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quarta-feira, 18 de abril de 2018

Gurbet.

Na esquina do Velho Centro, perto do 133 se tem a cerveja gelada aonde o pensamento se emudece e a vida parece acontecer na porta de fora do bar, e de repente bate uma alegria no peito, porque aqui no Brasil é carnaval no Céu Azul Anil, dia de Santo Domingo de Gusmão, dia de voar com os pés no chão, e tudo se toma um ar diferente quando qualquer coisa pequena transforma o dia. Para alguns, o amôr, para outros, o frio, para mim, a vida nas suas minúcias. Me vale mais o copo cheio do líquido do que posições de status, ou quanta gente importante eu conheça. E dessas pessôas que não entendem a vida ou seus sentimentos, tem misericórdia, Senhor.
Deus de misericórdia, Deus que se faz presente na mão dos sacerdotes, tende misericórdia de nós, e misericórdia dobrada dos mentirosos, que ao se viverem na solidão criaram um imaginário mal-sustentado que lhes fazem achar que alguém os aproxima. Tende piedade. Olha, Dulcíssimo, pelos que padecem de dôr na alma, dôr de orgulho, de farisianismo, de alguma forma híbrida de solidão e isolamento. Olha pelos idosos que muitas vezes se encontram sós, e pelos Irmãos Gentes e Irmãos Cães de rua. Do mesmo modo que tiraste Teu manto ao se cingir co'a toalha e lavar os pés de seus Santos Apóstolos, imploro que tire seu manto e jogue pros que estarão no frio, e pior que o Irmão Frio, é o Frio das almas dos Irmãos que não os vêem, ou pré-julgam, ainda falhamos grandiosamente com sua Santa Regra, Dulcíssimo. Tende misericórdia. Kyrie Eleison. Mercy mercy us. 
Olha por nós, pequenas formigas operárias dando cabeçadas aqui embaixo e nos abençoa dando-nos as novas chances e novas esperanças para aguentar firme; Evitar as mesmas velhas coisas de sempre, e nos dar caminho manso e de retidão aos que se maltratam em eterna rota de colisão. Eis-me aqui Meu Deus, profeta das estepes e menor dos outros, que leva Teu nome em bares cheios de gente risonha, bêbada e perfumada; Eis-me aqui, Meu Deus, o que te encontra a cada acorde, a cada sôm, a cada órgão tocado e sino dobrado; Eis-me aqui, Meu Deus, o que te quer mais que tudo, e estima morrer na Sua graça e Concórdia, e que por mais que não consiga entender, aceita Teus planos, pois na hora do desterro, foi sôb Tua destra que me valeu da perdição - adiante com você na estrada, que maldade me espera? Nenhuma, minha sina é ser ovelha do Teu rebanho, sentimento do Teu rebento.
Adiante, que a menina de pele branca e pés pequenos tenha os mesmos pés firmes para ir mais e mais em frente e sentir o vento assanhar os cabelos. E abençoados os casacos dela que escondem a cintura de seu corpo, e sua grandeza dentro de sua pequenez - na sorte de ter a conhecido, e ter tido, me bastou sua companhia, e aonde o vento a tocar, é o meu carinho por ela.
E que o Irmão Vento dê um abraço no Codó e em tôdos os meus, que estão aqui e os que estão lá do lado de lá, e que a vida continue sendo simples, e nós menos complexos em relação a ela, e exigindo menos de nós mesmos de esperando menos dela, e quando acharmos o milagre da queda das fôlhas no firmamento, entederemos o mistério velado dentro de cada um de nós.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Action Woman.

Há (vera) sorte;
Em saber que num fim-de-semana fui rei.
Ao lembrar do pedido na terça/a música de quarta/a cerveja de quinta/solidão de sexta
(você já dava seus sinais de vinda, eu que não me apercebi de imediato)
E a convite da amada, ao encontro dos diásporas, iguais a mim
Lá estava você:
So woman and so childesh.
pretty and fine
God protect me for take u for a beer
Ao apresentar-nos, cingi meu rosto, pois já havia lhe visto desde que me adentrei naquele local - e era linda
É linda, eia!
E ao ver o amigo e o felicitar, a banda começou a inebriar o sôm
(e nesta altura eu já me inebriava de você)
Foi quando vendo as byrdies a dançar
E The Litter inundar o salão, lá de longe te olhei - e tu, olhando de volta, sorriu.
Maybe? Cheguei perto
No mesmo murete, tentando puxar qualquer merda de assunto apenas pra ouvir tua voz once again
(Deus, como sou trouxa pra essas cousas...)
Já sei: "É um Doc?"
E você sorriu(!), e respondeu, e cerveja de amêndoas (tinha gosto de toddy)
O cabelo longo, franja reta, meia de criança
So woman and so childesh
Você riu
Você se aproximou
Você me beijou
Você me extasiou
Você me desarmou
Você sorriu
Você
Eita.
E mais uma cerveja, mais um beijo, mais um sorriso, essa banda é bôa, e você, encostada em mim, seu perfume, avenca no braço, Baden Powell, raízes, dignidade e continuidade. Bill Murray. Preciso ir embora. Te add no instagrão, a casa (já) é sua.
E, após tudo isso, fica o questionamento:
Quando lhe verei de novo?
Será?

