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sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Waterfall.

Ele me disse que um bom pastor, pastoreia suas ovelhas em um silêncio. Se você quiser ser um pastor aos moldes de Hermas - me disse, olhando para o vazio - apenas faça da mesma maneira que vem fazendo. O não-reconhecimento é a maior riqueza e glorificação; e de fato concordei; Suas palavras me atingiram com a tenaz em brasa de Isaías e sem titubear entendi que ali havia mais do que o que sempre conversamos e prontamente me recolhi ao silêncio: subitamente entendi que a vida aconteceu ali, e finalmente fui contemplado com o milagre diário da simplicidade, da qual poucos de nós temos a parca capacidade de entender.
Porque quando me vejo assim - perdido diante da movimentação descompassada de meu coração - sinto-me perdido e confuso sobre minhas atitudes e pensares que me magoam ao exigir o melhor de mim para eles; mas nunca para mim, e neste momento é que gostaria de me enroscar no seu cabelo de cheiro de uva como parreiras frescas que descem sem saber porque - mas mantidas em um verticalismo que inerte, provém toda a força; quando atrelados e contar meus medos, delírios, raivas, segredos e sacras no sopé do seu ouvido (mesmo sem o merecer). E morrer nos seus braços olhando seu rosto e ouvindo sua voz me pareceria a melhor maneira de conhecer as Excelsas Nuvens. Me esconder na barra da sua saia como uma criança que tem medo da ira da natureza como o trovão rugindo lá fora, e sentindo o perfume dócil de sua voz, poderia me esquecer de mim para que você m'o cuidasse, com correia, candeia, auxílio, luz e socorro. Ter sua presença por inteiro, e de inteiro a inteiro, por mais um dia com você para menos um dia sem você.
Diz São Paulo o Apóstolo que "quando se é um menino, fala-se como menino; sente-se como menino; e vive-se como menino". Ora, mas no Getsêmani das palavras, aonde inequívocamente elas não pedem licença para nascer, e brotam das têmporas e das velas içadas das mentes que padecem, logo (ei-lo), desemboca da bôca um gôsto amargo dado a profundidade do que se sente no âmago da alma e não se promulga a dar como dôr-de-pêito: o parto do vômito de tôdo um desaguar da vida jogada como caxangá, e lágrimas tão quentes que eiam a queimar e ruborizar a pele, cujas mãos preteridas ao cargo não secam, apenas queimam-se juntas, dissonando naquilo que enfim não tarda a chegar e tampouco a acontecer. É sim, de fato, a violenta força da alma silenciada, abnegada, e furtivamente isolada, filha do ocaso guardada no seu jardim secreto, tendo dentro de si o tudo - o nada. Apenas esperando a ser veramente querida e veramente amada; e deixando de ser a nascente, receber-se enfim, como foz.
Logo, enquão escrevo essas linhas eu me pego pensando no meu passado, e disso pouco me orgulho, e menos ainda me honrando irei a ficar; pois parafraseando o dito Santo "não fiz tôdo o bêm que gostaria, mas o mal que não quis ocasionar, êste o fiz com demasia." Logo, entendo do muito de meus erros, e o pouco de meus acertos no enfim desejo que sempre tive, o dito "viver". 
Entre becos, vielas, estradas, vilas, conventos, casas, ocupações, apartamentos, casernas, moradas, grutas, planíces e desertos, eu fui - e antes que digam de mim, eu sei de mim e das coisas de meu coração (por mais que não as compreenda por completo); e dos lugares que fui, deixei-me num tanto, e levei outros como fiança, e assim, aprendi da vida, e aprendi de mim. Amei os outros, cuidei dos que pude, perdoei como deveria, e peço ainda hoje perdão pela pilha titânica e magna de erros que deixei no caminho.
Se fui quem acho que fui, é longe de mim uma graça Divina ou consôlo pois muitos foram os meus dolos contra mim e os meus. Mas se me atinge a graça Divina e o consôlo da Dôce Virgem Mãe das Candeias, nunca haveria de ser por merecimento meu, mas sim por misericórdia d'Ele; e assim eu me permaneço. Pois tudo o que tenho, tive e terei, todas as coisas nunca haveriam de ser minhas, mas sim tudo foi, é e há de Ser d'Ele. E o que escrevo nisto deixa cair por terra quaisquer outras dúvidas, está completo.
Posto em uma encruzilhada, olho aos pontos cardeais e nada acho, a não ser possibilidades, sem mensageiros que possam me apitar em qual dos cardeais seguir, e se sigo, mantenho-me sobre a tutela de Padre Deus, e espero de mim o mínimo para viver: não ser um babaca.

quarta-feira, 17 de abril de 2024

Pelas Ruas do Mundo.

 Ao passo de dez (ou onze?) anos atrás, lhes escrevi uma máxima aqui neste bRog, da qual ainda uso em temporãs: "Mundo Maravilhoso, Lindas Pessoas - essa é a vida", de qual era trecho de uma música minha.
Bem, é só pra dizer que essa máxima ainda vale. Vale muito. 
Ainda é atual destacar e acreditar em cada parte boa de cada ser, e ainda sim fomentar a quem não instiga em si a parte boa e misericordiosa fazê-la render e fermentar. Sabemos lá que o mundo vem-se-ter em pé de crueldade e desigualdade, minguando em tristêza e desânimo. Mas, se colocamos o nosso arado amarrado a uma estrêla, temos como acreditar. Crer, sim - não há palavra mais própria para o contexto - no melhor. Seja lá pela vida, pela esperança, pelo amôr, pela fé, pelo amanhecer... em algo reside a bondade e nela toda fôrça que ousa ir contra se disspia e se transforma; como disse Paulinho da Viola: Tudo se transformou.
Pois, se lhes escrevo de esperança, é porque justamente a minha morreu e se refez em algo nôvo. E digo isso com a minha fé e humanidade exposta tal qual (não só) como um escriba, mas tanto como um ser humano normal e comum, que ao ver o Sol nascer e a Noite cair, entende que há coisas maiores e mais grãs que regem e imperam. Antes, haveria de ser mais um dia e menos um dia, e agora, faz-se o mesmo, mas com outro significado, trazendo em si a esperança de melhoria, e a fé que se aflora, desbota e germina em solo para que outros possam também crer - ora, pois se este bRog é de viés escribário, e conta de visão imparcial com exceção para Deus e Sua Igreja, nada além disso deveria de ser. Aprendo, pois, a mesma lição que nunca aprendi: Tudo tem sua hora, seu tempo e sua vez.
Enquanto discorro essas letras, jorram de meu peito a preocupação, o mêdo, a aflicção, e o cansaço do passo mantido (como vos digo, 'inda sou o mesmo), mas ainda sim me dá a nova e certeira direção da crença em algo maior e melhor do que o presente nebuloso; como rezamos na missa latina spero in Deo para que as bonanças cheguem, e assim me volte o sorriso em definitivo ao rosto, e estando em paz comigo e com os meus, verei novamente os Céus turvarem e as lindas garôtas sorrirem. Logo, ao chegar nesta fase, sei que os dias tristes foram a minguar, e as coisas belas, simples virão a mim de alguma forma, de alguma maneira, e eu, serei o mesmo, só que com sorte, mais vivo, vívido e feliz.
E qualquer coisa além disso, será superfulo. E qualquer coisa além disso sera desrespeitoso, e que seja sempre a felicidade por felicidade, e não por ter preço ou tábula marcadora de preço, tampouco algo que nos impeça por valôr e alíquota. Veremos, eu e os meus (e você também, se quiser) as alegrias de sábado, a cerveja no copo, o cheiro de rango, e as pessoas sorrindo como a festa da vida sempre nos presenteia quando nos cerceamos de coisas belas, interessantes, densas e profundas de sentimento e verdade. 
E eu, estando lá, espero te ver. Como um pôr do Sol no alto da serra, e uma alegria sem fim.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Up The Junction.

 Dizem, os sábios, que o amor é loucura.
Das mais atrozes, que dilacera e faz os sentidos se tornarem ridículos. 
Crendo nisso, logo me entendi enquão amante - seja da vida, da nostalgia, do tempo e do têmpo antes do tempo (importante dizer) e etc. Sou apaixonado por n coisas que me fazem gemer em ais e perder o fôlego das razões. Logo, se sou assim, desconheço e ojerizo o amôr em face de ser racional. Não existe. Amôr que pensa é lógico, e assim, não existe o imediatismo, a ensandecida vontade de demonstrar o sentimento para quem se ama ou para o mundo em geral - logo, o amôr enquanto racionalidade, é uma falha grave e alcova de pessoas que usam as outras. Caso encontre um ser desses, fuja para longe e peça a Deus que esse ser tenha um belo caminhar.
Pessoas que racionalizam o amôr na verdade tem uma grande falha em se entregar, e por isso acham que calcular a rota e racionalizar aquilo que apenas se sente vai mudar algo... e o que muda na verdade é como nós as vemos: de pessoas incríveis, para bichos. Rasteiros. De coração frio, estômago baixo e olhos acobertados. 
E eu, pessoa pequena de pensamentos e habilidades, creio que o desespero que emprega no amôr é o que rege, evolui e demonstra violentamente o mesmo; que aliás também reside nos cuidados silenciosos, nos pratos favoritos feitos, nos abraços em horas de dor, das noites de bebedeiras, e dos carinhos velados somente para a madrugada afã e perfeita. O amôr, como mãe que possui e provém todas as habilidades, logo se mostra prolífero de cuidados, quereres e coisas boas. Sem esse amor, a vida não posssui ter ou querer.
É como trabalhar com o que não se gosta, e ao sair do labor encontar livre e desimpedido aquilo que te rege como grã alegria e motivação - e sim, eu sei, e Deus sabe que eu sei que existe a alegria oculta, que nem todos os nomes são capazes de dizer, nem todos os pensares são capazes de elaborar e nem todo nome é capaz de lograr. 
Aliás, o meu é uma Antarctica. Gelada. 
Geladinha. De trincar.
Meu Santo Antônio, com uma dessa eu danço até com os Santos Cães da Rua!
E, enfim, me ponho a pensar, no que ouvi hoje sobre os amôres e os gostares, e percebo que as pessoas mudam os cenários, as faces, as fases, as ruas, mas a grã maioria dos seres humanos ainda tem o mesmo problema (possivelmente de fábrica): Eles não sabem - e talvez nunca vão saber - amar. 

terça-feira, 20 de junho de 2023

Bola de Cristal.

eu só queria dizer que ando cansado.

Sei lá eu de quê - mais sei que extenuei e estrangulei aquilo que chama-se limite.

Minahs lágrimas secaram, Dulcinéia não se encontra para afagar minha barba e dar-me um beijo, tampouco Sancho enfrentaria comigo o Aragonésco moinho, pois ele saiu para almoçar faz três anos longos...

Na verdade me perdoe a metáfora embutida, mas, queria era um porto seguro - difícil termo e condição para os dias de hoje e para a vida que se vive de caxangá e pôrto pôsto contra o Sol.

...mas o que é mais me anseia a alma. Minhas carnes vibram por esse dia.

O sôm, que ensurdece, desatina, corta e tange, fere, toca e mata. Tal qual esse momento. O translúcido quasar que ressona a dissonante nota que atenua e atenta o que aquele guitarrista fez no Royal Albert Hall aos 5'56'' do Concerto de Despedida em 1968. Dantesco, preciso e lírico.

