decide o que comer... ainda tem tempo, e se não tiver tempo na rua ainda tem muitos bares, e chegando em casa ainda dá pra fazer mais alguma coisa. Tem um cara pedindo grana na esquina da minha rua, mas ele não usa pra comida - e se bobear ele come mais e melhor que eu com todas as marmitas que ele recebe, tanto que outro dia deram um pau n'ele por ele ter feito um "esquema" de vendas de marmitas doadas para quem não conseguia comer as doadas outrém. Disseram até que ele deslocou o joelho, mas eu o vi normalmente em pé e em ordem.
Nenhuma correspondência na cadeña, e nenhum recado no mural, e após três lances de escadas avanço ao meu refúgio - não há dulcinéia que me espera, mas meus livros gritam de saudade e meus instrumentos urgem por um afago, e enquanto enoitece na cidade, vagueio em cordas e letras para falar que sinto saudades daquele Céu estrelado que hoje fulgura em meu coração.
Após um banho, é acordar melhor amanhã.
domingo, 10 de dezembro de 2023
You Can Close Your Eyes.
Se tens pensamento e sensação de sono, descansa.
Põe então as tristezas, os cansaços, a raiva - tudo isso, em um cabide. Despido, dorme. Respira, e descansa, e sente cada vértebra, junta, pedaço, e músculo se meter em descanso na sua cama. Se quiser, fecha os olhos, e apenas dorme. O porre passou, e agora, cabe você em você.
Apenas sorri, e não pensa que amanhã começa tudo outra vez.
Apenas ouve o silêncio, e presta atenção na sinfônica que cabe nele.
Preste atenção no detalhe de cada respirar teu.
Por hoje já deu.
E agora, é apenas uma hora breve - porém longa - de descanso.
Amanhã a gente vê o que faz.
Amanhã a gente se vê.
Descansa.
quinta-feira, 5 de outubro de 2023
Considerações Sobre a Igreja e Seus Fiéis.
Iæ - Motivação do texto:
Consideremos, enfim, a Igreja como uma grande família. E na família, sempre há divergências entre os filhos (cousa que não é mistério), tampouco velado; mas tal qual uma família, por vezes e vezes antes e após a briga, ela se reúne e se fixa no seio materno - no caso a figura da Santa Madre Igreja. O que assusta o escriba que vos escreve esse texto é apenas a condição na qual a Igreja se encontra, como se fôssemos filhos vilanescos que apenas a procuramos, tomamos o que é necessário para a cura ou prolonga de nossos vícios, e logo a deixamos a revelia de qualquer maneira.
IIæ - Genealogia e situação atual:
Somos 24 irmãos (e seus desdobramentos) da mesma Mãe, obedientes a um Pastor. Porém vejo que no fundo, infelizmente me dói as têmporas em saber que a Igreja também foi corroída com o ego do homem - isso se esse ego não esteve incutido a todo o momento de sua história, e apenas agora está dando mais sua face a mostra; nessas horas eu entendo os católicos de IBGE e todas as militâncias que se incubem de apenas chatear o fiel "comum" que apenas quer assistir a missa, tomar a eucaristia e ficar tranquilinho. Criou-se uma falsa conduta na fé e política nos ritos (com erro, falamos tanto dos irmãos protestantes que falam tanto de política e dinheiro em seus cultos, mas não temos tanta diferença).
Logo tudo aqui que vos escrevo, funda-se apenas em minha experiência pessoal, e exprimo em débeis palavras com a chance que alcance o coração endurecido ou que ainda não entendeu a situação. Não nascemos para viver travados ou prezos em contextos, e sim para viver e sentir aquilo que abrasa nossos corações e nossas vidas, por isso, devemos urgentemente abrir a nossa boca e louvar o que nos faz e mantém vivos - sem a amarra de achar que nosso próprio parente reza ou age errado dentro do credo católico.
IIIæ - Acontecimentos recentes:
Se vejo um Frade apenas conversar com quem é o benfeitor de sua paróquia, mas sai corrido e apressado para não dar a benção na água de uma garrafa de uma senhora, vejo aí que há uma falha no caráter e na moral do carisma referido, da Igreja e do ser que quer encontrar a Deus. Se a memória de quem diz perpetuar e manter eterno os "memoriais da caridade" (sic) é tão curta a ponto de esquecer a questão simples e direta do Evangelho; então como Igreja todos os 24 ritos falharam desgraçadamente perante o pedido do Senhor. Fiéis que não ouvem o grito do que padece, padres que se acham acima de bispos, e pessoas que por imprudência acham apenas que um ou outro ponto da Igreja é errado, mas "eu penso o que a Igreja pensa" (sic), logo, se pensas como a Igreja pensa, deve-se amá-la e acatar seus feitos e seu governante - que quer queira você ou não, é o Vigário de Cristo na terra.
De fato, amar apenas as coisas que são fáceis e de nosso gosto, é mui fácil. Mas engolir o sal é o que a maioria desses neo-vecchio-catolicos não vem. Não basta defender o tradicionalismo a partir da escolástica e de Pio V, antes desses homens houve a Patrística e Leão Magno, e após eles houveram João XXIII e o Concílio Vaticano II - e assim cria-se o mundo, do começo pro fim; podemos sim ter um período da vida em que seja perfeito e querido, mas não podemos de jeito maneira achar que a vida vai ser apenas este momento - haverão dias bons e ruins, mas ainda sim haverá a vida. E a vida se completa quando em família, em união e em paz; pois por mais que briguemos um tempo todo, a família sempre dá um jeito de se tolerar e se amar; porém não se pode amar uma parte e odiar a outra.
Viver a vida destilando a discórdia, não é e nunca foi católico. Nenhum doutor da Igreja preza ou prega por essa situação; tampouco exorta a isso - e indo mais na situação - Nosso Deus prega a reconciliação, a ajuda ao que sofre, e que o mantenha ao Bom Caminho. Devemos sempre ter em conta o que se passa, e entender aquilo que é de natureza humana inserido na Morada do Senhor, pois, se colocamos nosso parecer junto ao que pertence a Deus, não mais a Deus parece, e sim vira uma doutrina ou seita nossa. E se estamos juntos a louvar e ver a Deus, que seja apenas Deus.
IVæ - Evangelizar nos dias atuais e suas consequências:
Com o advento das comunicações, temos o advento do Evangelho ainda em terrenos desconhecidos. Existem agora, bandeirantes que desbravam as fibra-opticas a falar de um Cristo Justo, Piedoso e Misericordioso; mas assim como os antigos, devemos tomar cuidado com as armadilhas que nos esperam nos caminhos, pois, nos últimos tempos tenho apenas visto que a própria Igreja atrapalha seu caminhar: enquanto a Igreja criticar a Igreja, não faz sentido da Obra de Cristo existir; o momento, mais do que nunca, é de união e de alegria entre os povos. Enquanto houver um ser que critica o Papa, ou algum fiscal de missa, um padre que se ache dono da Igreja, ou um fiel que acha que é zelador da casa de Deus, a máquina estará veemente fadada a ruína. A distinção - coisa que Jesus o Cristo sempre lutou contra em todo seu ministério terrestre - volta a tona e com violência por nossas mãos; e a ser franco, deve ser por isso que recai este inferno sobre nós, pois não fomos nem capazes de cumprir as ordens de nosso Mestre.
Væ - Igreja Católica Fashion Week:
E aí pessoa, qual é o santo da moda? Ainda estamos na coleção Josemaría Escrivá, ou as baby-looks de Padre Pio vão voltar com tudo? Será que já esgotaram os adesivos de São Bento? E o terço da misericórdia de São Miguel, será que você consegue acordar as 3 para depois levantar as 5:30 para ir trabalhar?
Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, é tudo vaidade.
Moda, apenas moda. Ainda cabe a nós aprendermos a Ave-Maria bem feita, e sabendo o que cada parte significa do que desfiarmos orações tão inócuas a nosso conhecimento, que corremos grã risco de fazer errado e sem entendimento - rezar por rezar - causando assim uma fissura na fé, e no ato de orar. Há uma diferença muito grande em ter devoção/apego em algum santo, e você seguir correntes devocionais temporãs; mais ainda: Há uma diferença totalmente exorbitante em viver o que a sua fé abrange, e o que tentam incutir na sua fé. Talvez seja esse o maior desafio do católico na atualidade: viver a sua fé sem que os outros coloquem devoções internas - eu, por exemplo, sou devoto e ávido pelo Ofício da Imaculada Conceição, mas nem por isso digo a todos os católicos que conheço que deve-se fazer isso, ou se recomenda. A fé, por fim, é pessoal e intransferível, e apenas o Senhor Nosso Deus é capaz de sondar o coração de um justo neste aspecto.
VIæ - Obras Geraes:
Quão aos tradicionalistas, aonde estão suas obras de caridade? Quão aos modernos, aonde estão suas formações? Ambos, parados em seu próprio tempo e espaço, ecoam num vácuo teológico, de onde não surge uma resposta sequer de alegria ou de vida. Padecem em seu próprio erro sem chance de volta. É preciso por muitas vezes transitar na casa toda para ter ciência do tamanho do espaço em que te encerra. Aprender a ouvir, e aprender a falar - e a verdade geral, nem sempre é a verdade de Deus, e nem sempre a verdade de Deus é aceita aonde habita a verdade geral.
