Ele me disse que um bom pastor, pastoreia suas ovelhas em um silêncio. Se você quiser ser um pastor aos moldes de Hermas - me disse, olhando para o vazio - apenas faça da mesma maneira que vem fazendo. O não-reconhecimento é a maior riqueza e glorificação; e de fato concordei; Suas palavras me atingiram com a tenaz em brasa de Isaías e sem titubear entendi que ali havia mais do que o que sempre conversamos e prontamente me recolhi ao silêncio: subitamente entendi que a vida aconteceu ali, e finalmente fui contemplado com o milagre diário da simplicidade, da qual poucos de nós temos a parca capacidade de entender.
Porque quando me vejo assim - perdido diante da movimentação descompassada de meu coração - sinto-me perdido e confuso sobre minhas atitudes e pensares que me magoam ao exigir o melhor de mim para eles; mas nunca para mim, e neste momento é que gostaria de me enroscar no seu cabelo de cheiro de uva como parreiras frescas que descem sem saber porque - mas mantidas em um verticalismo que inerte, provém toda a força; quando atrelados e contar meus medos, delírios, raivas, segredos e sacras no sopé do seu ouvido (mesmo sem o merecer). E morrer nos seus braços olhando seu rosto e ouvindo sua voz me pareceria a melhor maneira de conhecer as Excelsas Nuvens. Me esconder na barra da sua saia como uma criança que tem medo da ira da natureza como o trovão rugindo lá fora, e sentindo o perfume dócil de sua voz, poderia me esquecer de mim para que você m'o cuidasse, com correia, candeia, auxílio, luz e socorro. Ter sua presença por inteiro, e de inteiro a inteiro, por mais um dia com você para menos um dia sem você.
Diz São Paulo o Apóstolo que "quando se é um menino, fala-se como menino; sente-se como menino; e vive-se como menino". Ora, mas no Getsêmani das palavras, aonde inequívocamente elas não pedem licença para nascer, e brotam das têmporas e das velas içadas das mentes que padecem, logo (ei-lo), desemboca da bôca um gôsto amargo dado a profundidade do que se sente no âmago da alma e não se promulga a dar como dôr-de-pêito: o parto do vômito de tôdo um desaguar da vida jogada como caxangá, e lágrimas tão quentes que eiam a queimar e ruborizar a pele, cujas mãos preteridas ao cargo não secam, apenas queimam-se juntas, dissonando naquilo que enfim não tarda a chegar e tampouco a acontecer. É sim, de fato, a violenta força da alma silenciada, abnegada, e furtivamente isolada, filha do ocaso guardada no seu jardim secreto, tendo dentro de si o tudo - o nada. Apenas esperando a ser veramente querida e veramente amada; e deixando de ser a nascente, receber-se enfim, como foz.
Logo, enquão escrevo essas linhas eu me pego pensando no meu passado, e disso pouco me orgulho, e menos ainda me honrando irei a ficar; pois parafraseando o dito Santo "não fiz tôdo o bêm que gostaria, mas o mal que não quis ocasionar, êste o fiz com demasia." Logo, entendo do muito de meus erros, e o pouco de meus acertos no enfim desejo que sempre tive, o dito "viver".
Entre becos, vielas, estradas, vilas, conventos, casas, ocupações, apartamentos, casernas, moradas, grutas, planíces e desertos, eu fui - e antes que digam de mim, eu sei de mim e das coisas de meu coração (por mais que não as compreenda por completo); e dos lugares que fui, deixei-me num tanto, e levei outros como fiança, e assim, aprendi da vida, e aprendi de mim. Amei os outros, cuidei dos que pude, perdoei como deveria, e peço ainda hoje perdão pela pilha titânica e magna de erros que deixei no caminho.
Se fui quem acho que fui, é longe de mim uma graça Divina ou consôlo pois muitos foram os meus dolos contra mim e os meus. Mas se me atinge a graça Divina e o consôlo da Dôce Virgem Mãe das Candeias, nunca haveria de ser por merecimento meu, mas sim por misericórdia d'Ele; e assim eu me permaneço. Pois tudo o que tenho, tive e terei, todas as coisas nunca haveriam de ser minhas, mas sim tudo foi, é e há de Ser d'Ele. E o que escrevo nisto deixa cair por terra quaisquer outras dúvidas, está completo.
Posto em uma encruzilhada, olho aos pontos cardeais e nada acho, a não ser possibilidades, sem mensageiros que possam me apitar em qual dos cardeais seguir, e se sigo, mantenho-me sobre a tutela de Padre Deus, e espero de mim o mínimo para viver: não ser um babaca.
Epitáfio do Marcus Queiroz. Apoia esse blog, faz um pix pra nózes: marcusvini15@hotmail.com
sexta-feira, 23 de agosto de 2024
Waterfall.
segunda-feira, 18 de setembro de 2023
De Uma Lontra Para Um Cigano.
"Quem sabe, sabe; quem não sabe sobra" (VALENÇA; Alceu, 1976)
Ao ditoso amigo cigano que a tudo vê e sente, mas como a rocha, inerente como uma justiça perene se mantém cego como a musa de libra em mãos:
Eu fumo e tusso fumaça de gasolina, e cá aqui no centro mantenho-me vivo a cada respiro de fumaça cinza, e a cada transeunte de passo apressado, vejo meu patrício - primo direto oriundo de (São) João Ramalho e (Santa) Bartira. A São Pavlo da Piratininga, de amôr e ódio, é a mãe que nos obriga a cômer dos vegetaes tão intragáveis, mas que no calar da noite nos beija a fronte e nos cobre com seu mantel - e o mundo só presta assim, é um bom e um ruim - na hora derradeira. Se tratamos bem nossa terra, sustentamos pois o fôgo, qu'essa victoria é nossa!
De tua casa, fiz a minha; de teus conselhos, fiz meus caminhos; De tua sapiência, fiz a minha; De tua irmandade, fiz meu irmão mais velho; De sua forma campesina, encontrei meus parentes distantes; De seus rebentos, fiz meus sobrinhos; De nossos segredos, selei nossa parceria diante do Imóvel e Onipresente sacrário de Padre Deus - a vida.
Se amizade vale um tesouro, sei bem aonde pus meu coração; e vejo que o encontro no local certo.
Quando me ostento na luta a qual derradeiramente amo, então sei de mim, e sei dos meus; Pois, quando me chamas a caminhar contigo o passo mantido e lutar a luta que amas ao seu lado, sei que não passo além de mim, pois lá tu que conhece a limitação e o entrave tal qual um pai ajuda, ensina e admoesta - de rispidez mas com o amôr embutido como fôlhas recém-cortadas de presunto num papel térmico.
Há uma estrêla a nascer meu mano, que sobe e fulgura o Céo de maneira ilimitada e que rege os acontecimentos de agora e futuros: Tal como o Cruzeiro do Sul que guia os tanoeiros e as naus ao seu lugar-temente, que sua estrêla brilhe ferozmente, como na fronte de Domingos de Gusmão, para que em sua mente estejam espelhados os translúcidos brilhos cristais d'aquém te faz viver mais prudentemente. E se pega em armas pela questão de ordem, abençoo-vos, mas se pegas e ostenta a horda do insustentável sentimento de ser e estar com o ferro quente que seguras pelo ego estar afã a vós, rezo em contrito; pois de tua natureza não sinto ou vejo maldade, e se assim o faz, foi por quem te fez ver a vida assim que ojerizo, pois: "o homem nasce bôm, mas o metal o corrompe". E sabes que não quero lhe magoar, pois tenho-te em alta conta e entre os santos de minha igreja, assim como chamo outros dois de nós. Mas é vergonhoso - não só a ti, mas a minha lontrice também - ver o quanto precisamos dar tombos e rasteiras até chegarmos na melhoria e na perfeita alegria. Estamos bem. Mas ainda temos tanto muito e tanto mais.
