segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

How Soon Is Now.

Pelo vidro embaçado, caía uma chuva que cobria a vista pro alto do morrinho da extensa avenida. E da estação, totalmente encharcado, o pôvo que antes almejava por uma chuva se degladeia por uma cobertura e injuria-se contra os Céus, pelo fato da chuva não se programar para o horário comercial do eixão 8-18h.
Santo Deus, como somos patéticos.
Ai de minha bôca que se abrir contra o mal e o injúrio, ai de mim se eu fôr contra tudo o que acredito e defendo, pois aí cometerei o meu pior crime, leitor: Perdi meu têmpo e o têmpo dos meus sendo pedra ângular rejeitada, aceita e renegada por não pôder edificar ao meu Construtor. Ai de mim se eu não evangelizar, nem aos meus, e nem tôdas as criaturas, mesmo que da forma que eu faça, mas se apenas um ouvir o que lhe digo, se ao menos um eu conseguir, bem-aventurado eu que fiz jus a confiança de meu Dulcíssimo.
Existimos para reclamar, e nos tornamos mestres desta tarefa; Maledizendo tudo o que nos circunda, e o que nos afeta, e quando as cousas boas nos atingem, vemos por terça parte, e ao restante do dia não bendizemos ou damos graças devidas ao têmpo bôm - viramos escravos do têmpo ruim, fadados apenas a eiar o chôro trise, e quase nunca rompando o chôro de alegria. Enquanto filhos de uma potência que rege tôdas as coisas e independentemente de nossas escolhas nos rege, ainda sim optamos pelo facilitário da maldade, causando a prolíferação das cousas ruins, e não nos deixando inundar pela paz, ou pelo amôr, ou pelo bem-comum. E quando algo mui bom nos acontece, queremos acampar no Tabor, para viver a alegria eterna; Cousa bastante compreensível, até. A alegria deve ser eterna, mas a composição da alegria leva tristeza na fórmula, para se definir o tamanho da alegria, a nossa preparação para o contentamento, e nossa fôrça em sociedade, fraternidade e até mesmo interação com a Divindade.
A chuva desaperta, e o vento que (ainda) acarinha meu cabelo me lembra de tudo de bom, de tudo de que se foe e me deixou aqui - e o que o vento trás de bôm, a chuva molha e deixa fixar na roupa e na alma, e lentamente, cada pedaço que estava suspenso no ar, se atrela no ar, e as coisas fazem mais sentido, e a água retorna para o chão. O Firmamento se faz presente, e nos brinda com a chuva que tanto pedimos e tanto odiamos, com a carne moída que nos cansa de comer mas que faz falta, com as pessoas que nos tiram do eixo, mas, nos tira mais ainda do eixo não tê-las ao lado.
"Seriam essas nuvens, talvez, porta-vozes das lágrimas dos meus amados?"
E quando um de nós, asssiste, sente, percebe, toma a régula e se torna um dos devotos da perfeita alegria, é martirizado vivo, é trigo do Cristo, moído por leões bípedes e maledicentes, claudicantes e caducos de matrizes machucadas. Carregar o pendão do Carneiro é a loucura mais gostosa, e a dôr mais lancinante, mas, como já dito na contra-crônica linhas acima, é dôr passageira, que se louva e aceita, para apreciar a próxima alegria, dure o têmpo que durar.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Resonance.

Dôce vento, leve de mim tôdas as tristezas e preocupações, deixe ficar apenas o que se consolida, o que se faz verdadeiro de verdade por excelência e prazer, o que se faz verdadeiro pela vida. Vento, leva para o mar revolto e férreo tôdas as angústias e preocupações, e na hora da solidão, para o côrpo humano que mecânicamente trafega na rua, dá-o um arrebol de ar, circunda-o, faz-lo teu, toma a vida para êle, faz d'êle teu fantoche de vapor. E peço que para as alegrias, avenha com as brisas, aparando nas avencas, e fazendo as arrudas exalarem forte, e os juncos balançarem numa dança sincopada, cortando feixes de luz do Sol, e que nêste instante, permaneça a alegria eterna.
Da janela do edifício, uma alma respira dificultosamente, esperando um sôpro de vida, e na casa, uma janela aberta deságua pela rua um chôro murmurado da dôce garôta que está sem saída - mas que logo menos irá encontrar o alçapão abaixo dos seus pés, levar-lhe para outro lugar. Da torre daquela igreja, um Santo travado, com seus braços calcificados abençoa os pecados da última micareta, e ora pelo pôvo que nos seus diferenciais se faz tão igual - Das casas que erguem/De fôme que perecem - e mesmo assim se degladeia. O Santo surdo pelo tinar do Te Devm e com os braços dormentes e musculatura fixa apenas olha, com seu olhar carinhoso para cada um que se deixar encontrar e tocar por êle. E o vento, também se passando ao redor do Santo, carrega sua bôa energia para quem mais necessita; Sejam por orações, merecimentos, ou rota aérea. Deus é quem nos sabe.
O vento bate nos varaes dos quintaes geraes das casas, e faz a vida parecer inocente, sublime, verdadeira e bôa. E ela realmente é, mas, nós - Nós, os homens pobres do degredo, sua benção Dôce Mãe das Candeias - nos justificamos tanto, brigamos tanto, queremos vencer tanto, que não deixamos o vento batear as roupas, e nem o Sol as secar, apenas maldizemos a chuva, e o vento forte que as jogam no chão. E nós, recolhemos e temos o processo de fazer tudo de novo, de novo, e novamente.
Quero me desprender dos inúmeros véus que me cegam, e dar-te-os, Vento, e quero me entregar totalmente para você, e quando Tu, Vento, bater carinhando meu cabelo, eu iria perceber que foi ali naquele momento tôdo que esperei - que ali foi recebido de volta o penhor de tôdo o têmpo, tôdo o suor, tôda a fuligem que corre de minhas mãos...
Traga o que tiver que me encontrar, ou o que fôr do meu merecimento encontrar ao longo de minha caminhada. E leve de mim o que não se cabe mais em mim, o que não mereço mais, ou apenas necessita planar até outro ponto no universo. Mas apenas deixe as minhas ventas existirem para eu ser (mais) um (raro) das estepes que quer lhe bendizer, agarrar, sentir, se encher de Ti, observar, e compreender.