Antes que eu vá, digo que eu esperei por você.
Esperei pelos seus abraços de sêm-fim, e seus beijos amenos - ora na minha testa, ora na minha bochecha, mas quase sempre na bôca. Esperei idem pelos seus carinhos macios nas minhas costas, como por quantas vezes escrevi deles, assim como agora escrevo me despedindo de vós. Esperei pelo seu sorriso de chegada e por sua têz entristecida de partida, das faxinas, limpezas, arrumações, cariños e filmes regados a viños e pipoca com ajinomoto - das pizzas, churrascadas, e cuidança. Nas festas de amigos, ficaríamos orbitando no universo deles a beber, a rir, a cantar, a se abraçar e fazendo piadas, pois teríamos o tino do humor nêgro, da baixaria, mas ainda sim arriscaríamos tudo em uma tentativa de arrancar o riso um do outro...
Dos dias frios, cobertas no sofá, de você fazer um cachimbo para mim - afinal, conheceria a medida do tabaco e como gosto -, tanto como de que quando me mantenho só, olhando para o universo para encontrar ou a mim, ou a Deus, que você se atentando ao meu lado não dissesse nada. E apenas colocando sua mão em volta de meu braço, ou me abraçando, tampouco na mais ríducula das hipóteses, como naquele Céu estrelado que uma vêz vi na Serra de Santa Helena, e seria lá tu que deitaria um mantel sobre mim. De passar no mercado e perguntar o que você quer, o que você precisa, o que falta, o que quer comer. Dos dias de calôr, teria a praia, o clube, o veraneio, te ver dourar a pele, beber uma cerveja contigo, e sentir que o Sol nos aquece, e ao deitar contigo, seu calôr não me incomodar, e sentir alegria em queimar-me em ti.
Do seu carinho em minha cabeça, dos olhares, das piadas infames de casal, de ter a minha parceira a bandeirar pela cidade comigo, de não me preocupar se me fedo a fumo ou suor, porque estaria lá seu abraço como pôrto-seguro de tôdas as agruras que fêz esse mundo em mim. Seria lá, teu olhar e ter teu coração cousa mais bela e própria do que ter e obter Deus em si. Seria, por mais franca verdade retilínea um trabalho de vida. Ter-te num arrebato de abraço, para enfim descansar de forma concreta, precisa, e assim poder dormir finalmente em teu colo, ou em teu busto, ouvindo teu pulsante coração descansando perto do meu.
Seria, afinal, o que dizem êles em ser feliz.
E as noites sem final de violões, bandolins, e cantorias, para mais uma vez ouvir seu canto de rouxinol clarear a noite toda...
Esperei cuidar de você. De te dar cafunés, contar as coisas que sei, falar de dias de batalhas e glórias passadas; e de planos futuros que ninguém nunca há de saber, e de quando ir trabalhar, sentir sua mão tão macia me segurar pedindo um beijo de despedida, e que seus olhos acastanhados, translúcidos com um brilho tão incógnito fôssem então para mim motivo para que eu pudesse continuar adiantar, e lhe trouxesse a alegria e o cansaço de um labor, enquanto abriríamos uma garrafa e descansaríamos de toda a vida que morreria fora de nossa casa. Te encontrar no metrô seria como ir numa fila ao tomar a eucaristhia, de importância, reverência, temência, amôr e respêito. Te celebraria como o gôl de desempate, e do primeiro gole de Antarctica gelada. Seria lá tu a fôrça de minha fraqueza, e eu seria o teu baluarte para que passasses incólume.
A verdade é: cuidaria de você melhor do que eu algum dia pensei cuidar de mim.
O lado de dentro da calçada, o braço na cintura, o beijo inesperado, o vento que invade sua saia, as ondas violentas, o emboque do mar, as alegrias vindouras, a alegria de sermos mais de dois... esperei ansiosamente por isso, e Deus sabe como.
Te encontrar, em qualquer lugar, em qualquer circunstâncea, de qualquer maneira, seria pra mim a cousa mais bela que existe. E só de sorrir para mim, saberia afinal o que seria isso que êles chamam de "ser amado". E eu saberia - de alguma maneira muito inóqua, muito estranha, muito bizarra, muito bela, muito chamativa, muito desesperada, muito involuntária, muito emocional, muito devota, muito minha, saberia que você também me amaria.
...e antes que eu vá agora, apenas saiba que te amei. E eles não vão te amar como eu amo você. Eu te amei pelo conjunto da obra e solidificação, eles te amam pelo que tens. E isso me difere em grã situação deles.
E isso me diferencia de uma maneira que você nunca vai saber, porque talvez você nem saiba de mim. Sou só um escriba.
Epitáfio do Marcus Queiroz. Apoia esse blog, faz um pix pra nózes: marcusvini15@hotmail.com
sexta-feira, 30 de junho de 2023
Just A Song Before I Go.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023
Dedicada a Ela.
E modéstia a parte; eu sou do Largo. E eu gosto de escrever. E eu só escrevo coisas que me pesam a pena.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2022
MMXXII
Mas gente do Céu, que aninho treta...
Este ano de fato foi o ano onde mais a porca franciscana torceu o rabo. Ao meu parecer, vi que esse ano não foi revelador, mas sim temerário, de grã vileza e de fôrça rude. Esse ano mostrou tanta coisa que, vemos face a face.
(DISCLAIMER: Não venha até aqui com seus olhos positivistas tentar ler o que escrevo com alguma "aura" linkediniana. Aqui é mato - raw franciscan way of life, and such a well respected workin' class mate - e pretendo continuar assim por mais um tanto. Me vale a alegria de ser o que vivo e professo do quê viver uma ilusão ou flertar com estilo de vida incompatível, ou também como dizemos no populesco: "arrotamos caviar comendo mortadela.")
A vida nos ensina a ser francos, ter noção de justiça, re-considerarmos, e termos o entendimento que nem toda teoria é certa, e todo livro também possui seu inutilismo. Tenho receio daqueles que se escondem atrás de livros, alpendres, pórticos e arietes, e no alto de sua douta vida e grã sabedoria não descem para a arena para viver com gosto e agarrando sua própria alma com fôrça e altivez. Ah, que pena. Pena que seus livros te ensinem tanto sobre amor, e não ame; te doutrinam sobre misericórdia, e não faça; te fale sobre ter sensatez, e você tem falácias descontinuadas.
É mais fácil ser superior, né? Mas mais difícil é 'guentar o tranco da vida com todas as suas porradas e imperfeições e ter a cabeça tranquila no travesseiro que fez tudo o que podia, sem hesitar, sem pensar, sem murmurar e sem se conter por quaisquer barreiras que te façam humano e vivo/atento a todos os sinais de vida que o Criador te imputa ao redor de tua carne - fez com desespero e alegria aquilo que se prega em um evangelho vivo e imutável.
Seus diplomas serão papéis amarelados, sua ciência pode e será refutada, e seus momentos de "bom-vivant" serão mal-ditos pela suas costas. Te restará apenas o (parco) bem que você faz de coração aberto; você tão em pressa de viver esqueceu principalmente de viver. Que bandeira...
Esse ano foi o ano que escrevi meu livro e o publiquei. Se der certo, a primeira meta do ano que vem é fazer uma tarde de autógrafos num lugar que gosto muito. Oro a Padre Deus que dê certo. Espero os rostos e as auras que tanto me fizeram bem esse ano para celebrar no ano que vem este momento tão belo em minha vida.
Ah! E me mudei. Agora o garôto da zona leste tá no Centro da Cidade!
Tenho medo da riqueza material e o que ela faz com a cabeça das pessôas; e dos que vi, meu coração até hoje dói por eles terem tão fascínoramente "virado a cabeça", tenho ojeriza das famílias de "comercial de margarina", tenho surtos coléricos ao ver pessôas tão felizes que batem palma pro Sol - a alegria de viver reina e se estabelece em meu pêito, e se a engrandeço de maneira exacerbada, me torno inimigo daquilo que carrego em meu ser; Deus que se manifesta no silêncio e vem em meu auxílio nas horas mais tristes aonde ninguém segurou minha lágrima ou me fez ombro amigo.
Houveram dias que houve silêncio. E quando apertava, rezava. E quando a reza não dava, chorava. E quando a lágrima secava, recorria como um desesperado aos pés da Cruz. E inexplicavelmente tudo dava um pouquinho certo - certo o suficiente para que eu ainda sentisse vida em mim, e no meu coração.
Este ano perdi amigos, referências musicais, perdi família, perdi o amor, quase me perdi, trabalhei em lugares e profissões que nunca achei que faria, e mesmo longe eu estive perto - fui agraciado e reconhecido pelos trampos que fiz e pela força que exerci. E aonde fui, levei meu velho crucifixo de bolso com um Santo Antônio, e repetindo a fórmula que minha avó rezava, dizia ao me sentar na mesa: "Alto! O Sagrado Coração está comigo!". E quiçá por Deus, ou pelo meu merecimento, hoje estou num cargo bom, numa empresa boa, num lugar bom, com uma vida que ainda bagunçada, mas bem.
Esse ano foi um porre. E a garantia é não saber o que vem no ano que vem. A garantia é mais trabalho, mais cervejas, mais exames, mais leituras, mais sons, e mais silêncio; se retirar e aprender a morrer é uma questão de ordem.
Feliz ano nôvo, tilápios. Paz e Bem!
segunda-feira, 14 de novembro de 2022
Time To Hide.
"E aí, Pedro, seu glad bird?"