E pelo seu esforço desse item, e de tôdas as composições de teu ser; é tu aquele que entende a vida melhor que eu, e recupera em mim o brilho perdido de após cansado de pelejar, encontro novamente a minha rosa-dos-ventos, e acho nôvo rumo, nova vida, novo momento. Que Deus, o Bôm Santo Antônio e a Dôce Virgem Mãe das Candeias o abençoe - ontem, hoje e sempre. A benção se estende aos seus.
Aikão lhe manda amplexos e abraços.
Do seu irmão mais nôvo;
A Lontra Franciscana.
"And in the end; everything's alright." (ROOT; Ginger, 2023)
domingo, 23 de julho de 2023
Carta A Oshiro-Romani
1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba, para Brayan e Camila. Que Deus os encontre em boa forma, bom estado, e bom coração.
2 - Das alegrias;
Alegremos e demos festas - dentro e fora de nossos corações - por tão salutar alegria. Mas, além da alegria que reina, devemos saber das alegrias que sondam nosso espaço, pois dentro do espaço de um navio, temos lá nossa alegria, a alegria que se compartilha, e a alegria geral, que em bando ou grupo, prenuncia tempos de paz.
2.1 - das terrenas;
Devemos acatar todo sim com regozijo, mas lembrando que todas alegrias são temporárias bem como as tristezas. Logo, enquanto houver-se alegria, deve se esticar o sorriso mais belo no rosto, e quando a tristeza avier, devemos por nosso sorriso mais forte, para honrar a alegria que veio, e para afugentar a tristeza - filha do feo, que não se contenta em vermos em paz.
2.2 - das esprituaes;
E nas alegrias geradas através de rezas, e pedidos sinceros ao coração, devemo-nos alegrar a alma de maneira tão bela que não só agrade a Dôce Mãe das Candeias, mas sim a Deus Pai, o Criador, pois tôda alegria, tôda honra, e tudo de mais belo e perfeito pertence só a Ele, com Ele, e por Ele.
3 - Preparação para a morte;
Devo-lhes alertar também acerca do fim - inevitável e belo encontro aonde veremos face em face Aquele que nos mantém. Não é apenas caridade, nem apenas obra, nem apenas boa atitude, nem apenas boa criação, tampouco bons valores. Nós, de gênero humano, longe da matemática celeste, esquecemo-nos das vias de caridade, das bondades quotidianas e damo-nos por perdidos, por mais que nosso coração pertença a Deus. Ser pae e mãe, é elevar seu(s) rebento(s) ao máximo possível para que eles tenham o coração bom de seus pais, e extirpem os erros para que sejam melhores - cousa que não incluem da violência, do erro, do ódio ou da palavra de inclinação ao erro. Digo, pois, para lhes verem um dia, novamente, unidos na festa do lugar tomando uma pinguinha em algum boteco no Céo!
4 - Da Família;
Da família, pilar da unidade entre o ser e o Criador, criam-se universos de realidade infindáveis, e exponho-vos sobre, não porque sou melhor ou maior, mas para apenas lembrar-vos de cousas pequenas, porém estritamente importantes.
4.1 - Unidade;
Família é união, e não há como fugir disso; se a família se desintrega, são apenas indivíduos que habitam abaixo do mesmo teto, logo, irmãos devem se amar e se proteger, pai e mãe devem se respeitar e se proteger, um com/pelo outro, no cansaço de um, que o outro divida o fardo, e na alegria de um, que o outro saiba se alegrar, pois sendo espelhos vivos de exemplo no caminho terrestre, logo, se uma palavra amarga toma conta do lugar, ou uma repreensão se torna algo excedente, temos aí a abertura do agravante, o índice do erro.
4.2 - Indivíduo;
E que cada indivíduo, tenha também seu tempo, seu espaço e seu domínio: falar, pensar, agir, rezar, amar, se recolher e poder criar seu pensar e seu agir - e percebam que na individualidade daquilo que conclamo, nenhum dos itens vae contra o que lhes digo enquão união. Logo, toda a família precisa de um tempo individual para ter seu respiro; não para ser quem é, pois isso deve-se de ser sempre, mas sim para também ter suas amizades, seus passatempos, e sua mentalidade individual para gerir o pro-bonum para sua família.
4.3 - Da benção em ser mãe;
Ah, a mãe! Olhemos para a Maria, Excelsa. Quão bela é! E tu, ditosa Camila, bendita é tu entre as mulheres, pois teu coração agora desdobra num novo coração, e numa nova forma de sentir, viver, amar, e cuidar. E essa, é a parte do seu corpo que mais vae doer, mas também é a parte que mais irá lhe alegrar, portanto sempre abençoe seu(s) rebento(s) o quão puder, até se exaustar, pois a benção de uma mãe é a maior reza que alguém pode se ter na vida.
4.4 - Da maldição em ser pai;
Major, lembremo-nos de Nóe e Jacob. As palavras do Patriarca da casa, são de extremo perigo. Cabe-te a missão mais bela e extenuante de ser o sentinela, também tem o peso da maldição. Se Camila tem o lado bom, você fica com a faca; Logo, entende-se que se pelo seu crivo houver alguma injustiça, quando afligir sobre seu(s) rebento(s), lembre-se do poder que tens em dizer algo.
5 - Da vida de casal;
Se uma família se constitui em mãe, pai e filhos, logo há um casal. Há de ter sempre a importâncea em não esquecer isso. O casal torna-se mãe e pae, mas ainda sim é um casal. Se vocês amadurecerem, amadureçam o relacionamento de vossas mercês, e se a vida estagnar, reinventem para evoluir e fazer melhor e direito. Os filhos, são a consequência da união, logo, nunca se esqueçam de que vocês não passam de um casal que vingou, deu certo, deu frutos, e gerou pessoas boas para este mundo.
6 - Da igreja;
Alegro-me em ver vocês se aprumando no lado católico da força, e isso de fato é algo mui interessante. Não digo isso de forma pejorativa ou gabosa, mas sei que isso me faz sentir que há uma busca em vocês para a eterna melhoria, tanto de dentro, como que de fora, logo, exponho dois temas:
6.1 - Valores;
Nossos valores - aquilo do qual nunca abriremos mão - tem que estar pareados ou nivelados na nossa crença. Se não seguimos nossa crença, ou seguimos mas com exceções e pequenas permutas, isso não nos torna dignos em nada. A vida, em si, é tão básica, simples e humilde que nos assusta, logo, admoesto a vocês que entendam que os valores da igreja eterna são simples, e se estes valores forem de prudência e evolução para vocês, creio que estão no local certo.
6.2 - Tradição versus Conservadorismo;
São Brayan, quantas vezes você me ouviu falar que a "Igreja de Cristo é imutável?" (sic). Pois então, torno a repetir. Na nossa igreja temos inúmeras ordens, congregações, e mais de trinta tipos de liturgia. Não cabe a nós nunca misturarmos a Imutável Igreja de Cristo com o século (nosso tempo), e tampouco acharmos que a Igreja deve ser pendida a um lado ou convicção. A igreja é tradicional, mas não conservadora. Jesus é o Cristo, e não revolucionário. Na beleza dos cantos tridentinos, vemos sim Deus agir, mas foi pela CEB que vi muitos amigos meus de carestia que não tinham o que comer, serem nutridos e serem hoje boas pessoas. A nossa igreja é como uma grande família, com inúmeras personas, cada qual com seu jeito, maneira, e forma. Devemos apenas ter a harmonia de viver em paz, sem dizer quem é certo ou errado, pois, se cremos no mesmo Cristo e elevamos a mesma hóstia santa, logo todos nós temos o mesmo Credo.