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

After Sunrise.

Sim,
eu me lembro
daquela noite
e depois
daquela tarde
do Sol, e da tua palavra
Mais:
lembro do cabelo escuro e óculos
me arrebataram
da bôca que me instigou
e da inicial do teu nome ser igual ao meu
havia perfume de cerveja no (b)ar
lembro dos sôns, que dividi e reparti
repatriei minha vista na tua janela
Antes:
Me havia, e havia meu mundo
côres e texturas, raios que desembocavam no largo
Acordes que saiam dos discos e brotavam na madeira
Madeira-de-lêi de 1647
olhos verdes que fitavam Deus.
olhos que não fitavam
os
seus.
Agora:
De onde tu vens,
para onde te vais;
será que:
Cabe na tua mala
um confeito do agora
um São Damião pequeno,
uma mão que sua e se agita
caminhar no meu mando-de-campo
teu sorriso pra abranger no meu Céu
teu cheiro pra furtar meu ar
uma semana para poder lhe encontrar.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Osanah.

Eu não estou onde eu queria, e isso me deixa tão feliz - você nem imagina o quanto. Outro dia joguei tantas roupas fora, tantos bilhetes, cartas, nostalgjias de um tempo ido, um passado que ainda habitou o presente, um perfume que ainda lasciva as narinas deste contra-cronista. Achando escritos meus - crônicas rudimentares dos meus 16, 17 anos - lembrei dos meus sonhos, planos, ideais e ilusões, feitios e fetiches, e de como cresci diante do adverso e do universo, como eu estou tão forte, incrivelmente forte a tudo que veio me sobrepujar. Eu me senti alguém que venceu na vida, e bati palmas para o universo e sua contra-fôrça, pois, não me deu o que quis, mas, o que mais precisei para acalmar a alma. O corpo. A mente, ainda não.
Após lembrar de tanta cousa, me remeti ao meu passado, época tão distante e tão próxima, tirei a camisa, camiseta, e me prostei em frente ao espelho: O balofo gordo cresceu. Hoje tenho um cabelo que me satisfaz, uma barba que bem ou mal está aí, minha barriga diminuiu, mas, ainda sim vejo as marcas de navalha no meu braço que a tatuagem não pode esconder, vejo um braço menor que o outro, as marcas de espinha, a lânguidez de um corpo turvo. Posso ainda estar horrível, mas, ao menos estou melhor do que antes. Um pouco melhor.
Voltei ao quarto, e coloquei aquele velho disco de fazer-pensar, e pensei na ignorância das pessôas, na relatividade da vida e quantas eu perdi em carne (mas não em espírito), quantas me afastei e quantas se afastaram de mim, quantas me sangraram e quantas eu vi outras pessôas sangrarem. Vi a degradação do ser humano, a maldade ser via expressa, e as pessôas que se afastaram simplesmente por não ter peito por se deixar sangrar, ou por sentir um sangue que escorre por elas. Lembrei de tanta gente boa que há no mundo, e lembrei daquele velho músculo que coloquei num baú trancado que joguei no mar férreo. Lembrei da vida que me coube, da vida que me tem, e do corpo-a-corpo que joguei com ela, e hoje não mais, nem nunca mais, hoje eu estou jogando fora cada sentimento, cada pedaço, cada razão, cada viver, cada ter. Estou deixando tudo isso pra nunca.
Achei uma foto: Ela olha sorrindo pra êle, e êle olha para o horizonte, com aquela cara de piranha sem dente. Achei uma medalha, com sete linhas de umbanda. Achei um texto de um amigo, um desenho de uma amiga, um ingresso de um show, a palheta de um dos meus heróis, um pedaço de pano da roupa de uma colombina, um voto, achei o projeto Baden Powell, dentes, achei letras e textos, um devocionário de São Paulo, e um terço. Achei uma carteirinha de universidade, achei um bilhete de um amado, outra foto: Um homem, com seu filho no colo, rindo, uma farra. Outra foto: Uma Rainha, segura seu neto mais novo no colo, com as mãos fechadas pois estava com a mão molhada de lavar a louça, achei aquela última garrafa de Original que tomei naquele apartamento; Guardanapo de Pizza Hut com a irmã no Tatuapé, patuá, Salve a Rainha com a letra dele. Achei coisas que me lembraram da vida antes da vida.
Percebi, após achar tantas coisas minhas, tantas coisas compartilhadas com as histórias da minha gente, que a vida continua, e que eu nunca quis, mas, Deus me levantou mil vezes das mil vezes que caí. Que Deus me segurou quando eu ia cair, e que por intermédio d'Êle, tive amigos (alguns eternos, outros veraneios) que me ajudaram, tiveram comigo e foram por mim. Tive amores eternos de quatro meses e histórias mal resolvidas. Tive prazer em trabalhos, e trabalhos em coisas prazerosas, e apesar ainda dos meus trejeitos, formas e manias, continuei a jogar fora coisas, peças, pessôas, tudo aquilo aonde eu não me cabia mais, ou me fazia mal; Pior: Que desacreditava de mim, que não me aceitasse nas minhas deficiências, ou que quisesse/quiser me podar de alguma forma - aprendi que quando gostamos de uma pessôa, a aceitamos e estamos com ela, independente de seus jeitos ou tato, a aceitação, afinal. Hoje de manhã, após essa limpeza, vi que minha vida neste terral está no fim, e começo a rumar para um lugar diferente, aonde (talvez) um desafio maior me espera. Algo maior que eu nunca vi, vivi, ou senti. Algo que em parte anseio, em parte quero desistir, algo que em parte peço para não ter, mas sei que preciso. Coisa que só posso explicar aos ouvidos que querem realmente ouvir e entender o que se passa na minha massa cinzenta.
Percebi, que as memórias sempre hão de existir, e as cicatrizes de algumas também. Mas apesar de todas as recordações - boas ou ruins - a vida continua, e este é o milagre maior da vida. Tôdas as coisas passarem, e pela vida afora eu vou jogando fora as coisas que eu guardei por guardar, apenas para manter em mim tudo aquilo que só me deu bonança, e que me fez o que ser o que sou hoje.

