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quarta-feira, 24 de maio de 2023

Carta a Laércio.

1 - Prefácio e Saudação:
Marcvs, escriba por natureza e observador de nuvens para Laércio; Que as alegrias comutem em você como as estradas sempre levam uma cidade até a outra, meu bom amigo! Que as lindas garôtas ouçam e os Céus turvem ao seu favôr.

2 - Estimas geraes: 
Lhe peço perdão pela demora em escrever, mas como sabe tenho um asco em escrever forçado a quem me pede sistematicamente, e por isso deixo-te em último, mas não menos abandonado que aqueles a quem escrevi antes - ainda tenho muito a quê e a quem escrever, e as cartas nunca cessam, tal qual uma reza que ininterruptamente vemos o frade eterno fazer assentado no alto da tôrre. De fato, sentindo saudades do pôvo que fiz amizade aí, espero um dia poder ver-lhes e estimar em suas companhias um bom copo de licor e podermos novamente debater das coisas que rondam a vida de nosso têmpo.

3 - Preparação para a morte:
Que bom seria, ditoso, se Deus nos desse a alegria de morrer! Ai de mim se pudesse ser mártir alguma vez em algum lugar do mundo, oferecendo meus santos dons a quem me deu Sua Vida. Entrego cada dia como entrego a cabeça posta no ferro frio da guilhotina: Vivo, mas não vivo em mim, vivo por algo maior, e troco cada prazer e desejo por uma força maior que domina meus passos, sensos, tinos e alegrias: Sinto, mas apesar de humano e fraco, sou amparado por uma Fôrça que não me vale em ais e glórias. Humanizo, mas mesmo sendo explicitamente e ridiculamente humano, Deus sempre se compadece e mostra Sua Face para mim de uma maneira sublime.

4 - Senso crítico:
Me perguntas de jeito óbvio as coisas que cercam sua cabeça; e eu, tão pequeno, observo. Não sei dizer-lhe o que é certo em sua essência. A nossa vida nos tece uma cadeia invisível que nos põe em evidência a dizer o que é certo ou não. Não sou legislador, sou escriba e nisso me basto. Sei de mim, de meus erros e acertos dentro de minha lei. E mesclado a minha lei, uno-me aos que tem valores mais próximos dos meus para que habite em harmonia no universo de modo geral (assim o mundo foi criado, disse Hermes Trismegistro), e vos rogo pelo Santo Sangue do Cordeiro que assim pense, pois se a nau de tua mente adentra oceanos aonde não cabe teu coração, és grande demais para entender as coisas simples, e assim perde-se no comum, tornando-se errado para si, e para os seus.

5 - "Hino a Pérola":
Não ando, amigo, ansioso ou interessado em notas de rodapé, teorias recicláveis ou sonhos de 20 centavos. Quero apenas o que me cabe, e ler o que gosto. Quero a cidade cinza, o tempo frio, e a morte. Os beijos que o vento trás e as lágrimas pluviais que alguns chamam de chuva. De que me adianta saber se Tomé realmente escreveu o Hino a Pérola se eu ainda nem entendi ao certo como viver o evangelho de meu Senhor? Com o advento da informação tornamo-nos burros, pois queremos abraçar o mundo todo a todo o momento. E não tendo braços para suportar, nos quebramos. E foi ali!

6 - Embates e enemas:
Existem sim muitos doutores cegos de sua verdade, que inefavelmente tentam vender seu infinito particular como o verdadeiro - a desses, corra. Como diz Nosso Deus no evangelho segundo Marcos: "O que é a verdade?", e sai tu a pensar. Aceitar uma verdade, ou uma verdade grupal é totalmente válido desde que refletivo e pôsto em evidência contra a luz e as trevas; e só após ponderar e considerar cada aspecto, vírgula e decreto, entra tu. Entrar em um cordão e hastear seu pendão ético sem entendê-lo, é como uma lavagem estomacal forçada por aquilo que come e te intoxica: A comida primeira pode fazer mal, mas há de ser regorjitada ou evacuada, agora se contra a lei cíclica da natureza é imposto algo invasivo para que lhe faça uma mudança imediata, isso não é bom. Vê lá tu.

7 - Agradecimentos:
Agradeço muito pelos livros que você me devolve, e mais além: Pela singela recordação e pela boa alegria em saber de ti; Acesso meu livrário para poder colocar os novos (velhos) volumes e vejo que necessito de prateleiras para os volumes. Creio que irei necessitar relê-los para poder lhe dialogar sobre o dilema de Pedro em Antioquia, dá-me tempo e iremos ainda ver isso até as festas de São João.

8 - Sobre o incaælensa:
O incaælensa é a parte mais bela e necessária de atenção (sendo todo o resto conveniente também, como já o expliquei) na missa: Eleva-se um pão que se faz Carne, sobe-se um viño que se faz Sangue, então estando ali aos olhos dos crentes, Deus reina e habita e faz-se presente de Carne e Espírito (Santo), e a incensação do altar, consagração e fiéis torna-nos novamente limpos e preparados também para presenciar o maior mistério e glória da fé Católica: O revelo de Deus diante de nossos olhos humanos, decadentes, cansados e natimortos. Estando assim, de preparação e elevação espiritual em risca, notamos que este delicado e sublime momento nos faz uma força maior e mais unida - como homens e como filhos da Fôrça Trina. Apenas note o momento com o coração aberto, e ele lhe falará.