7 - Das raízes;
Imploro a vós: Nunca percam suas raízes. Quem perde suas raízes é condenado ao suplício, ao erro, a peste, a maldição e a morte. Da humildade, da felicidade com pouco, das alegrias sacras que residem no simples, da paz, e da felicidade: Sempre se lembrar do bom passado, e transmutá-lo ao advento e tempo de Cecília, a benvinda e bem-aventurada entre nós. Quem esquece suas raízes, esquece de si mesmo, e esquece de onde veio, para onde vai, e o que quer fazer.
8 - Benção e Despedida;
Acerca de mim, não me aquietaria em escrever no meu alfarrábio de memórias sobre grandes pessoas que se tornaram grande família e que eu pudesse dar algo tão meu (palavras foscas) para um memento desse porte. Abençoo-vos com minha humilde e fraca reza, e peço que Deus os abençoe e os ponha entre os Santos, Únicos, Justos, Primeiros, Patriarcas, Profetas, Virgens e Mártires.
sexta-feira, 28 de abril de 2023
Красно солнышко.
Espero pelo meu bem.
Estou d'outra margem do rio que repentinamente cruzou.
Será que a água corrente, de fato atormenta, ou seria a turvação das barcas que lhe afligem? Será de viração o vento que afasta, ou será Ordem Celeste, que os braços não se abraçam? Deve de ser morte, frio, peste ou mágoa.
Que não tenha demora, mas que venha. Que tenha pressa, mas venha a safo.
Fiz um tendal, apôsto três chamuscas: uma para a comida, uma para o luzeiro, e n'outra, para esquentar seus pés na entrada. Peguei suas comidas favoritas, trouxe seus mantéis favôritos, e guardei meu melhor cheiro para desaguar no seu abraço. E a mais devota Ave Maria rezei a cada dia, cada vez mais forte e nociva, para que a Mãe se compadecesse. Desci até as estrêlas, e subi até os mares, e afogando meu corpo no gélido corrediço, fiz as pedras me solavancarem, e fiz meu corpo âncorar. Peixes dançam ao meu redor, e lavo-me como se não tivesse pressa.
Vêde, ó rio, que por teu comprimento, em quatro pedaços te cruzava, mesmo sem força, mesmo gélido, mesmo sem barca, mesmo sem ter com o quê. Mas como mal posso comigo, inflijo as dôres contra ti. És imóvel e corre com depressa fôrça e raiva, e enquão lavo as roupas, desescamo peixes, lavo as pratarias e águo o ginete, és de vileza. Vêde, que separas o amor em quatro pedaços, mas se tal fôsse minha força (não só), lhe dobrava pela fôrça que ergo, e da cólera que padeço.
Há uma fumaça, tal qual a minha, na nôite que se escureia. Ela é fumegaz e se nota na outra barragem do rio. Pode ser de salteadores, de heróes, da comitiva, ou de pregadores; será que hão de ver que aqui também fiz três chamuscas? Sê bendito, Deus, que após tantos mantéis para coibir o frio, amanhã veja o amor me repousar em seus braços; e ouve-me, Mãe, trouxe até a lã de novilho para ser travesseiro para seus cabelos negros e sua cabeça agitada.
Mas um dia, que agora começa garoando. E que com rapidez apaga as chamuscas. E que com determinação faz um vento que derruba meu tendal. Com o vento, os mantéis se dispersam pelos ares... o cavalo, assustado com os relâmpejos, apenas foge para a barragem acima, e eu, sem ter mais lágrimas para chorar, deito sobre mim a lã de novilho.
Não demoro, meu amôr, logo chego.
Sê bendito, Deus Eterno, pois é só a água até os pés, pois o corpo tôdo já me encharcou por tua chuva. Chego-me a tal ponto que se misturam gôtas d'água celeste com minhas lacrimosas orações, enquão a água deita-se em meus jôelhos. A lã, em minhas costas agora toca o rio que estranhamente cessa a corrente, parecendo estio ou hora de cheia. Olho e pareço chegar mais perto da outra margem, enquão a lã chega pela sua metade molhada e dobrando o pêso. Respiro e não choro, pois meus olhos estão no nível da água. Faço-me âncora para te esperar, amôr, quando voltar. Te fiz três chamuscas, e morrendo de saudades me enrolei na tua lã de novilho para te abraçar uma última vez e te ter em lembrança. Agora, sou âncora posta submergida de vontade própria. Sou irmã das pedras cheias de lôdo e dos peixes que serei repartida como refeição, e com minha saudade e tua ausência, faço daqui minha morada.
Não tarde a voltar. Posso não estar aqui, mas estou aqui.
terça-feira, 24 de maio de 2022
Viernes 3 AM.
Bom dia.
Espero que esteja bem e dormido bem.Hoje é terça. Terça do Bom Santo Antônio. Estou indo trabalhar. E ando rezando para agradecer a graça de um emprego novo, e a pedir para você ir bem no seu serviço. Penso que, nunca deixei de orar por você; diziam unanimamente os meus antepassados que "rezar por alguém durante nossa ausência é a maior prova de amor". E espero que pelas bençãos de Tonhão você possa ir bem hoje.
De vera, achei engraçado hoje sonhar com você, e acordar pensando em você como se ontem tivesse te visto, ou até mesmo te sentindo: E agora mesmo, enquanto o Sol alumeia pela janela do ônibus, cruzo a Paulista, e me sinto quente, enquanto não houver muitas sombras de prédios coagindo o Sol a se intimidar. E tem gente na rua. E tem gente no mundo. E eu estou por você.
Creio em Deus, e creio nas coisas como são e como acontecem; sinais, visões, presságios, sortes e bençãos: tudo tem seu peso, valor e sinal da presença de Deus em nossa vida. Alegrou meu domingo lhe ver, e alegrou minha segunda começar a trabalhar num projeto para o Mosteiro de São Bento. Não posso e não consigo deixar de ver a presença e os favores de Deus em minha vida a cada instante, a cada segundo, a cada momento; e por isso elevo meu coração pequeno e meus santos dons, dados por Deus, de volta a Sua obra - na terra como no Céu, no sertão como no mar, reparte entre nós o Pão na tua mesa, estamos circundados no Teu altar.
Espero que você tenha um bom dia hoje. Que você tenha boas vendas, que se apegue ao Bom Santo Antônio e a Doce Mãe das Candeias, que ao sentir o vento, sinta um beijo que pedi pra roubar de você, e não leve a mal - algo me diz que você também quis.
Ah! Você está linda hoje. (:
sábado, 30 de abril de 2022
Rua dos Ingleses.
Hoje eu acordei com uma joaninha na minha casa. E me lembrei de tua perna.
E vi o Céu cinza, do jeito que amo, gosto, quero e desejo.E esse frio, extenso, garoando e cinza, me abraçou e exultou meu dia em torná-lo bom, e choveu fino; teve um incêndio no Glicério, a Boa Morte continua quentinha nos dias de frio e voltei a estudar latim e grego. E eu me senti vivo novamente pegando aqueles livros antigos do monge e podendo-os ler e tendo a justa correção das palavras e escritos - novamente, me tornei o letrista que almejava ser, ao poder usar as letras em ordem.
E as pus?
Pus apenas em ordem; mas por algumas vezes não pude lê-las. Mas isso não significou que elas não estivessem ali, em minha frente. Não significou nada, de vera. Eram apenas letras que aprendi a ler, re-ler, entender, e vê-las de nova perspectiva; e quando pus-me a lê-las com novos olhos, pude ler melhor, bem e mais. Ah! E o óculos me ajudou, de fato.