Quando olhei assustado com essa saudação, vi a épica Irmã Eunice descer das escadas do Carmo Velho com algumas freirinhas. Eunice é uma das pessoas que mais senti falta quando saí da minha vida no convento. Ela tinha olhos tímidos, cálidos e cantava como um rouxinol; mas hoje parece ter mais vida e seus olhos pratejavam como se pegasse fogo. Ao subir a Martiniano de Carvalho, passando pela Casa do Carmo Velho indo ao festejo dos amigos, a encontrei saindo dos beiras da Casa Santa - a qual me interpelou com a frase e nome antigo. Ainda com o mesmo hábito de sempre, o véu puído tampando seus cabelos, e pelo visto trocou o violão por uma flauta que dava pra ver guardado em seu bornal. Conversamos brevemente, e subi para o folguedo, prometendo nos ver tão muito e tão logo. E ao sair da Igreja, lembrei de uma mulher que me falou do lado Carmelitano da força.
Chegado eu pois no edifício, senti de fato um frio em minha espinha e dores nos músculos e nos brônquios, como que de fato me houvesse saído de mim. Respirei. Vi rostos conhecidos, estimados, mas no dado ponto a dor me valeu tanto que não pude ver nada ou sentir nada além da lata de cerveja na minha mão. Respira, inspira. Deixe entrar, deixe sair. Respira. Essas dores me seguem desde quarta passada.
(Penso pois muito nas obras feitas das mãos, e num valor que se dá quando dedicamos o tempo, espaço e energia a cada uma dessas coisas - e se a intenção da qual ofertamos a quem damos é realmente intencionada. Apesar de hesitante, ainda sou o labrador humano que tem o coração ardente por um evangelho à moda franciscana, com pitadas de patrística; tiro de mim para os outros, dou o que é meu para quem amo, e reparto do pouco que tenho porque sei que na hora devida Deus me dará o que é por direito de meu aceitar e viver. Se, pois, to escrevo cartas, te dou a melhor parte de mim, pois é a dita letra. Se, então, to entalho ou trabalho por vós na madeira, é para ter algo que demonstre meu afeto e apego por você, e se, logo, dou-te algo meu, é porque te dou minha vida e te significo na minha vida.)
Após tonturas e leves enjôos, respirei e segui, como sempre. E após um leve bem-estar, vi teu rosto aparecer pela porta. Me emudeceu a voz depois de tanto tempo olhar para você, e além do emudecer, me turvou a vista e disparou o coração, me deixou sem graça. Ainda mexe. Vi o sorriso sem-jeito, os brincos, e as unhas claras, e a joaninha na perna. Leve disparo no coração; ansiosidade, paixão, passando mal ou princípio de infarto? Talvez tudo.
Fuma um cachimbo, ri, faz besteira, fala da vida, faz piada e vê as coisas acontecendo e sendo como são - vida se transformando, família, risos, festas, incenso e azul. Olha o Céu, vê que Céu lindo Deus pintou pros meus amigos, foi esse o dia que o Senhor preparou, e apesar das dores, alegrei e me exultei n'Ele.
Quão desprevenido, na hora de tomar uma água, veio quem me dispara o peito até mim. Uma conversa rápida. Um diálogo civilizado. Seu perfume me faz lembrar tanta coisa, fecho os olhos e evito contato visual. A água no copo acaba. Sua voz ainda me soa como um Angelvs.
Dói um pouco mais, respira. Dói um pouco mais, respira um pouco mais. Só tomo dois remédios se estiver em casa. A noite desponta, sinto as carnes vibrarem, melhor ir pra casa.
Deito, descanso. A janela aberta mostra uma noite épica, e consigo notar as estrelas fazendo cena no mesmo Céu ainda. Um vento gostoso entra ventilando na casa, e carinhando minhas costas, na vitrola tocando Asinhas Over America, e lembrei de tudo até aqui. E a dor me consumiu de tal forma, que de cansaço ou exaurido, dormi.
E algo em mim continua igual. Imutável como Deus.
sexta-feira, 4 de novembro de 2022
Sem Título #66
Não quero, na verdade, falar nada ou ter a ver com nada.
Quero o silêncio de toda uma vida, para que na desordem da eternidade possa eu descansar - e no amontoado de palavras, desorientado dando uma pausa na leitura - possa eu ver e entender o que está rolando no movimento dos barcos. E quero ver aquilo que abrilhanta meus olhos - vinde ó ditosa, alegra tu o que em mim não cabe.
Reina em mim, como os raios que interceptam a janela apesar de toda a escuridão que acerta o circundar de minha cama.
Quando, pois, entristecido ou reflexivo, deve-se pois tomar do café e andar, até sua mente cansar da vista colorida e distorcida, e assim voltar para casa para dormir mais um pouco.
Desci as ruas, enquanto a fumaça do meu cachimbo incelensava cada pedaço da calçada, e eu, deixando a cidade fazer sua sinfonia sobre mim, permiti viver um segundo. E antes que fosse tarde, ou antes que fosse cedo, encerrei os braços nos bolsos e sorri para a leve brisa que bagunçava o cabelo e desajeitava a barba me senti útil ou vivo de forma, como se fosse isso o que buscasse ou amasse a vida toda. E ao eiar os olhos para o andar alto do prédio, pude jurar por instantes ter visto você; não que fosse coisa alguma importante, mas um leve disparo em meu peito se deu.
Fechei os olhos.
Suspirei e me reneguei.
E triste, segui.
"Vivemos dias de rebelião".
quarta-feira, 26 de outubro de 2022
Una Vuelta Más.
Queria falar do Céu, e da têz da noite que envolve. E, dizendo assim do Céu, da noite, do vento e dos uivos, queria era falar de mim, de você, de nós. Queria falar de mais uma volta, um compasso que desce e sobe no contratempo desse segundo chamado vida - e mais do que falar de mais uma volta, queria ter a sapiência de realmente saber de mim, e das coisas que se passam em meu coração.
Crônica de ordem social - essa é a minha forma de letra; mas atualmente elas todas parecem recortes de jornal que contam coisas que vi, vivi e senti. Um caderno de viagem que evoca pessoas, dias, glórias, saudades, e decisões que pesam na alma. De todos os cânceres, a saudade é a maior e mais desleal metástase.
Queria viajar uma última vez, descer até a praia e molhar os pés cansados na água salgada. Comer um camarão na praia tomando cerveja ouvindo Evinha, e com uma (tua) companhia do lado - um sorriso para casar com o sorriso, um corpo para dividir a cama, uma mão que alcança a mão. Queria talvez passar as serranias e ir para as interiorâneas, cidadelas pequenas, distintas, de café moído na hora e aonde pudéssemos entrar naquelas igrejas clássicas e centenárias, com uma praça na frente, e o Sol ornaria em teu vestido, e teu riso seria uma verdade a ser prenunciada a quem lhe visse. Gostaria das noites de vinhos e rosas com minha jaqueta em seus ombros após o jantar, teu braço dado ao meu enquanto a noite faz força para danar as luzes elétricas que incandeiam teu sorriso - e para me ajudar a andar, dos corações que derramados depois de um rango e caminhar, se incubem de se cuidar e se amar, e que talvez fosse essa a minha viagem favorita - a amiga, a moça, a mulher, a amante, a rainha, a irmã, a musa, a juíza, a conselheira, a amada; a você.
Fecho os olhos, e a minha mente traiçoeira desenha tua silhueta na minha escuridão. Abro os olhos e perco o sonho que estava tão perto de mim do qual senti até o perfume; como disse o escriba naquela música tão bem-elaborada para a musa: "Foi tão triste o dia em que eu vi você ir embora". E de fato, ainda o é. E ainda q'o eia os olhos, a perspectiva não é e nem se torna tão boa - é só mais uma música, mística forma, aonde se dança o corpo para frente e para trás, e que os dedos entrelaçam com a madeira e as cordas, que solfejam um arfejar com a lágrima que cai na madeira ressonante.
É noite. É dia. É tempo todo tempo.
Dá a mão e vem comigo, mulher. Dá mais uma volta comigo antes que eu durma, antes que a cidade acorde. Segura meus olhos no seu corpo, e amplifica minha surdez com tua voz. Deixa ao menos nessa última corrida llèguera eu descansar meu corpo tão cansado e demasiado por essa peleja no teu rincão, e que no silêncio de minha voz, meus olhos ao te fitarem, denunciem tudo o que tenho passado e planejado. Me entrega um sorriso no teu Céu, e afaga com tuas mãos minha barba, e olhando-me, encontre-me. E achando-me, eternize-me; dá certeza e razão. E eleva.
E de fato, que sua alegria seja a minha, e que o mundo em que eu vivo e habito seja aquele em que você está. Tem um local vago no ônibus em que estou. É só chegar.
segunda-feira, 24 de outubro de 2022
Disco Eterno.
Achei uma foto tua na minha carteira.
Enquanto eu olhava os documentos geraes, achei uma 3x4 tua. Vi seus olhos, sua boca, e seu cabelo. Foi inevitável sentir um tipo de arrepio pela espinha, e mais ainda foi difícil sentir algo que fugia a realidade terrena de um momento. Um momento incrível, clichê do clichê.
Que que se há de fazer, afinal? Apenas suspirei e ri por um momento, e me amarguei. Lembrei do Bôm Tempo.