Queria era alguém que comemorasse minha fraca existência como se fôsse motivo de dulia, ou de algo estimado. Como o velho canino que se abana e se expõe em barriga faceira para ser acariciado.

Queria sair por aí, nada de acampar ou dias de praia com areias inconvenientes no corpo. Apenas uma mesa e garrafas, fumaças de tabaco e músicas para cercear quando houver descuido no silêncio.

Queria buscar sentimentos antigos, desde os natimortos em mim até os que foram assassinados por mãos de esmaltes que não enxergo as côres.

Além disso: sinto que nas sôfregas mãos em que peno em dizer algo ao escrever, marco apenas a sentença do eterno escriba: ao testemunhar o fato, torno o lírico - sem ter a necessidade. Apenas por um fator ididota de transpôr em letras, do que meu coração chora.

Também tenho dias tristes, noites negras, e um vivante da solidão que há muito e há tanto é minha companheira. Há dias que penso que não tenho afago, e há dias penso que há alguém que aceite minhas loucuras.

Há dias que sou um rei assunto. Há eternidades que sou o fim-de-fêira.

Não me importo, me sinto bem assim.

Se me apego em Deus? Como não?

E haveria mais alguém que me ama com tôdas as minhas (inúmeras) imperfeições e me aceita? (e que óbviamente não seja de gênero de carne, pois)

Paciente, em algum lugar do universo, Êle existe. E eu aguardo a hora de Vê-Lo, para sentir um vero amôr que me consuma as entranhas. Há dias que são cinzas, e outros tantos dias Cinzas.

E no fundo, eu não quer dizer nada com tudo isso. 

Eu só quero vomitar um peixe pôdre de tão antigo desta garganta minha.

E não. Você mais uma vez não entendeu.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

(Find The) Cost Of Freedom

Eu duvido muito de mim e das coisas que penso. E por isso as transcrevo. 
Não tente entender. E se realmente quiser entender, me pergunte. A tua conclusão preciptada só pode piorar o quadro no qual extenso as minhas palavras e que você pode julgar; o dever do escriba é sempre (a seu modo, linguagem e têmpo) dizer das coisas de seu coração, de sua fé e de seu tempo. 
Boi voador não pode.
Conheço o oculto de meu peito e adentro dele sei das coisas de meu coração - das quais admiro e exulto em ais. E por isso escrevo. E danço tango com a morte e como um pastel nas horas vagas.
E a escrita transcorre entre sua íris entre o lírico, épico, e belo; mas sabe lá tu de quê escrevo. Falo de minha vida, minha luta, minha saudade, dos pássaros, da geral que pia, e do peixinho-da-lagoa. Minha temática é híbrida e florida, mas você só pode entender se seguir meus passos de forma que ao eu te explicar porque faço uma coisa; o significado e valor que ela tem - pode não parecer, mas todos nós temos valor e significado, peso, história e legado; só precisamos saber se estamos fazendo jus a nossa bagagem ou sendo extremamente cuzões.
Como já dito anteriormente nos anais desse blog, a função do escriba é denunciar e por na história o que acontece contra os fascínios e os facínoras que nos cercam - e eu, como aclamado e dito escriba (e por vezes proclamado profeta da estepe), escrevo e transcrevo o que me circundeia.
Tal qual Jeremias (Jr XX;VII-XVIII), instalo em mim a lamentação ad infinitvm de um "profeta" que incute a verdade de Deus em comunhão com a situação dos homens, e escrevendo pois sobre as linhas apuradas de quem antes ouviu e sentiu Deus, nos pássaros eu vejo/sinto/ouço todas as coisas que acontecem de maneira ferrenha e apressada contra meus olhos, carne e alma: Falo da vista da janela, da amada, do vento, do amor, da morte, da lamúria e da Excelsa Glória de Deus, que se encobre e se vela nos altos Céus, que agora derramando gotas de chuva, abençoa a cada um de nós, que apressados nem sentimos o milagre da vida - seja pelo guarda-chuva, medo de desfazer a escova do cabelo, ou de ficar gripado.
Assim como o profeta, escrevo das carnes que sangram não (tanto) por desabafo, mas por um motivo bélico de denúncia: Pelo povo que padece, sofre e perece; eis, Padre Deus, minha missiva. E assim como o profeta, tangeste minhas mãos e minha boca com a tenaz para que eu dissesse e falasse com o peito e o coração; e das noites da taverna: bebi, berrei, briguei, embriaguei, e fui herói. Disse a eles o que escarnece sua alma e denunciei a atitude que corroe a alma, mas que eles não são capazes de aceitar. 
Subi ao altar. Sentei-me a destra do altar, na escada. Naquele instante, naquele nosso pequeno tractvs, ficou decidido entre nós dois o que havia de ser; e assim como o profeta, fui tentado, posto ao sopé da morte, mas ainda sim vivo fiquei para exercer minha parte do tractvs e da nossa aliança, e ainda sim quando eles fôssem reis, eu os pisaria para mostrar a sujeira, e quando eles fôssem pôstos em humilhação, eu os mostraria o verdadeiro reinado e espólio que Me ensinastes.
Não os julgo. Mas os condeno, e peço ao Juíz que mude os corações endurecidos, e deixe as lindas garôtas ouvirem, e os Céus turvarem. Peço a paz, a calmaria, e o abraço que os braços procuram - de causa urgente e passível de morte. Ah, assim como o profeta digo a iniquidade do meu povo, e faço minha parte além da denúncia, pelas obras e pela ação-em-fé. E isso me basta; ainda que eu o ache tão pouco, mas Me ensinaste Tua matemática, e nos dias mais soturnos, mandaste teus mais diferentes e diversos amigos para ter comigo, e por Tua imensa Glória o pouco que tive dividi - e se multiplicou, e quando nada tive, obtive tudo de Tuas mãos, e quando meus olhos choravam, foi lá Tu e desceste até mim e me segurou em Teus braços, e quando estava Tu deveras ocupado salvando os meus a quem onerosamente orei, mandaste novamente os Teus. E vi você.
E assim como o profeta; sabendo de meus imensos erros e incapacidades, escolhi Você e o Seu partido assim como me escolheste, me capacitaste e me enviaste para a messe barulhenta e briguenta do cativeiro, e com isso escrevi minha história na Tua e me prometi que meu nome seria sublinhado para que fôsse o Teu mais brilhoso, e até hoje os Teus amigos me ensinam diariamente esta lição; e não me arrependo de estar e viver neste lado da história, de forma alguma. Pois, assim como o profeta, és a minha Força, Certeza, e Alegria. E nunca seja eu objeto ou fiança, pois não sou e nunca fui merecedor de nada de bom que me ocorreu até aqui, Bom Pai.
É tudo pela sua imensa Misericórida.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Sunday Morning.

Estávamos bebendo eu e meu irmão ontem. Na sexta ou sétima garrafa, sei lá.
Rindo e conversando da vida.
Curando as feridas um do outro.
Acabamos de comemorar a morte de um desafeto nosso.
Eu o tangi. Feri de faca como há muito não o fazia, e desaguei naquele momento enquanto o punhal maldito descia entre a pele e jorrobatava sangue marrom, de raiva toda a minha agressividade e cólera soterrados por anos de cristianismo e bons pensamentos eu desapeguei para apenas ali fazer a justiça que não esperei do Céu, e tampouco a dos homens.
Quando, já em ponta de morte o desafeto ganiu, meu irmão puxou o gatilho com os olhos em riste e bradando de raiva. Os capangas dele deram um jeito no corpo, parece. E isso o ensinaria a não mexer mais com um casal que desce a rua para se divertir e tampouco balear a esposa grávida, roubar o dinheiro de alguém e quase aleijar alguém que não tem a ver.
Ríamos, brincavamos, como se aquilo fosse quotidiano em nossas vidas - e talvez, num passado distante o fora. O meu irmão, assim como eu e a gama de nossos amigos, vem de uma raíz nordestina, aonde ainda mantemos a situação a se resolver no brilho da faca - não que isso explique, mas denuncia muito a nossa conta.
Não tinhamos pais, e nossa formação era das brigas de rua, das missas, e das idas em estádios e tomar cerveja num bar que vendia escondido para nós. Eu, na verdade, me enveredei pelos caminhos de Padre Deus e me inseri no contexto apostólico e diplômatè. Meu irmão, pegou em armas verdadeiras e se sujou com hasseldamas, mas de contrapartida ergueu capelários, doou dinheiro, cuidava das crianças e viúvas e os que em dolosa aflição estavam, foi mecenas da providência divina. Eu, vivi. Ele, também.
Na mesa, cerceados por cervejas e pizzas, nós falávamos de Alvares de Azevedo, da existência de Deus, do princípio da minha - por supuesta - cura, dos heróis de nossa juventude, e de nossos demônios taciturnos, que arrodeiam nossa cama, daqueles que nos abrem os olhos quando queremos fechar.
Ele, em respeito a mim, não há de guiar e pretorar os passos da amada a quem um dia lhe pedi para que sentinelasse para que eu não me sujasse. Eu, em respeito a ele, pedi uma última alegria.
Tangemos aquele que nos fizera mal, e deixando-o na tendinha, seguimos como fazíamos na época em que éramos deuses: nos lavamos, olhamos um pro outro, nos abraçamos, e fomos descarregar o acontecido em cervejas para esquecer. Pusemo-nos um no lugar do outro: Fui assediado enquão acompanhado pela amada e doente, ele, ferido e pobre, com sua esposa ferida e sem o fruto no ventre dela. Isso nos impulsionou ao último ato transgressor - mas ainda lemos Agostinho, rimos e sabemos falar da somatória do medo, somos os mesmos, apesar de evoluídos(?).
O bar estava pra fechar, embrulhou a pizza e me deu os pedaços para jantar, me levou até em casa e me abraçou, e foi depois ver sua mulher e cuidar dela. E assim seguimos a noite de um domingo.

E apesar de tudo, somos humanos. Relicáriamente humanos. E eu acordei.

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Time Moves Slow.

 Estou aqui no hospital. Não imaginava que drenos no pulmão fossem incomodos. Já são três dias.

