Sai dessa, Morena. Vai morenar teu côrpo no sol-a-sol, vai é curtir, toma uma e sorri. Sorri que a vida sorri de volta, e embaixo do sari da Concórdia, foi onde eu me refiz - a vida é boa, e o fim gera um novo começo que gera um novo fim que gera uma nova chance, um novo caminho. Sai dessa, Morena. Sai dessa e não se erra que eu tô pra longe, tô rindo daqui, e você rindo daí, e rimos sem rir em conjunto, mas temos do riso em comum-senso. Sai dessa, Morena, que você já me ganhou, me deixou ir, e eu que não posso mais voltar, sai dessa - não foi vacilo, nem medo, nem nada. Sai dessa. Olha pra quanta gente que há no mundo, e percebe que você tem mais motivos pra rir do que eu - ouve tudo o que eu já disse, lê de novo tudo o que eu li, e passa pelos lugares que eu te levei, e lembra. Ali eu estou, e ali eu (por enquanto ainda) sou; E você sempre será, sempre está: A abelha que faz o mel, vale o tempo que não voou.
Sai dessa, e cai no mundo, e lembra de tudo aquilo que poderia ter sido, ter estado, ter ficado, suspendido e cuidado. Cuidado. Bôm conselho: A vida não aceita troco de moeda, e na maioria das vezes só passa uma vez com boa vontade. A vida não é ruim, como tôda criação de Deus, ela é justa. Nós, que na condição humana, não conseguimos desmistificar o rosário completo das coisas boas e ruins, e no meio-de-campo, não temos Zé Maria na retaguarda, Luizinho na ponta-de-lança, ou até mesmo Rivellino na alta-guarda. Estamos nós mesmos com bola na mão, na hora da roubada de bola, e não podemos derrubar, nem nos deixar machucar, nem perder a bola, e nem perder o lance pra dar aquele gol. Morena, tu já fez o seu gol.
Neste momento, após a queda do véu anunciado, vejo o que nunca coube em mim, o que nunca pude ter sentido em minha vida, e caio de joelhos sobre a tumba de um passado tão agitado quanto limpo: Nada a temer, mas tudo para se esquecer - I Me Mine - e deixar tudo na Asa Menor do tempo, do vento; Tudo se renova, e se transforma, e não quero dizer com isso que o amôr não se transforma, muito pelo contrário: Ele pode sim, e deve, se renascer, liquefazer e ser ad aeternum, mas, ele também pode renascer. E ele renasce quando naquela mesa daquele bar com aquela cerveja com aquela música e aquele trejeito (cousa que só se acontece duas vezes na vida, se os sujeitos fôrem realmente predestinados a se aturarem).
Daqui do degredo, tudo continua lindo, a cerveja continua gelada, as pessôas cortêsmente param de limpar a calçada pra você passar, e o Sol faz sua contribuição aparando as roupas no varal, e as crianças que brincam na bacia de aço da mãe no quintal são tão lindas, são tão lindas, é tudo tão lindo, lindo como o infinito que é você, Morena. Lindo como o infinito que é Deus, lindo como tudo aquilo que permanece no ar, mas, eu não ouso mais dizer ou tocar, ou até mesmo procurar - deixo nas mãos do Divino.
Morena, sei que você ainda vem aqui ler uns textos, e eu ainda escrevo aqui lembrando do passado, gravando os dias do presentes, e infelizmente deixei o futuro nos braços de Quem o cuida melhor. Sei também que estamos em rumos, tempos, vias e caminhos totalmente, extremamente opostos. Mas, tudo aquilo que eu senti um dia ainda está suspenso no ar - como aquelas mortadelas presas na padaria. Basta você cortar a corda, e deixar cair. Sai dessa, que dessa vida só se levam as coisas boas, o que guardamos no velho baú de prata.
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