Vejo homens que tentam a todo modo se disfarçar e se habituar em maneiras e atitudes, mas nada do que eles fazem faz algum sentido ou razão. Logo, tudo o que vejo ou sinto em relação a isso ou ao mundo não passa de uma breve falácia. Se você transmuta as coisas ao seu prazer para comodidade, não há sacrifício, e logo, não te exerce força. portanto, és inapto para seguir uma religião fundada em renúncia. Saber ouvir para conhecer, saber falar para ser ouvido, e pensar para não se enganar.
VIIæ - Questão de Ordem:
Tudo, no fundo, que escrevo, é apenas por uma questão de ordem (no caso, religiosamente). São apenas arestas que precisam aparar para dar forma ao novo, ao definitivo. Não sou guardião de nenhuma verdade e tampouco militante de alguma tribuna, mas, sou um observador detalhista de meu tempo, e com o meu tempo, vejo as coisas como são, e espero que elas definitivamente estejam em par de melhoria.
VIIIæ - A dita santidade:
Ser santo é por o lixo pra fora antes que sua mãe peça. Saber cozinhar um arroz gostoso. Ouvir inúmeras coisas e não levar para o coração e não deixar que tomem por completo seu pensar após ponderar. Ser santo é entender a mística da Igreja como se deve: simples, e altamente complexo. Ler e buscar na fonte o que se diz e o que se sabe. Não ter tempo para ouvir coisas que possam difamar ou sujar você, e seguir o caminho da paz como sugere São Pedro (I Pe III; XI-XII). A santidade reside em encontrar Deus, e não soltar dele, e a cada tropeço, ter a certeza infidável que dado o arrependimento e o medo, está lá o Justo Juíz soberano, sentado ao seu lado, lhe ajudando a seguir - admirável mestre, que mesmo pedindo para tomar minha cruz e seguir, muitas vezes me ajuda a seguir com a minha cruz, carregando-a comigo. É deste Amor que amo, e desta doçura que destilo.
IXæ - Harmonia:
Ao entender que a harmonia é necessária para a construção da vida, unidade humana e base da fé, compreendemos o que nos é dito e refletido inúmeras vezes: a vida não é apenas o que vemos ou o que nos circundeia, pois Deus criou um universo de situações aonde tudo pode viver com harmonia, e aonde faltar entendimento ou reinar a ignorância, que haja diálogo e perdão para resolver tais coisas.
Não nos adianta, de jeito-maneira, achar que apenas o olho de nosso cabresto é o certo. E tampouco buscar uma verdade que por n vezes se torna inacessível se nos tornamos obcecados apenas por resolver x ou y. Devemos antes de encontrar a verdade, nos encontrarmos, e ao achar, cuidarmos. E ao nos cuidarmos, assim com o próximo, e apenas assim, a verdade pousará em nós como uma borboleta que nos circundeia quando menos percebemos. Achar o equilíbrio da vida é o ponto mais inflexível e difícil de um ser, mas quando aberto a alma para a compreensão da vida, logo percebemos que a Verdade nos habita, e logo assim, a sua verdade se torna fácil como água.
Xæ - Conclusão:
Termino, pois, ao escrever tão pesado texto, em tentar soltar meu eco ao universo das coisas que vejo e sinto, e peço e oro pela unidade de uma igreja que parece cada vez mais se constranger em brigas e falácias em vez de se unir e ficar em paz consigo mesma.
E o que escrevi até aqui em paz, está completo.
São Paulo, solenidade de São Benedito de Palermo de MMXXIII.
Queiroz: Marcus. OFS(A)
sexta-feira, 29 de setembro de 2023
Phone Call
Sinceramente, gostaria de não exisitr.
Tampouco, de pisar meus pés na casa do Senhor.
E mais além: de ter conhecido as pessoas e vivido a vida - sinto, em mim, a vida pesar como um jugo que cada vez mais oprime e chagueia tudo aquilo que tenho. Como diz Paul Rodgers em Heavy Load: "estou trilhando um longo caminho do qual não aguento mais".
Queria ir ver o mar da Villa da Conceição de Itanhaém. Sentar num quiosque com a Mari, falar merda e ouvir pela enésima vez como ela sentia medo da introdução de "Judas" do Raul Seixas. Queria ver de novo o Sol nascer no alto da torre do Seminário de Guaratinguetá. Mais ainda: Queria me sentir vivo quando como bebi homericamente no Coloniafest, ou quando durante uma tempestade de trovões, desci até a água do mar com meu pai, e entre os trovões e o mar ressacado estávamos nós bebendo rum oro para se esquentar e cantando Pink Floyd no talo. Gostaria irremediavelmente daquele frio na barriga do primeiro dia de trabalho em Barueri, enquanto o meu leal The Who ecoava nos tímpanos, e da primeira vez que entrei no Largo e senti (e veramente senti) Deus falar comigo. Falaria mais e mais com Adriano, e ouviria mais vaporwave com ele. Daria os meus santos dons para ver Dona Antônia mais uma vez, ou rezando seu impecável "Ofício da Imaculada Conceição", rezado com o têmpo nas mãos, ou passando roupa cantando a Consagração a Nossa Senhora.
Não voltar ao tempo por questão de saudosismo, mas pelos momentos-chave que me deram - e dão - a alegria de ser quem sou e estar onde estou. De finalmente, após tantas batalhas, doenças, peste, erro e morte finalmente me sentir ainda vivo; de utilidade perene, sem ser o quem paga a conta, ou quem deve um sexo, tampouco quem tem que ser o espiritualmente forte, ou quem tem que ter uma piada vergonhosa na manga da bata. Ser apenas o Marcus.
Não tenho sonhos, e nem pretensões - e nunca pretendi as ter. Deixo que Deus me leve como Ele quer, e que faça em mim o plano d'Ele, mas sei que mesmo que não tenha mais com o quê e para quê brilhar, de alguma forma muito teimosa, continuo - não por mim, mas pelos pouquíssimos meus que ainda dizem ousada e debochadamente que sou boa pessoa e que tenho boa índole. E como pode lá eu ter boa índole? Conforme noticiado algumas vezes neste bRog, as pessoas de Itaqvera não tem nada disso, e por isso eu as amo: de felicidade e tenacidade ferrenhas, e delas eu também sou um. Apenas, por um leve momento, gostaria eu de descansar; longe de todos os problemas, dores, aflicções, medos, raivas, cansaços, inteligências, seduções e dizeres. Queria talvez pela inédita e ridícula vez aquele amigo que me liga desesperado para saber se preciso de algo como eu inúmeras vezes cansei de fazer com todos os meus amados (antigos e novos); pois no Getsemâni em que me encontro, não me há anjo consolador, só solucionador que no fim não sabe solucionar porra nenhuma porque ainda não entendeu qual forma de vida e sôb qual pena carrego em meus ombros.
Transcrevo essas linhas entre lágrimas, pois esse sou eu: Eis, ó malditos! Não me escondo, e minha lira rasga suas carnes e minha forma turva vossas mentes! Se vivo pela regra de Francisco, é porque assim denuncio e escandalizo cada um de vocês; e rio feito criança de vocês, Grãs Doutos, que dizem tanto e sabem tanto, mas no fim são mais vazios do que o coração do insensato. Se vocês não se metem a viver a vida como se deve, viverão eternamente na condição de erro, e eu, por mais que alerte por via de exemplo ou deboche, não consigo ir mais além que isso - não me dóe vossas palavras contra mim, mas o que mais machuca, enfim, é vocês sempre acharem que estão certos.
E a minha sorte, é que pus meu coração no thesouro certo. E de alguma forma ele ainda me vale mais que tudo.
segunda-feira, 18 de setembro de 2023
De Uma Lontra Para Um Cigano.
"Quem sabe, sabe; quem não sabe sobra" (VALENÇA; Alceu, 1976)
Ao ditoso amigo cigano que a tudo vê e sente, mas como a rocha, inerente como uma justiça perene se mantém cego como a musa de libra em mãos:
Eu fumo e tusso fumaça de gasolina, e cá aqui no centro mantenho-me vivo a cada respiro de fumaça cinza, e a cada transeunte de passo apressado, vejo meu patrício - primo direto oriundo de (São) João Ramalho e (Santa) Bartira. A São Pavlo da Piratininga, de amôr e ódio, é a mãe que nos obriga a cômer dos vegetaes tão intragáveis, mas que no calar da noite nos beija a fronte e nos cobre com seu mantel - e o mundo só presta assim, é um bom e um ruim - na hora derradeira. Se tratamos bem nossa terra, sustentamos pois o fôgo, qu'essa victoria é nossa!
De tua casa, fiz a minha; de teus conselhos, fiz meus caminhos; De tua sapiência, fiz a minha; De tua irmandade, fiz meu irmão mais velho; De sua forma campesina, encontrei meus parentes distantes; De seus rebentos, fiz meus sobrinhos; De nossos segredos, selei nossa parceria diante do Imóvel e Onipresente sacrário de Padre Deus - a vida.
