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quarta-feira, 17 de abril de 2024

Pelas Ruas do Mundo.

 Ao passo de dez (ou onze?) anos atrás, lhes escrevi uma máxima aqui neste bRog, da qual ainda uso em temporãs: "Mundo Maravilhoso, Lindas Pessoas - essa é a vida", de qual era trecho de uma música minha.
Bem, é só pra dizer que essa máxima ainda vale. Vale muito. 
Ainda é atual destacar e acreditar em cada parte boa de cada ser, e ainda sim fomentar a quem não instiga em si a parte boa e misericordiosa fazê-la render e fermentar. Sabemos lá que o mundo vem-se-ter em pé de crueldade e desigualdade, minguando em tristêza e desânimo. Mas, se colocamos o nosso arado amarrado a uma estrêla, temos como acreditar. Crer, sim - não há palavra mais própria para o contexto - no melhor. Seja lá pela vida, pela esperança, pelo amôr, pela fé, pelo amanhecer... em algo reside a bondade e nela toda fôrça que ousa ir contra se disspia e se transforma; como disse Paulinho da Viola: Tudo se transformou.
Pois, se lhes escrevo de esperança, é porque justamente a minha morreu e se refez em algo nôvo. E digo isso com a minha fé e humanidade exposta tal qual (não só) como um escriba, mas tanto como um ser humano normal e comum, que ao ver o Sol nascer e a Noite cair, entende que há coisas maiores e mais grãs que regem e imperam. Antes, haveria de ser mais um dia e menos um dia, e agora, faz-se o mesmo, mas com outro significado, trazendo em si a esperança de melhoria, e a fé que se aflora, desbota e germina em solo para que outros possam também crer - ora, pois se este bRog é de viés escribário, e conta de visão imparcial com exceção para Deus e Sua Igreja, nada além disso deveria de ser. Aprendo, pois, a mesma lição que nunca aprendi: Tudo tem sua hora, seu tempo e sua vez.
Enquanto discorro essas letras, jorram de meu peito a preocupação, o mêdo, a aflicção, e o cansaço do passo mantido (como vos digo, 'inda sou o mesmo), mas ainda sim me dá a nova e certeira direção da crença em algo maior e melhor do que o presente nebuloso; como rezamos na missa latina spero in Deo para que as bonanças cheguem, e assim me volte o sorriso em definitivo ao rosto, e estando em paz comigo e com os meus, verei novamente os Céus turvarem e as lindas garôtas sorrirem. Logo, ao chegar nesta fase, sei que os dias tristes foram a minguar, e as coisas belas, simples virão a mim de alguma forma, de alguma maneira, e eu, serei o mesmo, só que com sorte, mais vivo, vívido e feliz.
E qualquer coisa além disso, será superfulo. E qualquer coisa além disso sera desrespeitoso, e que seja sempre a felicidade por felicidade, e não por ter preço ou tábula marcadora de preço, tampouco algo que nos impeça por valôr e alíquota. Veremos, eu e os meus (e você também, se quiser) as alegrias de sábado, a cerveja no copo, o cheiro de rango, e as pessoas sorrindo como a festa da vida sempre nos presenteia quando nos cerceamos de coisas belas, interessantes, densas e profundas de sentimento e verdade. 
E eu, estando lá, espero te ver. Como um pôr do Sol no alto da serra, e uma alegria sem fim.

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Operator.

 O amôr, em suas três divisões, por ora pode ser demasiadamente lindo. Mas pode ser lancinante e cruel. Lembro quando olho para trás todos os sonhos que constitui e construí - alguns com rapidez, outros com cautela, e outros de qualquer jeito. E a sensação amarga do recomeço sempre me incomodou.
O amôr as vezes pode ser muito explicado, mas, quando torna-se frugal, torna-se melhor. E quando torna-se belo, deve-se ter cautela.  
Sei, também, que o amôr costuma ser vivaz com quem o sente, e que não se baseia apenas nas pernas grossas e olhos acastanhados das moças, mas no vento sagaz, na beleza das luzes do centro, dos cafunés nos Santos Cães da Rua, na feijoada na cumbuca de barro, o litrão na mesa de plástico e uma alegria de fim de festa...
Uma fumaça do cachimbo voando solitária pela noite, que por vezes no fornilho faz as vezes de lampião.
Talvez, há  uma grande chance do amôr nunca ser nada do que se quer, mas sim do que se precisa, mas, até no precisar deve existir um querer - seja de ordem de grandeza, ou da grandeza. Se ela usa salto ou all-star, se sorri ou franze a testa, se grita ou geme, se fala ou sente; que mal faz? É amôr, dentro do sacrário do peito d'ela reside parte de mim, e parte d'ela carrego atado a mim. E ao porto, digo não. Acosto, acocho e me atraco a marina de seu porto, fazendo-me saber de dela, e que ela se saiba de mim.
Haverão dias escuros e noites claras. Medos e incertezas, raivas abruptas e carinhos sem fim. Sei disso, é o mesmo esquema de maneiras diferentes em cenários iguais, mas, não compete a mim fazer toda a vez ser a última vez? Disse um velho senhor que conheci no passado que o "verdadeiro amôr, é o último amôr" (sic). Eu não discordo em parte, mas sei que não é apenas isso. Só o que excede, transgressa, urge e faz ser visto é notável e deliberadamente tangível no alto do ser.
E do resto? Que lá sei.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Last Summer Whisper.

 Este poderia ser o dia de nossas vidas.
Mas você tem o direito de transformar em algo comum... e não serei eu que tomarei a dianteira; a mim, basta o caminho. 
Dou o meu sorriso na graça do dia e do que o envolve, com todos os seus sins e nãos, com suas vontades e nuances, por isso sei que não posso pedir algo de direito a escolha. Se quiser, é o benfeito, e sem bem fazes, bem terá. Talvez não entenda, mas só quem toma as decisões diárias sabe como pode ser penoso e doloroso ter que escolher para outrém. Cabe, talvez, um consenso; mas não o direito de derrubar contra a outra pessoa um querer ou um gostar forçado.
Você pode mandar uma mensagem, você pode abrir uma cerveja, você pode sentir o vento mexer nos seus cabelos -  tudo isso faz parte de um momento e de uma síncope da vida, de perfeição tão bela que até nos atordoa. O que queres fazer, bem o podes; desde que estejas preparada para a consequência ou para o desfecho de suas ações. O que fizerdes, faça bem feito, pois o retorno há de ser bem feito para você também. E isso é o básico da sentença.
Fazer as coisas com carinho e afeto, mesmo que cotidianamente, nos alegram, mesmo que não parecendo. O que nos vale desse caminho a seguir, é como o fazemos, e se não ferimos quem está ao nosso redor pelas nossas atitudes e dizeres.

O que vale, é que este poderia ser o dia de nossas vidas, mas para você não é nem dia, e nem vida.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Uncertain Smile.

 Como são sortudos os que amam, e que se sentem amados. Como eles são dotados de virtude, graça e glória!

