Estrelas do Céu, sejam minhas testemunhas, falem me em versos bons e medianos, e deixem meu coração vibrar - abrir as janelas dessa escotilha e ver o que aconteceu enquanto dormia embalado pelo marejo.
O Capitão das Bodas e Águas Fundas ainda existe, e sua triste feição não pode ser evitada: Sua alma secula pelas carnes que lhe aprisionam e a maldade e indiferença lhe chagueiam e turvam a vista, e as vezes, tão somente as vezes, quando Ela está por perto e lança o cheiro de sua pele sob ele, aninhando-se no peito ou em seu colo, há se uma bonança incrível e uma força de querer vencer a vida no dente - mais além. O mundo.
E sou eu novamente, saveiro de madeira e candeia acesa ante a noite estranha, cruzando o mar ferreo. Ora tempestuoso, ora eterno, ora acompanhado de outras jangadas no içar de vela e tarrafa, pegando o que me cabe de sustento do mar, ora sozinho, na noite da solidão, lembrando da casa, rosa e jardim.
Por Ela, fiz o verso, melodia, música e pendão, tirei do pote e dei: Toma, é teu. Por ela me deixei sangrar, e cegar, e poder ser tudo o que me cabe: Não me precisei estar acima ou abixo; Nivelado. Da proa do saveiro, no brumeio incerto, lembro de quem da areia da praia me mandava amplexos cheios de lembranças, beijos cheios de gosto, textura e cor, lembro do sorriso mais esperado que guardo na ida e estimo na volta.
Dos braços que prendem-se ao corpo cansado, da água no copo dado a boca que nem prolifera palavras frutíferas pela secura da garganta que foi maculada pelo beijo da amada. É noite, faz-te presente e deita do meu lado, e seja minha candeia, não se apagando essa noite. Nem nunca mais.
O timão, dá meu rumo norte com certa lentidão, mesmo quando eu ainda brigava co'as ondas do mar, ele se mantinha independente a esta mão. E não se pode fugir do que está escrito e preparado; Possa até ser que uma hora você possa alterar, mas, uma hora a onda vem: Marola ou Alteio. Mesmo agora tendo mais controle sobre esse timão e sobre a direção, movimento das ondas e dos barcos, ainda sim hora ou outra me sinto perdido, desencontrado. Nada que me assusta, ou me dê medo, nada do que tenha visto ou sonhado: Apenas a incerteza do futuro, dos próximos nós, e de todo o restante. Medo que Ela esqueça de minha feição, e afeição, da aferição de minhas mãos nas tuas, timoneiro eu, timoneiro vou. Aqui estou.
Um comentário:
Ela nunca irá esquecer a sua feição. Esta na hora de parar de se martirizar do que não deu certo e brindar a vida que é tão invejada por muitos, seus textos sempre estarão prendendo a atenção dela, música feita para ela sempre será ouvida todos os dias.
A raiva foi passageira e o que sobrou em seu coração foi o amor e sentimentos bons.
Postar um comentário