Se amizade vale um tesouro, sei bem aonde pus meu coração; e vejo que o encontro no local certo.
Quando me ostento na luta a qual derradeiramente amo, então sei de mim, e sei dos meus; Pois, quando me chamas a caminhar contigo o passo mantido e lutar a luta que amas ao seu lado, sei que não passo além de mim, pois lá tu que conhece a limitação e o entrave tal qual um pai ajuda, ensina e admoesta - de rispidez mas com o amôr embutido como fôlhas recém-cortadas de presunto num papel térmico.
Há uma estrêla a nascer meu mano, que sobe e fulgura o Céo de maneira ilimitada e que rege os acontecimentos de agora e futuros: Tal como o Cruzeiro do Sul que guia os tanoeiros e as naus ao seu lugar-temente, que sua estrêla brilhe ferozmente, como na fronte de Domingos de Gusmão, para que em sua mente estejam espelhados os translúcidos brilhos cristais d'aquém te faz viver mais prudentemente. E se pega em armas pela questão de ordem, abençoo-vos, mas se pegas e ostenta a horda do insustentável sentimento de ser e estar com o ferro quente que seguras pelo ego estar afã a vós, rezo em contrito; pois de tua natureza não sinto ou vejo maldade, e se assim o faz, foi por quem te fez ver a vida assim que ojerizo, pois: "o homem nasce bôm, mas o metal o corrompe". E sabes que não quero lhe magoar, pois tenho-te em alta conta e entre os santos de minha igreja, assim como chamo outros dois de nós. Mas é vergonhoso - não só a ti, mas a minha lontrice também - ver o quanto precisamos dar tombos e rasteiras até chegarmos na melhoria e na perfeita alegria. Estamos bem. Mas ainda temos tanto muito e tanto mais.
E pelo seu esforço desse item, e de tôdas as composições de teu ser; é tu aquele que entende a vida melhor que eu, e recupera em mim o brilho perdido de após cansado de pelejar, encontro novamente a minha rosa-dos-ventos, e acho nôvo rumo, nova vida, novo momento. Que Deus, o Bôm Santo Antônio e a Dôce Virgem Mãe das Candeias o abençoe - ontem, hoje e sempre. A benção se estende aos seus.
Aikão lhe manda amplexos e abraços.
Do seu irmão mais nôvo;
A Lontra Franciscana.
"And in the end; everything's alright." (ROOT; Ginger, 2023)
quarta-feira, 16 de agosto de 2023
Wild Blue.
Enquanto escrevo, eternizo
Enquanto escrevo, deixa de existir.
E enquanto deixo as letras gravadas, atesto.
Talvez você ainda venha ler e reler para achar um senso, mas não o dou, não o entrego, tampouco vou te dar o oculto de mão beijada. Não, te avanças se abaixar, e se ao renegar a prata você olhar o Céu. O verdadeiro Brilho é Aquele que cobre nossas cabeças. Eu deixo gravado aqui o brilho de seus olhos, o brilho das luminosas de teu cabelo e do branco de seus dentes.
E mais ainda: Deixo também atestado que não quero dizer nada, apenas que quero sair, viajar, dar um rolê, ver o Sol, passar um final de semana no campo, e depois descer a serrania e ver meus pés cansados descansarem na areia comendo um camarão na praia ouvindo Evinha - êste guerreiro (se é que assim chama os que pelejam de côrpo a côrpo com a vida) - precisa de repouso urgente, de uma benção, e respirar um pouco sem os quilos da vida lhe darem os tinos de vivaz na alma. Digo urgentemente que procuro quem vá comigo pra Aparecida, ou quem leia livros como eu, quem toque sons, ouça sons, faça sons e sinta o som; espero ansiosamente, ó Juíz, pela(s) pessoa(s) que sentem também a terra girar e que saibam que a vida em si não é grande cousa ou negócio, e que no desprêzo de si encontre o mais belo thesouro, pois ali também estará o coração.
Vejo o lado, abro a mão, mas a bôca (o porto), não.
Trago a fumaça, mas respiro. E sinto que o tabaco não me roubou o folêgo de tantos anos de respiração profunda antes de sentir, de enfrentar ou até mesmo de ir lá ver eu. Sinto em mim tôdos os sentidos do mundo, e atrelado a isso, nada de nôvo tenho a acrescentar ou dizer - apenas que a vida, essa sim, quando vivida aos poucos, mansamente, cadenciadamente, e com humildade e bondade pode fazer o mundo ser melhor, apesar de tudo...
Mas, afinal, de que falo? Sou apenas uma lontra (outrora piraña) franciscana. Guardei em meu bolso, perto de meu terço e isqueiro um tanto de alegrias emergenciais; cousas tão minhas que se compartilhadas as alegrias minhas, quem não sente a terra girar não entenderia. Aqui, baby, é made in degrêdo, filho de Eva, e que a Itaquera nunca saia de mim, porque eu nunca me apartarei de quem me ligou a entender as pessoas, amá-las com suas imperfeicções e cuidar de tudo para que tenha seu fluxo de vida ininterrupto. Sou o garôto (agora homem) de barba expessa, olhos verdes e esmeraldinos, que reservo meu silêncio para a grã maioria, mas me revelo aos meus, pois dos que me deste, dêstes eu não perdi nenhum. Sou o do Largo, dos sinos, dos sons ensurdecedores, da Antarctica gelada, do cachimbo, e dos dias sem-fim. Sou amigo de São Brayan, São Albertino, São Robson e sobrinho do amável Tio Fungo, que hoje repousa entre os justos. Neto da Dôce Dona Antônia. E pela junção de tudo isso (e mais um tanto), sou hoje a junção de tudo num tôdo. Assim como você é.
A benção, Véa. Tamos aí, e vamos adiante!
domingo, 23 de julho de 2023
Carta A Oshiro-Romani
1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba, para Brayan e Camila. Que Deus os encontre em boa forma, bom estado, e bom coração.
2 - Das alegrias;
Alegremos e demos festas - dentro e fora de nossos corações - por tão salutar alegria. Mas, além da alegria que reina, devemos saber das alegrias que sondam nosso espaço, pois dentro do espaço de um navio, temos lá nossa alegria, a alegria que se compartilha, e a alegria geral, que em bando ou grupo, prenuncia tempos de paz.
2.1 - das terrenas;
Devemos acatar todo sim com regozijo, mas lembrando que todas alegrias são temporárias bem como as tristezas. Logo, enquanto houver-se alegria, deve se esticar o sorriso mais belo no rosto, e quando a tristeza avier, devemos por nosso sorriso mais forte, para honrar a alegria que veio, e para afugentar a tristeza - filha do feo, que não se contenta em vermos em paz.
2.2 - das esprituaes;
E nas alegrias geradas através de rezas, e pedidos sinceros ao coração, devemo-nos alegrar a alma de maneira tão bela que não só agrade a Dôce Mãe das Candeias, mas sim a Deus Pai, o Criador, pois tôda alegria, tôda honra, e tudo de mais belo e perfeito pertence só a Ele, com Ele, e por Ele.
3 - Preparação para a morte;
Devo-lhes alertar também acerca do fim - inevitável e belo encontro aonde veremos face em face Aquele que nos mantém. Não é apenas caridade, nem apenas obra, nem apenas boa atitude, nem apenas boa criação, tampouco bons valores. Nós, de gênero humano, longe da matemática celeste, esquecemo-nos das vias de caridade, das bondades quotidianas e damo-nos por perdidos, por mais que nosso coração pertença a Deus. Ser pae e mãe, é elevar seu(s) rebento(s) ao máximo possível para que eles tenham o coração bom de seus pais, e extirpem os erros para que sejam melhores - cousa que não incluem da violência, do erro, do ódio ou da palavra de inclinação ao erro. Digo, pois, para lhes verem um dia, novamente, unidos na festa do lugar tomando uma pinguinha em algum boteco no Céo!
4 - Da Família;
Da família, pilar da unidade entre o ser e o Criador, criam-se universos de realidade infindáveis, e exponho-vos sobre, não porque sou melhor ou maior, mas para apenas lembrar-vos de cousas pequenas, porém estritamente importantes.
4.1 - Unidade;
Família é união, e não há como fugir disso; se a família se desintrega, são apenas indivíduos que habitam abaixo do mesmo teto, logo, irmãos devem se amar e se proteger, pai e mãe devem se respeitar e se proteger, um com/pelo outro, no cansaço de um, que o outro divida o fardo, e na alegria de um, que o outro saiba se alegrar, pois sendo espelhos vivos de exemplo no caminho terrestre, logo, se uma palavra amarga toma conta do lugar, ou uma repreensão se torna algo excedente, temos aí a abertura do agravante, o índice do erro.
4.2 - Indivíduo;
E que cada indivíduo, tenha também seu tempo, seu espaço e seu domínio: falar, pensar, agir, rezar, amar, se recolher e poder criar seu pensar e seu agir - e percebam que na individualidade daquilo que conclamo, nenhum dos itens vae contra o que lhes digo enquão união. Logo, toda a família precisa de um tempo individual para ter seu respiro; não para ser quem é, pois isso deve-se de ser sempre, mas sim para também ter suas amizades, seus passatempos, e sua mentalidade individual para gerir o pro-bonum para sua família.
