domingo, 8 de dezembro de 2013

Sem Nome #14

Hoje tudo paira;
Amanhã o tempo para;
Depois alguém lha ampara;
E outra diz que lhe amara;
Copo se enche e esvazia;
E nada alegra esta via;
Carros trafegam sem meia pia;
E uma costureira ainda fia;
a vida incrívelmente continua, guria.

Deixados nós na selva real;
Eu me dilacero para te mostrar o panorama geral,
o plano de nós dois contra este espaço sideral,
a cidade sendo um vórtex contra nosso bem astral,
eles tiraram tudo nos deixando até sem moral;
Porém ainda temos paz, amor, batatinhas e tal;
Amigos, não é hora de chorar, isso ainda é banal.

Aqui eu digo em alto e bom tom;
Para todo aquele que ouve e entende o seco som;
Define-se mal por não comungar com o bom,
mas isso não define caráter de quem é cristão ou maçom;
Todos se vão pra baixo das raízes escuras da terra marrom:
Ter-se-á quem comunga com o Deus e com o pai de Mamom.
Não me leve a mal, só estou sendo justo.

Não boto ponto em história alguma.
Nem mudo o traço, fico burro, feio e bobo na rua;
Esperando o dia descer e tanger minh'alma.
Aguentando os dias que passam nos trens;
Amando cada segundo aonde me contemplo;
E esperando você do futuro, vir ao passado m'encontrar.

Um comentário:

Anônimo disse...

Belo, a única palavra que me toma após ter lido tamanha perfeição!
Adorei o jogo emaranhado de palavras.

Libélula
T.J