sábado, 23 de março de 2019

Apenas Um Rapaz Latino-Americano.

...E foi embora junto com a blusa, foi embora junto com o sorriso, e com a vontade de mais uma vez ir ver as flôres daquele jardim, e foi embora como muitas vezes foi embora. Foi de mim que saiu a virtude de continuar a viver. Pensando bem, saiu de mim o início para sair dali o fim.
Em cada altar do meu coração em que ergui um altar para você, eu vou o demolir, e para cada oração que fiz por nós dois, abrirei meus braços pedindo a verdade aos Céus, e para cada sorriso inocente, deixo uma Luz que incandeia na estrada, e para cada dôr, aprenderei a lidar, como sempre tive que lidar, e deixar mais um rastro de conhecimento para ninguém, mais uma gama de planos jogados ao vento, casa que foi planejada na areia fofa, e sonho que nao vou sonhar mesmo.
O sôm dos sinos é aonde guarda a minha verdade. É onde nunca deixei de ser meu.
Dona Antônia, que falta me faz. Seus 89 anos batidos nos meus (quase) 27 iriam ter a regula certa do que fazer neste momento. Sua mão, tão sôfrega e torta na minha, durante o Ofício, me diria algo que me faria pensar melhor, meditar, considerar, ou ao menos olhar ao meu redor e me desafogar daqui. Véa, a vida anda sendo pesada e dificultosa, não venho me mantendo, e sinto cada vez mais das dôres que lhe dizia. Ouvir sua voz agora seria mais que bálsamo, mas o melhor presente de aniversário. E por mais que eu saiba dos "ricos que pisam nos pobres", e os "bem-aventurados os humilhados", e "fazer seu melhor e esperar, pois tudo tem seu tempo e sua vez", mas, franciscanismos a parte, minha Véa, quando vai chegar a minha vez? Quando minha chaga irá fechar?
Percebo, mais uma, mil, vinte mil vezes, que ainda me entrego, e não me reservo, ainda sou temporão em tudo que faço, e mantenho meu melhor. Percebo mais ainda, que as pessoas nos olham como peso de prumo, e nunca como pessoas que sentem, olham, falam, e por isso nos tratam com objetificação, daí, consigo somente pautar a tristeza dessas linhas assim. Talvez Dona Jorgina estivesse certa em algunas aspectos. Alguns.
Eu só queria dizer nesta crônica de desabafo que meu peito dói, mas, que não vou seguir sorrindo. Minha fé ainda me ajuda a seguir, como a todos acontece, mas, hoje em diante me reservarei mais, voltando a ser aquela isolada, vulcão inativo, perdido no oceânico, que quase ninguém sabe que existe. E que a meta pra esse ano, não é mais chorar (lágrima última que foi derramada hoje), e sim rezar, pensar, e entender os planos de Deus para hoje - e sempre; Afinal, fui eu mesmo que pedi na oração de sempre: "E Que eu só leve alegria a tôdos os corações", não é mesmo? Então, que assim seja.
De resto, que o têmpo flua. - Que as lindas garôtas ouvirem, e que o Céus turvem ao meu favôr.

Kyrie, Eleison.

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