Como são belos aqueles que notam todo sacrifício de amor, toda vontade suprimida e todo carinho distribuído. Como também são belos os olhos de quem vê mais do que a atitude, e aquilo que há por detrás  - quem sente o coração, quem tange a alma, quem quer e precisa fazer (o) bem-amar. Muitos ainda não sabem, mas o amor está em extinção, em risco claudicante de morte.
Deve-se sim mandar flores, escrever cartas, falar baboseiras, dar presentes, zelar e ter afã. Olhar nos olhos, beijar, ter cuidado, e saber quando se precisa ser mais pelo outro. Deve-se abraçar sem motivo, e principalmente abraçar quando mais se necessita, deixar-se em marca de atitude ou doação e imprimir sua marca no amado, para que saiba que invariavelmente está ali. É, além da admoestação perene e justa, a vontade virtuosa de cuidar da pessoa, de ter com ela, e de deitar o tempo, para cada segundo valer.
Ditosamente, ter paciência, e se encaixar, cada pedaço e cada milímetro, e deixar-se levar por um sentimento que secou nos corações - cegos, não amam, e tornam recreativo o uso de gostar, para que assim, amem com retaguarda, esquecendo do Deus que professam, do doutor que hasteiam, e da verdade que carregam.
Colocaram delimitações e estágios naquilo que nunca se deveria ter.
Se você ainda crê no amor, lute. Seja cafona, babaca, ridículo, mas ame. E mostre o amor. Exponha. Dê a cara a tapa, pois, não se ama um amor em vão. Todas as músicas, espaços, lugares, perfumes, palavras e gestos, sempre se remetem ao amado quando se ama; e o amor - criança traiçoeira, infantil e levada, porém sincera e cativante - sempre acha um caminho, e quando feito, não pode ser transposto.
Olha o Céu, ele trás o amor. A água, trás o amor, o silêncio, a rua, tudo de certa e direta forma trás o amor quando se ama, e por mais que você não compreenda, é necessário abrir o coração para amar, ser amado, cuidar e ser cuidado, e nestas trocas - veras simbioses daquilo que dois seres se dão, resulta na mais bela coisa que se há na terra. O amor.

E o resto, é consequência dos atos.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Mystify.

 Hoje faz um ano que conheci a mulher de minha vida. E logo hoje, estou apartado dela. 

Há exatamente um ano eu estava entrando naquele saguão de hotel após o abraço apertado dela que me desconcertou, e sentando numa mesa do lado de fora de um restaurante. Sentamos, rimos, nos divertimos e conversamos e trocamos presentes - após um tempo conversando pela internet, rolou essa oportunidade que nos agarramos firmemente. Ela estava linda, de vestido preto, salto, unhas vermelhas e um sorriso que me induziu a introspecção.

"I'll have you just the way you are; I'll take you just the way you are". 

Conversamos da vida, do mundo, da igreja, da ordem, das músicas, e sentamos cada vez mais perto. Em meu fone tocava "Lágrimas Secas" de Jorge Mautner (e se você estivesse de fone seria Mystify, não é?). E quando dei por mim, minha mão estava na dela e minha boca selada num beijo com a dela. 

"Lágrimas negras caem, saem, doem".

E que beijo, Meu Deus! FOI ALI!

Parafraseando Charly García: "Sera que senti la luz de tu amor?"

E ali mesmo, a pedi em namoro. E ela prontamente aceitou. Dei minha jaqueta nas suas costas, enquanto acendia um cigarro, e eu vesti meu colete "pullover". E ela trocou o salto por uma sandália. Isso foi numa quarta feira. 

"Eu acordei com medo e procurei no escuro alguém com seu carinho".

Nos vimos no outro dia, a noite, andando pelo centro velho, bebendo vinho barato e achando as afinidades do passado no vão do MASP, e na sexta nem trabalhei, consagrei meu dia a perfeição mineira. A levei nos meus lugares, dei a conhecer os meus, e cuidei de ti como se fosse a maior e melhor coisa do mundo - como ainda é para mim. 

"And with her arms around me tight, i see her all in my mind; And she'll always be there, my love don't care about time".

Ela voltou para Minas próximo ao dia 1° de Maio. E eu, preso ainda em grilhões da minha mente traiçoeira, tentei de várias formas lutar para que mantesse o efeito da anestesia que ela deixou em mim após seu arrebatamento em minha existência; pela internet conversávamos, ríamos, dividíamos música, sonhavamos e falavamos de amor, de vida, de tempo, de Deus e seus Santos, e danava-me a escrever versos, canções, palavras e teses pela amada. E ela, a mineira musa de minhas canções e pensamentos, deixou-se fazer sacrário e me guardou em seu peito e fez segredo, e até hoje, só de ver sua foto, ouvir sua voz, ler sua mensagem ou sentir sua presença, meu coração exulta e se turva da mesma forma quando tive meu primeiro êxtase místico, ou quando subi num palco para tocar. 

"You're in my mind all the time, i know that's not enough; If tge sky can crack, there must be some way back; For love and only love".

(E agora começou a tocar INXS enquanto tomo café num bar perto de casa. Mas não era Mystify. Era Beautiful Girl).

Pouco tempo depois, fui pra MG na sua casa, e ficamos um fim de semana; eu sempre tive medo de avião, mas fui com a cara e coragem e mesmo desmaiando no vôo de ida e de volta, fiquei em êxtase em estar naquela presença, naqueles braços, naquele momento sunlime como a Transfiguração no Tabor, mercado, cerveja, discos, risos, igrejas, e você. Lembro de você, ao me levar até ao aeroporto, colocar I Lost My Head para irmos ouvindo, e eu querendo cada vez mais que aquele caminho até Confins demorasse. Antes de desmaiar no vôo de volta, recebi meu primeiro "eu te amo" de você.

"Vem me dizer se a cadeira vai morrer, de tédio, sozinha, sem você".

E pouco tempo depois nós vibramos com seu emprego em São Paulo, lembra? Foi um difícil começo. Aquele abraço na rodoviária foi um dos abraços mais gostosos que recebi em minha vida. Aquela hospedaria, o primeiro mês se dividindo em duas nos serviços, a preocupação, mas tinhamos um ao outro. Morar e trabalhar perto do cartão postal de São Paulo; a famigerada Paulista. Perto da casa franciscana; 

"Não vamos nos transformar no casal clichê do clichê". 

E logo após um tempo rápido, fôste pra Santa Cruz, e vieste talvez o nosso "Bom Tempo" (de vera, cada tempo contigo é bom): bebiamos, ríamos, conversavamos e acordavamos ao som das maritacas, e sentíamos alegria em no domingo a noite ir na Casa Franciscana da Borges Lagoa,  procurávamos paiêiros, unhas em gel, Game of Thrones naqueles sites clandestinos, e teve aquele snooker horrível que comemos a pior porção de carne de SP. 

"Vida y sangre, suave sons".

Fomos pra MG, voltamos, descemos a serra e te dei a honra de comecer um de meus heróis (meu avô - "Que bandeira que você deu, que bandeira, não me entendeu..."), e você conheceu a Cookinha, e por muitas vezes quão perdido, por mais que não parecesse, lhe ouvi, e ouvi muito, e ouvi bastante, tanto que eu procurei ajuda, fui em médicos, reconheci meu vício e aflição, desenterrei do meu homem velho aquilo que mais me afligia e me dava medo, vergonha e raiva - e fiz por mim, para ser homem bom a você, e comecei a construir isso, você mesma bem viu e por algumas vezes te pedi paciência nesse processo, a qual algumas vezes deste com a maior zeladoria.

"I'd called you a bargain, the best i've ever had".

E de ti, sei que aprendeu a ter paciência, a gostar de SP, de ter zêlo, e de gastar seu tempo comigo. Pouco tempo depois, rolou a chance de ir pra um lugar melhor, e você teve seu atual lugar de morar, que tem a vista mais linda da cidade velha, lembro de ajudar na mudança, de te dar força, arrumar as coisas, cuidar, e te ajudar junto com sua mãe, e tentar a todo custo te fazer feliz, e pouco tempo depois, sentíamos saudade do barulho das maritacas. E lá, atualmente, mora a coisa mais importante para mim agora, parafraseando William Blake "Ali dorme uma, a minha, rainha."

"E tudo o que você quiser, tudo o que você pensar, será; Tudo foi feito pelo Sol".