Depois de três dias a dimensão de tempo é tão difusa, tão surreal, que chega a incomodar.
Estou vivo ainda, por graça de Deus ou por alegria, talvez. Estou vivo, principalmente, pela esperança. As que imputam em mim e nas que eu gentilmente ponho no meu coração, ornando-as com a beleza de Deus.
Gostaria de beijo e abraço específico. Da voz e da tenaz palavra. Isso me acalmaria senão, atordoaria benéficamente. E neste frio, tremo as pernas com os cobertores postos, e sorrio. Apesar de toda essa lama, toda essa tristeza, ainda sinto e tenho um pedaço de Deus em mim. E isso também é esperança.
De esperança em esperança foi como vivi, pois assim pude deixar a providência divina e as obras da caridade nunca falharem dentro de sua matemática celeste.
Nunca senti que vivi pouco, pelo contrário: vivi o tanto que me coube, e tendo isso em mente não me regojizo ou me vitimizo: vivi o tanto que pude e que Deus deixou eu viver dentro de Sua tutela. Deus, além de Deus foi meu melhor amigo, pai, irmão, advogado e pretor.
Essa imunidade baixa e os dias frios me nocautearam. Alguns dizem que irei sobreviver e que rezam por isso. Mas, docilmente ponho nas mãos do Divino o querer (não só disso, mas de tudo que abrange minha mente agora). Caso viva, bendigo Meu Senhor. Caso morro, bendigo a Vida. Faço parte de toda uma sistemática que sinto entorno a alegria e a tristeza, e assim sigo. Na minha janela, não pousaram passarinhos, e isso me entristece, mas a nutricionista me deu gelatina de limão, e isso me alegra.
Achar a alegria em tudo, e agradecer a Deus por tudo, por todos a todo o tempo, esse foi o conselho que Frei Francisco me ensinou.
Tento, apesar de tanta dificuldade pesarosa e dificultosa, ver Deus em tudo, e mais dificultoso ainda, agradecer pela Sua ditosa vontade. E neste estreito espaço de navio, oro. Acho que nem nos meus tempos mais espiritualizados eu rezei tanto. Este frio me trava os dentes, mas me liberta a alma. E se eu voar, eu posso ir te visitar? Sentar na beira da tua cama, cantar tua música, e te fazer sorrir? Como um passarinho marrom?
Mais uma noite. Mais uma noite. Menos uma noite. E o Sol desce no cinza e arqueija a noite densa e enevoada. Sorrio. É das noites que gosto, mas como um mercúrio, me envenena em doses lenta. O que amo me mata. Sorrio. Se me sobra, sobra tu, letra ditosa da pena. Inclina-te em minha ordem, pois ainda em claudicância eis que mando o teu ditar: escreve, escriba; se não como testemunho, como ao menos um alpendre de verdade para quem ler como memorial. Se me cabe escudo, agora liberto-te, a adaga oculta que guardei para a noite memorável quando me amavas: Diz-me, Deus - a qual roga os miseráveis, quão longo e dulce suplício é esse que me embute, se nunca pedi ou desejei galardão de santo?É pela minha relutância, tal qual Cupertino, que me fazes assim? Sou filho da porta estreita, e por ela passei n vezes sem murmurar, mas, quando me põe no sopé da morte e vejo eles tão distantes, sinto-Te mais ainda. Não te abstém, força minha, Corre Tu em meu socorro e salva-me nas excelsas glórias, pois da porta santa abri para chamar Teu nome.
És o Deus de Dona Antônia, o Deus que ela há tanto e muito rezou e que nunca foi confundida. É a Você que clamo nesta hora de minha solidão e amargor.
Eu acho, que eles chamam de milagre. Eu chamo de vida. Eu chamo de viver.
Ora pelos meus, e salva a minha (ela) do laço do passarinhedo, e quão a minha vontade, que seja inferior ao Teu querer. Por isso lhe invoco, glorioso Jesus Cristo, Filho de Todo o Poder Criador que me amou primeiro, atira-se no precipício que me encontro e reclina teu Bom Ouvido para ouvir esta última prece: Deixa as lindas garôtas ouvirem e deixa os Céus turvarem. Encosta-Te em mim e abraça-me, para numa última vez, unido a Vós, possa sentir o amor o querer, e estando na mais alta dificuldade, sê Tu aqui meu animador, e dá me o riso. Alteia meus olhos, e reconecta-me ao que perdi para que encontre. Dá-me vida para que eu possa terminar a promessa que te fiz, e escondido dentro do Teu Sagrado Coração, não me vejam, sintam, ou possam agir de mau juízo de mim.
E estando eu contigo, que você me alivie cicatrizando todas essas chagas para que eu, estando junto a Ti, possa apenas me glorificar de Você ter me acolhido e restituído tudo aquilo que perdi - e vagarosamente - retorna ao oculto de minha mão, ou como nos diz o profeta: "retorna em mim o riso, e faz-me viver". Dando-me, tais poucas três cousas que lhe peço, rugirei como o Leão de Baoz para que não Maculem teu nome, e sei Teu Capistrano. Ergurei elogios e honras, e mandarei promulgar Teu Nome, pois nesta presente agonia e sufrágio me valeste.
E que eu só leve alegria a todos os corações, amen. E de paz em paz, roguemos ao Senhor.

Alto! O Sagrado Coração está comigo!

terça-feira, 26 de julho de 2022

Argumento.

Se quiser saber de mim, ouça meus discos. Principalmente os meus favoritos: Os de samba de roda, os de progressivo, os com baixo marcado, e passe a mão na minha cerveja e sinta o que minha língua amava, se abrace na minha camisa favorita, e se te cabe saber, meu suor e meu perfume ainda estarão lá. Não vou e nem quero desanimar, apenas estou deixando tudo isso pra depois.
E eu, quero desesperadamente teu abraço e teu aconchego.
Se te interessar saber, eu ainda estarei nos lugares que tanto amei e cada pedaço de mim estará fragmentado dentro de quem eu tanto amo e tanto estimo como uma horcrux, e quando você quiser me procurar, ache-me nos sorrisos, nas minhas devoções, na minha fé, nos abraços que te pedi, na música que te fiz, nas cervejas, no Corinthians e tudo o mais que eu tanto cativei e cultivei. Se quiser saber de mim, fale com quem sabe de minha gênese, do meu agora e do meu fim; Pois quem souber de tudo isso vai te contar de mim, e quando minha carne for de terra, seu sorriso não me atingirá, e quando minha lamúria virar paz, você notará que tudo foi preciso como a ciência de Deus. Lírio.
Quando quiser saber o que eu sinto, vá nas igrejas que tanto fui e tanto amei, e chegando lá, dobre seus joelhos ante o altar e olhe: Seus olhos verão o que eu vi, e assim seu coração sentirá o que eu senti. E logo depois de sair, me encarregarei de te consolar, eu serei o vento em lhe beijar a face, serei o semáforo para atravessar, e a condução rápida e vazia, e quando chegardes em casa, serei a refeição saborosa e o descanso na cama com a janela entreaberta.
Serei a música que toca seus ouvidos, e que encrostada nela, lhe trará uma mensagem de atitude positiva. Ou realista. Mas nunca negativa; serei alguém que mesmo distante, estará mais próximo que você imagina, mas não nesta hora. E se você ainda me procurar, não me achando nisso tudo, saiba que em tudo eu serei, eu estarei - se você quiser.
Segurarei os dias, horas e minutos, ou os apressarei, e tomarei partido do que vale, assim como suas lágrimas serão nuvens que pedirei pra Deus rachar em forma de chuva, e com isso lhe darei toda a experiência de estar, ser e sentir. E nos avisos, na escrita do muro, na orla da praia, na síncope, na blusa que te veste, tudo... Ali sou eu, ali eu estou. E não faço por mal, nem me leve a mal. É apenas parte da minha palavra, minha promessa. Serei em você a saudade que eu sinto agora de você.

E o resto é apenas um detalhe.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Carta a André.

 1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba a André, escriba ad ibdem. Que eu, ao jogar meu manto sobre você, seja como meu Eliseu, e vá até onde eu não consiga ir, veja o que não pude ver e entenda o que não entendo. Seja melhor e mais do que eu já fui. 

2 - Amenidades;
Bendito seja Deus! Teu presente, além do material, é subilme em me dar de volta teu convívio em minha vida! Exulto em ais pela dor e pela glória de te ver homem feito, forte, e crescido e acrescido por uma majestade incorrputível, da qual vejo tua letra forte e precisa, tua justiça impecável e teu zêlo pelos teus - qual inclui este velho escriba de fim-de-feira. Leva sempre esse teu coração assim: forte, justo, belo e miraculoso sem ser manchado, e defende teus ideaes com a força que ergues, pois vejo em teu camiño coisas tão magnânimas que me alegro de ter visto quem eras, é, e Oxalá há de ser. Que o Bom Santo Antônio te valha!

3 - Preparação para a morte;
Te tomei como filho-de-lêtra mesmo sem saber se tens pae-de-letra, e te dei meu bastão, e não há necessidade de o honrar. Vi em tu (além do signo) cousas de minha juventude e enxergo em ti cousas que eu sinto, por isso lhe tomei ao modo de Isaías "Nada temas, pois eu te resgato, eu te chamo pelo nome, és meu. Se tiveres que atravessar a água, estarei contigo. E os rios não te afogarão; se caminhardes pelo fogo, não te queimarás. Porque és precioso a meus olhos, porque eu te aprecio e te amo, dou reinos por ti, entrego nações por ti. (Is 43; 1-2;4)" e fiz uma glória literária em ti. E meu acerto estava vero. Assim sempre soube, e hoje to confirmo; quando me chamar saudade, minha cadeira vazia não precisa ter assento esfriado pois a herda segundo minha vontade, e toma minhas leis pessoais para ti em forma de conselho, e diz verdade ao juíz, consola os aflitos, entretenha os angustiados com histórias, e aos que necessitam de camiños, dá-os exemplos - assim vos peço para que eu me satisfaça. 

4 - A Doutrina do Escriba;
Filhinho, o escriba tem como função principal ser um narrador sério (caso teu), ou debochado (caso meu) perante a história. Nos cabe a história em três pontos: parcial, imparcial ou em forma de fantasia. Eu escolhi o caminho mais perigoso que seria o imparcial, na qual não extinguo nada e nem ninguém de culpas, porém, sabemos bem que esse fator é um dos mais difíceis de ser elaborado. Nosso dever é guardar a história, ou inventar a história para que as pessoas esqueçam a penúria de sua própria história. Por mais que não sejamos postos em régua de igualdade diante do tempo, estamos aqui; sendo fortes e relatando tudo num breve tempo histórico - e quando nosso tempo passar, aí teremos valor diante do tempo. 

5 - Admoestações Geraes;
Seja feliz. E escreva de tudo um bocado. Sente-se na grama e veja as folhas das árvores dançarem com o vento, e se houver um lago ou rio perto, vê a água translúcida. Olha o Sol se deitando em cada coisa da terra, sorri, brinca e fica em paz. Cuida dos teus - como já tens feito - e faz mais por eles do que eles por você; nessa vida, o servo é maior que o Derr Konkistörr. Ser humilde, manso, e prestativo não é sinal de fraqueza e submissão - muito pelo contrário: é a maior prova de amor que se dá a uma pessoa e o maior exemplo de cristianismo e fidelidade a Nosso Senhor. Quem abusar, nos ridicularizar ou nos fizer de bobos é quem perde: nosso coração é imaculado, e nos fizemos prontos para amar, perdoar, cuidar e reconciliar como o próprio Bom Jesus nos pede. E é aqui que nos diferenciamos deles.

6 - Brevidade da vida;
Pensemos, pois na vida após o que vos escrevo, filhinho. Ela, tão breve e efêmera escorre de nossas mãos; logo, devemos ter felicidade, e lutarmos de forma pacífica pela paz de espírito que almejamos, devendo também não deixar nada para trás, tampouco o que sentimos, pois nosso sentimento é a extensão de nossa alma. E dado este logos a ti, te rogo que sempre seja claro, diga as coisas precisamente tendo as ventas, e após ter dito, tenha a paz e a certeza de que fez o melhor - e o que for de direito, pura e simplesmente teu, volverá a tua mão. Sorria, abrace demasiadamente e faça do amor cousa frutífera que extensa até ti e os seus, e eleve o cariño a forma de vida. E assim, seus dias serão extensos, fortes, belos, dignos e miraculosos.