Assusto-me (de fato) com a distância e paradoxalmente a presença, e estando tão longe me encontro aqui, agindo então entre o silêncio e o oculto da mão, abro os dedos então para tocar um canto novo nas cordas de meu violão; e os pássaros, pousando no beiral da minha janela, cantam comigo um solfejo e brincam com as migalhinhas que deixei para eles se fartarem; faço então o mirar pela janela enquanto dedilho uma nota menor, e dou uma risada enquanto o bemol das cordas me seduz. A vida, enfim, se faz presente em cada recôncavo; e olhando para mim, ainda eu com o oldre vazio - e com uma pequena dor - deixo o meridiano para depois para enfim (fingir) sorrir. Entre nossas vidas, cruzam-se linhas, algumas se acertam, e outras se delimitam. Umas se tangem, outras são paralelas.
A vida torna se oca, vazia, ainda com tonturas, ainda com tristeza, mas ainda sim é a vida. Sigo, mas não sigo por mim. Sigo pelos meus, e aos que amo e estimo como se fossem meus; ainda que por pouco tempo. Por mim, não seguiria e ouso no tanger não querer mais, e de fato, mantenho-me pelos peixes, pelos olhos, mãos, Cecília, flores, incenso e azuis. E qualquer coisa além do que eu digito aqui é mentira; assim como a saudade que sinto aqui expressada é a pura verdade. O prazer que tenho em viver é vão e inútil, pois quando perde-se uma parte grã e vital do querer, não se pode ser reposto ou transposto em outro qualquer. E quando se perde a esperança, desmorona-se. E por isso decidi parar de me tratar ou cuidar. Quero deixar de ver o Sol nascer, pois apesar dos motivos de ir, me cabem mais os motivos de ficar.
Quero aquela velha praia nublada, a chuva, os trovões, e os gritos no saveiros ornados com porres homéricos de coca-cola com rum montilla. Quero a lira, a pena, a glosa e o pendão. Quero, finalmente, deixar as lindas garôtas ouvirem, e deixar os Céus turvarem. Espero a vida depois da vida como quem aguarda com esperança a batida de maracujá antes da feijoada dos heróis.
Dada a mão aberta contra a brisa suave do tempo, no estio das passagens do ar corrente entre os dedos, seguro o tempo e a razão, e o peito, não - deságuo como herói, já sei ser verdadeiro como o que Habita em meu peito ensinou - e não troco ou denuncio aquilo que meu peito guarda em Glória e Excelsa verdade, pois antes de mim O era, e antes de O ser, Se fez. E aos que se dizem reis, a estes cabem a terra temporã, pois quem carrega um Verdadeiro tesouro, divide; e estes, tão donos da verdade e de razões, se perdem. Graças a Deus, eu vou morrer, e eles, infelizmente vão morrer.
Se realizo minha sorte, faço de mim casa e estrela. E estando em mim, permaneço de copo e cruz. Abro os braços em riste, enquão funde-se em mim as chagas e os bálsamos e a vida. Abro os braços em forma de rendição e deixo o Sol queimar a pele alva que me faz casca, e quando vejo os primeiros goteijos da chuva, me sinto vivo, ou talvez safo - principalmente esguio. Lírios na mão, estrêlas no Céu, e descalço, vejo a imensidão de uma cidade que desce e sobe aos olhos pela sua imensidão.
E chove pela madrugada. A dor não me deixa dormir.
quinta-feira, 13 de outubro de 2022
Sem Título #59.
Algumas vezes,
me pego pensando,
no oculto de meu coração,
sobre minha ferida oculta;
Translúcida e perene,
jorra sem pedir licença.
No solitário andar,
cabe a mim apenas sentir,
e guardar num baú meu,
todas as belas coisas do mundo;
Do teu sorriso e teus olhos,
sentir talvez um tanto de alegria.
E os olhos meus que tangem,
não encontram vista alguma,
tampouco perspectiva,
ou alguma satisfação relevante;
Remo em alguma maneira,
de vã filosofia de manter o movimento dos barcos.
Outro dia numa rua dessas,
após uma garrafa de vinho infiel,
olhei a Lua e as estrelas,
lembrei de um bom tempo;
Um sorriso e um abraço com mãos dadas,
que descompassou até a batida de meu coração.
Dentro de mim,
tenho os sinos e ressonos,
guardado a voz altiva,
resto a mente em oração;
Ademais tendo a fé,
sorrio e guardo em mim uma esperança.
Fraca. Claudicante. A nível de morte. Passível de um atentado terrorista.
E de esperança,
crio a vida,
invento ânimo,
ressignifico a alegria;
Transmuto tudo o que há de triste,
para (te) escrever (em) coisas belas.
Assim, ao menos, amenizo a tua falta.
segunda-feira, 26 de setembro de 2022
Sunday Morning.
Rindo e conversando da vida.
Curando as feridas um do outro.
Acabamos de comemorar a morte de um desafeto nosso.
Eu o tangi. Feri de faca como há muito não o fazia, e desaguei naquele momento enquanto o punhal maldito descia entre a pele e jorrobatava sangue marrom, de raiva toda a minha agressividade e cólera soterrados por anos de cristianismo e bons pensamentos eu desapeguei para apenas ali fazer a justiça que não esperei do Céu, e tampouco a dos homens.
Quando, já em ponta de morte o desafeto ganiu, meu irmão puxou o gatilho com os olhos em riste e bradando de raiva. Os capangas dele deram um jeito no corpo, parece. E isso o ensinaria a não mexer mais com um casal que desce a rua para se divertir e tampouco balear a esposa grávida, roubar o dinheiro de alguém e quase aleijar alguém que não tem a ver.
Ríamos, brincavamos, como se aquilo fosse quotidiano em nossas vidas - e talvez, num passado distante o fora. O meu irmão, assim como eu e a gama de nossos amigos, vem de uma raíz nordestina, aonde ainda mantemos a situação a se resolver no brilho da faca - não que isso explique, mas denuncia muito a nossa conta.
Não tinhamos pais, e nossa formação era das brigas de rua, das missas, e das idas em estádios e tomar cerveja num bar que vendia escondido para nós. Eu, na verdade, me enveredei pelos caminhos de Padre Deus e me inseri no contexto apostólico e diplômatè. Meu irmão, pegou em armas verdadeiras e se sujou com hasseldamas, mas de contrapartida ergueu capelários, doou dinheiro, cuidava das crianças e viúvas e os que em dolosa aflição estavam, foi mecenas da providência divina. Eu, vivi. Ele, também.
Na mesa, cerceados por cervejas e pizzas, nós falávamos de Alvares de Azevedo, da existência de Deus, do princípio da minha - por supuesta - cura, dos heróis de nossa juventude, e de nossos demônios taciturnos, que arrodeiam nossa cama, daqueles que nos abrem os olhos quando queremos fechar.
Ele, em respeito a mim, não há de guiar e pretorar os passos da amada a quem um dia lhe pedi para que sentinelasse para que eu não me sujasse. Eu, em respeito a ele, pedi uma última alegria.
Tangemos aquele que nos fizera mal, e deixando-o na tendinha, seguimos como fazíamos na época em que éramos deuses: nos lavamos, olhamos um pro outro, nos abraçamos, e fomos descarregar o acontecido em cervejas para esquecer. Pusemo-nos um no lugar do outro: Fui assediado enquão acompanhado pela amada e doente, ele, ferido e pobre, com sua esposa ferida e sem o fruto no ventre dela. Isso nos impulsionou ao último ato transgressor - mas ainda lemos Agostinho, rimos e sabemos falar da somatória do medo, somos os mesmos, apesar de evoluídos(?).
E apesar de tudo, somos humanos. Relicáriamente humanos. E eu acordei.
segunda-feira, 5 de setembro de 2022
Time Moves Slow.
Estou aqui no hospital. Não imaginava que drenos no pulmão fossem incomodos. Já são três dias.
Depois de três dias a dimensão de tempo é tão difusa, tão surreal, que chega a incomodar.Estou vivo ainda, por graça de Deus ou por alegria, talvez. Estou vivo, principalmente, pela esperança. As que imputam em mim e nas que eu gentilmente ponho no meu coração, ornando-as com a beleza de Deus.
Gostaria de beijo e abraço específico. Da voz e da tenaz palavra. Isso me acalmaria senão, atordoaria benéficamente. E neste frio, tremo as pernas com os cobertores postos, e sorrio. Apesar de toda essa lama, toda essa tristeza, ainda sinto e tenho um pedaço de Deus em mim. E isso também é esperança.
De esperança em esperança foi como vivi, pois assim pude deixar a providência divina e as obras da caridade nunca falharem dentro de sua matemática celeste.
Nunca senti que vivi pouco, pelo contrário: vivi o tanto que me coube, e tendo isso em mente não me regojizo ou me vitimizo: vivi o tanto que pude e que Deus deixou eu viver dentro de Sua tutela. Deus, além de Deus foi meu melhor amigo, pai, irmão, advogado e pretor.
Essa imunidade baixa e os dias frios me nocautearam. Alguns dizem que irei sobreviver e que rezam por isso. Mas, docilmente ponho nas mãos do Divino o querer (não só disso, mas de tudo que abrange minha mente agora). Caso viva, bendigo Meu Senhor. Caso morro, bendigo a Vida. Faço parte de toda uma sistemática que sinto entorno a alegria e a tristeza, e assim sigo. Na minha janela, não pousaram passarinhos, e isso me entristece, mas a nutricionista me deu gelatina de limão, e isso me alegra.
Achar a alegria em tudo, e agradecer a Deus por tudo, por todos a todo o tempo, esse foi o conselho que Frei Francisco me ensinou.