Sempre tive o gênio difícil, e sempre fui apegado a histórias e momentos temporãos, mas, sei de mim, de meu coração. Sei que você nunca achará alguém tão zeloso por você, que te ame, se sacrifique, dê o que tem, e te guarde como eu, e mesmo que danasse a procurar agora, não acharia outro barbudo que te levasse na missa, fizesse um desayuno, te levasse nos points gastronomicos, te defendesse de assalto, fizesse massagem no seu pé quando chegasse cansada, ou que sempre procurar algo para demonstrar seu amor - seja por rosas, canções, sorrisos, beijos, ou "você quer algo da rua?".

"Você não vai encontrar outro poeta louco, que junte seus versos com rimas de amor, compondo com carinho um samba de ninar pra te fazer dormir".

Me deste um aniversário. O único aniversário que tive na vida, aonde reuni os meus amigos, e te vi linda e perfeita, aonde você me cuidou, esteve comigo, e depois ficamos até tarde vendo filme. Aquele dia foi um dos mais felizes da minha vida.

"Although we're apart; You're a part of my heart; But tonight, you belong to me".

E eu, nunca encontraria mesmo se danasse alguém a procurar agora uma mulher tão bela, tão amiga, de bom gosto musical, ótima cozinheira, que tem o melhor chameguito e que com um só sorriso me livraria de todo esse desterro que estou passando. 

Perdemos nós dois, pelo nosso gênio, nossas dificuldades, nossas falhas, e por sermos tão incríveis. Na mesma medida e proporção. Mas, o que se perde pode ser encontrado. E mesmo que não queira ser encontrado, uma hora se é visto; e eu gostaria de encontrar o que perdi e nunca mais perder. E você? 

"Na simples e suave coisa, suave coisa nenhuma".

Ah, diz-me o profeta que ainda é tempo e ainda é momento, e que se deve demonstrar o gostar a cada segundo. E eu, pelo café na sexta da paixão e pelo post que me mandaste segunda, me mantenho ainda fiel ao saber que teu amor é meu, e vice-versa. Ainda te dedico os escritos, a sabedoria, as boas vendas, os êxitos, graças e glórias. Te desejo a boa vida, o excelso, e todas as sortes e bençãos de Deus, por intermédio do Bom Santo Antônio.

"Since I've been loving you, i'm about to loose my worried mind".

Te desejo Daniela, feliz um ano. Mesmo que não seja um ano. Te desejo meus abraços, beijos e massagens no pé que chegam até você pelo vento, e te desejo meu amor, que ainda é todo teu. E se entenderdes o que escrevo e escrevi até aqui, estiver com a cabeça fria, e sentir tudo o que sinto, e ainda houver um gostar por mim em você, por favor, desça e vem ter comigo, pois se manter estático perante a vida nem sempre é boa coisa, ceder, ser humilde, entender e ver a situação como um todo também é preciso, e sei que dentro de seu coração também tenho um bom e belo espaço. 

"You mystify, mystify me".

Sei da pressão da tua vida, de teu emprego, da luta constante, e sei também que você é difícil de lidar como eu também sou as vezes, mas nós temos uma opção: Ou finalmente nos damos a chance de trabalharmos, dialogarmos, e sermos a "alma gêmea" um do outro (e você sabe do que estou falando porque já entende minha linguagem), ou você deixa esse amor passar, e vai se frustrar cada vez mais, se entristecer e se quebrar, achando que munca teve amor ou gostar, sendo que de todos, quem te ama, quer, luta e daria todos os dons para te ver em paz tem um nome: Marcus Vinicius. 

"Não se admire se um dia, um beija-flôr invadir; A janela da tua casa, te der um beijo e partir; Foi eu que mandei o beijo, pra matar o meu desejo; Faz tempo que eu não lhe vejo, ai que saudade d'ôce". 

Feliz um ano, Neña. 

(ainda) amo você.

domingo, 17 de novembro de 2019

Gente Humilde.

Seo Fabio é a transição do têmpo e espaço, e nessa tentativa inútil de viver entre o saber e o descobrir, abri a fenda do tempo de imortalizar meu avô em palavras.
Nascido na fenda da pedra dura (chamada Itaquera), nasceu o homem de poucas palavras, ironia extrema, franqueza, e batedor-de-dedo-indicador na mesa quando bebe cerveja e come azeitona de tira-gosto.
Seo Fabio foi o homem (cujas profecias, pois homens desse calibre não estão na história, fazem), de bairro, futebol, de namoro-de-portão, de trabalho duro, e salário muito baixo, pouca comida e um omelete para quatro filhos. Uma esposa que lhe ajudava onde podia, e muitas vezes só aliviava o peso do mundo no bar, tomando a cana mansa-couro, ou o futebol onde se quebra ou é quebrado. O peito de meu avô é o lugar mais inacessível do mundo, e louvado seja quem o adentrou. Creio que se eu tivesse tantos dinheiros quanto bolsos em minha calça, deixaria todo isso guardado no peito de meu avô, nunca soube eu que alguém passou ali - e se passou, não voltou para contar a história.
De todo, meu avô sempre foi racional em tudo o que fez, agiu e constituiu ao longo de sua existência, claramente, nunca deixou muito o sentimento ir em sua frente, mas ao mesmo tempo, com sua forma, deixou o sentimento aguar parcas vezes - mas dessas parcas vezes, cada vez que me recordo, sei que vale mais do que uma vida sendo amado e amando. O altar que ponho Seo Fábio, o Velho, é digno por saber que foi um homem comum, que acordou cedo, labutou, jogou bola, bebeu, falou palavrão, brigou, riu, falou da política, ajudou quem pôde e como pôde, e se dedicou a família como pôde, em todas suas instâncias. Se meu pai foi omisso, nas raras vezes que pude estar pareado com meu avô, ele foi mais que avô, foi pai, mestre, profeta e amigo. Meu avô, por mais que não saiba, é um de meus melhores amigos.
É a prova cabal de que a vida não precisa de muito, mas o pouco tem que ser bem-feito, e feito com carinho e lucidez. E que na dificuldade proliferam coisas boas sim. Me ensinou tantas coisas, e mesmo sem saber, me incentivou em tantas outras, e indiretamente, me ensinou por tantas outras. Seo Fábio ainda hoje acorda, pega a bicicleta, vai até a banca, pega um jornal, passa um café, e lê o jornal ouvindo as notícias no rádio, e sempre que pode acompanha seu time jogando. Sempre que estou por lá, ouvimos uns discos, ou quando não estou lá, ele mesmo ouve os discos dele.
Seo Fábio não sabe, mas ele é uma das pessoas que mais sinto saudades.
Seo Fábio não pode morrer, e quando (infelizmente) a Irmã Morte o abraçar, rogo ao Santo dos Santos que mandem anjos em seu encontro, e que na presença da Virgem, sua alma seja amparada e consolada pelos serafins. Peço que ele, muro de arrimo e casa-forte de tanta gente dessa família, esteja em paz, pois não houve e nem haverá um espelho tão belo e límpido como esse homem. Espero ainda que segure meu rebento no seu colo. Espero poder curti-lo mais um tanto, e mais além: Espero poder abraçar aquele velho mais um tanto, mesmo nunca tendo a coragem de o fazer, e que no derradeiro momento, ele saiba que apesar de minha ausência, sempre se faz lembrado por palavras, atitudes, carinhos e prece.
E por último, mas como cimento, digo que meu avô, mesmo com sua agnosticidade, ou ateísmo, foi quem mais me ensinou de Deus, pois ao afirmar sua dúvida, me ensinou a entender o credo e correr atrás das Potências Celestes em meu caminho.

A benção, Seo Fábio!

