domingo, 24 de março de 2019

Waiting In Vain.

Ela tinha um cheiro incrível, Deus sabe mais que eu. Descia-se de sua cabeça fios enrolados, de mística e vera sorte que podiam ser chamados de cabelo - juba de um leão suntuoso, e apregoavam de suas orelhas um par de brincos, que realçavam das sardas em seu rôsto, boca pequena, riso riste, número dela. Era de tôdo pequena, cintura fina, e gestos módicos, mas como um cais, parecia grande para que houvesse em si sentimento. Tinha gestos de quem vivia só, mas que se soltava a conversar se você estivesse disposto.
Talvez fôsse ela a maior definição de estar só no mar de gente, e talvez fôsse por isso que tudo aconteceu; Foi ali que os Céus tôdos caíram: Ao sentir o cheiro da pele, um leve aroma de infância, e quando dijunto a pele, não pude raciocinar muito e efetuei o disparo contido na boca que procurou a sua - definitivamente estava lá (eu) de coração e chaga aberta; E de fato, como nunca pude ser meio, fui tôdo para ela, e deixei as demais coisas suspensas no ar.
Sinceramente, não me importei da Quaresma, nem do carnaval, nem da chuva, nem de nada, era apenas necessário ter você nos meus braços, e sentir seu corpo contra o meu, e era mais do que importante você ter percebido todas as coisas que foram incluídas em silêncio no pacote, que só sabe quem ama: Dos sacrifícios, cabe apenas quem faz e quem sente, senão, não tem porquê. De tudo, quero guardar apenas o sôm dos sinos, o turvar feliz, o gôsto bôm na bôca, e de sorrisos, apenas. De todo o resto me esvaneço e caio de novo na ávida multidão, e no primeiro eu paro, no segundo eu fico, e no terceiro eu caio. Não penso mais no que há de acontecer, só penso que no final isso tem que valer muito a pena. No final, só quero levar alegria a todos os corações - de tiro, riso ou morte.
Kyrie, Elesion.
Não devo dizer que estou bem, os meus pilares já estão sabendo, e os amigos próximos estão me dando um Hovercraft(TM) maravilhoso, mas, o rebento do meu peito ainda é maior, e por hora, não me sinto afã em olhar a janela, e nem ver o Sol no frio. Zécão está aí, fazendo seu papel, e a vida vai se encaminhando, mas, não consigo deixar algumas coisas passarem tão rápido; A peneira mental me força lembrar a cada cinco minutos do que mais queria esquecer agora: Cada sorriso, abraço, beijo, turvor, suspiro, mordida, palavra, segredo, mão-a-mão, afago, cada cena dessas vem a minha mente agora, contrastado com o que não faz sentido, e me deixa atordoado, tentando entender o que não entendo, e estando a dizer o que não consigo conjugar, e a esperar uma resposta que possívelmente não terei. Hoje não teve música para dormir porque nem dormir se dormiu.
Kyrie, Eleison.
Eu espero que o vento não se importe se eu disseminar umas palavras tortas aqui, que se doam os ouvidos, mas que lavam a alma, mas eu só sei dizer que tôda tristeza padece de um momento, e tôdo momento dura uma parte, e depois não há de doer mais, fica apenas a cicatriz, apenas um sorriso disseminado no ar, trastejado com a lágrima que eu não quis te dar o prazer de ver, e quanto as flôres do jardim que eu queria que você visse, irei arrancar uma-por-uma, pois nenhuma delas se equiparou a sua beleza -  mais além - as flôres crescem e se desenvolvem, a terra se realoca, e fica o sentimento, e a mim na ventania. E nada realmente importa, não é mesmo? As coisas já estão arrumadas, e meu coração pesa. Meu sorriso não tange a aparecer, porque realmente rir agora seria desrespeitoso e inútil: A minha definição de alegria se atristejou, e agora está indo embora por aquela porta...
Kyrie, Eleison.
Quanto a mim, não se cabe em dias, ou medida de têmpo, cabe apenas orar, meditar, e esperar, fazer as coisas como sempre fiz, e com o têmpo esperar o plano de Deus se acertar, ver as coisas se encaminhar, e fazer o bêm, olhar para os meus, e esperar por aquilo que desconheço. Cabe a mim, apenas lembrar sem tristeza, mas com o amôr natimorto, amôr esse que foi todo guardado para você. E estará.
Deixo os meus discos falarem por mim, e as músicas sonarem por mim, as pessoas próximas agirem, nos Céus deixo o meu sentimento, e para os que cingirem meu rosto, não verão minhas lágrimas, e nem meu riso, me verão como sempre viram. Minha alma ainda aboia em momentos do dia, e meus olhos transporão para as minhas mãos os sentidos de ver a alma de cada um, e quando eu deitar minha cabeça na campa fria, sentirei em mim todos os sentidos do mundo, sem medo de saber o que há por vir, ter, ou fazer. Quando a vida estiver pronta, arrumarei minhas malas e pegarei o primeiro trem para as terras da Correntina, e lá, haverá um aboio para fazer, uma maia pra deitar, um gai pra acender. Em algum lugar, o seu sorriso ainda será o meu maior prazer, mas em algum lugar, sentirei sua falta mais do que agora.

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