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quarta-feira, 13 de julho de 2022

Entrevista ao zine ¡Ahi Gabriel!.

 (N. do E.: Texto traduzido da entrevista ocorrida na segunda passada para Vicente Garranzón para seu zine de leitura underground argentino ¡Ahi Gabriel!, que sairá em veiculação na última semana de Julho).

Perfil: Marcus Queiroz, 30, Brasileiro, mas acha Garrincha melhor que Pelé. Escritor de mão cheia, mantendo há 15 anos um blog de crônicas de sua vida pessoal, poemas e textos de virtude e sentimentos bem precisos. Em setembro, lança seu primeiro livro: "Entre as Cidades", de trama gostosa e envolvente, de estilo eclético e bem trabalhada com palavras de acesso direto ao corpo da história, que gira em torno de cinco amigos, tomamos a frente e o entrevistamos com a exclusividade clandestina de sempre falando de seu panorama geral, perspectivas, forma de texto e amenidades, confira:

Legenda: AG (¡Ahi Gabriel!)
MQ (Marcus Queiroz)

AG: Marcus, obrigado pela disposição em falar conosco! Em primeiro lugar, gostaria de dizer que você continua sendo um dos melhores escritores underground do Brasil, e como você mesmo escreve, da Piratininga!

MQ: Obrigado, Vicente. E fico feliz em ter acompanhado este zine ter nascido lá em 2015 e tanto tempo depois estar sendo entrevistado por ele. É uma boa alegria!

AG: Diga para nós Marcus, como se deu o processo de "Entre as Cidades"? Ele se encaixa em alguma corrente literária?

MQ: Bem, é um livro de pequeno teor, creio que ele não esteja em algum tempo literário. Mescla um pouco da vida, com alguns valores alegóricos, mas nada puxado para algo absurdo ou que não possa ser sentido por qualquer um - a ideia é justamente dar ao leitor a sensação de história fácil, que pode ocorrer na vida de cada um. Eu literalmente tive um estalo e pensei "ok, vou escrever um livro". E assim nasceu num raio de seis meses.

AG: Eu admito que quando li a parte um achei muito interessante, mas na segunda parte eu perdi o chão. Você considera esse seu magnum opus? Porque para uma obra sem ambição nascida em seis meses, ela tem uma carga muito forte.

MQ: Na verdade, não Vicente. Para mim, "XXVII" ainda é meu magnum opus. Foi uma das poucas coisas autorais que consegui trazer do seminário ainda em tempo quando saí. Para mim aquele foi meu melhor trabalho. E ainda continua o sendo.

AG: E eu sei que é um assunto que você evita falar, até mesmo com o saudoso Ali do Cosmos, mas, e os outros dois livros anteriores? Você realmente não os tem? Não seria interessante podermos lermos também?

MQ: Grande Ali! Deus o tenha entre os justos! Bem, os dois livros foram um fiasco! (Risos), eu perdi muito da esperança de escritor neles, e o 1° livro ainda tem uma ligeira parte solta no blog - fragmentos para ser exato. E o 2° livro que tinha o nome de "O Segredo do Sol", para uma surpresa minha, eu achei completo numa arrumação, e fiquei até feliz de ter visto, mas não penso em publicar ele, creio que vai contra muita coisa que hoje acredito, e talvez a opinião pública também não gostaria.

AG: Tudo bem, mas depois me deixe conferir!

MQ: Claro, lhe envio! (Risos)

AG: E sabemos que infelizmente você está doente, mandamos daqui de Argentina nossos sentimentos de cura e melhoras. Pelo visto, você também deixa transparecer um pouco em seus últimos textos sobre seus sentimentos nesse quesito de sua vida pessoal. A sua escola literária também transparece muito no que você escreve. Isso é intencional?