terça-feira, 21 de março de 2017

XXVII (2-7)

Eia! EIA!
Deocleciano, minha fé se reside em ti. Tão só em somente em cada um dos meus - idos, estados, futuros. Deocleciano é Patriarcha de tôda essa gente humilde, feliz, o Pai da Rainha Original. O pioneiro do degredo que dobrava ferro e pregava madeira, apeiava no cavalo e descia a correntina até a Quinta da Bahea para ir ver o Nosso Senhor do Bonfim. Deocleciano é o difusor do Ofício, que se reside em cada um de nós, em cada um de cada seu, que ainda sim reza sem parar, porque Nossa Senhora está de joelhos. Deocleciano é o pendão imaculado de fôrça, de fé, de perseverança. É quem nos trouxe até aqui, dando sustâncea na farinha de Dona Antônia, dando fôrça de lá do lado de lá, e aqui, nós fazemos nossa parte, nos mantendo, nos cuidando, nos tendo.
Para cada raio de Sol, há uma prece, Seo Deocleciano, eu sei disso hoje mais que nunca - um prefixo dedicado a uma prelação, e a cada brumeio, um agradecimento; E mesmo que nós na nossa humanidade carnal raramente consigamos ver o que está a acontecer, existe e sempre existirão pequenos milagres: Os dois reais achados no bolso da calça, ir sentado no metrô, o café de graça dado no serviço, e a cabeça que ora pende pra alegria, e ora luta para se permanecer em alegria. Para cada gôta de chuva, existe uma benção, e por isso ando sem guarda-chuva e deixo me molhar, para me sentir vivo, para cada grão d'água molhar meus cabelos e cingir minha face, e se misturando com meu olhar, talvez aia de vingar uma lágrima de alegria. Talvez.
Quando nós, na nossa leiga ignorância, vamos nos desenvolvendo e descobrindo com o tempo tudo o que estava a nossa frente, nós rasgamos mais um véu que nos cegava, com isso, temos a vida verdadeira em nosso olhar, nossa mente, nosso coração. Pois, ao rasgar o véu cegante da ignorância, nós nos abrimos para o inonimável, e para uma alegria que não se têm fim - é como se ouvíssemos Baden Powell a tocar na nossa sala. É o Divino, é o Espírito Santo no Sacrário abaixo da imagem de Jesus Crucificado. Um Jesus tão pobre, tão amorenado-de-vela, tão frágil, tão ferido, tão môrto, tão por mim, por você, por nós... Faz-me um favôr, desce até a dobra da rua, aonde havia um rio, ali se deve fazer o bem, e novamente, e novamente, e novamente, até se cansar. Sobe o elevado, e cruza a avenida, ali também se pode fazer a vida renascer, ali pode-se dar o bem com bem, e fazer a bondade aflorar. Em tôdo lugar há uma chance de ser bom, mas, bom de verdade, bom de alma. Em tôdo lugar vejo uma chance de honrar Deocleciano, Antônia e Márcia.
Quão cansados estão essas pessôas que se degladeiam e se machucam pelo prazer de se sentir bem, de ver lágrimas e dôr brotarem de outrém - dessas pessôas, devemo-nos cada vez mais nos aproximar, e nos fazer casa e caserna delas, devemos dar amor, carinho e morada. O ser humano não é mal, êle apenas se perdeu no labirinto da ganância, do medo, e de não conseguir ver atrás do Véu de Deus, e nisso se achou maior ou no mesmo patamar que o Dulcíssimo. Não existe dôr, nem maldade, isso é invenção do feo.
Aonde nos cabe, estamos, e a cada porta estreita, nos devemos encolher mais, e deixar que os maus sejam maus, mesmo não sendo, e que os bons se elevem até o Divino, e desçam até a terra batida pelos homens que não entendem da lição que foi deixada no evangelho. Eu ainda estou na minha estrada, estou no meu rumo, tenho meu dia bom, e agora, tenho minha fé. Há um Cristo crucificado, tão mirrado, tão machucado, tão por mim... Por quê não poderia eu estar no lugar dele? Por quê sofrer tanto por mim? Pantocrator deveria muito bem saber que gente do degredo igual a mim tem pecados de levas. Mas, mesmo sabendo de tudo, o Triúno morreu por mim, pelo leitor(a), por cada um de nós deste vale de lágrimas, e apenas nos cabe o respeito, a admiração, a fé, a devoção. Nos cabe o amar em irmãos-em-Cristo, e nos perdoar, para vivermos melhor, e quando o barco virar, não ter medo de morrer.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Na Sombra De Uma Árvore.

