É de lágrima. Tão somente, e nada mais.
A escrita indecifrável no muro, as palavras ditas em nome de Deus, do amôr, ou algum outro sentimento híbrido, descompassado com a aura e realidade, alguma coisa fora daqui, fora de mim, dentro do universo; Os pássaros do Céu, voam, planam no ar, e não apeiam no frio, apenas seguem sendo a linha-de-frente celeste contra tôda a geação e turvar: Há quem diga que o vento os combate, içando-os para baixo, e eu só sigo, vendo batalhas nos Céus, nas Terras, e no meu coração.
Após ter ido para a deriva (vide escrito anterior), em contemplação comigo mesmo achei dúvidas maiores, certezas vazias, e descobri que ainda tinha amôr, que eu ainda saberia amar e ser amado; Eu ainda me tinha. Sendo amparado por estrêlas e vinhos, e castigado pelo Sol, vi o vento ecoar em seu silêncio nomes, pessôas e lugares, e vi a minha fé ser igual um mercúrio rudimentar, se quebra, derrete, e se faz rígido novamente. Vi a mais linda de olhos apertados para olhar os adornos do altar olhar por mim, olhar em mim, me dar um sopro no peito. A vida, em si, ainda continua, mas a sensação inerte e a vontade de se fazer completo com a terra fria e os olhos fechados ainda se faz cada vez mais presente.
A madeira-de-lei, já desgastando as mãos de tinta e verniz, são as coxas da amada-de-uma-vista-só, aonde me deito, e aceito os maus conselhos do feo e me deito, deixando o vinho entornar em mim minha realidade: São dias de lágrimas, amargar, frieza, Jethro Tull, solidão e questionamentos; Deus se intervém, e me abençoa com o sono da classe trabalhadora, Maria, de piedade infinita, me põe para dormir, e me cobre com seu sari. No meio de tôdo o caos, ranger de dentes e Gigot, eu ainda me encontro com o velho de pendão, que vem lá desde Deocleciano, lá do pôvo-da-correntina, de sino que tina na dobração, e faz a alma gemer. O pendão, ainda que velho, se faz renovado para quem o toma e o levanta, e segue. Mas, onde se fixa pendão em água funda? Perdão, raíz minha, mas hoje não, hoje quero do erro, da incerteza, quero o mangue e o saveiro com quilhéu quebrado, e as velhas memórias e sonhos quebrados dentro do matulo: Lembra da Cecília, da casa, da amada, da luz, dos jogos, de Fábio, do silêncio místico no altar lateral, da dôr, do mêdo, de achar que poderia ter sido - nunca foi, é ou será, esquece - talvez, ela nem sabe como é, dói, arde ou sente.
No mastro, apruma um albatroz cansado de tanto voar, com pluagem cansada, e cantar melódicamente melancólico, e eu o contemplo, sentindo seu sentimento de cansaço e pedido de descanso, e de nós, nos cabe apenas o pós-descanso, a vontade de achar seu ninho e apear nele, e nunca mais sair.
Epitáfio do Marcus Queiroz. Apoia esse blog, faz um pix pra nózes: marcusvini15@hotmail.com
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segunda-feira, 10 de julho de 2017
domingo, 19 de outubro de 2014
Imagine.
A vida dói, a vida machuca. Não. A vida não dói e nem machuca, são as pessoas que passam pela sua história que lhe fazem isto. A vida não tem culpa de nada, e se na sociedade as pessoas fazem isto, também não é culpa sua. Leitor, se te interessa saber eu sei que você não teve culpa de tudo o que deu errado, dos planos frustrados, ou daquela dor que fizeram você sentir com um "sim", "não", "melhor não fazer isto" ou um "deixa isso pra lá, não é nada". Eu sei disso, e fique calmo. Eu te amo, leitor. Fique bem.
Antigamente, eu me sentava embaixo de uma árvore com um violão enferrujado e trastejado e eu ficava horas embaixo desta mesma árvore, até o Céu mudar de côr ou uma taturana me queimar, repentinamente. Hoje aquela árvore não existe mais, hoje tudo mudou.
Imagine você viver no passado: Aonde todos os seus pensamentos são resumidos na vida que já se passou, aonde ninguém morreu e aonde seus dias antológicos e de glória ainda serão vivos e repetidos na sua mente, corpo e espírito. Imagine você não temer a morte, porque no passado você foi guardado, e dentro do livro de São Jerônimo você vai ser lido, traduzido por Ele e protegido nas vulgatas de São Domingos.