MQ: Olha, intencionalmente nunca foi, mas não deixo de ser influenciado pelas minhas leituras. Isso é para qualquer escritor que se enquadra também num foco de leitor. Atualmente tenho lido muito sobre teologia, e depois disso me inseri num contexto de back-to-roots, aonde eu poderia transitar entre meus tempos literários.

AG: Devo admitir que as suas últimas postagens, no caso as cartas, estão de pro-forma impecável, e de uma realidade translúcida, porém desesperançosa.

MQ: Não podemos ser fantasiosos o tempo todo. Por isso aboli alguns termos do meu glossário pessoal - a Feira da Renascença, por exemplo. Era uma figura de linguagem que amava, mas abandonei.

AG: Eu adorava a temática de contraste entre a Feira e o Crepúsculo...

MQ: Idem, mas partir do momento que um texto deve ser acessível, devemos ter palavras mais cabíveis ao entendimento, tal qual as expressões e figuras.

AG: E os planos para o blog, Marcus? Quais seriam as metas para o futuro? Você conseguiria manter ele num processo de curto prazo enquanto trabalharia num próximo livro, por exemplo?

MQ: Creio que sim, sabe? Eu não estou afim de escrever mais um livro, e creio que "Entre as Cidades" não teria uma continuação ou ramificação - ao menos se Teresa (personagem do livro) fosse uma raíz que interligasse os dois. E enquão isso, eu preciso até de certa forma do blog para ir escrevendo coisas aleatórias para ir aliviando a cabeça ou praticando outras escritas; o meu gênero de escrita favorito ainda é a Crônica de Ordem Social.

AG: Marcus, não duvido que você seja capaz de fazer e manter isso. E me alegro muito em ver o blog em definitivo e em aberto. Para um leitor de primeira viagem, sua escrita é totalmente fechada, mas no seu livro pelo que percebi você usa uma linguagem acessível e dinâmica. Tem algum motivo?

MQ: Bem, na verdade o blog é mais um alfarrábio meu. Caso eu esteja com Alzheimer no futuro, ali é um lugar que eu posso entrar e sair, transitar tranquilamente sem ter como todos perceberem entre as minhas memórias. A minha sorte foi ter escrito de forma reclusa, com palavras arcaicas e expressões tão minhas que até quem acha que sabe do que digo, se engana! (Risos) E quanto ao livro, bem, livros tem que ser acessíveis, não?

AG: Com certeza.

MQ: Então é por isso que escrevo dessas duas formas.

AG: Marcus, quais os planos para o segundo semestre deste ano?

MQ: Bem, divulgar o livro, escrever o máximo que puder, e aguentar firme até a festa da Transfiguração. E agora podendo tomar uma cerveja


AG: Marcus, uma pessoa singular de humor sarcástico e de grande verdade, leitores! Uma honra ter você nessa edição de ¡Ahí Gabriel! E esperamos poder fazer uma resenha longeva de seus escritos.

MQ: Vicente, mais uma vez agradeço pela chance de falar um pouco de minha trilha literária, e espero que você possa gostar de meu livro. Assim que eu terminar as prensas, lhe envio uma cópia física.

AG: Eu agradeço, amigo. Uma última observação?

MQ: Apenas agradecer pelo carinho e o convite! ¡Paz y Bién!

sábado, 23 de março de 2019

Apenas Um Rapaz Latino-Americano.