Tento, apesar de tanta dificuldade pesarosa e dificultosa, ver Deus em tudo, e mais dificultoso ainda, agradecer pela Sua ditosa vontade. E neste estreito espaço de navio, oro. Acho que nem nos meus tempos mais espiritualizados eu rezei tanto. Este frio me trava os dentes, mas me liberta a alma. E se eu voar, eu posso ir te visitar? Sentar na beira da tua cama, cantar tua música, e te fazer sorrir? Como um passarinho marrom?
Mais uma noite. Mais uma noite. Menos uma noite. E o Sol desce no cinza e arqueija a noite densa e enevoada. Sorrio. É das noites que gosto, mas como um mercúrio, me envenena em doses lenta. O que amo me mata. Sorrio. Se me sobra, sobra tu, letra ditosa da pena. Inclina-te em minha ordem, pois ainda em claudicância eis que mando o teu ditar: escreve, escriba; se não como testemunho, como ao menos um alpendre de verdade para quem ler como memorial. Se me cabe escudo, agora liberto-te, a adaga oculta que guardei para a noite memorável quando me amavas: Diz-me, Deus - a qual roga os miseráveis, quão longo e dulce suplício é esse que me embute, se nunca pedi ou desejei galardão de santo?É pela minha relutância, tal qual Cupertino, que me fazes assim? Sou filho da porta estreita, e por ela passei n vezes sem murmurar, mas, quando me põe no sopé da morte e vejo eles tão distantes, sinto-Te mais ainda. Não te abstém, força minha, Corre Tu em meu socorro e salva-me nas excelsas glórias, pois da porta santa abri para chamar Teu nome.
És o Deus de Dona Antônia, o Deus que ela há tanto e muito rezou e que nunca foi confundida. É a Você que clamo nesta hora de minha solidão e amargor.
Eu acho, que eles chamam de milagre. Eu chamo de vida. Eu chamo de viver.
Ora pelos meus, e salva a minha (ela) do laço do passarinhedo, e quão a minha vontade, que seja inferior ao Teu querer. Por isso lhe invoco, glorioso Jesus Cristo, Filho de Todo o Poder Criador que me amou primeiro, atira-se no precipício que me encontro e reclina teu Bom Ouvido para ouvir esta última prece: Deixa as lindas garôtas ouvirem e deixa os Céus turvarem. Encosta-Te em mim e abraça-me, para numa última vez, unido a Vós, possa sentir o amor o querer, e estando na mais alta dificuldade, sê Tu aqui meu animador, e dá me o riso. Alteia meus olhos, e reconecta-me ao que perdi para que encontre. Dá-me vida para que eu possa terminar a promessa que te fiz, e escondido dentro do Teu Sagrado Coração, não me vejam, sintam, ou possam agir de mau juízo de mim.
E estando eu contigo, que você me alivie cicatrizando todas essas chagas para que eu, estando junto a Ti, possa apenas me glorificar de Você ter me acolhido e restituído tudo aquilo que perdi - e vagarosamente - retorna ao oculto de minha mão, ou como nos diz o profeta: "retorna em mim o riso, e faz-me viver". Dando-me, tais poucas três cousas que lhe peço, rugirei como o Leão de Baoz para que não Maculem teu nome, e sei Teu Capistrano. Ergurei elogios e honras, e mandarei promulgar Teu Nome, pois nesta presente agonia e sufrágio me valeste.
E que eu só leve alegria a todos os corações, amen. E de paz em paz, roguemos ao Senhor.
Alto! O Sagrado Coração está comigo!
sábado, 27 de agosto de 2022
Carta a Mariana.
1 - Prefácio e Saudação;
Marcvs, escriba e reflexivo, para Mariana. Que o Deus Triuno de Boa Fé desça e acampe aonde vos fizer teu ninho!2 - Considerações gerais;
A despeito de nossa longa conversa de ontem, gostaria novamente de vos agradecer pela paciência, escuta, bons conselhos, risos e boas palavras - pois to sabes bem mais e melhor que eu que num mundo aonde nem todos tem tempo para todos e tampouco boas palavras para todos, cada boa palavra e atenção é sinal de cristianismo verdadeiro (conforme a ditosa que falávamos ontem)
3 - Preparação para a morte;
Vivi duas vidas em uma. Vivi, pois, bem. Como meus avós, meus pais, e quiçá meus rebentos. Pude conhecer todos os lugares que quis ir, bebi mais do que devia, ouvi a doce música em meus ouvidos e amei a mais bela dentre todas, a mulher. Então, caso me ocorra de susto ou de ida, a morte não me pega em arrependimento, pois vivi bem, e pude no clarão do dia sentir uma felicidade que não se cabe no peito. E se eu viver, oxalá possa eu conhecer novamente a Fonte primal de toda vida, e que nessa Vida, eu seja e eu esteja. E que como nos diz Zózimo: "O que nos for por direito, estará conosco pela primazia de Deus".
4 - Do serviço;
Sou escriba. Escrevo. E dano a escrever. Essa é minha missão, e de forma análoga, meu legado. E o teu, quando inspira e infla as pessoas a se cuidarem e terem bom juízo de si, é mais que belo, único e preciso, grã amiga. De fato, quando a Censora me mostrou suas íconas palavras a fato de alertar ao povo do mau comum e siilencioso, fiquei-me afã de vós, e de certo crédito tens em minha melhora (dijunto a Censora) e minha busca (mesmo que sinuosa) pela melhora. Te tens em máximo respeito pelos bons conselhos, boas palavras e boa índole. Quando nós descemos até uma pessoa e guiamos ela para um camunho bom, de fato temos em nós avivado um Espírito Paráclito de vida que não se cabe dizer de quã glória é. E vós, ditosa Mariana, é sacrário dessa Magna e Divina Beleza.
5 - Do pastoreio;
Se cá eu como escriba cuido de minhas ovelhas leitoras, lá tu cuida, amiga, de tuas ovelhas que perguntam sobre a saúde. Parafraseando Santa Clara, o barravento do Senhor (TM), digo-lhe: Nunca perca de vista o seu ponto de partida. Tem sempre bom propósito, e não se esquece da gênese - seja a familiar, a dos princípios, a das boas cousas, ou de Padre Deus, início eterno sem fim. Tens o mesmo tanto de responsabilidade e benção nas pessoas, guiando-as e instruindo-as, e por isso peço a Deus por vosmecê que nunca perca o fôlego e te mantenhas em passo continuo, brindando-nos com boas palavras.
6 - Da vida;
Quero, amiga, a nível de sinceridade: a cura, a mulher, e a calma - mesmo sabendo que tais feitos estão fora de minha alçada. Quero também, a felicidade, que se extenda como o Céu sob nossas cucas esvoaçantes. Quero uma boa vida a todos que buscam o descanso do passo mantido, e vejo em vós que de forma análoga também estima isso para seu pastoreiro - e não te sabes como isso me exulta! Mais nos vale querer o bem do que fazer uma maldade ou um esquecimento casual. E por isso, ditosa Mariana, desejo-te a vida (em forma de Londrina, em forma de Torresmo, em forma de higiene do sono) da melhor forma que te aprouver! Rogo por vós!
7 - Despedida e benção:
Oro por vós, e agradeço por teu zêlo e cuidado para comigo. Peço ao Santíssimo Sacramento do Altar que esteja sempre contigo e abençoe teus planos e teus passos, e que te nunca percas da tua essência, e posto em teus olhos os veros mirares de verdade, que seja tu sempre assim. Que Deus te abençoe e te ponha entre os Santos, Únicos, Justos, Mártires, Patricarcas, Primeiros, Virgens e Mártires. E que Deus nunca esqueça de vós.
quarta-feira, 24 de agosto de 2022
Dancin's Alright.
Ressona.
CAXAPOU!
Como uma granada no ouvido.
Lembra?
Como um som que bate turvado e agudo, progressivamente trazendo no bojo a camada grossa de um grave arreboado, que sorri como aquelas caixas tão fortes e grãs de quando a gente dançava todo galante e forte e glorioso e dono do mundo.
Ressona forte, miraculoso, belo, transfigurado e misticamente perfeito. E me lembra algo, me lembra alguém, me lembra uma outra vida, um outro tempo. E me lembra você, também.
A gente era é muito danado, é.
A gente não era? Lá, quando a gente era jovem era.
Nem tinha muito o que fazer - dançávamos para rir, para celebrar, para guardar a tristeza, e para tirar uma onda. E éramos bons, deixávamos os ditos "bons" - vulgares estrelas que não constelavam em nosso céu - fazerem seu ato de pavão, e depois, quando nosso som rolava, danávamos a ser, ter, fazer e viver.
Nós éramos de uma felicidade tão forte, bela e suntuosa, que quando ouvíamos o som junto, éramos o tipo de irmãos que nos abraçávamos e danávamos a cantar, rir, brincar e ser felizes. E quando eu ouvia o som com você, eu só queria te pegar pela cintura e dançar com você. Era o que eu mais queria, mulher...
E durante a semana, descíamos até nossa base para falar de música, beber, rir, e falar da vida - e sempre regado a música, doce música. Era música, não era? Sempre foi. Os gritos diziam, e os acordes tocavam, e nós, de olhos fechados, uma mão na fivela do cinto e outra com o copo levantado ao Céu, brindando a Deus pela vida, cantávamos altivamente, como se nossa voz quisesse vencer os decibéis da caixa de som que amorosamente nos ensurdecia.
E quando desligávamos o som, era o nosso som que ficava sendo feito no ranger dos dentes, dos ossos, dos corpos, da cama...
Ah, e é mesmo! Quando não ouvíamos o som, fazíamos o som! Descíamos com pau e corda até a casa santa e ligávamos na energia e dávamos energia. Eramos vivos e safos. Queríamos ganhar o mundo, e depois o palco aonde ressonávamos violentamente contra as paredes, os ouvidos, e os corpos de quem nos ouvia; e foi ali que soube, após a sessão, quando Che me ergueu pelos braços, que fui profeta: vivi pelo som, amei o som, aguentei o som e bradei violentamente como trovão na terra seca, e fiz alegria, fui alegria e sorvi alegria, e enquanto rodavam as trinta e três rotações do disco eterno, ouvi em mim todas as músicas da alma - das que tangiam, das que ficavam e das que partiam - e pude assim ouvir o Límpido Brilho Agudo Musical Translúcido.
De certa forma, éramos e sempre seremos o som.
Carta a Censora.
1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba e preocupado, para a censora. Que teus olhos achem bom afã dessa letra que vos escrevo - cuja estava em parte ansioso para. [...] E me perdoe se soei rude no telefone hoje de manhã, foi apenas o desespero em ter alguém que estimo muito por perto.
2 - Jusificativa;
Sim, de fato cumpro a promessa de não escrever sobre vós, [...] E este mesmo texto, como to sabes, é a censura da censura pois não vem em público no seu integral, e caso o queira ler na íntegra, lhe envio em suma. Mas peça, ceda ao menos uma vez em vossa curiosidade, pois me sei bem que admiras a letra de teu escriba.
3 - Preparação para a morte;
Enquão se apoias em meu ombro, diz que eu não vou morrer. Tenho cá eu minhas dúvidas. [...] se não feito por e com amor, por e com caridade, e se não por e com caridade, pelo simples e livre exercício da pia misericórdia. Deixa, que das últimas lembranças do vale de lágrimas, sejam felizes por serem estruturadas com/em/por você.
4 - Sobre a vida;
[...] Se me dizes com forma de rudeza, lhe respondo com carinho, e se me abres o coração quando te enches de viño, me faço morada para que habites. Se de fato, precisamos ser maus, não há a necessidade de sermos cristãos, e se escondemos uma verdade no oculto de nosso peito que só denunciamos quando nos embriagamos ou quando sentimos a mão negra da morte, então somos hipócritas - cousa sabida que tanto eu quanto você odiamos. Das memórias boas entre nós dois que guardo, quero lembrar de você cantando e dançando nossa música de pijama na tua casa [...] (de fato, "evidências" poderia ser nossa música [...] ).
5 - Sobre a inconstância;
Respira. Respira mais uma vez. Agora segue. Sabe, que mesmo aquilo que mais me aflige e dói, se te fizesse feliz, o faria, e faria para ganhar teu sorriso em devolutiva. Faria para ganhar você. [...] E eles? Que são? Apenas material. Apenas material... por isso vos peço que não me ignore, ou tampouco no auge de minha fraqueza me deixe sem tua resposta, ou que mintas. Apenas me deixe descansar o que resta, pois não quero muito dessa vida, e o tempo que me resta, já escrevi acima como gostaria de gastar.
6 - Temperança;
Dizemos pois, que somos cristãos. E o somos. Mas, qual cristianismo é esse que co-criamos em paralela vida? [...] E mais além: é justo que aquele que sofre, pedindo a Deus por um pouco de bálsamo, seja posto para fora por cousas efêmeras, de jeito e sentido nenhum? Faz-nos, cada vez mais sentido voltar a raíz, censora ditosa. Ler a Santa Regra, rezar com fé. Pedir. Elevar-se diante de um Deus Altíssimo que tudo Ouve e Sente - Bom Pai, justo e misericordioso que nos toma no colo e faz-nos crianças para que possamos dormir em Sua presença e sermos protegidos do feo. Por mais que tenhamos nosso charisma, nosso objetivo está sempre pendurado no madeiro, para nossa alegria e salvação. E Ele, conhecedor de todos os corações, nos aliviará.
7 - Sobre as expectativas;
"Telegrama-de-vêm-me-ver".
8 - Despedida e benção;
Peço a Padre Deus que te abençoe ontem, hoje e sempre. Que cuide de você e dos seus caminhos, e te faça feliz, e te dê boa saúde e boa fé. Que você viva mais, bem e melhor. Que Deus esteja com você o tanto que está comigo, e que você possa veramente Vê-lo e Senti-lo como eu vejo os peixes e pássaros, para que assim vejas quão belo É. Que Deus te abençoe e te ponha entre os Santos, Justos, Únicos, Verdadeiros, Patriarcas, Primeiros, Virgens e Mártires. Espero poder vê-la hoje a noite pois estou com medo de como ficarei hoje. De paz, e em paz; Marcvs.
terça-feira, 26 de julho de 2022
Argumento.
Se quiser saber de mim, ouça meus discos. Principalmente os meus favoritos: Os de samba de roda, os de progressivo, os com baixo marcado, e passe a mão na minha cerveja e sinta o que minha língua amava, se abrace na minha camisa favorita, e se te cabe saber, meu suor e meu perfume ainda estarão lá. Não vou e nem quero desanimar, apenas estou deixando tudo isso pra depois.
E eu, quero desesperadamente teu abraço e teu aconchego.
Se te interessar saber, eu ainda estarei nos lugares que tanto amei e cada pedaço de mim estará fragmentado dentro de quem eu tanto amo e tanto estimo como uma horcrux, e quando você quiser me procurar, ache-me nos sorrisos, nas minhas devoções, na minha fé, nos abraços que te pedi, na música que te fiz, nas cervejas, no Corinthians e tudo o mais que eu tanto cativei e cultivei. Se quiser saber de mim, fale com quem sabe de minha gênese, do meu agora e do meu fim; Pois quem souber de tudo isso vai te contar de mim, e quando minha carne for de terra, seu sorriso não me atingirá, e quando minha lamúria virar paz, você notará que tudo foi preciso como a ciência de Deus. Lírio.
Quando quiser saber o que eu sinto, vá nas igrejas que tanto fui e tanto amei, e chegando lá, dobre seus joelhos ante o altar e olhe: Seus olhos verão o que eu vi, e assim seu coração sentirá o que eu senti. E logo depois de sair, me encarregarei de te consolar, eu serei o vento em lhe beijar a face, serei o semáforo para atravessar, e a condução rápida e vazia, e quando chegardes em casa, serei a refeição saborosa e o descanso na cama com a janela entreaberta.
Serei a música que toca seus ouvidos, e que encrostada nela, lhe trará uma mensagem de atitude positiva. Ou realista. Mas nunca negativa; serei alguém que mesmo distante, estará mais próximo que você imagina, mas não nesta hora. E se você ainda me procurar, não me achando nisso tudo, saiba que em tudo eu serei, eu estarei - se você quiser.
Segurarei os dias, horas e minutos, ou os apressarei, e tomarei partido do que vale, assim como suas lágrimas serão nuvens que pedirei pra Deus rachar em forma de chuva, e com isso lhe darei toda a experiência de estar, ser e sentir. E nos avisos, na escrita do muro, na orla da praia, na síncope, na blusa que te veste, tudo... Ali sou eu, ali eu estou. E não faço por mal, nem me leve a mal. É apenas parte da minha palavra, minha promessa. Serei em você a saudade que eu sinto agora de você.
sexta-feira, 1 de julho de 2022
II Carta a Bep.
1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba e com uma dor do caralho par Bep Andrade e os seus, a despeito da última missiva que muito me preocupou e deixou exultante.2 - Pedidos geraes;
Alegrou minha vista tua carta, e meu peito exultou de alegria em saber que já adiantaste tua vinda com Rodrigo e teus rebentos. Ai de mim que esteja íntegro para ganhar um abraço teu! Cuido-me pela certeza de te ver, mas espero que você esteja cuidando também de si mesma. Muito me preocupa essa moléstia que pega Digo pelas ventas, e sigo em orações. Deus o abençoe e o ponha em saúde restaurada. Faz uma sopa de frango com bastante mandioquinha pra ele, ajuda a melhorar: para algumas doenças, o amor é o maior e melhor mecanismo de cura.
3 - Preparação para a morte;
Me alegra que to venhas em Agosto. Falta um mês. Dia VI é a festa da Transfiguração do Nosso Bom Senhor. Eu quero muito estar de saúde boa para ir, Bep. Ainda consigo andar com apoio, e apenas nas cercanias, e as carnes doem pouco. Mas, o cabelo não caiu, e nem a pele acinzentou. Só dor e dor mesmo. Tenho sim; para todos os casos me adiantado e me preparado para a ida, encerrando ciclos, despedindo prematuramente e esperando qualquer coisa de qualquer pessoa; de alguns recebi apoio, de outros, recebi as costas viradas.
E eu, sem poder ter o que fazer ou como fazer, chorei, respirei, e pedi a Deus que Ele fizesse o que quiser de mim.
4 - A vontade de Deus;
Não era verdade que o Senhor Andrade era um belo tenente? (Deus o tenha entre os justos) Que lutou contra o crime enquanto nós estavamos na escola rindo, fumando e ouvindo Pink Floyd? Eu associo isso com ao que Deus nos faz: enquão vivemos nossas amenidades, Deus nos guarda. Enquão olhamos nossas minúncias, Ele nos desvela. Quão triste é! Não notamos o cuidado, mãezinha! Triste daqueles que só sabem quando não o tem. Ai de nós, Iervsalæm, pois estamos atentamente lutando para abrir nossos olhos.