É, este refúgio existe, até, mas não nos protege ou nos livra de quaisquer chagas ou eventuais coisas que possam vir a lhe ferir ou chatear de forma alguma atualmente, aos menos que se prenda, isole, furte de si mesmo e caia definitivamente no seu passado, aonde tudo já é conhecido, estimado e escrito e você conhece todos os pontos e vírgulas. Imagine você que você pode recriar todas as suas muralhas de infância e viver inocentemente e longe de tudo isto que hoje lhe causa alguma sensação ruim no corpo ou na mente. Você estará longe de tudo isto, a milhares de milhas isolado no seu próprio minarete ou alpendre, sem ter medo algum de alguém vir a lhe ofender, querer mal, sentir ofendido, ou ver as pessoas quererem sua cabeça a prêmio. Imagine além de ser imortal, você não vai ter mais em algum momento o sentimento da dor. A imortalidade de não ser buscada em um túmulo, mas sim em você mesmo (afinal, existem vários níveis de imortalidade). Leitor, você aguentaria o peso de nunca transcender a vida, porém nunca mais sofrer?
Querer embora não é uma opção. É uma escolha, e esta escolha é decisiva não só na sua vida, mas na vida de todos em você. No seu passado, presente (e se tiver), futuro.
Proponho que tente por 24 horas. Não importando sua idade, sexo, gênero, raça, religião ou orientação sexual, faça o teste da clausura, e veja se compete a você este (forte) sentimento. Imagine poder viver novamente tudo o que você á viveu, e não sofrer por mais nada e nem por mais ninguém, imagine novamente você estar finalmente com todas as chagas fechadas, e ninguém mais a botar os dedos nas tuas feridas e na sua fechação de corpo e mente, você não sentir mais dor alguma. Imagine, de repente, como se um translúcido corpo de luz atravessasse teu corpo, e te fosse tomado por esta paz. Ali a dor não existirá mais.
Imagine que qualquer mágoa que lhe seja causada atualmente não lhe cause mais dor nenhuma, tampouco a pessoa que causou esta mágoa. Imagine não ter que conviver mais com pessoas que lhe querem mal, lhe enganam e lhe roubam o direito de descobrir tudo que lhe é dado, que sua verdade não seja furtada, tampouco seus atos e ideais, e que ninguém critique você pelo o que é, o que sente, o que faz, para onde vem e para onde vai. Imagine a morte não ser mais o que você depende para ser feliz, e poder novamente abraçar aquela pessoa que morreu, e chutar aquela bola antes de estourar o ligamento do joelho, e aprender novamente a beber, de ver o sol nascer na praia com seus amigos, e de não poder chorar, nunca mais.
Imagine.
Antigamente, eu me sentava embaixo de uma árvore com um violão enferrujado e trastejado e eu ficava horas embaixo desta mesma árvore, até o Céu mudar de côr ou uma taturana me queimar, repentinamente. Hoje aquela árvore não existe mais, hoje tudo mudou.
Imagine você viver no passado: Aonde todos os seus pensamentos são resumidos na vida que já se passou, aonde ninguém morreu e aonde seus dias antológicos e de glória ainda serão vivos e repetidos na sua mente, corpo e espírito. Imagine você não temer a morte, porque no passado você foi guardado, e dentro do livro de São Jerônimo você vai ser lido, traduzido por Ele e protegido nas vulgatas de São Domingos.
É, este refúgio existe, até, mas não nos protege ou nos livra de quaisquer chagas ou eventuais coisas que possam vir a lhe ferir ou chatear de forma alguma atualmente, aos menos que se prenda, isole, furte de si mesmo e caia definitivamente no seu passado, aonde tudo já é conhecido, estimado e escrito e você conhece todos os pontos e vírgulas. Imagine você que você pode recriar todas as suas muralhas de infância e viver inocentemente e longe de tudo isto que hoje lhe causa alguma sensação ruim no corpo ou na mente. Você estará longe de tudo isto, a milhares de milhas isolado no seu próprio minarete ou alpendre, sem ter medo algum de alguém vir a lhe ofender, querer mal, sentir ofendido, ou ver as pessoas quererem sua cabeça a prêmio. Imagine além de ser imortal, você não vai ter mais em algum momento o sentimento da dor. A imortalidade de não ser buscada em um túmulo, mas sim em você mesmo (afinal, existem vários níveis de imortalidade). Leitor, você aguentaria o peso de nunca transcender a vida, porém nunca mais sofrer?
Querer embora não é uma opção. É uma escolha, e esta escolha é decisiva não só na sua vida, mas na vida de todos em você. No seu passado, presente (e se tiver), futuro.
Proponho que tente por 24 horas. Não importando sua idade, sexo, gênero, raça, religião ou orientação sexual, faça o teste da clausura, e veja se compete a você este (forte) sentimento. Imagine poder viver novamente tudo o que você á viveu, e não sofrer por mais nada e nem por mais ninguém, imagine novamente você estar finalmente com todas as chagas fechadas, e ninguém mais a botar os dedos nas tuas feridas e na sua fechação de corpo e mente, você não sentir mais dor alguma. Imagine, de repente, como se um translúcido corpo de luz atravessasse teu corpo, e te fosse tomado por esta paz. Ali a dor não existirá mais.
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Imagine.
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