...E foi embora junto com a blusa, foi embora junto com o sorriso, e com a vontade de mais uma vez ir ver as flôres daquele jardim, e foi embora como muitas vezes foi embora. Foi de mim que saiu a virtude de continuar a viver. Pensando bem, saiu de mim o início para sair dali o fim.
Em cada altar do meu coração em que ergui um altar para você, eu vou o demolir, e para cada oração que fiz por nós dois, abrirei meus braços pedindo a verdade aos Céus, e para cada sorriso inocente, deixo uma Luz que incandeia na estrada, e para cada dôr, aprenderei a lidar, como sempre tive que lidar, e deixar mais um rastro de conhecimento para ninguém, mais uma gama de planos jogados ao vento, casa que foi planejada na areia fofa, e sonho que nao vou sonhar mesmo.
O sôm dos sinos é aonde guarda a minha verdade. É onde nunca deixei de ser meu.
Dona Antônia, que falta me faz. Seus 89 anos batidos nos meus (quase) 27 iriam ter a regula certa do que fazer neste momento. Sua mão, tão sôfrega e torta na minha, durante o Ofício, me diria algo que me faria pensar melhor, meditar, considerar, ou ao menos olhar ao meu redor e me desafogar daqui. Véa, a vida anda sendo pesada e dificultosa, não venho me mantendo, e sinto cada vez mais das dôres que lhe dizia. Ouvir sua voz agora seria mais que bálsamo, mas o melhor presente de aniversário. E por mais que eu saiba dos "ricos que pisam nos pobres", e os "bem-aventurados os humilhados", e "fazer seu melhor e esperar, pois tudo tem seu tempo e sua vez", mas, franciscanismos a parte, minha Véa, quando vai chegar a minha vez? Quando minha chaga irá fechar?
Percebo, mais uma, mil, vinte mil vezes, que ainda me entrego, e não me reservo, ainda sou temporão em tudo que faço, e mantenho meu melhor. Percebo mais ainda, que as pessoas nos olham como peso de prumo, e nunca como pessoas que sentem, olham, falam, e por isso nos tratam com objetificação, daí, consigo somente pautar a tristeza dessas linhas assim. Talvez Dona Jorgina estivesse certa em algunas aspectos. Alguns.
Eu só queria dizer nesta crônica de desabafo que meu peito dói, mas, que não vou seguir sorrindo. Minha fé ainda me ajuda a seguir, como a todos acontece, mas, hoje em diante me reservarei mais, voltando a ser aquela isolada, vulcão inativo, perdido no oceânico, que quase ninguém sabe que existe. E que a meta pra esse ano, não é mais chorar (lágrima última que foi derramada hoje), e sim rezar, pensar, e entender os planos de Deus para hoje - e sempre; Afinal, fui eu mesmo que pedi na oração de sempre: "E Que eu só leve alegria a tôdos os corações", não é mesmo? Então, que assim seja.
De resto, que o têmpo flua. - Que as lindas garôtas ouvirem, e que o Céus turvem ao meu favôr.

Kyrie, Eleison.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Samba de Orly.