7 - O Ato de escrever;
Escrever, pois, ser um escriba, é a fatoração de uma situação, e deve ser feita com muita prudência, seja a de forma realista ou de proforma fantasiosa. Lembra-te, que temos inúmeras histórias a contar: de caso vero e de caso pensado de nossas máquinas encefálicas, por isso, pontua a letra na tua pena, e dana-te a escrever, escriba! Faz tua forma, e divulga a cada rincão da terra das notícias e dos contos que permeiam o teu universo (público e particular).

8 - Sobre a solidão;
Sim, filhinho, lhe digo que nosso camiño é tortuoso e por vezes mui solitário. Digo isso de minha própria experiência, por vezes, me sinto só e tenho passado por muitos momentos sozinhos em nível de carne. Tenho passado por vezes dificuldades, ora materiais, ora sobre-humanas, mas mantenho-me, pois me disseram que o que hei de receber é maior do que pela purificação que passo. E sinto, a cada segundo, que por momentos, uma Potestade cuida de mim, e a Ele entrego nas minhas preces o alívio das dôres, o ter do que comer, o aliviar da dôr de dormir no chão, e de poder novamente ter com quem estimar e se entregar o côrpo cansado nessa solidão. Esta época, é minha época mais frutífera em escrever, e desfio textos, crônicas, contos e frases, pois na solidão, o escriba registra o momento, e, quando em perigo de morte, ele registra com mais afinco. E é isso que nos torna testemunhos do tempo presente para de certa forma sermos também ferramentas do futuro para entender e (re)viver o passado.

9 - Conselhos finaes e benção;
Agrado-me em vós, e tenho estima por suas formas literárias e suas visões sobre o mundo, e sei que mesmo quando aceitas de mim o bastão e o manto, tomas nova forma e incrementa em teu ser uma nova face - como toda carga que chega e se agrega em valor na nossa vida - seja literária ou pessoal. Deixo-vos no Sagrado Coração, e peço a Padre Deus que sempre guie teus passos, e lembra-te sempre de voltar ao começo; Deus te abençoe, Deus te faça um bom homem, Deus te faça feliz! Laudos do teu pae escriba.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Carta a Lilian.

 1 - Prefácio e Saudação;
Marcvs, escriba, para Lilian. Que Deus te acolha, ouça teus rogos e salve-te de ti mesma. Que nesta carta que discorro a vós possa eu mostrar por exposição histórica e teológica os motivos prudentes e perenes para mudar sua mente antes que você se arrependa dos atos que hão de se seguir. Tua carta me tomou três dias pelas idas ao hospital a noite, e por achar palavras precisas em te demover. Espero que leias com o coração aberto:

2 - Considerações geraes;
Devo admitir que mo encheram os olhos de cólera o que li de vós, e o caminho que te tomas. E o sorriso que nutria de ti, ó amiga, caiu e esvaneceu como areia em ampulheta. O engôdo que tenho do sangue sujo, junto com tuas novas formas de querer viver libertinosamente, e me dão mais nôjo e raiva. Aparta-te de mim, e do meu rincão se te for melhor tomar esse caminho que adiantas o passo agora. E abstenho-me de rir, mas sim me ponho na risca de levantar meu calcanhar contra vós, pois me lembro das antes de ti - das quaes alguma tu conheceste pois era também amigas de teu irmão: Rachæl, Luíza, Conceição, Ana, Mariana, Bep, e as justas que se perderam no caminho. Te rogo, enquão não te maculas: aparta-te de mim. É o demônio que te aconselhas, messalina! 

3  -  Preparação para a morte;
Tenho meus pecados, tristezas, e todo o restante. Mas, sei bem que eu na batalha para cuidar de meu fim, adianto-o. Gostaria que você também pensasse assim, ao menos não tomaria tanta rota errada como acerto e se arrependeria futuramente. Espero a morte como quem esperava a coragem da boa briga, ou de dobrar o sino no linguote. Espero a morte como quem espera a pena capital, e vivo enquão posso, e peço a Padre Deus que minha ida não afete o ecossistema que me arrodeia, mas, que se faça em expiação de meus pecados e pela piedade dos meus. Que seja eu sopé da porta para que Meu Bom Senhor passe. Se sofro, e Deus o permite, foi porque eu mesmo pedi que minha vida fosse uma forma de evangælho aonde pudesse perseverar na fé e que por minha luta, pudesse levar pessoas novas para conhecer Meu Senhor. E se a tudo passo em necessidade, aflição, dor e solidão, tenho Meu Bom Senhor a meu lado, e Ele me provém e restaura tudo em Seu tempo e de acordo com minha necessidade. 

4  - Perca de fé;
A Fé se faz necessária, mas a perca dela é fator comum. Nós, de gênero humano somos fadados pelas tentações demôníacas (tal qual as de seus futuros atos) a termos um afastamento de Deus. Mas devemos a todo instante e momento volvermos nossa carne e nossa cabeça a Padre Deus, e dando-nos este tratamento, logo estaremos propícios a estar com e em Deus - seja por costume ou por aprofundamento da fé. Comece com uma breve prece. Depois reze uma oração, e após isso volte a rotina. Ao menos, tente; talvez isso faça você voltar ao seu eixo de prumo. E talvez no orago, você possa ter assim ter finalmente consolação e sair dessa vida vazia e não cair no poço errôneo que d'agora queres a água amarga. LEMBRA-TE DE RACHÆL!

5 - Loucura da Santidade;
Todo santo ou propenso a santidade é louco, degenerado e renegado - e isso nos mostra a história e o tempo hagiográfico. A inquietação, o amor irracional pelas cousas do Céu, e principalmente a vontade de melhorar o mundo. De vera, ainda qu'o defenda o laicismo do estado, me vejo a crer que a melhor infraestrutura para uma sociedade é a pauta cristã; e não porque nós somos melhores, mas porque agimos de perdão, amor, justiça e misericórdia. E quando fazemos esses quatro feitos de verdade, abrimos nossa alma verdadeiramente, e O Justo Pai das Luzes, vai nos guiar e nos dar enfim, a paz que só Ele tem e é capaz de nos dar. 

6 - Medo de sofrer;
To me dizes do medo de sofrer. E vens dizer isso a mim, que jorrei lágrimas de dor fronte a musa? Vens dizer a mim que durmo no chão frio enquão minhas carnes vibram de dor e por vezes derramo sangue de meus ouvidos? Vens dizer a mim, que acordo todo dia a vomitar? Vens dizer isso a mim que me encontro só em gênero de carne? Vens dizer isso a mim que perdi o pouco valor financeiro que tinha guardado? Vens dizer isso a mim que passei duas noites no hospital após a dose da radio ter dobrado? Vens dizer isso a mim que estou sem força de batear roupa na mão? Eu sei o que é sofrer, e carrego no oculto de meu coração e elevo esse meu sofrer ao Bom Senhor que mais sofreu por mim. E não digo metade do meu sofrer, pois estamos em época temporã de criar mártires e fazer teatro do afã alheio. Você não sabe o que é sofrer, Lila. Louva cada pedaço, recôncavo, cama, fogão, geladeira, tv, dinheiro, roupas e amigos que tem. A vida ainda não te deu o vero sofrer, então roga a Padre Deus nessa piedade.

7 - Consolação;
Se eu puder me glorificar, que me glorifique no Senhor, e se for para exaltar, que sejam as virtudes dos meus, tão melhores a mim. O sorriso me consola, o abraço me alivia o fardo, a eucaristia me cura, e o terço me faz sentir forte. A minha consolação baseia-se n'Um Deus Misericordioso que desce até mim através de um afago, uma hospitalidade, um beijo, um almoço, um lavar de roupas, uma carona, uma ajuda, e nos milagres tão inexplicáveis que fogem de minha língua explicar. Minha consolação se baseia na minha fé e na minha crença, e agindo-as com mutua respeito, formam-se numa coisa só. E ter a consolação verdadeira, é saber que Deus dá, Deus tira, Deus restitui, Manda buscar, conserva e melhora. 

8 - Considerações finaes;
Deixo-te com Deus e o Bom Santo Antônio. Peço a Eles que mude tua cabeça e tão muito e tão logo você possa mudar sua vida e mudar seu jeito de ser, começando por sua nova escolha de vida. Ouve. Para. Pensa. Muda. E para melhor. Minhas preces e bençãos se extensam até seu filho, e rogo a Virgem Maria por vocês. 

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Entrevista ao zine ¡Ahi Gabriel!.

 (N. do E.: Texto traduzido da entrevista ocorrida na segunda passada para Vicente Garranzón para seu zine de leitura underground argentino ¡Ahi Gabriel!, que sairá em veiculação na última semana de Julho).

Perfil: Marcus Queiroz, 30, Brasileiro, mas acha Garrincha melhor que Pelé. Escritor de mão cheia, mantendo há 15 anos um blog de crônicas de sua vida pessoal, poemas e textos de virtude e sentimentos bem precisos. Em setembro, lança seu primeiro livro: "Entre as Cidades", de trama gostosa e envolvente, de estilo eclético e bem trabalhada com palavras de acesso direto ao corpo da história, que gira em torno de cinco amigos, tomamos a frente e o entrevistamos com a exclusividade clandestina de sempre falando de seu panorama geral, perspectivas, forma de texto e amenidades, confira:

Legenda: AG (¡Ahi Gabriel!)
MQ (Marcus Queiroz)

AG: Marcus, obrigado pela disposição em falar conosco! Em primeiro lugar, gostaria de dizer que você continua sendo um dos melhores escritores underground do Brasil, e como você mesmo escreve, da Piratininga!

MQ: Obrigado, Vicente. E fico feliz em ter acompanhado este zine ter nascido lá em 2015 e tanto tempo depois estar sendo entrevistado por ele. É uma boa alegria!

AG: Diga para nós Marcus, como se deu o processo de "Entre as Cidades"? Ele se encaixa em alguma corrente literária?

MQ: Bem, é um livro de pequeno teor, creio que ele não esteja em algum tempo literário. Mescla um pouco da vida, com alguns valores alegóricos, mas nada puxado para algo absurdo ou que não possa ser sentido por qualquer um - a ideia é justamente dar ao leitor a sensação de história fácil, que pode ocorrer na vida de cada um. Eu literalmente tive um estalo e pensei "ok, vou escrever um livro". E assim nasceu num raio de seis meses.

AG: Eu admito que quando li a parte um achei muito interessante, mas na segunda parte eu perdi o chão. Você considera esse seu magnum opus? Porque para uma obra sem ambição nascida em seis meses, ela tem uma carga muito forte.

MQ: Na verdade, não Vicente. Para mim, "XXVII" ainda é meu magnum opus. Foi uma das poucas coisas autorais que consegui trazer do seminário ainda em tempo quando saí. Para mim aquele foi meu melhor trabalho. E ainda continua o sendo.

AG: E eu sei que é um assunto que você evita falar, até mesmo com o saudoso Ali do Cosmos, mas, e os outros dois livros anteriores? Você realmente não os tem? Não seria interessante podermos lermos também?