Silenciosamente, estou me preparando. E honestamente não sei para o quê, e com o tempo e a sacra experiência, não me assusto mais com isso, de forma alguma - hoje posso dizer que até gosto. Quando o já supracitado vento carinha meus cabelos, meus olhos mareijam a lágrima teimosa me lembrando de quem já se foi, e de lá vem a contra-força dos contra-crônismos, do anseio de espichar um cadinho mais aqui. Honestamente, encontro-me renovado cada dia mais, e a onda boa continua a quebrar, e cada vez me sinto um saveiro sem cais, não posso de forma alguma reclamar de nada. São Baden, rogai por nós.
E, assim, assuntado para as nuvens, passa o plano, passa a bruma, e entre o brumeio o oculto (não) se revela, apeado nas asas do Garuda, não procuro nada abaixo das asas, apenas o mar, acima dos olhos, o vento, e em mim, a essência de quem me amou primeiro, e por acima disso, não cabe dizer nada, nem procurar, deixo que me encontre, com o peito, mágoa, e chaga aberta, pois da morte não se cabe o medo, e do momento, eu desdenho do seu poder de achar que pode querer e ser maior que isso tudo. Mentira, não pode. Porta estreita, porta estreita, quanto mais te passo, mais te entendo, e quanto mais te entendo, nas inscrições de tua passagem me conheço, me vivo, vejo os meus, e a eles bendizo e louvo. Porta estreita, por você e Deus eu me dobro.
Encontra-me, viração, e nas ruas dos prédios velhos que há tanto ando, vede que sou mais um deles, e que sou de tudo aquilo que se encontra vivo e rasante, mas não me pertenço a quem me segurou. Sou da ávida, das esquinas, da esgueirada e da ziguezadeada pela ladeira, que cruza com o Pateo passando por baixo da Vista, e eu vou é tá ali, bebendo aonde êle me ensinou que é mais barato, e dá pra economizar comprando mistura. Me segura pra eu não dar na sua cara, me segura pra eu não contrair um sôm, me segura pra eu dormir nos seus braços, me segura pra eu não escrever dela, e me segura mais ainda, porque eu estou com as velas infladas pra sair daqui, vou passar por debaixo das copas de árvores aonde êles passaram, e se Êle permitir, eu com o fel me torno mais dele, e mais meu - minha gente é gente certa, gente que acerta, erra, pede desculpa, morre de saudade, e é feliz apesar dos adversos. 
O avô da Cecília mais bela se encontra vivo nos murais, nos bares, discos, no Senhor do Bonfim que emana alegria, no violão tão sujo, tão nosso, no "Mustapha, Mustapha, Mustapha Ibrahim", e nos erros - Deus! Quantos erros que vieram manual de como não ser, e nos (poucos) poucos acertos, ser caminho, trilha, e sustento, e que seja maior que todo tipo de erro. O avô da Cecília não morreu, êle foi pedir pro Seo João pra afinar aquele violãozinho vagabundo e pra aprender a tocar Gardel e Celestino pra Dona Maria José, o avô da Cecília depois vai estar em algum bar com o Marinho, e de lá, vão ir pro campo da NIFE pra ver as cocotas na Brasília emprestada do Seo Fábião - que por sua vez vai rezar pra êles não baterem de novo na Parada XV, e de lá cai no Ferro's BAR. A morte só vem pra que não tem quem se lembre. Meu morto tem quem o lembre. E o moto-perpétuo se estende até a Cecília mais bela, meu pendão e flôrete, passado e futuro. 

Eia a candeia daí, Fabinho, que daqui pra frente a estrada vai ser longa, e toda luz é bem-vinda. E a vida continua, maravilhosamente. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Deixa.