Entendo a vida como ela é, e pelo que ela há de ser. Não por mais, nem por menos, mas, seguindo sua linha rasante de pensar, sentir, e agir. Vejo muitas pessôas infelizes com suas almas vendidas e sonhos roubados por outras pessôas, que nem ao menos os roubam para os viver, mas, para se moer no Moinho do Centro do Mundo. Vejo zumbis que se degladiam em busca de lugar nenhum, pelo simples fato de ter apreço pelo “não ser nada e nem ninguém”, mas, se esquecem que até mesmo o vazio tem um propósito, uma forma de vida, um porquê – as pessôas querem ser tão autônomas que em sua independência, acabam dependendo dos outros, para ser arrimo, consolação, ou sparring.
Me desculpe, não faço parte deste bando.
Quando me entitularam “profeta das estepes”, apenas consumi em mim o que sempre consumi, dividi o que sempre dividi, e fiz, faço e com a ajuda de Deus farei o que sempre farei: A música, devidamente chamada de Cecília, os amigos, os auxílios – carnais e espirituais, as cervejas e os andares, pesares e intensidades; Tudo isso foi medido e avaliado para ser meu, em apelido, que hoje se faz sub-nome. Sub-nome que gosto, e me sinto abençoado por têr, e honro a cada dia que se passar. Eu mudei, mas, não mudei. Mudam-se as carnes, pelos, pensares, agires e fulguras, mas minha essência, alma e lampeijo ainda se fazem em mesmo. Eu não mudei. E nem pretendo.
Me desculpe se minha camisa não parece tão bem-passada. Eu mesmo a passo. Não dou a minha vó ou a minha mãe a incumbência de algo que elas já me ensinaram a fazer inúmeras vezes, comno também peço perdão se minha roupa não está tão alva: Eu não aprendi a batear com tanto afinco, por isso talvez algumas camisas minhas estajam sim se amarelando, mas, estamos trabalhando nisso, ou até mesmo me perdoe o tempero carregado no feijão, mas o sangue mineiro pede este toque, assim como a minha fé, minha complacência, e minha pérola. Não profiro mais palavras tortas, e nem prossigo em coisas perniciosas, mas, apesar desta aura tão “sacra” que eles me falam que estou a tomar, ainda sou o mesmo: Ainda danço samba-rock, ainda bebo, tenho minhas camisas, meu coração bate forte pela menina de cabelo escuro e tau no braço, ainda me emputeço com o sistema ferroviário, e vibro quando acho dinheiro na rua. O que assusta é: A partir do momento que você muda, as pessôas não lhe enaltecem ou vibram com sua nova forma de vida, apenas lhe tecem viés e pedras – Não se agradam por ver que você está buscando uma melhoria, ou que você simplesmente está se sentindo melhor assim.
Não te pensa, nem por um segundo, que me faço de bôbo, pois não sou. Fui ao mundo, vi, vivi e senti dores e prazeres, mas hoje me faço limpo porque cingiram-me a face, lavaram me o corpo e disseram: Caminha – e aqui estou. Não te pensa que não sei o que é mal, ou a manifestação da maldade, sei muito bem; E digo que de mim, a sinceridade e minha ingenuidade, fôram presentes que pedi a Deus Pai e Êle em sua misericórdia infinita me aceitou, me honrando com seu signo sob minha efíge, se te olhas nos meus olhos, não se sentes atraídas por mim, mas pelo Amôr que é amado por mim, e que me faz ser assim, “diferente”. A saída do mundo maldoso, para estar numa nova fase da vida e compreensão do mundo, e realmente ser uma pessoa melhor é bem dolorosa, lancinante e extasiante, mas, vale cada segundo, pois, minha pérola não se compara a nada, e minha vida agora tem mais brilho, e da ruína de minha carne se fez uma nova oportunidade para honrar os que amo, estimo, e guardei em minha alma - Sou água parada, mas sou bem turvo; Uma pena que você ainda não possa me entender, mas, se quiser eu lhe explico um dia desses.
E a vida – como sempre – continua.

domingo, 2 de março de 2014

Entrevista para o Zine "Segredos Do Cosmo".

(N. Do E.: Esta entrevista foi dada ao meu amigo Ali, falecido em junho do ano passado, ele mantinha o Zine "Segredos Do Cosmo" que tinha uma distribuição bimestral e tive a honra de aparecer neste zine umas quatro, cinco vezes. A entrevista é mediana, por isso vou postar na versão integral). 