"E eu que não creio, peço a Deus por minha gente; É gente humilde - que vontade de chorar"

sábado, 16 de novembro de 2019

Lucky Seven.

memento mori
Ah, vai dizer que você não sabia que a morte é o princípio da vida, e que nada se começa sem se terminar? Vai me dizer que você acha que simplesmente tudo está aqui, suspenso no universo e nada aconteceu antes e nem depois? No escuro da noite, o norte do que vacila é uma oração - e o quanto mais se questiona mais sabe. No fim das contas, zerando a reza, o que sobra do homem é apenas a carne exposta e um coração que sangra: Ecce Homo! gritaram da platéia, e o palhaço, de íris-esmeraldina mete os pés pelas mãos e o mar verde é submarino, o cordão que aperta o pescoço é seda, e o que é velado, também sabe velar; Não dizem nada das arquibancadas, mas quando se desce para ouvir o universo, todos tem um palpite, uma coordenada, um conselho, e no fim do juízo, quem aconselha o conselhereiro? Afinal, de certo deve saber que a sapiência é dom dado e multiplicado quando dividido, mas, quando empirizado e descartado como vantagem, a burrice é o pé da soleira.
Até agora, os anjos continuam a voar pelo Céu e se distânciando de aviões e ônibus espaciais, então nossas bençãos estão garantidas; Os olhos ainda lacrimeijam de raiva e de lágrima, e não se ouve, não se sente, não se vê, no côvado de um banheiro, toda uma raiva se externa com as santas águas bentas do chuveiro - onde os touros de basã sentem mêdo, ali não me acharão, e vou mais além; Profeta de mim, sabia muito bem e antes de minha sina, e marcado por meu vaticínio sabia do que aconteceria, e parafraseando a velha senhora: Deus dá e Deus tira. As coisas, o tempo de convivência, tudo, é apenas um tempo de aprendizagem, mas Deus dá e Deus tira. As pessoas dão, e as pessoas tiram. E se o significado não difere, então é Pessoa.
Abaixo do Céu, a nivelação vem para todos, e a morte não nos faz irmãos. Pois sim, a vida. E enquanto a vida não vem, habitam verbos na boca, e se os verbos se conjugarem errados, corações se quebrou, se caminha pela estrada certa, sede seus passos firmes e bólicos, e deixa que o tempo mostra. Quem não tem tempo pro tempo, tem medo e raiva. Quem não tem tempo pro tempo, tem medo do êrro. Ainda existem coisas boas na terra, e por mais que andemos, ainda tem-se um cajado para seguir.
MAS em flôr, já cantava o Profeta, elogiando em sua trova uma Fôrça soberana tudo o que acontece, e vendo do passado, louvou os que seguem por agora, sabendo que a porta estreita ainda dará louros de glórias e lavras para quem quer a messe em ordem. No final das contas, as contas foram pagas com preço alto, e ao firmar os passos na estrada, esquecemos que o passado é passado, mas ao olhar a marca de nossos pés, vemos o quanto mudamos, e o quanto temos que melhorar: Louvamos um Amor, e machucamos quem amamos com aspereza e superficialidade, damos o Céu mas sem esquecer de firmar a terra sobre nossos pés - da adversidade nasce a razão, e da falta de pensar e da crítica nasce a ignorância e a adaga, que carregas atada em suas mãos, para cada vez que me vês, com teus abraços e mão-a-mão, penetra em mim. E no dobrar dos sinos, na raiva do metal que tina sem mêdo, minha alma grita em desespero, e na surdez do tinar eu sou ouvido enquanto as mãos limpas, tem sujeira demais, e as mãos sujas são as que merecem o bornal com a farta cornucópia.
memento mori

sábado, 23 de março de 2019

Apenas Um Rapaz Latino-Americano.

...E foi embora junto com a blusa, foi embora junto com o sorriso, e com a vontade de mais uma vez ir ver as flôres daquele jardim, e foi embora como muitas vezes foi embora. Foi de mim que saiu a virtude de continuar a viver. Pensando bem, saiu de mim o início para sair dali o fim.
Em cada altar do meu coração em que ergui um altar para você, eu vou o demolir, e para cada oração que fiz por nós dois, abrirei meus braços pedindo a verdade aos Céus, e para cada sorriso inocente, deixo uma Luz que incandeia na estrada, e para cada dôr, aprenderei a lidar, como sempre tive que lidar, e deixar mais um rastro de conhecimento para ninguém, mais uma gama de planos jogados ao vento, casa que foi planejada na areia fofa, e sonho que nao vou sonhar mesmo.
O sôm dos sinos é aonde guarda a minha verdade. É onde nunca deixei de ser meu.
Dona Antônia, que falta me faz. Seus 89 anos batidos nos meus (quase) 27 iriam ter a regula certa do que fazer neste momento. Sua mão, tão sôfrega e torta na minha, durante o Ofício, me diria algo que me faria pensar melhor, meditar, considerar, ou ao menos olhar ao meu redor e me desafogar daqui. Véa, a vida anda sendo pesada e dificultosa, não venho me mantendo, e sinto cada vez mais das dôres que lhe dizia. Ouvir sua voz agora seria mais que bálsamo, mas o melhor presente de aniversário. E por mais que eu saiba dos "ricos que pisam nos pobres", e os "bem-aventurados os humilhados", e "fazer seu melhor e esperar, pois tudo tem seu tempo e sua vez", mas, franciscanismos a parte, minha Véa, quando vai chegar a minha vez? Quando minha chaga irá fechar?
Percebo, mais uma, mil, vinte mil vezes, que ainda me entrego, e não me reservo, ainda sou temporão em tudo que faço, e mantenho meu melhor. Percebo mais ainda, que as pessoas nos olham como peso de prumo, e nunca como pessoas que sentem, olham, falam, e por isso nos tratam com objetificação, daí, consigo somente pautar a tristeza dessas linhas assim. Talvez Dona Jorgina estivesse certa em algunas aspectos. Alguns.
Eu só queria dizer nesta crônica de desabafo que meu peito dói, mas, que não vou seguir sorrindo. Minha fé ainda me ajuda a seguir, como a todos acontece, mas, hoje em diante me reservarei mais, voltando a ser aquela isolada, vulcão inativo, perdido no oceânico, que quase ninguém sabe que existe. E que a meta pra esse ano, não é mais chorar (lágrima última que foi derramada hoje), e sim rezar, pensar, e entender os planos de Deus para hoje - e sempre; Afinal, fui eu mesmo que pedi na oração de sempre: "E Que eu só leve alegria a tôdos os corações", não é mesmo? Então, que assim seja.
De resto, que o têmpo flua. - Que as lindas garôtas ouvirem, e que o Céus turvem ao meu favôr.

Kyrie, Eleison.

domingo, 13 de maio de 2018

Lá Vem o Dia.

Um dia,
virá o dia,
verá que a vida,
insistiu em passar sem parar.
e a guia
da Mãe Virgem Pia
lhe fez n'Ela moradia
para você os dias aproveitar.

Agora,
tudo lá fora,
já foi-se embora,
ficou apenas a tranquilidade do nosso lar.
Ora,
que tudo melhora,
logo a gente aprimora,
e Deus nos dá força para tocar.

Sorria,
inda que tardia,
desfaz da teimosia,
que a nossa vida é perfeita demais.
Alegria,
nosso mais-valia,
do humilde a bela ousadia,
e bendizer ao Excelso Bôm Senhor.

Que correria!
passou o dia,
e eu nem vi a flôr-de-Maria,
deixar seu cheiro pelo nosso Lar.
Nossa alforria,
e certeza bem cria,
é que a noite não nos agita,
Já podemos enfim dormir em Paz.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Resonance.

Dôce vento, leve de mim tôdas as tristezas e preocupações, deixe ficar apenas o que se consolida, o que se faz verdadeiro de verdade por excelência e prazer, o que se faz verdadeiro pela vida. Vento, leva para o mar revolto e férreo tôdas as angústias e preocupações, e na hora da solidão, para o côrpo humano que mecânicamente trafega na rua, dá-o um arrebol de ar, circunda-o, faz-lo teu, toma a vida para êle, faz d'êle teu fantoche de vapor. E peço que para as alegrias, avenha com as brisas, aparando nas avencas, e fazendo as arrudas exalarem forte, e os juncos balançarem numa dança sincopada, cortando feixes de luz do Sol, e que nêste instante, permaneça a alegria eterna.
Da janela do edifício, uma alma respira dificultosamente, esperando um sôpro de vida, e na casa, uma janela aberta deságua pela rua um chôro murmurado da dôce garôta que está sem saída - mas que logo menos irá encontrar o alçapão abaixo dos seus pés, levar-lhe para outro lugar. Da torre daquela igreja, um Santo travado, com seus braços calcificados abençoa os pecados da última micareta, e ora pelo pôvo que nos seus diferenciais se faz tão igual - Das casas que erguem/De fôme que perecem - e mesmo assim se degladeia. O Santo surdo pelo tinar do Te Devm e com os braços dormentes e musculatura fixa apenas olha, com seu olhar carinhoso para cada um que se deixar encontrar e tocar por êle. E o vento, também se passando ao redor do Santo, carrega sua bôa energia para quem mais necessita; Sejam por orações, merecimentos, ou rota aérea. Deus é quem nos sabe.
O vento bate nos varaes dos quintaes geraes das casas, e faz a vida parecer inocente, sublime, verdadeira e bôa. E ela realmente é, mas, nós - Nós, os homens pobres do degredo, sua benção Dôce Mãe das Candeias - nos justificamos tanto, brigamos tanto, queremos vencer tanto, que não deixamos o vento batear as roupas, e nem o Sol as secar, apenas maldizemos a chuva, e o vento forte que as jogam no chão. E nós, recolhemos e temos o processo de fazer tudo de novo, de novo, e novamente.
Quero me desprender dos inúmeros véus que me cegam, e dar-te-os, Vento, e quero me entregar totalmente para você, e quando Tu, Vento, bater carinhando meu cabelo, eu iria perceber que foi ali naquele momento tôdo que esperei - que ali foi recebido de volta o penhor de tôdo o têmpo, tôdo o suor, tôda a fuligem que corre de minhas mãos...
Traga o que tiver que me encontrar, ou o que fôr do meu merecimento encontrar ao longo de minha caminhada. E leve de mim o que não se cabe mais em mim, o que não mereço mais, ou apenas necessita planar até outro ponto no universo. Mas apenas deixe as minhas ventas existirem para eu ser (mais) um (raro) das estepes que quer lhe bendizer, agarrar, sentir, se encher de Ti, observar, e compreender.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Action Woman.

Há (vera) sorte;
Em saber que num fim-de-semana fui rei.
Ao lembrar do pedido na terça/a música de quarta/a cerveja de quinta/solidão de sexta
(você já dava seus sinais de vinda, eu que não me apercebi de imediato)
E a convite da amada, ao encontro dos diásporas, iguais a mim
Lá estava você:
So woman and so childesh.
pretty and fine
God protect me for take u for a beer
Ao apresentar-nos, cingi meu rosto, pois já havia lhe visto desde que me adentrei naquele local - e era linda
É linda, eia!
E ao ver o amigo e o felicitar, a banda começou a inebriar o sôm
(e nesta altura eu já me inebriava de você)
Foi quando vendo as byrdies a dançar
E The Litter inundar o salão, lá de longe te olhei - e tu, olhando de volta, sorriu.
Maybe? Cheguei perto
No mesmo murete, tentando puxar qualquer merda de assunto apenas pra ouvir tua voz once again
(Deus, como sou trouxa pra essas cousas...)
Já sei: "É um Doc?"
E você sorriu(!), e respondeu, e cerveja de amêndoas (tinha gosto de toddy)
O cabelo longo, franja reta, meia de criança
So woman and so childesh
Você riu
Você se aproximou
Você me beijou
Você me extasiou
Você me desarmou
Você sorriu
Você
Eita.
E mais uma cerveja, mais um beijo, mais um sorriso, essa banda é bôa, e você, encostada em mim, seu perfume, avenca no braço, Baden Powell, raízes, dignidade e continuidade. Bill Murray. Preciso ir embora. Te add no instagrão, a casa (já) é sua.
E, após tudo isso, fica o questionamento:
Quando lhe verei de novo?
Será?

domingo, 10 de setembro de 2017

Mundo Invisível.

Veja, sou um príncipe.
Sou filho de um Rei, e que seu reino se espalha por tudo onde te vês, toca, cheira e afirma; Meu Pai mesmo me deu esta terra bôa e rica para viver e conviver em harmonia com meus irmãos, amigos e animais, e para te encontrar, te fazer feliz e te dar a rosa-dos-meus-dias. Fique comigo, e farei tôda a estrada se parecer curta, e cuidarei para que não nos falte nada. Talvez não tenhamos o que queremos, mas, teremos o que precisaremos daqui pra frente.
Perceba, não sou rico.
O Reino do Meu Pai não se encontra nessas coisas materiais, e sim nos sentimentos, momentos, abraços, andar de mãos dados, e no irrisório, no sobrenatural. As chaves de meu feudo não se abrem aqui. A pérola que lhe oferto não ornará sua carne, amada - é algo que nunca te sentistes, mas te peço que compreenda, pois é o único que eu tenho, e trago para você, e tão somente para você.
Note, sou das estepes.
Me encarrego de ser, estar e viver no/com/pelo degredo, porque foi aqui que nasci, e me criei, e por este chão que Meu Pai me cedeu, e os homens deixam, eu sobrevivo. Não carrego as riquezas de banco, porque delas não me preciso, não me faço - as ambições de se ter a bôa vida não são bôas; Cegam as pessôas e causam tristeza, morte, solidão. Eu quero ajudar a quem eu puder, e da melhor forma que eu puder, e assim ajudo meu feudo, e amplio meu feudo que há no além-terra. A terra é bôa e rica, e há nela espaço para tôdos, para crescermos sem nos machucarmos e degladiarmo-nos, aonde as gerações futuras sintam uma alegria imensa.
Porém, sou cego.
Minha cegueira se dá e se cabe ao mundo, das tristezas e amarguras que os homens fazem e se causam, então, me cinjo contra isso, e tiro os véus de minha face para algo maior, maior que mim, você, nossas vidas e o que podemos imaginar. Fecho meus olhos contra uma maldade sádica que me faz pensar que meu irmão é melhor que eu, e com isso, me cego - porém, no meio desta cegueira ainda sim tive olhos para a môça da Tau.
Perceba, sou claro.
A água parada é turva, e mesmo eu me turvando como a água, ou me rodopiando como um dervixe em transe, nas contas do meu masbaha tem muita coisa em intenção, muita felicidade e saúde em jôgo, muita oração pedida e ganhada de presente. A água rasa é transparente, mas não transparece sua fundação, logo, se acaba. Eu desci até a mina, por isso tenho muito o que falar, fazer, sentir, ter, dividir e dar sentido neste mundo, neste segundo, queria era te dar os peixes de minha vida, e ouvir algo em troca, mesmo que não me fôsse agradável, mesmo que não fôsse o que eu queria ouvir, ou que ao menos, se pusesse no meu lugar. Que lugar? O lugar de quem quer estar no lugar ao lado do seu lugar. Sair sozinho neste Sol não tem graça alguma - por isso, o hesicasmo tem me parecido bem mais proveitoso e digno de interesse. Meu interesse era ver seus olhos se apertando contra o Sol no Jardim Suspenso. Peixes.

Se aceitas isto, vens.
Vem como quem encontra a vera felicidade de um Sol se pôndo, da môça de vestido e sorriso brejeiro, como um pastel de feira num sábado de primavera, como se tudo o que te completa, te achasse em mim, e visse em mim uma alegria, como vi em você. E deixa ser, deixa viver.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Deep Blue.