Nós, Bep, somos de água e vinho: Somos os tatuados que tem veneração pela eucaristia, somos os que contestam, aceitando dogmas, e somos principalmente os que amam em demasia, mas defendem seu lugar tenente. E isso, de certa forma "apologética mambembe", é o que nos faz ser católicos de fato - não rezamos terços em vão, e nem fazemos cenas e trejeitos. Somos o que nosso coração pulsa e nossa alma emana, e por isso Deus se inclina a nosso favor, mãezinha.
5 - Sobre as percas e desilusões;
Sei, minha irmã, quão difícil pode vir a ser entender os designos de Deus. A mim, não cabe entender, apenas respeitar, mas; Toma cuidado e vigia a porta, pois, quem diz obedecer a vontade celeste fazendo valer a sua, tem mais culpa do que qualquer outro. Eles, fingem viver em Deus, mas se preocupam com aparência, dinheiro, status, comidas e lugares, e nós, minha amiga, desprendemos de nós mesmos para ir atrás do outro resgatá-lo, cuidá-lo e amá-lo, trazendo de volta do caminho transviado. Pagamos nosso débito pondo-nos em serviço do evangelho imutável que não pede dinheiro e coisas temporãs e malditas; mas que pede justiça, misericórdia, perdão e amor.
6 - Sobre o segrêdo;
Quanto ao segredo, guardo-o. Mas louvo e bendigo, e espero ter olhos para ver a esperança que é gerada e se vela na flôr desabrochada. Quão bela alegria saber de cousas boas e justas em teu caminho! Que Deus tenha amôr-sem-fim, e que Rodrigo melhore para vocês consumarem tanto mais e mais!
7 - Sobre a Nê;
Sim, ainda a amo. E sim, ainda a sinto a falta dela. E não, ela realmente não voltou, e só Deus sabe como isso ainda dói. Por vezes me pego pensando, pondero sobre, mas meu coração não aguenta tanta coisa sobre o que está acontecendo comigo, por isso me mantenho quieto. Eu ainda penso nela, mas creio que ela nem pense em mim, ou nem tenha mais algo de ter comigo. Graças a teu parlório, eu ouvi músicas que me lembram ela, e lembrei do mais terno amor que tive. E por ela, eu me mantive. Hoje, ainda sinto a falta, e Deus sabe que adoraria tê-la comigo para enfrentar essa tormenta. Mas sim, se mo perguntas, não há uma hora do dia que eu não pense nela.
8 - Sobre a Piratininga;
Aqui ora faz sol, ora faz vento. A Piratininga continua sendo como sempre foi uma mistura climática diária. Nada muda, nada é, tudo continua. O centro mudou bastante, e quando vierdes há de ver como está mudado.
Bares fecharam, bares abriram, pessoas mudaram, mas algumas ruas tem os ecos de nossas cantorias de madrugada, e algumas ruas tem os ecos de nossos pais; hás de ver que na Piratininga, a mudança não tira o seu fator imutável.
9 - Benção e despedida;
Abençoo-te, e te rogo em paz, e de paz em paz roguemos ao Senhor. Que Deus te abençoe e abençoe tua família, lhe pondo entre os Santos, Únicos, Justos, Primeiros, Profetas, Virgens e Mártires. Espero-te animosamente.
quinta-feira, 30 de junho de 2022
Carta a Fillipi.
1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba, para Fillipi, seus dois rebentos e adjacentes. Que a alegria de sua vida seja sempre esse combustível que queima em nossa alma. Evoé!2 - Avisos geraes;
Escrevo em saudades. De um amigo, de um irmão, de um amigo que empresava comigo desde as idéias e piadas bestas até o mais sério dos assuntos e os guarda em seu coração como um cibório. Escrevo com a pressa de um churrasco do Gabriel(TM) com direito a cachorro de polo. Escrevo pelo anseio de sentar com vós e lhe dizer tudo e o tanto até aqui - deixa-me, irmão, rir mais uma vez, brincar mais uma vez, ser feliz, e debochar com os meus que amo. E nas nossas brimcadeiras juvenílicas, ao menos uma vez, eu possa me sentir imortal de alguma forma.
3 - Preparação para a morte;
Estou indo hoje para Alvim. Na verdade, enquanto lêes, já devo estar a caminho da volta para minha nova morada. E espero que o tempo seja bom comigo e com você. Espero que sejamos carinhosos com o tempo, e mais além: que a escrita seja a sua única arma, e que o seu sorriso em sair do degrêdo seja validado por suas meninas que lhe amam, e por quem te acompanhar do lado - e faço votos, pela Santa Madre d'Deus, que tenhas quem te ame, e te faça bem. E conta pra eles que eu também escrevia, mas não tão bem como você, e muitas vezes eu queria ter escrito com você, pois sinto falta dos amigos que me escrevem e aos quais escrevo. Tens músculos, mas tens cérebro e tem a lira e a pena. Usa-as!
4 - Admoestações geraes;
Guarda tuas filhas? Como lhe diria isso! Pai honroso e ditoso, tal qual o Bom José é tu, menino meu, e se ensinas tuas meninas de modo como pensas, o mundo lhas serão de fácil entendido e não serão confundidas. Pensei pois em lhe admoestar algo, mas não posso, pois sermos de mesma raíz e foz, temos o mesmo modo de pensar, por isso vos rogo, antes que o tempo não dê, guarda todos os nossos sorrisos num baú de prata, e sorri para mim. Prometo lhe sorrir de volta. Ria. Brinque. Deboche. Ouça um som. Ame. Chore. E principalmente nunca se renda e se entregue a cada causa, pois tudo aquilo que nos é feito de peito aberto e mente incisa, não nos será objeto de repulsa ou raiva posterior.
5 - Solidão;
Se me perguntas, digo que estou bem. Mas no oculto sabes que não estou. E isso me entristece. Mantenho-me de olhos abertos, e no meu oculto dilacero e dilato aquilo que nem as paredes confesso e me corrói a todo dia. E minhas lágrimas jorram molhando todas as langes. Me encontro na caravana de um beduíno. E o Sol é forte. Quem me oferta água?
6 - Resposta;
Pedes para que lhe peça algo? Que coisa pediria? Apenas uma, que seria a mais dificultosa: Constrói-me uma mulher. Menor que eu, de cabelos pretos, olhos castanhos, boca carnuda e de mil tatuagens. Constrói-me uma mulher que ria, brinque, fale asneiras e releve os meus erros como relevarei as falhas de construção dela. Constrói-me a mulher de coxas almofadadas aonde descanso o peso do mundo em suas pernas, e que pelo afago dela em minha barba eu não sinta por um segundo dor no corpo, doença, raiva, cansaço, tontura ou náusea. Constrói-me uma mulher que lute para me erguer como eu a farei ser meu hasteio e pendão - pois eu a farei. Constrói-me uma mulher que canta como um rouxinol da manhã aonde eu possa dedilhar minha viola, que ornada com a voz dela, fará o mundo ser melhor. Constrói-me a mulher de mãos boas para cozinhar, que prepare o frugal, trivial e o inovador, e que sem me por em pé de surpresa, consegue me fazer evoluir nas pequenas coisas - das quais amo tanto. Constrói-me uma mulher, do mesmo credo que o meu, que venha a missa comigo, e que comigo, seja mais do que nenhuma outra poderia ter sido; e se tu, ó ditoso amigo, puderdes fazer isso, vos louvo e digo que realiza o que ainda tenho desejo no oculto do meu coração.
7 - Sobre a felicidade;
E tu, mantém a felicidade como meta, e atinge-a; Obrigo-vos. Que teus olhos não se fechem até estar em paz e em graça com a paz e o amor de Deus e os teus desejos e sonhos; Luta até o fim contra tudo que te fizer ou parecer inimigo, e mantém-se firme. Mantém-se com fé. Obra a esperança dentro de ti, e não deixa de jeito maneira que ela seja roubbada de ti. Guarda ela como tua terça filha! E assim, dessa maneira, somados aos teus dons, boa e justa vida sei que há de ter.
8 - Despedida e benção;
Te abraço e te guardo em comunhão. O meu abraço se extensa até Gabriel, Aninha, Nath, Migvæl, Tufão, Maiqvis, Wagner e os nossos. E diz que os guardo em mui carinho e mui saudade - Que Deus os abençoe e os ponha todos entre os Santos, Únicos, Justos, Profetas, Primeiros, Virgens e Mártires. A você, que a benção que lhe dou extensa até tuas meninas e to dou a prosperidade de uma vida boa, longe e livre de todo o mal. Te amo, estimado irmão. Guardo-te até a vista.
segunda-feira, 27 de junho de 2022
Carta a Malé.