Delírios; Corinthians e Música: Uma prosa com Marcus Queiroz.
Hoje é um daqueles dias frios de Abril, que anunciam a chegada do "inverno/outono", com isso, é uma época favorável para este autor entrevistar um amigo e um ótimo escritor: Marcus Queiroz. O encontrei no local de sempre, aonde nós carinhosamente apelidamos de "Sinal 30", e tomando uma coca-cola gelada com um misto quente, cervejas e licor de menta, demos uma volta, e tive a (des)graça de ouvir seus pensamentos mais torposos e simplórios enquanto ele arrumava sempre sua camisa do Corinthians de 1979 (minha preferida. disse ele cheio de orgulho). De 3 horas de entrevista, consegui fazer meu melhor...Spots na cara dele, agora!
Ficha do escritor.
Nome:
Marcus Queiroz.
Apelido: Ox, Santana, Cabeleira, Icy Ox, Naruê, Guitarrero, Do Who, Suede, John Spedt...Há tantos codinomes!
Bandas: Dvco, Vahalla & Van Goghs; Bola De Canhão; Icy Ox e a Banda do Centeio, Echoes.
Gosta: Cerveja, Coca cola com rum e limão, Corinthians, mulheres negras, morenas, mestiças, índias, asiáticas, dias frios, pastel de queijo, biscoitos de forno e discos de vinil.
Odeia: Mulheres loiras, sapato sem graxa, gente que tem medo do escuro, evangélicos extremistas, carros barulhentos, e gente que pede coisas emprestado e não devolve.
Religião: Nenhuma definida. Frequentador assíduo de todas.
Livro favorito: Papillon (Henri Charriére - 1973).
Bebida favorita: Cerveja com menta.
Blog: Escritos e Contra Crônicas.
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Bom, podemos começar?
-Sim, sempre pronto.
Você nasceu...?
-No 27/03/92 sobre o decanato da primeira semana de Áries. Em Itaquera, de onde nunca saí, só para morar uns tempos em outros lugares. (Itanhaém, Minas e RS).
Certo. E o que mais se lembra da tua infância?
-Muita coisa. Minha paixão por música começou com Marvin Gaye, Isley Brothers, Jorge Ben na vitrola, meus pais dançando ouvindo tudo isso. Foi uma coisa linda, extasiante. Beatles e Legião Urbana nas finadas fitas cassete...Faz é tempo (risos)
Então, sua paixão pelos discos começou daí?
-Sim, eu lembro que ganhei muitos discos da minha madrinha (que guardo até hoje), e a capa do "Tábua De Esmeralda" do Jorge Ben, e o "Dark Side Of The Moon" do Pink Floyd me cativaram de imediato, daí pra frente, só piorou (risos), The Doors, Led, Stones, Association, Kinks, Who, Caetano, Roberto, Gil, Erasmo, Golden Boys, Smiths, Ira!, e afins. Esse foi o começo de tudo, depois, fui expandido o leque, até chegar em Fela Kuti, John Coltrane, Mac Rybell, etc. Muito da minha criação musical se deve aos meus pais, ao Bill da galeria, ao Victtor Possenti (baixista da Dvco) e ao épico André Mod! Mas, a base de tudo foi minha família.
Reza a lenda de que você é o único branco da sua família, confere?
-É, por parte de mãe tem eu e mais duas. Eu, minha avó (mãe de mãe) e mais uma prima minha. Mas, até essa minha prima tem cabelo "duro". Só eu que saí errado.
E que você namora só de morenas pra cima por causa desse fator, confere?
-Não sei se sim, ou se não, mas, um cara que passou a ouvir Jorge Ben cantando "Que Nega É Essa?" e vendo sempre negras lindas, e conhecendo e conversando, e até perdendo a virgindade com uma dessas, não vai gostar de loiras ou brancas tão cedo (risos).
Então, odeia loiras?
-Não odeio, mas, minha 1ª namorada (ah, essas primeiras *risos*) sempre acabam com nossa vida, né? Então, peguei meio um "trauma" de loiras, até escrevi uma música, que todo mundo que ouve gosta, ou muito comercial, ou muito linda...Balada da Cássia. A Dvco já gravou duas vezes, em estúdio e em acústico.
...E é verdade que a "Balada da Cássia" era carro chefe da Dvco?
