terça-feira, 20 de junho de 2023

Bola de Cristal.

eu só queria dizer que ando cansado.

Sei lá eu de quê - mais sei que extenuei e estrangulei aquilo que chama-se limite.

Minahs lágrimas secaram, Dulcinéia não se encontra para afagar minha barba e dar-me um beijo, tampouco Sancho enfrentaria comigo o Aragonésco moinho, pois ele saiu para almoçar faz três anos longos...

Na verdade me perdoe a metáfora embutida, mas, queria era um porto seguro - difícil termo e condição para os dias de hoje e para a vida que se vive de caxangá e pôrto pôsto contra o Sol.

...mas o que é mais me anseia a alma. Minhas carnes vibram por esse dia.

O sôm, que ensurdece, desatina, corta e tange, fere, toca e mata. Tal qual esse momento. O translúcido quasar que ressona a dissonante nota que atenua e atenta o que aquele guitarrista fez no Royal Albert Hall aos 5'56'' do Concerto de Despedida em 1968. Dantesco, preciso e lírico.

Queria era alguém que comemorasse minha fraca existência como se fôsse motivo de dulia, ou de algo estimado. Como o velho canino que se abana e se expõe em barriga faceira para ser acariciado.

Queria sair por aí, nada de acampar ou dias de praia com areias inconvenientes no corpo. Apenas uma mesa e garrafas, fumaças de tabaco e músicas para cercear quando houver descuido no silêncio.

Queria buscar sentimentos antigos, desde os natimortos em mim até os que foram assassinados por mãos de esmaltes que não enxergo as côres.

Além disso: sinto que nas sôfregas mãos em que peno em dizer algo ao escrever, marco apenas a sentença do eterno escriba: ao testemunhar o fato, torno o lírico - sem ter a necessidade. Apenas por um fator ididota de transpôr em letras, do que meu coração chora.

Também tenho dias tristes, noites negras, e um vivante da solidão que há muito e há tanto é minha companheira. Há dias que penso que não tenho afago, e há dias penso que há alguém que aceite minhas loucuras.

Há dias que sou um rei assunto. Há eternidades que sou o fim-de-fêira.

Não me importo, me sinto bem assim.

Se me apego em Deus? Como não?

E haveria mais alguém que me ama com tôdas as minhas (inúmeras) imperfeições e me aceita? (e que óbviamente não seja de gênero de carne, pois)

Paciente, em algum lugar do universo, Êle existe. E eu aguardo a hora de Vê-Lo, para sentir um vero amôr que me consuma as entranhas. Há dias que são cinzas, e outros tantos dias Cinzas.

E no fundo, eu não quer dizer nada com tudo isso. 

Eu só quero vomitar um peixe pôdre de tão antigo desta garganta minha.

E não. Você mais uma vez não entendeu.

Nenhum comentário: