domingo, 29 de maio de 2022

Tratame Suavemente.

 Você continua linda, após tanto (pouco) tempo sem lhe ver, sua casa continua linda, arrumada, e você continua bonita e de sorriso cativamente - é inegável esse vão entre nós, mas, me alegro em assim te ver, te ouvir, e falar amenidades, pois assim ao menos me sinto próximo a um vão de distância.

De certa forma, entendo e quero te ver, e me alegro que por mais que seja um momento assim de rapidez, e por ora emborcado no silêncio, você nem imagina como tua presença me faz bem; escrevo por desabafo, enquanto te vejo dobrar as roupas, mas adoraria beijar você, segurar teus braços e sentir teu perfume; ouvir-te e sentir-te. Fazer segredo de nós dois. E poder te amar por toda uma vida, de fato. E ainda sim, motivos e sanções me impedem de caminhar até você e consumir minha glória.
Ao te ver arrumar tua casa, vejo tua virtude. Ao te ver me dar entrada, vejo seu coração, e bem sabes que não tenho tato e nem timing, mas extendo até você meu coração, e você inegavelmente sabe o que sinto por você, e que não deixei de sentir de forma alguma ou maneira alguma.
E nem passou muito tempo definitivo ou eterno, mas suas pernas continuam lindas, e o arquejo de teus pés continuam belos e firmes, suas tatuagens reluzem contra sua pele, e o modo despretensioso como fuma seu cigarro de palha ainda me ecoam um passado recente, aonde nos vejo num quarto-cubiculo, nos vejo em uma kitnet da zona sul, e nos vejo aqui mesmo neste apartamento aonde nós muitas vezes fomos nossos - nos pertencíamos.
Gostaria agora de sentar ao seu lado. Sorrir. Contar uma piada. Te fazer rir. Te beijar. E ver o Sol nascer e morrer ao teu lado. Queria afagar tuas mãos, te dizer das minhas aventuras, e te falar do amor que ainda tenho no peito que reside só pra você, e gostaria que acenasse de volta para mim, que me desse apenas um beijo, e que me guardasse de forma magnífica no sacrário do teu coração - por favor, assenta-te ao meu lado, ri e brinca. Termina de ser a peça faltante da minh'alegria.
E terminas de olhar o celular, e olha o universo. E me notas.
Minha mente diz teu nome, meu coração anseia pelo teu nome, e minhas mãos sofrêgam sem as tuas. E assim que eu me encontro em tua presença, meus olhos evitam não te olhar, mas te querem mais que tudo.
Dentro de nossa intimidade, conhece o êxtase que tenho na tua presença, e que não gostaria de ir embora.
Me chamas para um filme. A roupa seca. Me alimentas. Sentas ao meu lado. Divide um cigarro. A têz cai lá fora. Ainda vês que teu nome tem um coração, ri, fala em inglês, e cochila, acaba o filme, lhe acordo. Seguras minha mão. Beija. Chama-me pra dormir. Encosta em mim e sorri com o peito disparado. Lágrimas negras caem, saem, doem. Teu sorriso me desconcerta. Teus afagos me confortam e me dão paz - e por mais que disseste que seria só ontem e o ontem ficaria no ontem, não poderia eu ter uma forma de ter sido cuidado melhor.
Nos seus braços, me senti um alguém novamente.
Não quis e não fiz questão de dormir, passei vários momentos dessa madrugada lhe fazendo cafuné, beijando suas costas, nuca, e afagando teus braços e pernas. E pela primeira vez depois de muito tempo, consegui dormir com o corpo encostado no seu durante o tempo todo.
E ao romper da aurora, vi dormindo comigo, estando comigo, e perfumando o quarto com teu aroma. Assim soube eu que era Deus. E sempre foi.

Um comentário:

Anônimo disse...

Espero ansiosamente o retorno eleito do cronista com sua musa amada. Um passo já foi dado, não é Ox?

Feliz por suas felicidades e esperançoso com tuas esperanças.