Está frio, mais frio está minha alma, mas o coração renuncia ao gélido; Amor, aonde está você? Seria você em personificação a morena mais linda que se encontra com beijos e abraços com outro rapaz agora, ou seria a mais linda menina lotus que olha com aquele boa-pinta no coletivo que te toma até o serviço, ou seria a garôta de lábios macios e olhos invitrados que sente e cacofónicamente se rende aos meus braços? Dá-me mais uma, garçon, e não te alonga de mim da garrafa, de copo maior pra tristeza passar, e deixa a minha sina se perdurar: Desculpa o fone, mas é que sôm ambiente hoje não casa comigo, hoje preciso mais uma vez me reavaliar e me sentir o pior entre todos, e me remoer entre as verdades que êles todos tem. Que me adianta dizer? Mesmo que eu diga, sou culpado de antemão por tudo, e por nada. Quem sabe de mim sou eu, meus guias e minha Mãe Das Candeias, o resto só pressupõe sobre a minha vida tão incrível pra alguns, e tão cansativa pra mim e pros meus ombros.
O samba de roda me cadencia a não dizer nada, a ver a mais amada em qualquer lugar que não esteja ao meu lado, e minha alma geme em ais cadenciados com os agogôs e bateção de mãos, e a lágrima que escorre é seca com a coca e velho barreiro, não existe a dôr, e nem existe o medo da perca, ou a ilusão de que aquêle sorriso tão belo, um dia pôde ter sido meu, e como escapou de mim, não sei, deve ser sina perder o que se (nunca se) conquista (conquistou); E ninguém se importa com a última mesa do último canto do salão, ninguém liga pro São Baden Powell, ninguém liga. Os olhos verdes são meramentes ilustrativos, eu sou apenas um mané, bobo, pierrot de marca maior, o Zé Canjica da multidão. Um só, que cai ante a ávida multidão, ninguém nota, ninguém vê, e no meu auxílio, Cecília me ajuda, Concórdia e Bep me alucinam em um amanhã, e assim vou seguindo. Areia.
Obrigado pela âmpola; Me desculpe pela friza na testa, mas estou me segurando pra não desabar, e se minha tristeza atrapalhar, eu mudo de boteco, mas deixa apenas eu terminar esse traque, e me discorrer em notas e em etílicos, deixa eu não ser nem hoje e nunca mais, porque eu não sei mais o que fazer, e nem de onde tirar mais forças, nem de mais como ser e estar; A água e o vinho desaguaram, e agora não me resta mais nada, apenas o desabafo, a feiúra, essas mãos tão sôfregas e marcadas, esse corpo esguio, amarelado e gordo, e esse sentimento de culpa que tentam pôr em meus ombros, mesmo eu sabendo de minha inocência - cabe a mim renunciar esta caravana, mas meu coração se encontra com a Dulcinéia, e talvez um dia ela olhe para mim e me note, veja o real eu. A benção, São Baden, você que me acompanha nessa luta diária entre vencer e viver, olha por mim daí que eu me lembro de você daqui.
E não se lê nem sente mais o que se dá, tudo é culpa da briga, e talvez como a Leoa disse uma vez; A culpa é minha do mundo, e se eu souber, me acabo em defração, e assim não mais pertubo a mim mesmo, nem a você. E, se você leu isso, me deixe saber, um sinal, um comentário, qualquer coisa. É importante para a manutenção dêste ser humano saber que alguém se importa com êle, escritor mundano que achou um dia poder ser alguém - e olha por nós, Javé, e tende misericórdia de quem nos fere, pois a nossa chaga é missão, e o ariete deles é pedido de ajuda; Mas quem é ferido também necessita de socorro. E urgente.
Minha alma pestaneja, mas o garçon me tráz a conta e eu apenas penso, apenas sinto, e nada falo. Minhas supostas belas palavras são ignóbeis e minha supracitada beleza é tão feia, e eu tão horrendo em mim, como ainda posso me dar o direito de ser feliz? Caio na boca da Nôite Illustrada, e voltar pra Luz não mais. Não adianta, nunca adiantou, e nem vai. Bonzinho só se fode, e sempre vai... Eita que bateu o groove, chamou no ganzá e agora irrompe o sorriso amarelo de satisfação ilusória, e a vida continua, e Deus tá aí, e eu longe de você, e minha alma sofre tanto por você, e você nem imagina como você me faz falta, e o que eu não faria agora para te ver... Cai, levanta, segue o jôgo. Seca a lágrima, lembra do vento, tira esse Lamento aí, esquece esse sôm, troca, põe aquela do Sá, vai melhorar, toma a direita e cai pra casa. Vai ficar tudo bem, como sempre fica. Tá tudo bem, tudo tem que estar bem, tudo vai estar bem. Tudo bem. Lágrimas escorrem. Dorme.
E amanhã, será melhor que hoje (?)

domingo, 16 de outubro de 2016

Concorde.