4.3 - Da benção em ser mãe;
Ah, a mãe! Olhemos para a Maria, Excelsa. Quão bela é! E tu, ditosa Camila, bendita é tu entre as mulheres, pois teu coração agora desdobra num novo coração, e numa nova forma de sentir, viver, amar, e cuidar. E essa, é a parte do seu corpo que mais vae doer, mas também é a parte que mais irá lhe alegrar, portanto sempre abençoe seu(s) rebento(s) o quão puder, até se exaustar, pois a benção de uma mãe é a maior reza que alguém pode se ter na vida.
4.4 - Da maldição em ser pai;
Major, lembremo-nos de Nóe e Jacob. As palavras do Patriarca da casa, são de extremo perigo. Cabe-te a missão mais bela e extenuante de ser o sentinela, também tem o peso da maldição. Se Camila tem o lado bom, você fica com a faca; Logo, entende-se que se pelo seu crivo houver alguma injustiça, quando afligir sobre seu(s) rebento(s), lembre-se do poder que tens em dizer algo.
5 - Da vida de casal;
Se uma família se constitui em mãe, pai e filhos, logo há um casal. Há de ter sempre a importâncea em não esquecer isso. O casal torna-se mãe e pae, mas ainda sim é um casal. Se vocês amadurecerem, amadureçam o relacionamento de vossas mercês, e se a vida estagnar, reinventem para evoluir e fazer melhor e direito. Os filhos, são a consequência da união, logo, nunca se esqueçam de que vocês não passam de um casal que vingou, deu certo, deu frutos, e gerou pessoas boas para este mundo.
6 - Da igreja;
Alegro-me em ver vocês se aprumando no lado católico da força, e isso de fato é algo mui interessante. Não digo isso de forma pejorativa ou gabosa, mas sei que isso me faz sentir que há uma busca em vocês para a eterna melhoria, tanto de dentro, como que de fora, logo, exponho dois temas:
6.1 - Valores;
Nossos valores - aquilo do qual nunca abriremos mão - tem que estar pareados ou nivelados na nossa crença. Se não seguimos nossa crença, ou seguimos mas com exceções e pequenas permutas, isso não nos torna dignos em nada. A vida, em si, é tão básica, simples e humilde que nos assusta, logo, admoesto a vocês que entendam que os valores da igreja eterna são simples, e se estes valores forem de prudência e evolução para vocês, creio que estão no local certo.
6.2 - Tradição versus Conservadorismo;
São Brayan, quantas vezes você me ouviu falar que a "Igreja de Cristo é imutável?" (sic). Pois então, torno a repetir. Na nossa igreja temos inúmeras ordens, congregações, e mais de trinta tipos de liturgia. Não cabe a nós nunca misturarmos a Imutável Igreja de Cristo com o século (nosso tempo), e tampouco acharmos que a Igreja deve ser pendida a um lado ou convicção. A igreja é tradicional, mas não conservadora. Jesus é o Cristo, e não revolucionário. Na beleza dos cantos tridentinos, vemos sim Deus agir, mas foi pela CEB que vi muitos amigos meus de carestia que não tinham o que comer, serem nutridos e serem hoje boas pessoas. A nossa igreja é como uma grande família, com inúmeras personas, cada qual com seu jeito, maneira, e forma. Devemos apenas ter a harmonia de viver em paz, sem dizer quem é certo ou errado, pois, se cremos no mesmo Cristo e elevamos a mesma hóstia santa, logo todos nós temos o mesmo Credo.
7 - Das raízes;
Imploro a vós: Nunca percam suas raízes. Quem perde suas raízes é condenado ao suplício, ao erro, a peste, a maldição e a morte. Da humildade, da felicidade com pouco, das alegrias sacras que residem no simples, da paz, e da felicidade: Sempre se lembrar do bom passado, e transmutá-lo ao advento e tempo de Cecília, a benvinda e bem-aventurada entre nós. Quem esquece suas raízes, esquece de si mesmo, e esquece de onde veio, para onde vai, e o que quer fazer.
8 - Benção e Despedida;
Acerca de mim, não me aquietaria em escrever no meu alfarrábio de memórias sobre grandes pessoas que se tornaram grande família e que eu pudesse dar algo tão meu (palavras foscas) para um memento desse porte. Abençoo-vos com minha humilde e fraca reza, e peço que Deus os abençoe e os ponha entre os Santos, Únicos, Justos, Primeiros, Patriarcas, Profetas, Virgens e Mártires.
sexta-feira, 30 de junho de 2023
Just A Song Before I Go.
Antes que eu vá, digo que eu esperei por você.
Esperei pelos seus abraços de sêm-fim, e seus beijos amenos - ora na minha testa, ora na minha bochecha, mas quase sempre na bôca. Esperei idem pelos seus carinhos macios nas minhas costas, como por quantas vezes escrevi deles, assim como agora escrevo me despedindo de vós. Esperei pelo seu sorriso de chegada e por sua têz entristecida de partida, das faxinas, limpezas, arrumações, cariños e filmes regados a viños e pipoca com ajinomoto - das pizzas, churrascadas, e cuidança. Nas festas de amigos, ficaríamos orbitando no universo deles a beber, a rir, a cantar, a se abraçar e fazendo piadas, pois teríamos o tino do humor nêgro, da baixaria, mas ainda sim arriscaríamos tudo em uma tentativa de arrancar o riso um do outro...
Dos dias frios, cobertas no sofá, de você fazer um cachimbo para mim - afinal, conheceria a medida do tabaco e como gosto -, tanto como de que quando me mantenho só, olhando para o universo para encontrar ou a mim, ou a Deus, que você se atentando ao meu lado não dissesse nada. E apenas colocando sua mão em volta de meu braço, ou me abraçando, tampouco na mais ríducula das hipóteses, como naquele Céu estrelado que uma vêz vi na Serra de Santa Helena, e seria lá tu que deitaria um mantel sobre mim. De passar no mercado e perguntar o que você quer, o que você precisa, o que falta, o que quer comer. Dos dias de calôr, teria a praia, o clube, o veraneio, te ver dourar a pele, beber uma cerveja contigo, e sentir que o Sol nos aquece, e ao deitar contigo, seu calôr não me incomodar, e sentir alegria em queimar-me em ti.
Do seu carinho em minha cabeça, dos olhares, das piadas infames de casal, de ter a minha parceira a bandeirar pela cidade comigo, de não me preocupar se me fedo a fumo ou suor, porque estaria lá seu abraço como pôrto-seguro de tôdas as agruras que fêz esse mundo em mim. Seria lá, teu olhar e ter teu coração cousa mais bela e própria do que ter e obter Deus em si. Seria, por mais franca verdade retilínea um trabalho de vida. Ter-te num arrebato de abraço, para enfim descansar de forma concreta, precisa, e assim poder dormir finalmente em teu colo, ou em teu busto, ouvindo teu pulsante coração descansando perto do meu.
Seria, afinal, o que dizem êles em ser feliz.
E as noites sem final de violões, bandolins, e cantorias, para mais uma vez ouvir seu canto de rouxinol clarear a noite toda...
Esperei cuidar de você. De te dar cafunés, contar as coisas que sei, falar de dias de batalhas e glórias passadas; e de planos futuros que ninguém nunca há de saber, e de quando ir trabalhar, sentir sua mão tão macia me segurar pedindo um beijo de despedida, e que seus olhos acastanhados, translúcidos com um brilho tão incógnito fôssem então para mim motivo para que eu pudesse continuar adiantar, e lhe trouxesse a alegria e o cansaço de um labor, enquanto abriríamos uma garrafa e descansaríamos de toda a vida que morreria fora de nossa casa. Te encontrar no metrô seria como ir numa fila ao tomar a eucaristhia, de importância, reverência, temência, amôr e respêito. Te celebraria como o gôl de desempate, e do primeiro gole de Antarctica gelada. Seria lá tu a fôrça de minha fraqueza, e eu seria o teu baluarte para que passasses incólume.
A verdade é: cuidaria de você melhor do que eu algum dia pensei cuidar de mim.
O lado de dentro da calçada, o braço na cintura, o beijo inesperado, o vento que invade sua saia, as ondas violentas, o emboque do mar, as alegrias vindouras, a alegria de sermos mais de dois... esperei ansiosamente por isso, e Deus sabe como.
Te encontrar, em qualquer lugar, em qualquer circunstâncea, de qualquer maneira, seria pra mim a cousa mais bela que existe. E só de sorrir para mim, saberia afinal o que seria isso que êles chamam de "ser amado". E eu saberia - de alguma maneira muito inóqua, muito estranha, muito bizarra, muito bela, muito chamativa, muito desesperada, muito involuntária, muito emocional, muito devota, muito minha, saberia que você também me amaria.
...e antes que eu vá agora, apenas saiba que te amei. E eles não vão te amar como eu amo você. Eu te amei pelo conjunto da obra e solidificação, eles te amam pelo que tens. E isso me difere em grã situação deles.
E isso me diferencia de uma maneira que você nunca vai saber, porque talvez você nem saiba de mim. Sou só um escriba.
terça-feira, 20 de junho de 2023
Bola de Cristal.
eu só queria dizer que ando cansado.
