quarta-feira, 11 de julho de 2018

Holy Are You.

Ao longo de minha vida, não fiz questão alguma de existir ou ser reconhecido (ora por música, texto, discurso ou modus operandi); apenas fui logrado de um lado pro outro como um brinquedo na boca de um cão raivoso, e quando percebi o que me restava, me apeguei ao pouco (do) que me restava; como areia, (o que me restou) esvaneceu de minhas mãos, e não senti mais nada, apenas senti que deveria vagar como um eremita penitente que procura nos caminhos a existência de Deus, ou algo que lhe tire essa dôr do peito e o amargo da língua - e assim eu vago. O meu contentamento se basta nas pequenas coisas e ainda sim consigo achar Deus nas pequenas - e verdadeiras - coisas, mas ainda sim minha parcela humana sente dores e apeia em aboio (prova de que ainda estou vivo, talvez?), há horas que o riso finge nascer, noutras, o choro vilânicamente tenta desabar, e em algumas a horda de coisas se torna tão forte e intensa que só me resta respirar o máximo que posso e (não) deixar as águas me afogarem.
Não permita, nem por um segundo que eu me afaste de ti, Excelso, olha por mim, e pelos caminhos sinuosos que desentortei e fiz valer, logo tornar-se retos, para não me desvirtuar mais. Como ovelha perdida, fui achado por Você, e Você mesmo me restituiu na Tua graça e Presença, dando-me nova chance e nova forma de vida, restituindo-me de tudo que fiz. Mostra-me com Sua Presença que ainda vale algo desta vida, ou que as coisas irão de alguma forma se ajeitar - por momento vejo apenas uma nebulosa sinousa, e por vezes não te encontro, nem te Vejo, nem te Sinto, como se você não deixasse eu te Ver ou te Sentir - não que Você não exista, não é este o ponto, mas o que dói é que nas horas em que tudo se acerta, logo tudo piora de uma maneira tão abrupta, e tão logo, as coisas que estão sôb Tua mão, não me deixam entender o porquê de tão virada brusca de ares. Não me consome o medo, Excelso, apenas me consome a diáspora e a aflição, e além disso, me assusta o quão ruim as pessoas são, e que ela não entendem as suas lutas, apenas querem que sejamos igual a Você durante sua hora de solidão: Escurraçado e humilhado, sem tempos de bonança ou calmaria. Apenas flagelo e dor.
Permita, ó Deus, que a morte segunda não me faça mal, e que neste momento, não consiga sentir mais nada; e quando o aço gelado cortar minha carne, a fuligem se torna vento, e o sangue se rarefaz; que a morte não seja um término, tampouco um final, que seja um nôvo chão para os meus pés cansados, e que quando toda a dôr acabar, não exista mais dôr - que a dôr seja o fim da dôr.
Não permita nem por um segundo que a tristeza seja o que maltrata, e tampouco vá me matando aos poucos, fique mais um dia - Como a corrente de ar, que ela vá embora, tangendos os sinuosos ventos, e que não atrapalhem de forma alguma a ninguém, que haja a paz nos desaventos; que os sinos toquem, que as lindas garotas ouçam, que os Céus turvem, e a vida se transforme. Quando o jarroio carmim pingar ao solo, não haverá mais nada, e quando a carne desgrudar, não haverá mais nada, e quando o vento levar, não haverá mais nada: Nem gritos, choros, risos, erros, maledições ou coisas que possam nos abater.

...Mas não é engraçado, que os bons são os primeiros a serem ruins?

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