terça-feira, 1 de novembro de 2022

(Find The) Cost Of Freedom

Eu duvido muito de mim e das coisas que penso. E por isso as transcrevo. 
Não tente entender. E se realmente quiser entender, me pergunte. A tua conclusão preciptada só pode piorar o quadro no qual extenso as minhas palavras e que você pode julgar; o dever do escriba é sempre (a seu modo, linguagem e têmpo) dizer das coisas de seu coração, de sua fé e de seu tempo. 
Boi voador não pode.
Conheço o oculto de meu peito e adentro dele sei das coisas de meu coração - das quais admiro e exulto em ais. E por isso escrevo. E danço tango com a morte e como um pastel nas horas vagas.
E a escrita transcorre entre sua íris entre o lírico, épico, e belo; mas sabe lá tu de quê escrevo. Falo de minha vida, minha luta, minha saudade, dos pássaros, da geral que pia, e do peixinho-da-lagoa. Minha temática é híbrida e florida, mas você só pode entender se seguir meus passos de forma que ao eu te explicar porque faço uma coisa; o significado e valor que ela tem - pode não parecer, mas todos nós temos valor e significado, peso, história e legado; só precisamos saber se estamos fazendo jus a nossa bagagem ou sendo extremamente cuzões.
Como já dito anteriormente nos anais desse blog, a função do escriba é denunciar e por na história o que acontece contra os fascínios e os facínoras que nos cercam - e eu, como aclamado e dito escriba (e por vezes proclamado profeta da estepe), escrevo e transcrevo o que me circundeia.
Tal qual Jeremias (Jr XX;VII-XVIII), instalo em mim a lamentação ad infinitvm de um "profeta" que incute a verdade de Deus em comunhão com a situação dos homens, e escrevendo pois sobre as linhas apuradas de quem antes ouviu e sentiu Deus, nos pássaros eu vejo/sinto/ouço todas as coisas que acontecem de maneira ferrenha e apressada contra meus olhos, carne e alma: Falo da vista da janela, da amada, do vento, do amor, da morte, da lamúria e da Excelsa Glória de Deus, que se encobre e se vela nos altos Céus, que agora derramando gotas de chuva, abençoa a cada um de nós, que apressados nem sentimos o milagre da vida - seja pelo guarda-chuva, medo de desfazer a escova do cabelo, ou de ficar gripado.
Assim como o profeta, escrevo das carnes que sangram não (tanto) por desabafo, mas por um motivo bélico de denúncia: Pelo povo que padece, sofre e perece; eis, Padre Deus, minha missiva. E assim como o profeta, tangeste minhas mãos e minha boca com a tenaz para que eu dissesse e falasse com o peito e o coração; e das noites da taverna: bebi, berrei, briguei, embriaguei, e fui herói. Disse a eles o que escarnece sua alma e denunciei a atitude que corroe a alma, mas que eles não são capazes de aceitar. 
Subi ao altar. Sentei-me a destra do altar, na escada. Naquele instante, naquele nosso pequeno tractvs, ficou decidido entre nós dois o que havia de ser; e assim como o profeta, fui tentado, posto ao sopé da morte, mas ainda sim vivo fiquei para exercer minha parte do tractvs e da nossa aliança, e ainda sim quando eles fôssem reis, eu os pisaria para mostrar a sujeira, e quando eles fôssem pôstos em humilhação, eu os mostraria o verdadeiro reinado e espólio que Me ensinastes.
Não os julgo. Mas os condeno, e peço ao Juíz que mude os corações endurecidos, e deixe as lindas garôtas ouvirem, e os Céus turvarem. Peço a paz, a calmaria, e o abraço que os braços procuram - de causa urgente e passível de morte. Ah, assim como o profeta digo a iniquidade do meu povo, e faço minha parte além da denúncia, pelas obras e pela ação-em-fé. E isso me basta; ainda que eu o ache tão pouco, mas Me ensinaste Tua matemática, e nos dias mais soturnos, mandaste teus mais diferentes e diversos amigos para ter comigo, e por Tua imensa Glória o pouco que tive dividi - e se multiplicou, e quando nada tive, obtive tudo de Tuas mãos, e quando meus olhos choravam, foi lá Tu e desceste até mim e me segurou em Teus braços, e quando estava Tu deveras ocupado salvando os meus a quem onerosamente orei, mandaste novamente os Teus. E vi você.
E assim como o profeta; sabendo de meus imensos erros e incapacidades, escolhi Você e o Seu partido assim como me escolheste, me capacitaste e me enviaste para a messe barulhenta e briguenta do cativeiro, e com isso escrevi minha história na Tua e me prometi que meu nome seria sublinhado para que fôsse o Teu mais brilhoso, e até hoje os Teus amigos me ensinam diariamente esta lição; e não me arrependo de estar e viver neste lado da história, de forma alguma. Pois, assim como o profeta, és a minha Força, Certeza, e Alegria. E nunca seja eu objeto ou fiança, pois não sou e nunca fui merecedor de nada de bom que me ocorreu até aqui, Bom Pai.
É tudo pela sua imensa Misericórida.

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