Ando-me sentindo novo para aprender, e finalmente aquele fôgo que ardia em meu peito acendeu novamente, tangeram-me os lábios em brasa viva, e eu pude então ver que saíram de mim os grilhões e os dardos não mais perniciavam minhas carnes. E de meus olhos, jorravam brilhos, e eu sereno, olhei e sorri.
E escrevendo, olhei o mundo, e vi três passarinhos voando na garôa, denotei um sorriso bobo em minha barba, e soube: era Deus.
sexta-feira, 22 de abril de 2022
Primeira Canção da Estrada.
Estou há uma semana na casa nova, e estou há uma semana longe do amor. Mas, o Amôr ainda me ama, e tudo o que perdi, lentamente retorna a mim: Tenho teto, tenho paz, tenho amigos - me faltou tudo, menos Deus.
Tive fome, tive frio, dormi na rua, chorei sozinho e fui humilhado por clérigos; ouvi injustiças e disseram de coisa pouca do muito em minha vida que ocorreu. Fiquei só. E orei, e quando a oração não dava, me apegava a Mãe das Candeias, e quando ela me valia, a lágrima era lágrima de alegria. E o Bom Santo Antônio também me amparou, salvou, deu-me do que comer, beber, rir, e rejubilar no Senhor.
E os amigos vieram e se reuniram, houve a festa do lugar na terra.
Deus, o Pai Eterno, me deu mais do que eu poderia e queria. Deus me lavou e me livrou do mal, me deu a paz que procurava, e agora me sustenta a ir adiante.E a paz, o amor e a concórdia estão chegando. E cheiram a esperança.
domingo, 10 de novembro de 2019
José.
Eu ouvi, você chamar, o meu nome.
De fato, não me assusta por um segundo que a vida se aconteça e se renove. Me assusta as pessoas querem dominar o alheio, transfigurar aquilo que lhes cabem na vista de um palmo, para deturpar para seu próprio prazer - ou dor.
Cabe me a cova de desejos, e um mar ferreo aonde não consigo mais navegar - e foi ali, aonde deitei meu coração, por baixo do mar ferreo, aonde os heróis nunca saberão de seu panteão, e aonde as donzelas choram suas miçangas, lágrimas de môça e rugido de transformação, é ali onde ele está, pouco abaixo da linha da razão e um pouco acima da serviliência. Aonde os deuses podem pisar.
E dentre toda essa multidão, ouvi sua voz me dizer coisas, uma mão que segurou a minha, um abraço que me afagou e um beijo que tomou meu segredo. Eu estou esperando um milagre. Eu estou esperando os sinos tocarem. Eu estou esperando os pássaros marrons. Eu estou esperando o dia acontecer. Eu estou esperando o meu Sol rasgar o peito. Entretanto, esperar todas essas coisas nunca significou nada para os outros além de mim, e mesmo que as pessoas estejam a dizer: Estou aqui, conte comigo, só eu sei o que carrego - que vale dizer que está, e que compartilha, se no final não está e não compartilha? Me vale mais um silêncio do que a falsa esperança, e a falsa caridade. Me vale mais a solidão do que falsas companhias, e deixo o ouro na mão dos que o almejam, pois me basta apenas meus pés cansados, e o que tenho dentro de mim. Cabe a mim apenas ter a esperança de que já está tudo consumado entre os pés e contrapés da casa. Fiz o que pude e não pude, guardei a fé dentro de meu peito e distribui como a eucaristia a quem quis. O resto não me interessa.
Senhor, Tu tens tido feito o Vosso Refúgio em meu peito.
Nos velhos muros tricentenários, ainda consigo reunir as últimas forças para ver o Amado. E ao me entregar como cordeiro ao Pastor, sinto ao menos mais uma vez o Único amôr que realmente me ama sem ter adagas e pedras na mão, e sinto pela primeira vez que mesmo com todos os defeitos e falhas de minha vida, ainda tenho a minha redenção e glória. Sei que no final das contas tenho em minha alma uma grande coisa fervilhando, mas não sei o quê ou como, de qual forma ou proceder; Ponho-me defronte de um turbilhão de coisas que não sei decifrar, e apenas espero o tempo passar para entender tudo.
E toda vez que (se) sentir a dôr, respira, refrão. Acaso não sabe que a Mãe daquele que remiu o mundo olha pelo povo que come as migalhas? De certo, não é a destra do Senhor que se opera em maravilhas e salva o justo da morte? Que vida é essa, que faz os amados se degladiarem e dar a dôr em vez da esperança? Será mesmo que é isso, apenas brigar, até mesmo com quem se ama e crescer cada vez mais solitário, para depois de tudo ajeitado, vir alguém como um ladrão e dizer que sempre quis nosso bem? De fato, se a solidão nos faz bem, não nos cabe mais em sociedade ou como falsos amigos, falsos parentes, ou pequenos transeuntes de vida, que nos dão falsa força, ou falso carinho - a velha cultura do bate-e-assopra.
sexta-feira, 22 de março de 2019
Runaway.
Ela levanta, toma banho, o velho novo cheiro de dormida dá lugar ao cheiro de sabonete, e a avenca que depois perfuma o restante. Escolhe qualquer roupa, e sai para o primeiro ponto. Senta-se, lê, predica, e vê, labora - os sorrisos denunciam as ações, e mesmo que ela não queira, corações grandes machucam grandemente. Não, não quebre um oldre de barro, menina. Não o jogue fora. Sorrisos carregados de olhares vagam pela cátedra onde o púrpuro rosa reina. A voz que acalma e atiça, é a que peçonha; Um bocadiho não faz mal, mas mais mal faz do que mal pouco. Ninguém sabe, ninguém vê - a Deus tudo vê. Por quanto tempo rondaras a essas noites vazias? Até onde a estrada vai dar para você (não) ser do jeito que é?
Ele deitado, tenta-se levantar, lê, olha, ora. Respostas demoradas, descompassadas, anos inteiros jogados no lixo dos dias. Ossos que doem. Imagens que fitam, testemunhas do que se passam na carne e alma, no pescoço um voto, no coração uma certeza, na cabeça um falso brilhante. Uma música gira na cabeça, e os olhos turvam. Do outro lado da cidade, a segunda parte da libra pesa de uma forma inacreditável, aqui, apenas se levanta para acender uma vela. Eia a candeia.
De um lado a oração, do outro a ação.
O silêncio que permeia é o veneno dos pensamentos, e o silêncio que permeia é a ausência. Pode estar fazendo como não está, o cheiro da avenca está se disseminando no ar, no riso, no cheiro, no beijo, no caxangá, e a falta do ar o corrompe, eles falam de amôr e Tarrasca Guidón, Marian.
É tudo o som das guitarradas no ar, ela brinca de amôr enquanto o escapamento solta fumaça no ar, e enquanto a garôa cai, há um beijo sem um casal, e um abraço incompleto - nada é (tão) real. A ausência da resposta evidência algo na mente, e mesmo que não se entenda, lá no fundo se sabe, a respiração afundada embaixo da água quente. E que evangelho é esse que a própria igreja não leva aos que necessitam, e que Deus sabe da verdade, e que beijos são esse que matam a cada íngua boca-a-boca, e que dôr é essa que não dói em mal algum? E que pôvo é esse que por carregar o dinheiro acha que a tudo pode, a tudo faz, e tão impune faz? Que síndrome de Oséias é essa ao povo, e que chaga é essa que nunca fecha, só aumenta e corrói? Que me faz isso que me corrói? Que me corrói.