MQ: Grande Ali! Deus o tenha entre os justos! Bem, os dois livros foram um fiasco! (Risos), eu perdi muito da esperança de escritor neles, e o 1° livro ainda tem uma ligeira parte solta no blog - fragmentos para ser exato. E o 2° livro que tinha o nome de "O Segredo do Sol", para uma surpresa minha, eu achei completo numa arrumação, e fiquei até feliz de ter visto, mas não penso em publicar ele, creio que vai contra muita coisa que hoje acredito, e talvez a opinião pública também não gostaria.

AG: Tudo bem, mas depois me deixe conferir!

MQ: Claro, lhe envio! (Risos)

AG: E sabemos que infelizmente você está doente, mandamos daqui de Argentina nossos sentimentos de cura e melhoras. Pelo visto, você também deixa transparecer um pouco em seus últimos textos sobre seus sentimentos nesse quesito de sua vida pessoal. A sua escola literária também transparece muito no que você escreve. Isso é intencional?

MQ: Olha, intencionalmente nunca foi, mas não deixo de ser influenciado pelas minhas leituras. Isso é para qualquer escritor que se enquadra também num foco de leitor. Atualmente tenho lido muito sobre teologia, e depois disso me inseri num contexto de back-to-roots, aonde eu poderia transitar entre meus tempos literários.

AG: Devo admitir que as suas últimas postagens, no caso as cartas, estão de pro-forma impecável, e de uma realidade translúcida, porém desesperançosa.

MQ: Não podemos ser fantasiosos o tempo todo. Por isso aboli alguns termos do meu glossário pessoal - a Feira da Renascença, por exemplo. Era uma figura de linguagem que amava, mas abandonei.

AG: Eu adorava a temática de contraste entre a Feira e o Crepúsculo...

MQ: Idem, mas partir do momento que um texto deve ser acessível, devemos ter palavras mais cabíveis ao entendimento, tal qual as expressões e figuras.

AG: E os planos para o blog, Marcus? Quais seriam as metas para o futuro? Você conseguiria manter ele num processo de curto prazo enquanto trabalharia num próximo livro, por exemplo?

MQ: Creio que sim, sabe? Eu não estou afim de escrever mais um livro, e creio que "Entre as Cidades" não teria uma continuação ou ramificação - ao menos se Teresa (personagem do livro) fosse uma raíz que interligasse os dois. E enquão isso, eu preciso até de certa forma do blog para ir escrevendo coisas aleatórias para ir aliviando a cabeça ou praticando outras escritas; o meu gênero de escrita favorito ainda é a Crônica de Ordem Social.

AG: Marcus, não duvido que você seja capaz de fazer e manter isso. E me alegro muito em ver o blog em definitivo e em aberto. Para um leitor de primeira viagem, sua escrita é totalmente fechada, mas no seu livro pelo que percebi você usa uma linguagem acessível e dinâmica. Tem algum motivo?

MQ: Bem, na verdade o blog é mais um alfarrábio meu. Caso eu esteja com Alzheimer no futuro, ali é um lugar que eu posso entrar e sair, transitar tranquilamente sem ter como todos perceberem entre as minhas memórias. A minha sorte foi ter escrito de forma reclusa, com palavras arcaicas e expressões tão minhas que até quem acha que sabe do que digo, se engana! (Risos) E quanto ao livro, bem, livros tem que ser acessíveis, não?

AG: Com certeza.

MQ: Então é por isso que escrevo dessas duas formas.

AG: Marcus, quais os planos para o segundo semestre deste ano?

MQ: Bem, divulgar o livro, escrever o máximo que puder, e aguentar firme até a festa da Transfiguração. E agora podendo tomar uma cerveja


AG: Marcus, uma pessoa singular de humor sarcástico e de grande verdade, leitores! Uma honra ter você nessa edição de ¡Ahí Gabriel! E esperamos poder fazer uma resenha longeva de seus escritos.

MQ: Vicente, mais uma vez agradeço pela chance de falar um pouco de minha trilha literária, e espero que você possa gostar de meu livro. Assim que eu terminar as prensas, lhe envio uma cópia física.

AG: Eu agradeço, amigo. Uma última observação?

MQ: Apenas agradecer pelo carinho e o convite! ¡Paz y Bién!

quinta-feira, 30 de junho de 2022

Carta a Fillipi.

 1 - Prefácio e saudação;

Marcvs, escriba, para Fillipi, seus dois rebentos e adjacentes. Que a alegria de sua vida seja sempre esse combustível que queima em nossa alma. Evoé!

2 - Avisos geraes;
Escrevo em saudades. De um amigo, de um irmão, de um amigo que empresava comigo desde as idéias e piadas bestas até o mais sério dos assuntos e os guarda em seu coração como um cibório. Escrevo com a pressa de um churrasco do Gabriel(TM) com direito a cachorro de polo. Escrevo pelo anseio de sentar com vós e lhe dizer tudo e o tanto até aqui - deixa-me, irmão, rir mais uma vez, brincar mais uma vez, ser feliz, e debochar com os meus que amo. E nas nossas brimcadeiras juvenílicas, ao menos uma vez, eu possa me sentir imortal de alguma forma.

3 - Preparação para a morte;
Estou indo hoje para Alvim. Na verdade, enquanto lêes, já devo estar a caminho da volta para minha nova morada. E espero que o tempo seja bom comigo e com você. Espero que sejamos carinhosos com o tempo, e mais além: que a escrita seja a sua única arma, e que o seu sorriso em sair do degrêdo seja validado por suas meninas que lhe amam, e por quem te acompanhar do lado - e faço votos, pela Santa Madre d'Deus, que tenhas quem te ame, e te faça bem. E conta pra eles que eu também escrevia, mas não tão bem como você, e muitas vezes eu queria ter escrito com você, pois sinto falta dos amigos que me escrevem e aos quais escrevo. Tens músculos, mas tens cérebro e tem a lira e a pena. Usa-as!

4 - Admoestações geraes;
Guarda tuas filhas? Como lhe diria isso! Pai honroso e ditoso, tal qual o Bom José é tu, menino meu, e se ensinas tuas meninas de modo como pensas, o mundo lhas serão de fácil entendido e não serão confundidas. Pensei pois em lhe admoestar algo, mas não posso, pois sermos de mesma raíz e foz, temos o mesmo modo de pensar, por isso vos rogo, antes que o tempo não dê, guarda todos os nossos sorrisos num baú de prata, e sorri para mim. Prometo lhe sorrir de volta. Ria. Brinque. Deboche. Ouça um som. Ame. Chore. E principalmente nunca se renda e se entregue a cada causa, pois tudo aquilo que nos é feito de peito aberto e mente incisa, não nos será objeto de repulsa ou raiva posterior.

5 - Solidão;
Se me perguntas, digo que estou bem. Mas no oculto sabes que não estou. E isso me entristece. Mantenho-me de olhos abertos, e no meu oculto dilacero e dilato aquilo que nem as paredes confesso e me corrói a todo dia. E minhas lágrimas jorram molhando todas as langes. Me encontro na caravana de um beduíno. E o Sol é forte. Quem me oferta água?

6 - Resposta;
Pedes para que lhe peça algo? Que coisa pediria? Apenas uma, que seria a mais dificultosa: Constrói-me uma mulher. Menor que eu, de cabelos pretos, olhos castanhos, boca carnuda e de mil tatuagens. Constrói-me uma mulher que ria, brinque, fale asneiras e releve os meus erros como relevarei as falhas de construção dela. Constrói-me a mulher de coxas almofadadas aonde descanso o peso do mundo em suas pernas, e que pelo afago dela em minha barba eu não sinta por um segundo dor no corpo, doença, raiva, cansaço, tontura ou náusea. Constrói-me uma mulher que lute para me erguer como eu a farei ser meu hasteio e pendão - pois eu a farei. Constrói-me uma mulher que canta como um rouxinol da manhã aonde eu possa dedilhar minha viola, que ornada com a voz dela, fará o mundo ser melhor. Constrói-me a mulher de mãos boas para cozinhar, que prepare o frugal, trivial e o inovador, e que sem me por em pé de surpresa, consegue me fazer evoluir nas pequenas coisas - das quais amo tanto. Constrói-me uma mulher, do mesmo credo que o meu, que venha a missa comigo, e que comigo, seja mais do que nenhuma outra poderia ter sido; e se tu, ó ditoso amigo, puderdes fazer isso, vos louvo e digo que realiza o que ainda tenho desejo no oculto do meu coração.

7 - Sobre a felicidade;

E tu, mantém a felicidade como meta, e atinge-a; Obrigo-vos. Que teus olhos não se fechem até estar em paz e em graça com a paz e o amor de Deus e os teus desejos e sonhos;  Luta até o fim contra tudo que te fizer ou parecer inimigo, e mantém-se firme. Mantém-se com fé. Obra a esperança dentro de ti, e não deixa de jeito maneira que ela seja roubbada de ti. Guarda ela como tua terça filha! E assim, dessa maneira, somados aos teus dons, boa e justa vida sei que há de ter.

8 - Despedida e benção;
Te abraço e te guardo em comunhão. O meu abraço se extensa até Gabriel, Aninha, Nath, Migvæl, Tufão, Maiqvis, Wagner e os nossos. E diz que os guardo em mui carinho e mui saudade - Que Deus os abençoe e os ponha todos entre os Santos, Únicos, Justos, Profetas, Primeiros, Virgens e Mártires. A você, que a benção que lhe dou extensa até tuas meninas e to dou a prosperidade de uma vida boa, longe e livre de todo o mal. Te amo, estimado irmão. Guardo-te até a vista.

terça-feira, 14 de junho de 2022

Carta a Bep.

 1  - Prefácio e saudação;

Marcvs, escriba e claudicante para Bep Andrade e os seus. Que Deus encontre graça e paz na sua família, e faça nela prodígio de louvor.

2 - Prodígios e peixes;
A vida, Bep, tem sido dificultosa mas não me queixo, entrego a Deus cada passo meu e quem conhece minha alegria vê minha tristeza e quem abraça minha dor será minha motriz para orgulho. Tenho a cada dia olhado o movimento dos barcos, e visto as coisas acontecerem, e eu, a cada segundo espero que as coisas melhorem - peço teu perdão em não ter dito nada sobre a moléstia que me aflige, não queria lhe afligir ou tampouco fazer algo que pudesse lhe preocupar, conhece minha natureza.
E sim, ainda tenho meus transes e êxtases, mas os oculto e apenas digo aos meus. Tenho sim evitado de pensar e dizer dessas coisas pois sei que a primeiro momento tudo o que eu possa vir a dizer sempre serei taxado, então ainda guardo - e pasme! - até agora um peixe foi falho, e fui justamente a do Heitorzinho. Vai entender...

3 - Preparação para a morte;
Não quero, não propenso e nem estimo viver mais do que a minha mão alcança e porque meu coração deseja. Sei que uma hora irei me esvanecer, e talvez mais cedo do que imaginávamos. Em Agosto, quando vierdes, quero que eu esteja ainda por aqui para poder te ver e te roubar um abraço (com cautela, pois estou dolorido), ver Rodrigo e teus filhos. Quero poder ver-te, amiga, em terras brasileiras e te dar seus presentes. Te sinto em saudades pessoais e gostaria de podermos nós três comermos uma feijoada e rirmos um pouco; necessito de alegria em minha vida, e por mais que as palavras de vocês me reconfortem, me interessa um pouco de contato humano. Não tenho medo da ida, Bep. Mas tenho medo da condição que me envolve, por isso escrevo aos meus e aos que tanto estimo.