-Se era, esqueceram de me contar. Tinhamos um arsenal de música muito bom, acredito. "Diga-me" escrita pelo Leão (Baterista), "Aos 16" que escrevi com o Possenti (Baixista) e "Nada Mais", a da "Cássia", "Mar e Areia", e muitas outras...Mas, "Balada Da Cássia" era conhecida porque se enquadra no fator de que é uma discussão: Todo mundo já teve uma dessas, sabe? a "Balada..." na verdade não é só pra ela.
Mais gente é "homenageada"?
-Sem dúvidas, algumas namoradas, meninas que fiquei, e etc.
Nisto enquadra-se a famosa e polêmica "Morena"?
-Ahm (silêncio), sim, enquadra. Ela foi um capítulo a parte da minha vida, as vezes dói até hoje, mas, ainda bem que tem gente melhor que ela por aí, e que tem mais coração, né? (risos, gritando), Boréu! Desce uma Original, pode ser?
Certo, e a Dvco é a sua melhor lembrança, então?
-Em termos de banda, sim. Ela e a Echoes.
E os projetos de música atuais?
-Não se tem, apenas algumas composições avulsas, mas, nada demais. Vamos ver o que Deus reserva e guarda pra mim.
Certo, então, Deus existe?
-Para mim sim, agora, depende para os outros, mal sei. Eu passei por muitos lugares, fiz muitos amigos, e conheci vários tipos de Deus, e seus Deuses e Santos. mas, toda essa divindade, toda essa coisa é muito linda, muito sacra, e até hoje fico na dúvida de qual me enquadro mais.
Então, não tem uma religião definida?
-Não, ainda preciso achar "o" lugar. Acho que o ser humano tem isso, né? Esse mal de querer melhorar e achar o "lugar ideal". vai entender, né?
E planos pro futuro? Fiquei sabendo de um livro logo mais...
- Ah (risos), vocês são brasa, hein? Esse zine só me pega no aperreio. Bem, o livro não vai ser mais lançado, três editoras recusaram, e ele foi rasgado e queimado. Planos pro futuro é terminar essa faculdade, achar uma banda boa, ter uma namorada, e começar a arranjar um lugar para mim. Não necessariamente nesta ordem (risos), mas, acho que é só isso, por enquanto, e o blog, bem, ainda o mantenho, cada dia escrevendo sobre algo diferente e inovador...Para mim.
Mas, o livro era bom,ao menos? Do que se tratava?
Bem, ao meu ver era. Julgo ser minha obra-prima, ainda tem uns capítulos dele que estão perdidos no "Escritos..." mas, não digo quais são. Só tenho a dizer que era um ótimo livro, duas pessoas leram ele, e amaram, e uma até chorou no final. Eu enviei por e-mail, e até em cópia física para três editoras, mas, não obtive sucesso. Numa raiva, destruí.
Um pouco bruto isso, mas, você se lembra de algo sobre o livro? Faz tempo esse episódio?
-Faz uns meses, foi ano passado, entre Agosto, Setembro...Sei que foi, mas, achei melhor assim, e até agora não bateu o arrependimento, e eu não lembro de tudo, mas, uma grande parte eu lembro. Era maravilhoso demais para ser esquecido.
Bom, desejo sorte nos próximos escritos, acho que terminamos por aqui. Uma ótima entrevista, e um ótimo escritor. Algo para o Segredos?
-Mantenham o pendão da leitura de várzea/submundo vivo sempre, é um trabalho muito lindo. Obrigado por poder fazer parte, e sempre que posso divulgo o trabalho de vocês, assim como fazem comigo. Muitas vibrações caninas positivas para todos do zine!
..."Caninas"?
-Sim, segundo muitas pessoas, eu sou um cachorro (risos).
Depois dessa, a tacada final: Algum recado para alguém?- Não pague táxis, continue na sarjeta. (risos, segue um grito) Boréu! Desce uma original e uma dose de menta.E manda mais um misto. Mentira, vá. Quero agradecer a chance de poder falar um pouco de mim aqui, e ser eleito o "escritor maldito" do mês. Obrigado a todos os acessos, e prometo fazer textos mais limpos, coerentes e não tanto românticos. De resto, é isso. Keep The Faith, brothers and sistas!
Ok, terminamos aqui. Obrigado, Marcus!
-Agradeço eu, obrigado vocês do Segredos Do Cosmo!