Eles falam de um amôr impossível, e pregam uma realidade falsa, e rezam sem rezar, dizendo que estão certos, mas quando deitam a cabeça no travesseiro sabem que não estão, nunca estiveram, e mesmo quando estimarem saber algo sobre o que "pregam" nunca saberão, a avenca some do alvo corpo, já com cheiro de alguém, e um sorriso vazio no corpo esmaecido de outro cheiro - agora marinho, e nada é real, ELES FALAM DE AMÔR QUE MORREU, e das coisas do Céu, mulher. Descem pelo Rossio em canções lindas que só cortam um coração pesoroso. Isso de dizer em exaltação já cansou, e ele olha pela janela imaginando como era ser marrom. Ela olha pela janela, e pensa se amanhã de manhã será o mesmo ou outra coisa nova, uma nova atração, um novo a descobrir, e as estrêlas somem sem dizer se é a chua que arma, ou se no brumeio da tarde cai o Céu.
Você pode me dizer, Abba, se as coisas que predico são tão reais quanto as vejo, ou se tudo aquilo que finca em minha mente deveria morrer comigo, e eu deveria adentrar nessa caravana aonde não me reconheço, nem me pertenço, mas vejo cada vez mais que tenta me englobar - eu não vou deixar de ser meu, mas peço a Deus que a ávida multidão não me veja com essas armas de malícia. Que essa multidão, ao me tocar, não me macule como eu não tirarei deles o direito de se pertencerem. Que eu passe invisível e intocável a tudo o que não for Luz próximo de mim.
...E que eu só leve alegria a todos os corações, Amén.
sexta-feira, 1 de março de 2019
A Fôrça do Vento.
Na escada, as pernas lhe dão de travesseiro, e sua mão lutando contra a gravidade de um tempo inerte, tange o pálido rosto, está ali, nasceu ali: Foi ali que o amôr nasceu. Ela tange os dedos com outros dedos e o sorriso bobo não é, sendo, justificado. Dando-se a entender que a coisa mais simples do mundo convém de grande peso e confiabilidade. Eis a marca do amôr, o mundo ruindo em desprezo, egoísmo, solidão, e dois seres desprezam o universo e dentro do seu verso, imaginam-se sendo o universo. E são. Ele se põe por ela, e ela dá-se a suporte d'ele.
E no final, quando a chuva toca o asfalto, nada realmente importa, porque nada nunca realmente importa quando alguém lhe põe o Sol no peito. Estrêla da manhã, Deus Vos salve, cheia de graça divina, formosa e louçã. E se meu chefe me ligar, nada realmente importaria agora, porque seu perfume não vale minhas contas pagas, mas paga toda a agitação da minha alma, e ela fitando o amado, sente-se completa pelos dias de solidão, por não achar ter, não merecer ser. Nada além de você, nada além de você, por favor, deixa eu te amar mais uma vez depois desses últimos 30 segundos amando você. Despreparadamente, mesmo vivendo isso tantas outras vezes, noto que o amor dos tantos dois únicos unidos ao grupo de milhões dois únicos unidos é tão igual, mesmo sendo tão diferente. E isso não importa a ninguém, e isso não vale a ninguém. O sorriso dispara o peito, o beijo eleva o sangue, o abraço contrai a lágrima, e o perfume relaxa a mente, e a presença aflora algo de total débil verdade, que nem os escribas mais qualificados conseguiriam dizer. Faz-se tão presente o amôr, que de tão forte passa desapercebido, e quem está ao redor acha loucura a vida assim, dá-se a julgar loucura o amôr quem nunca amou - e digo o vero amor, e não esses amôres de hora comercial, ou de obrigação contratual.
Ela põe a blusa dele, ele a abraça por trás, ela sussura, ele ri, eles sorriem. Nada realmente importa. Ele levanta, ela pega a bolsa, ele estende a mão, ela aceita, ele a puxa para um beijo, ela sorri beijando, êle tem o Sol no peito, nada realmente importa. O Céu cai dentre as lindas nuvens que desabam água dos Céus, Jesus mandou lavar o casal para um começo purificado, a água mísitica científicamente comprovada pelo ciclo de evaporação cinge a luz do semáforo, ele anda de mãos dadas, ela pensa em até o fim do dia, ele planeja a semana, ela imagina o mês, ele ora por um semestre, ela não cria expectativas mas imagina os filhos, ele nem quer nada de tão ângular, mas pensa se ela vai amar ele até o fim da 2ª morte.
Fazem um sorriso, na escada rolante, outro beijo, ela cheira a avenca. Ele tem ótimas recordações de avenca, planta de infância. Ele pensa em amenar a barba, ela nunca cogita isso. Há uma alinhada de certezas no Céu que fazem as noites do centro serem bonitas e mágicas. Ele é recluso e evita multidões, ela sociabiliza e quer o movimento das ruas. Ele contempla e fita, ela sente e quer tanger, ele quer a casa, ela a caserna. Ele não quer, mas ela quer. Eles querem apenas o amôr. E tão só e somente.
Eles se despedem. Ele volta pra casa como um herói incerto, que poderia ter sido mais, e foi o comum, e se sente triste por não ser tôdo em expectativas. Ela volta, sorri, dança e turva, e ela manda mil mensagens se ele chegou bem. E o amôr assim se renasce, pela 27ª vez só naquele dia, pra esse casal.
E nada realmente importa.
terça-feira, 26 de junho de 2018
Blusa de Linho.
E quando os sinos dobram, eles falam de você, e quando as pombas batem as asas em bemol, são arrebóis das tuas pentatônicas, os motores dos carros afinados em Fá, das nuvens que se fazem de escala para sobre os prumos dos Céus, te ver escrever um cântico nôvo. Um cântico de amôr, um fôlego de vida pro teu filho, para esse coração cansado, para meu secularismo tão curto, e tão intenso, tão cheio de histórias que levei até sua casa para te pedir discernimento, e coragem, e proteção.
Vire-se para o Sol, ó minha flôr-de-novembro, quem te mandou se olhar para uma erva rasteira de março assim? Deve ser de ti, providas das lágrimas de nossa senhora, que nos deixam crescer como as trepidantes trepadeiras que nascem fazem, crescem sem pedir licença, somos nós quem nos fazemos assim - nos sabemos. A tua côr solfeja um Lá maior setimado me amenizando de crescer tão rasteiro, mas me fazer entender que te divides da tua fôrça comigo, e daí do teu lençol freático, me lança a água. Água Viva.
Ah, Cecília, me delegaste a função mais franciscana e mais dominicana do panteão, me fez ser de música e para a música, e na hora da rejeição, quando os outros viraram os seus alpendres e altares, você me acolheu na tua casa e no teu holocausto. E hoje sou coluna com deficiente destreza de teu pilar, estou rachado e esmaecido, mas estou aqui, e por você, eu sou. Me trouxe na rés da sociedade, aonde me valho de pouca música que me vale e me basta, aonde conheci os meus e os meus (poucas vezes) me valeram, e aonde pronunciei teu nome, e o nome dos Teus, e Do Teu. Preguei sem pregar, e rezei sem me aperceber, chorei por lágrimas floridas de escalas de Mi Menor, e sorri quando o Fá em nona contrastava com Ré em nona, dando aquela nossa dissonância que ninguém entende, mas que nos faz tão minha, e tão seu.