9 - Benção e despedida:
Reza por mim, e aos nomes que inclui no livro de meu coração. Abraça teu pai e diz que peço a benção a ele, e amplexos até seu irmão mais novo e a Gaudêncio. Guarda também nossos feitos enquão capas negras, e reza a Padre Deus pelo dom da vida de Gil, que há tanto nos faz falta - esteja ele entre os justos e os Santos, amen - e livres pela alegria de sermos amigos, ainda tomaremos a velha menta em algum bar. Se eu não for até o Vale logo, sobe tu até a Piratininga em Jvlio e nos veremos. Deus te abençoe e te ponha entre os Santos, Mártires, Únicos, Justos, Virgens, Patriarcas e Profetas. 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Garip Gönlüm.

Entendo que cada vez mais tudo se transmuta, e as coisas tomam novas dimensões e tipos de agir, pensar e falar - mesmo não entendo como isso altera uma essência de uma pessôa, e se há a vera necessidade disso. Vejo minhas vitórias, uma por uma, e apenas penso na melhor maneira de expressá-las, e encontro neste velho e querido blog. Sei que poucos aqui realmente lê estas mal-fadadas linhas, e muitas pessôas que quis compartilhar estes textos nunca os viram, mas, cumpre-se aqui o desejo do cronista, e nunca o do ser. Aqui se postam textos para compreensão e legado de um anônimo, e não Odes a lírica das carnes. Aqui, a escrita continua sendo outra.
Olhando para trás, me sinto satisfeito com minha vida - tive tudo o que quis, como quis, e da forma, nada houve que pedi a Deus que Êle nunca tivesse me dado. E por vezes, me deu mais do que precisava, dando me o que eu veramente queria.
Logo, não anseio mais por nada, por mais que existam sim alegrias a ainda ter, viver e sentir. Ainda se faz necessário a Cecília diária ad aeternum da Anatólia (Teşekkürler, Aretha!), como se faz necessário beber da alma do Lgo Nº 133, como se faz necessário crer cada vez mais que estou na melhor fase de minha vida. Mesmo que tudo isso exista, e faça parte de meu presente, e próximo futuro, não anseio por algo fundamentamente que exija demandas físicas ou mentais de mim, deixei a nau a deriva de minha vida a Deus, e por isso mêdo ou desconfiança não sinto, e se estiver com mêdo, estarei com (São) Pedro. Não temo mais a morte (que a muito custo, Vaniltêra, Dellandrea, Mello, Diegão, Alvaça, Zé, Hollmann, Gustavão, Albino e tantos outros me ensinaram a chamar de Irmã), porque se ela mesma velada, de rosto alvo e cingido me encontrasse, me venceria sua frígia contra minha carne quente, e bendigaria o Senhor Deus acima de tudo quando me fôsse, pois assim O viria em sua Luz e Glória. Mas não anseio o Céu porque sei de mim, sei das minhas mãos sujas. A misericórida de Deus me caberia se ao invés do Céu; Deixasse-me Êle em algum lugar da espera do Juízo aonde eu o louvasse incessantemente, em nôme de Sua Perfeita, Absoluta e Infinita misericórdia para comigo, e com tôdos os do degredo - meus ou não. Meu Deus atendeu meu pedido, e me deu minha pérola. Ele me desceu até a mina d'água, e me levou, lavou, cingiu, abençoou e sorriu. Me sou meu, e sou o mesmo, mas, diferente. Ainda vivo da mesma forma, mas nas cucas e na (futura) longa barba, extensam-se novos planos muito bons.
E me alegra isso: Saber que a pérola que encontrei dentro de mim, finalmente foi tão útil a alguém, e que eu ao menos uma vez nesta vida fui utilidade para a eterna bondade, compaixão, amizade, esperança e renovação de fé o Amôr que faço ser re-Amado. Admirado seja Vós, Sacro Sacramento Sacramentado no Sacrário, com tua Luz, abre o peito de quem se sente triste em trevas e lama, Santa Clara, barravento do Senhor, olha por nós aqui no N º 133. Jo 16:33. Lembra?
Guarda esta carta, não como tôm de amizade, nem como tôm de bôm conselho, tampouco como sermão ou forma de vida, testamento ou epíteto, mas, guarda como o legado de quem venceu na vida dividindo o pouco que tem, e neste muito pequeno tanto pouco de quase nada saciar a mim e minha horda, e para se dignifique a bondade: A bondade existe e é vigente acima do feo, mas, ela não é divulgada - logo, se faz a bôa bondade. Apenas a má-bondade é divulgada, confrontando o Evangelho de Nosso Senhor (Mt 6:3), e criando falsos bôns, e fazendo a caridade ser moeda de troca entre os homens, e casa de interesse. Que se abram os olhos, e as portas das casas, que as lindas mulheres estedendo suas roupas nos varais de quintal ouçam, e que o Céu turve-se na chuva mais linda de primavera: Deus existe, e sua misericórdia e amôr se bastam e reinam, Deus a tôdos amam, e a tôdos que se amam, amam o Senhor, e se o bendizerem, assim cumprem-se para Deus, e cumprem a regra da salvação da alma: Amar.
Enquão a mim, Profeta das Estepes, cabe-me apenas o que tanto amo, escrever: Mas, atrelado com uma necessidade agora, de dizer nas mesas dos bares, na vida, no parque, nas ruas, nos picos, e em tôdos os lugares aonde procurei, devo dizer: Existe. E é Bôm.

"Nós Vos adoramos, Meu Bôm Senhor, e Vos bendizemos, porque pela Tua Santa Cruz (Tu) remistes o mundo."