4 - Sobre a perseverança;
Abrace seus filhos, e os ame. Beije teu homem e o celebre. Cuide-se, e mantenha a fé. Persevere. Lute. Seja gentil, dócil, mansa e humilde, e não tenha medo - o Atos dos Apóstolos segundo São Lucas que nos ensina que não devemos ter medo. Por isso, te dou a coragem dessa vida, tenha-a como tenho, e respire cada segundo desse ar, como eu respiro. Ter medo neste instante e nesse momento é totalmente inconcebível, e saiba, que ainda rezo por vós, os seus, e pelos seus desafios.

5 - Conselhos finais e benção;
Te guardo no Sagrado Coração, na barra do sari da Doce Virgem Mãe das Candeias, e na proteção benéfica do Bom Santo Antônio. Que seus filhos estejam em paz, harmonia, glória e amor. Que seu amado seja sempre seu eterno e infindo amor, e que todos seus desejos puros e sinceros de coração se realizem. Seja forte, determinada, tenha fé e coragem. Deus te guarde e te proteja, Bep!

sexta-feira, 10 de junho de 2022

II Carta a Kamila.

 1 - Prefácio e Saudação;

Marcvs, escriba e propagador da letra, no pensar e magistério, para Kamila, yalorisà de Oyà. Que a Virgem Doce Mãe das Candeias te livre de todo o mal, injustiça, iniquidade ou presente tristeza ou duvida!

2 - Felicitação e admoestação;
Ah! Me exulto em tão boa resposta, e preceito posto. Aceito de bom grado novamente tua consorte para me dar a motriz, e tu, ouvindo meus ganidos de dor, como Simão de Cirene me ajuda a andar e seguir. Amiga, te rogo no Sagrado Coração que seja sempre em paz tua vida, teus caminhos, tua voz e tua bondade com este pequeno pedaço de escândalo e escárnio que vos escreve - rogo-te mais: como futura yalodè (é assim que se escreve? Nem me lembro mais...), que tenhas sempre o senso de justiça apurado, a bondade em abundância, o corpo fechado, as misericóridas abertas e principalmente a caridade como força motriz de toda função e ação que hás de ter, e acima e adjunto a isto: que seja a verdade sua mãe e o amor teu pai, e assim, teu sacerdócio, tal qual Melquisedec se perpetuará na boca dos que te virem e ouvirem.

3 - Preparos geraes para o fim; justificativa do modo (forma) de vida;
Mãezinha, quando for minha hora de morte, te rogo neste expresso capitulo meu desejo: Enterra-me na minha zona leste que tanto amo. E enterra-me com o bornal (poncho) que lhe mostrei, com o capuxo posto em minha cabeça e abaixo dele a camisa do corinthians que é a minha favorita. Se possível dá minha corrente com minhas medalhas ao primeiro irmão de rua que virdes pela frente, e arruma minha barba como gosto que ela fique, e deixa-me partir com os pés descalços, sem sapato ou meia. Guarda-me em excelsas memórias, e deixa que a terra fria crie raízes em meus cabelos, e meus olhos fechados possam ver o mundo, e descansando de uma tristeza e amargura, abrindo meus olhos para uma nova vida, possa eu sorrir e glorificar ainda sim mais um minuto, mais um momento, mais uma hora aonde se faz sentido estar em paz de lá do lado do lado de lá. Diz aos meus que fui herói, que venci, perdi, caí e reegui. Fui logrado, e dentro de mim guardei o peso de cada segredo, lágrima, alegria e euforia. Fui rei e escravo, fui mestre e escriba, profeta e ouvinte. E não me incomodei em estar por cima ou por embaixo - tanto pelo contrário; tudo o que fiz foi pensando em ser feliz, dar felicidade, e obter satisfação. E a todos, diz que fui ninguém de importante, apenas pó de poeira, resto de subêjo, fim de feira, e os que se revoltarem, estes saberão de mim - e eles se erguirão para falar meu nome com carinho, os verá.

4 - Sobre o Segredo;
Guarda teus segredos no oculto de teu coração, e revela-os somente a Deus, e no máximo aos que merecem teu respeito e tua confiança, e trabalha-os, evolui-os, e usa-os como régua e alicerce para ir além; e não tendo medo, guardados e bem distribuidos, irás ver que eles crescem, frutificam e ficam em paz e em força. Sonhos são diferentes de segredos sim, mas, uma hora um sonho se torna segredo, e um segredo mau fecundado se torna sonho. E deixar um sonho morrer é abortar uma idéia que não se teve a chance de se apresentar decentemente.

5 - Propagar a tudo e todos;
Hastear um pendão (bandeira) é algo de extrema dificuldade. Mas é feliz quem propaga sua idéia/ideal, e leva com dedicação tal feito. Por isso rogo a Jesus Cristo, redentor do mundo, que você possa sempre ter fôlego, coragem, fé, ânimo e amor em tuas feituras, e que dado o sentimento de desprezo, medo, ignorância, apenas continue a fazer seu trabalho bem-feito. Veja: eu escrevo tantos anos aqui, e ainda sim, por mais que sejam poucos, minha palavra ainda é perene e se faz necessária - e ainda me julgam profeta!

6 - Sobre o cuidado e o zêlo;
Cuide de quem precisa ser cuidado. Parece óbvio, mas o óbvio precisa ser dito - e essa afirmação se atrela com o que vos disse sobre a caridade e suas diretrizes. Tenha zêlo com suas coisas, suas pessoas, seu credo, e sua felicidade. Zele por quem zele por você, e entregue uma folha bem preenchida como relatório justo de tua conduta, sem tirar e nem por um ômega. E a justiça, quando lida na tua sentença, será computada em teu favor, pois tu será nova e renovada entre tudo e todos, e transcenderá como o Sol se o bem fizer, o bem manter, e o bem aflorar; assim eliminarás pouco a pouco o mal do mundo.

7 - Conservar a eternidade do Infinito;
Ser sacerdote/profeta/oráculo é conservar o Divino em sua Infinidade. É estranhamente explicar o que não se explica, amar quem nos Ama, e mostrar a parcela boa da vida após a vida enquanto penamos por aqui. Por isso, ao falar de Deus e suas obras e caminhos não economize palavras e teorias. Seja sempre alegre em demonstrar - mesmo que ineficaz  - quão grande É, quão misericordioso É, quão belo É, e quão miraculoso É. E quanto amor tem.

8 - Agradecimentos finais e benção;
Obrigado, por ter tão prontamente tido comigo. Guardado-me em tuas orações e ter feito e falado coisas tão edificantes que me fizeram animar tanto pro fim como para o começo. Agradeço por ter tido tempo em tanta coisa verdadeira que sei que desperdiçou comigo - peço-te perdão por ter sentido dor, não sou mais o jovem que caminha pas bandeiras. Agora ando pouco e prefiro ficar deitado para não passar mais mal ou sentir dores lancinantes. Que Deus te abençoe e te ponha entre as Justas, Únicas, Santas, Virgens, Mártires e Sibilas. Que Deus te abençoe e te faça boa mulher e boa pessoa. Que Deus te abençoe e te guarde no Seu sacrário. Que Deus te livre de todo e qualquer tipo de mal. Que Deus subjulgue Satanás e sua infâmia longe de ti. Que Deus te conceda uma boa vida. 

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Carta a Kamila.

 1 - Prefácio e Saudação;

Marcvs, escriba e propagador da letra, em repouso e dor, para Kamila, yalorisà de Oyà. Olofîn Koloofè! Desejo-te boas coisas no ardor de Deus, e alegrias que façam desabrochar teu riso como a primavera que vem sem pedir licença;

2 - Anunciação e regojizo;
Alegra-me muito que tenhas vindo a mim via peixes, ao saber de minha moléstia e claudicância. De fato, concede-me Deus uma alegria inenarrada ao saber que minha amiga que havia perdido dez anos atrás no recôncavo de minha mente agora viva está! Louvo a isso, e mantenho erguido o punho em riste para agradecer a Deus por tuas mensagens que me avivaram, trouxeram alegria em meu peito, alegria, risos e rubor - digo-vos assim, pois as vezes é bom ser lembrado, e de forma que nos enaltece; e ai de mim perante Deus se eu não me manter humilde, pois tudo que fiz foi pautado no Teocentrismo de minh'alma. E a Deus tudo, e sem Deus, nada!

3 - Felicitações gerais pelo sacerdócio;
Mais além, fico também mui feliz de tuas notícias, novidades, alegrias e risos sem-fim! Recordo de tua abstinência a Deus algum, e hoje quando cruzas a soleira de um primeiro passo ao sacerdócio, vejo que assim como eu, deixaste a carne para depois para cuidar do verdadeiro corpo que é útil, e a isso rendo graças - e a ser franco, pouco me importa onde vais, no que crês, ou como se porta, me vale que tenhas fé, faça a caridade, mantenha a obra boa, e siga sempre em paz cada caminho que fizer. O estado é laico e minha estima por vós não me impede de ter contigo, pois és e sempre há de ser boa pessoa, independente de teu credo. Caráter vale mais e muito do que filiação religiosa, e ainda existem muitos católicos hipócritas e muitos afro-brasileiros que são mestres na charitas.

4 - Instintos Sobrenaturais e Conselhos Sacerdotais;
Obrigado por seguir seu instinto e seus peixes. Que eles nunca te falhem e te valham cada vez mais como eles (meus peixes) me valeram e nunca me falharam. Se puder, lhe aconselho a sempre buscar as respostas em três pilares: Dentro de ti, dentro da tua crença, e dentro da boca dos anciãos. Nestas três fontes, beba incessantemente, e toda resposta estará ali, e toda alegria residirá ali, e todo resguardo se pautará ali. Digo também que não seja ríspida ou rígida, mas que tenha carinho, tato, e trato; tenha sim zêlo com os ritos, paramentos, sons, toques e todo o demais que compõem o seu culto, e principalmente, que teu caminho seja em paz. Te desejo sorte na missão de tua vida, e que o Bom Santo Antônio, Doce Mãe das Candeias, e São Jorge te guardem e livrem do mal. E que o teu coração seja porto para quem busca descanso, que seu serviço não seja fardo imposto, e que sua satisfação também seja ver o riso na boca de outra pessoa, pois isso também é caridade. E caridade não é uma forma e prova de amor para com Deus e ao próximo? (Mt 25;31-40).

5 - Atualidades recentes, exames e pedido;
Viajei pela empresa hoje, e novamente desmaiei no avião - sim, ainda tenho medo de altura. Fui para Belo Horizonte, aonde as montanhas, mercados, praças e lugares me corroeram de um passado recente que ainda me arrebatam em ais. E também, ali finquei a pedra angular de meu futuro trabalhista, e hoje posso me dizer que estou realizado, e em paz em trabalhar com algo que gosto, domino, sou capaz de fazer, e que confiam amplamente em mim a ponto de me entregar obras gigantes para efetuá-las. Amanhã irei ao hospital saber a quantas anda minha saúde (o grau da moléstia que me atinge agora) e também como irei me tratar, além disso, tenho também amanhã mais exames. Se possível, ore por mim, e assim que eu souber de algo, vos dou notícias quão mais cedo possíveis. Rogo-vos, pois, que me mantenha no seu congá por mais um tanto, pois meu coração imperfeito ainda bate descompassado, e bate de saudade, bate de pensar, bate de viver, e bate por bater.