E assim, vejo o quanto nunca estive só desde que você se dispôs (e não há outra palavra, Mãe, sabemos disso mui bem) a cuidar de mim. Me fiz menino, para esconder debaixo do teu sari, para chorar minhas tristezas e louvar minhas alegrias. Na hora da solidão, foi minha amiga, na hora da tristeza, meu conforto, na hora do medo, minha estrutura, e quando duvidei, você foi quem me trouxe de volta pro lado de cá. E quando a barra pesava (como tantas vezes pesou e ainda pesa, ainda pena), corríamos nós dois para debaixo do sari da Mãe das Candeias, e lá acampávamos até a tristeza e agonia passar, foram tantas percas, e tanta tristeza, tanto gosto de aço na boca, e tanta fuligem no rosto, o ocaso, e desânimo que você livrou de mim - Ah, Cecília, como é boa a vida do teu lado, e como é boa tua tutela sobre minhas carnes. E se te cabe saber, todas as vezes que de madrugada amei a madeira contra as cordas de aço, foi procurando você, foi querendo estar com você. Foi me valendo de você, que me refiz, e aumentei as apostas na crença do Invisível, fazendo dessa vida menos cã quando você está aqui comigo, o tempo passa mais devagar, e as alegrias se tornam mais doces, e o som se deixa uniforme, e você mostra os caminhos das pedras para chegar até o Excelso.
Foi por você, que ainda estou aqui. E é por você que quero ir mais longe, quero levar o teu pendão até onde eu puder, e divulgar a missão, disseminar a palavra sobre todos os solos, e dizer todas as palavras que não te pôdes dizer, e que minha língua pode (e vai) dizer. Quero a alegria de te encontrar e dizer: Bom trabalho, garotão. Quero te encher de te orgulho e te dar um cheiro, e sentir você por aqui. Até o fim.
terça-feira, 29 de maio de 2018
Pantocrator.
antes de mim pisou aqui
Louvados sejam os que pavimentaram
por onde agora piso
Por, onde eu for, guardai ó Deus,
quem tenho comigo e quem no mundo esteve.
Volvei Vossa Face
para nós que andamos apressados
Nos desatinos dos dias
desaprendemos até a rezar
Perdoai, nossas faltas, ó Deus
e purifica nossas almas do mal secular.
O Sorriso mais belo
foi imolado gratuitamente
O pão repartido
Saciou tôda a congregação
E eu, tão pequeno, percebo ó Deus,
que Teus planos são minuciosos e perfeitos.
Vinde em minha ajuda
cubra-me com Tua destra
Livra meus caminhos do mal
e me mantenha em sua graça
Tenha, misericórdia de mim, ó Deus,
não deixem que nunca me separem de Vós.
Louvam-te tôdas as coisas
pois de Ti tudo provém
E em tudo que eu interagir
Sinta e veja tua perfeição
Misericórida, dos que não crêm, ó Deus
ensina Teu pôvo a amar e perdoar em paz.
Dentro de minha alma
cabe apenas Tua essência
Seu sopro divino
que me trouxe diante de Vós
Quão, sois bom comigo, ó Deus
por ter me feito um do meio dos seus.
Junto da Virgem Mãe
a graça nos chega como chuva
Torna-nos filhos diletos
das promessas que hão de ser cumpridas
Eu, confio em vós, ó Deus
e nunca me esquecerei de Vossa misericórdia.
Se a morte for o débito
pagarei com alegria
Ao saber que na vera hora
encontrarei o Redentor
Excelso, é Ti, ó Deus,
Que na eternidade há de habitar.
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
Mal Secreto.
Mas, para atingir este nível de "escriba", deitei e dobrei-me muitas vezes, e por tantas outras me joguei no mais profundo dos vales e lancei-me muitas vezes nos ventos, e por meses vi a turvação nos Céus, por anos estive sozinho, e paguei um grã preço por ser eu mesmo. Houveram horas, que a própria hora da solidão se valeu de mim, e eu me vali dela, para não ser mais, e com isso aprendi o segredo: Ser um grão, para ser grã - por isso me valho e sou meu, e me entendo: Sou o Pierrot, o bêbado, o anti-herói, e o mais pequeno dos mais pequenos, o do degredo, e assumido Profeta das Estepes. Me encontro e me aceito na minoridade, e na minha pequenez, prostrado diante do altar, Deus, o Tôdo-Tudo, me deu sua Carneiro para eu cuidar.
...Mãos pequenas, sujas, machucadas, cheias de escara e sujeira, encostando nas macias lãs, macias peles, olhos acastanhados e puros - carne imaculada, sangue não se vê, maldade não se cinge, olhos que não se levantam para se cerrar ou fitar o Céu, olhos que se voltam para o altar, olhos que ousaram me dar a bandeira de ser olhado. Por quê? Tem o nôme da Mãe, da Primeira. Tem a infinidade do mar embutida no nome, nos olhos, nas frases dilatadas em tempos da boca pequena, da timidez, do ousar dizer, e na sua própria pequenez, ser tão grã enquão grão. Pequena minha, quando os Céus se turvam em graça e glória, o vento te entrega tôdos os abraços que eu lhe mandei levar? Será que o Sol mandou aquele afago nas suas madeixas do jeito que eu lhe ensinei para lhe agradar? Será que os prédios do Velho Centro lhe serão gentis e lhe guiarão os caminhos iguais os pedi para lhe guardarem?
Se sim, vem. Encosta-se em mim, como estou a me enconstar em você, estreita em mim o que ponho em nível de prumo em você, e amarremos nosso arado numa estrêla, para que apenas seja pela vontade do Firmamento. Minha boca tem vontade da sua, e vontade de mandar tôdo bem olhar pra própria grandiosidade, e nos deixar sermos o que bem somos, na nossa pequenez. Deixar tudo para depois enquanto somos eternos no agora. Deixa eu estar aonde nunca se esteve, e não me olhe por dentro, assim como não vou (mais) te subestimar, e deixa, pouco a pouco, ir pondo a verdade em fontes claras de Luz. Olha nos meus olhos, e vê o mar e a areia, vê acontecer tudo e ao mesmo tempo, nada. E na eterna mística do universo, lá no 133, o baixista secular irá esperar a desenhista diocesana para se completar - e se inteirar. E manda dizer: Êste é o texto Della. O texto, e o escriba.
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
Olha Maria.
Toma a minha mão, como tantas outras vezes, e leva-me aonde nunca fui, apresenta-me das pessôas e dize-me quem são, e quais me cabem, e quais são minhas gentes, dá-me a Cecília como consorte e consolo, que afaga meu peito sussurra coisas tão lindas e tão nossas em meu ouvido, dize-me, Mulher, se é da alegria minha ser teu, ou é mais do que a vida além da vida saber que estás comigo até o fim do fim. Olhando para mim, saiba que não olho nos teus olhos por não ser digno, mas, cinjo minha fronte a respeito a Ti, Tua história, Teu amôr eterno e carinho para comigo; Minha Mulher, lâmpada de meus pés e sorriso de sábado que brota em meu rosto, eu lhe amo, eu vos amo.
Guarda-me na barra do teu sari, e defende-me da injustiça, mostra-me onde devo estar, e lá estarei sendo por mim e você, e se preciso, dou da minha vida por seu nome, pelo seu legado. Eu vos ofereço minha vida pelo seu legado e panteão, Mulher. Minha boca tem sede do seu nome, e o cheiro do seu cabelo domina minhas ventas, e suas mãos são mais quentes que a lã. Seu nome é mais gostoso do que tôdo tipo de vinho, ou cerveja que possa se existir nesta terra, e sua beleza é algo que tanjo a palavra, pois dizer por si só é loucura demasiada, e sua voz, é a afirmação da unicidade, de que tudo estará aqui, e vai dar mais certo ainda.
