E o saveiro desemboca no rio, se atraca. Cidade de lugar temente, de onde vejo o Sinédrio e seus belos senhores da lei, que sabem menos da vida e mais da (des)velação dos olhos. O cheiro de jasmin parece me abandonar a cada segundo, eu quero ir embora, eu não sou daqui, eu (não) me pertenço, eu sou burro, feio e bobo, trafego na rua, e gente assim não merece vencer na vida. O sujo é quem tem esse direito. Fita meus olhos e sente, se você entende essas letras, preste atenção no tamanho desse desandar, e no que dizes, e no que fazes, e no que sentes, ela ainda pensa, mas deixa no ar, hoje não tem cheiro de jasmin. E a cabeça pesa, palavras ficam desconexas e eu estraguei mais uma vez e eu ajo cada vez (mais) como um total idiota. (Não) tenha misericórdia, nem pena, é normal idiotas assim cometerem gafes igual a essas, eu passo por isso sempre.
A história que passa pelos meus olhos denuncia tudo aquilo que se passa pelas vitrinas, e os desejos mais maravilhosos que elas nos cintilam os olhos: Vãs mentiras bestas, que flagelam a alma, comerciais de manteiga e jóias, cousas que êles não dizem e nem sequer as paredes contam nos débilos segredos. E eu penso, choro. Peno, nada é real, e a realidade me fez oceânico por excelência - é tudo a mesma coisa de sempre, é sempre a velha pedra contra a testa, e faz a vontade de se exilar na Sibéria ser pior e menor que isso tudo, e ser egoísta ao ponto de só pensar em mim e me esquecer do resto, e viver pros meus livros e discos, e sentir cada vez mais essa corda que aperta meu pescoço me tirar daqui e me levar ao lado de quem tanto me amou primeiro - de quem estava lá na hora do mar revolto. Quando eu venci esse mesmo mar ferreo e revoltoso, eu percebi que o melhor abraço que já pude ter um dia ganhado, foram dos meus braços, e o melhor sentimento que tive foi quando eu venci uma parcela da vitória toda que ainda estava por vir, e aqui no degredo a gente sonha muito em vencer o vislumbrante dragão da maldade, e ter essa idéia de que se isolar é bom. Se isolar é ruim, mas vezes a maçã é gostosa quando não se esfarinha na boa.
A silhoueta dela parece cada vez mais distante de mim, e eu cada vez mais esguio, amarelo, de olhos fundos e cálido; Cai-não-cai, e fala, fala-me todas essas cousas que me magoam mas me fazem seguir, e me fecha os olhos, mas me mantenha cada vez mais atento aos sinais, e rende, como eu já me senti. Talvez o sonho mais simples se'a o mais difícil de conseguir, e isso explica tudo - inclusive essas lágrimas nos meus olhos, e essa dor tão forte. Se não ouve, não calça a alma, e se não armar, tem o vão amor dos dias. Me leve embora daqui, nobre senhor, nada disso me orna ou me orienta, tampouco faz jus. Mesmo que eu me despojasse a sentar no local dos meus, onde me cabe, seria maior do que a mim, me ponha nos serviçais ou com os cães, é dali que sou, meu signo diz a quem olha na minha face. Eu não sou daqui, e de minha boca proferem chagas, de meus olhos, malderes, de minhas mãos, más ações, e de meus passos, tristes mágoas que a quem segue, se perde ou se magoa. Me leve, Senhor, e me atire no primeiro trancoso que houver, ali estará a glória da água corrente, e ali cabe a mim, e a minha lama, aonde meu coração não se tem em água e vinho. Ali eu posso me pertenço, não me provincio mais.
É noite, e faz silêncio. Estou tão só que poderia morrer, ou ser noticiado como o mais novo Asafe, que na hora da solidão brindou no violão aquela melodia de Granada Esmeralda e fez o Sol nascer cinza pra acordar a moça mais linda da morada dela, e cair em paz. Ela não sabe, mas eu quero casar com ela, espetar meu pendão no seu seio, carregar por onde for seu cheiro, e escrever passantes de glória e enfeitar o cabelo dela com lírios e magnólias - mas, estes móveis tem piedade de minha alma e me levam pro Saveiro, e a garrafa esvaziou, e eu não sinto dor, não sinto angústia, mais nada. Estou longe.
Finalmente, estou começando a deixar tudo isso pra depois.
Nenhum comentário:
Postar um comentário