Quando dizia no passado, até mesmo em posts deste blog mundado que devia/não devia " (...) Renegar a casa, rosa e o Jardim (...) ", talvez eu soubesse de tudo isso que fosse acontecer, ou talvez não, quem sabe? Sei que o cheiro de Jasmin ainda é semi-incógnito, e Cecília volta a ser um projeto ativo novamente, e a Lotus gentilmente fez eu me sentir um deus nessas últimas 72 horas, e na glória de se ser, sentir e fazer mulher, ela me honra com sua companhia - viagem sem volta de amor e aperreio, que faz eu me remoer e relampejar cada vez mais.
Estar com ela é como estar com a Iansã mais sensual, de seios belos e quadril voluptuoso, e ter a alegria de sua Consorte, como Lakshmini amiga-irmã e confidente de sorriso belo, e sua ira de Kali ou Obá com a voz firme e impetuosa, e ora tão terna como Maria das Candeias em seu colo, carinho e abraço, com suas pernas firmes e vontade de seguir como Artémis, ora tão amante como Afrodite e sua sensualidade exalando. Ela tem um pouco de tudo, e o tudo dela me satisfaz, me fazendo sentir o amor de forma diferente, como nunca senti antes por ninguém, e nem em mim, e me fazendo sangrar a cada instante, gotas de sangue que tem gosto e cheiro de amor.
E o sangue na camisa não é pouco. E a lembrança recorrente da madrugada interminável trás no lábio uma alegria de quem venceu na vida, quem teve do prazer um momento único; Deitou, e quando sentiu palpitar o coração, beijou: Amou, contrariando qualquer coisa do mundo, desejando sentir o cheiro de cada pétala da flôr da Lotus - a mais bela, querida, desejada, estimada. Aperta, sente, ama, força, pede-se a passagem e abre as pernas, sussurra, geme, deixa entrar, fazer parte, e o fluxo vir, e ser, tanto faz, importa ali, aqui - agora, o beijo, sorriso na boca, como pode ela ser tão impiedosa e completa, que até quando exala seu cheiro de flôr, cega a minha alma? Deitou, pôs seu corpo no meu, sorriu e adormeceu no(s) meu(s) braço(s).
Nos sorrisos e nas garrafas, encontra-se a alegria de estar ao lado de quem se ama, de dividir a cerveja com a mulher amada, e segurar proporcionalmente a cintura dela como dita o universo. Aquela cintura, que cabe com um braço meu, como bem cabe os dois, que se concentram o quadril que concentra minha indecência, meu amor, minha vontade de ser, e estar - cousa que só sabe é quem dito essas linhas tão minhas, tão delas, nossas.
E, delineado pelas linhas de teu corpo, escondido pela roupa que te cabe bem, vejo o meu sacrário, e contemplo a beleza única da flôr mais bela do degredo e rainha na arte de ser-quem-é. Toma minha garrafa da mão e bebe, olha, sorri e me beija, tomando de minha mão e deixando que eu a ponha onde cabe; Fita meus olhos, e não sabe o que é, mas sente a sintonia - Vestida de estrelas, corpo amorenado que estélica o meu Céu, boca vívida que pintada, me deixa sujar para amar.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Caso Você Queira Saber.

Morrer é fácil. Difícil é você se desprender da matéria, das pessoas, do sentimento feo, de tudo aquilo que lhe magoa perniciosamente, daquela noite.
Sim, eu me lembro: Era escuro, tinha-se denominado Noite Illustrada, a avenca nem mexia mesmo havendo o vento; Lembro também da areia, e na ponta da praia que havia o Beira Mar, uma Lua quase cheia, estrêlas e ninguém. Apenas minha pessoa, e minha garrafa de licor. Apenas um minuto, um silêncio, um berro. Era eu negando aos quatro ventos. Sim, eu me lembro: Disse que sim, mas o núcleo era não, jogou promessas e bençãos, mas na primeira oportunidade amaldiçoou e quis os seus, mas não por completo - disse ter coração bom, mas é sujo igual aos outros. Perdoa, bom Deus. Tanto êles, como a mim mesmo. Bálsamo pras feridas é Deus, cerveja é anestésico. O arsenal bélico ainda não acabou, mas é dito por inteligente, sobressair, fazer pilhéria, e pagar de herói: Vai, São Baden, diz a êles, vai lá Dona Antônia, diz também; Manda dizer que a porta estreita é pior, mas a recompensa não é aqui, nem agora. Dói, mas logo melhora, logo passa.
Sim, eu me lembro: Gente que não tinha minha gênese me tomou e acolheu, cuidaram das feridas e deram um gás incrível na minha vida, torceram por mim e em algumas horas da solidão, estavam bem muito mais presentes do que qualquer outra pessoa, eu me lembro.
Sim, eu me lembro: Da música que ninguém gostava e hoje todo mundo é fã desde quando eu hasteava esse pendão com poucos gatos pingados, de tempos tão idos desde antes d'O Sionita, antes do Ox, antes d'eu ser eu. Eu me lembro dos discos baratos, sebos, garrafas e a solidão - me fez forte, e não herói. As pessoas confundem dor com Santidade. A dor pode ser mais associada com vencer na vida, paz de espírito, fortalecimento mental/espiritual, do que um grã altruísmo - dor todo mundo sente, mas quem sabe lidar com ela é que faz a diferença, quem sabe velar com o silêncio, quem sabe segurar a dor e exprimir em tons, cores, nomes e actos coisas tão lindas. Acima da lindeza de tudo, reina a Lotus.
Sim, eu me lembro: Da menina de calça boca de sino, botas, jaqueta de Fredera, que me encontrou na estrada, dizendo que volta comigo pra descansar um pouco da vida, pra repousar no meu abraço, pra esquecer um pouco o mundo lá fora, pra viver por si, por mim, nós. Depois do Inverno, veio a primavera. Sob o Céu de Virgem, firmamo-nos.
...E é só o vento lá fora, Lotus. São apenas as pessoas, é apenas meu jeito, é apenas mais um dia, apenas mais um teste, apenas mais um segundo, e assim segue. Como sempre.
Sim, eu me lembro: Me lembro da dor que eu senti quando vi a esquife da ovelha negra, e o corpo gélido do herói repousado. Eu lembro que o juíz não foi, mas que não sentiu, lembro da multidão, ávido povo que queria falar e sentir, mas eu, que tinha por ordem e direito, não pude.
Sim, eu me lembro: De tanta coisa que nem me lembro, mas posso desfiar aqui por horas, mas guardo em meu peito, tanto as chagas abertas como o silêncio que ninguém pode ouvir - apenas eu.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Apêlo.