Sei lá eu de quê - mais sei que extenuei e estrangulei aquilo que chama-se limite.
Minahs lágrimas secaram, Dulcinéia não se encontra para afagar minha barba e dar-me um beijo, tampouco Sancho enfrentaria comigo o Aragonésco moinho, pois ele saiu para almoçar faz três anos longos...
Na verdade me perdoe a metáfora embutida, mas, queria era um porto seguro - difícil termo e condição para os dias de hoje e para a vida que se vive de caxangá e pôrto pôsto contra o Sol.
...mas o que é mais me anseia a alma. Minhas carnes vibram por esse dia.
O sôm, que ensurdece, desatina, corta e tange, fere, toca e mata. Tal qual esse momento. O translúcido quasar que ressona a dissonante nota que atenua e atenta o que aquele guitarrista fez no Royal Albert Hall aos 5'56'' do Concerto de Despedida em 1968. Dantesco, preciso e lírico.
Queria era alguém que comemorasse minha fraca existência como se fôsse motivo de dulia, ou de algo estimado. Como o velho canino que se abana e se expõe em barriga faceira para ser acariciado.
Queria sair por aí, nada de acampar ou dias de praia com areias inconvenientes no corpo. Apenas uma mesa e garrafas, fumaças de tabaco e músicas para cercear quando houver descuido no silêncio.
Queria buscar sentimentos antigos, desde os natimortos em mim até os que foram assassinados por mãos de esmaltes que não enxergo as côres.
Além disso: sinto que nas sôfregas mãos em que peno em dizer algo ao escrever, marco apenas a sentença do eterno escriba: ao testemunhar o fato, torno o lírico - sem ter a necessidade. Apenas por um fator ididota de transpôr em letras, do que meu coração chora.
Também tenho dias tristes, noites negras, e um vivante da solidão que há muito e há tanto é minha companheira. Há dias que penso que não tenho afago, e há dias penso que há alguém que aceite minhas loucuras.
Há dias que sou um rei assunto. Há eternidades que sou o fim-de-fêira.
Não me importo, me sinto bem assim.
Se me apego em Deus? Como não?
E haveria mais alguém que me ama com tôdas as minhas (inúmeras) imperfeições e me aceita? (e que óbviamente não seja de gênero de carne, pois)
Paciente, em algum lugar do universo, Êle existe. E eu aguardo a hora de Vê-Lo, para sentir um vero amôr que me consuma as entranhas. Há dias que são cinzas, e outros tantos dias Cinzas.
E no fundo, eu não quer dizer nada com tudo isso.
Eu só quero vomitar um peixe pôdre de tão antigo desta garganta minha.
E não. Você mais uma vez não entendeu.
sexta-feira, 16 de junho de 2023
Woohoo.
Bateu cinco graus no centro. Eu vi, eu estava lá.
E foram cinco graus bem pesados, bem medidos e bem acirrados. E a precisão da sensação térmica deu os mesmos cinco graus. Era frio, mas o viño que me desceu aos nervos me aqueceu mediante a falta de teus afagos e teu dínamo vivo que chamas de corpo.
Avisa a tomboy que hoje não tem café. Só chá.
Sou suspeito para falar, né? Gosto do frio e seus nuances - sinto-me verdadeiramente vivo, ou útil de alguma forma quando essas correntes de ar me circundeiam; sinto ecos do passado e de alguma forma mui estranha também sinto os meus antepassados em presença dijunto a mim. Sinto mais prazer nas bebidas quentes, e posso simplesmente andar nas ruas sentindo o mundo a minha maneira; não que isso seja algo especial, mas sinto que nesta forma eu absorvo mais do meu infinito, e com isso me sinto mais disposto a entender, refletir, agir e cuidar.
Hoje de manhã se deu em 10 graus. E foi ótimo.
Apesar das roupas não secarem decentemente, ainda sim é um bom tempo. É quando as pessoas se recolhem. É quando tem São João. É quando a vida se torna mais íntima e menos de exposições públicas, sem vermos todo o mundo vibrando em unissono na rua, havendo mil ecossistemas a cada esquina, se degladiando por um lugar ao Sol. É quando tudo estranhamente se permanece absorto, meticulosamente quieto. Estático. Dentro de sua concha.
Vi uma criancinha no Terminal Pq. Dom Pedro dizer pra mãe: olha, sai fumacinha da bôca! enquanto a mulher em seu exercício materno olhava cariñosamente e ao mesmo tempo procurava o ônibus para entrar, e por um momento lembrei de minha mãe quando me levava ao Cândido Fontoura ou ao Darcy Vargas. Lembrei de muitas mães que como sublimes leoas se dividiram em formas irrecuperáveis para ser (em sua conduta e forma) o firmamento para seus filhos e filhas. Lembrei de Dona Antônia (entre os justos), e timidamente soltei fumacinha pela bôca mesmo sem têr um cachimbo de usufruto para disfarçar. E esse era eu. Aos 31 anos de idade, atingido invariavelmente por uma criança, ressuscitei uma parte morta dêntro de mim em um terminal de ônibus que também foi palco de minha infância. E ao entrar no ônibus, apenas ri.
Após goles de café, relatórios e testes, cá estou eu. Aqui na Mooca faz os mesmos 10 graus (em sensação), e de fronte para o meu quintal - amada Piratininga - sorrio, e lembro de um bôm têmpo. Faço mais um café, e com a corrente de vênto na janela, vejo a cidade fria se transfigurar para um formigueiro silêncioso.
...na verdade, agora fazem 13 graus.
Que dia delicioso.
terça-feira, 13 de junho de 2023
Tu Loucura.
Faça como quiser.
No fim das contas nem eu e nem você se importa. Estamos em lados iguais mirando posições diferentes. Que lá eu haveria de dizer? Como sempre, digo e repito o compasso da vida que embuto em mim - e enquanto engomo a calça, sorrio um pouco; sei que me acabo aqui, não sendo pontivirgula, e sim ponto final. Caetano uma vez disse que a vida começa no ponto final... no fundo não importa muito o que venha a dizer. Sinais de alerta são difíceis aos corações corroídos e cabeças duras.
E, faça como quiser.
Abro meus olhos e fito da janela a neblina no meu quintal, e penso em tudo de que me ocorreu: sonho translúcido, de horas e hordas, de musas e contextos, e em tudo isso, me encontrei. Ainda sou o mesmo, e sendo de pérola imutável, orgulho-me do que cabe no meu ser, e em ser. Não me vendi e tampouco me corrompi para ser aceito, e quando fiquei só, me coube ser o que sempre fui; e com a adoção de novas palavras, transpus o mesmo sentimento; Com os novos sons, inclinei as melodias; E com os braços abertos, deixei o abraço vago.
No fim, faça como quiser.
Acendi um incenso, e terminei de ler. Acabou mais um vinho - e não me arrependi. Que lá tem se na minha tosse sai escaras de sangue? Que lá tem se é essa a vida a ser vivida? Que seja com gosto, se não, com glória. Olho os olhos do mundo, do universo, e transitando em todos os caminhos, vendo todos os passos, sentindo todos os sentimentos, me sinto mais leal as minhas escolhas. E se não durmo, se preocupe não, irei rezar por você e nos nomes escritos no oculto de meu coração. Lembro dos dias do frio, aonde tremia, e agradeço por tudo o que chegou até aqui - se é errado fazer festa por cada conquista, mesmo que besta, mesmo que vã, mesmo que ridícula, eis os oitocentos e caralhos anos de uma irmandade franciscana que fundada pelo Paráclito foi fundada a ruína, pois, a alegria do pobre é cada glória pequena que deve ser comemorada como algo impossível (tanto porque naquele momento, o era)
Enfim, faça como quiser.
Você ainda teima em procurar respostas da janela, e não espera elas virem até você. Na sua pressa tão certeira você procura coisas que não tem a hora de maturação ainda. Que bandeira... esquece o que aprendeu, e só uma vez sente verdadeiramente o que seu coração quer, sem medo, sem hesitação, sem forra, sem guerra. Deixa o quasar pulsar de forma violenta e instigante até você ver que a vida ainda tem gosto de ser, ter, e viver.
Afinal, faça como quiser.
Eu sou só uma sombra.
domingo, 11 de junho de 2023
Ao Homem Môrto.
E tu, homem môrto;
Nada leva além dessa terra
a não ser o ódio de quem te ama,
e o perdão de quem não te conhece.
Teus livros na parede não serão lidos - talvez doados,
sua amada amará outro amor,
teus filhos te oraram em despêito,
afinal, és homem môrto, de terra contra carne bruta.
Abre tua alma,
e esquece as vezes que você desafinou,
e estranhamente lírico, és tu;
Sobrepujado entre os altos Céus,
uma voz para cantar.
E tu, homem môrto;
Tudo aprendeu nessa terra,
incluindo as festas e as arguras,
e o abraço que acalmava sua animosidade.
Seu carro será trocado,
suas roupas irão para a caridade,
teu dinheiro tão bem guardado será gasto braviamente,
afinal, és homem môrto, sem carteira ou pensão.
