sábado, 13 de abril de 2013

1962

Eu posso morrer hoje?
Você me deixaria, me concederia a honra, o privilégio, a glória e o temor de subir aos céus como a névoa de uma vela, para poder lhe ver, lhe sentir, lhe abraçar, e saber que realmente está tudo bem? Você poderia vir até mim mais uma vez, e com a permissão de alguém, ou Do Alguém, você me diria o que é e está sendo tudo isso, o por quê de tantas coisas, e como, de súbito, faria eu entender no que eu tanto creio como religião, e tanto digo como filosofia de vida, e faria eu tanto aceitar o que ainda hoje me parece tão díficil como hoje?
Recorro aos livros, e nada me dizem, a música apenas alimenta aquela vontade doida de ouvir tua voz. Teu beijo na cabeça, teus olhos e tua voz tão tremida, seus pés cansados e rachados, as mãos machucadas - Não foi falta de salvação. Sua voz ecoa pelos lugares, e seu nome ainda é lembrado por mim, e por quem te tinha em estima, sua estrela não se apagou, e agora ela está no meu pendão. E eles ainda falam mal, e diem coisas tão fea, mais, você mesmo me disse: São palavras, apenas palavras, ferem, magoam,quase matam, mais não te tiram do foco se você não permitir. Mas, e o que eu dei a ti? Nada.
Minha cabeça deita-se num travesseiro duro, e eu sinto como se fosse o chão. Me pergunto agora se você ainda sente alguma coisa. Eu sinto minhas mãos tão quentes, e minha cabeça tão distante de tal, não que eu quero estar longe de você, mas, é que as vezes esquecer para mim é melhor do que ficar retalhando minha mente num assunto que só lhe denigre e lhe corrompe mais a alma, e só me cansa, e me deixa mais triste, mais oceânico que antes. Eles não sabem de nós, e eu não dou a mínima, agora sabemos, que éramos/somos/seremos fortes sempre. Nossa história é incolor, imortal.
Quando eu morrer, você vai lá me ver, me abraçar, ter comigo, e a gente vai poder estar junto de novo, como foi esse ano que passou? Você se lembra que estávamos nos entendendo e acertando? Você lembra da rede embaixo da árvore, o violão comendo solto, a fogueira estralando, os pássaros cantando, e Deus ali, a nos olhar? Você se lembra da casaforte, das histórias, de 1962, e tudo o que deixastes aqui?
Será que ao menos, você ainda se lembra de mim?

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