A arte da Solidão é muito mais do que estar ou ser só. Há mais coisas que englobam e fazem prudência no eremitismo de um ser - Independe de causa, reiligião, pensamento, ou forma de vida. A solidão é um casamento muito do possessivo, aonde só se olha, toca, sente, comunga e atrai sua senhora.
Alguns, ainda, optam pelo exílio como forma de vida para não mais ter com pessôas que lhe magoaram, outros apenas fazem uso para pôr a cabeça em ordem, outros como pretexto para a libertinagem, e mais outros diversos motivos. Para quê? Por quê? A Quem? A solidão é mal do século, e nos afasta enquão irmãos, deixando abismos enormes, e dando o outro a forma mais dura e rudimentar o medo - Há alguns de nós, irmãos, que precisam ter ombro-com-ombo, que fingem fortaleza, mas são fracos, e tantos outros adeptos da bandeira do Nazareno que mais parecem carregar a bandeira do geraseno. Há pessôas que apenas fingem se importar, fingem comungar com uma verdade geral e uma união que não vejo: Assim se cria a solidão tradicional, assim se matam almas e essências de pessôas aos poucos, bem lentamente.
Entenda: Solidão é diferente de isolamento, assim cabe entender, e medicar os doentes, de carne e de alma. Deixar o solitário vagar em seu deserto é estritamente perigoso, assim como para quem se isola, correr o risco de nunca se adaptar novamente em sociedade, tanto como o depressivo de sentir prazer nos raios de Sol. A missão, enquão não compreendida, tange, fere, corta e mata; Porém quando compreendida (aos poucos ou muito), se torna instumento de ensino a quem sofre e a quem cura o sofredor - dá-se mais prazer a vida, e deixa bem estar presente nos locais, e nos corações, deixa a vida ser vivida e vívida.
Olhe nos olhos do irmão e tenha compaixão, mantenha o amôr, e una; Cure as chagueias que nossos outros irmãos fizeram ao irmão que sofre; Doe palavras de incentivo, amôr, paz, carinho e união, pois se em cada um de nós existe uma centelha de Deus, unidos seremos mais do Triúno; Que nós possamos, cada um em nossa pequenez e limitações, fazer nosso melhor por nós, pelos nossos ao nosso redor, e por Deus. Não digamos palavras que aborrecem, não permeneceremos em um único ponto de vista, e nem façamos atos maldosos contra os outros, sejamos água, e deixemos a causa boa ser motriz, e atrair mais bondade para nós.
Deixamos nossos corações dividir seus batimentos com aquele que fraco palpita, diminuamo-nos em prol da maioridade de uma causa que muitas línguas professam, mas poucas sabem falar, e muitas pessôas seguem, mas poucas realmente vêem. É necessário que diminua em tudo, para que se cresça aquilo que nem tôdos os olhos vêem, nem tôdas as mãos tocam e nem tôdas as aureas sentem, e deve-se fazer de alma limpa e olhos tangidos, para que um dia tôdos os que nunca, sejam os que irão ter, devemos ser adeptos da porta estreita, pois nela está a cama amaciada e esmaecida de sôno bom, e a amada que nos irá dar carinho, ouvir o sôm, e nos fazer esquecer o tempo ruim. É necessário se fazer presente, e não marcar a sua presença na vida alheia: Seja medicador, e nunca o medicamento.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Mais do que Valsa.

A maldade corrompe o humano, porque ele deixa. A nossa genialidade e inventividade - dons que Deus nos deu - logo deram bandeira pros maus pensamentos, para a ganância, findando na solidão. O homem quer sair do degredo para ser melhor e dar o melhor aos seus, mas se esquece que ali mesmo, no degredo, ele pode dar aos seus o dito "melhor-merecido". Quando ele começa a escalar, subir na escada ao sucesso, ele esquece-se de tudo o que aprendeu, e até exclusa as orações que fez e/ou faz. E quando chega no topo da montanha, a ganância (como tudo o que provém de Deus, pois tudo vem do Um, mesmo não sendo um sentimento híbrido), lhe dá o que ele mais temeu: A solidão, inveja, interesse, vazio... Da face, rolam lágrimas de água e de vinho, cousa que só quem sabe da vida após a vida entende - coisa que ninguém leigo pode entender ou desmerecer, que apenas acontece aos de crença. Quem, há semanas atrás guardava o morto agora nada fala sobre ou pensa sobre, apenas crê. O sino tina, dobrando no seu metal a história de uma vida, e nessa história invoca os mártires do dia-a-dia para sobreviver, para ser, estar em comunhão, para se aliviar da solidão, dar-se a paz em carne e alma. Como num rebanho, mantém-se em fileiras, a ouvir, a sentir, estar na presença da Divindade, e de partilhar sua ida, e aguardar sua vinda.
Mas, no final, após tentar se encontrar na congregação, cada um sabe de si, e pouco sabe do outrém: Provei do amargo, e sorvi do mofado, a indiferença se fez minha amada, e na solidão ganhei da maternália, e quando segui meu caminho só, quem só me deixou, só quis que eu não estivesse, e quem em mim cuspiu, no colo quis me recostar, e quem me soltou, logo quis me prender. Quando viram, não... Quando perceberam que eu era livre (porque eu sempre fui meu, mas nunca precisei jôgar isso nos ventos igual um retardado), quiseram me para êles, mas, eu comungo na mesa da geral, e não me cabe entre quem bate e acarinha, sou de gente antiga, minha geração é de antes de mim, e nela sou, estou e fico. Eu não sou daqui, Mater Cecília, e tôdos os gostos que ficam na boca, do que mais sinto falta é o da boca fechada. Se calar, respirar, ouvir, e deixar tudo lá fora ser apenas vento, onda quebrada, noite que vem e faz seu teto sobre minha cabeça.
Como escriba das estepes e profeta dos asfaltos, venho denunciar: A instasifação mata, e causa males terríveis a alma, e não reconhecer Deus em tudo, e nem amar o divino nas mais pequenas coisas, nos faz cada vez mais insatiafeitos, pois, se Deus nos é (em) Tudo, porque nós enjoamos de tudo, ou não nos contentamos com tudo o que temos. Potes de barro, vestido de chita, mala de brim, lenço na cabeça, bota de roçeiro e quadro do Sagrado Coração quase caindo na minha cabeça. É aqui que me pertenço. Minnha gente é gente certa.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Stop Pulling and Pushing Me.

