Sinceramente, não creio na certeza do que cresce e floresce.
Cada vez mais creio no que minha mãe me nutriu desde cedo a crer: que eu não teria amôr, que não saberia o que isso seria (ou como seria/funcionaria), e como relógio com deficiência psicomotora, estaria eu fadado a chegar cedo demais ou tarde demais em toda história que me acochasse, sobrando pra mim a dita migalha. Como fadado a ruína e crescido na pobreza, guardei no âmago de meu coração os maiores desejos de um homem enforcado, e nele fiz meu trapiche e caserna. Nos dias frios, as estrêlas eram as confidentes, e a Lua, quando aparecia em formas cuniformes, era a musa de minhas trovas e serestas. E quando havia frio, os cobertores eram o abraço; e no calor, o vapor quente da natureza era o clima que nos excitava.
Hoje, mais uma vez, é de solidão. E apenas isso.
Aliás, como se percebe que se chegou tarde demais? (não há relógio que determina, e é isso que atordoa e dói)
Apenas quando algo se consuma? Ou quando seu peito se arde em ais e vendo a oculta efíge daquilo que os olhos velam, você simplesmente esquece quem é, o que veio fazer, e porque está ali?
E aqueles pares de olhos, que almejei minha vida toda, de repente não estão mais lá - e sendo franco, nem sei se eles alguma vez estiveram, e talvez tenha sido uma busca vã e fadigosa por nada. E como diria Dona Márcia: mais uma vez construí minha casa na areia. E tôda a busca, tôda a verdade, tôdo o sonho, tôda a esperança, tôda a fé, tenha sido tardia demais; logo não me resta nada mais e nem nada além de sentar no meio dessa estrada.
Sim, sentar. Parar. Fim. Corte abrupto.
Sacudir o pó das sandálias aonde não se é benvindo, e seguir para algum lugar só meu, aonde eu possa cegar esses olhos, tanger em tenaz viva de fôgo meu coração, e calar aquilo que pulsa jorrante ao peito, a mente anseia e o corpo clama. Matar o homem novo e renascer o velho. Não mais pulsar água e viño, mas apenas entender a vida como é e segui-la de maneira cada vez nenhuma. Não havendo vida, não há o que doer.
Os discos, os livros, estão todos aqui, tôdos eles me dizem aquilo que me cabe. Tudo isso ainda (por curto espaço de tempo me pertence). Que se te procura conforto, ombro amigo, ou descanso, mais fácil contar com o vazio do que com quem você está amplo e apto a entender e viver. Não se preocupar e deixar aquilo que mais dói e tange do que faz bem, e parar de pensar tudo por aquém não pensa tanto - sem escusa, sem justificativa, sem entrega e sem pensamento.
Entre a água e viño, escolho o copo que me anestesia e me deixa sair de mim, para num momento, trancado em meu apartamento, eu possa me sentir vivo, inteiro, e soltar um ris genuíno de alegria em meu peito desfigurado e em meu rôsto transfigurado, judiado da viagem até aqui.
Sigo, não por opção.
Eu, sinceramente, termino e encerro aqui.
Um afago nos Santos Cães da Rua, e meu amôr a tôdos os Irmãos Profetas da Rua que em seus abrigos, são mais sábios do que eu, e nas igrejas que fui, um pedaço de mim - meu coração, no Largo. E aos que se exilam, meu venerável e ditoso respeito cego de armas.
No mais, adeus.
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terça-feira, 26 de dezembro de 2023
A Pair Of Brown Eyes.
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