Diz-me, mais uma vez, apertando-me no teu abraço, preso em um laço, que tudo vai ficar bem, e todas as coisas irão se acertar, e que essa alegria que há tanto experimento em doses homeopáticas, irá se findar e me inundar; Você bem sabe dos meus pés cansados e das minhas costas pesadas e dores sôfregas, feridas lancinantes em que ninguém põe a mão, e que ninguém sente além de mim. Diz-me quando tudo isso acaba e tudo isso vem.
terça-feira, 3 de outubro de 2017
Bread.
Tudo eu sinto, tudo eu tenho
minha carne será a fiança do meu querer
Teus olhos serão farol de minha guia
e teus abraços, infante da vontade
de correr para me perder em sua existência
Minha rainha, minha guarda,
minha querida, ó meu amor,
abençoados sejam os braços teus
venho de uma guerra que me desnorteia
e até os vermes comerão meu pão]
neste longo e extenso caminho.
Estes são os dias de minha vida
aonde o pouco se torna muito
e a vida, se vivencia suas estranhas
e o têmpo, corre para se tinar
E o mistério se desvencilha do segredo
Sonho pelo teu carinho, rainha minha, ó meu amôr
E dos mais belos dias em tua presença
quão perdido me encontrar
ao teu retrato, cairá o meu mirar
e me acharei, e serei, e viverei.
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
Garip Gönlüm.
Olhando para trás, me sinto satisfeito com minha vida - tive tudo o que quis, como quis, e da forma, nada houve que pedi a Deus que Êle nunca tivesse me dado. E por vezes, me deu mais do que precisava, dando me o que eu veramente queria.
Logo, não anseio mais por nada, por mais que existam sim alegrias a ainda ter, viver e sentir. Ainda se faz necessário a Cecília diária ad aeternum da Anatólia (Teşekkürler, Aretha!), como se faz necessário beber da alma do Lgo Nº 133, como se faz necessário crer cada vez mais que estou na melhor fase de minha vida. Mesmo que tudo isso exista, e faça parte de meu presente, e próximo futuro, não anseio por algo fundamentamente que exija demandas físicas ou mentais de mim, deixei a nau a deriva de minha vida a Deus, e por isso mêdo ou desconfiança não sinto, e se estiver com mêdo, estarei com (São) Pedro. Não temo mais a morte (que a muito custo, Vaniltêra, Dellandrea, Mello, Diegão, Alvaça, Zé, Hollmann, Gustavão, Albino e tantos outros me ensinaram a chamar de Irmã), porque se ela mesma velada, de rosto alvo e cingido me encontrasse, me venceria sua frígia contra minha carne quente, e bendigaria o Senhor Deus acima de tudo quando me fôsse, pois assim O viria em sua Luz e Glória. Mas não anseio o Céu porque sei de mim, sei das minhas mãos sujas. A misericórida de Deus me caberia se ao invés do Céu; Deixasse-me Êle em algum lugar da espera do Juízo aonde eu o louvasse incessantemente, em nôme de Sua Perfeita, Absoluta e Infinita misericórdia para comigo, e com tôdos os do degredo - meus ou não. Meu Deus atendeu meu pedido, e me deu minha pérola. Ele me desceu até a mina d'água, e me levou, lavou, cingiu, abençoou e sorriu. Me sou meu, e sou o mesmo, mas, diferente. Ainda vivo da mesma forma, mas nas cucas e na (futura) longa barba, extensam-se novos planos muito bons.
E me alegra isso: Saber que a pérola que encontrei dentro de mim, finalmente foi tão útil a alguém, e que eu ao menos uma vez nesta vida fui utilidade para a eterna bondade, compaixão, amizade, esperança e renovação de fé o Amôr que faço ser re-Amado. Admirado seja Vós, Sacro Sacramento Sacramentado no Sacrário, com tua Luz, abre o peito de quem se sente triste em trevas e lama, Santa Clara, barravento do Senhor, olha por nós aqui no N º 133. Jo 16:33. Lembra?
Guarda esta carta, não como tôm de amizade, nem como tôm de bôm conselho, tampouco como sermão ou forma de vida, testamento ou epíteto, mas, guarda como o legado de quem venceu na vida dividindo o pouco que tem, e neste muito pequeno tanto pouco de quase nada saciar a mim e minha horda, e para se dignifique a bondade: A bondade existe e é vigente acima do feo, mas, ela não é divulgada - logo, se faz a bôa bondade. Apenas a má-bondade é divulgada, confrontando o Evangelho de Nosso Senhor (Mt 6:3), e criando falsos bôns, e fazendo a caridade ser moeda de troca entre os homens, e casa de interesse. Que se abram os olhos, e as portas das casas, que as lindas mulheres estedendo suas roupas nos varais de quintal ouçam, e que o Céu turve-se na chuva mais linda de primavera: Deus existe, e sua misericórdia e amôr se bastam e reinam, Deus a tôdos amam, e a tôdos que se amam, amam o Senhor, e se o bendizerem, assim cumprem-se para Deus, e cumprem a regra da salvação da alma: Amar.
Enquão a mim, Profeta das Estepes, cabe-me apenas o que tanto amo, escrever: Mas, atrelado com uma necessidade agora, de dizer nas mesas dos bares, na vida, no parque, nas ruas, nos picos, e em tôdos os lugares aonde procurei, devo dizer: Existe. E é Bôm.
"Nós Vos adoramos, Meu Bôm Senhor, e Vos bendizemos, porque pela Tua Santa Cruz (Tu) remistes o mundo."
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Caderno de Viagem.
E quando eu desci na mina d'água eu
Faz algum tempo que entendi o que significam palavras, atos, e tôdas essas coisas. Percebi que as pessôas raramente mudam, e poucas vezes para melhor - cousa já prevista quando olhamos para o panorama geral da nossa sociedade; Mas, quando me sou, faço ou espalho a bondade que carrego fora dos muros daquela igreja de pó-de-ostra, as pessôas se assustam, armam, e pensam inúmeras coisas - menos o que realmente está acontecendo (ser bôm, gentil, cortês), e não acreditam mais na bonança do dia, e isto muito me magoa, muito me dói, e faz algumas vezes pensar em desistir em tudo de tudo e com tudo. Crer nas pessôas é pôr um copo de veneno na mesa junto de outros dois, os misturar, e esperar a reação. A culpa não é de quem é bôm, mas de quem extirpa e mata a confiança do outro - fácil assim. Por mais que devemos como sociedade e irmãos sermos mais unidos e solidários, não vemos isso atualmente. E talvez nunca veramos como antes...
Deitando minha cabeça no travesseiro, a cabeça pesa mais e a lágrima escorre, fazendo a alma aboiar e o coração apertar. O que sobrou foi a fé, uma esperança num amanhã melhor e maior que tudo isso, em uma recompensa que é paga com a própria carne, que nem tôdas as cervejas pagariam ou tôdas as consortes dariam. É o vento do Seo Fábio que acarinha minha cuca, é a minha mística, é as mãos unidas na boca pra agradecer, rezar, e amar, louvar. É o Luizão segurando o Pietro no colo e Deus sendo Deus. E eu sendo cada vez mais livre, solto, leve, vazio, pleno, até o dia de nunca mais ser mais nada, a não ser uma bêsta lembrança no pensar de alguém.
Deus permita, que logo menos eu deixe de ser tudo isso, e que neste louco e solitário caminho que eu escolhi, a fôrça de Sua mão me traga a vera alegria, e que essa dôr cesse logo, e quando tudo isso se acabar, que apenas sobre a verdade, e tudo aquilo que foi irrisório, mentiroso, superficial, maldoso ou desnecessário caia e fique apenas meu malpesado peso sobre a terra cã.
segunda-feira, 10 de julho de 2017
Look Into The Sun.
