sábado, 6 de agosto de 2016

Células Mortas.

Eu sou aquela linha de baixo - e se interessar, eu ainda não morri. Eu ainda sou eu mesmo, só que agora mais eu; Linha de frente, olhos abertos e voz certa. Eu não caí de vez ainda, a minha cama ainda abriga minha cabeça pesada, meu cão e minha música, e quando eu deito tudo é uma coisa só, e a música é o ronco do cachorro e meu corpo é um disco e a cabeça pesada vira um amontoado de cobertas. Eu ainda estou vivo.
Eu ainda sou aquela linha de baixo - e minhas camisas sou eu que lavo e sou eu quem bateio e passo. Da minha vida cabe a mim e Deus saber, e ninguém além dele: Óbviamente a Leoa e Rainha Antônia podem dar pitacos, pois foram elas que guiaram meus passos até aqui, mas ainda sim cabe a mim as burradas e acertos. Opa, calma lá: Não deita esse seu dedo pra cima de mim - tem três contra você. Opa, calma lá: Não vem me julgar se você não conhece minha história e minha mente. Opa, calma lá: Nem vem falar de mim ou defender alguém, pois ninguém é reu e ninguém é juíz, e a voz que mais fala em fazer certo (na grã maioria das vezes) é a que mais faz bosta, então...
Eu vou perpetuar aquela linha de baixo, e quando você estiver deitada na sua cama, ouvindo qualquer amenidade, você vai lembrar dessa linha, e você pode até chorar, mas eu não vou ligar: Eu tô querendo que se foda. Eu tirei férias de mim mesmo e só quero saber do teoco do pão mês que vem, e se achar ruim, me desculpa, mas é muito sapo engolido por nada, pra nada, pra ninguém que valha a pena. Só ilusão, só carnaval. Tudo acabou em três dias. Três dias? Logo ele ressucita. Logo tudo volta a ser como antes, ou não, não sei ao certo, não sei se essa época de milagre ainda está vigente.
Em tempo: A linha de baixo é fenomenal, quem ouviu achou atemporal, e quem gostou, chorou quando ouviu. Meus amigos ainda são os mesmos e ainda acham minha virtuose pela música belo e doentio, mas tá legal, tudo. Eu ainda consigo exprimir um sorriso apesar doa poucos cabelos e da tristeza que ronda a minha porta. Agosto tá aí, e eu me assusto como uma criança que tem medo do escuro: Nunca ouve um motivo para ser um bom mês, e não é agora que vai ser, então é sinal da cruz e reza, evitar sair de casa e não chorar na hora da fraquejada. Lágrimas fechadas não ganham confiança no inimigo.
E a linha de baixo, já está sendo um sucesso.

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns pelo texto