6 - Agradecimentos finais e benção;
Agradeço, mais uma vez por tudo, e te rogo que estejas bem e em paz, e fique por perto; em tempos de desalento teu ombro e tua mão me valem mais que ouro e prata, e tua trovejada me vale como aviso, teu abraço há de ser bálsamo para matar toda essa tristeza, e tua amizade que reaviva vale tal qual o dom da vida! Temos muito a dialogar, por as notícias em ordem, e tenho que te levar até os meninos para irmos no churrasco do Gabriel! Deixo-te na presença de Deus o Bom Pai Misericordioso, o Bom Santo Antônio, Nossa Senhora da Defesa e os Anjos de tua Guarda. Desejo-te e abençoo-te em toda paz e todo o bem e toda a fartura e prosperidade por todos os dias de tua vida enquão viverdes, que nunca vos falte o que precisardes e Deus sempre te provenha em tudo a todo o momento, Excelso Pai das Luzes, que te bendiga e eu me inclino por Sua graça em ti, amiga. Mantenha a Fé!

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Por Onde Andei.

Ia te contar que vi o Vanilton, e que nós conversamos muito. MUITO. Falei também com inúmeras pessoas, e estive em lugares novos - e irei. Amanhã irei pegar um avião, e vamos ver se não desmaio, afinal!
Vanilton mandou lhe entregar uma relíquia do Bom Santo Antônio feita por ele enquanto ele estava no convento da carioca, eu, obviamente, estou com a minha, e amanhã irei com meu chefe viajar pra aqui perto de avião, estou ansioso a ser franco, e também com sorte eu acho que dessa vez dá tudo certo. Oremos!
Irei no próximo mês para Minas, então vai ser uma ótima experiência isso. Vamos ver como vai ser andar de aeroplano por todos esses dias, espero que seja no mínimo divertido para não ser de desmaiar! Vai ser legal ver as cidades de cima, e dessa vez na parte da manhã... (eu acho)
Afora isso, estou bem. Só sinto as vezes uma fraqueza e umas tonturas, mas já estou tomando remédio, nada de novo. O bom é que o remédio do sangue sujo não tem nada a ver com o remédio da cabeça, o que por si só já é um grande alento, sabe? Dá pra ir cuidando das duas coisas ao mesmo tempo, creio eu. Além disso, sexta tenho mais exames e médicos, e a gente ora pra que dê tudo certo. Vamos ver a gravidade da situação, lidar com a meta, e refazer.
Queria te dizer também que meu chefe me disse que na sexta passada houve um evento que a bêpê pratrocinou perto do serviço, qual meu chefe foi, e fiquei sabendo hoje, então aquelas minhas confirmações estavam certas, e além disso, meu chefe está querendo fazer uma oferta de bolsas pra bêpê - multimilionário, direitista, conservador, sionista e bolonarolista; obviamente pensei em você. E queria tocar essa bola pra você, de fato, ao menos pra te ajudar, de alguma forma. 
E, me desculpe se fui te pressionar, mas das coisas que você não entende (ou finge que não), é que algumas coisas ainda sim se dizem pessoalmente, e que num mundo de softwares e algorítmos - e digo eu, um dos da área de exatas - é que eu só queria poder ter te dito tudo isso.

E você estava linda, como sempre. 

terça-feira, 7 de junho de 2022

Barro Tal Vez

Sei que me lêes. E eu escrevo também para te encantar e para lhe mostrar a prova: O escriba escreve para sua musa. Se quero algo, é teu amor e teus exultos em saber que alguém mataria e morreria por vós. Eeu sei que já estou me prestando ao ridículo, mas, o amor, quando posto em régua, é assim: dado a alegria e ao animoso, não há como ter ou ser de outra forma, e, se puder lhe dizer, ao saber que me lê, te digo que apenas dessa vez abra seu coração e siga ele - há alguém esperando você para viver uma vida e segurar todas as barras e necessitando de tus chameguitos.

Em cada rincão dessa terra, risco seu nome no Céu e na Terra, e em cada pessoa que conheço, perpetuo minha devoção em vós. E por cada segredo que mantive oculto, abri a voz apenas para repetir meu mantra: teu nome. Queria eu agora, ainda debilitado dessa dor no quadril, te ganhar um abraço e te dizer tudo que rolou hoje - e por favor, só hoje abre teu coração e vem ter comigo, necessito como bem sei que você também; só dessa vez, ceda.
Chove, e estou encharcado, esqueci o guarda-chuva como sempre, mas sorrio e sigo. Deixo as gotas molharem o jeans, e a música guiar meus pés, e meu coração, elaborando este texto em tua Ode, nada mais propensa a fazer, e lá no fundo no fundo sei que você gosta. Se rende, e tem comigo.
As ínguas doem um pouco, e mantive o passo até chegar em casa. E ao chegar, tomo um banho e olho nossa foto no porta-retrato e sorrio; você é a mais bela dentre todas; e ao expandir minha alma no desaguar de sons e sentidos no violão, meus dedos discorrem nos acordes que tocam a música que fiz para você. Lembra?
Ouve-me antes que eu possa emudecer, diz-me antes que eu não ouça, e abraça-me antes que eu me chame saudade - pois eu mantenho-me (também) por tua empresa. E quando meus olhos cingem o infinito dos Céus, só sabem pedir a Deus para você ir bem e que você ainda me queira. Você, excelsa de pés pequenos e olhos vívidos acastanhados, lança movamente tua têz em mim, e me encontra: sabbes de todos os lugares que estou e onde estou. Me encontra e vem ter, e ouve uma vez só teu coração pois ele não vai te decepcionar, ouve teu coração e confia. Ouve teu coração e vem me ver. Sorri, agita a bandeira, corre e grita: Tens quem te ame, e que viveria uma vida inteira para lhe ter de novo.

Como nós dizemos: "telegrama de vem-me-ver".

PS: pus na tua área de trabalho a primeira parte do livro já editado e diagramado. Espero que goste, tem muita coisa que mudou, aconselho que você leia.

(O) Paraíso Agora.

 E eis que me pego para mais uma batalha que oscila entre o sim e o não, entre a vida e a morte, o riso e a faca. E eu, sem saber se pronto estava, apenas me fui, e comecei uma jornada sem olhar para trás - e agora, enquão escrevo a vós, leitores, vos digo: Faço do Céu minha casa, da Terra meu scenário, e da saudade da Nêga, pendão de esperança e (um dos) motivo(s) para não deixar me levar pela atual situação.
Dica: Se você passa por uma barra, não basta ter fé, esperança é bom cimento e calcificador. Deixar a emoção tomar conta (algumas vezes) é melhor do que manter a razão e se flagelar, demonstrar seu coração é florir a vida e revestir a sua alma de alegria. A razão tem sim seu valor e peso, mas ter sempre os sentidos secos só ocasiona choques, e perde o tato na hora da vida pra valer. Vale o sorriso. Ainda mais de quem se estima.
E a esperança, quando posta na mistura, lhe ajuda a crer em dias melhores, que creia ou não, vem.
Fé, esperança, essas palavras tão belas que escrevo, são lema, são meta. E rezo. Rezo por cada um de vós no oculto de meu coração.
E rezo também pelo comum: O jogo, a loteca, a feijoada, o sorriso da boca canuda dela, e o perfume chanel que me abraça me acarinhando a barba.
Deus tudo vê e tudo fará.
E no fim da mês, se não sobrar grana, ou se não fizer frio, que que tem? Que me importa é se Daniela me beija a boca e ainda me ama, se Daniel ainda for meu pai, e se tiver fumo pro cachimbo, e se o Corinthians for campeão, é mais alegria ainda! Me importa se Leão ainda reza por mim. E se Dona Antônia pode interceder por mim de lá do lado de lá do lado de lá, sabe?
Talvez no fim do mês eu nem esteja vivo, nem pela moléstia de sangue-sujo, mas pelas ocasiões da vida que me oferta. Eu sou o anti-herói-místico-das-estrelas, que escolho ir de esperança em esperança e de verdade em verdade até conseguir o equilíbrio entre a casa e a casamata. Sou daquele que os Leões descem o rugido, e as sereias não cantam para manter meu caminho de volta a casa. Modéstia a parte, aonde chego e fico, as pessoas vêem quem sou: E meus dons sobrepõem meus defeitos. Além de quê: Essa minha barba é linda pra caralho!
Sou o Marcus, discípulo direto da Pedra, sou dos irônicos, sarcásticos, heróis, mártires e de coração bom, que se devota e entrega nada além do melhor - dentro de minhas possibilidades. Sou o que cuida, mas pelo visto agora necessito ser cuidado, e Deus sabe no oculto de meu coração por quem gostaria de enfrentar mais essa luta a(r)mada, e de quais mãos gostaria de um cumprimento, e de qual braço almejo um abraço. Eu, digno de todo sorriso, sigo a cantar, escrever, e postar - minha função e meu ofício de escriba agora me cobra que eu escreva e descarregue sobre vós, ávida multidão, todas as minhas agonias, esperanças, sonhos, projeções e visões; e não se preocupem, pois até embaixo da terra, eu canto - imortalizei a minha vida como um cristal cintilante, e daqueles que puderam ver seu brilho, sabem de mim. Nunca fui do degredo, antes me pertenci ao Eterno Pai das Luzes, que ao me designar o degredo, fiz inha casa e honrei minhas raízes, amei os meus, e guardei muitas coisas no meu bornal. Sou das cordas, das letras, das orações, da patrística, da Piratininga, e de tudo aquilo que meu olho vê e minha alma emana.
E você não poderia dizer logo que me ama? E por favor, me segure e não me deixe ir. Me guarde para mais uma música, mais um paieiro, mais uma festa de Santo Antônio, mais uma Teresa e um Antônio, e dizer com os lábios chamuscados de vinho: "Vem, te guardo em mim".
E agora, dado a luta posta, me cabe batalhar, e vós, leitores, agora verão cada vez mais textos sobre minha nova luta - e vos peço, orem por mim, e que Deus me conceda uma boa luta. E que eu vença pra poder bostejar aqui cada vez mais e ter a mulher que amo em meus braços para poder rir disso tudo co'ela e meus amigos na festa do lugar.
Dessa vez, eu peço a alegria de uma vida boa. De ver o Sol nascer na vista da Piratininga, tomar chá matte e ouvir um som maneiro - ou fazer eu mesmo o meu próprio som na viola. Quero ver a geral piar.

terça-feira, 24 de maio de 2022

Viernes 3 AM.

 Bom dia.