Mostra sua petição,
emane o que de bom você já presenciou,
ricamente humano, foi você;
Estando longe da condição humana,
consegue agora desatinar.
E tu, homem môrto;
Não precisa despertar pra trabalhar,
agora não importa o que deve ou ganha,
só te resta até o fim do juízo descansar.
domingo, 28 de maio de 2023
Mandolin Wind.
Chove lá fora.
Acende cachimbo.
Enche a caneca.
Solenidade de Pentecostes.
Apesar da chuva, ainda há a massa humana que se dedica a ver os shows que estão acontecendo pelo Centro afora, e isso acho de fato mui interessante. Ainda há gente, há movimentos, e só ficam nos apartamentos, apuleirados como pássaros, os que tomam chá e vêem a chuva cair, os que olham o universo, e principalmente os que entendem a vida em sua infinitude.
E afinal, o que é a vida?
Deixa pra lá, hoje é domingo, deixa a existência pra depois...
Põe um disco, acende aquele fumo aromatizado, e olha o universo que habita diante dos seus olhos afora daquela janela. É um universo que colide contra o universo do seu ser; que não maltrata, agride, faz mal ou te ojeriza - na verdade, de forma mui natural lhe acolhe. E bem sabes, que esse texto fala de você.
As músicas, as janelas, os discos, o frio que gostamos... Não há razão de ser se não for razão em ser verdadeiro.
E ser verdadeiro é um peso que desgasta. Custa uma vida inteira, mas nos dá a maior alegria de todas: nos pertencermos veramente, sem ter quê ou porquê.
E o vento, traiçoeiro e eterno moleque bagunça seu cabelo. E te dá aquele golpe de vida que o âmago da sua vida sente e pede - soterrado dentro de ti você sabe que ainda tem mêdo de viver um tiquinho. E por isso se cerca, se fecha, se corrompe, desgasta, e se perde num papel mais bem feito que Chaplin em O Grande Ditador. Infelizmente, está chegando o tempo em que você vai (terminar) de (se) quebrar. Deus vai te cortar com uma faca - te retalhar. E isso só para te fazer dar boa fruta. O cariño, a paz, a fôrça que ergues, e aprender a (re)começar não deveriam e nem poderiam ser difíceis...
Ouvi um trovão. Talvez hoje o Glicério alague, com fé em Deus.
Escrevo mais um tanto, aqui e ali. E seguimos.
Para onde?
Para onde Deus me mandar, pois ali é onde estou esperando meu dia de brigar contra o Rei.
quarta-feira, 24 de maio de 2023
Carta a Laércio.
1 - Prefácio e Saudação:
Marcvs, escriba por natureza e observador de nuvens para Laércio; Que as alegrias comutem em você como as estradas sempre levam uma cidade até a outra, meu bom amigo! Que as lindas garôtas ouçam e os Céus turvem ao seu favôr.
2 - Estimas geraes:
Lhe peço perdão pela demora em escrever, mas como sabe tenho um asco em escrever forçado a quem me pede sistematicamente, e por isso deixo-te em último, mas não menos abandonado que aqueles a quem escrevi antes - ainda tenho muito a quê e a quem escrever, e as cartas nunca cessam, tal qual uma reza que ininterruptamente vemos o frade eterno fazer assentado no alto da tôrre. De fato, sentindo saudades do pôvo que fiz amizade aí, espero um dia poder ver-lhes e estimar em suas companhias um bom copo de licor e podermos novamente debater das coisas que rondam a vida de nosso têmpo.
3 - Preparação para a morte:
Que bom seria, ditoso, se Deus nos desse a alegria de morrer! Ai de mim se pudesse ser mártir alguma vez em algum lugar do mundo, oferecendo meus santos dons a quem me deu Sua Vida. Entrego cada dia como entrego a cabeça posta no ferro frio da guilhotina: Vivo, mas não vivo em mim, vivo por algo maior, e troco cada prazer e desejo por uma força maior que domina meus passos, sensos, tinos e alegrias: Sinto, mas apesar de humano e fraco, sou amparado por uma Fôrça que não me vale em ais e glórias. Humanizo, mas mesmo sendo explicitamente e ridiculamente humano, Deus sempre se compadece e mostra Sua Face para mim de uma maneira sublime.
4 - Senso crítico:
Me perguntas de jeito óbvio as coisas que cercam sua cabeça; e eu, tão pequeno, observo. Não sei dizer-lhe o que é certo em sua essência. A nossa vida nos tece uma cadeia invisível que nos põe em evidência a dizer o que é certo ou não. Não sou legislador, sou escriba e nisso me basto. Sei de mim, de meus erros e acertos dentro de minha lei. E mesclado a minha lei, uno-me aos que tem valores mais próximos dos meus para que habite em harmonia no universo de modo geral (assim o mundo foi criado, disse Hermes Trismegistro), e vos rogo pelo Santo Sangue do Cordeiro que assim pense, pois se a nau de tua mente adentra oceanos aonde não cabe teu coração, és grande demais para entender as coisas simples, e assim perde-se no comum, tornando-se errado para si, e para os seus.
5 - "Hino a Pérola":
Não ando, amigo, ansioso ou interessado em notas de rodapé, teorias recicláveis ou sonhos de 20 centavos. Quero apenas o que me cabe, e ler o que gosto. Quero a cidade cinza, o tempo frio, e a morte. Os beijos que o vento trás e as lágrimas pluviais que alguns chamam de chuva. De que me adianta saber se Tomé realmente escreveu o Hino a Pérola se eu ainda nem entendi ao certo como viver o evangelho de meu Senhor? Com o advento da informação tornamo-nos burros, pois queremos abraçar o mundo todo a todo o momento. E não tendo braços para suportar, nos quebramos. E foi ali!
6 - Embates e enemas:
Existem sim muitos doutores cegos de sua verdade, que inefavelmente tentam vender seu infinito particular como o verdadeiro - a desses, corra. Como diz Nosso Deus no evangelho segundo Marcos: "O que é a verdade?", e sai tu a pensar. Aceitar uma verdade, ou uma verdade grupal é totalmente válido desde que refletivo e pôsto em evidência contra a luz e as trevas; e só após ponderar e considerar cada aspecto, vírgula e decreto, entra tu. Entrar em um cordão e hastear seu pendão ético sem entendê-lo, é como uma lavagem estomacal forçada por aquilo que come e te intoxica: A comida primeira pode fazer mal, mas há de ser regorjitada ou evacuada, agora se contra a lei cíclica da natureza é imposto algo invasivo para que lhe faça uma mudança imediata, isso não é bom. Vê lá tu.
7 - Agradecimentos:
Agradeço muito pelos livros que você me devolve, e mais além: Pela singela recordação e pela boa alegria em saber de ti; Acesso meu livrário para poder colocar os novos (velhos) volumes e vejo que necessito de prateleiras para os volumes. Creio que irei necessitar relê-los para poder lhe dialogar sobre o dilema de Pedro em Antioquia, dá-me tempo e iremos ainda ver isso até as festas de São João.
8 - Sobre o incaælensa:
O incaælensa é a parte mais bela e necessária de atenção (sendo todo o resto conveniente também, como já o expliquei) na missa: Eleva-se um pão que se faz Carne, sobe-se um viño que se faz Sangue, então estando ali aos olhos dos crentes, Deus reina e habita e faz-se presente de Carne e Espírito (Santo), e a incensação do altar, consagração e fiéis torna-nos novamente limpos e preparados também para presenciar o maior mistério e glória da fé Católica: O revelo de Deus diante de nossos olhos humanos, decadentes, cansados e natimortos. Estando assim, de preparação e elevação espiritual em risca, notamos que este delicado e sublime momento nos faz uma força maior e mais unida - como homens e como filhos da Fôrça Trina. Apenas note o momento com o coração aberto, e ele lhe falará.
9 - Benção e despedida:
Reza por mim, e aos nomes que inclui no livro de meu coração. Abraça teu pai e diz que peço a benção a ele, e amplexos até seu irmão mais novo e a Gaudêncio. Guarda também nossos feitos enquão capas negras, e reza a Padre Deus pelo dom da vida de Gil, que há tanto nos faz falta - esteja ele entre os justos e os Santos, amen - e livres pela alegria de sermos amigos, ainda tomaremos a velha menta em algum bar. Se eu não for até o Vale logo, sobe tu até a Piratininga em Jvlio e nos veremos. Deus te abençoe e te ponha entre os Santos, Mártires, Únicos, Justos, Virgens, Patriarcas e Profetas.
quinta-feira, 18 de maio de 2023
The Edge.
Pau no seu cu, meu chapa!
E quero mais ainda que se foda seu cabelo translúcido e seus olhos fulgurosos, nós - modéstia a parte, os anjos, os santos, os mestres e os escribas - nós tamo é pouco é se fodendo é. A gente gosta mesmo de rir, brincar, sentir: e sem mão na bôca, a libertação está perto. A liberdade vêm, e cheira a crisântemos como um entronar de uma Amaterasu, ou como a morte no caixão de um cristão. Talvez você não entenda porque o pau no seu cu entrou até os seus tímpanos, por isso tu num lê. Toma meus olhos: A regra é clara, limpa, pura e simples.