1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba e radioativo para Madalena, irmã minha, irmã de meu Gil. Que os abraços e amplexos de saudade que entrego ao vento estejam bem de encontro a vós. Escrevo essa carta, pois do Dia da Mãe do Perpétuo Socorro e também natividade de nosso Gil, possamos meio que a distância aliviarmos a falta do nosso dominicano predileto.2 - Amenidades geraes;
Estou bem na medida do possível, Malé, comecei a lidar com a "radiação" hoje. Um pouco de enjôo, um pouco de fome, um pouco de cansaço e um pouco de raiva. Agora para amenizar a tonteira, eu danei a usar uma muleta, para grandes caminhadas ou ladeiras, e tenho consumido grandes quantidades de chá matte. Tenho visto o Sol nascer e morrer, e orado tanto quanto a cabeça deixa, o olhos veem e a mão traqueja; de fato não escondo que estou passando por um péssimo momento, mas, entreguei a insígnia desta situação a Deus, e o que Ele quiser de mim, estou aqui. Por mais que doa, estou aqui. Por mais que machuque, estou aqui, e por mais que por momentos eu não queira, estou aqui, então deixo a Deus as coisas que desejo, quero, penso e preciso. E se for de Sua vontade, que se concretize, se não o for, cabe a mim aceitar; quanto ao livro, terminei há um tempo, quando der, lhe mando uma cópia, ou posso lhe enviar pela internet o primeiro da saga - tenho certeza que muitos elemenos que você conhece estão lá: Gil, Rachael, Fillipi, Rafael, Bæda, e até mesmo Mãe Inês!
3 - Preparação para a morte;
Sei que daí praqui são poucas horas, por isso peço que quando vierdes, vem me ver, e lanço a vós um abraço em Dona Tereza, Dona Joana, e todas essas santas senhoras e mulheres que constituiram você e Gil como bons irmãos e grandes amigos meus. Se o tempo não for bondoso, vá lá e acende tu uma vela pra mim, e ora pra que em algum recôncavo de la do lado de lá eu possa ver Gil, sentarmos, rirmos e nos escondermos no sari da Doce Mãe das Candeias.
4 - Lembranças de Gil;
De Gil, guardei um sorriso, uma carta, a Teothokos (que posteriormente dei para alguém que amo muito, que precisava de uma graça, e como aquele ícone me valeu, deixei com ela e não pude pegar de volta, me perdoa), um terço de São Miguel que sempre guardo com estima, e uma camisa. O que permanece comigo, guardo com afã a memória dele. E se a mim, amigo, irmão de ordem e vida dói, penso como não dói bem mais em você e Dona Joana a ausência. Oro sempre por ele, pedindo o sufrágio de sua alma, e que Deus já tenha o acolhido. Gil, independente de sua sexualidade, era de virtude, de fé, de esperança, de oração, e de uma devoção assustadora para com a Virgem Maria. Guardo dele, os melhores momentos e melhores conversas.
5 - Sobre a vida;
Quão a ti, como me alegra saber de tantas coisas boas! Se der me a graça Padre Deus, que eu não morra sem ir te visitar e comer um churrasco teu! E mais me alegro pela vida que você gera no ventre, bendito seja Deus! Imagino Dona Joana já babando pelo rebento teu, e faço meus votos que seja mui feliz. Escolheste um bom caminho, e agora, vendo a vida acontecer com casa, carro, filho e mãe, alegremo-nos por tudo isso. É a mão de Deus que repousa sobre ti, Malé!
6 - Despedida e benção;
Peço-te perdão por não ter falado muito com você, mas não ando conseguindo conversar muito. E além disso, ando cansado e as vezes me pego ofegando (fazer alongamentos atualmente tem sido uma merda!), mas, como sempre seguimos! Que Deus te abençoe, te guarde e te livre de todo o mal, e que a ponha junto com seu rebento entre os Santos, Justos, Únicos, Primeiros, Virgens e Mártires. Amo vocês em verdade e Deus permita que nosso encontro esteja logo e perto!
E viva Gil!
domingo, 26 de junho de 2022
Carta a Ignácio.
1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba com dores para Ignácio, longo amigo de discussões e parlatórios regados a viño e lógica joanina. Que nunca te pese a mão do mau homem, e que você em sua vida encontre muito antes do fim o que busca.2 - Comentários geraes;
Diz-me que querias uma carta, como para Rafael e Ivan, e por isso me rogou ao longo de três dias; ei-la, toma e lê. Acerco de ti sobre a virtude, a vontade, a coragem e a ousadia. E faço dessa carta não por instrução, mas como memorial de nossa amizade. E espero que você seja maior e melhor do que os que te permeiam. Não use do hábito um meio para que você obtenha respeito ou sistema de ordem; a ordem é o caminho no qual escolhemos para seguir a voz de Deus, e o respeito nos é dado como forma, enquanto mostramos como somos, sem censura, sem trejeito, sem máscara ou véu; se acharmos dentro de nós o que somos, e assim mostrarmos a VERDADEIRA face de nós, assim garantiremos a estima que hão de gerar por nós.
3 - Preparação para a morte;
És, hipócrita. Se pedes que eu fique, que proveito teria? Não seria de fato para mim ser livre como os passarinhos e viver perto de mim e do Meu Senhor? Acaso não é o Pai de teu onomástico que diz "na hora de minha morte chama-me e manda-me que vá para Vós?"; acaso não é o próprio Bom Santo Antônio que queria a coroa do martírio? Existem até hoje formas de testemunhar a Deus, e testemunhei algumas, em mim e no que vi nos outros. Não peça que eu me cuide com afã, se dentro de meu coração já vi, vivi e constitui (quase) tudo o que queria. Agora, resta-me os dias de restinga, re-aprendendo a morrer com dignidade - cousa que todo cristão restringiu na frase de "memento mori". Não tenho o abraço que quero, tampouco o eleio que me envolvia, e eu, cansado de tanta coisa, apenas quero acordar e ver o Sol nascer, quero ver a geral piar, e quero pela última vez sentir o vento no cabelo. E quando eu me chamar saudade - se o fui - diz coisas de mim, de preferência que fui ruim, e fascínora. Diga o quão péssimo era, e não se digne a dizer nada benéfico, pois não sou. Ainda sou subêijo, resto de fim-de-feira.
4 - Aprender, ler, estudar;
Espero que tenhas aprendido a ler em latim, coisa que considero vital para que nós possamos debruçarmos nas regras geraes e entender o universo nosso. E que tenhas ganhado gosto e afeição na leitura. Que Deus possa ter te feito sapiente e te dado coragem para se livrar deste entojo que é não ler. Tenha sapiência pra que eles não te humilhem, mas te admoesto e te amaldiçoo ao fogo do Hades se você usar de sua sapiência para ser maior ou se sentir maior que alguém; seja sempre burro, viva sempre burro, ensine como quem talvez saiba, e ouça tudo o que todos tem a dizer: cada pessoa carrega um saco de verdade e um punhal de mentira; e com tua sapiência, edificada e consagrada a Deus Pai das Luzes, tu será digno de ler, entender, aconselhar e ter fé na vida mesmo que ela não seja boa.
5 - Vida sacerdotal;
To bem sabes que nunca fui afã de sacerdócio, porque não me considero digno de manipular e transpor Deus Trino no pão e viño, me soa como um dever exclusivo aos dignos, cousa da qual sempre me excuso - tenho muitos peixes e pássaros para lidar, e tu que viste e viveste comigo, deveria sim pensar sobre. Tens a oratória, tens o amor, tens a ousadia, e és dotado da boa vontade, e isso lhe considera bastante, e que tu, feito posteriormente pastor de algum rebanho, possa sim ser digno. E eu vos louvo desde já em qualquer coisa que escolher.
6 - Sobre a humilhação;
Digo, tenha humildade. Tenha amor. Tenha paciência, calma e fé. Ora. Demasiadamente. Ora em dobro pelos que te perseguem, e em triplo aos que te magoaram/feriram. E por ti, se jogue ao pé da Vera Cruz e pede perdão por ser quem é - o verdadeiro Tu, que está no oculto do teu coração. Ora a Deus pela vera conversão, e entrega o leme de tua vida a Deus, e deixa Ele te guiar, e respira. E se for de lágrima, chora. E se for de medo, grita: "Durma, medo meu! ALTO! POIS O SAGRADO CORAÇÃO ESTÁ COMIGO!". De fé em fé, busque em Deus e Nossa Senhora, ore pro seu anjo da guarda e sugiro que reze uma Salve Rainha na fórmula de Dona Antônia. E todos aqueles que pisaram em vós, serão atormentados pela culpa, pelo medo, pelo vazio, e você, tão ocupado em rezar, não terá tempo de sentir uma dor. E essa dor, logo fica pequena - irá doer, mas será suportável.
7 - Despedida e benção;
Espero lhe ver pessoalmente: "telegrâma-de-vêm-me-vêr". Espero que faça boas escolhas. Espero que Deus esteja contigo. Que Deus te livre de todo o mal, que Deus te abençoe e faça bom homem e boa pessoa. Que Deus te abençoe e te ponha entre os Santos, Únicos, Justos, Profetas, Primeiros, Virgens e Mártires. Que Deus, Virgem Mãe das Candeias e o Bom Santo Antônio estejam convosco sempre.
quarta-feira, 22 de junho de 2022
Carta a Ivan.
1 - Prefácio e saudação;
Marcvs, escriba e eleito haste de alteio para Ivan, monge e amigo a quem estimo e quero bem - que você, feito no silêncio fale mais do que eu, e com os olhos, denuncie as malfeituras de gênero.