Pra quê conhecer tanta música assim? Isso não vai ajudar nada, nem aliviar nada, tampouco mudar alguma coisa. Talvez, só ateste a sua solidão e seu vaticínio: Estrêla cadente, de fuligem vertiginosa que nasce, apeia, cresce e morre sozinha. Colide contra o solo, sem pôder dizer tudo, tampouco falar, mas sentindo com intensidade todas as coisas que se põem no caminho - a cada dia que passa, a rota de colisão aumenta, o brilho diminui, e não sei dizer ao certo quando caio, sei que a queda é iminente, e cada vez me sinto mais próximo do solo.
Pra quê insistir nessa história besta e medíocre de ser feliz? Você sabe teu vatícinio, e quando deram a ordem dos dias a se cumprir você sorriu, pensou até que alguém chamou teu nome; Ledo engano. Teu nome é curso que rio não corre, tua cabeça é que não há de pesar em colo algum, e quando te meter na casa, não há quem lhe traga um abraço, um beijo, um sorriso ou uma afã, você é feliz quando pode, você é feliz quando deixam.
Esperar das pessôas o zelo que te tem é inútil, assim como se faz inútil achar que há uma Concórdia: Balela, a Concórdia não existe, nunca existiu e não há nunca de pisar no solo quebrado. A luta eterna o dar-se-á do côrpo a côrpo com os dias, só vai rasgando mais e mais, e as cicatrizes que teimam em ficar, me lembrar do passado, e me doem, por saber de quantas vezes me dei, e fui ponto fora da curva, fui abrigo, mas não me coube ser abrigado, e quando meu carro capotou, o cinto se rompeu fácilmente - e as cicatrizes que se vem agora, não as sinto. Apenas as coso e fecho, e sigo; Não tenho mais tempo para tristeza, e tampouco pra agonia, o coração, lá no fundo do Mar Férreo está, e lá devo eu deixar a essência também, porque não me cabe sorrir, nem chorar, nem nada. E mesmo se a vida me entregar esse amôr em forma de mel, não quero mais, me renuncio e anuncio a verdade única e absoluta: Gente do degredo não tem o direito da felicidade, nem de ser feliz. A felicidade é estar bem, vivo, dar a massa osséa a máquina mercantil, e pôder (Com a graça de Deus Pai) ter como tomar uma no final de semana.
Dias desse, um amigo me disse que sou aquele tipo de pessôa que só vou ter o peso e valor reconhecida após o meu desencarne, fiquei feliz. Ao menos me reconhecerão em alguma hora. Se até lá eu puder escrever, deixo como testamento e legal tôdos estes amontoados de palavras que lavam minha alma com a Água Corrente, e nela livre eu estou.
Deus Vos Salve, Senhor Jesus Cristo, que crucificado fôi entre dois homens do degredo tão iguais a mim, e que quando desceu da Mansão dos Mortos, lembrou de mim, e desde o ventre da madre, da maldade (pior da que convivo e vivencio) me livrou. Deus Vos Salve, Senhor Jesus Cristo, que muitas vezes aí de cima me olhou, guiou, abençoou, livrou, e amou primeiro. A Êle toda a Glória, porque na Hora da Solidão, quando a cerveja bateu, perna cruzou, lágrima caiu, mêdo aflorou e a fea fez morada, foi Êle quem me valeu. Deus Vos Salve Essa Casa Santa, que me valeu na hora de minha vida, e na hora de minha ida me livrará do injusto, me dando o veredicto do juízo no fim.
Mulher, não chora teu morto, porque teu morto não chorou o dele, e lágrimas não bastam pra ressucitar. Eu estarei nos bons lugares e nas chagas de quem teve comigo, e principalmente abaixo daquela noite, com poucas estrêlas, quando com meu dedo risquei o Cruzeiro do Sul, pude saber que ali eu fiquei, e soube do vaticínio. Eu sou o Oceano.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Minha Gente.

Mãe, eu sou um dos malditos, escriba e profeta, escravo do mundo, e filho de Cecília e Tomás de Aquino, criado nos agogôs de Nanã, sabido das leis do Pentateuco, e proferidor do Nam Myoho Rengue Kyo quando triste ou bêbado, e Zé Canjica nas horas vagas - e obrigado por isso (é sina). E meu coração bate em festa quando Maria bateia sua roupa, quando Seo Fábio balança o corpo e o sorriso de canalha mostra o dente, quando o Mario chega em casa pra ver seu filho Ravi Diamante, quando o Rafael libera seus riffs, quando o Henrique cegamente crê num amanhã maior e melhor, quando o Heitor posta suas merdas e as meninas caem matando no abdomen de flango trincado,  quando a Beatriz se assemelha a flôr e completa, contempla e é, quando a Carol se faz de irmã, e a Karol de psicóloga, quando a Jéssica irrompe num sorriso e assim faz o Júlio flertar com ela, o vapor que segue ainda ativo na quinta da Bahea, Thiago Negrolícia me marcando nas nostalgjias que mexem com meu coração e me sentir ainda tão nôvo, apesar de tanta consumação, meus parentes da Correntina de Januária, eu sou das ruas do Centro, sou mais um dos incríveis seres que conversa no Divã do Doutor Olivio Neres. Sou do Olivio, da Cristina, Jussara, Marina, Maria do Socorro, Rainha Mãe Mor Antônia Chaves Mendes, eu sou do Fábião e do Flavio, sou da Eterna Rainha Assunta Ao Céu Maria José Cardoso de Queiroz e do Fábio Cardoso de Queiroz, eu sou da Márcia Chaves Mendes, sou da Cookie, e futuramente, serei da Cecília e do Vincente, Pedro, Jorge, Helena, Antônia, Bárbara, Teodoro, Carlos, Juliana, Henrique, Miguel, Leonidas, Davi, Martha, e quantos avierem. Meu pendão é grande, e eu o ergo com glória. Essa é a minha vida, e há de ser minha morte, Maria, Minha Fé!
Sou o grito oculto da canção, sou eu mesmo. Sou um dos profetas da beira de estrada que cativo e cultivo da tomada de palavras, saveiro que sou, levo de mim e dou de meu melhor a todos, e devolvo a mim que me merece, bom ou ruim. Eu te devolvo na mesma reverbe o que tenho dado, profeta não é messias - eu lanço o castigo. Quero ver geral piar, e quero que se foda. O profeta das estepes (árdua missão, na qual não me encontro sozinho: Olá André Somora, Patrícia Nunes, os incompreendidos do mundo contemporâneo) vê a miséria na perfeição e concordialmente (Deus Vos Salve, Concórdia) se põe a (se) fuder e fuder (os outros), porque quem tem culhão pra ver miséria nos planos traçados pelo Destino, tem crachá pros backstages de Deus pra ver, e alertar que(m) se fode(m). Timoneiro sou, Timoneiro vou, Timoneiro estou. Minhas pessoas lêem, umas entendem, outras não, outras entendem como divertimento, outras como desabafo, mas isso é tudo um grã registro e documento históricos: Eu sei de todos os vacilos de vocês (e dos meus mais ainda), mas não os digo, mas os guardo em cada chaga, assim cumpro meu trato com cada um, e demonstro meu amor sob cada um de vós, e a jogada foi dada: O barato é ser feliz, estar com quem se ama, curtir o sôm, e deixar a tristeza ir embora junto com a água do chuveiro. Eu sou profeta, e vocês são heróis, professores, senhores, moças, Lotus, e meus. Nossos. Somos fodas nas nossas interconcorrentes vidas. Há alguém por nós, idependente da Sua nomeclatura. E ele nos capacitou a vencer. Vençamos pois, todos juntos. E amemos nossa menina, guardemos a fé, e vamos. Até onde der.
Minha gente é isso. Gente do bem, gente feliz, humilde, nobre, (não muito) pura, de sorriso cativo, questionadora, e transgressora em seus limites. E eu, como profeta e escriba dessa gama de pessoas, estou aqui, datando mais um dia comum de cada um deles. A glória já se marca, idem a derrocada. Marquemos o comum para têr o que comemorar.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Viajante.

Eu me lembro muito antes de tudo isso, do gosto, da textura e das palavras proferidas, e eu me lembro de cada uma delas. Eu me lembro do beijo, dito, e do segredo que cabe apenas a mim e aquela que tanto estimo, tanto crio planos. Sim, eu me lembro, eu estava lá, meus olhos foram testemunhas.
E se te cabe saber, me lembro das cores - mesmo que erradas, das serras, montanhas, casas e casernas, pessoas e caronas, boléias de caminhão, vagão de trem ou caminho de água fresca e límpida. Banho frio de ribeirão, mas nenhuma dessas belezas se compara a tua. E nem há de se comprar. E dos sons que conheci, o tema ainda tem mais tonalidades e virtuose, e a tua voz é a melhor do que as cadências que eu ouvir por aí. O raio desenha as linhas do teu corpo no Céu, e o trovão me lembra o sôm de quando você desagou seu corpo em meus braços, e quando chove, lembro daquela noite. Chove Lá Fora.
Eu me lembro das dores, e de me refugiar no sacrário, nos copos e garrafas, nas cordas de aço, e de me magoar, me machucar com coisa tão besta e achar que todas as pessoas seriam boas por excelência. Me lembro de me tremer de medo e muitas vezes calar a voz por achar a coragem tão intransigente, tão fora de mim, e por muitas vezez que silenciei para evitar brigas, para evitar mágoas, e quantas vezes o reio da mochila me pediu para correr e eu fiquei.
Lembro também da estadia em tua casa, da parada, e ter me austerado, e só me ter presença onde você estava, e só pousar onde você estivesse, como a água que cai, cai veêmente sob a árvore. Lembro de só querer de ti, e nunca em má, só em paz, e conhecer mais de ti, e (re)conhecer a mim em ti; Meus nervos me lembram de verificar sempre teu retrato, na esperança que você - via telepatia - saiba tudo o que sinto. Eu não arruaço ninguém, nem corto as ondas, nem choro mais. Apenas estou por aí, com a mochila em algum lugar do mundo, e pensando.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