Segura seu par, e beija forte. Se joga contra as ondas e deixa a água salgada do mar te iodar, e roda o mundo procurando sua paz. Faz carinho nos santos cães de rua, e abraça eles. Dá uma marmita ou uma grana aos Irmãos de Rua, e proclama um evangelho que no silêncio, perturba os anjos do Céu com seu tinar do coração, que bate mais forte que a voz do que prega imundamente.
Se você for bom, a bondade nunca sai de você, como um câncer benéfico - e de câncer eu entendo - e emaranhando tuas veias, pulsando em tua alma e rechaçando os seus sentidos mal-feitores, será tu exposto a clara luz que segue um comboio forte, que não lhe dará tristeza, e que ao quando sê tu exposto, se diminuirá, e assim, será dado como um dos nossos, e não dos deles. Não há de ser fácil, mas se lêes com o coração, recebeste o ouro que te dou, mas se caiu na armadilha trincada do escriba, tenho más notícias para dizer...
Ouve o baixo tocar. Pulsa. Ressona. Emana. Imanta. Ele dita as notas, contrapasso, repuxa e engrossa no cordão do refrão, e ele que te faz pular enquanto segura a amada pela cintura - aproveita e leva ela pra fora da pista e tomando um ar, diz pra ela as coisas do mundo, do amor, do Céu, de vocês, e de você, tão pequeno, e tão entregue a ela. Faz ela chegar ela perto, e mais perto, e mais perto. Ouve a sinfônica entrecoretante e inebriante que emana do coração pulsante dela, e eleia essa arrombada, meu mano! Beija ela! Celebra o amor, candango!
E VAI TOMAR NO CU RED PILL! Nós, da velha guarda, mantemos o bom coração e temos a rosa exposta no coração, e se não dá certo, só seguimos em frente. Saber lidar com o não, também faz parte do jôgo do amôr - A BENÇÃO, WAYNE FONTANA! Saber amar e ser amado não é difícil... Difícil deve de ser sua mãe e aguentar você falando merda gratuitamente; e dos meus livros de boa memória, te guardo no mais digno de sua corja: Os esquecidos. E portanto viva eu, peixinho da lagoa, Tio Fungo (de dôce memória) e a Repvblicæ Livre de Itaqvæera como berço de heróes que nunca serão esquecidos na lira dos trovadores e nas tabvlas dos bons escribas! Nós, os da boa vontade e de coração tenaz (que é longe de justo) ainda estamos por aí - e vamos adiante até a perfeita hora da dôce morte!
E corre, falaram que tem post no blog do The Joker amanhã.
domingo, 14 de maio de 2023
Ofício.
N. Do E.: Crônica dedicado ao mecenas que contribuiu com o café do escriba. Benedictvs si!
Se eu te dissesse tanta coisa te seria de entender?
Das coisas que sei,
Das que entendo,
Das que desconheço,
Que cabe no oculto de meu coração.
E com teu óculo analisaria sabiamente:
O que escrevo ou digo,
Emendando em minha conversa objetiva,
Uma liga que anuncia algo,
Ou apenas daria um simples sumiço?
Por favor, não olhe as coisas como frias;
pois se assim o faz, põe as em lugar comum.
E se torna comum, perde a magia,
se perde a magia morre o porquê,
e assim, não tem razão de ter ou ser.
Se estende a mão;
Aceita o abraço e o eleio,
E conhece, aceita, ama e gosta.
Abraça, aperta, morde, beija e devora.
Faz diferente para a borboleta imortal não morrer.
Dos ofícios do escriba, cabe a denúnica,
de um novo amor,
de uma vida que nasce,
de uma morte vindoura,
de um dengo.
E cabe, a quem lê entender,
por mais que pareça torto,
as linhas do trovador,
enquanto ele com suas linhas entreveradas, lhe diz:
"espera, não esfria, por favor, fica."
Agarra em um abraço e não solte,
Aperte a mão e ouça o som junto,
Deixa as lindas garôtas ouvirem,
Os céus turvarem,
Enfim, os corações se cruzarem.
sábado, 13 de maio de 2023
Crônica Desinteressante.
N. Do E.: Crônica dedicado ao mecenas que contribuiu com o café do escriba. Benedictvs si!
Se vale o comentário, vale uma história. E se vale o interesse, não há motivo de rotular como desinteressante, não é mesmo?
É só um comentário - ou ao menos era pra ser, e de fato não deveria ser tratado menos que isso. Pra quê tanto escarcéu? N'um dado momento aonde as palavras se tornam mais ajuízadoras do que conciliatórias, para quê eu iria compôr uma tribuna da qual rejeito? Então, te tomas pela certeza que é só um argumento; e mais além: A sintonia ajuda, tal qual a música, as luzes inebriantes como um velho cabaré afrâncezado, e as estrelas, perdidas no Céu escuro, aparado por copas de árvores, dão a sorte de um querer bem.
Pra quê a noite, se existe companhia?
E falemos de música, e falemos de sons, e falemos da Anima, mais ainda; falemos de nós, das piadas de fundo verdade, de humor tão cínico, besta, inerente, juvenil, sexualmente apelativo, mas de forma tão nascente, nosso. Falemos dos velhos senhores, do show, da vida em si, das apreensões e dos fumos e das cervejas, pois isso é o que basta ao momento.
E olha, há quanto tempo as coisas não acontecem de forma natural, por um acaso ou planejamento divino, e põem-se em marcha para dar certo e assim contribuir para uma alegria que reina perfeitamente no nosso peito? E falando em coisas do peito, Meu Deus, como se odeiam os prédios espelhados e como se odeiam os pulmões masoquistas de fumantes!
Procura no campo a paz que reside em teu peito, prepara um jantar, acende um cigarro, e passa a mão entre os cabelos: Que doida coincidência é a vida. Abre uma cerveja, e suspende-se num ato: estando inerte ao ar, sente novamente aquele coração pulsar, a barriga florear farfalar de velhas borboletas imortais, e como jovem sonham com um beijo - o velho rolê juvenil que a gente esconde em sete chaves num baú dentro de nossa alma para não se quebrar de novo: O eleio. Conversas bacanas e produtivas. O abraço. A música do pé-a-ouvido. O amasso. Amor travestido de sexo com suas ancas habilidosas maestramente levantadas enquanto se pesa o corpo do amado. O carinho travestido de qualquer coisa que você queira. A música tocando alta e a fumaça oriunda do cinzeiro incensando o lugar. Acaba o cigarro que se fuma sozinho - dois corpos estão ocupados. Os beijos de fim de noite enrolados em braços tão unidos que nos fazem perder a letra em dizer. E o acordar? Um café, forte e sem açúcar, junto com um misto, ou até mesmo apenas um pão com manteiga, mas feito com a energia e o sentimento que não se cabe em letras, mas é explicativo de quem o sente.
Conversa mais um pouco, fala mais um pouco, stalkeia mais que tá pouco. Abre a foto. Vê, olha e pensa: projeta um cenário e todas as roupas possíveis para usar e impressionar, além de poder dizer coisas que sejam alheias e verdadeiras, mas que não a afastem, olha para ela e pensa como o universo tem sido legal. Diz uma asneira gratuita para desbaratinar, e pensa além de tudo, no futuro, mesmo não tentando fazer planos. No dia do encontro, como será? Seria ela maior ou menor que eu? Ela gostaria de caras mais novos ou mais velhos? Será que rola um beijo no fim do encontro?
Perguntas, sem resposta, que ainda precisam de um desenrolar do tempo para se crismar.
Dado o dia, levanto, e ao ler tua mensagem, o coração traqueja um palpitar. "Ontem foi real", e isso alucina a vida, faz a vida ficar mais interessante, e dá mais gosto ao café. E ao ver novamente a foto, retorno ao turbilhão de sentimentos dados ao flerte da mulher que vi. E ela, me atordoando, permanece atenta como a sibila que profetiza entre os lábios voluptuosos a denúncia: Quero.
segunda-feira, 8 de maio de 2023
Céu De Brasília.
Quero andar um pouco.
Me divertir, sentir vivo talvez. Quero ver o começo da semana a noite. Os semblantes cansados nos comboios públicos, as dôces mulheres que tirando seus saltos de horário comercial, agora se desprendem de ancas em chinelos de dedo, as môças que se saindo da academia, parecem uma tartaruga-ninja com o casco de alça pôsto nas costas... Os fortes homens de alma frágil dependurados nos balcões do bar, tomando uma cerveja ou uma pinga com limão para aguentar o tranco, ou dormir sem jantar...
Tem um irmão-de-rua que passa, cativo e alheio ao universo. Seu saco de coisas encosta nos transeuntes, e atenciosamente, pede perdão a cada um. O passêio público parece algo tão largo e estreito; na quadra seguinte se reúnem os jovens para poder entrar em uma faculdade, e alguns adolescentes se encontram e sentindo o mal da imortalidade bebem, dançam, cantam e brincam com o amanhã; como se de forma bela isso fosse imortalizado em sua aura.