2 - Saudação pós-viagem;
Agradeço-vos que vieste em minha casa, e mais além: Agradeço os livros que me deste, dos quais tomei um como precioso e já o faço em uso contínuo, e o que me deste para que eu pudesse presentear a amada, pelo momento não entregarei, por motivos cujo te sabes. Agradeço ter - literalmente - me dado braço, abraço e me ensinar a mais bela forma de entoar o Lavdæ Sion. Agradeço a tubaína, a pizza, e a força densa que não mediu em me dar livros, me dar víveres, e me dar vida. Eu espero que sua chegada em Roma tenha sido tranquila e em paz, e que tenha gostado das relíquias que vos dei para dar luz na tua cela. Jogo sobre ti todas as sortes, bençãos, e vernáculos conhecidos da língua do homem para você - que São Bernardo te guarde entre os seus diletos filhos! Amigo meu, como ainda te guardo em meus átrios, rezo por tua sapiência, e se for da vontade de Deus, que eu possa ainda te ver mais uma vez para arranhar latim no teu ouvido, e enquanto tiro minha barba - talvez, prolifera a tua, deixa-a a crescer. Equilibra a libra do universo, por mim.
3 - Prepação para a morte;
Acaso eu não deveria estar em paz com minha morte? Porque, se tenho paz no meu fim, sei que fiz, e o fiz bem ou fiz mal. Acaso se me desesperasse e chorasse, para que me valeria? Ridículo é. Não tenho medo da ida, mas tenho medo de que tudo que penso finde comigo, por isso me dano a escrever para valer a pena que comuto, e não me vejo como derrotado, mui pelo contrário: me vejo como sempre me vi, um garôto de íris esmeraldina que quer descansar. De preferência nas coxas grossas da mulher de cabelos negros e boca carnuda. De preferência na glória, de preferência numa chuva fina que contrasta com o sol. Se me ocorrer a ida enquão você não estiver aqui, reza por mim, e tina um sino pra eu falar pra Dona Antônia que o neto dela agora é INTERNACIONAL! com o selo meav cister(TM) de garantia. E ria, ria desenfreadamente, desgraçadamente, porque finalmente venci o caxangá. E venci, junto com nosso Pai, o velho inimigo.
4 - Sobre as tolices;
Sim, deves o rir. Monges também riem, bebem, fumam, e falam asneiras, lembra-te pelo meu lema: O deboche vai salvar o mundo, e se lembre de todos os santos do nosso panteão que se valeram do deboche, ironia e sarcasmo para ir além e levar Deus para a massa; falar asneiras - desde que sabiamente e com parcimônia - também é uma forma de evangelizar. Lembremos dos deboches nos sermões, regras, e lembremos que os nossos pais que são mais estimados por nós, são os que nos faziam rir e procurar a Deus, e não os que turvavam a vista e nos faziam ter medo e raiva pelo passado que tivemos e renunciamos. Lembremos da logorreia que os devotados soltavam durante as férias, e nós ríamos, como hienas, e isso nos levava a sapiência de forma gradual e ascendente. Por isso, deboche, paizinho, deboche.
5 - Pedidos geraes;
Em qual momento assim, tive alegria, e tive conforto. De meus amigos religiosos, te estimo em alta conta justamente pois poderíamos falar das coisas do Céu na mesma intensidade que falaríamos da Dôce Música, e nos derretiríamos em ais por isso. Rogo-te, grã Ivan, que ore por mim, e pelos meus, e nas intenções que lhe instruí no papel anexo as tuas relíquias e códice. E reza os nas seguintes instruções.
6 - Explicação sobre antífona vocatória pré-benção;
Toma, explico-te a invocação e porque faz sentido a invocação desta formula que ocasiona quando dispenso a benção sobre alguém:
Santos: Todo o rincão (de devoção tua ou da pessoa)
Únicos: Aqueles que são exemplo pela virtude (ex: Tobias, Daniel, Bæda Venerabilis)
Justos: Aqueles que não se venderam na fé (ex; Judith, jovens da fornalha, Thomas More, Thomas Beckett, 7 Irmãos Macabeus)
Patriarcas: Todos os pais da igreja latina e oriental. Sem exceção.
Profetas:Todos os profetas (majoram et minorvm)
Virgens: Todas as virgens que deram seu sangue por nossa fé.
Mártires: Todos os que morreram a defender a fé, a igreja, seja em integridade física ou espiritual.
7 - Despedida e benção;
Já em tua cela, sei que há de ler isso talvez no próximo domingo, se minhas contas estiverem certas. Por isso quero tua resposta até lá. E te rogo que os papéis que te dei sejam sempre objetivp de rogatórias. E levas um pedaço de mim como deixaste aqui fragmentos teus. Saúdo te em paz, na esperança esvanecedora de um até logo - seja o por aqui, ou na festa do lugar. Peço-te a benção, Abba. Orate pro animæ meæ
quinta-feira, 9 de junho de 2022
Carta a Kamila.
1 - Prefácio e Saudação;
Marcvs, escriba e propagador da letra, em repouso e dor, para Kamila, yalorisà de Oyà. Olofîn Koloofè! Desejo-te boas coisas no ardor de Deus, e alegrias que façam desabrochar teu riso como a primavera que vem sem pedir licença;
2 - Anunciação e regojizo;Alegra-me muito que tenhas vindo a mim via peixes, ao saber de minha moléstia e claudicância. De fato, concede-me Deus uma alegria inenarrada ao saber que minha amiga que havia perdido dez anos atrás no recôncavo de minha mente agora viva está! Louvo a isso, e mantenho erguido o punho em riste para agradecer a Deus por tuas mensagens que me avivaram, trouxeram alegria em meu peito, alegria, risos e rubor - digo-vos assim, pois as vezes é bom ser lembrado, e de forma que nos enaltece; e ai de mim perante Deus se eu não me manter humilde, pois tudo que fiz foi pautado no Teocentrismo de minh'alma. E a Deus tudo, e sem Deus, nada!
3 - Felicitações gerais pelo sacerdócio;
Mais além, fico também mui feliz de tuas notícias, novidades, alegrias e risos sem-fim! Recordo de tua abstinência a Deus algum, e hoje quando cruzas a soleira de um primeiro passo ao sacerdócio, vejo que assim como eu, deixaste a carne para depois para cuidar do verdadeiro corpo que é útil, e a isso rendo graças - e a ser franco, pouco me importa onde vais, no que crês, ou como se porta, me vale que tenhas fé, faça a caridade, mantenha a obra boa, e siga sempre em paz cada caminho que fizer. O estado é laico e minha estima por vós não me impede de ter contigo, pois és e sempre há de ser boa pessoa, independente de teu credo. Caráter vale mais e muito do que filiação religiosa, e ainda existem muitos católicos hipócritas e muitos afro-brasileiros que são mestres na charitas.
4 - Instintos Sobrenaturais e Conselhos Sacerdotais;
Obrigado por seguir seu instinto e seus peixes. Que eles nunca te falhem e te valham cada vez mais como eles (meus peixes) me valeram e nunca me falharam. Se puder, lhe aconselho a sempre buscar as respostas em três pilares: Dentro de ti, dentro da tua crença, e dentro da boca dos anciãos. Nestas três fontes, beba incessantemente, e toda resposta estará ali, e toda alegria residirá ali, e todo resguardo se pautará ali. Digo também que não seja ríspida ou rígida, mas que tenha carinho, tato, e trato; tenha sim zêlo com os ritos, paramentos, sons, toques e todo o demais que compõem o seu culto, e principalmente, que teu caminho seja em paz. Te desejo sorte na missão de tua vida, e que o Bom Santo Antônio, Doce Mãe das Candeias, e São Jorge te guardem e livrem do mal. E que o teu coração seja porto para quem busca descanso, que seu serviço não seja fardo imposto, e que sua satisfação também seja ver o riso na boca de outra pessoa, pois isso também é caridade. E caridade não é uma forma e prova de amor para com Deus e ao próximo? (Mt 25;31-40).
5 - Atualidades recentes, exames e pedido;
Viajei pela empresa hoje, e novamente desmaiei no avião - sim, ainda tenho medo de altura. Fui para Belo Horizonte, aonde as montanhas, mercados, praças e lugares me corroeram de um passado recente que ainda me arrebatam em ais. E também, ali finquei a pedra angular de meu futuro trabalhista, e hoje posso me dizer que estou realizado, e em paz em trabalhar com algo que gosto, domino, sou capaz de fazer, e que confiam amplamente em mim a ponto de me entregar obras gigantes para efetuá-las. Amanhã irei ao hospital saber a quantas anda minha saúde (o grau da moléstia que me atinge agora) e também como irei me tratar, além disso, tenho também amanhã mais exames. Se possível, ore por mim, e assim que eu souber de algo, vos dou notícias quão mais cedo possíveis. Rogo-vos, pois, que me mantenha no seu congá por mais um tanto, pois meu coração imperfeito ainda bate descompassado, e bate de saudade, bate de pensar, bate de viver, e bate por bater.
6 - Agradecimentos finais e benção;
Agradeço, mais uma vez por tudo, e te rogo que estejas bem e em paz, e fique por perto; em tempos de desalento teu ombro e tua mão me valem mais que ouro e prata, e tua trovejada me vale como aviso, teu abraço há de ser bálsamo para matar toda essa tristeza, e tua amizade que reaviva vale tal qual o dom da vida! Temos muito a dialogar, por as notícias em ordem, e tenho que te levar até os meninos para irmos no churrasco do Gabriel! Deixo-te na presença de Deus o Bom Pai Misericordioso, o Bom Santo Antônio, Nossa Senhora da Defesa e os Anjos de tua Guarda. Desejo-te e abençoo-te em toda paz e todo o bem e toda a fartura e prosperidade por todos os dias de tua vida enquão viverdes, que nunca vos falte o que precisardes e Deus sempre te provenha em tudo a todo o momento, Excelso Pai das Luzes, que te bendiga e eu me inclino por Sua graça em ti, amiga. Mantenha a Fé!