XII de Outubro

Faz-me manso, e lava meu coração na água da tua ânfora, Maria, me guarda na barra do seu vestido e me livra do dragão feo da maldade. Faz-me bom, Maria, e me guarda na hora da solidão, pois quando eu caí, foi você quem me valeu e me sustentou pela destra, e quando eu rezo pela tua visa em mim, é você quem me vale do medo da agonia. Foi você, Maria. O tempo todo.
E eu, tão sujo, tão da lama, filho único de leoa genuína, esposo do degredo, me guardo por não querer disseminar minhas mãos tão sujas, tampouco sujar os que me cercam, me diz Maria, porque quando a água me puxou, você me puxou de volta, e naquela noite, quando a luz era distante, você pôs uma candeia no meu caminho? Por quê eu, tão sujo, tão pequeno, tão desnutrido sou acolhido por você?
Maria, olha pra mim, e vêde que sou comum, trivial e cometo erros, e trago sangue nas minhas mãos, das mágoas que cometo diariamente contra as pessoas que mais amo, mais estimo, e não faço por querer, mas talvez meu jeito de ser só tenha acabado mais e mais comigo. Maria, tem misericórdia de mim, e ouve outras orações; Disse-me o homem que quem é da lama, na lama fica, na lama morre; E talvez se'a bem isso, Mãe, eu não tenho vocação para estar entre os seus, e minhas mãos ainda tremem muito, e eu nem fiz nada ainda, nem dizer o que sinto eu consigo, imagine ser um dos seus...
Maria, eu não tenho nada. O que fiz de bom, fiz por amor e compaixão, e o que fiz de ruim fiz pelo meu prazer e por querer ter o gosto do amargo na boca, e o que sei, coube a mim saber, e aprendi que não posso ensinar as pessoas que não podem ouvir - porque eu mesmo duvido do que ouço. Eu não me sinto bem, Maria, há uma dor carregada no meu peito, os ombros cansados, e tem gente sorrindo, indo viver, ser feliz. E eu, buscando a felicidade (de modo meu, mas, a buscar), toda a hora da minha vida indo buscar esse sentimento de satisfação que me cabe nas mãos, e ao mesmo tempo inunda tanto as almas, e eu, quando me lavo na tua água, me sinto limpo e preparado pra isso, mas, Maria, parece que tem horas que é tão difícil vencer...
Maria, eu ainda sei o significado da porta estreita, mas me dói. Hora ou outra tento sorrir, mas ando tão desolado e tão chateado com os últimos acontecimentos que nem sei o que dizer, ou o que fazer, me sinto tão sozinho que tem vezes que trafego sozinho ante a ávida multidão na rua, e isso me assusta tanto, me assusta o medo que tenho de me entregar, ser quem sou e o que sou pras pessoas, me assusta que eu saiba tudo, e ao mesmo tempo seja tão frio pra realidade. Tão frio pra mim mesmo. Tão ignóbil a ponto de que a dor, mesmo pungente, já seja lidada de forma costumeira, e isto não deve ser certo. Não é, ao menos para quem não é adpeto do sadismo.
Maria, está um Sol lindo lá fora, e eu não queria nem sair de casa, nem da cama, da minha ilha. Maria, se você ler essas linhas, me dá um sinal, me dá uma faísca de que hoje o dia vai ser bom, como sempre é com você - Tua presença, Tua companhia. Maria, continue me mostrando o caminho, mesmo que eu não saiba onde ir. Sei que tenho a crença de que uma hora para de doer: Essa dor, essaa chagas, o desamor, tudo deságua de vez, e sei que com você, Maria, sempre que estou na sua presença, essa mágoa acaba.

Obrigado, Maria.

sábado, 24 de setembro de 2016

Nuvem Cigana.

Eu queria poder escrever sobre o que se passa em minha mente, em meu peito, mas hoje não. Deixo isso pra amanhã, pois tenho pensado muito em mim. Queria escrever sobre Dona Antônia e o medo de perdê-la, mas penso idem; Tal qual como na Lotus, na perca do amigo, e no destino do mundo: Todos nivelados.
O medo de perder Dona Antônia se faz a cada segundo mais presente, assim como a falta da corda para solar o Tema da Minha Beatriz já finalizado, assim como a Cookie, assim como minha crença, assim como tentar cada dia ser um cara melhor, assim como florar a Lotus, assim como olhar para as cores e ver tudo certo, e assim não paro de pensar em nada.
O quarto bicolor, é testemunha de tudo aquilo que eu penso, e que eu sei, a janela apenas filtra o vento que um dia me levou daqui, e volta e meia brinca com meu cabelo. Ainda tenho a velha jaqueta, e ainda carrego aquela vontade de sair tocando a vida com passos módicos. Ainda sonho com aquela casa no campo, e ainda sonho com Cecília, mesmo com uma névoa densa entre nós. Eu ainda existo, e isso me assusta.
Em algum lugar do mundo, a mais linda está em uma festa, e alguém triste, pena; Alguém canta, alguém dorme, alguém sente frio, e outralguém apenas sente fome, e assim segue a grã ordem do mundo. Nem tudo nos parece certo, mas tudo está onde devia estar, e assim entendo mais um pouco sobre o universo, e sobre mim.
Álias: Eu estou onde deveria estar, e só cabe a mim sair ou ficar; E quem sabe da morte é Deus, e eu ainda tenho chão pra queimar, e Seo Fábio sabe que agora meu coração anda mais latente, e minha cabeça livre de grilos. Hoje está sendo um dia maravilhoso.

sábado, 3 de setembro de 2016

Fraseado #41

Olha nos meus olhos,
e sente a melodia do universo.
Sente o segredo que encobre a bruma pura,
parece ler a mente, parece que não,
é a viração do tempo, porcelana louçã.
No peito bate fraco, melodia velada
mas se a Gloriosa toca, o peito dispara,
Frevo Rasgado, descompassa, amassa
vai correndo na rua pra não perder o dia
Mas é um dia de Frio, permita-se o Sol,
e se for dia de chuva, permita o brumeio
no canto do Céu, um junco, um veleiro
Deus queira que sim, Deus queira que não.
É só uma volta no centro da cidade,
descer pela São João e cair no largo da cidade
visitar o povo maneiro que tanto estimo,
desenbocar pela Rua Direita e cair no triângulo,
mas cuidado por não se perder,
porque as cidades se parecem tanto
como se parecem as ruas de minha casa
vizinhos, amigos, parentes, a massa toda.
Os olhos que vigiam querem só saber
onde se passa e onde se sente, quem vai se perder?
Eu tenho medo da contrapartida,
da vida ferida e das viradas da bateria
e além de tudo isso eu apenas queria
saber porque ainda tenho a proteção da Maria.
Me segue firme,  e vai vendo a situação
um panorama cheio de coisas que floreiam
a vida de quem segue as normas vigentes do universo
olhos abertos no dia a dia, sugerem flores e cervejas
copos cheios, alegrias eternas
a vida é triste? Sim, mas ainda vai melhorar
como sempre melhorou,
sempre melhora,
está a melhorar.
e...
...Melhorou.