Espero que esteja bem e dormido bem.
Hoje é terça. Terça do Bom Santo Antônio. Estou indo trabalhar. E ando rezando para agradecer a graça de um emprego novo, e a pedir para você ir bem no seu serviço. Penso que, nunca deixei de orar por você; diziam unanimamente os meus antepassados que "rezar por alguém durante nossa ausência é a maior prova de amor". E espero que pelas bençãos de Tonhão você possa ir bem hoje.
De vera, achei engraçado hoje sonhar com você, e acordar pensando em você como se ontem tivesse te visto, ou até mesmo te sentindo: E agora mesmo, enquanto o Sol alumeia pela janela do ônibus, cruzo a Paulista, e me sinto quente, enquanto não houver muitas sombras de prédios coagindo o Sol a se intimidar. E tem gente na rua. E tem gente no mundo. E eu estou por você.
Creio em Deus, e creio nas coisas como são e como acontecem; sinais, visões, presságios, sortes e bençãos: tudo tem seu peso, valor e sinal da presença de Deus em nossa vida. Alegrou meu domingo lhe ver, e alegrou minha segunda começar a trabalhar num projeto para o Mosteiro de São Bento. Não posso e não consigo deixar de ver a presença e os favores de Deus em minha vida a cada instante, a cada segundo, a cada momento; e por isso elevo meu coração pequeno e meus santos dons, dados por Deus, de volta a Sua obra - na terra como no Céu, no sertão como no mar, reparte entre nós o Pão na tua mesa, estamos circundados no Teu altar.
Espero que você tenha um bom dia hoje. Que você tenha boas vendas, que se apegue ao Bom Santo Antônio e a Doce Mãe das Candeias, que ao sentir o vento, sinta um beijo que pedi pra roubar de você, e não leve a mal - algo me diz que você também quis.
Ah! Você está linda hoje. (:

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Mystify.

 Hoje faz um ano que conheci a mulher de minha vida. E logo hoje, estou apartado dela. 

Há exatamente um ano eu estava entrando naquele saguão de hotel após o abraço apertado dela que me desconcertou, e sentando numa mesa do lado de fora de um restaurante. Sentamos, rimos, nos divertimos e conversamos e trocamos presentes - após um tempo conversando pela internet, rolou essa oportunidade que nos agarramos firmemente. Ela estava linda, de vestido preto, salto, unhas vermelhas e um sorriso que me induziu a introspecção.

"I'll have you just the way you are; I'll take you just the way you are". 

Conversamos da vida, do mundo, da igreja, da ordem, das músicas, e sentamos cada vez mais perto. Em meu fone tocava "Lágrimas Secas" de Jorge Mautner (e se você estivesse de fone seria Mystify, não é?). E quando dei por mim, minha mão estava na dela e minha boca selada num beijo com a dela. 

"Lágrimas negras caem, saem, doem".

E que beijo, Meu Deus! FOI ALI!

Parafraseando Charly García: "Sera que senti la luz de tu amor?"

E ali mesmo, a pedi em namoro. E ela prontamente aceitou. Dei minha jaqueta nas suas costas, enquanto acendia um cigarro, e eu vesti meu colete "pullover". E ela trocou o salto por uma sandália. Isso foi numa quarta feira. 

"Eu acordei com medo e procurei no escuro alguém com seu carinho".

Nos vimos no outro dia, a noite, andando pelo centro velho, bebendo vinho barato e achando as afinidades do passado no vão do MASP, e na sexta nem trabalhei, consagrei meu dia a perfeição mineira. A levei nos meus lugares, dei a conhecer os meus, e cuidei de ti como se fosse a maior e melhor coisa do mundo - como ainda é para mim. 

"And with her arms around me tight, i see her all in my mind; And she'll always be there, my love don't care about time".

Ela voltou para Minas próximo ao dia 1° de Maio. E eu, preso ainda em grilhões da minha mente traiçoeira, tentei de várias formas lutar para que mantesse o efeito da anestesia que ela deixou em mim após seu arrebatamento em minha existência; pela internet conversávamos, ríamos, dividíamos música, sonhavamos e falavamos de amor, de vida, de tempo, de Deus e seus Santos, e danava-me a escrever versos, canções, palavras e teses pela amada. E ela, a mineira musa de minhas canções e pensamentos, deixou-se fazer sacrário e me guardou em seu peito e fez segredo, e até hoje, só de ver sua foto, ouvir sua voz, ler sua mensagem ou sentir sua presença, meu coração exulta e se turva da mesma forma quando tive meu primeiro êxtase místico, ou quando subi num palco para tocar. 

"You're in my mind all the time, i know that's not enough; If tge sky can crack, there must be some way back; For love and only love".

(E agora começou a tocar INXS enquanto tomo café num bar perto de casa. Mas não era Mystify. Era Beautiful Girl).

Pouco tempo depois, fui pra MG na sua casa, e ficamos um fim de semana; eu sempre tive medo de avião, mas fui com a cara e coragem e mesmo desmaiando no vôo de ida e de volta, fiquei em êxtase em estar naquela presença, naqueles braços, naquele momento sunlime como a Transfiguração no Tabor, mercado, cerveja, discos, risos, igrejas, e você. Lembro de você, ao me levar até ao aeroporto, colocar I Lost My Head para irmos ouvindo, e eu querendo cada vez mais que aquele caminho até Confins demorasse. Antes de desmaiar no vôo de volta, recebi meu primeiro "eu te amo" de você.

"Vem me dizer se a cadeira vai morrer, de tédio, sozinha, sem você".

E pouco tempo depois nós vibramos com seu emprego em São Paulo, lembra? Foi um difícil começo. Aquele abraço na rodoviária foi um dos abraços mais gostosos que recebi em minha vida. Aquela hospedaria, o primeiro mês se dividindo em duas nos serviços, a preocupação, mas tinhamos um ao outro. Morar e trabalhar perto do cartão postal de São Paulo; a famigerada Paulista. Perto da casa franciscana; 

"Não vamos nos transformar no casal clichê do clichê". 

E logo após um tempo rápido, fôste pra Santa Cruz, e vieste talvez o nosso "Bom Tempo" (de vera, cada tempo contigo é bom): bebiamos, ríamos, conversavamos e acordavamos ao som das maritacas, e sentíamos alegria em no domingo a noite ir na Casa Franciscana da Borges Lagoa,  procurávamos paiêiros, unhas em gel, Game of Thrones naqueles sites clandestinos, e teve aquele snooker horrível que comemos a pior porção de carne de SP. 

"Vida y sangre, suave sons".

Fomos pra MG, voltamos, descemos a serra e te dei a honra de comecer um de meus heróis (meu avô - "Que bandeira que você deu, que bandeira, não me entendeu..."), e você conheceu a Cookinha, e por muitas vezes quão perdido, por mais que não parecesse, lhe ouvi, e ouvi muito, e ouvi bastante, tanto que eu procurei ajuda, fui em médicos, reconheci meu vício e aflição, desenterrei do meu homem velho aquilo que mais me afligia e me dava medo, vergonha e raiva - e fiz por mim, para ser homem bom a você, e comecei a construir isso, você mesma bem viu e por algumas vezes te pedi paciência nesse processo, a qual algumas vezes deste com a maior zeladoria.

"I'd called you a bargain, the best i've ever had".

E de ti, sei que aprendeu a ter paciência, a gostar de SP, de ter zêlo, e de gastar seu tempo comigo. Pouco tempo depois, rolou a chance de ir pra um lugar melhor, e você teve seu atual lugar de morar, que tem a vista mais linda da cidade velha, lembro de ajudar na mudança, de te dar força, arrumar as coisas, cuidar, e te ajudar junto com sua mãe, e tentar a todo custo te fazer feliz, e pouco tempo depois, sentíamos saudade do barulho das maritacas. E lá, atualmente, mora a coisa mais importante para mim agora, parafraseando William Blake "Ali dorme uma, a minha, rainha."

"E tudo o que você quiser, tudo o que você pensar, será; Tudo foi feito pelo Sol".

Sempre tive o gênio difícil, e sempre fui apegado a histórias e momentos temporãos, mas, sei de mim, de meu coração. Sei que você nunca achará alguém tão zeloso por você, que te ame, se sacrifique, dê o que tem, e te guarde como eu, e mesmo que danasse a procurar agora, não acharia outro barbudo que te levasse na missa, fizesse um desayuno, te levasse nos points gastronomicos, te defendesse de assalto, fizesse massagem no seu pé quando chegasse cansada, ou que sempre procurar algo para demonstrar seu amor - seja por rosas, canções, sorrisos, beijos, ou "você quer algo da rua?".

"Você não vai encontrar outro poeta louco, que junte seus versos com rimas de amor, compondo com carinho um samba de ninar pra te fazer dormir".

Me deste um aniversário. O único aniversário que tive na vida, aonde reuni os meus amigos, e te vi linda e perfeita, aonde você me cuidou, esteve comigo, e depois ficamos até tarde vendo filme. Aquele dia foi um dos mais felizes da minha vida.

"Although we're apart; You're a part of my heart; But tonight, you belong to me".

E eu, nunca encontraria mesmo se danasse alguém a procurar agora uma mulher tão bela, tão amiga, de bom gosto musical, ótima cozinheira, que tem o melhor chameguito e que com um só sorriso me livraria de todo esse desterro que estou passando. 

Perdemos nós dois, pelo nosso gênio, nossas dificuldades, nossas falhas, e por sermos tão incríveis. Na mesma medida e proporção. Mas, o que se perde pode ser encontrado. E mesmo que não queira ser encontrado, uma hora se é visto; e eu gostaria de encontrar o que perdi e nunca mais perder. E você? 

"Na simples e suave coisa, suave coisa nenhuma".

Ah, diz-me o profeta que ainda é tempo e ainda é momento, e que se deve demonstrar o gostar a cada segundo. E eu, pelo café na sexta da paixão e pelo post que me mandaste segunda, me mantenho ainda fiel ao saber que teu amor é meu, e vice-versa. Ainda te dedico os escritos, a sabedoria, as boas vendas, os êxitos, graças e glórias. Te desejo a boa vida, o excelso, e todas as sortes e bençãos de Deus, por intermédio do Bom Santo Antônio.

"Since I've been loving you, i'm about to loose my worried mind".

Te desejo Daniela, feliz um ano. Mesmo que não seja um ano. Te desejo meus abraços, beijos e massagens no pé que chegam até você pelo vento, e te desejo meu amor, que ainda é todo teu. E se entenderdes o que escrevo e escrevi até aqui, estiver com a cabeça fria, e sentir tudo o que sinto, e ainda houver um gostar por mim em você, por favor, desça e vem ter comigo, pois se manter estático perante a vida nem sempre é boa coisa, ceder, ser humilde, entender e ver a situação como um todo também é preciso, e sei que dentro de seu coração também tenho um bom e belo espaço. 

"You mystify, mystify me".

Sei da pressão da tua vida, de teu emprego, da luta constante, e sei também que você é difícil de lidar como eu também sou as vezes, mas nós temos uma opção: Ou finalmente nos damos a chance de trabalharmos, dialogarmos, e sermos a "alma gêmea" um do outro (e você sabe do que estou falando porque já entende minha linguagem), ou você deixa esse amor passar, e vai se frustrar cada vez mais, se entristecer e se quebrar, achando que munca teve amor ou gostar, sendo que de todos, quem te ama, quer, luta e daria todos os dons para te ver em paz tem um nome: Marcus Vinicius. 

"Não se admire se um dia, um beija-flôr invadir; A janela da tua casa, te der um beijo e partir; Foi eu que mandei o beijo, pra matar o meu desejo; Faz tempo que eu não lhe vejo, ai que saudade d'ôce". 

Feliz um ano, Neña. 

(ainda) amo você.