E você não abriu a porta, nem sentou ao meu lado, ofertou-me tua cerveja e nem solou teu violão tão bélicamente, e hoje eu sigo só um caminho, sem saber de tua aprovação ou engano; Aquele Sol morreu e tudo ficou mais Cinza (tragicômicamente) sem você, lamento, mas maneio a cabeça sentindo que a cada dia tudo pode ser diferente, e que a dor que me causaram fica na casa de ontem, e ninguém é igual a ninguém, e um dia vou ser feliz, mesmo que seja no primeiro último dia da minha vida.
Como é difícil, pai, acordar calado, e no violão não ter lamento que te cabe, e eu só me deixar sangrar com as cordas de aço vibrando na madeira, como é difícil não poder nunca chorar o morto, e velar a alma com a vela na chuva; Você nunca me disse que era difícil ser o vilão, e tampouco que êles são mais hipócritas do que eu imaginava. Eles se superam a cada dia, tão lindos, tão belos, e eu tão esguio, tão gordo, tão feo; Tão meu.
Pai, quisera Deus que nós aprendessemos assim, mas os pontos em abertos de uma história me atingirão pela vida, e isso me turva a vista, isso me deixa com lacunas, e isso me ensina a ser paciente, e no seu nome ninguém nunca mais tocou. E eu choro. Deságuo de meu peito, água e vinho de forma tão minha, que não se notaram os rosários desfiados até agora, e pai, como é difícil se manter no caminho, aguentar calado, e manter-se acima das pernas quando tudo tende a me derrubar - incluindo minha própria cabeça, minha maior inimiga.
Tenho ouvido muitos discos, pensado muitas coisas, matado meus medos, acertado minhas vontades, tentando ser feliz ao máximo, você sabe, tenho eventualmente voltado a sorrir, e sentido aquele frio na barriga quando vou ao jardim ver a Lotus mais bela - mesmo que as perniciosas ao redor me magoem, mesmo que eu não possa contar minha alegria a você.
Ah, quem dera se eu pudesse voltar ao "bom tempo", fazer parte no firmamento e se lavar com a água corrente e ter a aura de nunca morrer, e que por mais que eu sentisse a dor das pessoas a atacar, eu ainda seria imortal, ainda seria um de nós. Foi, e foi incompreendido, viveu, e teve da boa vida, mas viveu o que coube, e ninguém pode dizer nada. Se teu pai não disse, e eu, o filho, não cabe a mais ninguém.
Pai, espero ansiosamente o dia de nos vermos, assim como espero o dia da Cecília, e o dia que saia esse amargo em definitivo da minha boca, tal qual as pessoas. De onde estiver, esteja bem. Eu aqui estou ótimo. Hoje ainda é o primeiro dia do resto da minha vida.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A Palo Seco.

Sete por Setenta, Ele disse. Está anotado nos vitrais, nas casas, cabeças, pessoas e em tudo que tem a marca d'Ele.
Sete por Setenta, e seu telhado de vidro se quebra, não é trágicômico? Não. É a realidade, apenas o entretenimento da grã família Brasileña, e cada dia que passa, eu tenho mais certeza que eu não sou daqui, não pertenço ao meu lugar, não tenho ao meu redor (ainda) tudo o que necessito, e eu, que tão cheio de mistérios aos outros olhos, as vezes cobre de mim mais ainda ser isolado como uma ilha. Eu sou o oceano, se preciso.
A necessidade de vencer ainda se faz presente, mas não mais obrigatória, o peso dos anos, me ensinou a ter calma, mas ainda com intensidade, com tenacidade o suficiente para por o dedo na cara de todo mundo, e dentro da minha própria ferida, e as ventas tem que ser abertas o suficiente pra isso. Dos meus pecados cuido eu, dos seus, você - assim segue a grande roda do mundo. A máxima penitencial bretã de que "Só Deus Pode Me Julgar" nunca se faz tão presente em dias de tribunais de rua, em dias de pessoas desleai -como eu fui, e tantos outros foram.
Fica na memória o que me cabe, a noite que cai, o frio, as pernas juntas, Belchior de 76, latões, Paço do Correio, e só Deus que sabe, só Deus que viu. Deus e Baden viram. Deus, Baden, Jorge Ben e aquela loja. Deus, Baden, Jorge Ben, aquela loja e todas as outras. O mundo viu e não viu, e segue o jogo, e o perfume meu é teu, e o teu fica no meu, e na fusão de nada a perder há de estar se encontrando novamente minha cabeça, a mim mesmo, o meu querer, o Lamento solitário que escorre do Lá Menor até a mínima de Dó. Dedilha, toca, e observa, sou eu.
Quando eu acordei da vida dentro da vida, pensei que havia perdido o jogo, mas apenas me arreparei que não há tempo estipulado. O dito "rapper" disse que ainda é tempo, mas alguém esqueceu de lhe dizer que não existe tempo estipulado, nem relógio que determine isso, assim como prova tudo isso a extrema unção, o voto de Minerva, a Armada de Blake e tudo o mais - O tempo não existe. Existe apenas sua vontade de ser o grande herói das estradas, e cabe a você e a mim tomar essa decisão todo santo dia. Ser o dono do rumo, correr por onde convém e não ter nada a perder - Obrigado Doce Javé por acordar antes de dormir.
Obrigado, Senhor pela menina que eu encontrei na estrada dizendo (mesmo dando a entender que ora sim, ora não) que volta comigo; Mais uma vez em mais um dia tudo deu certo, mesmo dando errado: Era a calça passada, camisa cingida, barba alinhada e o cabelo de sempre: Deus queira que sim, Deus queira não. Será que amanhã chove? Tomara que sim, tomara que nâo. E tudo isso magistralmente arquitetado pelos esquadros e compassos deixam meu passo descompassado e cheio de vontade de ir até o jardim para ver a Lotus brotar e nascer dali tudo o que não esperava mais, mas ainda sim insiste em (re)nascer. Um sorriso besta brota em minha face, e meu peito jorra água e vinho. Meu peito se tange pelo seu sorriso, e na tangente dele, eu me faço de besta e saio pela tangente quando o violão me.pergunta por quê tanta alegria, pra quê tanta música, e pra quê tanto? Porque amanhã será o mais lindo dia como ontem foi quando há da tua presença em minha aura. Hoje é o primeiro dia da minha vida, do resto da minha vida.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Lotus.