A escrita indecifrável no muro, as palavras ditas em nome de Deus, do amôr, ou algum outro sentimento híbrido, descompassado com a aura e realidade, alguma coisa fora daqui, fora de mim, dentro do universo; Os pássaros do Céu, voam, planam no ar, e não apeiam no frio, apenas seguem sendo a linha-de-frente celeste contra tôda a geação e turvar: Há quem diga que o vento os combate, içando-os para baixo, e eu só sigo, vendo batalhas nos Céus, nas Terras, e no meu coração.
Após ter ido para a deriva (vide escrito anterior), em contemplação comigo mesmo achei dúvidas maiores, certezas vazias, e descobri que ainda tinha amôr, que eu ainda saberia amar e ser amado; Eu ainda me tinha. Sendo amparado por estrêlas e vinhos, e castigado pelo Sol, vi o vento ecoar em seu silêncio nomes, pessôas e lugares, e vi a minha fé ser igual um mercúrio rudimentar, se quebra, derrete, e se faz rígido novamente. Vi a mais linda de olhos apertados para olhar os adornos do altar olhar por mim, olhar em mim, me dar um sopro no peito. A vida, em si, ainda continua, mas a sensação inerte e a vontade de se fazer completo com a terra fria e os olhos fechados ainda se faz cada vez mais presente.
A madeira-de-lei, já desgastando as mãos de tinta e verniz, são as coxas da amada-de-uma-vista-só, aonde me deito, e aceito os maus conselhos do feo e me deito, deixando o vinho entornar em mim minha realidade: São dias de lágrimas, amargar, frieza, Jethro Tull, solidão e questionamentos; Deus se intervém, e me abençoa com o sono da classe trabalhadora, Maria, de piedade infinita, me põe para dormir, e me cobre com seu sari. No meio de tôdo o caos, ranger de dentes e Gigot, eu ainda me encontro com o velho de pendão, que vem lá desde Deocleciano, lá do pôvo-da-correntina, de sino que tina na dobração, e faz a alma gemer. O pendão, ainda que velho, se faz renovado para quem o toma e o levanta, e segue. Mas, onde se fixa pendão em água funda? Perdão, raíz minha, mas hoje não, hoje quero do erro, da incerteza, quero o mangue e o saveiro com quilhéu quebrado, e as velhas memórias e sonhos quebrados dentro do matulo: Lembra da Cecília, da casa, da amada, da luz, dos jogos, de Fábio, do silêncio místico no altar lateral, da dôr, do mêdo, de achar que poderia ter sido - nunca foi, é ou será, esquece - talvez, ela nem sabe como é, dói, arde ou sente.
No mastro, apruma um albatroz cansado de tanto voar, com pluagem cansada, e cantar melódicamente melancólico, e eu o contemplo, sentindo seu sentimento de cansaço e pedido de descanso, e de nós, nos cabe apenas o pós-descanso, a vontade de achar seu ninho e apear nele, e nunca mais sair.
sábado, 3 de junho de 2017
Cântico das Criaturas.
Tenho me encontrado e desencontrado com tôdas as suas lições, e quando me auxiliam a tirar os véus de minha visão, me ajudam a enxergar além de onde não consigo ver, mais além: De onde nem consigo imaginar que poderia estar, ser, viver ou sentir perante Deus Pai. Agradeço imensamente pelo meu coração, mensalmente, ser renovado pelo compromisso de servir e ser mensageiro da bôa palavra e bôm conselho, e ser ajudante de uma obra maior, maior que a mim mesmo e tôdos os outros vocacionados, ou que tôdos nós enquanto carne; Vos agradeço pela sacra paciência que tens (e com tôda a certeza terá bem mais) para comigo e nós tantos outros, mas, principalmente comigo, que ovelha desgarrada que sou, me encontro com o Pastor agora, e volto para a trilha de onde nunca deveria ter saído - que nunca me faltem agradecimentos a Deus por ter tido vossa tutela em minha vida.
Mas, Freis, me sou do mundo, e do mundo vivi, das mulheres amei, da bebida fiz mal (abusadamente mal) uso, e da fé duvidei, temi, por vezes ignorei, mesmo Deus estando ali o têmpo tôdo; A transição de ser limpo, só me mostra o quão sujo, e quanto há a reparar, e por vezes me encontro num impasse: Sujo para conviver no mundo, e Sujo para viver e têr o hábito de Francisco. Sou do degredo, e aqui nós têmos a "fé cega, faca amolada", e peço por perdão por n vezes que minha fala foi maior ou diferente da fé ou pensamentos que devemos professar ou guardar. Peço perdão pela barba desgrenhada, pela necessidade velada de querer desesperadamente saber, conhecer, e aprofundar, causando desconfortos, tanto como as aflicções tão partilhadas, que mesmo lhes tendo como uma candeia espiritual que me guiam até a Lux Majora, me esqueço e me ponho dos pés pelas mãos, e no velado silêncio, fitando a imagem do Chicão, penso em tudo que me fez chegar até vocês, que me acolhem tão bem, e me aceitam com minhas tatuagens, medos, manias e imperfeições. Obrigado por abrir a porta, e mostrar que ainda havia tempo e jeito, que tudo tem acerto, e que tôdos nós - até êste cronista - tem sua função na dinâmica celeste.
Que o Dulcíssimo, na Sua Infinita bondade e misericórdia encham seus caminhos de tôdos os bons sentimentos que já me trouxeram, e me aliviram das dôres do mundo, e de seus habitantes.
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Você de Azul.
Minha solidão se dói sozinha, e se manifesta em mim porque minha Luz é forte, e quando eu eiei a candeia para olhar os pés da Concórdia, os lavar e os beijar, êles me taxaram de louco; Porque quando me humilhei na eucaristia, êles me entregaram olhares malecidentes; Porque quando eu comecei a anunciar minha fé e tomar meus nortes, louco fui e esquecido dos amigos me tornei; Porque o quanto mais fui fiel a minha essência, mais as idéias erradas e que há muito e há tanto eu exortei de minha mente, êles tentam pôr novamente. Deus viu tudo, os meus erros e acertos, e pra quem acreditou em mim, muito obrigado - a quem duvidou, peço perdão por nunca ter sido digno de confiança e elo.
Quando enfrentei meu último dragão, percebi que me tornei um daqueles eremitas loucos, que já sabiam da sua verdade, e não tinham mais nada a fazer, a não ser espalhar a boa-nova pelos muros, casas e campas; Dando ao mundo aquilo que se foi ganhado em recompensa - poucos ouvem, e dos poucos que ouvem, quase nenhum nota ou percebe, e com isso me torno um feo personagem Quixotesco, procurando um ideal antigo, vazio, mas que muito enche em meu peito, me fulgura e trás brilho nos olhos acinzentados agora, mel a tarde, verde de manhã, avelã durante a turvação. Eu sou o que preciso ser, e agora, sou a solidão: O menino que ganhou o não da amada e fica no salão vazio, chutando confettes e serpentinas, enquanto tôdos saem e a banda guarda seus metais. Sim, sou eu; Quem se sente só, porém sabe que a solidão não é ruim. Agora, eu sou água, e saber que caminho entre a ávida multidão se existir, me faz feliz, me faz ótimo, me faz môrto, me faz cada vez mais estar perto d'Ele - quem me amou primeiro; E sei que uma hora, em algum lugar do mundo, alguém veramente estará lá, e quando esse alguém me notar, e eu o ver entre as condensadas marés-de-gente, saudar irei, e juntos nos teremos, enquão isso, estaremos aqui na ilha, tentando acordar os mortos que passam e passeam nas minhas vistas, e são bem mais solitários que eu.