Uma estrela brilha demasiadamente, mais que a Lua - já não mais cheia. E ai dos olhos que as vêem, pois se o alteia para vêr, pode correr risco de perder a carteira, celular, e ganhar hematomas furtivos. Um vento suave como que de verão entrecorta os corpos cansados, que já mais do que nunca anseiam por sexta-feira. Tem um olho no alto da torre. Mão aberta, cajado pôsto em defêsa, e rôsto de fronte inquisidora. Olhos que olham, tangem, secam... aliviaram.
Ah, musa, deverias deixar eu me ocupando pelo brilho dos olhos foscos que vejo, do colorido cinza que têm nos prédios e marquises, das tôrres, bares, perfumes e cheiros fétidos; dos aviões que transpassam o ar sem ter nem com quê ou porquê, e nas rotas mais calmas, se tive sorte, ouvi uma árvore farfalhando ou alguém pedindo um dinheiro para pagar um corote.
E eu, tão pequeno diante da magna essência desse lugar, sou ao mesmo tempo dono de um universo tão complexo e confuso dentro do meu sorte. Os faróis são de estrada, faróis de milha como diria meu pai, e os semáforos hoje, logo hoje decidiram trabalhar. As bancas de jornaleiros começam a bater seu cartão e fechar. Um garoto de talvez 14 anos compra um cigarro solto. O vejo. É cabeludo, como fui. Sua mão parece frágil ao acender o isqueiro para fumar. Na primeira tragada ele engasga. Desvio o olhar para não intimidá-lo, e lembro-me de quem já fui - parcela de mim que não eliminei e ainda rola no meu recôncavo, alcunha de nome Ox; velho conhecido desse blog...
Ao sair do espaço, mantenho-me perto de alguma certeza, algo que ainda tente me mantenha firme. Faz muito tempo que não sinto meus pés tão pesados e meus olhos tão fracos. E ver essa cidade, mesmo que do lado de fora, por um pouco espaço de tempo, me acalma. Me dá a sobrevida que preciso, e afasta de mim aquilo que nem as paredes confesso; apesar de já dito. Me esqueço da sorte, da solidão, da contraforça e da raiva, e guardo em mim a sorte ou benção de ter sido filho do furacão - dos amigos mortos, heróis tardios, mártires irreconhecíveis, gloriosos desconhecidos e do pae tardio.
Dobro a rua de casa num arremate preciso para não ver mais estudantes arrogantes de direito, desço-a, tal qual os ônibus desordenados, e me mantenho apenas por existir ou por fôrça de pesar os pés contra o chão. Abro a porta, e vejo o saguão, tímido e de tapete suntuoso. E ninguém me espera, toma pela mão ou segue meu ser; como me disse o cantor: Quem me levará sou eu.
Se hoje saio para ver esse coração maquinado trabalhar, é porque o meu já não bate, tampouco palpita, e só a ouvir a sinfonia que essa cidade proporciona, sinto-me de alguma forma, imortal. E nenhum outro que não seja filho da Piratininga pode entender.
Ao meu chão, entrego meu corpo primeiro. Ao porto, não.
sexta-feira, 28 de abril de 2023
Красно солнышко.
Espero pelo meu bem.
Estou d'outra margem do rio que repentinamente cruzou.
Será que a água corrente, de fato atormenta, ou seria a turvação das barcas que lhe afligem? Será de viração o vento que afasta, ou será Ordem Celeste, que os braços não se abraçam? Deve de ser morte, frio, peste ou mágoa.
Que não tenha demora, mas que venha. Que tenha pressa, mas venha a safo.
Fiz um tendal, apôsto três chamuscas: uma para a comida, uma para o luzeiro, e n'outra, para esquentar seus pés na entrada. Peguei suas comidas favoritas, trouxe seus mantéis favôritos, e guardei meu melhor cheiro para desaguar no seu abraço. E a mais devota Ave Maria rezei a cada dia, cada vez mais forte e nociva, para que a Mãe se compadecesse. Desci até as estrêlas, e subi até os mares, e afogando meu corpo no gélido corrediço, fiz as pedras me solavancarem, e fiz meu corpo âncorar. Peixes dançam ao meu redor, e lavo-me como se não tivesse pressa.
Vêde, ó rio, que por teu comprimento, em quatro pedaços te cruzava, mesmo sem força, mesmo gélido, mesmo sem barca, mesmo sem ter com o quê. Mas como mal posso comigo, inflijo as dôres contra ti. És imóvel e corre com depressa fôrça e raiva, e enquão lavo as roupas, desescamo peixes, lavo as pratarias e águo o ginete, és de vileza. Vêde, que separas o amor em quatro pedaços, mas se tal fôsse minha força (não só), lhe dobrava pela fôrça que ergo, e da cólera que padeço.
Há uma fumaça, tal qual a minha, na nôite que se escureia. Ela é fumegaz e se nota na outra barragem do rio. Pode ser de salteadores, de heróes, da comitiva, ou de pregadores; será que hão de ver que aqui também fiz três chamuscas? Sê bendito, Deus, que após tantos mantéis para coibir o frio, amanhã veja o amor me repousar em seus braços; e ouve-me, Mãe, trouxe até a lã de novilho para ser travesseiro para seus cabelos negros e sua cabeça agitada.
Mas um dia, que agora começa garoando. E que com rapidez apaga as chamuscas. E que com determinação faz um vento que derruba meu tendal. Com o vento, os mantéis se dispersam pelos ares... o cavalo, assustado com os relâmpejos, apenas foge para a barragem acima, e eu, sem ter mais lágrimas para chorar, deito sobre mim a lã de novilho.
Não demoro, meu amôr, logo chego.
Sê bendito, Deus Eterno, pois é só a água até os pés, pois o corpo tôdo já me encharcou por tua chuva. Chego-me a tal ponto que se misturam gôtas d'água celeste com minhas lacrimosas orações, enquão a água deita-se em meus jôelhos. A lã, em minhas costas agora toca o rio que estranhamente cessa a corrente, parecendo estio ou hora de cheia. Olho e pareço chegar mais perto da outra margem, enquão a lã chega pela sua metade molhada e dobrando o pêso. Respiro e não choro, pois meus olhos estão no nível da água. Faço-me âncora para te esperar, amôr, quando voltar. Te fiz três chamuscas, e morrendo de saudades me enrolei na tua lã de novilho para te abraçar uma última vez e te ter em lembrança. Agora, sou âncora posta submergida de vontade própria. Sou irmã das pedras cheias de lôdo e dos peixes que serei repartida como refeição, e com minha saudade e tua ausência, faço daqui minha morada.
Não tarde a voltar. Posso não estar aqui, mas estou aqui.
quinta-feira, 20 de abril de 2023
Lost In The Supermaket.
Um ano depois é muita coisa.
Ainda não sei dizer, se estou vivo ou morto. Sei que meu livro sai agora em maio após umas séries de desventuras e de fazer-saber e fazer-conhecer. Sei que não durmo mais no chão e tenho paz de espírito - ainda sonho e penso na morte de forma afã, mas tenho ainda o tino de mexer bem com a lâmina que trago oculta em minha mão.
Eu não sou herói, sou escriba. Dos que escrevem eximiamente sobre tudo, e no fim não te deixam entender nada. E já queimei o notebook com o cachimbo. E já mandei rezar uma missa. E já falei de menos. E olhei demais.
A água de beber é diferente da água de candinhar. E na anágua que ela veste, na têz da noite com os corpos no escuro, eu quero me esconder. E aninhado, aos olhos acastanhados que vermélidos, me dão alento, navego suspeitosamente em seus cabelos negros e penso em mim como escriba, daqueles que fala dela sem que ela perceba que eu cito-a. Diz Ednardo na música: "Pra menina meio distraída, repetir a minha voz...", e assim, quero permanecer. Como alguém alheio, mas não presente. Como rei sem trono, casa sem arrimo e olhos que hordam a cegueira.
Uma vez eu conheci um cara que foi um herói. Ele me disse que era dos boêres, e que lutou na Índia. Eu nem acreditei e nem desacreditei; Na verdade apenas ri - eu só pude rir. Conheci também uma moça que chorava lágrimas de prata, e que suas mãos eram mais quentes que água em ebulição... ela tinha nôme de pedra, talvez jade, talvez esmeralda, ou turmalina. Tanto quanta outra vez conheci um irmão de rua que falava latim, aramaico, grego koinè e hebraico-velho; me confidenciou que era grã historiador teológico, mas que a tudo largou para viver o que realmente desejava (as coisas de seu coração), e por isso perdeu tudo. Conheci uma mulher que se prostituía por medo da solidão, uma boliviana que pagou 50 mil em um anel, e trocou por uma casa na Bela Vista, e depois por dó (sic) ela se casou com o dono do ap golpeado e foi a melhor coisa que fez. Vi filhos de amigos nascerem, vi pessoas amadas morrerem, vi a tristeza e dor em cada coração e celebrei e fui rei com quem celebrou cada alegria de forma ferrenha. E isso me manteve vivo - por mais que ainda esteja dançando um tango errante com a morte; parando apenas para ir no banheiro e comer um pastel.
E em um ano depois, é muita coisa, nem dá pra contar tudo nesse texto, apesar de já o ter dito o suficiente...
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023
Dedicada a Ela.
E modéstia a parte; eu sou do Largo. E eu gosto de escrever. E eu só escrevo coisas que me pesam a pena.