Como eu queria que a noite não acabasse para mais uma vez eu ser feliz e toda vez que houvesse a felicidade, subentendido estivesse ali você. Como eu gostaria que todo Céu fosse acinzentado para poder riscar ele com os dedos e no copo de chá acquecer o corpo e a alma, pra satisfazer a exaltação, pra tudo isso ser parte do montante. Como eu amaria que assim como a sutileza e peso do excedente solo de São Baden, você viesse e transbordasse em mim toda a alegria de outrora, ou ajudasse a resgatar os lírios cálidos na janela, e sendo o porto de braços e abraços, encutido estivesse também a sutileza e o peso de compromisso, compassividade e amizade.
Andaríamos, mais uma vez pelas numerosas ruas e sentindo o cheiro de jasmin no ar, sentiria também que tudo mais uma vez e sempre está se estabilizando, e agora por mais um motivo de se estabilizar, e logo todas as estrelas do Céu seriam cumplices dos vinhos tomados, das escutas infindadas de música, do tempo e a espera, e do sorriso que cabe tão grande dentro da alma - tange, fere, corta, mata. Machuca, meu bem.
Ai, saudade, manda dizer pra quem tá do lado de lá que ando me segurando de mãos e dentes na madeira da nau pra não enlouquecer, e quem sabe de mim é Deus e a Mãe das Candeias, porque eu mesmo estou fechado pra balanço, balançando o corpo com o som e maneando a cabeça pras idéias vãs que ainda me assolam. Ai, saudade, se te for de toda boa, manda um beijo e abraço, pede benção, diz pra olhar por mim e vê se aprova. Meus passos ainda cabem a mim, mas é difícil seguir pela vasta e incerta estrada sem os advertimentos de quem já foi por lá e cá. Me ponho mais uma vez em trovas e versos.
Mãe, ela tem lábios lindos, ela tem cabelos lindos, e o número dela casa com o meu, e o disco que ela ouve eu tenho, e no momento de ir embora não deu, ficou pra outro amanhã implícito no futuro. E como tudo acaba onde começou, aqui estou eu mais uma vez na Asa Leste, de onde nunca deveria ter saído, e de onde Santo é quem faz, e não quem leva a fama. O degredo tem santidade, e deveriam pedir desculpa por pisar em chão tão firme com pessoas tão boas. Mãe, a vida apesar de turbulenta é boa, e te peço paz nos meus desaventos e alegrias para meus inimigos. E aos que querem minha cabeça, oferto meu corpo: Ele me ensinou que meu amanhã é hoje.
Venta lá fora, e meu coração se infla de alegria com a possível vinda das torrentes de voisas boas depois da estadia de agosto. A vibração que emana do Sol diz que a alegria não tarda a vir, tem nome e sobrenome, gosta do som e tem inebriação como arma de ataque, e candura como defesa. Ai de mim, São Baden, que me trouxestes a Lotus mais bela! Ai de mim que não mereço. Ai de mim, São Baden, se eu não cuidar. Ai de mim. Ai de mim, se um dia eu me esquecer que a suavidade, sutileza, peso e danação podem ser tudo em uma hora só. Ai de mim, Meu Santo.
Quando as cabeças estiverem vazias, leva, Meu Santo, um pouco dessa alegria que sinto a cada um dos meus - amigos e inimigos - e compartilhe a aura boa em que me envolvo. Compartilho e agradeço o aprendizado de toda a minha vida até aqui, com todas as pessoas, desamores, desamigos, amigos, inimigos, pessoas transeuntes na rua, e sentenças de juiz algum conhecido senão o Juiz do Final, obrigado a cada uma dessas pessoas que me prepararam para ser maior e melhor que antes, e atingir a graça maior d'Ela. Em teu altar, eu acendo minha vela e no teu roupário encosto, porque sei que você há de ler e ouvir o que digo. E vem, cada vez mais perto de mim e deixa essa felicidade ser eterna como o sopro de música que tenho dentro de mim: Infinito.