segunda-feira, 13 de abril de 2015

O Evangelho da Vida segundo o Porco Do Mato.

Bep, acorda, sai da concha e brilha, sai de onde estás e louva o dia, porque tudo foi feito pelo Sol, e o mundo ruleia por nós.
Serenamente, uma estrela tocaria o solo com sua mais louca vontade de cruzar os Céus, rasgando a sua fuligem e véus, aonde nunca mais se pudesse existir: A casa cheia, o copo meio-completado, o moto-perpétuo, as roupas no varal, cambraia embaixo das panelas e micro-ondas, a vontade de ir embora. É tão resoluto quanto a vontade de vê-la. Velar-lá, vê lá, que tempo é, que horas são, que segundo se faz presente o que quero, Seu cabelo encaracolado, seu pé pequeno, sua coxa grossa, a boca pequena e carnuda, os seios em abundância que ousam sair do decote do vestido.
A estrada empoeirada cinzenta que me afastou me tantas cousas, que me levou e trouxe do do marasmo da solidão, dos amigos, da cerveja, daquela praia cheia de perdas, das pedras que atiraram em mim e nem sei se ainda estou vivo, e nem sei aonde estou, e nem sei se eu ainda estou pensando no que queria. Você sabe o que eu sei que eu pensei o mesmo que você quando vi aquela música tocar e aquele sorriso brotar dos furtosos que olham por nós. Por quê usar uma blusa tão grossa numa brisa repentina? Porque quis, Por quê olhar pra trás quando se pode caminhar extensivamente sem destino algum no mundo quando se pode apenas trilhar o mesmo velho caminho? Porque cada um tem seu destino guardo nos doces véus e mistérios de Deus, mesmo assim podendo alterar suas estradas.
Você acredita que o sorriso da criança tem mais de Deus do que na mão cravejada de anéis de ouro daquele homem que bate a mão na Sanctae Regvlae no Paço da Sé? Eu estou aqui, eu estou aqui. Eu sempre estive aqui.
Todas as estradas se cruzam, e todas as pessoas tendem a se encontrar e se ver um dia, ou de novo, ou pra sempre, ou pra nunca mais; E eu estou fadado a ver seu rosto novamente e novamente. A charada sincopada de vestido e salto, o penhoir vermelho e meia branca, a branca saltada num batom negro, que morde, beija, belisca. Urra.
Olha para o Céu, e vede. Todas as coisas, tantas coisas mal se comparam quando vistas em som separado. Una todos os sons, e mesmo no caos tenha em certeza, que todos os sons juntos, em frequência e tom diferente, emanam em si sua mensagem, abra os ouvidos de ouvir, os olhos de ver e ponha um som no olhar. Não tenha medo sequer do que eles dizem, o que eles dizem só diz, e o que você diz, faz, acontece. Dos teus cachos brotam as bençãos, as melodias, as profecias e a maravilha do amor puro e límpido, e sincero, Mãe Maria passou na frente pisando na cobra fea e nos escondendo debaixo de sua saia, nos livrando do dragão. Amén.

Nenhum comentário: